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23. even all the scars from your mistakes make up your constellation

"Até mesmo todas as cicatrizes de seus erros compõem sua constelação"

- BTS (Answer: Love Myself)

[Este capítulo contém tema sensível que pode gerar gatilhos. Fique a vontade para interromper a leitura caso se sinta incomodado. Priorize sempre sua saúde mental, ok? ♥]

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quarta-feira, 13h

Taehyung ultrapassou a entrada principal do museu, indo ao encontro do amigo que o aguardava impaciente do lado de fora. Namjoon riu quando o garoto quase tropeçou, atrapalhado como sempre, mas continuou o caminho até ele, como se nada tivesse acontecido.

— Perdemos 10 minutos do nosso horário de almoço, bebê girafa — o mais velho brincou, fazendo o garoto rolar os olhos.

— Deixa de ser chato, Joonie. Eu precisava ir ao banheiro. — Taehyung reclamou ajeitando a boina na cabeça, mas sorriu com ele.

— Vamos comer em algum restaurante? Não aguento mais comida congelada.

— Se você pagar, eu vou. — ele tentou fazer uma cara fofa para Namjoon, que ficou o encarando. Taehyung insistiu, movendo as mãos à frente das bochechas, como se chorasse.

— Estou traumatizado depois dessa cena — Namjoon fechou os olhos e fez careta — Ok, Taehyung. Eu pago o almoço hoje. — falou enquanto atravessavam a rua, e ele guiava o mais novo para outra direção, diferente da que eles costumavam ir todos os dias.

— Uau, sério? — ele olhou confuso para o amigo que manteve um sorriso no rosto. — Hm... tá felizinho, é? — Taehyung o cutucou pelo ombro, mexendo as sobrancelhas.

— Quem parece animado hoje é você. Sempre vem se arrastando para almoçar. — o outro desconversou. Taehyung, que já tinha se distraído com a paisagem, pareceu não perceber a mudança de assunto, e balançou a cabeça concordando.

— Venho me arrastando, porque guio uns vinte grupos só na parte da manhã, e hoje guiei dois — ele suspirou, exagerado. — Não to reclamando, porque tenho que pagar minhas contas, mas é meio chato ficar repetindo a mesma coisa toda hora. E pior é quando as pessoas nem estão interessadas e eu fico parecendo um besta falando sozinho.

— Eu ficava exausto quando era guia, eu te entendo. Por mais que a gente goste do que faz, andar para cima e para baixo naquele lugar imenso, falando sozinho, cansa. — Namjoon deu razão a ele. — Eu não tinha reparado antes, porque fico quase o dia todo cuidando dos arquivos, mas o pessoal que cuida do registro de visitas disse que os números de visitantes tem diminuído bastante. Agora que você comentou isso, fiquei preocupado mesmo.

— Eu não sei como era antes, mas pelo menos desde que eu entrei lá, realmente caiu. — o mais novo concordou, e reparou que Namjoon pareceu meio apreensivo. — Não dá para fazer nada para mudar isso? — Taehyung perguntou, enquanto o amigo abria a porta do restaurante o dando passagem para entrar no ambiente.

O lugar era bem iluminado, graças as janelas que pegavam as paredes quase de cima a baixo. Parecia um estabelecimento recente, mas Taehyung nem saberia dar certeza, já que dificilmente almoçava naquela área da cidade. De qualquer modo, achou o lugar bem agradável, então com certeza voltaria. Ele pensou como era incrível o talento de Namjoon para encontrar lugares como aquele.

Os móveis em madeira clara combinavam e davam um ar natural e tranquilizador. Haviam algumas plantas distribuídas pelo local e tocava uma música ambiente baixinha, que ele jurava ser alguma da Taeyeon. O rapaz sorriu sozinho ao se lembrar de Seokjin e consequentemente de Kim Sohye. Naquele momento, ela deveria estar a caminho do trabalho, então enviaria alguma mensagem mais tarde, para não a atrapalhar.

— Você tem alguma sugestão? — Namjoon revidou esperançoso. Eles cumprimentaram a atendente que os entregou as comandas, e cada um seguiu até o self service para montar o próprio prato. Taehyung deu de ombros, sem jeito.

— Eu tenho pouquíssimos meses trabalhando lá, Joonie. Acho difícil que alguém vá ouvir o cara que compra café. — comentou distraído, tentando escolher nas várias opções vegetarianas que haviam ali. — O cara que compra café e odeia café. — ele resmungou e riu pelo nariz, fazendo Namjoon sorrir também. — Eu gosto de ter um emprego, apesar dele me cansar às vezes. Se fosse em outra época eu tentaria, mas hoje não sei. Não quero que nosso chefe me ache um intrometido e me coloque no olho da rua.

— Não acho que você vá perder o emprego por isso, Tae. No máximo vão te mandar ficar quieto ou sair da sala. — Namjoon falou. — Eu acho que você devia tentar.

— Sério? — Taehyung perguntou com os olhos quase brilhando. Apesar de negar, ele até queria se jogar de cabeça na ideia, mas a realidade o puxava para a vida real e o obrigava a se lembrar que teria boletos a pagar no próximo mês.

— O que você tem em mente? — o mais velho deu força, para que ele continuasse. Pagaram o almoço e seguiram para uma mesa próxima à janela, se sentaram e enquanto Namjoon servia os copos com suco, Taehyung pensou um pouco antes de voltar a falar.

— Tudo lá é muito elitizado, e acho que já deu disso, Joonie. A arte deveria ser para qualquer pessoa que queira conhecer a arte, não só para quem tem diploma. Nos levam a acreditar que só um grupo determinado de pessoas podem ter acesso à cultura e conhecimento, e isso é irritante, porque as realidades não são iguais! — Namjoon colocou o copo na frente do amigo e prestou atenção enquanto ele falava. — Eu mesmo, apesar de sempre ter gostado de artes e história, nem considerei prestar vestibular para essa área, porque via arte como algo só para quem tem dinheiro. Isso me faz pensar que os locais que deveriam atrair, não fazem isso. Pelo contrário, só afasta mais ainda o público — ele suspirou, cansado, e vendo que tinha se empolgado e tagarelado mais uma vez. Do outro lado, Namjoon sorria orgulhoso de ver como o garoto que pedia sua ajuda na época da faculdade, parecia ter se tornado tão maduro e responsável. Poderia soar clichê, mas o olhar dele para Taehyung era como o de irmão mais velho vendo seu caçulinha ter as próprias opiniões. — Pode ser que o movimento lá aumente se houver uma divulgação melhor e que chegue em todos os públicos. — Taehyung comentou, o olhar parado na mesa ao lado, onde as três pessoas pareciam se ignorar e todas usavam os celulares.

— E como seria isso? — Namjoon perguntou, curioso, mastigando uma porção da comida depois.

— Primeiro acho que podemos começar pela internet. — Namjoon fez "ahhh" com os lábios, parecendo pensar — Eu acho que é preciso gerar interesse nas pessoas utilizando a nossa linguagem de agora, entende? — Taehyung falou, e deu uma garfada na refeição em sua frente. Ele abriu os olhos um pouquinho, surpreso com o quanto o macarrão era gostoso!

— Ok, isso é uma boa ideia. Até podemos falar com o pessoal da divulgação para melhorar isso, mas o problema é convencer as pessoas que vale a pena a ir até lá, Tae. Como gerar esse interesse? Porque não é porque vamos aumentar a divulgação que mais pessoas vão ter vontade de visitar o museu.

— Isso, Joonie, mas acompanha meu pensamento. — Taehyung falou encarando o amigo e movimentando as mãos, — A melhor forma de gerar interesse é puxar a informação para o século XXI. Então, que tal aproximar a arte do público? Tipo, aproximar mesmo. — Taehyung tentou finalizar o pensamento. — Sacou?

— Não — Namjoon respondeu, a expressão perdida no rosto. — Eu to confuso, Taehyung.

— Eu sou péssimo explicando, não consigo formular nada — ele rolou os olhos segurando os cabelos. — Se não consigo explicar para você que é meu amigo, quem dirá para aqueles dinossauros da Museologia que devem ter milhões de anos de estudo dentro da própria cabeça. — Namjoon levou a mão na frente da boca, evitando que a gargalhada o fizesse cuspir a sopa. — Eu to falando sério, cara! 

— Eu sei que tá! — o mais velho dos dois limpou a boca com um guardanapo — Mas dinossauros... museus... — falou, tentando explicar onde viu graça, porém Taehyung continuou o encarando sério. Namjoon fez careta em resposta. — Ok, porque você não monta uma apresentação?

— Apresentação? — Taehyung o olhou confuso — Tipo, seminário? — Namjoon assentiu. — 'Tá doido?

— Taehyung, presta atenção. Se você montar uma apresentação, diminui as chances de você se atrapalhar quando for explicar, e eles ainda vão considerar que você se preocupou em planejar ao invés de chegar lá jogando essa ideia. Transmite seriedade e não seria nada inventado do nada.

— Acontece que eu sou péssimo nisso? — Taehyung revidou, literalmente rindo de nervoso — Eu sempre ficava com a parte manual dos trabalhos, porque sou péssimo em organizar as coisas. Me manda fazer 500 desenhos e pesquisas, mas não me manda montar uma apresentação que eu não sei nem como se mexe nessas coisas.

— Tae, se você quer ser notado naquele lugar, você precisa fazer alguma coisa para eles te darem oportunidade de ser visto. — Namjoon tentou o convencer — Tem que mostrar que está interessado ou nunca irão ouvir a sua ideia. Às vezes é preciso arriscar.

— No caso eu teria que arriscar meu emprego e isso não é pouca coisa. — o rapaz sorriu nervoso. — Sério, Joonie! Você sabe que eu faria isso sem pensar se fosse em outra época, mas agora eu realmente não posso brincar com isso. Não posso deixar o Jiminie arcando com os gastos sozinho de novo e nem posso pedir socorro aos meus pais. Ao meu pai principalmente. — Taehyung respirou pesadamente imaginando que se ele realmente perdesse o emprego e o pai soubesse, iria fazer questão de falar que ele deveria ter o escutado e ter feito um curso que desse para fazer prova de concurso. Seria muito mais seguro do que querer viver de arte.

Segundo o patriarca dos Kim, aquilo era para quem tinha nascido em uma família com dinheiro e da cidade, não para ele que era de uma família humilde do interior. Eles nunca passaram necessidades, mas Taehyung entendia a preocupação do pai. Ele era o primeiro da família a se formar no Ensino Superior e as expectativas nele eram altas.

— Nós vamos ter uma reunião com o senhor Woo em algumas semanas — Namjoon começou, — está todo mundo desesperado, porque em alguns meses temos que repassar números a imprensa e isso pesa na ajuda que nós recebemos do governo. Menos pessoas visitando, menos reconhecimento. Menos reconhecimento, menos verba direcionada à cultura. — Namjoon explicou, a feição indignada, porque era péssimo afirmar aquilo em voz alta, apesar de ser a mais pura realidade. — Vou pensar em como fazer eles te ouvirem, mas não posso me envolver muito, porque pode parecer que estou te favorecendo por sermos amigos, e isso pode prejudicar a mim e a você — Namjoon sorriu sem graça, Taehyung balançou a cabeça assentindo. Se ele fosse conseguir algo, deveria ser por esforço próprio, não por ter contatos. Era o certo, mesmo.

— Sem problemas, Joonie. — Taehyung sorriu, depois encarou a paisagem pela janela.

Crescer nos obrigava a ter que tomar decisões complicadas e ele ainda não se sentia pronto para lidar com elas. Principalmente quando envolviam seu melhor amigo, o apartamento que eles dividiam e a opinião do pai em relação a sua carreira — que vamos combinar, já não era das melhores. 

Tomar decisões como aquela, nos ensinava que em um momento ou outro, deveríamos confiar em nós mesmos para seguir em frente.

Ele entendia que aquele era um desses momentos.

E esperava que desse tudo certo.

16h15min

Sohye se curvou ao menininho de óculos que imitou o gesto dela de um jeitinho todo engraçadinho e até mesmo exagerado. Ele correu até a mãe lhe dando a mão, os dois deram tchau a garota, e ela retribuiu o aceno sorrindo.

A Kim voltou para a sala e tirou o avental colorido, o guardando no armário depois. Pegou a mochila azul clara e as sacolas com os materiais tanto do estágio, quanto da faculdade e depois de se despedir de Yejin, seguiu pelo corredor da escola. Quase no fim dele, deu de cara com Yuna sentada em um banco colorido a esperando. O dia devia ter sido agitado para a garotinha, já que agora ela estava cochilando, quase caindo. Sohye respirou fundo, procurando forças para pegar a sobrinha, com todo o peso que carregava, mas logo Gaeul apareceu e a interrompeu.

— Seu irmão está lá fora, ele está vindo a pegar. — Sohye assentiu para a amiga, ajeitou a menina no banco, o suficiente para ela não cair até o pai chegar. Ela resmungou alguma coisa e se inclinou para o outro lado.

— Aconteceu alguma coisa? — Sohye perguntou, sentindo seu corpo ficar tenso. Dificilmente o irmão ia as encontrar ali e o cérebro dela já começava a formular várias hipóteses ruins para a presença repentina dele. Por sorte, não demorou muito para a sensação ruim passar, já que o viu passar pela porta com seu clássico sorriso animado estampado no rosto. Ela respirou um pouco mais tranquila. — Eu estou tendo uma miragem ou...? — perguntou quando ele parou perto delas.

— Que foi? Não posso buscar minhas três espiãs demais na escola? Sua mal agradecida. — ele falou brincalhão, bagunçando o cabelo da irmã mais nova.

— Aff Jin, me adota? — Gaeul falou fazendo uma cara fofa ao ver os dois, Seokjin riu.

— Você não falou a mesma coisa para os Sope, Ga? — Sohye falou, também rindo. A amiga deu de ombros.

— Vamos atualizar seu conceito de família, ok? Eu posso ser adotada pelos Sope e pelo Jin, e ter mais de uma família — respondeu fazendo os Kim sorrirem.

— Você quer carona, Gaeul? Só vou precisar parar no centro antes de ir para casa. Se puder vai ser ótimo! Você pode fazer companhia para a Soso — Jin comentou, e a menina assentiu. — Meu Deus, Yuna, você está babando? — ele falou sozinho ao pega-la no colo e ajeitar sua cabeça em seu ombro. Ela resmungou fazendo careta, mas não acordou.

A diretora da escola, que devia ter por volta de uns 50 anos, passou por eles. Jin foi o único a curvar a cabeça e a mulher de cabelo curto e roupa formal demais para aquele ambiente lhe sorriu, meio forçado, em um gesto que não havia nada mais do que educação. Seu olhar foi da criança no colo do Kim para Sohye e aquilo durou alguns segundos. Ela expirou uma vez, meio debochada, antes de dar as costas e seguir em direção a porta.

— Se eu não conhecesse vocês, diria que não se curvar foi falta educação, mas sei que não fazem nada sem motivo... — Jin sussurrou e a irmã apertou os lábios.

— Não é por falta de educação, Jin. É porque ela é uma cobra, isso sim! — Gaeul aumentou o tom de voz na metade da frase. Sohye a segurou a pedindo para parar e Seokjin a encarou curioso — Sempre soube que ela tem uma energia ruim, mas agora não está sabendo mais disfarçar. Vi o veneno escorrendo pela boca dela, vocês não viram?

— Não vale a pena, Ga — Sohye sorriu fraco para a amiga que não mudou de expressão. Não ia adiantar de nada ofender a mulher. Tudo o que conseguiriam seria uma advertência de mau comportamento no relatório do estágio. E a senhora Choi já tinha deixado claro que não pensaria duas vezes caso quisesse fazer aquilo. — Jinnie... — Sohye o chamou enquanto ele pegava a mochila da filha com a outra mão livre — É sério, aconteceu alguma coisa? — mudou de assunto, enquanto ele seguiu para fora da escola, com as duas o seguindo. Gaeul ainda bufava sozinha, mexendo no celular.

— Uma das professoras me ligou esses dias. A que você faz o estágio... — "Yejin", Sohye falou enquanto ele ajeitava a menina no assentiu infantil —  ela mesma. Conversamos sobre a Yuna, eu falei com a Sunhee e nós marcamos uma avaliação com uma psicóloga. — Sohye abriu a boca meio surpresa, não esperando por aquilo. Ela expirou todo o ar dos pulmões e relaxou os ombros, como se uma de suas preocupações passasse de toneladas para peso pena. Sohye se sentiu grata por Yejin ter a auxiliado. Talvez Taehyung tivesse mesmo razão sobre se permitir ser ajudada às vezes.

Ela deu a volta no carro do irmão e se sentou de um lado, enquanto Gaeul ocupou o outro.

— Gaeul, respira. Você vai ter um troço daqui a pouco — Jin comentou ajeitando o cinto de segurança no banco de motorista, ainda ouvindo a Park resmungar.

— Não dá! Hoje ela brigou comigo, porque eu fui tentar acalmar uma das crianças da minha turma que estava chorando, falou que era para deixar ele chorando até parar, porque eu estava o mimando. O menino tem 2 anos, Jin! — ela gesticulou com as mãos.

— Eu queria saber em que lugar ela se formou... — Sohye comentou, realmente curiosa.

— Esse diploma foi comprado, não é possível. — Gaeul comentou.

— Mas ela não é pedagoga, Gaeul — Jin comentou, fazendo as duas mais novas pararem de falar e o encararem sem entender — O que? Eu achei que vocês soubessem.

— Soubessem o que? — a irmã disparou.

— Foi eleição, os pais que votaram nela.

— Você participou disso, Seokjin? — Gaeul perguntou.

— Opa, peraí, eu não tenho nada a ver com isso. Ouvi na última reunião de pais. A última votação foi antes da Yuna entrar na escola. Sei lá, ela convenceu a Sunhee quando viemos fazer a matrícula. E vocês sabem como a Sunny é protetora, eu achei que ela era muito boa mesmo. Mas pelo jeito, ela conseguiu enganar até ela.

— Eu lembro que a Sunny unnie elogiou muito, mas você não.

— Pois é. Mas foi porque minha opinião foi meio ignorada no momento, já que eu reclamei de todas as escolas. Eu achava a Yuyu muito pequena para ir para creche — ele riu sem graça, prestando atenção na estrada.

— Gente, ta, mas como essa mulher veio parar aqui? — Gaeul disparou, depois de tentar entender o que estava acontecendo.

— Aparentemente ninguém se candidatou e ela e outra pessoa foram indicadas para votação pela Secretaria de Educação. Ela deve ser formada em alguma coisa de empresa ou algo assim, porque as finanças da escola melhoraram muito. Mas em compensação...

— Tá explicado porque ela acha que as crianças são robôs — Sohye disse.

— Uma eleição onde os candidatos nem conheciam a escola? E os pais não conheciam os candidatos? — Gaeul.

— A melhor escolha para ser diretor deveria ser alguém da própria escola que conhece a rotina e o ambiente. Que sabe das necessidades das crianças. — Sohye pontuou, também tentando refletir sobre aquilo.

— Também acho, mas de acordo com as outras mães, ninguém da escola se candidatou então ela venceria mesmo que recebesse só um voto já que foi a única que apresentou propostas. Não tinha como a escola continuar sem alguém na direção.

— Que ódio! — Gaeul faltou mais alto, Yuna se mexeu na cadeirinha entre ela e a tia e abriu os olhos. A Park a olhou assustada, depois relaxou ao ver que a menina os fechou de novo. — Gente não é possível. — continuou, em um tom mais baixo — Tem várias pessoas incríveis naquela escola que poderiam ocupar o cargo de diretor perfeitamente. Não precisava ser alguém de fora!

— Bem vindas ao mundo adulto. Nem tudo é como deveria ser. — Jin deu um sorriso triste, típico de quem já tinha lutado demais por justiça e estava cansado de não sair do lugar. Apesar de tudo, ele achava bonito ver a irmã e Gaeul convictas de que precisavam fazer algo para mudar aquilo.

Sohye ficou em silêncio, analisando a situação. Se lembrou do ocorrido entre ela e a diretora e entendeu melhor o que aconteceu. Ela não tinha agido errado de ter a abordado, era a mulher que não tinha informação necessária para ocupar aquele posto.

O pior de tudo, era que estava claro que ela tinha consciência de que não sabia o fazer e nem por isso abria mão do cargo.

Em determinado momento, Gaeul voltou a resmungar sozinha mexendo no celular, e aquilo fez Sohye a encarar sem entender nada. Logo depois a de cabelos curtinhos, que já não estavam tão curtos quanto antes, voltou a atenção ao celular ignorando a amiga. Gaeul não gostava nem um pouco da mulher, e agora com motivos, dificilmente ela iria se acalmar até fazer alguma coisa para resolver a situação.

— Jin?  — a Park o chamou do banco de trás, depois de um tempo. Ele a olhou pelo espelho do retrovisor. — Você pode nos deixar no shopping? — perguntou. Sohye, que editava uma planilha com seus horários, se virou para a amiga novamente, a expressão confusa. Entre elas Yuna, que dormia, alheia a qualquer coisa no carro.

— O que vamos fazer no shopping?

— Abriu uma papelaria nova lá. Preciso comprar umas canetas. — Sohye a encarou em silêncio, enquanto Gaeul fitava o banco da frente, parecendo concentrada em algo. Ela passou a mão por cima de Yuna e segurou no ombro da amiga, a chamando a atenção.

— Tá tudo bem? — perguntou. Gaeul assentiu lhe dando um sorriso meio triste e Sohye notou que ela realmente tinha ficado incomodada com aquilo. Não tinha como não ficar.

— Pode Jin? — ela falou novamente com o mais velho. Seokjin assentiu.




19h54min

Taehyung empurrou a porta de casa com um dos braços, já que as mãos estavam ocupadas pelas várias sacolas pesadas de compras. Ele semicerrou os olhos confuso ao ouvir o barulho ensurdecedor do aspirador de pó vindo da sala e expirou e inspirou pesadamente algumas vezes seguindo depois até a cozinha. Enquanto colocava as bolsas sobre a bancada, se apoiou em uma das banquetas ainda com dificuldade para respirar. Jimin ao notar a presença do amigo, desligou o aparelho e o encarou.

— O elevador parou de novo? — Taehyung assentiu com uma careta no rosto. Jimin se apoiou no aspirador e deu um longo suspiro. Aquela não era a primeira vez que o elevador dava problemas, e os dois morando no sétimo andar, ainda tinha a segunda parcela de dor de cabeça — e no corpo! — que era a de subir todos aqueles lances de escadas.

— Cada dia que passa fica mais complicado morar aqui. A gente tem que encontrar outro lugar.

— Que outro lugar seria perto da estação de metrô e teria dois quartos pelo preço que nós pagamos aqui, Taetae? — o Kim fez outra careta, mas concordou. Sonhar era fácil, mas infelizmente o valor na conta bancária não acompanhava o sonho deles.

— Qual o motivo da faxina em plena noite de quarta-feira? —  Taehyung mudou de assunto, abrindo as portas dos armários e guardando as compras. Se eles continuassem falando sobre os problemas do prédio, não iam parar tão cedo.

— Nada, só achei que seria legal... limpar... — Taehyung se virou para o amigo arqueando uma das sobrancelhas. Jimin revirou os olhos com força, e o outro riu — Jungkook vem aqui na sexta. 

Ahhh sim, agora sim faz sentido — ainda de costas, ouviu Jimin ligar o aspirador de novo e resmungar um "idiota" em meio ao barulho. —  Vou ser convidado a me retirar de casa de novo? — provocou o amigo, um sorriso brincalhão no rosto enquanto checava a data de validade de um pacote de macarrão encontrado no fundo do armário. Colocou sobre a bancada, para preparar para o jantar dos dois.

— Para de drama, Taehyung! — o loiro riu se abaixando para olhar embaixo da mesa de centro e passando o aspirador ali — Aliás, não quer chamar a Soso? Acho que seria legal.

— Pode ser, vou mandar mensagem — Taehyung falou, se sentando em uma das banquetas e pegando o celular no bolso da calça. — Seria tipo um encontro duplo? — perguntou, digitando no aparelho depois de sorrir ao ver a foto de perfil da namorada. Ainda era a que havia uma pintura de borboleta em metade do rosto dela e se dependesse da menina, nem tão cedo ela mudaria. E bem, Taehyung amava aquela foto. A prova eram os vários desenhos que havia feito dela.

— Hm... — Jimin resmungou. Taehyung, que não obteve outra resposta, levantou o olhar parar o encarar. Jimin estava parado no meio da sala com um sorriso engraçado no rosto e ao ver o amigo o encarando com as sobrancelhas arqueadas, sentiu as bochechas começando a ficar vermelhas. Taehyung balançou a cabeça para os lados e estalou a língua algumas vezes.

— Acabei de comprovar a informação de que Park Jimin se encontra apaixonado por Jeon Jungkook. E nem disfarçar ele consegue mais.

— Para. — ordenou, apontando para Taehyung que aumentou o sorriso, pronto para continuar a provocação — Nós só íamos pedir comida e assistir filme. Você não tinha nada que chamar de encontro. Agora sim fiquei nervoso.

Nah, a Soso vai me matar se isso ficar com cara de encontro, encontro mesmo. — Jimin assentiu, porque naquele quesito, Jungkook e Sohye se pareciam. Ele com toda certeza travaria e não falaria nada a noite toda. — Nem arruma muito a casa que eles já estão cansados de vir aqui e vai ficar muito na cara se o chão estiver brilhando demais — fez careta empurrando os óculos para perto dos olhos. Jimin entrou na cozinha, parando na frente de algumas sacolas ainda cheias e enfiou a mão em uma delas tirando um pacote de jujubas. Taehyung se levantou da banqueta em um pulo antes de arrancar o doce da mão do amigo que o olhou sem entender nada. — É para Sohye.

Ahhh achei que era para mim. Seu melhor amigo. Pessoa que te atura desde o ensino médio... — Jimin falou, gesticulando rápido e franzindo a testa. Taehyung rolou os olhos e foi até a sala, colocou o pacote colorido na mesinha de centro, assim como o celular e depois seguiu até o banheiro.

— Ei ei, você não deveria me ajudar com a limpeza? — Jimin reclamou, aparecendo na porta da cozinha.

— E você não deveria ter me ajudado com as compras? Levei 3 horas para rodar aquele mercado inteiro, pegar uma fila imensa e ainda ter que subir 14 lances de escadas até aqui. Eu estou fedendo, Jiminie. Eu preciso de um banho neste instante, pelo bem do planeta Terra e das pessoas que habitam nele — Taehyung tagarelou, sorriu quadrado para o amigo e fechou a porta, não sem deixar de ver Jimin bufar sem resposta para o retrucar.




Sohye secou os cabelos enquanto encarava as sacolas da papelaria em cima da cama e sorriu se sentindo boba. Metade das coisas ali não eram objetos aos quais ela precisasse tanto assim, mas só de ter sido um tempo em que passou com a amiga, fazendo coisas que não eram envolvidas a faculdade ou ao trabalho, ela se sentia empolgada. Gaeul pareceu se distrair também, e em pouco tempo já estava a arrastando de um lado para o outro, falando as asneiras dela.

Sobre a cama haviam cartelas e mais cartelas de figurinhas, canetas coloridas, post its e prendedores de cabelo que talvez fossem coloridos demais para o gosto dela e fossem todos parar no quarto de Yuna. Dois blocos de anotações com estampas fofinhas, potinhos de glitter e uma pasta, tamanho a4, já que a dela já estava com o elástico gasto e largo de tanto papel que enfiou dentro.

Se sentou na cama e pegou o celular, checando as mensagens. Sorriu ao ver a notificação de novas mensagens no cantinho ao lado de "Kim". Sohye riu ao abrir a mensagem, pensando que talvez nunca fosse se acostumar com a mania do namorado de falar por pedacinhos, e colocar pontos finais em tudo.


kim: Queria falar pessoalmente amanhã, mas podia ficar muito em cima da hora.

Venho em nome do Jiminie perguntar se você topa vir aqui em casa na sexta.

Vai ter comida e filme.

E Jungkook.

E Jimin, porque ele quem inventou.

Ah, e o melhor: eu ;)

sohye: Você sempre foi convencido assim ou eu só percebi agora? E sobre o filme: aceito sob a condição de você prometer não falar com os personagens.


— O papai falou que você comprou um monte de coisa hoje — Yuna entrou no quarto, recém saída do banho e com cheirinho de morango. Os cabelos estavam soltos, e ela usava seu famoso pijama dos ets de Toy Story.

— O seu pai é um linguarudo, isso sim — Sohye falou observando a sobrinha subir em sua cama e olhar dentro das sacolas. A menina riu com o comentário da tia que logo a puxou para perto a abraçando e a dando um beijinho nos cabelos. Diferente das outras vezes, ela não reclamou do carinho. Estava mais interessada em continuar futricando as sacolas.

— Uau— puxou um urso de pelúcia do Polar para fora de uma das bolsas — É para mim?

— Não, esse não. — a menina fez bico — O que eu comprei para você está dentro da sacola ali em cima da cadeira. Eu iria te dar no feriado, mas seu pai é um fofoqueiro — Sohye reclamou observando a menina correr desesperada até o outro lado do quarto e abrir a sacola que estava lá. Ela arregalou os olhinhos olhando o brinquedo. — É uma caixa registradora.

— Uma... o que? — Yuna a olhou confusa, levando a caixa até a tia. — Não é aquele negócio de loja que guarda dinheiro? — Sohye riu.

— É Yuyu, mas o nome mesmo é caixa registradora. — explicou, a ajudando a abrir a embalagem. Ela abriu a boca surpresa ao ver o dinheirinho e a cesta com frutas.

— Eu posso brincar de ser vendedora? — perguntou empolgada apertando os botões coloridos com números e Sohye concordou. — Oi moça, o que você quer comprar?

— Hm... quanto é a maçã? — Sohye entrou na brincadeira.

— 8 — Yuna respondeu e a tia pegou uma nota de 10 em cima da cama e entregou para ela. A garotinha olhou por um tempo e depois de pensar, o sorriso deu lugar a uma cara feia. — Ah... matemática — resmungou, rolando os olhos. Sohye disfarçou um sorriso. Ela queria sim mimar a sobrinha, mas o lado educadora não lhe deixava nem naqueles momentos.

— Eu quero meu troco, dona vendedora... — ela esticou a mão aberta para frente e Yuna encarou a tia semicerrando os olhos e apertando os lábios. Sohye arqueou a sobrancelha como quem esperava uma resposta e a garota abriu as mãos e abaixou os dedinhos, contando baixinho. Depois pegou uma nota de 2 e entregou a tia, que bateu palminhas a parabenizando. — Viu? Foi muito difícil? — Yuna balançou a cabeça para os lados, sorrindo. Voltou a colocar as notinhas e as moedas dentro da gaveta da caixa registradora. Sohye percebeu o celular vibrando e o pegou, abrindo o aplicativo de mensagens.


kim: Sempre fui assim, provavelmente você estava apaixonada demais para perceber.

E sobre o filme, não prometo nada, mas vou entender sua resposta como um sim.


— Ta namorando tia Sohye? — Yuna perguntou, nas mãos um dos pacotes de prendedores coloridos. Sohye percebeu que sorria para o celular e mudou a expressão, balançando a cabeça. — O papai disse que quando você fica sorrindo assim para o celular é porque tá namorando... — ela encarou a tia com um ar de riso no rosto.

— Eu só estou conversando com o Taehyung. Quer falar com ele? — a garotinha balançou a cabeça e segurou o celular entregue pela tia.

— Oi Taetae. Sou eu, Yuna. — começou o áudio — A tia Sohye me deu um presente bem legal, você quer ver? Tia, posso ligar a câmera para ele ver? — ela olhou para Sohye enquanto falava a última frase baixinho. Sohye sorriu e assentiu, enviando uma mensagem para o namorado, perguntando se podia ligar a câmera. Logo Taehyung ficou online.

Oi, Yuyu. Espero que você não tenha pegado o celular escondido... não quero levar bronca da tia Sohye — ele falou assim que apareceu na tela do aparelho.

— Eu não peguei não — a garotinha riu, com a mãozinha na frente da boca — Você sabia que a tia Sohye tá rica? Ela comprou um monte de coisa!

— Não passam de um monte de bugigangas. Mas... realmente me empolguei um pouquinho, tinha um tempo que não saia com a Gaeul. Quero nem imaginar a fatura do meu cartão no próximo mês — Sohye fez careta.

— Olha, eu também tenho vários dinheiros — Yuna mostrou as notinhas coloridas tentando fazer um leque e Taehyung abriu a boca surpreso. Soou tão convincente que fez a menina fazer uma dancinha engraçada sacodindo as notas, os fazendo rir. — Veio tudo no brinquedo que a tia Sohye me deu — ela pegou o brinquedinho de madeira e mostrou para ele.

— U.a.u. Então quer dizer que você vai vender legumes? Acho que vou comprar com você agora. Fui ao mercado hoje e está tudo tão caro.

— Pode comprar comigo, eu escolho bem os preços, não é tia Sohye?

— Prepara o bolso, Kim. Oito mil wons, uma maçã — Sohye mostrou o dedo indicador e Taehyung riu do outro lado. Yuna não pareceu perceber, já que encarava a tela em silêncio.

— Taetae... — ela chamou, ele passou a prestar atenção na garotinha — Você também tem um bichinho de pelúcia? — Taehyung inclinou a cabeça para um dos lados, meio confuso sem entender a pergunta. Sohye riu quando viu o namorado compreender a menina e pegar a tartaruga ao seu lado.

— Conta para ela do Mike, Tae.

— Mike... tipo o Wazowski da sua roupa? — Yuna perguntou a tia, sem entender.

— Não Yuyu, igual o Michelangelo das Tartarugas Ninjas. Eu chamo ele de Mickey às vezes, acho que combina mais — ele respondeu. — Você nunca viu? — Yuna negou com a cabeça — Meu Deus, Sohye... Primeiro Zootopia, e agora isso? Quando eu for aí de novo a gente assiste, pode ser? — ele perguntou a Yuna e ela assentiu animada. Sohye encarou o teto, sem acreditar que passaria pelo falatório dos dois de novo.

— Eu também tenho um bichinho, sabia? Vou pegar, tá tia? Já volto! — ela pulou da cama correndo para fora do quarto.

— Você estragou tudo, Kim. Eu jurava que era por causa do Michelangelo, o pintor.

— Isso é o que todo mundo pensa, mas você está tendo a oportunidade de conhecer a história real da vida do Mickey. — Sohye riu quando Taehyung aproximou a tartaruga da câmera — Ok. Mas você está melhor? — ele mudou de assunto, o rosto voltando a ocupar a telinha. Sohye assentiu.

— Hoje a Yejin cuidou da maioria das coisas e eu só ensinei as crianças a fazer origamis. Só estou um pouco cansada, porque a Gaeul me fez andar pelo shopping inteiro, mas pelo menos me distrai um pouquinho. — ela deu de ombros ele assentiu. — E como foi seu dia?

— Hm...  Almocei com o Jonnie, conversamos sobre coisas do trabalho, e no final do dia passei no mercado antes de vir embora. O único problema foi ter que subir de escadas com várias sacolas, porque o elevador não estava funcionando. — É, ele não ia superar isso tão cedo.

— Sete andares de escadas, Kim? — ela perguntou surpresa e ele assentiu.

— Pronto! Ele estava lá na cozinha, por isso demorei — Yuna explicou entrando no quarto, subindo na cama novamente. — TaeTae, esse é o NamNam — ela apresentou o coala.

— NamNam? — Taehyung perguntou, curioso.

— Não sei porquê, mas esse é o nome dele desde sempre. Eu tenho ele desde bebezinha, né tia? — Yuna explicou e Sohye balançou a cabeça.

— Longa história, Tae. Um dia eu te conto.

— A tia Sohye comprou um ursinho para ela também...

— Yuna... — ela resmungou.

—... eu acho que é porque ela acha que parece com você. — ela sorriu sapeca, ao ver a tia fechar os olhos e começar a ficar vermelha. Taehyung olhou a namorada, meio rindo.

— Boa noite, Kim Yuna? — Sohye falou a encarando com uma careta engraçada. A garotinha colocou a mãozinha na frente da boca, rindo envergonhada.

— Boa noite, tia Soso — ela respondeu dando um beijinho na bochecha da tia. — Boa noite, Taetae. Boa noite, Mickey — ela sacudiu a pata do coala e Taehyung fez o mesmo com a tartaruga de pelúcia. Sohye sorriu sem perceber, apreciando a cena. Ela observou Yuna sair pela porta e seguir na direção do quarto do pai.

— E o urso que parece comigo?

— Que urso? Não tem urso nenhum. — desconversou. Taehyung a encarou com um sorriso descrente. Sohye estalou a língua — Deixa de ser chato, Taehyung! — eles riram.

— Tenta descansar, ok? A semana ainda não acabou — Sohye concordou com a cabeça. — Promete? — Ele beijou a pontinha do polegar e juntou com o mindinho. Ela riu sem acreditar que ele ainda se lembrava daquilo, mas fez o mesmo.

— Tia Sohye eu esqueci minha máquina de guardar din... por que você está beijando seu dedo? — a menina perguntou, ao aparecer na porta de novo. Sohye apertou uma das têmporas, envergonhada, e Taehyung franziu o nariz prendendo uma gargalhada.

— Boa noite, Kim.

— Boa noite, tia Sohye.




Ainda não tinha amanhecido quando Sohye rolou para o outro lado da cama, e encarou a luz amarelada da rua entrando em seu quarto pelo vidro da janela. Para dizer a verdade, estava longe de amanhecer, e ela comprovou aquilo ao olhar o celular e ver que eram 2h45min da manhã.

Quando ainda era dia, ela conseguia se distrair e não pensar em todo o caos que estava a cabeça. Quando os pensamentos ruins vinham, ela só precisava atender algum cliente da cafeteria, ou piscava os olhos com força e tentava prestar atenção no que o professor falava para turma. Quando sentia o coração começar a acelerar, Sohye se sentava junto com as crianças da escola e inventava alguma brincadeira com eles, ou ria de alguma bobeira dita pelo irmão mais velho, ou pela sobrinha.

Mas não era daquela forma que funcionava a madrugada, porque quando anoitecia, o único som que a distraia era uma coruja piando em algum lugar do lado de fora ou do relógio em sua escrivaninha. E nenhum dos dois sons eram o suficiente para a fazer se sentir tranquila novamente.

Era só fechar os olhos que o rosto da mãe vinha em mente. E ao se lembrar dela, a sensação de abandono que parecia estar soterrada a tanto tempo, vinha com tudo. E mesmo que ela tivesse controlado aquilo muito bem em 7 anos, por algum motivo ela não conseguia mais.

Sohye sentiu o coração batendo na garganta e logo depois a respiração começou a parecer fora de ritmo. Apesar de ter acontecido pelo menos umas 3 vezes na última semana, ela sentia que nunca iria se acostumar com aquela sensação esquisita, porque ela era muito desconfortável. Sohye se perguntou o porquê daquelas crises estarem acontecendo de novo depois de tanto tempo, e se o problema não era com ela.

Claro que não era! Ela tinha consciência que não. Mas naquele momento de desesperança, era mais fácil acreditar que ela que tinha se permitido ficar assim. Pensou em si própria como a garota esquisita que tinha perdido o pai para uma doença e no mesmo mês a própria mãe se cansou dela e resolveu a largar. Ela não era uma pessoa tão ruim assim para merecer isso, era?

Enfiou o rosto no travesseiro, quando soluçou alto.

Se lembrou, pela talvez, décima vez naquela semana, de como ela despejou tudo o que sentia em cima do namorado e seu peito doeu mais uma vez quando se perguntou se sempre seria a garota que parecia gerar pena em todo mundo.

Pensou se ela estava fazendo certo de estar com ele. Ela era uma pessoa complicada, com aquela dificuldade de confiar nos outros, e ele era bom demais e não merecia perder seu tempo juntando os caquinhos de alguém que tinha acabado de conhecer. Estava com medo de confiar demais, de se abrir demais, e depois ele ir embora também. Sohye não queria se machucar novamente. Ela não queria confiar para depois ser abandonada mais uma vez.




quinta-feira, 6h34min

Seokjin entrou na cozinha se arrastando, lutando para manter os olhos abertos. Foi em direção a cafeteira, e ao pegar a jarra piscou confuso, a encontra-la cheia de café. Ele correu o olhar pela cozinha e se surpreendeu ao ver Sohye sentada na mesa, encarando a caneca a sua frente.

— Você acordando essa hora? Deu formiga na cama? — pegou uma caneca dentro do armário e a encheu. Ao não ter resposta nenhuma, se aproximou da irmã, que mantinha os olhos no líquido preto, sem exatamente focar nele. Jin a chamou mais algumas vezes, mas ela só ouviu na quarta vez — Sohye?

— Hm? — ela o encarou, como se tivesse acabando de acordar, os olhos ainda inchados de todo o choro da última noite.

— O que houve? — Seokjin se sentou do outro lado da mesa, preocupado.

— Eu preciso conversar com você — ela anunciou. Depois respirou fundo e abaixou a cabeça. Sohye segurou uma mão na outra em cima do colo.

— Eu já ouvi essa frase antes... Por acaso, você está gravida? — Jin soltou a primeira coisa que lhe veio a mente. — Se tiver, ok. A gente pode dar um jeito. Mas você não pode tomar café, cafeína não faz bem para o bebê — puxou a caneca no impulso, ainda meio sonolento.

— Jin, devolve meu café. Eu não estou grávida. — ela resmungou, ainda sem o encarar. Ele colocou a caneca de novo no lugar anterior e ficou em silêncio por um tempo, piscando os olhos com força, tentando fazer o cérebro acordar por completo.

— Desculpa. — ele coçou a nuca, com um sorriso envergonhado no rosto. — O que está acontecendo?

— Eu não estou bem. Tipo, nada bem. — ela falou baixinho, o olhar parando no rosto do irmão. Jin a analisou em silêncio. Sohye tinha duas bolsas escuras embaixo dos olhos, o rosto parecia inchado e ela fungava em meio algumas palavras. — Têm dias que eu não consigo dormir. Não consigo comer. Tudo me preocupa demais, tudo me dá medo. — ela se atropelou um pouco com as palavras. — Tem alguma coisa muito errada comigo, eu sei que tem.

Sohye sentiu um soluço vir pela garganta. Ela odiava chorar na frente dos outros, principalmente de Jin. Mas era aquilo o que ela vinha fazendo há bastante tempo. O homem, subitamente se levantou e contornou a mesa se sentando na cadeira ao lado dela, depois a puxou para o próprio peito. Ele conhecia Sohye bem o suficiente para saber que se ela continuasse a ver a preocupação no rosto dele, logo ela disfarçaria e tentaria contornar a situação.

— Quando isso começou?

— Não é a primeira vez que acontece — ela falou, a voz abafada porque ainda tinha o rosto encostado no peito do irmão.

— Quando foi a primeira vez?

— Eu não sei direito, Jin. Acho que na época da escola... ou no final. Eu só não queria te preocupar. Você tinha a Yuna e toda a questão com a Sunny. — a voz dela falhou. Jin inspirou pesadamente. Depois a segurou pelos ombros, obrigando a olha-lo.

— Sohye, quando eu pedi a halmeoni para deixar você vir morar aqui, foi porque eu queria estar presente na sua vida. Eu queria cuidar de você, e eu sabia que não seria fácil. Você era uma menina quando tudo aquilo aconteceu e eu não sei como você conseguiu aguentar isso tudo sozinha, porque eu mesmo quase não consegui. — ele respirou fundo — Você é a minha irmã. Eu esperei tanto por você, eu acompanhei cada etapa da sua vida de perto. Eu vi seu primeiro dente nascer e eu também te vi passar por aquela porta com o resultado do vestibular... que por acaso eu achava que era de Gastronomia, mas era de Pedagogia, que é tão legal quanto! — ele falou rápido, arrancando um riso fraquinho dela — Eu sempre quis você aqui comigo, Sohye. E eu sempre vou estar por perto, enquanto você quiser isso também.

— Eu acho que estou ficando maluca, Jinnie.

— Não, você não está. Tem coisas que são complicadas mesmo. Não vê o meu caso? Eu achei que era capaz de cuidar sozinho da Yuna, mas depois da conversa com a professora, eu e a Sunny percebemos que é bom ter auxílio de alguém que sabe um pouco melhor que nós. E isso não nos faz pais incapazes de cuidar dela. Isso só mostra que cada dia é mais uma oportunidade que a vida nos dá de aprender mais um pouco, Sohye.

— Você acha que é uma boa ideia eu fazer terapia? — ela perguntou, se lembrando da conversa com Taehyung. Jin a fitou com carinho por alguns segundos, e assentiu.

— Eu acho que é o melhor que você pode fazer por você mesma agora, Soso.

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Oi ♥ Tudo bem?

Demorei um pouquinho a aparecer, mas é que minhas aulas na faculdade voltaram, e eu me atrapalhei um pouco com a nova rotina. Bom, a notícia boa é que já estou conseguindo me adaptar e que o próximo capítulo já está pronto, e só em fase de revisão.

No capítulo anterior eu perguntei quais personagens vocês tinham curiosidade e não foi em vão: está tudo anotadinho aqui comigo ♥

A quem tiver curiosidade na história dos Jin e do Nam, tem uma outra história no meu perfil que explica um pouquinho dos dois antes da Learning. É a Where do broken hearts go? São 10 capítulos, menores do que os daqui, mas ajuda a entender bem o que rolou entre eles.

Eu amo o jeitinho que ela ficou e vivo a relendo kkk, me dá vontade de escrever spin-off para todos os personagens daqui....... kkkkkk

Se cuidem ♥

Beijos, Polly

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