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22. the world's not perfect but it's not that bad

"O mundo não é perfeito, mas não é tão ruim assim"

- Alec Benjamin (If we have each other)

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Leiam aqui, por favor!

Esse capítulo da Learning é um pouquinho diferente dos outros, e eu quis explicar um pouquinho sobre o motivo de eu o considerar assim.

Ansiedade era um assunto que eu queria abordar aqui desde o início.

Mas sei que por menor que seja a abordagem, isso pode causar mal estar em algumas pessoas. Então, se você começar a ler e em algum momento não se sentir confortável com o capítulo, pare de ler, por favor.

Sinta-se livre para pular o trecho (indicado por *), ou o capítulo todo mesmo. A proposta aqui é a de trazer um assunto importante a tona, e não a de deixar ninguém mal, ok?

Priorizem sua saúde mental.

Independente da sua escolha, agradeço pela chance a história.

Nos vemos nas notas finais ♥

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domingo, 15h

— E aí, gostou? — Taehyung perguntou sorrindo, quando os créditos finais do filme subiram na tela da TV.

— Gostei, mas se eu soubesse que você ia falar com todos os personagens, tinha escolhido outro. Parece a Yuna, eu hein. — Sohye reclamou fazendo cara feia.

— Acho que eu deveria ter chamado ela para assistir comigo. — ele retrucou, dando um último gole no suco em seu copo.

— Vocês deveriam se oferecer para dublar, isso sim. — Sohye lhe mostrou a língua, rindo depois. Ele revirou os olhos com a provocação da namorada, mas riu também.

— Você deve ser a única pessoa na face da Terra que nunca tinha visto Zootopia, Sohye. E você dá aula para crianças, sabe? Inaceitável uma coisa dessas. Devia ser requisito para pegar o diploma de Pedagogia — ele falou, sacudindo as mãos exagerado e fazendo drama, como sempre.

— É mesmo, Kim. — Sohye também rolou os olhos, desistindo da discussão e o fazendo sorrir para ela. Taehyung queria a dizer que a ver sorrindo depois da conversa que eles tiveram, o deixava de coração um pouquinho mais tranquilo. Ele entendia que Sohye não estava completamente bem, porque via certa semelhança nas duas situações e sabia que também não estava cem por cento em relação ao próprio pai. Apesar dos pesares, pelo menos eles poderiam se ajudar a lidar com aquilo, e o Kim esperava que Sohye aceitasse ser ajudada. — Tae, acho que seu celular está tocando. — Sohye apontou para o objeto acendendo a tela sobre a mesa.

— Ih! É a minha mãe — Taehyung falou depois de pegar o celular e o encarar.

— E você não vai atender? — Sohye perguntou.

— É chamada de vídeo — ele sorriu nervoso a encarando. Sohye mordiscou os lábios inferiores escondendo um sorriso envergonhado.

— Eu vou à cozinha pegar mais suco — ela deu a desculpa, de forma atrapalhada, e Taehyung sorriu concordando, quando ela se levantou e correu rumo ao outro cômodo.

O garoto ajeitou a postura, ainda sentado sobre o tapete a frente do sofá e ajeitou os cabelos e os óculos. Expirou o ar pesadamente antes de atender a chamada. Ele abriu a boca para falar, mas se surpreendeu ao ver uma imagem um tanto estranha na tela e riu sozinho.

— Mãe... afasta o telefone da orelha, por favor — ele falou, e riu mais ainda quando a mulher fez o que ele disse. Ela o olhou pela tela, e riu envergonhada, explicando que clicou no botão errado. — Aconteceu alguma coisa?

— Não, querido. Só liguei para saber se está tudo bem. Liguei várias vezes hoje e você não atendeu.

— Eu não vi, o celular estava no silencioso. Desculpa — ele coçou a nuca sem jeito.

— Liguei para o Jimin e ele disse que você não estava em casa... — ela parou de falar, ajeitou os próprios óculos a frente do rosto e semicerrou os olhos olhando para a tela do celular. — Onde você está? — perguntou depois de analisar o plano de fundo de onde o filho estava. Ela já conhecia o apartamento deles, mesmo tendo estado lá somente uma vez, e o local onde ele estava parecia bem maior.

— Você ligou para o Jimin? — Taehyung desconversou. — Ele não estava... ocupado? — ele sorriu quadrado para a mãe que o olhou sem entender.

— Não sei, mas ele me atendeu e foi super educado, como sempre é — Kim Joeun explicou. Taehyung assentiu, agradecendo aos céus de Jimin não demonstrar estar fazendo nada de mais no momento, afinal, ele tinha praticamente o expulsado de casa. Ele sabia o quanto sua mãe era encantada pelo melhor amigo e a educação que vinha com ele e não queria que o encanto fosse embora. — Onde você está, Kim Taehyung? — ela insistiu, dessa vez mais séria.

— Mãe, pelo amor... — ela o interrompeu.

— É a menina da foto, não é? — ela não aguentou mais de curiosidade. Taehyung continuou a encarar sem saber muito bem o que responder. Ele não conversava sobre aqueles assuntos com a mãe quando morava com ela, porque apesar de se achar um bobo apaixonado graças aos bate-papo com os avós, gostava de manter a imagem de que nada o interessava além do vestibular e da música. — Ela é especial, não é? Você nunca posta fotos de ninguém lá naquele Instragam... Como é que diz? Enfim! Só tem foto de museu lá, quando a vi, fiquei curiosa. É sua namorada? Ela parece ser um amor de pessoa! Quando vai a trazer aqui para eu a conhecer? — a mulher tagarelou, afirmando de onde vinha aquela mania do Kim de falar pelos cotovelos.

— Mãe... — ele tentou a interromper enquanto olhava na direção da cozinha, envergonhado e torcendo para que Sohye não estivesse escutado aquilo. — Calma...

— Calma o quê? — ela quase gritou, o olhando de cara feia — Pelo que eu me lembro, você namorou uma vez e mesmo assim durou quanto tempo? Um mês? Foi um namorinho de escola. E agora que você está mesmo com alguém, não quer me apresentar? Ela era da sua faculdade? Onde vocês se conheceram, meu filho?

— Mãe... — ele tentou mais uma vez e passou a mão no rosto. Extremamente envergonhado. Taehyung apenas suspirou e quando ele viu que ela não iria parar tão cedo, levou o indicador na frente dos lábios, como quem pedia silêncio. Ela pareceu entender.

— Opa... — ela sorriu quadrado, igual ao menino — Ela ouviu?

— Eu espero que não — ele riu sem graça, olhando na direção da cozinha.

— Liguei para saber como você está, só. E para perguntar quando você pretende parar de tentar me enrolar e vir passar uns dias aqui. — Taehyung forçou um sorriso, ele não gostava em nada do clima da área rural — Botas para a lama e repelentes para os mosquitos. Quem não te conhece, que te compre, garoto! — ela trouxe a tona um daqueles ditados antigos que a família Kim adorava — Para de drama que você viveu a infância toda no meio das plantas, Taehyung!

No impulso, ele já se preparava para dar mais uma desculpa a mãe. De que não tinha tempo por causa do trabalho, que ficaria cansado, ou mesmo a que não teria como bancar uma viagem até lá, mas se lembrou da conversa que teve com Sohye no dia anterior. Ela estava justamente se culpando por ter perdido tempo ao tentar se resolver com a mãe, e ele estava ali, negando a oportunidade de aproveitar a Sra. Joeun e o fato dela viver o procurando para pedir que o filho os visitasse.

— Tudo bem, mãe. Quando? — ele falou tranquilo. A mulher o encarou do outro lado da tela abismada.

— Não vou precisar usar nenhum dos meus argumentos? Eu tenho alguns ótimos! — perguntou fazendo graça, e ele sorriu balançando a cabeça. — Poxa, ok! Que tal no feriado?

— No próximo mês? — ele perguntou chocado, porque teria pouquíssimo tempo para se preparar. Mas poucos segundos depois, ele apenas sorriu e concordou.

— Taehyung, você está muito esquisito. Está tudo bem mesmo? — a mãe comentou do outro lado da tela, rindo com ele que balançou a cabeça afirmando mais uma vez. — Ok! Isso depois eu descubro, o que me importa é que você vem mesmo. Vou separar os melhores tomates para você fazer suas receitas!

— Mal posso esperar, mãe. — ele falou sorrindo, ao ver o quanto ela ficou feliz.


*

Após desligar o telefone, Taehyung se levantou e seguiu até a cozinha, atrás de Sohye. A encontrou sentada em uma banqueta e assim que a garota percebeu sua presença, o fitou com o olhar meio preocupado. Ele até pensou em fazer alguma piada para ver se ela relaxava, mas viu que Sohye parecia realmente inquieta e aquilo poderia ser desrespeitoso com o que ela estivesse sentindo. Taehyung puxou uma das banquetas e se sentou ao lado dela a olhando de volta.

— Está tudo bem? — Sohye perguntou. Taehyung assentiu, confuso pela expressão da garota.

— Ela queria saber como eu estava, e queria saber quando eu ia os visitar. — ele explicou e Sohye balançou a cabeça, como quem dizia que entendia. — Mas eu acho que essa pergunta tinha que ser feita a você, não? — ela sorriu e negou balançando a cabeça.

Sohye se sentiu estranha e nem sabia o porquê. Ao sair da sala se sentou na banqueta, sentindo o coração acelerar e as mãos suarem. Por algum motivo, se sentiu extremamente nervosa com a possibilidade de conhecer a Sra. Kim, mesmo que apenas pelo celular. Segurou as mãos uma na outra com força. Sentiu o coração bater acelerado e mordeu os lábios. O que a senhora Kim acharia dela? Será que ela a acharia boa o suficiente para estar em um relacionamento com seu único filho? E se ela fosse alguém extremamente tradicional e não concordasse com o único herdeiro se envolvendo com alguém que não era de descendência apenas coreana?

Aliás, como ela pôde se esquecer disso? Parte de Sohye vinha da França e mesmo não tendo tanto contato com a família da mãe, ela respeitava aquela parte de sua história. Seu medo era que, apesar de boa parte do país ter aprendido a respeitar aquilo, ainda haviam pessoas que se prendiam aos ideais tradicionais. Ideais aqueles que Sohye e Seokjin não se encaixavam por serem filhos de duas pessoas de culturas tão diferentes. Tanto ela quanto o irmão, aprenderam a ignorar os comentários negativos, mas o pensamento lhe veio a cabeça e aquilo pareceu lhe atingir como nunca a atingiu antes.

— Você está tremendo? — Taehyung perguntou, e ela observou as mãos de Taehyung, que eram grandes o suficiente, cobrir quase por completo as mãos dela que ainda apertavam uma às outras.

— Você quer mais suco? — Sohye mudou de assunto tirando as mãos de entre as dele. Ela desceu da banqueta e seguiu até a geladeira, com o olhar do garoto a acompanhando. Ele queria perguntar o que estava acontecendo, mas sabia que a chance de falar algo idiota assim que abrisse a boca, era grande. Ele murmurou positivamente e observou Sohye pegar a jarra e servir os copos ainda tremendo. Taehyung se perguntou se ela tinha escutado a mãe perguntando sobre a foto e aquele fosse o motivo do nervosismo. Mas não sabia se deveria perguntar, porque talvez ele estivesse se precipitando.

Ela entregou o copo a ele, e depois de bebericar o suco, aos poucos foi sentindo o coração começar a se acalmar novamente. Com isso, a respiração foi voltando a ritmo certo e ela colocou o copo sobre a bancada de novo.

Do mesmo jeito que a sensação esquisita chegou, ela foi embora. Silenciosamente e sem dar alarmes. Sentiu um pouco de timidez, ao perceber que talvez tivesse feito uma cena um tanto vergonhosa na frente do namorado, já que ele a olhava meio inseguro. Sohye ajeitou a franja de Taehyung que ainda a olhava com feição preocupada e ela lhe deu um sorriso meio sem jeito, tentando o dizer que estava tudo bem.

Entretanto, ele não sorriu de volta.

Kim Taehyung já tinha notado que tinha alguma coisa acontecendo com Kim Sohye.

*


17h18min

Taehyung abriu os olhos e percebeu que ainda estava na casa dos Kim. Levou a mão no próprio pescoço e a esfregou ali, já que incomodava um pouquinho devido à posição ruim em que cochilou. Quase se levantou do sofá, mas parou antes de realizar o movimento, porque notou que a namorada dormia tranquilamente com a cabeça deitada em seu colo. Ele sorriu sozinho ao escutar o ronronar que ela costumava fazer quando embarcava no sono e acariciou os cabelos da namorada pensando o quanto ela deveria estar cansada. Checou o celular para ver as horas e apesar de ter avisado Sohye que sairia naquele horário, ficou com pena de ter que a acordar para que ele pudesse se levantar.

Ele não tinha se esquecido da cena na cozinha e começou a se questionar se Sohye teria ficado nervosa com a ligação da mãe dele. Sabia que às vezes ela era tímida, mas não da maneira que ela estava quando o encarou. Apesar de a conversa do dia anterior ter sido franca e cheia de desabafos, ele não queria ser desrespeitoso invadindo o espaço pessoal dela. Ele escutou a porta da frente da casa ser aberta, mas nem teve tempo de tentar avisar a garota, porque logo Yuna apareceu no ambiente tagarelando. Taehyung levou o indicador na frente da boca, como quem pedia para ela não gritar e a garotinha, com um vestido nada discreto da princesa Anna, com direito a capa rosa e tudo, abriu a boca chocada com a presença dele ali.

— Meu pai falou que você estava aqui, mas eu achei que era só para eu parar de fazer pirraça — Yuna falou, como se não fosse nada de mais. Apesar dela tentar falar baixinho, aquilo foi o suficiente para fazer Sohye se mexer meio sonolenta e levantar a cabeça, olhando na direção do som. — Ih, desculpa tia Sohye — Yuna fez uma carinha triste, ao ver que tinha a acordado.

— Tudo bem, Yuyu — Sohye falou se sentando e sorrindo para ela. — Por que a senhorita estava fazendo pirraça, hein? — a mais velha perguntou, ajeitando o próprio cabelo e encostando a cabeça depois no ombro de Taehyung, sendo abraçada pela cintura por ele.

— Tia, adivinha quem eu sou — desconversou, colocando as mãozinhas para trás, imitando a pose clássica da personagem.

— O Olaf? — Sohye perguntou e Yuna revirou os olhos fazendo os dois rirem.

— Nossa, Sohye, errou feio, não está vendo que ela é a Elsa? — Taehyung falou indicando a fantasia da menina. Yuna o olhou de cara feia, os fazendo rir mais ainda. No final, apesar do bico que fez, acabou rindo junto.

— Vocês são muito bobinhos — ela deu as costas para eles, pegando o controle da TV e apertando em algum botão. Sohye olhou para o namorado, lhe dando um sorriso singelo, e ele achou a achou fofa, por conta da cara amassada de sono. — Eu não acredito que estavam vendo Zootopia sem mim — ela fez beicinho de novo, olhando na direção dos adultos, os chamando atenção.

— Não seja por isso, podemos assistir de novo — Taehyung falou, dando de ombros. O brilho nos olhos de Yuna apareceu no mesmo momento que Sohye fechou os dela sem acreditar. Ela tinha gostado do filme sim, mas não sabia se estava no clima de ouvir os dois tagarelando juntos. A mente dela parecia cansada depois de tantos pensamentos ruins, e a garota queria muito um pouquinho de silêncio para tentar relaxar.

— Vocês não vão fazer isso comigo... — ela resmungou, se afastando do Kim e se deitando para o outro lado do sofá. Yuna se jogou no espaço entre ela e Taehyung e deu play no filme.

— Eu sou a Judy. — a criança anunciou para o rapaz e ele assentiu, sorrindo com a empolgação dela. — É que eu sei todas as falas dela — Yuna explicou  a ele. Sohye esticou a mão e fez sinal de positivo para Taehyung, porque ela realmente sabia.

— Ok, então eu sou o Nick, porque eu sei todas as falas dele — Yuna concordou batendo palmas. Sohye encarou o namorado fazendo cara feia e ele fingiu que não viu.

— Você não disse que precisava ir embora cedo, Kim?  — Sohye perguntou a ele, o que o fez a encarar, de boca aberta.

— Você está me convidando a me retirar da sua casa? — Taehyung perguntou, Sohye arregalou os olhos e se sentou, negando com a cabeça. Ela tentou se explicar rapidamente dizendo que não era aquilo e ele sorriu para ela, como quem dizia para que ela não levasse tudo tão a sério, porque estava brincando.

— Deixa ela Taetae, eu convido você de novo, a casa é minha também — Yuna deu de ombros observando a TV, deixando o garoto e a tia a encarando com cara de surpresos. — "Eu iria para um lugar a quilômetros daqui! Uma incrível cidade chamada, Zootopia!"  — a menina falou animada, imitando os gestos da coelhinha na TV. Aquilo fez a tia dela sorrir.

Por um tempo, Sohye se sentiu mais leve por ver a sobrinha sorrindo e brincando daquela maneira. Mas não demorou muito para a preocupação voltar a incomodar, porque doía pensar que aquilo mudaria quando o dia chegasse ao fim e no seguinte a menina tivesse que ir para escola. Doía em Sohye pensar que o ambiente que ela acreditava ser o mais poderoso do mundo e que deveria servir de abrigo, estava se tornando um lugar que deixava a sobrinha mal.

Sohye suspirou cansada daqueles pensamentos negativos que pareciam tomar conta dela. Era a preocupação em não poder ajudar a família, de não ser capaz de agradar os professores da faculdade. De não descobrir como resolver a história com a mãe e o medo de não conseguir se dedicar o suficiente aos amigos e ao namorado e no fim eles se cansarem dela.

Percebeu que Taehyung a olhava e forçou um sorriso para ele. Depois se sentiu meio culpada por aquilo. Ele tinha uma vida social muito mais ativa que a sua, e provavelmente tinha dispensado passar aqueles dias se divertindo com os amigos ou em qualquer outro lugar, para ficar ali. Taehyung estava se mostrando um cara super legal, e apesar de ter noção de que ela não tinha culpa de não estar se sentindo bem naqueles últimos dias, Sohye não achava justo que ele estivesse aturando o seu mau-humor, ou seja lá o que fosse aquela sensação estranha que a estava incomodando tanto.

Pelo menos ela esperava que aquilo fosse apenas um mau-humor mesmo, e que logo ele passasse.

Na metade do filme, Jin se juntou a eles na sala se sentando em outra poltrona. Yuna correu para o colo do pai, que a encheu de beijinhos no rosto. Ela esfregou as mãos, limpando as bochechas, reclamando mais uma vez que já era grande e eles achavam que ela ainda era um bebê. Sohye aproveitou a deixa para se aconchegar em Taehyung, que de primeira encarou Jin, meio apreensivo. Depois relaxou ao ver que o rapaz não demonstrou se importar, rindo de alguma cena do filme. Ele contornou o braço ao redor dela e analisou a garota sorrir observando a sobrinha ainda falando junto a TV.


20h15min

Depois de Jin obrigar Taehyung a jantar com eles, Sohye esperou que o namorado se despedisse dele e de Yuna, e assim que eles saíram, fechou a porta da frente de casa encostando as costas nela. Apesar da hora, o tempo não estava muito frio, e apenas uma brisa fresca passava por eles. Sohye observou Taehyung checando onde o motorista do aplicativo estava e riu baixinho a o ver reclamar, porque o mesmo tinha cancelado a corrida e foi preciso fazer o pedido novamente.

— Tae... — ela o chamou, o fazendo levantar o rosto para a olhar — Desculpa por ontem e por hoje. Eu não estou muito bem, devo ter sido uma chata o final de semana inteiro. — ela se desculpou, suspirando cansada da bagunça que estava a própria cabeça, resultando em reações tão desorganizadas, quanto.

— Sohye, não tem nada de errado em se sentir meio indisposta às vezes. Você só precisa tomar cuidado e prestar atenção caso isso se torne recorrente. — ele se aproximou dela, a mão em uma das laterais do rosto, a fazendo o olhar. — Eu adoro passar o final de semana com você. Nós mal nos vemos durante a semana. Você não foi nem um pouco chata, ok? — Sohye fez careta, mas sorriu depois que ele encostou os lábios rapidamente sobre os dela.

Eles ouviram barulhinhos de risos vindos de dentro da casa, e olharam na direção da janela, só a tempo de ver a cortina ser posta no lugar rapidamente. Família Kim, sendo a família Kim: nada de novo.

Ela sorriu sem jeito para ele e puxou o garoto na direção do portão. Não queria o deixar nervoso, mas sentiu vontade de o agradecer por estar ali com ela, mesmo que ela não estivesse sendo a melhor das companhias naqueles dias. Sohye não era a pessoa mais experiente quando o assunto era relacionamento amoroso, mas dos que teve, nunca tinha visto na pessoa do outro lado, antes de um namorado, um amigo. E era exatamente o que ela estava enxergando em Taehyung.

O observou enquanto o garoto parecia ocupado olhando o celular, ainda esperando algum motorista aceitar o levar até em casa. Sohye pensou nos livros e filmes que fizeram parte de sua adolescência, e se perguntou porque nem sempre era comum que a narrativa, além de ter uma relação amorosa, também tivesse foco na amizade dos personagens principais. Como, por exemplo, aquela que ela estava construindo com o Kim. Imaginou que falar sobre, seria importante para que pessoa nenhuma se sujeitasse a ficar com alguém que não se importasse em respeitar seus sentimentos, apenas por estar envolvido romanticamente. Apesar do caos interno, se lembrou da conversa deles, no dia anterior, e sentiu um fio de esperança por saber que tinha ao seu lado alguém que a via como uma pessoa com sentimentos e dificuldades, não alguém para beijar e dar uns amassos, apenas.

Antes de namorados, eles eram amigos, e ela sentia que podia confiar nele, como confiava em Gaeul e Jungkook. Ela sabia que aquilo era o mínimo a receber de alguém em qualquer tipo de relacionamento, mas ainda sim se sentia grata, porque mesmo que tenha demorado a aceitar se envolver com outra pessoa, não tinha se decepcionado com a escolha.

Taehyung realmente não era só um cara bonitinho que tocava violão.

— Como você está se sentindo? — ele perguntou a analisando, vendo que Sohye parecia meio aérea. Ela o encarou sem expressão definida, sendo tirada dos próprios pensamentos. Respirou fundo, cansada de se sufocar com aquelas preocupações que pareciam não ter fim.

— Eu não sei... — sussurrou. — Tinha um tempo que eu não me sentia assim, Tae. É horrível não conseguir controlar esses sentimentos estranhos. — ela falou baixinho, parada a frente dele.

— Você quer conversar? — Taehyung perguntou e ela ficou um tempo apenas o olhando.

— Eu acho que sim, mas eu não quero te atrapalhar, você já chamou o carro. Nós podemos ver isso depois — ela argumentou, de novo querendo fugir de compartilhar o que sentia com alguém, achando que ela melhor guardar só para ela. Ele pegou o celular e mexeu em alguma coisa nele.

— Cancelei a corrida — Taehyung comunicou, deixando a menina meio sem saber o que responder.

— Ai, Kim... — ela expirou cansada, sem acreditar. — Você vai pagar mais caro se for mais tarde — ela reclamou, preocupada.

— Eu me permito ter esse luxo se for para passar mais tempo com você — ele piscou um olho, fazendo graça, e ela arriscou um sorriso.

Taehyung olhou para os lados, tentando encontrar algum lugar ali que eles pudessem sentar e conversar, mas não encontrando, acabaram os dois sentados na pequena calçada a frente da casa da garota. Sohye cruzou as pernas, se virando na direção dele e ele ajeitou o boné, ainda com a aba para trás, na cabeça. Ela levou um tempo para conseguir formular alguma frase que fizesse sentido, e quase se arrependeu de ter tocado no assunto, mas acabou falando o que lhe veio a tona.

— Eu já senti essas coisas antes. Parece que não importa o quanto eu me esforce para consertar algo, sempre vai aparecer outro problema pior depois — ela desabafou. — E eu não sei explicar isso, Tae, é que parece que meu cérebro entende que eu tenho que estar preparada para qualquer coisa, porque vão acontecer mais coisas ruins.

— Tem muito tempo que você começou a sentir isso? — Taehyung perguntou e Sohye fez cara de confusa.

— Acho que a primeira vez foi na época do vestibular. Que eu decidi mudar de curso em cima da hora e não contei para ninguém. Acho que me senti pressionada demais com a decisão, porque não consegui conversar sobre ela com ninguém. — ela falou, encarando suas mãos uma na outra, sentindo vergonha. Não tinha os pais por perto, Jin não estava em uma fase muito boa também, e ela não quis pedir opinião sobre aquilo a outros, acreditando que aquilo era um problema só dela. — Porém passou, entende? Então daqui a pouco passa de novo e eu fico bem.

— Sohye, você não precisa lidar com isso sozinha, você sabe, não é? — Taehyung falou, fazendo a menina o olhar — E assim, você tem a sua família, tem seus amigos, tem a mim, mas apesar disso, não acho que somos capacitados o suficiente para te ajudar a lidar com esses pensamentos. — ele respirou fundo antes de voltar a falar, sentindo que talvez começasse a se atrapalhar se enrolasse muito — O que eu estou tentando te dizer, é que acho que seria uma boa você tentar uma ajuda profissional, principalmente se não é a primeira vez que acontece.

— Eu não sei... — suspirou. — É que isso já se tornou natural, Tae. Vai e volta ocasionalmente. É só mais um ciclo da minha vida. Eu vou ficar bem depois que passar.

— Eu também concordo que a vida é feita de ciclos, mas alguns não são tão fáceis de lidar sozinha, entende? — ele segurou as mãos dela, sentindo que ela tremia de leve. — Nós ficamos tão preocupados com os outros, que esquecemos de nós mesmos, Soso. Sabe, eu te acho incrível por conseguir fazer tanta coisa, mas você precisa de tempo para não fazer nada também. Você não precisa aguentar tudo isso sozinha. — Sohye voltou a o olhar, ainda confusa. — Digo, você estuda, trabalha, ajuda seu irmão em casa, cuida da Yuna, e no meio disso ainda tira tempo para ficar comigo e com seus amigos. Eu sei que você só quer ajudar quem é importante para você, porém, você precisa se dedicar a própria Sohye um pouquinho. E eu sei que não é fácil, porque nós somos muito mais críticos quando se trata do eu, mas você precisa aprender a se amar como você ama todo mundo que faz parte da sua vida.

— Você trabalha em um Museu imenso, Taehyung. Toca e canta no bar. É voluntário no abrigo de animais, mora sozinho e ainda cozinha. Você faz mais coisas do que eu, Kim.  — respondeu, sorrindo meio indignada. — Eu não faço nada além de estudar, não é como se eu fosse uma super-heroína ou alguém tão incrível assim.

— Ok, eu posso fazer essas coisas aí sim, você não está errada — ele sorriu e ela assentiu sorrindo também. — Mas não se trata de ser uma heroína, se trata de você entender que tudo bem dormir um pouquinho mais de tempo no final de semana, tudo bem se as coisas não saírem sempre como nós queremos. Você disse que não faz nada além de estudar, mas você já parou para pensar que estudar é uma das coisas que mais desgastam nosso corpo e nossa mente quando não é feito adequadamente? É uma atividade que também requer esforço, Sohye.

— Eu preciso estudar para me sentir capaz de alguma coisa, Tae. Sei lá, parece que é a única coisa que eu sei fazer direito. A única coisa que eu tenho controle.

— Você acha mesmo isso, ou o mundo que te fez acreditar nisso? — ela ficou parada o encarando, sem saber o que responder, mais uma vez. Sohye respirou cansada. Falar sobre ela mesma sempre parecia sugar todas as suas energias.

Sentiu os olhos se encherem d'água, porque talvez ele tivesse razão. Mas ela não queria colocar o orgulho de parte e concordar com Taehyung em relação àquilo. Porque em sua cabeça, se concordasse, estaria aceitando que não era capaz de lidar com a própria vida. Mesmo que aquela vontade de querer ajudar em tudo nem fosse somente por ela, se concordasse com o que o namorado estava falando, Sohye acreditava que ainda sim seria culpa dela estar daquele jeito.

— Eu não quero brigar, Taehyung. — ela sussurrou, meio chorosa. Sentiu medo deles começarem a discutir já que estava bem claro que discordavam. Mesmo que, no fundo, soubesse que aquele medo nem tinha fundamento, porque nenhum dos dois estava com indícios de iniciar uma discussão.

— Nós não vamos brigar — ele falou, colocando o cabelo dela para trás da orelha e a olhando. — Eu não quero que você ache que a culpa de tudo o que acontece seja sua. Ou que esses pensamentos ruins te paralisem ao ponto de achar que as coisas precisem ser pensadas milimetricamente para que nada saia diferente do planejado. E mesmo caso elas saiam, não significa que foi falha sua. — Sohye assentiu, ainda chorando. Taehyung a puxou para um abraço. — Você é muito importante para mim e eu quero te ver feliz, ok? — ele falou, beijando-lhe os cabelos e fazendo carinho em suas costas.

Sohye ficou abraçada nele um bom tempo, se sentindo boba ao lembrar o quanto ela estava preocupada em dizer ao irmão que a sobrinha talvez precisasse de acompanhamento psicológico, sendo que talvez ela mesma precisasse de terapia também.

— Sobre procurar ajuda profissional... eu vou pensar, tudo bem? — ela se afastou dele, secando as bochechas. — Eu já tentei uma vez, mas acabei desistindo. Eu preciso pensar como seria isso.

— Isso já é um passo, Sohye — ele sorriu carinhoso. — Eu tenho certeza que você vai conseguir aprender a lidar com isso. E vou estar do seu lado nesse processo — ele colocou às duas mãos nas bochechas dela a obrigando a fazer um bico. — Eu sou provavelmente o cara mais sortudo do mundo por ter uma namorada tão linda, responsável e corajosa como você. — Sohye fechou os olhos e sorriu envergonhada, sentindo o rosto ficar vermelho. — Ué, você está com vergonha, porque eu falei que você é linda, respon.. — ele sentiu um tapa no braço, e esfregou o lugar fazendo drama. — Uau. E forte. Que namorada for...

— Cala a boca, Kim — ela riu da cara que ele fez, e ele a acompanhou. — Talvez eu que seja sortuda de ter te encontrado naquele metrô — ela pensou alto.

— Concordo em parte, porque não foi você quem me encontrou. Os créditos devem sempre ser dados a Kim Yuna. — Sohye riu mais e balançou a cabeça, concordando com ele. 

Adultos adoravam dizer que as crianças vivem no mundo da lua, mas Sohye sempre seria grata por Yuna ter a tirado de dentro do caos de seus próprios pensamentos para mostrar Taehyung na vida real.


segunda-feira, 15h37min

Sohye tinha saído da sala das crianças sob a desculpa de ir ao banheiro, mas, na verdade, ela só precisava tomar um pouco de ar. Andava pelo pátio da escola infantil, meio sem rumo, e quando viu que parecia uma barata tonta, andando em círculos, se sentou em um banquinho um pouco distante de onde estavam as professoras das crianças menores. A conversa com Taehyung no final de semana não saia de sua cabeça, e mesmo que tivesse falado ao namorado que pretendia pensar sobre buscar ajuda, seu cérebro parecia querer trabalhar a mil por hora para encontrar uma solução sozinho.

— Seu irmão me ligou e disse que você saiu da cafeteria sem comer nada, de novo — Sohye se assustou, tentando focar no objeto laranja que a amiga colocou na frente do seu rosto. Era uma tangerina. — Pega, eu consegui duas hoje e nós nem vamos precisar dividir. — Gaeul disse, enfiando a fruta na mão da amiga que lhe sorriu. — Não está com fome? — Sohye negou, mas o barulho no estomago a desmentiu. Gaeul arqueou a sobrancelha.

— Estou enjoada, Ga. Prometo que como depois. — Gaeul balançou a cabeça e começou a descascar a sua, fazendo o cheiro da fruta chegar ao nariz da amiga, que sentiu o estomago roncar mais uma vez. Gaeul pareceu ouvir também.

— Soso, eu não quero ser chata, tá? Nem ficar te pressionando a falar nada, mas eu te conheço e eu estou preocupada. — ela falou de uma vez e Sohye olhou a amiga mastigar um gomo da fruta, olhando para frente — Eu tenho ciúmes do Jungkook às vezes, sabe? Porque vocês se conhecem há mais tempo e eu sinto um pouco que eu boio em relação a algumas coisas, mas nem ele sabe de nada dessa vez — ela falou de boca cheia mesmo. — E eu sei que você não está bem, mas eu não sei como te ajudar, porque não faço ideia do que está acontecendo. — Gaeul a olhou, os olhos começando a ficar vermelhos.

— Você está chorando? — Sohye perguntou, com um aperto no coração.

— Eu não choro, isso é suor feminino, Kim Sohye. — Gaeul apontou para o próprio rosto e secou as bochechas, fazendo a amiga sorrir. Depois cheirou a mão e fez careta, vendo que provavelmente ia ficar com cheiro de tangerina o resto do dia — Foi o cantorzinho? Pode me contar, porque se foi ele eu arranco os cabelos dele fora e...

— Não foi ele, Ga. — Sohye falou, suspirando depois — Não tem exatamente a ver com o Taehyung. É que umas coisas que me incomodavam antes, voltaram a me incomodar de novo agora. Mas por algum motivo dessa vez eu não estou sabendo controlar, porque parece pior. — Gaeul a olhou confusa. Sohye tomou coragem e contou a história. Sobre o pai, sobre a mãe — e sobre o recente contato que elas tiveram, que apesar de mínimo, foi o bastante para deixar Sohye desnorteada. Aproveitou a deixa, e explicou que a mesma preocupação excessiva que quase a fez desistir de realizar a matrícula na faculdade, estava começando a voltar e ela não sabia se aquelas duas situações eram o motivo da maneira como ela estava se sentindo. — Me desculpa se eu não te contei antes, é que me dói ainda e eu não consigo falar sobre isso sem ficar meio perturbada. Eu achei que isso fosse normal e que ia passar, mas acabei conversando sobre isso com o Taehyung, porque ele viu uma foto da minha mãe e acabei tendo uma crise de choro na frente dele. Eu evito falar sobre esse assunto com o Kookie, porque ele sabe exatamente o que aconteceu e viu o caos que eu me tornei naquela época, então não adianta tentar esconder nada. Nunca conversei com você sobre isso, porque você também me conhece muito bem e eu não queria te preocupar.

— Que merda, Sohye — Gaeul reclamou e Sohye falou para ela parar de xingar, porque estava na escola e as crianças poderiam a ouvir. Ela rolou os olhos — É óbvio que eu vou ficar preocupada, você é minha melhor amiga. Mas o fato de eu ficar preocupada não significa que você precisa me esconder essas coisas para não me deixar mal. Eu te amo, poxa! — ela bufou irritada. Sohye lhe sorriu meio triste, e a abraçou, encostando o queixo no ombro dela.

— Eu também te amo, Ga. E foi por isso que eu achei que era melhor não te contar, porque eu não queria te deixar assim. — Sohye explicou, se afastando.

— E o que te faz acreditar que é melhor você carregar isso tudo sozinha, Sohye? — Gaeul perguntou, a olhando. — Nem eu, nem o Kookie estamos aqui para ficar com você apenas nos momentos bons. Nós estamos aqui para nos apoiar independente do quão ruim seja a situação. Que merda de melhores amigos nós seríamos se te julgássemos por ter medo de falar sobre isso? Não é culpa sua se sentir assim. Nunca foi.

— Você não está chateada por eu ter falado para o Tae antes? — Sohye perguntou, apreensiva.

— Claro que não — Gaeul sorriu para ela. — Aconteceu de você falar com ele primeiro, só. Isso não significa que você não confia em mim ou no Kookie. Na verdade, eu fico mais tranquila de saber que você está com alguém em que você sente que pode confiar também. 

— Eu acho que isso nem faz sentido, mas talvez eu tenha conseguido falar, porque ele ainda é novo aqui. O Tae ainda não me conhece como vocês dois e eu não vi problema de omitir algumas coisas.

— Eu entendo, faz sentido sim. — Gaeul concordou, mas parou olhando para o horizonte por um tempo. — Mas você acreditou que dava para controlar a forma que ele te vê, de acordo com o que você mostra a ele? — ela perguntou e Sohye fez careta.

— Acho que sim... Mas ele percebeu que eu não estava bem então não adiantou nada.

— A vida real não é um kdrama, classificação 10 anos, Soso. Ninguém consegue ser feliz o tempo todo. É normal cair às vezes — ela fitou a amiga. — Eu não acho que ele tenha que ficar em um relacionamento que o faça mal, mas se quer se envolver com pessoas reais, ele precisa ser realista o suficiente para entender que ninguém sorri nos 365 dias do ano.

— E ele é, Ga. — Sohye suspirou se lembrando da conversa deles, mais uma vez. Do quanto ele deixou claro que o melhor a se fazer naquela situação, era procurar ajuda profissional. — Mas falando dessa forma agora, parece que eu estou mentindo para ele. — ela passou a mão pelo rosto, começando a ficar preocupada novamente.

— Você não está mentindo. Não acho que seja errado você contar isso gradualmente, porque vocês nem se conheciam naquela época. Sei lá, vocês começaram a namorar agora. Não é como se você precisasse passar todo o seu histórico de vida para ele assim que vocês se conheceram. Você pode contar as coisas quando se sentir confortável, como foi o que aconteceu no sábado. — Sohye balançou a cabeça concordando.

— Você é a melhor pessoa do mundo, Ga.

— Eu sou mesmo. Mas come a tangerina, porque não foi fácil conseguir. — ela sorriu forçado, e acenou para a cozinheira que olhava para elas de braços cruzados na porta da escolinha. A senhora riu, provavelmente já acostumada com Gaeul aparecendo todo intervalo na cozinha para pedir frutas, e entrou novamente. Sohye riu observando a cena, e quando a amiga apontou para a fruta em sua mão, ela começou a descascar para comer.


16h50min

Taehyung empurrou a porta de vidro, e entrou no pequeno estabelecimento marcado para o tal encontro. Não demorou muito a encontrar a mesa em que Jimin, Jungkook, Sohye e Gaeul estavam com as crianças. Sohye se virou na direção da entrada, assim que ouviu a porta ser aberta, e sorriu ao ver o namorado. Ele sorriu de volta, notando que ela parecia melhor.

Terminando de montar o próprio lanche e pegando a comanda, o rapaz seguiu até a mesa e percebeu que diferente dos outros, a Park não estava com uma expressão muito boa. Como explicado na mensagem de Sohye, ela tinha inventado aquela ida a lanchonete e foi até ali discutindo com Jungkook, que achou a ideia muito sem noção, já que era inicio de semana. Quando ele deu de cara com Jimin já os esperando lá, o garoto mudou de ideia e agora estava só sorrisos, diferente da amiga que de 10 em 10 minutos fazia questão  de o chamar de interesseiro.

O Kim sacudiu a mão os cumprimentando, e diferente de Jungkook, que lhe deu um sorriso amigável e apontou para que ele sentasse do outro lado da mesa, ao lado de Sohye, Gaeul o fuzilou com o olhar, sem tirar a boca do canudo do milkshake.

Taehyung abraçou Sohye de lado, lhe dando um beijinho na testa, e ela sentiu as bochechas ruborizarem de leve, porque ainda não estava acostumada com contato físico na frente dos outros. Os amigos ignoraram a cena por completo, o que a fez relaxar os ombros depois. Os dois menores até sorriram para Taehyung quando o notaram ali, mas pareciam mais ocupados em devorar os bolinhos de arroz, pedidos especialmente para eles.

— Nós não te esperamos para pedir, porque os três monstrinhos ali estavam morrendo de fome — Sohye sussurrou para Taehyung se referindo a melhor amiga e as duas crianças. Ele balançou a cabeça entendendo.

Os cinco engataram em uma conversa leve e sem assuntos complicados. Sohye comentou sobre uma das crianças perguntarem quando Taehyung voltaria na escola, o que deixou o garoto com o ego inflado. Jungkook falou sobre a próxima música que faria cover para o canal e Jimin bateu palmas animado, porque adorava If we have each other de Alec Benjamin. Taehyung comentou que ele e Jimin precisavam fazer compras, porque os armários estavam vazios e o Park revirou os olhos e fingiu desmaio, arrancando risos das crianças.

Falando nelas, em determinado momento Daeho se atrapalhou e deixou parte do recheio do doce cair sobre o uniforme, o que fez Jungkook levantar desesperado para tentar limpar a roupa do irmão.

— Meu Deus, a mamãe vai me matar se isso não sair — o irmão mais velho tentou esfregar a mancha com um guardanapo, mas só parecia piorar a situação. Daeho observou o desespero de Jungkook, já imaginando que se ele não conseguisse limpar, a mãe poderia lhes dar uma bronca. Yuna riu da cena e o garotinho fechou a cara, esfregando a mão suja no suéter amarelo dela. Dessa vez o desespero foi de Sohye.

— Caramba, Dae, você é muito emocionante — Yuna falou, rolando os olhinhos, deixando todos confusos.

— Você quis dizer, emocional, Yuna? — Sohye perguntou e ela assentiu, ainda de cara feia.

— Isso não foi legal, Dae... — Jungkook lhe chamou a atenção, e ele ficou de bico, assim como Yuna, depois de Sohye lhe falar que ela também não agiu bem de ter rido dele. No final, os dois responsáveis pelas crianças decidiram ir até o banheiro para tentar limpar a parte suja com água e sabão, ficando Jimin e Taehyung, sozinhos com Gaeul na mesa. Os soulmates decidiram cada um terminar o próprio lanche, em silêncio, mas foram interrompidos pouco tempo depois.

— Kim... — Gaeul, que mesmo com dois coques no alto da cabeça e roupas coloridas, parecia um pouco assustadora naquela tarde, disse.

— Park... — Taehyung retrucou, mesmo que um pouco confuso pelo tom de voz dela. Jimin olhou de um para o outro sem entender muito bem o que estava acontecendo ali.

— É o seguinte — ela começou. Largou o copo e apoiando as mãos sobre a mesa, se levantou e inclinou o corpo para frente. Aquilo fez Taehyung se afastar para trás no impulso —, você gosta mesmo da Soso? — ela o surpreendeu com a pergunta. O garoto assentiu. — Quanto? — ela teimou.

— Muito, Gaeul. Eu sou completamente apaixonado pela Sohye — ele sussurrou, ficando meio envergonhado depois de notar o quanto era esquisito dizer aquilo em voz alta. Gaeul balançou a cabeça, voltando a se sentar.

— Ok... Mas se você fizer alguma merda para ela eu juro que eu...

— Corta o meu cabelo? Vai precisar entrar na fila... — ele riu sozinho, ao se lembrar que foi a mesma ameaça feita por Jin. — Eu não entendo essa obsessão que você e o Jin têm com o meu cabelo. — ele falou afofando as próprias madeixas — Fica tranquila, que se eu fizer alguma coisa que magoar ela, eu mesmo levo a tesoura para você destruir meu cabelo.

— Uau — Jimin se manifestou, fazendo os outros dois lembrarem que ele ainda estava ali — Você parece ser tão simpática, mas agora eu realmente fiquei com medo. Pareceu aquelas bonecas de filmes de terror...

— O mesmo vale para você, Park — Gaeul sorriu de forma debochada o interrompendo — Eu vivo discutindo com o Kookie, mas ele é como um irmão para mim. Trata ele mal para ver se você não acorda careca — falou, terminando a frase com um sorriso fofo e, ao mesmo tempo, assustador. Gaeul levou os dois dedos a frente dos olhos, depois direcionou aos dois — Estou de olho em vocês.

— Relaxa, Ga — Jimin falou, bebericando o próprio chá. — Tem mais chances dele quebrar o meu coração do que eu o dele. — ele sorriu para Gaeul. Taehyung assentiu, porque conhecia bem o amigo para saber que aquilo era realmente verdade. — Eu gosto mesmo do Jungkook.

— Hm... bom mesmo — ela pegou um bolinho e mastigou. Mas se engasgou logo depois, estragando completamente a cena final. Taehyung serviu água para a menina e assim que ela se recuperou e parou de tossir, os dois não conseguiram prender o riso. Gaeul era um amor de pessoa, mas realmente conseguia ser assustadora quando queria.

Ela esperava que os dois relacionamentos só resultassem em coisas boas para os dois, mas ela estaria por perto se fosse preciso colar os caquinhos caso não dessem certo também.

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Oi ♥

Esse capítulo foi um pouco mais tristinho, mas ele é extremamente importante para história. Tanto para o crescimento dos personagens, como para mim como escritora, já que era um assunto que eu queria muito falar sobre, mas ainda não me sentia preparada.

A vida é feita de pequenos momentos e espero que a Soso entenda que no final vai ficar tudo bem, do jeitinho que tiver que ser. Que isso chegue a mais pessoas além dela.

Mais uma coisa: tem algum personagem que vocês têm curiosidade de saber mais um pouquinho sobre a história dele? Aproveita que o momento de falar é agora, haha

Se cuidem, ta?

Tudo passa, por mais complicado que seja.

Vocês são importantes!


Beijinhos, Polly ♥

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