Capítulo 10: Lírio amarelo
"Repletos de encanto, mistério e magia, os lírios fazem parte da história da humanidade há muitos séculos. Nessa trajetória, encontram-se misturas de lendas, misticismo, simpatias e religiões. Esse tipo de flor é muito mencionada em livros sagrados, como a Bíblia. [...]
Lírio amarelo: significa uma amizade pode virar um romance, porém, dependendo da circunstância pode indicar decepção e desengano" — Giuliana Flores Blog
《 Hyunjin 》
Faltava poucas horas pro Mobius acabar. O dia dezoito estava passando arrastado, cada segundo parecia ter a mesma duração que os minutos, tão torturante que chegava a doer como mil facas perfurando meu coração. Em compensação, Yerim é divertida e o tempo no Mobius acaba em 6 horas, logo poderíamos voltar para nossas vidas, eu torcia para que nenhuma delas estivesse sozinha.
— Está feliz? — Yerim pergunta enquanto se senta do meu lado na cama.
— Claro, finalmente isso vai acabar. — Digo encolhendo minhas pernas para dar mais espaço — Só espero que nenhuma delas tenha ficado sozinha...
Já estava ficando escuro, o céu completamente sem nuvens e se enchendo, aos poucos, de estrelas. Primeiro as mais brilhantes abriam o show, logo dando espaço para as menos reluzentes, preenchendo nossa visão das luzes belas que podíamos admirar livremente.
— Posso te fazer uma pergunta? — Balancei a cabeça — Como você se apaixonou? Quer dizer, já sei que você é apaixonada por um homem que trabalha em um salão de cabelo, mas como vocês se conheceram e se apaixonaram?
— Já faz 84 anos — Digo sorrindo e citando a fala de um dos vários filmes que assistimos na televisão para passar o tempo, arrancando uma risada de Yerim. — Foi há muito menos tempo do que isso, 2015.
"Saí de casa com um simples plano: Entregar algumas cartas no correio. Mas voltei com algo completamente diferente: O número de um garoto e as cartas que eu deveria ter entregado.
Enquanto eu passava em uma rua, ouvi um barulho que parecia um choro de algum animal. Voltei alguns passos e vi um gatinho de pelo laranja em um lugar que parecia ser os fundos de uma loja.
Me aproximei do gato, que foi alguns passos para trás. Estendi as cartas que eu tinha na mão para tentar atrair a atenção dele, o que funciona, já que ele se aproxima de mim.
— Você é tão fofo — Faço carinho nele. — Eu não vou te machucar, venha. — Digo pegando o gato no colo e vendo que ele tinha uma coleira, mas não consegui ler o nome.
Andei um pouco com o gato no colo, até ouvir um grito.
— Menina! Você de cabelo preto e vestido azul! — Me virei — É! Você! — Vejo o menino correr até mim e o gato pulou do meu colo, se esfregando na perna dele. — Este gato é meu. Onde o achou?
— Aqui perto. De nada. — Digo olhando para o relógio que ele tinha no pulso e vendo que o horário do correio fechar já estava quase chegando, então comecei a andar.
— Ei! Já vai assim? Não posso nem saber o nome da menina que salvou meu gato?
Olho para trás e reparo melhor no menino, que já tinha o gato nos braços. Virei para vê-lo melhor.
— Kim Hyunjin.
Conversamos um pouco, até que meu celular começou a vibrar. Peguei-o e vi que era a funcionária do correio.
— Alô? Hyunjin? — Ela diz e eu respondo um "oi" fraco — Você disse que estava vindo, já vamos fechar, falta só 10 minutos.
— Eu não vou conseguir chegar. Ainda estou muito longe.
— Amanhã não vamos abrir, suas cartas eram urgentes?
— Não, posso passar aí na segunda-feira? Você vai estar trabalhando? — Olho para o menino, que estava escrevendo algo em um post-it.
— Vou sim. Bem, vou preparar as coisas pra fechar então.
Desligamos e o menino colou o papel na capinha do meu celular. Tirei rápido vendo que agarrou um pouco da tinta dela e ficou falhada. Levantei o celular e mostrei pra ele.
— Você vai ficar me devendo uma capa nova! — Ele começa a andar pra trás. — Não fuja!
— Me liga que a gente combina isso. — Faz um telefone com a mão direita e começou a correr."
— Não foi uma primeira impressão boa. — Yerim diz abraçando as pernas — O que aconteceu depois?
— Começamos a conversar. Eu realmente queria muito uma capinha nova, mas depois descobri que foi minha amiga que fez, não tinha outra igual — Me estico e pego o celular, mostrando a capinha para ela — Essa aqui. — Guardo de volta no lugar — Mesmo depois disso, nós continuamos conversando, nos formarmos e eu comecei a faculdade, quando os estágios começaram ele sempre me acompanhava, já que ficava perto do lugar onde ele fazia curso de cabeleireiro.
— E vocês se apaixonaram.
— Talvez apenas eu...Mas isso não importa agora.
— Claro que importa! Todo o amor é importante.
Ficamos quietas no silêncio mais confortável que já estive. Não procurava mentalmente inúmeras formas de recuperar o assunto, sabia que uma hora ou outra vamos conversar novamente.
— Você quer sair? Aproveitar um pouquinho. — Yerim diz levantando — As estrelas estão muito bonitas.
Não tinha nada a perder. Um pouco de diversão me faria bem.
— Vamos. — Falo pegando meu celular e guardando bem em cima do travesseiro.
Saímos de casa, logo eu senti o vento frio que fez meu cabelo e o de Yerim voarem. Sorrimos uma pra outra e começamos a andar.
— Onde vamos? — Perguntei enquanto olhava ao redor.
— Até aqueles carros com três rodas.
— O quê? Isso existe? Sempre vi carros com quatro rodas...E, qual o motivo de irmos até lá?
— Não é esse o nome, também não são exatamente carros. Eu só não sei como esse tipo de veículo se chama. Você vai ver, é divertido lá.
Continuamos andando. Baseando com o horário da última loja com um relógio visível para quem via de fora ainda era 19:42, já andamos tanto que imagino que seja oito e alguns poucos minutos no momento.
— Logo logo vamos chegar. Ainda podemos aproveitar bastante e se você não gostar de lá, podemos ir ao parque que tem perto. — Ela diz animada. Eu esperava me contagiar daquela alegria tão boa que Yerim sentia.
Nós continuamos andando, algumas vezes ouvia um barulho como se houvesse mais alguém ali, tinha sim algumas pessoas que passavam pela rua, mas não era isso, era como alguém andando perto de Yerim. Isso foi o bastante para que eu não soubesse o que fazer e nem como agir.
Chegamos em um portão e Yerim pegou minha mão me passando para o outro lado de uma grade. Ela pulou com tanta facilidade que comecei a achar que era rotina dela ir para aquele lugar.
— É aqui? — Perguntei observando os dois metrôs que estavam parados naquele lugar.
— Não, é aqui perto.
Ela pegou minha mão e seguimos andando. Vi em um relógio que realmente já passava das oito horas da noite.
— Chegamos!
O local era escuro, com exceção das luzes daquele e veículos de nome desconhecido.
— Aqui é bonito, não é? — Yerim diz correndo para o centro do lugar. — Pode escolher um, se quiser dirigir um deles eu posso te ajudar.
— Como você conhecesse esse lugar?
— Resultado das minhas buscas iniciais pela casa de Haseul.
Ela ficou em silêncio e tinha um sorriso bem fraquinho. Imaginei que estivesse entre pensamentos nostálgicos, então comecei a andar pelo lugar observando aqueles veículos que não eram exatamente carros. A luz que saia deles não era tão forte, mas eu conseguia ver as grades que os separavam, o que deveria evitar acidentes naquele lugar.
Mesmo sem reparar acabei indo longe, tinha muitos veículos e eu queria ver cada um de perto. Só notei que estava longe ao ouvir o grito de Yerim me chamando. Logo ela apareceu do meu lado e colocou a mão em um dos veículos, um roxo.
— Quer dirigir? — Diz abrindo a porta. — Por aqui mesmo.
— Não brinque com isso. É óbvio que vamos bater. — Ela não via as grades? O Mobius atrapalhou a visão dela?
— E daí? O que pode acontecer? Não vamos nos machucar.
Em minha mente eu já tinha milhares de finais para o que poderia acontecer. O efeito do Mobius estar enfraquecido e nos machucarmos, ou um incêndio, dependendo da gravidade do acidente. Ela foi insistente e acabei aceitando.
Só tomei consciência disso quando já estava no veículo estranho.
— Vamos lá! — Senti que estava começando a andar.
O que eu fiz da minha vida?
— Fica tranquila, já dirigi muito isso — Ela parecia saber o que está fazendo, vou tentar confiar nela e me divertir.
Yerim acelerou e eu senti um vento fraco. O veículo estava dando voltas e voltas. Divertido o suficiente para me fazer sorrir.
Depois de um tempo, olhei para o pequeno relógio do veículo, que marcava 21:29. Se for para voltar, era melhor ir agora.
— Yerim, já são nove e pouco da noite. Vamos voltar?
— Você quer?
Refleti um pouco. Eu queria? Estava divertido aqui, poderíamos simplesmente ficar, pelo menos mais um tempo. Quando eu tinha me divertido tanto assim? Havia muito tempo, perdi as contas dos meus sorrisos e dos níveis da minha felicidade. Tinha algo bom no Mobius afinal.
— Podemos terminar o Mobius aqui? — Perguntei me encostando no banco.
— Não sabemos o que vai acontecer — Ela desacelera. — Vou estacionar e ficamos aqui conversando. Pode ser? — Balancei a cabeça e logo ela estaciona.
Deixamos os bancos inclinados e ficamos parcialmente deitadas. Nós duas pareciamos processar muitas coisas, talvez os acontecimentos dos últimos meses. Eu lembrava a data de algumas coisas, como a data que eu encontrei Yerim, também o dia em que eu fui sequestrada, tinha tudo anotado na minha caderneta, a mesma que fiz aquelas informações sobre as meninas no início de tudo.
— Yerim — Ela sussurou um "diga" — Se você pudesse dizer qualquer coisa para qualquer pessoa do mundo, o que e para quem você perguntaria?
— Você já me perguntou isso, no dia que nos encontramos.
Realmente perguntei. É uma pergunta que eu particularmente gosto, envolvem coisas que temos que lidar: Palavras e pessoas. Independentemente de quem somos ou gostamos, apenas não sei se isso é algo bom ou ruim.
" — Agora você é de verdade? - Yerim perguntou para Hyunjin assim que conseguiu se aproximar dela.
— Em qual momento eu não fui? — Ela riu e observou mais uma vez a paisagem do lugar. — Eu sou tão real quanto alguém pode ser.
Mesmo sem dizer, ambas concordaram em descer do lugar e caminharem sem saber para onde. No final, estavam na casa de Yerim, que era, coincidentemente ou não, próxima da casa de Hyunjin.
— Posso te fazer uma pergunta? — Hyunjin diz se sentando no sofá, após receber autorização de Yerim para isso.
— Claro, pergunte o que quiser.
— Se você pudesse dizer qualquer coisa para qualquer pessoa do mundo, o que e para quem você diria?
Yerim ficou quieta por um tempo, pensando em uma resposta para aquela pergunta incomum. E encontrou apenas uma:
— Eu poderia dizer qualquer coisa para qualquer um que precise. Tenho coisas que eu diria para Haseul que eu não falaria para Yeojin, assim como o contrário. E você?"
Sorrimos com a lembrança daquele dia. Não nego que estava feliz de ver o fim do Mobius se aproximar, mas também me alegrava de saber que conheci uma possível amiga.
— Acredito que minha resposta ainda seja a mesma, mas principalmente pediria desculpas para Yeojin e Haseul por não conseguir encontrá-las. — Yerim se sentou e eu fiz o mesmo. — Até hoje você não me contou o que você diria.
— Esfregaria na cara do chefe do estágio que eu cheguei até aqui e consegui dinheiro suficiente para visitar Paris. Também agradeceria aos funcionários do correio, que me ajudaram.
— Não entendo essa história até hoje!
Comecei a explicar a história do meu estágio, naquela mesma noite Yerim me contou das aventuras com Yeojin e Haseul tão bem que senti que as conhecia há eras. Parecia divertido passar o dia com elas.
O tempo passou rápido, como se acelerassem o relógio. Logo já era 23:58, saímos do carro e fomos até a saída do lugar. A lua cheia já estava brilhando no céu em contraste com as estrelas. Ouvi um barulho e me virei, sendo acompanhada por Yerim, vi uma sombra de uma pessoa alta, aparentemente um homem.
— Oh, que pena, não era para vocês terem me visto. — Eu reconheço essa voz.
Ele se aproximou de nós e a luz da lua o iluminou.
Era ele.
— Caralho. — Eu falei quando vi que era a pessoa que eu amo.
— Puta que pariu. — Yerim disse quando viu a faca na mão dele.
— Cacete. — Eu gritei quando senti a faca no meu braço.
Fui puxada para perto dele e senti o corpo dele se chocar com o meu. A mão dele levantando meu queixo e a faca cortando meu pescoço.
TO BE CONTINUED
Esse capítulo teve as referências mais voltadas para So What e eu realmente não sei o nome daqueles benditos carros mutantes que aparecem.
Vou colocar novamente uma frase embaralhada para distrair um pouco:
"Todos os são nem amores verdadeiros. Podem qualquer cruéis ser assim e alguns maldosos, como humano"
E não queiram me matar, beijos.
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