Capítulo 3
Esta obra é uma adaptação autorizada. Todos os créditos são da autora original LouTommo-Styles. Escrito por Isa Feijó e publicado pela Editora Calíope, disponível na Amazon e Kindle Unlimited.
Eu estava petrificado, congelado de medo. Meu peito batia desesperadamente e estava achando que ele podia escutar. Mas aí lembrei que o mesmo era um Ômega Lúpus, então ele estava realmente escutando meu coração desenfreado.
Louis deu um pequeno sorriso de canto e se ajeitou na poltrona.
-Se acalme Harry, só precisamos conversar. Sente-se – ele indicou o meu sofá, como se a casa fosse dele. Eu até poderia chamá-lo de arrogante ou presunçoso, mas, contando com o fato de que ele poderia arrancar minha cabeça em poucos movimentos, não achei uma boa ideia. Como um alfa sensato, eu reconhecia o poder do ser a minha frente
Caminhei para o sofá como se estivesse caminhando para a morte, porque talvez eu realmente estivesse. Me sentei no sofá, engoli em seco e esperei que Louis começasse a falar.
Louis Tomlinson é muito mais do que Steven tinha dito. Ele é absurdamente lindo, tudo nele chama atenção, até o jeito que apoia seu rosto em sua mão e olha de canto para mim, parece um convite a testá-lo.
Ao mesmo tempo em que é possível perceber o quão poderoso e perigoso é. Seu olhar parece avaliar cada detalhe, como se o tempo todo estivesse em diferentes possibilidades e em todas, ele sairia ganhando. O grande problema, meu problema no caso, é que esse olhar estava voltado para mim no momento.
-Camile Styles e Edgar Walker –ele falou esses nomes vagarosamente, quase em deboche – você os conhece, não é alfa?
-Sim – sussurrei.
-Sua esposa? - por que ele fazia perguntas, das quais sabia as respostas?
-Apenas no papel, e ele o amante dela, o que por si só explica isso – respondi com o máximo de confiança que eu tinha adquirido nesses anos, o que não era muita na verdade.
Mas Louis pareceu gostar, já que seu sorriso presunçoso voltou, dessa vez um pouco maior.
-Me falaram que você responderia algo do tipo, mas eu queria me certificar – ele disse. A voz era melodiosa e possuía um toque de satisfação – Então você não se importa se algo ruim aconteceu com ela?
Eu fiquei tenso, quer dizer mais ainda, Tomlinson não perdeu isso.
-Não.
-Então por que ficou tenso?
-Eu tenho medo – admiti quase sussurrando, eu imploraria de joelhos se fosse necessário – que você faça algo comigo ou com o meu filho.
-Vocês fizeram algo de errado?
-Não! – saltei do sofá – Eu nem queria que eles fizessem seja lá o que estavam fazendo, eu implorei para pararem! - entrei em desespero, estava falando e gesticulando sem parar, apavorado que ele achasse que eu estava o afrontando ou algo do tipo – Olha, todo o dinheiro que ela me deu, eu guardei – eu corri a pegar a caixa de madeira e entreguei para ele – pode ver, está todo aí. Sei que eles devem ter roubado bem mais, mas se me der um tempo, eu posso conseguir o dinheiro! Sim, eu posso! Por favor, meu filho não tem nada a ver com isso, Noah nem gostava dela, na verdade a odiava, tinha medo do Edgar então por favor...
-Harry! - ele falou alto, me interrompendo e fazendo meu corpo inteiro vibrar – Respire! Eu não farei nada com você ou seu filhote. Nada de ruim.
Fechei minha boca na hora.
Ele não ia fazer nada de ruim?
O que ele ia fazer?
-Não preciso desse dinheiro, use o para vocês, compre coisas para seu filho, faça o que quiser. Camile já pagou a dívida que tinha comigo de outro jeito – ele me devolveu a caixa – Preste atenção, eu não gosto de enrolar. Eu sigo o Código de Conduta dos Alfas como já deve ter ouvido por todo esse desespero e você já deve saber também o que aconteceu com sua esposa e o namoradinho dela.
-Ela não é minha esposa — eu o corrigi me arrependendo logo em seguida – e eu não sei o que aconteceu com eles.
-Não? - ele levantou uma sobrancelha.
-Não, só sei que eles não aparecem aqui há cerca de duas semanas – será que Tomlinson achava que eu os estava escondendo?
Pela primeira vez o ômega a minha frente esboçou alguma reação descuidada, algo parecido com espanto e um franzir de sobrancelhas. Talvez o fato dele perceber a minha sinceridade o tenha deixado surpreso.
Louis se levantou da poltrona e se sentou do meu lado no sofá, perto demais.
-Você está dizendo a verdade, você realmente não sabe – ele parecia falar consigo mesmo, nossos joelhos se tocando e eu só conseguia pensar o quão próximos estávamos –a marca não te avisou?
-O que a marca tem a ver com isso? -em um movimento rápido, ele puxou minha camiseta para baixo, deixando minha clavícula a mostra –Hey! - eu tentei me afastar sem o tocar, mas ele segurou meu braço com uma mão, enquanto a outra dedilhava meu peito – Pare! - não doía, só era estranho porque eu estava me inclinando para longe dele e ele se inclinava para cima de mim.
-Seu peito está levemente arranhado e seus batimentos normais – ele estava tão intrigado com aquele fato inútil, que não percebeu que se aproximava cada vez mais – e a marca de Camile era tão rasa que quase não a diferenciei de um corte. Nem parecia feita por um alfa.
-Digamos que talvez eu não seja realmente o melhor exemplo de alfa – digo encabulado em tom baixo, com uma extrema vergonha de o quão insignificante ele deve me achar agora – Será que você pode se afastar por favor? - finalmente sua cabeça se levantou e seus olhos vieram para o meu rosto, estávamos tão perto, que eu sentia a sua respiração na minha pele.
Os olhos dele eram como safiras, eu podia dizer que eram os olhos mais lindos do mundo, mas para mim sempre seriam os olhos do Noah. Então, com certeza, aquele par que me encarava ocupava o segundo lugar.
-Certo – ele se afastou ligeiramente, também se livrando do transe que estava preso –acabei me perdendo e não falando o que vim fazer aqui – ele passou de forma tensa a mão pelos cabelos curtos, como o cabelo dele podia parecer tão macio? - Quero que preste bem atenção e não quero que, em momento nenhum, você sinta de medo de mim, entendeu?
-Sim – tarde demais, mas eu não retrucaria.
-Camile e Edgar estão mortos.
-Oh Luna!
-Eu os matei – ele falava calmamente.
-Você os matou?
-Sim, ontem à noite.
-Ontem, claro, por que não? -respira, Harry, respira!
-Eu disse que você não precisa ter medo de mim.
-Você invade a minha casa, fala que matou a ômega que, teoricamente, é minha esposa e o pai registrado do meu filho e ainda diz que eu não tenho que ter medo? - me levantei e comecei a andar pela sala – Sabe que estou a um passo de entrar em pânico, não é? Você é o ômega mais desconcertante do mundo, por Selena!!!
-Por que '''alfa'''? - ele sorriu! Ele estava claramente se divertindo com meu desespero!
Além de mafioso gostoso, ainda era cretino!
-Precisa mesmo que eu repita a minha última fala?
-Sente-se Harry – ele bateu a mão no sofá, do lado dele – Eu sigo o Código de Conduta, o que quer dizer que em momento algum vou deixar você e seu filho,desamparados.
-Como?
-É isso, não vou deixar que nada aconteça com vocês ou que lhes falte algo – oh Luna! Ele estava falando sério estava? - Eu verifiquei que falta muita coisa nessa casa, amanhã virei aqui com meus irmãos, faremos uma lista completa de tudo que precisamos comprar. Caso queira acrescentar algo, apenas informe Liam que já está consertando a documentação de seu filhote. Também estipularemos um valor mensal de dinheiro para que eu te entregue, mas faremos as contas para que seja justo para vocês. Toda semana alguém fará uma visita, Niall já se candidatou ao cargo, aliás, ele está animado em organizar uma festa para Noah e..
-Ow! Calma aí, lista? Dinheiro? Festa? Eu não estou entendendo nada!
-Eu vou cuidar de vocês – ele diz sério e eu não vi um pingo de hesitação – Harry, quero que entenda – ele se virou totalmente para mim, segurando as minhas mãos – não sei como era o seu relacionamento com Camile, mas ela quebrou todas as regras e passou do limite do aceitável. Mesmo sendo avisados diversas vezes, eles resolveram cruzar o meu caminho. Eu nunca perdoei a dívida de ninguém, não ia ser justo a deles, um alfa desprezível e uma ômega vagabunda, que eu faria. Você não precisa saber dos detalhes, mas ela principalmente esteve em minhas mãos por dias. Um dos argumentos deles para que eu os liberassem,era que eles tinham família, que Noah não conseguiria sobreviver sem eles e você era incapaz de se cuidar. Ao matá-los, eu aceitei assumir esse papel. A partir de agora, cuidarei de vocês.
Acho que travei por alguns segundos. Fiquei paralisado.
E, o pior, sabe qual foi a primeira coisa que pensei?
-Que mentirosos!
-O quê? - Louis perguntou confuso.
-Camile! Ela é uma mentirosa! Ela nunca cuidou de nós, mal dava dinheiro e o que ganhava, gastava quase tudo! Eu trabalhei logo depois que Noah nasceu para nos manter. O 'incapaz' aqui educou, ensinou, protegeu e manteve um filho que nem podia dizer que era meu por causa de um maldito papel! A única ajuda que vinha era quando a cada três meses, a mãe dela depositava dinheiro, por que dá Camile mesmo, só o dinheiro que está naquela caixa! Mas como ela me odeia, duvido que mande mais! Francamente, na hora de me bater e humilhar eles não tinham essa de "cuidar da família"! Ele ameaçou meu filhote diversas vezes.
-Te bater? Ameaçar? - Tomlinson perguntou e só então percebi que ele ainda segurava as minhas mãos.
-Sim, algumas vezes ele me bateu e, bem, ele era um alfa estúpido e nunca chegaria a encostar em Noah. Perderia qualquer controle que me resta.
-Apenas posso dizer... - Louis falava controlado, enquanto soltava das minhas mãos - ...que fico feliz de já ter os matado, ou eles estariam ainda mais fodidos.
-Ok.... - o que é esperado que eu diga: "Valeu por ter matado a minha esposa?" - Se serve de ajuda, eu realmente pedi para eles pararem com isso.
-Eu sei, Niall me contou – ele sorriu de canto – aquele irlandês é ótimo para julgar caráter, nunca errou. Por isso sempre o mando para lidar com gente nova. Apenas uma vez eu achei que ele pudesse ter se equivocado, mas percebo que não....
Nós ficamos em silêncio, eu podia dizer que estava tentando racionalizar/absorver toda aquela informação e controlar meus instintos de ego ferido, mas a verdade é que só fiquei olhando para aqueles olhos azuis.
-Que horas você vai buscar Noah? - ele diz por fim, depois de um certo tempo.
-Como?
-Que horas você vai buscar Noah na casa das suas amigas?
-Como você sabe?
-Eu sempre sei – foi a resposta dele com um dar de ombros.
-Claro, óbvio que sabe – em uma escala de um a dez, o quanto eu estou ferrado? Ele me provocará uma úlcera nesse ritmo – Dez e meia, combinei de ajudar a Ashley a organizar tudo.
-Certo, estarei aqui as nove horas. Trarei alguém para consertar a porta do fundo – consertar? -Depois de buscarmos Noah, podemos almoçar no shopping, eu vi que ele tem poucos brinquedos pelos cômodos, a tarde meus irmãos virão aqui e poderemos conversar melhor sobre tudo o que falta na casa.
-Espera, quê? - eu perguntei, ele estava se levantando, alongando os braços e pronto para ir embora.
-Precisa que eu explique algo?
-Pode ser tudo? Como assim vocês vão vir aqui? E eu não quero o meu filho no meio de nada disso!
-Alfa, apenas....
-Não me chame assim! - eu retruquei. Me levantei e fiquei o encarando – Nós dois sabemos que gênero não tem nada a ver com isso, você não pode me tratar como um invalido só por eu não ser um alfa bom o suficiente. Criei meu filho por todo esse tempo e o amo muito, então não tome decisões sobre ele sem mim.
-Eu com certeza nunca faria isso com ninguém, muito menos com você – ele diz sério, colocando a mão no meu ombro – apenas o chamei assim por força do hábito, mas te chamarei do que você quiser. Eu nunca faria algo para te magoar ou duvidaria das suas decisões – eu via verdade e carinho no seu olhar e foi isso que me acalmou. Quando me sentiu relaxar, ele tocou o meu rosto – eles o tratavam assim?
-Edgar dizia que eu era um alfa defeituoso e que por isso ele precisava cuidar do meu filho porque eu jamais poderia protegê-lo – seu toque era tão bom, que me fazia querer dormir enrolado nele. Controlei imensamente a vontade de o abraçar.
-Esqueça que aqueles "alfa e ômega" existiram, agora eu estou aqui por você e por Noah – Louis se aproximou de mim e beijou minha bochecha me desconcertando completamente.
Fecho os olhos me deixando levar por sua pele macia e calor corporal. Meus pensamentos se embolam e sinto como se não existisse duvidas, como se o universo se quebrasse as suas palavras e as tornassem lei.
-Eu acho que nunca conheci alguém como você.... – ele ri como se escutasse uma velha piada.
-Descanse Haz, amanhã será um longo dia – então afastou-se – não esqueça de trancar a porta.
Depois que saiu, ainda demorei alguns segundos para conseguir fazer meu corpo reagir.
O que tinha sido tudo aquilo?
Tranquei a porta, corri para o banheiro e tomei um longo banho e 10 calmantes para controlar toda a minha inquietação.
Tomlinson tinha falado a verdade? Agora ele "assumiria" a minha família? Mas o que isso realmente significava? Até que ponto isso é verdade? Numa família comum eu que deveria tomar essa posição. Mas aquele ômega era tão imponente, e eu estava tão cansado de cuidar de tudo sozinho.
Me joguei no meu colchão ainda tentando entender o que realmente estava acontecendo. O pior é que eu não tinha com quem conversar, eu não tinha amigos de verdade. Mesmo Steven, Ashley e Emma, os mais próximos que eu tinha, não passavam de colegas de trabalho ou cônjuge. Eu nunca tinha contado tudo o que acontecia dentro da minha casa e, bem, não ia ser agora que eu ia contar, principalmente para uma policial.
E, contra todas as possibilidades e pela primeira vez em muito tempo, eu dormi rápido e em paz, relaxado. Sonhei com olhos azuis.
CheiroDeFracasso esta aqui, tentei fazer mais rápido pra ver se te deixava felizinho s2
Quem quiser comentar spoilers aqui, a vontade, a ideia é todo mundo ler o original primeiro então não reclamem. Comentem suas teorias, adoro ler hihihi.
O que vocês esperam dessa adaptação? Honestamente pra mim ela é uma grande brincadeira com o universo de LAY, diversão pura, então se tiverem alguma sugestão sobre como adaptar alguma cena sou toda ouvidos porque tem umas mais pra frente que vamos todos rebolar juntos kk.
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