6. listen to your heart, when he's calling for you
"Ouça seu coração, quando ele está chamando por você"
- Roxette (Listen to your heart)
terça-feira, 9h45min
Era terça-feira, e com ela, mais um dia de aula para Sohye. Ao mesmo tempo em que ela não aguentava mais se sentar e ouvir o professor falando lá na frente, ela ficava apavorada com a ideia de não poder mais organizar seus dias na grade de horários no sistema da faculdade. No momento em que se tornasse a professora oficial de alguma turminha de crianças, ela veria que nem tudo sai como o planejado e que às vezes é preciso improvisar.
E improvisar não era algo em que Sohye gostava muito de fazer.
Ela amava a aula de Conhecimentos Pedagógicos do Sr. Jung e amava como ele tinha domínio daquele assunto e mesmo assim era modesto com os alunos, mas o fato da aula ser a primeira da semana e com início às 9h da manhã, por mais que os slides fossem todos muito bem feitos e dinâmicos, mais da metade da turma acabavam se distraindo ou dormindo. E parecia que não importava o horário, a primeira aula do dia sempre daria sono.
Sohye levou o copo de café a boca e só então notou que o mesmo já estava vazio. Suspirou e cutucou a amiga ao lado que por pouco não caiu com o rosto no caderno aberto sobre a mesa. Gaeul se endireitou e apoiou o rosto na mão como se sempre estivesse prestando atenção ao homem que falava lá na frente.
— Vocês querem um intervalo de 10 minutos? — o professor falou notando a cara de mortos vivos de todos ali. Gaeul pareceu ter despertado com a palavra "intervalo" e fechou o caderno quase que no mesmo momento. O rapaz de roupa social, que poderia ser considerado jovem pelos outros docentes, riu ao ver que todos concordaram, sem exceção — Então ok, pessoal. Tomem água, lavem esses rostos cheios de remela e voltem para continuarmos. Como sabem, o trabalho da feira de profissões precisa englobar alguns princípios importantes para a pedagogia e neste período nós vamos trabalhar junto com a turma da professora Song — ouviu-se resmungos na sala.
Todos que tinham puxado a matéria com o Sr. Jung agradeceram aos céus de conseguir a vaga e não precisar ter aula com a outra professora. Mas no final, de nada resultou. Sohye deixou uma careta escapar, lembrando do quanto a Sra. Song era exigente e o quanto era difícil tirar nota máxima quando ela estava envolvida nas avaliações.
— Fechei a porta e a Song pulou pela janela — Gaeul resmungou decepcionada.
— Tivemos algumas sugestões de mudanças feitas por ela e os trabalhos não serão feitos em duplas, e sim em grupo — o professor completou e Sohye quis jogar tudo para o alto. Ela odiava trabalhos em grupo porque no final, ela e Gaeul fariam tudo sozinhas — Os grupos de apresentações já foram divididos por mim e pela professora Song e quero avisar para vocês desde já que um dos tópicos avaliados para a nota será o trabalho em grupo. Então não adianta uma pessoa fazer mais que a outra, todos deverão falar, todos deverão mostrar que teve uma função no trabalho. Vocês vão apresentar aqui na sala para mim e para a professora Song, e dependendo da apresentação vamos ver se o grupo vai ou não apresentar na feira e representar nosso curso — Ouviu-se reclamações de todos da turma.
Aquilo estava longe de dar certo e Sohye já estava preocupada antes mesmo de saber quem seria seu grupo. Ela torceu para que ao menos se ficassem em um ruim, ela e Gaeul ficassem juntas para dividir o peso do trabalho.
— Mas o que? — Gaeul falou ao mesmo tempo que o professor continuou.
— E nem adianta reclamar, meus caros futuros colegas de profissão — o professor fez piada tentando deixar o clima mais leve, mas não funcionou muito porque o falatório não parou. — Pessoal, pessoal! — falou mais alto o que fez as vozes cessarem — Muitos de vocês vão sair daqui e trabalhar em escolas e vão ver que uma unidade escolar não se mantém com apenas uma pessoa fazendo tudo sozinha. Foi por isso que aceitei a proposta da professora Song de juntar as turmas para realizar os trabalhos. É muito mais fácil trabalhar com quem a gente conhece e nós não estamos aqui para ensinar o fácil para vocês — disse tomando um tom mais sério. Ele olhou o relógio no pulso antes de completar — Os 10 minutos começam a partir de agora, saiam antes que eu mude de ideia e continue os slides — o homem disse com um sorriso brincalhão e saiu pela porta, seguido de mais da metade da turma.
Sohye queria ficar na sala, mas acabou acompanhando a amiga, que dizia estar morrendo de fome, até uma máquina de comida.
— Eita, que cara é essa Sohye? — Gaeul perguntou abaixando para pegar os bolinhos que tinha escolhido, entregou um para Sohye que ia negar, mas acabou comendo também.
— Só estou preocupada com o trabalho em grupo. Se eu não tirar nota máxima, minhas chances com o intercâmbio de 0, vão para -2 — suspirou alto enquanto se sentavam em uma mesa ali perto. Ela abriu a embalagem devagar, diferente da amiga que quase jogou o lanche para fora do pacote. Gaeul deu uma mordida e reclamou que não era igual o bolo de Seokjin, porque aquele tinha gosto de conservante e plástico.
— Ai não Sohye, não pensa nisso. A gente nem sabe quem é o nosso grupo ainda. Vamos deixar para sofrer depois — a menina de cabelos curtinhos assentiu, porque a amiga tinha mesmo razão: sofrer antes da hora não ia as fazer ter um bom grupo.
Na lógica aquilo até fazia sentido, mas na cabeça de Sohye, ela já imaginava como teria que encaixar as reuniões de trabalho entre o estágio, as aulas da faculdade e o trabalho na cafeteria. Ela já tinha pedido ao irmão para a dispensar na semana anterior para a palestra e não queria ter que o deixar na mão mais vezes, já que a outra menina que o ajudava na cafeteria só podia ir na parte da tarde. Aquilo era o mínimo que ela poderia fazer, já que Jin se esforçava tanto para a ajudar, tanto em relação a vida pessoal e familiar, quanto a parte corrida da faculdade e trabalho.
— Você ainda está pensando nisso, não é? — Sohye sorriu forçado — Não, não. Vamos falar de coisa boa! — Gaeul bateu palminhas e Sohye riu porque nunca parecia ser tempo ruim para a menina.
— Hm, tipo o que? — a irmã de Seokjin perguntou, mordendo o bolinho que realmente tinha gosto de conservante e de qualquer outra coisa, menos de morango.
— Tipo o que está rolando entre você e Kim Taehyung — Gaeul perguntou sem muitas vírgulas, e Sohye engasgou. No caso ela engasgou feio mesmo quando tentou engolir. Levou um tempo tossindo e precisou aceitar um copo de água que a amiga correu até uma máquina e comprou. — Nossa mon amour, não sabia que era tão sério assim — Gaeul zoou e Sohye revirou os olhos.
— Não está acontecendo nada entre a gente, sério mesmo, de verdade — Gaeul levantou a sobrancelha — É sério, Gaeul — Sohye tomou mais um gole da água. Colocou o copo na mesa e encarou o líquido transparente dentro dele. Começou a pensar se talvez não tivesse confundido as coisas e Taehyung só tivesse pedido para chamar amiga por ser educado. Aquilo parecia muito mais ser a cara dele.
— Ah, sei lá. Vocês demoraram tanto na cozinha que achei que vocês tinham ficado. Vai que né? — ela deu de ombros provocando a outra. Sohye sentiu o rosto esquentar, porque sequer imaginou que aquilo tivesse aparentado para ela e para os outros. Se perguntou se as brincadeiras dos amigos de Taehyung quando foram na cozinha tinha sido a respeito disso e se aquele tinha sido assunto enquanto os outros estavam na sala. O rosto dela avermelhou mais. — Nem um beijinho? — Gaeul perguntou com os lábios formando um bico e Sohye riu envergonhada, negando.
— Você gostou dele? — perguntou de volta, porque provavelmente ela não teria outra oportunidade tão cedo e porque queria se livrar de algumas paranóias.
— Aham — Gaeul respondeu dando a última mordida no bolinho — Do mesmo jeito que gostei dos outros meninos — respondeu de boca cheia mesmo — Ele é bonito né amiga, mas não faz o meu tipo não. — Sohye assentiu em silêncio. Se Taehyung gostasse mesmo de Gaeul, saber daquilo poderia doer um pouquinho. — Peraí... Você pensou que eu... Sohye? — Gaeul logo juntou as pecinhas e entendeu o que se passava na cabeça da amiga — Meu anjo, nossa, não. Achei o Taehyung muito querido, mas não acho que a gente combine. — Gaeul respondeu esperando que para Sohye aquilo fosse óbvio — Ta bem óbvio que ele gosta de você, Soso — Sohye abriu a boca formando um "o" e Gaeul riu alto quando percebeu que não, Sohye não fazia ideia.
O professor passou pelas duas, apontou na direção do corredor que dava para a sala, indicando que a aula já iria começar. Gaeul se levantou indo atrás, o que fez Sohye pegar sua bolsa na outra cadeira e fazer o mesmo.
— E de onde você tirou essa ideia? — Sohye perguntou, andando rápido atrás dela, mas sem correr porque não queria aparentar estar no mínimo animada com o comentário.
A menina de boina colorida riu e correu até a sala. Sohye sorriu, mas continuou caminhando tranquila, antes deixando o professor entrar no ambiente. Enquanto caminhava da porta até a mesa que dividia com a amiga, ela encarou Gaeul. Esta que já estava sentada na cadeira e que prendia o riso sabendo que Sohye a encheria de perguntas. A turma ainda não estava completa com todos os estudantes, só estavam ali o grupo que sentava na primeira fileira e não tinham sequer saído da sala. Ela subiu as escadas e se sentou ao lado da menina de roupa colorida.
— Digo pelos amigos deles. Tanto com você quanto com o Jk — ela observou a amiga olhar alguma coisa no celular enquanto falava. Sohye se perguntou porque não tinha notado aquilo. Devia estar preocupada demais com outras coisas no momento.
— Eu não reparei nada disso — disse e Gaeul revirou os olhos.
— Depois que você foi, eles ficaram um tempão perguntando quem iria atrás do kimchi na cozinha — ela arqueou a sobrancelha — Tudo isso porque não queriam atrapalhar — completou.
— Mas eu só o ajudei a terminar a comida. — Sohye comentou e Gaeul levantou as sobrancelhas.
— Mas porque você acha que eles acharam que tinha rolado alguma coisa entre vocês dois? — a baixinha perguntou — Talvez porque eles saibam o motivo de terem nos convidado. Que com toda certeza não foi por minha causa, como você deduziu.
— Nada a ver — foi a única coisa que Sohye conseguiu dizer. Gaeul não sabia se ria ou se dava um peteleco na testa da amiga. Como que era tão inteligente para algumas coisas e tão lerda para outras?
— Soso, ele ter me convidado para ir lá não quer dizer muita coisa, sabe? Homens são bem esquisitos. Nossa maior referência é o Jk que não para de falar do Park e quando chega perto do garoto parece que a alma saiu e deixou o corpo para trás — Gaeul sussurrou para que só a amiga ouvisse — Ele provavelmente falou para me chamar porque ficou com vergonha do Jimin chamando vocês do nada — Gaeul concluiu vendo a expressão da amiga.
— Talvez isso faça sentido — Sohye falou sozinha e Gaeul negou com o rosto, se perguntando se ela sempre foi lerda assim ou se era porque tinha acordado cedo e provavelmente com sono.
— Às vezes não consigo entender onde foi que meu cérebro parou de funcionar e achei que ele era hétero — Gaeul voltou a falar de Jungkook e Sohye riu lembrando-se do que a amiga dizia.
As duas tinham se tornado amigas desde o primeiro dia de aula na faculdade e a menina tinha se encantado com Jungkook desde o primeiro momento que Sohye os apresentou. Ok que a paixão não durou mais do que 2 semanas que foi quando ela descobriu que o menino não gostava de meninas. No final só restou uma amizade muito bonita entre eles. Apesar de Jungkook e ela trocarem algumas farpas de irmãos quase todos os dias.
— Pelo menos naquela época vocês não brigavam tanto — Sohye comentou e Gaeul lhe deu língua.
— Mas porque achou que eu gostava do Taehyung? — Gaeul perguntou e Sohye deu de ombros, porque no momento, nem ela sabia de onde tinha tirado aquela história e só sentiu vergonha — Poxa, mas imagina que triste se eu gostasse dele, sendo que não ia ser correspondido? — completou batendo o topo da caneta no caderno repetidamente. Sohye abriu a boca para responder, mas a porta se abriu entrando o restante dos estudantes, e o professor ligou o projetor com os slides.
— Espero que tenham conseguido acordar com o intervalo — o homem ajeitou os papéis em cima da tribuna, provavelmente do ponto que parou.
— A vida não é trabalho 100% do tempo, Sohye. Aprende a se deixar respirar um pouco também. — Gaeul sussurrou para Sohye e a menina apenas assentiu com o rosto.
Mesmo com muitos pedidos, o professor Jung não deu os nomes dos grupos naquela aula. Segundo ele, a professora Song queria ela mesma ir à sala fazer isso, e pelo o que pareceu, até mesmo o professor tinha medo da professora baixinha e de olhar julgador.
A classe tinha uma semana ainda até ter que se preocupar com os temas e com quais pessoas iam ter que dividir funções. Gaeul empurrou aquela preocupação para semana seguinte, diferente de Sohye que passou o horário de almoço e parte da tarde com aquilo na cabeça.
terça-feira, 16h25min
Gaeul, Yuna e Sohye caminharam pelas ruas do centro de Incheon a caminho do metrô. A menor com a mochilinha de Frozen sacudindo de um lado para o outro nas costas enquanto saltitava animada contando os segundos para pegar o metrô e ver o novo amigo. As mais velhas segurando as várias bolsas que quase já faziam parte delas. Gaeul falava boba como um de seus aluninhos trocava o R pelo L e Sohye ria com a imitação da amiga.
Elas passaram o cartão na catraca do metrô e pararam na área de espera que já haviam algumas pessoas. Sohye encarou a TV no alto que dizia ser 16h27min e ela sorriu sozinha, porque talvez estivesse tão empolgada quanto a sobrinha para que o relógio mostrasse 16h30min. Ela estava com um pouquinho de medo daquilo já estar se tornando rotina, porque no dia anterior elas não tinham encontrado com Taehyung e Sohye percebeu que o encontro já tinha se tornado a expectativa do final do dia.
Sohye se sentiu boba quando um sorriso inesperado surgiu em seu rosto e não conseguiu o esconder, mesmo imaginando que para ele devia ser só mais um momento normal do dia. Ela sentiu a Sohye de 15 anos dando olá para a de 22: talvez a adolescente bobinha nunca tivesse desaparecido, como ela imaginava.
Quando o relógio digital na TV indicou que o próximo transporte chegaria e o barulho do metrô foi ouvido, Yuna deu pulinhos empolgada. Elas esperaram algumas pessoas descerem naquela estação e entraram no vagão. Caminharam até o mesmo lugar de sempre, mas quem a tia e a sobrinha queriam ver, não estava lá.
Gaeul notou o bico se formando nos lábios das duas e viu que Yuna tinha características iguais a de Sohye. Ou no mínimo era uma mania que a menina tinha aprendido crescendo na mesma casa que a tia.
Nenhuma das três quis se sentar daquela vez. Sohye e Yuna decepcionadas demais e Gaeul porque não queria dormir de boca aberta de novo. A última quis rir quando viu a porta que dava para o outro vagão se abrir e alguém alto e com um rosto conhecido passar por ela. Ela pensou em avisar as outras duas, mas deixou que o próprio Taehyung se aproximasse. Yuna foi a segunda a ver o rapaz e quase deu para ver estrelinhas piscarem nos olhos da criança quando o viu. O que aquele garoto tinha que todos ficavam tão encantados quando o olhavam?
— Taehyung! — a menininha disse empolgada, o que fez Sohye olhar na mesma direção que ela. Gaeul que encarava a cena por fora, jurava que estava em um dorama ou em uma das fanfics que ela lia. Sohye e Taehyung se encararam sorrindo, mas nenhum dos dois falaram nada. Ele desviou o olhar primeiro e cumprimentou Gaeul com um sorriso discreto e ela fez o mesmo. Mesmo que discrição não fosse algo que fizesse parte dela.
A responsável por não deixar o silêncio continuar foi Yuna e ela se perguntou se a criança era mais esperta que a amiga: — Agora eu posso falar com você sem tomar bronca do meu pai, porque agora você e a tia Sohye são amigos, não são? — ela perguntou. Gaeul fez sinal de positivo com o polegar e a menina riu vendo a outra tia empolgada como ela. Se ela tivesse uma filha, queria que fosse tão esperta quanto Kim Yuna. Taehyung encarou Sohye esperando uma resposta, mas ela ficou parada sem saber o que falar. Eles eram amigos?
— Ai meu Deus — Gaeul disse sem paciência — São amigos sim, Yuna. — a garotinha sorriu feliz — Nós até já fomos na casa dele — finalizou.
— E porque não me levaram? — Yuna perguntou de volta, parecendo ofendida.
— Foi em um sábado, pequena — Sohye mexeu no cabelo dela carinhosamente. Yuna respondeu a tia com um "Ah" como quem entendia. Sábados eram dias que Yuna não estava com Sohye e com Seokjin e sim com sua mãe.
— Inclusive, já vi todos os episódios da primeira temporada de Ursos sem curso, sabia? — Taehyung falou se abaixando na altura de Yuna. Se antes pareciam ter estrelinhas nos olhos dela, agora deveriam ter constelações inteiras.
— E você gostou, não é? — ela perguntou, mas não deixou Taehyung responder — Claro que gostou, é impossível não gostar. É o melhor desenho de todos! — disse sorrindo e mostrando a janelinha do dente que tinha caído. Taehyung riu com ela. — O meu favorito é o Panda e acho que vai ser a minha fantasia na festa da escola, mas ainda não pensei como vou fazer. — ela fez bico. Sohye sorriu vendo o quanto o Kim parecia empolgado com aquela criança que falava demais.
— Eu ainda não sei qual é o meu favorito. Gostei do Panda porque ele é vegetariano, como eu. O Pardo é muito engraçado, mas adorei o Polar também. — Yuna sacudiu as mãozinhas mais empolgada ainda.
Ele tinha mesmo visto o desenho e não falou só para a deixar feliz. Yuna sempre soube que ele era legal e queria muito que ele e sua tia se tornassem muito amigos, assim como Gaeul e Jungkook eram já que não saiam da casa delas. Taehyung voltou a ficar de pé, esticando as pernas cansadas de ter andado o dia inteiro pelo museu.
— Vocês chegaram bem em casa? — Taehyung perguntou a Sohye que assentiu — Eu pensei em mandar uma mensagem para perguntar, mas esqueci de pegar seu número — ele justificou, realmente sem segundas intenções.
— Ah, não tem problema — foi o que Sohye respondeu. Gaeul sorriu amarelo olhando de um para o outro para ver se a situação ia sair daquelas reticências. Ela bufou quando viu que não, eles não iriam sair dos três pontinhos.
— É agora que você dá o seu número para ele, Sohye — a menina disse entredentes, como se Taehyung não estivesse ouvindo. Ele sorriu em um misto de vergonha com agradecimento a Gaeul, porque sinceramente, ele não tinha comentado aquilo querendo o telefone de Sohye, mas já que a situação estava entregando aquilo, ele aceitaria de bom grado.
Ele entregou o aparelho para Sohye que parecia uma cópia de Jungkook nos seus momentos de timidez extrema, com direito a rosto vermelho tipo gochugaru, a pimenta que Seokjin dizia não poder faltar no kimchi. Ela não estava com vergonha de dar seu número do telefone para Taehyung, ela estava com vergonha da situação que Yuna e Gaeul estavam criando. E por falar em Yuna, agora essa apenas ria, achando muito engraçado aqueles três adultos bem doidinhos.
A voz no metrô indicou que a parada das três estava próxima e Sohye entregou o celular para o Kim, já com o contato salvo.
— Manda uma mensagem para ela, tá bom Taehyung? — a criança falou, Sohye não soube onde enfiar o rosto — Senão ela vai ficar esperando e... — a tia tampou a boca da sobrinha com uma das mãos e sorriu negando com o rosto, como quem dizia para Taehyung não ligar para o que ela dizia. Taehyung riu se divertindo com a cena e Gaeul apenas pensava em como encaixar aquela cena em uma de suas fanfics porque aquilo merecia estar em um livro.
Quando o metrô parou e as pessoas começaram a sair, Sohye abaixou a cabeça rapidamente se despedindo enquanto Yuna, sendo arrastada pela tia, dava um tchauzinho para o garoto que ficou dentro do vagão.
Taehyung sorriu sozinho olhando elas saírem, depois riu olhando para o contato salvo na agenda do celular como "Sohye do metrô".
— Vocês um dia me matam de vergonha — Sohye falou descendo as escadas para fora da estação, chegando na calçada da rua que dava para a casa delas.
— Ninguém morre de vergonha — Yuna resmungou — Por que vocês adultos são tão complicados? — a menininha perguntou — Se você gosta dele é só você falar que gosta dele, tia. — falou como se fosse óbvio. Gaeul anotava o que tinha acabado de acontecer em seu bloco de notas do celular e digitou rápido para anotar a fala de Yuna. — O papai sempre diz que é importante dizer para as pessoas quando gostamos delas. — finalizou.
— É diferente, Yuyu — Sohye falou, mas também não sabia explicar para a sobrinha porque era diferente.
— Se até o Jungkook ta conseguindo falar com o Jimin, você também consegue, Sohye — Gaeul guardou o celular na bolsa — Depois você me conta se ele mandar mensagem — completou e deu um abraço rápido na amiga, mexeu no cabelo de Yuna que riu vendo Gaeul entrar na rua correndo, em direção a própria casa.
— Eu adoro a tia Gaeul — Yuna falou enquanto chutava umas pedrinhas na calçada — ela é doidinha — Sohye riu, porque concordava com ela.
Assim que as duas viraram a esquina de casa, um vento um pouco mais forte passou por elas. As folhas nas árvores começavam a ficar amareladas e algumas caíram, o que indicava a chegada do outono. Aquela era, desde sempre, a estação do ano favorita de Sohye.
Quando criança ela contava os dias no calendário, mas daquela vez nem tinha notado os dias passarem e só reclamou em todos eles o quanto estava cansada. Ela queria fazer como na infância: se deitar embaixo de uma árvore e ver as folhas caírem devagar dependendo da força do vento. Mas ela agora pensava que tinha coisas mais importantes para fazer.
Como se relaxar e aproveitar a vida também não fosse algo tão importante assim.
Depois de cumprir mais uma parte da rotina diária de chegar em casa, dar banho em Yuna e tomar banho também, Sohye aproveitou que a sobrinha já tinha se ocupado com alguns brinquedos no tapete da sala de estar e foi juntar os papéis espalhados na escrivaninha e ver o que poderia jogar fora e o que deveria guardar. Juntou algumas roupas que achou espalhadas pelo chão do quarto e levou até a lavanderia, pegou o aspirador e passou no quarto dela e no de Seokjin e passou pano em alguns móveis.
Chamou Yuna do andar de cima para que ela subisse e juntasse os brinquedos do quarto, para que pudesse passar o aspirador ali também. A criança tentou justificar que se colocasse todos eles na caixa de brinquedos, levaria muito tempo para os encontrar. O argumento não funcionou com a tia e ela guardou as coisas depois de enrolar muito. Com direito a fazer um longo discurso de despedida para cada brinquedo.
Nesse meio tempo em que a garota tentava convencer Sohye de que não precisava arrumar suas coisas, Seokjin chegou da cafeteria e depois de tomar banho, foi preparar o jantar. Yuna correu até o térreo para conversar com o pai e Sohye aproveitou para voltar ao próprio quarto e se jogar na cama por alguns minutos.
O quarto de Sohye tinha sido planejado por Sunhee e por Seokjin, quando foi decidido que ela moraria com o irmão. Os dois queriam que a menina se sentisse em casa, apesar de tudo.
As paredes eram amarelas clarinho, sua cor favorita, e a única diferença era a da parede da escrivaninha, do lado contrário da cabeceira de sua cama, que Seokjin com muito custo tinha encontrado aquelas tintas de quadro negro.
Aquela parede fazia sucesso com todas as pessoas que tinham a oportunidade de entrar no quarto e era a forma muitas vezes de Seokjin escrever coisas bonitinhas — ou as piadas de tio, que podem ser relevadas — quando via que a irmã mais nova não estava muito bem. Tinha recadinhos fofos de Gaeul e desenhos de Jungkook por todo lado, desde que eles eram adolescentes. Na parte de baixo haviam vários rabiscos de palavras que Yuna estava aprendendo na escola, algumas flores, um sol e nuvens, todos com rostos sorridentes.
No alto da parede haviam duas prateleiras que iam de uma parede a outra, com possivelmente mais de cem livros. Tinha escada planejada na estante para que a menina alcançasse os livros. Sohye sempre teve um amor pela leitura e por muito tempo quis estudar Literatura, mudando de ideia no final do Ensino Médio, quando em uma feira de profissões na própria Yonsei, ficou sabendo do curso de Pedagogia e foi pesquisar mais sobre.
Ela bateu o olho em um porta retrato em uma das prateleiras e se levantou o pegando. Nele estavam o Sr. e a Sra. Kim, o irmão mais velho e ela. Todos sorrindo felizes. Ali tinha um Seokjin de cabelos castanhos em um corte bagunçado, uma Sohye de cabelos longos e cheios com várias ondas com mechas azuis e roxas, uma mãe que amava seus filhos e o marido e um pai que fazia de tudo para os ver bem e felizes.
Ela riu fraco lembrando do quanto sofreu para cuidar das madeixas até a adolescência e que desde que tinha tomado coragem para as cortar, nunca mais tinha conseguido deixá-las voltar a ter aquele tamanho. Ela nem conseguia se imaginar mais com aquele corte de cabelo longo e com o trabalho de ter que retocar as mechas coloridas a cada 15 dias.
Olhou a mãe de cabelos longos, castanhos claros quase loiros e com cachos grossos e percebeu o quanto Seokjin mesmo com os traços orientais do pai, parecia com ela na forma de sorrir, ao contrário de Sohye que era a cara do progenitor.
Aquela foto tinha sido bem antes do furacão chamado hemograma completo dar o diagnóstico de leucemia no pai. Ela sentiu uma angústia começar a tomar conta de seu peito quando se lembrou de todo o sofrimento daquele período. Percebeu que lágrimas poderiam rolar a qualquer momento e tratou de colocar a fotografia no lugar. Sohye não gostava de chorar porque sentia que quando começava, perdia o controle dela mesma e não sabia como parar sem pedir ajuda ao irmão ou os amigos para a acalmar.
E ela não queria ter que pedir ajuda a ninguém.
Enquanto suspirava tentando colocar os pensamentos no lugar, ouviu Yuna abrir a porta e entrar em seu quarto sem anunciar.
— Tia Sohye — ela chegou esbaforida no ambiente —, meu pai falou que a janta já está quase pronta e a gente já pode arrumar a mesa — Sohye assentiu para a sobrinha que não pareceu perceber o que tinha acontecido segundos antes de entrar ali.
Ela agradeceu aos céus, porque não queria ter que tocar no assunto da falta do pai com Yuna. A menina não tinha conhecido o avô a não ser por fotos, mas adorava ouvir as histórias felizes que Seokjin contava sobre o pai. E por enquanto ela preferia deixá-la só com os momentos bons. Yuna segurou na mão da tia e as duas desceram, indo até a cozinha. O rapaz terminou o tteokbokki* que já cheirava pelo lugar, e Yuna e Sohye organizaram os pratos, talheres e copos na mesa.
Eles jantaram juntos e felizes, e Sohye que há alguns minutos quase chorava, agora sorria com as piadas sem graça do irmão, as gracinhas da sobrinha, e agradecia por ter Seokjin e Yuna como sua família. Tinha também a avó que era teimosa e não queria morar com eles e a mãe que mesmo do outro lado do mundo e com todas as discordâncias entre elas, Sohye sabia que do jeito torto dela, se preocupava com eles também. Tinha Jungkook e Gaeul que já tinha passado da linha tênue entre amizade e família e que ela já não se imaginava sem.
Ela sentia que essa lista ia aumentar, mas preferia esperar para ver.
Depois de terminarem o jantar, e Yuna levar o próprio prato na pia e sair toda boba com o elogio que tinha recebido do pai, Seokjin mudou o assunto perguntando sobre a faculdade e o estágio. Sohye sabia que ele estava querendo conversar sobre algum outro assunto, já que ainda não tinha a zoado segundo nenhum sobre limpar catarro de crianças.
— Sohye — ele chamou a irmã enquanto ela lavava a louça e ele colocava o restante do jantar em potinhos coloridos, ele entendeu o "hm" dela como um sinal para continuar — Você lembra do Namjoon? — Sohye prendeu o sorriso que ia escapar, algo a dizia que ela não era a única que se lembrava de Kim Namjoon.
— Lembro do Namjoon — disse enquanto esfregava a esponja com detergente em um dos pratos.
— Eu meio que o vi esses dias — Sohye se virou o olhando de olhos arregalados. Seokjin sacudiu as duas mãos na frente do corpo como quem negava.
— Não, não foi desse jeito. Não marquei nada, nós só nos encontramos sem querer um dia desses. — Sohye assentiu voltando a atenção a louça, mas doida para falar mais alguma coisa.
— E vocês se falaram? — ela questionou, Seokjin negou com o rosto — E vocês terminaram porque mesmo? — tirou logo a dúvida que carregava com ela havia tanto tempo. Não era sempre que Jin se abria com ela assim.
— Eu não sei — Seokjin pareceu confuso e a irmã o olhou sem entender — Nós conversamos e chegamos a conclusão que eu ainda estava muito preocupado com a separação com a Sunhee e com a guarda da Yuna naquela época e não tinha como iniciar um relacionamento naquele caos — a menina assentiu, demonstrando que entendia.
— E agora? O que te impede de voltar a ter alguma coisa com ele? — Sohye perguntou.
— Meu Deus garota, você faz Pedagogia ou Psicologia? — Seokjin fez uma careta engraçada, típica dele, e Sohye gargalhou — Ele sequer falou comigo. Só olhou para minha cara e eu olhei para a cara dele — Jin fez mímica com as duas mãos, como se uma fosse ele e outra Namjoon, e parou as duas uma na frente da outra. Sohye rapidamente empurrou uma contra a outra, fazendo o irmão bater as palmas. Jin arregalou os olhos com o susto, puxou as mãos para fora da dela e riu da cara da irmã que gargalhava. — Você vai de 50 a 12 anos em segundos. Incrível! — pegou o pano de prato no ombro da menina — E ainda me molhou todo — reclamou secando as mãos e levando os potinhos na geladeira.
— Eu só acho que a sua relação com a Sunhee unnie* está mais que resolvida e a guarda da Yuna também. Não acho que isso te impeça de seguir sua vida, oppa*. — Seokjin ajeitou os imãs na geladeira enquanto ouvia a irmã. Encarou o desenho da filha, dos três ursos, Polar, Panda e Pardo e ajeitou os ímãs que o prendia também.
— Você não acha que vai ser muito esquisito eu tentar entrar em contato com ele assim do nada? — Seokjin perguntou parando ao lado da irmã.
— Eu não acho que é do nada, Jin. Não se você ainda sente alguma coisa por ele, sei lá, vocês até já se encontraram sem querer, não é? — deu de ombros e Jin assentiu.
— Mas no sábado eu meio que fui em um encontro — Sohye o encarou de boca aberta porque ele soltou aquela do nada — Mas não rolou nada porque a mulher parou de ser agradável e começou a ser ofensiva no momento que falei que tinha uma filha de 6 anos — ela viu Seokjin dar de ombros, demonstrando que o encanto tinha acabado no segundo que o outro lado não aceitava uma parte de sua vida. E ela entendia, não tinha como se envolver com alguém que não aceitaria que Jin tinha uma filha e que ela era prioridade em sua vida — Inclusive já até desinstalei o aplicativo de encontro que a halmeoni me obrigou a instalar no celular — ele sacudiu o celular para irmã que gargalhou alto.
— A halmeoni te obrigou a instalar um aplicativo de namoro? — Sohye perguntou sentindo o ar faltar de tanto que riu. Jin riu junto com ela e sentou-se em uma banqueta na ilha no meio da cozinha.
— Vai rindo enquanto tem tempo, porque segundo ela, você é a próxima — Sohye parou de rir com a fala do irmão e se ouviu a risada de limpador de vidro de Seokjin se espalhar pelo ambiente. Ela terminou com a louça e secou a mão, sentando-se próxima a ele.
— Eu meio que também vi o Namjoon no sábado — ela usou o "meio" brincando como o irmão se referiu aos encontros, tanto o do aplicativo quanto o não planejado com Namjoon. Jin a encarou surpreso — Lembra o lugar que falei que ia com Jungkook e Gaeul? — o rapaz assentiu — Aparentemente ele é um amigo em comum dos donos da casa — Jin abriu a boca para dizer que a Coreia do Sul era um ovo de tão pequena e perguntar se ela tinha se divertido, mas a filha entrou na cozinha já tomando a atenção para ela.
— Tia Sohye, posso te fazer uma pergunta? — Sohye parou de falar a encarando. Ela torceu para não ser a clássica De onde vem os bebês?aquela altura do dia. Yuna nem esperou a tia responder e completou séria — É verdade que se eu continuar colocando meu dedo no espacinho onde meu dente caiu, vai nascer um alien nele? — Sohye continuou encarando a menina pronta para perguntar de onde ela tinha tirado aquilo, mas a risada escandalosa de Jin respondeu a pergunta. — Para de rir, papai. Eu estou preocupada mesmo porque acho que tem alguma coisa saindo aqui. — ela apontou para a própria boca. Jin tampava o rosto prendendo o riso e Sohye queria socar o irmão.
Uma onda maior de desespero pareceu atingir a criança que começou a chorar. Sohye não sabia se jogada uma banana da fruteira na cara de Jin, ou se acudia a sobrinha. Ela chamou menina para perto para olhar. Antes que ela pudesse ver qualquer coisa, ela voltou a falar: — Dem algum bichinho vede aí, dia? — ela falou enrolado já que tinha cabeça inclinada para trás e a boca aberta para Sohye checar.
— Não tem nada aqui Yuna, só o seu dentinho que já está começando a sair — ela falou e ajeitou o cabelinho da sobrinha atrás da orelha. Jin a chamou para perto e com as mãos uma em cada bochecha da menina fez a filha o encarar.
— Era só brincadeira do papai, ok? — ela assentiu e secou as lágrimas — Você coloca a sua mãozinha em vários lugares, seus brinquedos mesmo ficam rolando pelo chão da casa. Em todo lugar tem bactérias e algumas delas fazem muito mal para gente, por isso não é legal colocar a mão na boca, principalmente onde você acabou de perder um dentinho. — Yuna assentiu entendendo o pai — Não vai nascer nenhum bichinho na sua boca, só um dentinho bem bonitinho, tá? — Ele abraçou a filha e beijou o topo da cabeça — Mas para isso você tem que cuidar direito deles e escovar os dentes depois de comer, ok? — Yuna concordou se afastando do pai e correndo até a escada, provavelmente atrás da escova de dentes — Não corre na escada, Yuna!
— Qual o seu problema, Jin? — Sohye perguntou ao irmão quando estavam sozinhos. Mas não era porque tinha se tornado pai que Kim Seokjin deixaria de ser Kim Seokjin. — É por causa disso que os pedagogos são necessários — deu língua para o irmão.
— Eu não estou correndo — Yuna gritou de volta falando ao mesmo tempo que a tia, mas pelo barulho nos degraus estava fazendo exatamente aquilo.
— Como que você aguenta 10 dessas? — apontou na direção onde a criança tinha passado segundos antes, ele se levantou correndo atrás da filha — Você acha que eu não sei que você está correndo, garota? — Sohye escutou o irmão gritar no meio do caminho.
Sohye sorriu sozinha pensando em todo aquele dia. Por que depois que a gente cresce é tão difícil demonstrar os sentimentos?
A mãe tinha largado tudo na França para morar com o pai na Coreia do Sul e depois que ele faleceu tinha voltado para o país natal deixado os filhos para trás sem dar nenhuma explicação. Jungkook gostava de Jimin há tanto tempo e nunca tinha tido coragem o suficiente de tentar se aproximar para no mínimo ter uma amizade com ele. Seokjin depois de anos ainda tinha aquele sentimento por Namjoon estacionado dentro do próprio peito só esperando uma chance para florescer. Ela em dias e sem argumento nenhum, tinha chegado a conclusão que era melhor acreditar que Taehyung gostava de Gaeul e vice e versa, para não se ver no meio de sentimentos tão fortes e confusos.
E agora ali estava ela se segurando para não correr até seu quarto e olhar o celular para ver se tinha alguma mensagem de Taehyung. Não que ela não quisesse, mas porque tinha prometido para si mesma que não ia se jogar de cabeça, novamente, em histórias de amor já que logo prestaria a prova para o intercâmbio e não queria pisar no coração de ninguém, como já tinham feito com o dela.
Yuna tinha razão: os adultos complicam tudo.
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Unnie: é o jeito informal das mulheres se referirem a outra mulher mais velha, amiga ou até mesmo irmã, na Coreia do Sul.
Oppa: é como uma garota se refere a um garoto mais velho, amigo ou a um irmão, na Coreia do Sul.
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