19. they don't know what you've done to my heart
"Eles não sabem o que você fez para o meu coração"
- One Direction (They don't know about us)
Sohye abriu os olhos e levou algum tempo para lembrar onde estava. O quarto estava escuro ainda e ela se virou se aconchegando no edredom macio. O cheiro de Taehyung estava em tudo ali, e se pudesse ela não sairia da cama tão cedo. Ao tentar se ajeitar melhor, viu que além do abajur, havia mais um foco de luz vindo do lado da cama e ela se pendurou um pouquinho olhando na direção. Encontrou o garoto meio sentado em um colchonete, as costas em uma pilha de travesseiros e a perna apoiada na outra enquanto assistia algum video no celular. Ela desceu da cama e se aproximando com cuidado, segurou um dos braços dele passando ao redor de seu corpo. Encaixou a cabeça próxima ao pescoço dele o que fez Taehyung rir.
— Por que não deitou na cama? — Sohye resmungou, passando a olhar o celular também. Era algum vídeo de restauração de quadros que ela não entendeu nada.
— Não queria te acordar — Taehyung explicou, deixando o telefone de lado e a abraçando melhor. — Conseguiu descansar?
— Uhum. Acho que consegui colocar meu sono atrasado em dia. — ela respondeu, passando a mão no próprio rosto. Taehyung se ajeitou ao seu lado e lhe deu um selinho. — Não me beija, eu 'to com hálito de quem dormiu o dia todo. — ela reclamou virando o rosto e o empurrando de leve.
— Sério, Sohye? — ele falou, rindo.
— Sério. — respondeu fazendo careta, voltando a o abraçar. — São que horas? — ele pegou o celular e ao ligar a tela, mostrou para ela. Já passavam das 23h e Sohye arregalou os olhos. — Tudo isso? — perguntou chocada, mas foi ali que aceitou que realmente estava precisando descansar. — Tae... — o chamou.
— O que foi? — ele perguntou enquanto brincava com os fios de cabelos teimosos que insistiam em ficar espalhados na cabeça de Sohye.
— Eu to com fome — falou envergonhada e depois ouviu a barriga roncar, comprovando.
— Pensei em trazer alguma coisa, mas não soube o que você iria querer comer. — ele explicou e desbloqueou a tela do celular. Clicou no aplicativo de pedidos. — Sua sorte é que temos o melhor serviço de entregas. Com certeza ainda tem vários lugares para escolher.
— Mas eu to com fome de comer comida agora — ela falou, referindo-se a sobrinha. Ele arqueou a sobrancelha a encarando.
— O problema com tempo de entrega é de família? — ele perguntou e ela sorriu.
— Sério, tem um dinossauro dentro de mim. Parece que não como há meses. — ela dramatizou, esfregando a mão sobre a barriga.
— Você quer que eu cozinhe para você? — Taehyung perguntou e ela balançou a cabeça.
— Não precisa ser nada elaborado, não se preocupa. — disse. — Posso tomar um banho enquanto você prepara? — Sohye perguntou.
— E você não vai me ajudar? — ele perguntou, já se preparando para iniciar o drama.
— Se eu mexer lá, as chances da gente terminar a noite com bombeiros apagando um incêndio na sua cozinha são bem altas — falou exagerada. Ok que ela era péssima na cozinha, mas talvez tenha exagerado um pouquinho, para evitar passar alguma vergonha na frente dele.
— O que você quer comer? — ele perguntou, já convencido de que iria para cozinha aquela hora da noite. — Assim, não acho que você tenha muitas opções, final de mês aqui é complicado para encontrar comida no armário.
— Hm. Me surpreenda. — ela respondeu, sorrindo.
— Ok. Você quer tomar banho, não é? Vou ver se acho alguma roupa que caiba em você. Minhas camisetas devem ficar no seu joelho. — ele falou, se levantando e seguindo até o armário. Sohye se sentou, e abriu a boca meio ofendida.
— Eu não sou tão pequena assim, ok? 1,65 é coisa pra caramba.
— Aham, é mesmo. — ele concordou em tom de piada, abaixado revirando as gavetas. — Acho que essas são as menores que tenho — ele entregou as peças para Sohye. — Você precisa de mais alguma coisa? Tem toalha no banheiro, sabonete e essas coisas de banho. Passei na farmácia e comprei uma escova também. — ela agradeceu e negou com o rosto. Se levantou e saiu do quarto, indo em direção ao banheiro que ela já sabia onde ficava.
Taehyung, sorrindo, levou algum tempo observando a porta aberta depois que Sohye passou por ela. Voltou para Terra quando ouviu o barulho da outra porta, a do banheiro, ser fechada. O garoto observou o próprio quarto, o olhar passando do colchonete que estava sentado e depois a cama. Ele empurrou os óculos para perto dos olhos.
Eles iam dormir juntos ou não?
Ele sentiu a bochecha esquentar um pouco ao se lembrar da cena de mais cedo, no sofá. Cena aquela que ele se arrependia profundamente de ter interrompido, tudo por medo de Jimin aparecer ali, e no final, o amigo nem deu as caras no apartamento.
Se levantou com pressa e tirou Michelangelo da cama, o guardando dentro do guarda roupas. Correu até a janela terminando de puxar a cortina, porque ele sabia do histórico do vizinho de jogar videogame a noite toda, e não queria que ele tivesse visão do seu quarto. Ele parou e respirou fundo.
— AAA — Taehyung falou sozinho, segurando os cabelos, tentando parar de surtar dentro da própria mente.
Fechou os olhos e sacudiu a cabeça como quem tentava organizar os pensamentos e empurrou o colchonete para baixo da cama com o pé, com preguiça de dobrar os lençóis. Depois rumou até a cozinha para preparar alguma coisa para os dois comerem, porque aquela era a prioridade no momento. Questões sobre onde eles dormiriam poderiam esperar, um estômago roncando, não.
•
Sohye saiu do banheiro e seguiu até a cozinha, atraída pelo cheiro da comida que já estava tomando conta de todo o apartamento. O que quer fosse que Taehyung estava cozinhando tinha um cheiro muito bom. Ela encostou no arco da porta e olhou o garoto na frente do fogão, parecendo concentrado no que estava fazendo. O resto da casa estava toda apagada, apenas a luz da cozinha acesa, o que fazia o cômodo ser o foco da atenção de Sohye.
Ou talvez o foco tenha sido a presença do garoto, vai saber.
— Qual a indicação do chef de hoje? — ela perguntou, ainda parada na porta, o que o fez olhar em sua direção e sorrir.
— Ah! Hoje você vai experimentar a especialidade da casa. — Taehyung fez cena, colocando o pano de prato no braço. — Estamos em falta de atores para os personagens então vou ser o garçom, o chef e o carinha que a mocinha marcou o encontro porque está interessada.
— E você sabe se a mocinha está interessada nesse carinha? — ela brincou. Ele pressionou os lábios, prendendo o riso, em uma careta divertida.
— Olha, eu espero que sim — riu anasalado. Taehyung a guiou até a banqueta na sala, e assim que ela se sentou, Sohye o segurou pela barra da camiseta o fazendo se virar novamente para ela. A menina o encarou por um tempo como quem tentava ver se estava tudo bem. Taehyung apenas a encarou de volta esperando que ela falasse alguma coisa, mas ela o puxou para perto e encostou os lábios devagar nos dele. — Estou no meu horário de trabalho, senhorita. Você quer fazer eu perder o meu emprego? — ele falou interrompendo o beijo depois de um tempo e com a boca ainda encostada na dela. — Pensei que estivesse esperando alguém — ele argumentou, arqueando uma sobrancelha.
— Estou, mas ele ainda está ocupado fazendo o papel do garçom e do chef de cozinha, não sei se o terceiro personagem já está pronto para entrar em cena. — ela fez bico o olhando. Taehyung sorriu e a observou de volta.
— Acabei de ser trocado por mim mesmo, e isso é muito estranho. — ele fez careta.
— Não tenho culpa se você é bom em tudo o que faz — ela sorriu e deu de ombros. Taehyung franziu a testa para ela tentando entender se tinha segundas intenções ali.
— Ai, a comida vai queimar — ele sacudiu a cabeça ao ouvir a água da panela começar a secar e correu para frente do fogão o desligando. Sohye sorriu com o jeitinho atrapalhado dele. — Suco, vinho ou cerveja? — ele abriu o armário para ver a garrafa que tinha ainda estava por ali. Se não estivesse passaria vergonha depois, porque foi justamente o que ela escolheu.
— Uau, vinho? Isso é um encontro romântico? — Sohye brincou.
— Você quer que seja? — Taehyung se virou para a olhar. Ela mordeu os lábios e deu de ombros — Vinho então. — ele colocou a garrafa na bancada.
— Você entende de vinho, Tae? — ele a fitou enquanto a menina apoiava o rosto na mão e o olhava. Taehyung fez careta, demonstrando estar sem jeito — Eu também não, relaxa. — eles riram.
— Achei essa garrafa bonita e comprei, mas nunca tive ninguém com que fizesse sentido dividir. Ela deve estar uns 2 ou 3 anos aí, não sei nem como Jimin não a achou ainda. — explicou. Sohye sentiu as bochechas serem tomadas por um rubor.
Então ela era alguém importante o suficiente para ele decidir dividir a bebida?
— Dizem que quanto mais antigo, melhor, não é? — ela desconversou. Sohye sentiu o estômago reclamar alto de fome e colocou a mão na barriga.
— Ok, vamos alimentar o Dino. — Taehyung falou e Sohye fez cara de confusa. — O dinossauro que mora na sua barriga, Sohye — Taehyung apelidou o estômago dela e a fez gargalhar tampando o rosto com as mãos.
— Acabei de te elogiar, porque estava sendo romântico e você dá um apelido ao mesmo estômago, Kim? — Sohye reclamou, mas riu no final. Ele deu de ombros.
— Romântico e engraçado, o combo perfeito em uma pessoa só — ele continuou a bobeira e Sohye rolou os olhos também brincando. — Aqui está a especialidade da casa, também conhecido como a única coisa que tinha no armário, talharim com brócolis — ele colocou a panela no descanso. A garota olhou para a refeição e bateu palmas, feliz.
A fome era tanta que ele poderia ter feito sopa de pedras que ela comeria com gosto. Taehyung colocou uma tigela a frente da outra na bancada, com os jeotgarak apoiados em cima, depois foi até o armário e pegou duas taças — as duas que sobreviveram e que os amigos não tinham quebrado ainda. Se sentou de frente para Sohye e serviu o vinho enquanto ela já pegava o macarrão e colocava em seu prato.
— Será que é uma afronta para os críticos de vinhos, nós bebermos enquanto comemos macarrão instantâneo? — Sohye perguntou, pegando uma porção de miojo e mastigando depois. Ela fechou os olhos aproveitando o sabor, estava realmente muito bom.
— Não sei. É massa não é? Acho que é aceitável. — Taehyung comentou, catando os brócolis da sua porção. Ele não tinha percebido até aquele momento, que também estava morrendo de fome.
— O encontro que você disse que iria me levar já pode se considerar pago com esse jantar, né? — Sohye insistiu o fitando. Ela só queria fugir de ter que se arrumar para ir a algum restaurante caro com todas aquelas etiquetas de jantares públicos e interações sociais. Ela sempre passava alguma vergonha naqueles lugares e já sofria bem antes da hora.
— Você prefere desse jeito? — ele a perguntou, a olhando de volta. Sohye balançou a cabeça concordando. Ele ainda se surpreendia com Sohye agindo totalmente diferente do que ele esperava. — Ah, tudo bem! Pensei que você ia querer jantar em algum lugar legal, sei lá.
— Aqui é um lugar legal, Tae — Sohye falou. — Sério, eu prefiro ficar com você aqui a ter que ir para um lugar cheio de gente nos olhando. — ele assentiu, entendendo, e até agradecendo, porque também preferia daquele jeito. — E esse macarrão está delicioso, melhor que o de muitos restaurantes, parabéns. — ela mostrou o polegar e pegou mais uma porção. Ele sorriu com o gesto dela.
— Desculpa ter te deixado sozinha aqui hoje — ele resmungou de repente, depois de a observar por um tempinho. Sohye balançou a cabeça fazendo carinho no antebraço dele, apoiado na bancada — Queria só ligar para o bar e falar que estava com dor de barriga e faltar, como na época da escola.
— Você inventava dor de barriga para faltar a escola? — Sohye arqueou uma das sobrancelhas, com ar de professora. Riu ao ver a expressão de apreensivo do menino — Eu fazia o mesmo.
— Que? Sério? — ele perguntou surpreso. — Também inventava dor de barriga?
— Cólica — ela confessou e ele abriu a boca fazendo um "ahhh" — Com minha mãe não funcionava muito, porque ela parecia saber exatamente quando eu estava mentindo ou falando a verdade, mas com o Jin sempre funcionou. Ele parava de insistir na hora e me deixava voltar a dormir.
— É, eu não podia usar essa desculpa — Taehyung disse, mexendo na comida e sorrindo. — Estou chocado. Não pensei que fazia essas coisas, Kim Sohye.
— Já fui estudante também, Kim Taehyung. — retrucou — Ainda sou, na verdade — se lembrou que em pouco tempo não seria mais e nem conseguia se imaginar sem fazer aquilo depois de o fazer durante quase toda a vida. — Antes eu era meio... difícil. Parei depois que passei a morar com o Jin e a Yuna. Precisava dar exemplo para a minha sobrinha, não é? — fez careta e bebeu do vinho. Não era somente por aquilo, ela sabia bem. Sohye tinha passado por vários choques naquela época que a deixaram muito mais pé no chão, resultando no que ela era hoje. Mas não achava necessário tocar naquela parte da história, pelo menos não naquele momento.
Ela decidiu deixar aquele pensamento de lado. E passou a pensar em todas as coisas consideradas "loucuras" que já tinha feito na adolescência e acabou compartilhando aquilo com o Kim. Ela até ficava boa parte do tempo lendo seus livros de romance ou fanfics em casa, mas quando se tratava de ir aos shows dos artistas que gostava, a situação mudava. Quando se tratava de ser fã, Sohye era do grupo que juntava dinheiro o ano todo para conseguir comprar um ingresso e depois dava seu jeito para ir. Nem que esse jeito fosse fugir de casa no meio da noite e arrastar Jungkook com ela.
— Uau. Agora estou realmente chocado. — Taehyung também bebericou o vinho, a olhando por cima da taça, depois da revelação.
— Você conhece as histórias pela visão da minha avó, não é? Se perguntar ao Kookie vai entender que eu, na verdade, era a amiga que incentivava a fazer a maioria das besteiras. — ela o encarou de forma engraçada e Taehyung a olhou rindo, ainda surpreso. — Ok, mas precisamos equilibrar as coisas. Você já sabe demais sobre mim. Me conta o que você fazia em Daegu antes de vir para cá. — ela pediu, apoiando o cotovelo na bancada e o rosto na mão. Taehyung pareceu pensar.
— Hm... Deixa eu ver... Eu era o garoto que ficava de fone e desenhando enquanto as outras pessoas da turma estavam conversando e se agarrando pelos corredores da escola. — contou. Ela sorriu imaginando o menino de óculos, da foto que viu na parede do quarto de Taehyung, quieto em seu canto, vivendo no próprio mundinho dele. — Eu tinha um grupo de amigos, mas tinha um pouco de preguiça de acompanhar os assuntos deles depois que mudamos de escola e fomos para o ensino médio. Magicamente todo mundo começou a namorar naquela época e eu só queria continuar vendo meus animes e tocando violão com meu avô — ele confessou rindo. — Foi nessa época em que conheci o Jimin, na verdade. Entrei em um grupo no Facebook sobre música e arte e achei um vídeo dele dançando uma música que eu gostava. Comentei e ele me chamou no chat. Enfim, hoje dividimos o apartamento. — ele explicou levando a taça na boca depois. Sohye assentiu.
— Ele está em casa? — ela perguntou, ao perceber que eles estavam conversando alto por um bom tempo e o outro morador poderia estar ali também. Taehyung balançou a cabeça.
— Ele precisou passar na casa da mãe para resolver alguma coisa, acho. Não entendi nada no áudio que ele mandou — o garoto deu de ombros e ela sacudiu a cabeça.
— Será que íamos ser amigos na época da escola? — Sohye pensou alto — Eu era do tipo que ficava de fone o dia todo também, mas ao invés de desenhar eu ficava lendo meus livros. Além do Kookie eu só tinha mais um amigo, que, na verdade, era amigo dele por isso andávamos juntos — deu de ombros, se lembrando do garoto engraçado e de sotaque forte, amigo do Jeon.
— Olha, se você já fosse bonita assim naquela época eu provavelmente iria ficar gaguejando se você viesse falar comigo — ele riu envergonhado e ela sorriu sem jeito o dando um soquinho de leve no braço.
— Você sempre quis Museologia? — Sohye jogou mais uma pergunta no ar, curiosa sobre Taehyung. Ele sorriu balançando a cabeça, já esperando o olhar desacreditado que ela faria.
— Na verdade, vim para Incheon para fazer Direito — Taehyung contou e Sohye o olhou surpresa com a informação.
— É o que? — ela o questionou. — Nossa, desculpa por julgar o livro pela capa, mas eu não consigo em nada te imaginar trabalhando em um escritório de advocacia.
— Eu sei, nem eu — o garoto riu.
— Mas, por que você prestou o vestibular?
— Sei lá, era o sonho do meu pai ter um filho advogado. E eu só queria sair da fazenda. — deu de ombros.
— E sua mãe? Seus avós?
— Ah, minha mãe só queria que eu não saísse de casa — ele sorriu, se lembrando da progenitora e o zelo dela com ele. — Minha avó esperava que eu me casasse, vivesse uma história de livro de romance e tivesse uma penca de filhos por lá mesmo, tipo coelho quando tem filhotes, sabe? — Sohye riu entendendo a comparação dele. — E meu avô queria que eu comprasse uma van, montasse uma banda de rock e ficasse rodando pelo mundo fazendo música — ele fez uma careta engraçada fazendo a menina rir. — No final eu não realizei o sonho de nenhum deles e ainda me formei em um curso que eles nem sabiam que existia até eu falar sobre.
— E você gostou de Incheon quando chegou? — Sohye perguntou quase no impulso — Nossa, isso está parecendo um interrogatório, Tae, desculpa — riu sem graça — Só fiquei curiosa.
— Soso, se tem uma coisa que gosto de fazer, essa coisa é falar — ele confessou, a expressão engraçada. — Estou no céu por você não ter cansado ainda de me ouvir tagarelando e não ter saído pela porta que entrou.
— Sou treinada para ouvir pessoas falando 24 horas, 7 dias por semana, Kim. Tem a Yuna, o Jin, a Gaeul, a vovó. E vou me formar em Pedagogia. Tudo o que eu decidir fazer, vai resultar em ouvir pessoas falando. Sou uma ótima ouvinte — ela sorriu e ele assentiu voltando a falar.
Taehyung começou a contar a história de como tinha parado em Incheon e arrancou algumas risadas da menina, quando a disse que pegou o ônibus errado e foi parar no meio do nada, antes de conseguir chegar. Jimin chorou desesperado, preocupado com o sumiço do amigo, mas quando o encontrou na cafeteria da Sra. Go e Taehyung disse que não tinha atendido o telefone, porque gastou a bateria tirando fotos, ele quase o estapeou na frente de todo mundo. Ao fim, apesar de ter ficado um bom tempo de cara feia, passou o resto do dia abraçado nele perguntando se ele precisava de alguma coisa.
Apesar de gargalhar ao ouvir a história, Sohye depois lhe deu uma bronca e pediu para não fazer aquilo com ela. Porque se conhecia bem para saber que provavelmente ficaria chateada com aquilo. No fim, ela lhe disse que ele tinha que agradecer por ter um amigo tão legal como o Park e ele concordou, porque também acreditava naquilo.
Ele contou melhor sobre como ele e Jimin fizeram para se virar com os gastos no começo da faculdade, sobre como conheceu os outros garotos e acabaram voltando ao assunto sobre como ele decidiu mudar de curso. Com isso, Taehyung acabou lhe contando do choque que foi para o pai quando descobriu sobre a troca de Direito para Museologia, e que por isso entendia o medo de Sohye de contar a avó sobre o próprio curso dela. Ele não entrou muito a fundo no assunto, porque não queria estragar a noite, mas Sohye percebeu que um fio de tristeza corria no olhar do garoto sempre que falava da distância que aquilo causou no relacionamento com o progenitor. Ela se perguntou se era daquele jeito que ficava quando tocava no nome da mãe e chegou a conclusão, que talvez ela e o Kim tivessem mais coisas em comum do que imaginavam.
— Só tem uma coisa que eu ainda fico confuso — Taehyung falou, chamando a atenção de Sohye. — A Yuna nunca falou com sua avó sobre você dar aula na escola dela? Nem o Daeho? — perguntou. Sohye negou com o rosto.
— No começo eu ficava preocupada e vigiava, mas eles nunca contaram. Bem, pelo menos a minha avó nunca falou nada, então acho que nunca falaram. — Sohye deu de ombros. — Mesmo com eles quase se matando todo dia, o Kookie, o Saya e o Dae tem tipo um "código dos irmãos Jeon" de um ajudar ao outro. Então o Kookie conversou com eles e meio que se estendeu para mim também, em relação a isso. Mesmo não reconhecendo, o Saya tem muito ciúmes do Kookie namorar, então a regra só não vale quando é esse o assunto. De restante, ele nem liga. — Sohye fez careta.
— Boa sorte para o Park, então — Taehyung riu e Sohye balançou a cabeça, com pena de Jimin.
— Eu também não contei ao Jin quando fiz a matrícula, e eu me senti muito mal no começo, porque ele sempre me deu muita força. Mas a Yuna fofoca tudo com ele, Tae. Tudo! — ela deu ênfase, falando mais alto e movendo as mãos — Então um dia ela deu de cara comigo na escola fazendo pesquisa e no outro dia ele apareceu de carro lá para nos buscar — Sohye falou e Taehyung riu. — Então assim, se ela souber de algo, o Jin também vai saber.
— Foi ela quem falou de nós dois para ele? — Taehyung perguntou.
— Você ainda tem dúvidas, Taehyung? — Sohye retrucou, rindo.
•
A Kim colocou a última tigela recém lavada no escorredor de pratos, e seguiu até o banheiro depois. Pegou a escova nova que Taehyung tinha deixado na bancada, e depois de tirar da embalagem, escovou os dentes encarando o próprio reflexo no espelho. Ela parecia até outra pessoa com o escuro das olheiras amenizadas, o cabelo arrumadinho e sem o corpo estar levemente encurvado de cansaço.
Aquele dia até estava sendo longo, mas ela se sentia bem por ter conseguido conciliar a festa das crianças, o tempo em que conseguiu descansar e ainda aproveitar a companhia de Taehyung.
Sohye passou pelo espaço da porta do quarto, e logo avistou Taehyung encostado na escrivaninha, mexendo no celular. Sorriu sem graça quando ele a olhou com um sorriso. Encostou a porta atrás dela, se aproximou e tirou o celular das mãos do Kim o colocando sobre o móvel depois. Ela o abraçou pela cintura, o rosto inclinado um pouquinho para trás para o olhar.
— Você quer deitar? — ele perguntou e Sohye assentiu. — 'Tá com sono? — Taehyung perguntou e ela sorriu, balançando a cabeça para os lados devagar.
— Dormi a tarde toda, Kim. Vou demorar a pegar no sono — ela falou mordendo parte dos lábios inferiores. Ficou na ponta dos pés e o abraçou pelo pescoço, encostando os lábios delicadamente nos dele.
— Hm. — ele comentou, pressionando os lábios depois em um sorriso um tanto engraçado ao entender a indireta.
— Hm. — Sohye o imitou também fazendo uma careta engraçada, rindo com ele depois.
Ela seguiu até a cama e se ajeitou sobre ela enquanto o garoto foi até o interruptor para apagar a luz. O quarto ficou iluminado apenas pela luz amena do abajur e ele parou por um tempo à frente do móvel, o olhar para baixo da cama. Desistiu e se sentou perto da menina.
— Por dois segundos pensei que você iria puxar o colchonete para dormir nele — Sohye resmungou, enquanto Taehyung tirava os óculos e os colocava na mesa de cabeceira.
— Estou cogitando isso ainda, altas chances da gente cair dessa cama — ele avisou, meio preocupado. Era pequena até para ele, quem dirá para os dois juntos.
— Juro que se você puxar esse colchonete vou dormir no sofá da sala, Taehyung — Sohye ameaçou meio sem paciência e ele a olhou, o olhar indignado. — E não me olha com essa cara.
— Credo, Sohye — ele reclamou, mas se aproximou dela sentando com as costas para a cabeceira. Sohye mordiscou a unha do polegar com o olhar percorrendo devagar dos olhos dele ao torso e voltando para o rosto de Taehyung. Ele sorriu de volta. Um sorriso novo para Sohye, nem um pouco inocente.
— Kim — Sohye o chamou e ele esperou. — Qual a probabilidade de entrar alguém aqui no seu quarto agora? — falou baixinho, se aproximando dele.
— Bem pequena — respondeu, meio sorrindo, já percebendo as intenções dela.
— Bem pequena, tipo, quanto? — ela perguntou de novo, passando uma das pernas para o outro lado do corpo dele, sentando em seu colo. Ele sorriu achando graça, mas gostando, e muito, do novo contato entre eles.
— Tipo, zero — Taehyung a respondeu, a olhando nos olhos e a segurando pela cintura. Sohye mordeu os lábios inferiores o olhando também.
— Então, estamos sozinhos e sem o risco de alguém passar pela porta, não é? — perguntou sussurrando, passando os braços ao redor do pescoço do garoto, grudando mais o próprio corpo ao dele. Taehyung assentiu.
— Sabe o que eu estava pensando aqui? — ele a perguntou, sorrindo de lado.
— O que? — ela encostou os lábios nos dele em um selinho rápido depois da pergunta.
— Hoje a tarde, nós poderíamos ter vindo para o quarto terminar o que começamos no sofá — a garota sorriu e concordou.
— Podemos resolver isso agora, se você quiser — ela sussurrou, olhando nos olhos dele. Taehyung deu um sorriso como resposta e Sohye entendendo que aquilo era um "sim", voltou a beijá-lo.
domingo
Sohye abriu os olhos, encarou o teto com os adesivos antigos do sistema solar, e daquela vez nem estranhou onde estava. Ela sabia bem sua localização no mapa. E sabia também com quem estava.
Se virou devagar, e graças ao abajur que eles esqueceram de desligar na noite passada, pode observar Taehyung ainda de olhos fechados. Meio coberto pelos edredons, deitado de bruços, ainda sem a camiseta, e com o rosto virado em sua direção. Ela observou o garoto respirar tranquilo e contou o tronco dele subir e descer algumas vezes. Apoiou a bochecha em uma das mãos se ajeitando no edredom e sorriu sentindo o estômago revirar, mas não de um jeito ruim.
— O que foi? — Taehyung resmungou de repente, sorrindo depois.
— Meu Deus! Que susto, Taehyung! — ela reclamou — Não sabia que estava acordado.
— Falei que enxergo bem se estiver perto... — ele falou fazendo graça.
— É, mas não falou nada sobre olhos fechados — a garota comentou entrando na brincadeira dele, ainda sentindo o coração bater forte no peito depois do susto. Se ela não estava acordada 100%, agora sim tinha acordado de vez — Que horas será que são? — ela resmungou, se virando em busca de algum celular ou relógio.
— Não importa Soso, é domingo — Taehyung disse e a puxou para perto, encaixando o rosto no espaço entre o ombro e pescoço dela — Fica mais um pouquinho aqui, vai? Estou cansado, não dormi nada.
— Por que não dormiu? — Sohye perguntou, mexendo no cabelo dele fazendo carinho.
— Fiquei com medo da gente cair da cama — ele confessou em um resmungo. Aquilo a fez rir envergonhada. — Não ri, sempre que você se mexia no meio do sono eu ficava desesperado.
— Como está o seu braço? — perguntou, ao lembrar do ocorrido.
— Tá bem — respondeu. Sohye, não convencida, cutucou o lugar onde ele tinha batido — Ai. Ai. Ai. Sohye! — ele falou rápido se encolhendo e se afastando dela.
— Ah! Deve estar ótimo mesmo — ela caçoou dele e o olhou segurar o braço fazendo cara feia. — Não é melhor ir ao hospital, Tae? E se atrapalhar quando você for tocar violão?
— Hospital? Você só esbarrou com o cotovelo, Sohye, 'tá tudo bem. — Taehyung tentou a tranquilizar. — Vou sobreviver, fica tranquila. Valeu o esforço — ele comentou, piscando um dos olhos. Sohye fechou os dela fazendo careta e se sentindo envergonhada. Mesmo que não tivesse atrapalhado em nada a noite, ela não iria esquecer daquilo. Ele sorriu a olhando. — Falo o que se o médico perguntar como me machuquei? — ele a fitou esperando abrir os olhos.
— A verdade, ué. — Sohye retrucou, arqueando as sobrancelhas e dando de ombros.
— Que fui te segurar porque você ficou toda mole, quando estávamos... — ela o interrompeu.
— Taehyung. Sh. — falou colocando o indicador na frente dos lábios dele e ele riu, afastando a mão da menina e lhe dando um beijinho na bochecha. — É só você falar que caiu, não precisa entrar em detalhes.
— Ah! Eu não vou saber mentir, Sohye. — falou meio manhoso, voltando a abraçar. Depois se afastou se apoiando no cotovelo do braço bom e sorriu a olhando. — Minha próxima meta é, assim que eu receber meu salário, comprar uma cama maior. Agora temos prioridades que devem ser levadas a sério.— Taehyung falou, tentando soar sério e Sohye gargalhou com a expressão que ele fez. Ela o segurou pela bochecha carinhosamente e encostou os lábios nos dele. O coração acelerando só de sentir os dedos do garoto a acariciando na nuca.
— E eu vou à farmácia comprar alguma coisa para você passar aí. Porque isso sim é prioridade. — ela avisou, afastando o rosto um pouquinho e ele pressionou os lábios em resposta.
— Não precisa, com certeza Jiminie tem remédio para isso. — Taehyung resmungou de volta, se lembrando do amigo ser dançarino. Era óbvio que Jimin tinha remédio para dor muscular.
— Vou lá rapidinho, Tae. Estou preocupada de verdade, está bem inchado. — ela retrucou, segurando o braço dele com cuidado e analisando a mancha meio roxa, em uma parte que realmente estava bem inchada. Jimin poderia demorar, e ele já tinha passado tempo demais sentindo dor, apesar de falar que não. Taehyung grudou o corpo mais ainda no dela e encostou os lábios devagar no maxilar de Sohye, tudo aquilo na tentativa de a convencer a deixar aquilo para lá. Ela, por sua vez, sentiu o corpo arrepiar ao toque da pele dele, na sua, mas se manteve decidida.— Não adianta fazer isso, não vou mudar de ideia.
— 'Tá bom — ele concordou resmungando, enquanto ela se desvencilhou dos braços dele. Taehyung manteve o olhar nela, com a mesma expressão, ainda na esperança dela desistir.
— Olha para lá — Sohye falou rindo e apontando para direção contrária. E depois que ele rolou os olhos e enfiou o rosto no travesseiro, ela foi atrás das roupas espalhadas pelo chão e as juntou, vestindo depois.
— Eu não preciso ir junto, não é? — Taehyung perguntou com preguiça, a voz abafada no travesseiro ainda.
— Não precisa. Não vou demorar. Vou tomar banho rapidinho e vou. — ela se sentou ao seu lado na cama.
— Leva o celular, vou mandar mensagem com a senha da porta.
— Ok — Sohye deu um beijinho rápido nos cabelos espalhados de Taehyung e ele resmungou alguma coisa que a menina não entendeu. Ela desligou o abajur e seguiu para fora do quarto, encostando a porta devagar para não atrapalhar o descanso do Kim.
— Bom dia, Soso — Sohye se assustou e se virou na direção da voz. Encontrou Jimin sentado na banqueta da cozinha americana. O queixo apoiado em uma das mãos enquanto os dedos tamborilavam na bochecha, um sorriso malicioso nos lábios.
— Bom dia, Jimin — ela falou baixinho, sentindo o rosto esquentar de vergonha. Foi até a mochila no chão do hall e a arrastou, meio atrapalhada, entrando no banheiro e fechando a porta depois. O Park riu sozinho voltando a tomar seu chá.
O cupido Park Jimin nunca falha!
Sohye se encarou no espelho do banheiro e riu em silêncio ao entender o porquê da expressão de Jimin ao vê-la. Os cabelos espalhados, as bochechas avermelhadas e a camiseta amassada, aliados ao fato dela estar na casa deles àquela hora, eram provas o suficiente para ele saber exatamente o que tinha acontecido por ali. E nem se ela negasse com muita insistência, o Park iria acreditar. Fato.
Ela encarou os próprios olhos e sentiu o coração bater forte no peito quando a mente começou a ser preenchida aos pouquinhos com as memórias da última noite. Mordiscou os lábios em um misto de felicidade e vergonha, porque ela nem sequer se lembrava daquela sensação, não sabia nem se algum dia já tinha se sentido daquele jeito com outra pessoa.
Ok que Taehyung tinha levado uma cotovelada no braço que deixou marca e ele teve que segurá-la para não caírem da cama, mas ao final, aquilo não importou muito aos dois. Sohye se sentia bem com a maneira e o tempo que as coisas estavam caminhando entre ela e Taehyung.
Depois que tomou um banho rápido e escovou os dentes, vestiu novamente a própria roupa. Cogitou a hipótese de perguntar a Jimin se ele tinha o tal relaxante muscular para passar no braço de Taehyung, mas imaginou que talvez aquilo soasse de outra forma e se sentiu envergonhada. Ela já conseguia até imaginar a cara do Park perguntando se a noite tinha sido agitada ou algo do tipo.
A Kim saiu do banheiro quieta, apreensiva de encontrar com Jimin novamente, mas não o encontrou pelo corredor ou pela sala. Calçou os tênis e vestiu o casaco, saindo do apartamento, seguindo até o elevador. No caminho pegou o celular e encontrou mensagens de Gaeul enviadas há poucos minutos perguntando se ela tinha conseguido descansar e quando clicou para as abrir, riu nada surpresa ao ver os vários emojis piscando o olho. Ela respondeu com vários corações e um monte de mensagens em caixa alta chegaram na mesma hora. Deixou para a responder depois e esperava que a amiga entendesse. Não haviam mensagens do irmão, o que a fez imaginar que se ele não havia dado falta da presença dela em casa, era porque provavelmente, nem o mesmo tinha passado a noite por lá.
Ela guardou o aparelho no bolso do casaco junto a carteira e entrou no elevador assim que o mesmo parou no andar e abriu as portas. Sentiu o aparelho celular vibrar no bolso pouco tempo depois e o pegou para o olhar novamente. Sorriu sozinha ao ler a mensagem de Taehyung com a senha da porta e outra logo depois reclamando que ela estava demorando para voltar e que a cama parecia grande demais sem ela.
•
Sohye digitou a senha da porta na fechadura digital e entrou novamente no apartamento em silêncio. Ouviu a voz de Jimin vinda da sala, mas tudo indicava que ele estava gravando áudio no telefone, já que não ouviu um receptor presente. Ela apoiou a sacola com os remédios no cabideiro e tirou os tênis, devagar e enrolando para adiar o próximo encontro com o melhor amigo de Taehyung. Ela o adorava, mas a vergonha era tanta que nem imaginava como ficaria na frente dele. Sohye começou a tirar o casaco, mas foi surpreendida com a porta do banheiro sendo aberta e parou no meio do movimento. Taehyung apareceu no espaço, com apenas uma toalha na cintura. Sohye paralisou quando ele, sem óculos, semicerrou os olhos em sua direção.
— Achei que tinha se perdido — saiu do cômodo, se aproximando. Sohye sentiu o coração bater acelerado, só conseguindo pensar que ele estava se aproximando demais para alguém vestindo apenas uma toalha, enquanto eles não estavam sozinhos no apartamento.
— A fila do caixa estava meio longa — falou baixo e mexeu nos cabelos fazendo careta.
— Você é teimosa, falei que não precisava — parou na frente dela sorrindo. Sohye engoliu em seco ao sentir a respiração dele bem próxima.
— Precisava sim, fui eu quem te machucou — ela retrucou.
— Já falei que não machucou tanto assim... — ele se interrompeu — Por que estamos sussurrando? — Taehyung perguntou se aproximando de vez e a segurando pelas bochechas. Ela deu de ombros, o que o fez sorrir e encostar os lábios devagar nos de Sohye.
— Jimin está na sala, Tae — Sohye sussurrou de volta, quase sendo dominada pelo cheirinho de amêndoas que vinha do corpo recém saído do banho, mas voltou a realidade piscando os olhos rapidamente.
— Mas não estamos fazendo nada de mais — ele sussurrou de novo, a dando mais um beijo rápido depois.
— No sofá você parou bem no meio do caminho, né? Mas agora que está me beijando só de toalha, não está fazendo nada de mais? — ela resmungou, o fazendo sorrir fofo e envergonhado.
— São situações diferentes, Soso
— Não são, não — ela falou baixinho, o fitando com um sorrisinho.
— Não? Então você está pensando em repetir... — ela ia o interromper, mas a terceira voz na casa o fez.
— Taetae? — eles ouviram Jimin chamar e Sohye arregalou os olhos, nervosa, enquanto Taehyung apenas inclinou a cabeça na direção. Jimin apareceu no final do corredor. — Oh meu Deus! Eu não sabia que vocês não tinham acabado ainda — o Park fez cena colocando as mãos nas bochechas e arregalando os olhos. Sohye se encolheu sorrindo envergonhada e tirando o rosto do foco do garoto enquanto Taehyung rolou os olhos para o amigo.
— Você é ridículo, Park!
— Ok, fiquem a vontade, estou indo para o meu quarto. Com licença — Taehyung observou o amigo balançar os braços exagerado e logo fechar a porta. Antes que o Kim pudesse se virar novamente para Sohye, Jimin abriu a porta — Você vai secar esse chão depois, Kim Taehyung! — ele avisou e fechou a porta de novo.
— Você não mora aqui sozinho, Tae. Deve ser chato para ele, dar de cara comigo aqui. — ela retomou o assunto.
— Te garanto que ele está mais se divertindo do que se sentindo sem graça, Soso.
— Mesmo assim, Kim. Meu Deus, que vergonha! — ela escondeu o rosto nele o fazendo rir.
— Acho que todo mundo já sabe, Sohye. — ele falou fazendo carinho nas costas dela.
— O que? — ela se afastou e o olhou de olhos arregalados — De ontem?
— Uhum... O que? Não! — ele mesmo se assustou, ao imaginar os dois sendo assunto no grupo dos amigos. — De estarmos juntos, sei lá. — deu de ombros. — Mas de ontem ele deve imaginar, dá para ver na cara dele. — riu sem jeito e ela o acompanhou.
— Acho que nunca mais consigo olhar na cara do Jimin. — Sohye resmungou, se lembrando dela sendo pega por ele, saindo do quarto de Taehyung mais cedo.
— Consegue sim, não fizemos nada de errado. É natural que isso aconteça quando se tem a nossa idade e hormônios envolvidos até aqui... — ele começou a tagarelar e levou a mão no alto da cabeça, passando de um lado para o outro.
Sohye fez careta. Aquela não era a primeira vez que tinha escutado aquela frase ser dita e nem a primeira vez que tinha visto aquela cena sendo representada. Aquilo tinha nome e sobrenome, e era Kim Seokjin.
— Sai, Kim — ela falou rindo e se afastando de Taehyung. Se lembrou que os dois tinham conversado e tinha certeza de que o assunto era ela. Pegou a sacola da farmácia no cabideiro e foi na direção do outro quarto sendo seguida pelo dono dele, achando graça da careta que ela fez.
Sohye se sentou na cama e pegou o celular. Respondeu Gaeul direito, sem dar muitos detalhes é claro, e Jungkook, que magicamente também já estava informado que ela estava por ali. Não soube se apostava na melhor amiga ou em Jimin, mas sabia que a informação tinha saído deles dois, obviamente.
Taehyung seguiu até o guarda roupas escolhendo as peças para se vestir, enquanto a Kim abriu a conversa com o irmão e quase avisou que iria para casa mais tarde, mas como o próprio não tinha se manifestado, preferiu adiar mais um pouquinho para falar com ele. Ela sabia que já tinha idade o suficiente para não ficar descrevendo cada passo dado a Seokjin, mas era no mínimo estranho ela dormir fora e não avisar.
— Tae... você não vai mesmo me contar o que você e o Jin conversaram? — ela perguntou, o lado fofoqueiro da família Kim aflorando. Deixou o celular de lado e olhou na direção dele. Taehyung travava uma luta para vestir a própria camiseta sem esbarrar na parte inchada do braço — Quer ajuda? — ela perguntou e ele balançou a cabeça ao conseguir vestir a peça.
— Posso resumir nos momentos mais marcantes? — perguntou se aproximando e sentando de frente para ela na cama. Sohye concordou. — Ele disse que você é meio teimosa, e que quer fazer tudo sozinha, mas que sempre foi assim, desde criança.
— Hm. — ela apertou os lábios em uma careta, se preparando para a continuação.
— Mas que você faz de tudo para ajudar todo mundo e que não sabe que muitas vezes só o seu sorriso já ajuda demais. — falou a fazendo sorrir.
— O meu irmão falou isso? — ela arqueou a sobrancelha o contestando em surpresa, e Taehyung balançou a cabeça em afirmação.
— E me disse para aproveitar cada sorriso seu, porque se eu fosse o motivo deles eu era um cara sortudo demais. — falou.
— Uau, então você é um urso bem sortudo, mesmo — jogou no ar a própria piada feita por ele no dia anterior. Ele assentiu rindo também.
— Mas não era por isso que você estava com medo, não é? — perguntou, quase afirmando.
— Se você quebrar o coração dela, raspo sua cabeça e minha avó vai te dar uma surra com a peruca que vou pedir a Yuna para fazer. — ele repetiu Seokjin como resposta para Sohye.
— Ah! Eles três formam um complô. Pelo menos deixei de ser o alvo — ela levou a mão na frente da boca rindo e o fazendo abrir a dele sem acreditar no que ouviu. — Mas sério, duvido que a minha avó dê uma bronca em você, Tae. É capaz dela brigar comigo e com o Jin para te defender, inclusive — eles riram. — A última vez que eu dormi lá ela falou de você o tempo todo. Que você sim parecia neto dela e blá blá blá — rolou os olhos o fazendo rir. Ela pegou de leve no braço dele olhando a marca que estava um pouquinho mais roxa que antes. — Está doendo ainda? — ele negou com o rosto. Sohye arqueou a sobrancelha o encarando e fingiu que iria cutucar de novo.
— Ta doendo sim! Não faz isso de novo, por favor — ele falou apressado a fazendo sorrir e pegar a pomada na sacola plástica. Ele a fitou, um sorriso meio bobinho começando a aparecer no rosto.
— Para de me olhar assim, estou ficando sem graça — Sohye reclamou sem o encarar e ele riu desviando o olhar para a janela. Ela passou o remédio na altura do bíceps dele, e espalhou com uma das mãos.
— Você deve estar acostumada com isso, não é? De cuidar de ralados — ele questionou sobre as crianças da escola e ela sorriu.
— Eu sempre me assusto no começo, mas depois consigo me acalmar e resolver — ela deu de ombros —, na maioria das vezes levo para a enfermaria, porque sempre fico preocupada de ter machucado muito. Passei lá essa semana, porque o Daeho caiu e fez um show que ganharia de qualquer alta produção de Kpop. — ela suspirou se lembrando dos berros do garotinho em seu colo.
— Eu era do tipo que vivia caindo na idade deles. Parecia que tinha casca de banana na sola dos meus tênis de tanto que eu me esborrachava no chão — ele falou sentindo o remédio começar a esquentar no braço e fez cara feia. — Minha mãe ficava desesperada, porque não tinha um dia que eu não chegava todo sujo de terra e com os joelhos ralados.
— Eu derrubava mais as coisas do que caia. — Sohye contou. — Na minha ficha de procurada pela Sra. Go tem uns 5 vasos de plantas e mais uns bibelôs quebrados. Fora os que coloquei a culpa no Kookie — resmungou, fazendo Taehyung rir.
— Falando em quebrar coisas. Já quebrei os dois braços ao mesmo tempo, sabia? — ele falou fazendo careta e Sohye parou de mexer no braço dele — Calma, Soso, isso já tem anos. Já deu tempo de arrumar.
— O que você fez para conseguir isso?
— Caí de uma árvore. No caso o galho quebrou comigo. — explicou se lembrando e a Kim arregalou os olhos. — Fiquei trancado dentro de casa o restante das férias, olhando pela janela as outras crianças brincarem. Eu ainda tentava fugir, mas minha mãe só faltou me amarrar na cadeira. — ele terminou a história e Sohye ainda o olhava chocada. — Mas eu era uma boa criança. — ele se justificou rápido fazendo ela rir enquanto guardava a pomada na embalagem.
— Imagino a preocupação da sua mãe, Tae — ela falou. — Você tem cara de quem era travesso. — ela apontou para a foto na parede.
— Eu não era tããão travesso assim — se defendeu —, só era criativo e gostava de explorar as coisas.
— Nossa, nunca ouvi essa desculpa. Muito boa. — ela riu e ele também.
— Vou secar o chão do corredor antes que Jimin me expulse de casa e vou ver alguma coisa para comermos — ele avisou e ela concordou.
15h53min
— Continuo não sabendo o que vocês estão fazendo — Taehyung reclamou. Na ordem do jogo, ele seria o próximo, mas Jimin jogou uma carta que o pulou. Aparentemente ele não entendeu e Sohye o avisou que ele ficaria mais uma partida sem jogar. — Que? Eu já estou três partidas sem jogar, vocês estão zoando com a minha cara, não é?— ele perguntou, realmente irritado e Jimin gargalhou, Sohye o acompanhou com um sorriso engraçado. — Jimin sempre faz isso, mas poxa Sohye, até você? — ele fechou a cara para ela.
— Desculpa, Tae. Mas é que eu não posso perder mais uma vez — ela fez carinho no ombro dele. O celular de Sohye vibrou e ela pegou o aparelho do chão o olhando. — Ah! O Kookie chegou. — falou. Jimin jogou suas cartas em cima da mesa no mesmo instante, bagunçando o jogo todo. Pegou o próprio celular e olhou o reflexo nele, ajeitando o cabelo e umedecendo os lábios.
— Nossa, nem acredito que acabou, não aguentava mais — Taehyung reclamou entregando as cartas para a garota, ainda chateado. Sohye juntou as cartas na mesa e fez menção de levantar, mas Jimin a fez sentar novamente no chão.
— Deixa que eu atendo, Soso — ele falou de pé, ajeitando a própria roupa. Depois correu até a porta, meio atrapalhado. Taehyung riu alto ao ver a cena.
— Nunca pensei que iria ver o Jiminie assim por alguém — ele falou ao ouvir o loiro fechar a porta e sair ao invés de convidar Jungkook para entrar. Taehyung se virou para Sohye, apoiando o cotovelo no assento do sofá e o rosto na mão. — Como foram as suas últimas 24h? — perguntou curioso, ajeitando o cabelo dela e ela lhe sorriu.
— Obrigada por elas, Tae — respondeu de forma simples, depois de pensar por algum tempo em algo para o responder, mas nada lhe vir à mente. Ela se aproximou e os lábios encontraram os de Taehyung suavemente. A garota teve o rosto segurado com carinho e ele lhe retribuiu o beijo. Se separaram um tempo depois, o Kim finalizando o beijo encostando a boca na dela por uma última vez.
— Eu to com medo de ir lá e atrapalhar eles dois — Sohye sussurrou fazendo Taehyung concordar.
— Então ficamos aqui e esperamos um deles dar as caras no corredor, pode ser? — ele sussurrou de volta e ela concordou sorrindo.
•
Sohye e Jungkook entraram no elevador sob o olhar do Kim e do Park da porta do apartamento deles. Enquanto Taehyung deu um sorriso discreto, Jimin deu-lhes seu sorriso de olhinhos fechados e deu tchau empolgado demais para alguém que tinha apenas conversado com o Jeon. Quando as portas fecharam, tanto Sohye quando Jungkook ficaram um tempo cada um no seu próprio planetinha. Eles não souberam de quem veio o suspiro exagerado e apaixonado, mas se encararam e cada um riu da cara de bobo do outro.
Saíram do prédio depois de se despedirem do zelador e entraram no carro do Jeon colocando os cintos. Antes que Jungkook ligasse o veículo, se virou para Sohye sorrindo com ar de curiosidade.
— Nem adianta me olhar assim — Sohye falou e ele enrugou o nariz em resposta voltando a olhar para frente. Ela riu.
— Você era mais legal quando éramos adolescentes, sabia? Agora que tem a Gaeul só fala as coisas para ela. Tive que saber por ela que você tinha dormido aqui. — reclamou prestando atenção na rua, enquanto começava a guiar o carro.
— Foi em cima da hora e eu não ia estragar seu encontro com o Jimin para contar — ela explicou e cutucou o amigo com ar de indireta. Viu Jungkook paralisar com as duas mãos no volante e o rosto começar a ficar vermelho. Sohye riu alto.
— Eu devia te largar no meio da rua e te deixar voltar para casa andando, Sohye. Você é uma péssima melhor amiga, meu coração está todo em pedacinhos. — reclamou novamente.
— O que? Você não está indo lá para casa usufruir do meu silêncio para estudar? Sou uma péssima melhor amiga mesmo?
— É. — ele falou sem pensar muito e ela rolou os olhos.
— Para, Kookie. Você sabe que eu te amo, não é? Você é meu melhor amigo da vida toda, meu soulmate... — ela tagarelou e ele a interrompeu.
— Tá, tá! — rolou os olhos. — Ele me levou em evento de anime — o menino começou e Sohye virou o rosto na direção dele e sorriu — Para de olhar para minha cara assim, senão não conto nada. — ela fechou a expressão e voltou a olhar pelo para-brisa do carro. — Lanchamos, vimos filme e ele me deu um chaveiro do Homem de Ferro.
— Uau, agora ele te fez se apaixonar de vez mesmo. — ela o interrompeu enquanto eles paravam em um sinal fechado.
— Sohye? — Jungkook a encarou franzindo a testa.
— Ok, desculpa, pode falar — levantou as mãos como quem se rendia e se endireitou no banco de passageiro.
— 'Tá bom, vou resumir. — deu de ombros — Vimos umas apresentações de cosplay, comemos uns lanches muito bons que tinham por lá e depois fomos em um parque que tem ali no centro da cidade. — Sohye sorriu sabendo qual era o parque e do dia que Taehyung a levou lá. O próprio Kim tinha a contado que o amigo tinha o descoberto. — Eu to meio surpreso, porque ele é um pouco diferente do que eu julgava.
— E isso é ruim?
— Nem um pouco — Jungkook respondeu à amiga, ainda olhando para o trânsito, mas sorrindo. Ela sorriu também o observando.
— Vocês se beijaram? — Sohye perguntou de repente, o encarando com expectativa. Jungkook rolou os olhos.
— Puta que pariu, hein? — respondeu a encarando de volta e ela gargalhou alto não esperando aquilo. — Você está passando muito tempo com a Gaeul.
— Não é nada disso. É porque poxa, há quanto tempo você gosta dele? Os planetas devem ter se alinhado na hora com um evento desses — ela falou em um misto de zoação e felicidade. — Beijaram?
— Beijamos, Sohye — ele respondeu alto e envergonhado ao mesmo tempo. — Que saco! — falou baixinho, mas ela o conhecia o suficiente para saber que ele queria contar sim, só não sabia como.
— E?
— E que pela primeira vez eu não quis prestar atenção em um filme da Marvel.
— Oi? — a menina gritou e arregalou os olhos em choque — Meu Deus! Vivi para ouvir isso? Estou me tremendo — falou mais exagerada ainda mostrando as mãos, fazendo Jungkook rolar os olhos mais uma vez, mas rindo um pouco. — Kookie, você está tipo, muito apaixonado mesmo.
— Eu sei — respondeu com o rosto vermelho, mas sorrindo.
— Ai! Eu shippo tanto vocês — ela bateu palminhas, animada, fazendo o amigo a olhar com uma das sobrancelhas arqueadas.
— É mesmo, Gaeul 2.0? — a questionou, e ela riu com a comparação. Devia estar passando muito tempo com a amiga mesmo.
Foi mais uns 30 minutos do apartamento de Taehyung e Jimin, até a casa de Sohye. Isso porque o trânsito estava tranquilo e estavam de carro. Eles entraram na casa e enquanto Sohye levou as mochilas e a sacola com a fantasia até seu quarto, Jungkook seguiu até a cozinha, sem fazer muita cerimônia. Aquilo não foi nenhuma novidade para Sohye, já que o garoto vivia mais lá do que na própria casa.
— Mexe mesmo Kookie, agora ela sabe contar — Sohye falou ao ver o amigo com uma garrafinha de banana milk, vulgo os favoritos de Yuna, na mão. Jungkook deu de ombros e apoiou na bancada a encarando. — O que?
— Anos te ouvindo dizer que relacionamentos só deixam as pessoas sem foco e hoje tive que te buscar na casa do Taehyung, porque precisava vir estudar... — ela pressionou os lábios prendendo o riso. — Jin hyung sabe disso? — perguntou dando mais um gole na bebida. Sohye riu forçado e ele engoliu a bebida quase se engasgando ao analisar a situação — Espera aí! Você me transformou no seu cúmplice?
— Ah Kookie, fala sério! Nem foi assim. Você quem pediu para vir aqui estudar e como você mora perto do apartamento deles, né? Você ainda viu o Jimin, só uni tudo e todo mundo terminou feliz.— Jungkook apertou os lábios deixando claro que não iria cair na conversa dela.
— Mais de 20 anos de convivência e eu não aprendo. — ele rolou os olhos fazendo Sohye rir. Ele foi até a geladeira de novo pegando outra garrafinha amarela.
— Vou rir tanto da sua cara se ela perceber — Sohye falou observando Jungkook abrir a bebida. Ele deu de ombros tomando mais um gole. Eles ouviram a porta da frente ser aberta e ele virou a garrafa toda na boca, correndo depois para jogar as embalagens na lixeira.
Sohye ainda gargalhava quando Jin chegou no cômodo com uma caixa de cupcakes e colocou na mesa. Ela encarou Jungkook apertando os lábios e arregalando os olhos pedindo para ele não falar nada do que tinham conversado, ele apenas fechou os olhos e assentiu uma vez como quem dizia que sabia.
— Dormiu fora, Sohye? — Seokjin perguntou, de repente, a olhando. Ela o encarou, pega desprevenida, porque não estava esperando aquilo tão rápido. — Você saiu com essa roupa ontem. — explicou enquanto lavava as mãos e Jungkook ia até à caixa de bolinhos para pegar um.
— Ah, é! — Sohye respondeu e encarou a própria roupa, dando uma risadinha no final. Jin parou o que estava fazendo e se virou para eles.
— Tem alguma coisa errada aqui — olhou de um para o outro. Sohye encarou a parede contrária da cozinha, Jungkook enfiou um dos bolinhos na boca. — Você dormiu na casa dele? — Jin perguntou encarando a irmã. Sohye assentiu. Ele olhou para Jungkook esperando ele confirmar.
— Hm? — o Jeon respondeu atrapalhado, com a boca cheia. Engoliu e continuou olhando para o mais velho de olhos arregalados. Jin riu anasalado.
— Ele sempre te entrega — Jin apontou para Jungkook rindo e Sohye rolou os olhos. Ela o fuzilou com o olhar e ele a olhou com cara de "O que posso fazer?".
— Passou a noite onde, então? — Jin a olhou, um sorriso no rosto. Sohye ficou o olhando. — Eu sei que foi na casa do Taeyeon, não precisa nem responder.
— Quem é Taeyeon? — Jungkook olhou confuso para os dois irmãos.
— Você não dormiu em casa também — Sohye retrucou para Jin, ignorando Jungkook.
— Quem disse que não? — Jin retrucou também ignorando o menino. O Jeon deu de ombros não se importando muito com o vácuo, voltando a atenção para a cobertura do próximo bolinho que iria comer.
— Se tivesse tinha me ligado 300 vezes — ela deu de ombros. — E eu acho que sei com quem você estava. — ela o provocou, sorrindo. Jin abriu a boca para responder, mas uma Yuna emburrada entrou no cômodo, no mesmo instante, jogou o caderno e o estojo na mesa se sentando na cadeira depois. Apoiou o cotovelo na mesa, uma das mãos no rosto e encarou o pai de cara feia. Jin mudou a atenção para filha.
— Onde estão os exercícios que você disse que fez, mas não me mostrou? — a garota de maria chiquinhas continuou o encarando sem se mover um centímetro. — Yuna? — Jin se aproximou e olhou para o caderninho decorado na frente dela.
— Eu já falei que fiz — falou de má vontade e começou a folhear o caderno. Parou na última folha com atividades e também pareceu surpresa quando viu que as respostas estavam em branco. Ela realmente tinha esquecido de fazer...
— Ah, que coisa, não é? — ele encarou a menina. — Falei que ia te ajudar e você disse que sua tia já tinha visto. — Jin apontou para Sohye que negou com o rosto.
— Eu acho que me confundi — ela falou, ainda de cara feia. Jin a fitou. — E agora?
— E agora que vamos passar o restinho do final de semana fazendo isso aí. Nada de assistir desenho enquanto não acabar. — ela o encarou arregalando os olhos.
— Você não manda em mim. — ela resmungou séria, encarando o pai. Jin a olhou com a sua melhor cara de interrogação, Sohye e Jungkook olharam a cena, surpresos e se encararam querendo rir, mas sabendo que não podiam fazer aquilo.
— Como é? — Jin a questionou a olhando ainda surpreso com a resposta. — Eu não tenho moral nenhuma nessa casa, sinceramente... — ele respirou fundo com uma mão na cintura e a outra passando pelo rosto.
— Kookie, temos trabalho para fazer... — Sohye falou aproveitando a deixa e Jungkook assentiu, os dois caminharam em direção a saída da cozinha.
— Com vocês dois, converso depois. — Jin falou e se aproximou de Yuna. Apontou para uma das contas de matemática. — 2 + 2?
— 22 — Yuna respondeu, ainda de cara feia, o encarando de volta. Sohye e Jungkook prenderam o riso com a cara que Seokjin fez, e correram escada acima logo depois.
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Olá ♥
Esse capítulo, olha ♥ Eu amei escrever demais haha
Tem muito Soso e Taetae e eu sou apaixonada na relação deles dois, principalmente na amizade que eles constroem a cada capítulo.
Teve também um pouquinho da amizade da Sohye e do Kookie, que é outra parte da história que quero focar um pouquinho mais também, então vai ter muito do Jk por aqui ainda.
Obrigada por todo o carinho a Learning, sério!!! Ela é muito importante para mim, então é muito especial ver como ela chega aí para vocês. Sério, vocês são tão amores eu to aqui lendo os comentários e akhsgjkah, queria só abraçar ♥
Se cuidem, tá bom?
Beijinhos, Polly ♥
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