16. if I call you on the phone, need you on the other side
"Se eu chamar você no telefone, preciso de você do outro lado"
- Martin Garrix & Troye Sivan (There for you)
sexta-feira, 16h03min
— Agora que vocês já aprenderam a musiquinha das estações do ano, eu quero saber se alguém aqui sabe qual é estação que nós estamos agora — Yejin perguntou as crianças enquanto estavam todas sentados uma ao lado do outra, formando um círculo no chão da salinha.
— Eu acho que a tia Sohye sabe — uma delas disse com um sorriso arteiro no rosto, o que fez as professoras rirem com a esperteza da pessoinha.
— Será que ela sabe mesmo? — Yejin perguntou e as crianças olharam para a Kim esperançosas. Ela colocou o indicador na cabeça, como quem parecia se esforçar muito para pensar.
— Hm, que estranho! Eu lembro como é em inglês, mas não lembro como se diz em coreano. — comentou, e as crianças deram risinhos com a cara engraçada que ela fez — A estação que nós estamos, é fall, não é? — todos responderam que sim — Mas vocês sabem o que quer dizer? — várias vozes infantis foram ouvidas ao mesmo tempo em que eles levantavam as mãozinhas.
Sohye deixava a feição cada vez mais confusa, olhando de um rostinho para o outro, o que estimulava ainda mais as crianças a "ajudarem-a" se lembrar como era o nome da estação. Yejin a olhou com um sorriso orgulhoso por ter feito os pequenos pensarem de um jeitinho tão natural quanto aquele. Depois de algum tempinho, uma das crianças disse que era "outono" e as duas professoras junto com os outros amiguinhos bateram palmas o parabenizando.
— Hoje vocês vão ter uma missão — Yejin falou baixinho, a mão ao lado do ouvido, imitando uma espiã.
— Igual a Ladybug, tia? — Inho perguntou, o que fez a professora sorrir e assentir.
— Aham, mas eu acho que essa missão é mais legal ainda! — As crianças a olharam curiosas e empolgadas. — Sábado que vem nós vamos ter um dia muito legal para comemorar essa estação tão bonita que nós aprendemos hoje e vocês precisam lembrar de mostrar a agendinha para o papai ou a mamãe, ok? Sábado não é um dia que a gente tem aula normal, então na agendinha vai dizendo para o responsável trazer vocês na parte da manhã — as crianças concordaram. Algumas bateram palminhas com a informação, outras deram gritinhos felizes — Vai ser muito legal. Vão ter comidinhas, músicas e a gente vai dançar e brincar a manhã toda! E o melhor, vocês podem vir com as fantasias que quiserem. Podemos contar com vocês? — os gritinhos voltaram a tomar conta da sala indicando que sim, Sohye e Yejin poderiam contar com eles.
16h30min
Quando Sohye entrou no vagão de trem naquela tarde, tanto ela quanto a sobrinha não demoraram a achar o colega de transporte público favorito delas. Gaeul não estava daquela vez, porque bem, naquele dia foi ela quem teve que ficar até mais tarde na escolinha para resolver coisas atrasadas.
Diferente de todas as outras vezes, Yuna não se sentou ao lado do menino. Ficou de pé na frente deles, mudando o olhar da tia para o garoto, com os olhinhos semicerrados.
— Ei, o que foi? — Sohye perguntou enquanto ajeitava as bolsas próximas aos pés esperando a menininha se sentar também.
— Eu 'to pensando uns pensamentos aqui na minha cabeça — ela falou sendo engraçadinha, os olhinhos ainda mudando o olhar de Sohye para Taehyung. Aquilo arrancou um sorriso do rapaz já que o lembrou da pergunta feita por ela alguns dias antes. Sohye continuou meio confusa a observando os encarar. O metrô começou a se mover, e Yuna se desequilibrou e por pouco não caiu sentada, sendo segurada pela tia que e a puxou para o colo depois.
— Então você parece uma pessoa que eu conheço, que 'tá sempre pensando em alguma coisa — Taehyung comentou olhando para a garotinha e depois para Sohye que sorriu sem graça ajeitando o cabelinho da menina e fingindo que não era com ela.
— É a tia Sohye, não é? — Yuna perguntou — Claro que é, ela só pensa! Ela é muito inteligente, sabia? Eu acho que tem um livro dentro da cabeça dela de tanto que ela estuda — falou assentindo e deixando a tia mais sem graça ainda. Taehyung sorriu.
— Eu também a acho muito inteligente, Yuyu, mas às vezes a gente precisa descansar um pouquinho, não é? — Yuna assentiu de novo, enquanto Taehyung olhou com carinho para Sohye. Eles ficaram um tempinho se encarando.
Taehyung e aquela mania de fazer Sohye querer o beijar em qualquer lugar que fosse.
— Taetae — ela chamou o garoto os fazendo interromper a troca de olhares —, vai ter uma festa lá na minha escola para comemorar que o outono chegou! — ela levantou os bracinhos feliz — Sabe qual vai ser a minha fantasia?
— Nossa isso é bem difícil, Yuyu — Taehyung fez cara de confuso e Sohye riu porque por mais que ele fosse tão ruim fingindo, Yuna realmente acreditou que ele não fazia ideia — Hm, será que é do Panda? — ele perguntou e ela abriu a boca surpresa.
— Como você sabe? — perguntou admirada — Tia Sohye, você contou? — Sohye negou com o rosto. — Caramba, você é adivinhador, Taetae? — o questionou, arrancando risada dos dois adultos. — Ai, eu acho você muito legal — ela falou e olhou para Sohye movendo a cabeça de um jeitinho engraçado, como quem dizia para a tia entender a indireta. Sohye entendeu.
— Eu também te acho muito legal, Yuyu — Taehyung disse e a garotinha bateu palminhas animada.
— É, tia Sohye. Eu pensei aqui já e pode ser ele mesmo. — falou como se não fosse nada demais. Sohye negou com o rosto quando Taehyung a encarou, no olhar a pergunta sobre o que a garotinha falava.
É Yuyu, algo dizia que a tia Sohye também queria que fosse o Taehyung.
domingo, 11h, casa dos Jeon
Jimin respirou, uma, duas, três vezes. Foi e voltou na frente da casa de grades azuis umas quatro. Quando notou uma senhora o encarando desconfiada na janela da casa vizinha, tomou coragem para tocar a campainha.
Não seria a primeira vez que eles sairiam, mas era a primeira vez em que Jimin o convidaria para saírem sozinhos — digo, se Jungkook aceitasse, era claro —, e aquilo apavorava o loiro ainda paralisado a frente do portão de entrada.
Ele estalava os dedos na frente do corpo, se perguntando se o que estava fazendo poderia ser considerado muito bobo. Será que Jungkook o acharia muito esquisito de aparecer do nada em sua porta em um domingo? Mas é que Gaeul o convenceu que se ele o chamasse pelo telefone, mesmo que quisesse muito sair com o Park, Jungkook ia dar uma desculpa e não iria aceitar.
Jimin não era de ficar nervoso ao convidar outra pessoa para sair. Ele simplesmente chamava e dificilmente a outra pessoa negava. Também não era o que gaguejava e tremia mais que bambu ao vento, mas tremelicar era exatamente o que ele estava fazendo e gaguejar foi o que fez quando o portão foi aberto por uma moça baixinha e de cabelos até os ombros. Ela o encarou, e "a versão de Jungkook com saias", foi a primeira coisa que Jimin pensou. A semelhança gritava tanto que era impossível não saber que aquela era a mãe do Jeon.
— Oi, posso ajudar? — ela perguntou, segurando o portão meio entreaberto. Não demorou muito até o corpo pequeno da mulher ser empurrado de leve para o lado e um corpinho menor ainda parar ao seu lado.
Com os cabelinhos espalhados, cara de sono, cueca da Marvel e colete salva vidas, Jimin reconheceu Daeho e sorriu tendo certeza absoluta que não tinha errado o endereço.
— Tio Jimin! — ele gritou e o abraçou pelas pernas — Eu não acredito que você veio me visitar na minha casa! — exclamou, ainda abraçado e com a cabeça inclinada para trás para o encarar.
— Oi, Daeho — ele bagunçou o cabelinho do seu fã número 1 lhe dando um sorriso — Olá, senhora Jeon, sou Park Jimin — ele se inclinou em respeito. Um olhar de reconhecimento passou pelos olhos da mulher e ela sorriu. Jimin descobriu de onde vinha os dentinhos de coelho de Jungkook.
— Ah, o professor de dança! — ela falou parecendo reconhecer o nome.
Um terceiro rosto apareceu mais atrás, na varanda da casa, mas não era Jungkook, por mais que fosse extremamente parecido com ele. Vestia roupas pretas assim como as que o irmão usava e tinha nas mãos uma tigela cheia de cereal. Os genes daquela mulher eram dominantes naquela família, ele teve certeza.
— E o crush do Kookie — o de 14 anos disse de boca cheia, depois de dar uma colherada no cereal.
— Viu? O Saya sempre diz que você é o rush do Kookie — Daeho disse, já solto das pernas de Jimin, agora parado entre ele e a mãe. Naquele momento o Park descobriu o que era rush que Daeho tanto dizia e porque Jungkook sempre quase desmaiava de vergonha. Ele sorriu depois da informação.
— Me desculpa por esses dois, Jimin — a mãe falou envergonhada —, entra e fica à vontade. As coisas estão meio confusas porque ontem foi o dia que consegui para ajeitar a casa e todo mundo acordou mais tarde hoje. — ela justificou o fato de serem 11h e os filhos ainda estarem de pijama e tomando café, o que não era comum na rotina deles.
A vida de mãe solo não era nada fácil, principalmente quando se tinha que dividir o tempo entre três filhos, casa e trabalho em uma empresa de Arquitetura que dependia da assinatura dela para tudo. Jimin se sentiu sem graça e até pediu desculpas dizendo que poderia ligar depois para Jungkook, mas ela insistiu o fazendo entrar na casa.
Enquanto Daeho corria na frente dele e da mãe, Jimin observou o quintal com a grama verdinha e com flores coloridas, depois o balanço na frente do terreno. Apesar da facilidade que era morar em apartamento, sentiu falta de viver em uma casa como aquela e de poder simplesmente sair para o quintal, sentar ao ar livre e respirar observando o céu.
Eles entraram na casa logo depois e apesar de não ser tão grande, o lugar era muito bonito. As cores ali combinavam e os móveis pareciam ter sido pensados exatamente para cada lugar que ocupavam. Jimin não soube se pela profissão da mãe de Jungkook ou pela organização que eles fizeram no dia anterior, mas aquilo parecia até casa de novela!
Ah claro, a não ser pelos brinquedos espalhados pelo chão.
Yuri o guiou até a cozinha e no caminho o desviou de algumas pecinhas de lego que era óbvio que foram deixadas ali pelo caçulinha da família. Daeho correu na frente novamente e se sentou em uma das cadeiras da mesa, posta com o café da manhã.
— O Kookie sabe que você vinha aqui? — Saya perguntou a Jimin, enquanto se sentava do outro lado da mesa. Jimin negou com a cabeça e o garoto riu animado — Eu vou adorar ver isso! — deu mais uma colherada no cereal.
Jimin ficou sem saber o que responder, e nem mesmo teve tempo, porque a Sra. Jeon já tinha o feito sentar-se na cadeira ao lado de Daeho que coloria algumas folhas. Ele as reconheceu depois como rascunhos de plantas de casa.
— Acho que a essa hora você já tomou café, não é? — ela falou, andando da mesa até a cozinha e depois voltando —, não sei o que te oferecer. Eu nunca tenho tempo de cozinhar alguma coisa elaborada então nós acostumamos com esse café mais básico — sorriu sem graça —, fica à vontade Jimin, é ótimo te receber aqui. Quer um chá? — Sra. Jeon perguntou e ele apenas assentiu educado.
Ela colocou a caneca e o bule na mesa e serviu o garoto, se sentando ao lado de Saya, que ainda enrolava com o próprio café. Daeho empurrou o potinho de seus biscoitos favoritos e ofereceu a Jimin com um sorrisinho fofo no rosto. Ele aceitou e se sentiu lisonjeado depois que Sra. Jeon lhe disse que ele não oferecia aqueles biscoitos a ninguém além de Yuna.
— Eu não queria incomodar, Sra. Jeon — Jimin comentou, sorrindo envergonhado. Ela sacudiu as mãos e fez careta demonstrando que ele não incomodava.
— Nada disso, não está incomodando! Eu queria mesmo conhecer o professor que conquistou o coração de dois dos meus filhos. — Jimin encarou Daeho que o sorriu de olhinhos fechados para ele, voltando depois a pintar. — Queria poder levar o Daeho na aula, mas infelizmente eu não posso aos sábados de manhã porque sempre estou resolvendo coisas do escritório. Estou muito feliz de poder o conhecer. — Ela bebericou o café e Jimin provou do chá.
— Só eu e o Kookie gostamos de dançar. Igual você, não é mãe? — Yuri assentiu sorrindo — Ela era balarina. Sabia, tio Jimin? — ele falou orgulhoso — E esse aí é o Saya — apontou para o adolescente —, ele é o irmão chato e preguiçoso que só toca guitarra. — Daeho comentou com a feição meio sapeca, o alfinetando.
— Você que é chato, seu peste — Saya respondeu de volta, revirando os olhos.
— Mamãe, o Saya 'tá xingando de novo — Daeho falou olhando a progenitora.
— Peste não é palavrão, seu cabeçudo — ele retrucou. Daeho indignado lhe jogou um lápis de cor, Saya desviou e eles começaram a discutir. A Sra. Jeon passou a mão no rosto exausta, as olheiras abaixo dos olhos deixando claro que ela trocaria qualquer coisa por uma noite de sono bem dormida.
— Vocês dois parem agora! — falou em um tom mais alto, mas eles continuaram — Você sem guitarra e você sem o tablet. — apontou para os filhos, primeiro para Saya e depois para Daeho. Eles a encaram pasmos.
— Que? — Saya falou abismado. Como ele ia aguentar aquela casa sem sua tão amada guitarra?
— Mas mãe eu preciso assistir Pororo — Daeho choramingou ao mesmo tempo, os olhos como os do gato de botas, já cheios de lágrimas. Ela suspirou cansada e olhou para Jimin.
— Desculpa por isso, Jimin. — e se virou para os filhos —, respeitem a presença do amigo do irmão mais velho de vocês. — ela deu a bronca nos dois mais novos.
— Amigo do Kookie, sei — Saya resmungou e recebeu um tapa no braço. Ele se virou encarando a mãe de cara feia.
— Mas mãe, ele é meu amigo também, porque vocês estão falando que é só do Kookie? — Daeho, ainda fazendo bico, falou inocente e sem entender o comentário do outro irmão.
— Saya, chame o Kookie antes que eu perca a paciência com vocês dois, por favor — ela falou entredentes, sorrindo para Jimin depois.
O menino fez que não ia levantar, mas a mãe o empurrou e ele não teve escolha. Antes de ir até a escada que dava para o segundo piso, apertou a bochecha de Daeho que empurrou a mão dele e o encarou de cara feia. Yuri suspirou, sem saber o que fazer com aqueles dois.
— Kookie, a mamãe disse para você descer. Seu namorado está aqui! — Saya gritou e Jimin sentiu o rosto esquentar ao ver a Sra. Jeon abrir a boca surpresa e depois o olhar sorrindo. Sem resposta, o irmão do meio subiu as escadas pulando os degraus de dois em dois correndo depois até o quarto do mais velho.
— Você e o Kookie 'tão namorando mesmo? — Daeho apoiou um dos cotovelos na mesa e o rosto na mão. O olhar brilhante do menino não deixava dúvidas de que ele não estava só feliz, mas que estava era feliz da vida!
Tudo o que mais queria era que Jimin e Jungkook realmente ficassem juntos. Na verdade o que ele mais queria mesmo era passar mais tempo com o Park, porque além de o achar muito legal, ele achava Jimin muito bom na dança. E Daeho queria ser aqueles balarinos que pulavam bem alto quando crescesse, então ele achava que seria legal ter amigos que dançavam também. Até pensou em perguntar a mãe se ela podia adotar Jimin, mas sabia que ela ia lhe dar uma bronca e dizer que eles três já davam muito trabalho e aquilo era uma ideia muito doida. Então ele chegou a conclusão que era melhor se contentar com um Jimin namorado do Kookie do que nada. E o tio Hobi era legal também, mas já tinha namorado, por isso ele decidiu entre os dois que deveria ser o tio Park.
— Não Daeho, nós não estamos namorando — Jimin falou sem graça, olhando para o menino, envergonhado demais sabendo que a mãe dele o olhava do outro lado da mesa. Daeho murchou um pouquinho. Já estava até pensando em pedir Saya para ligar para falar com Yuna. Ela tinha o contado na escolinha que achava que a tia Sohye também estava de namoradinho, igual ele achava que Kookie estava.
— Ah, que pena — Yuri falou e Jimin a olhou surpreso —, vocês iam fazer um casal tão bonitinho — ela comentou, bebericando o café e o olhando por cima da caneca.
— Iam mesmo — Daeho deu força assentindo, voltando a atenção ao desenho que coloria.
— Mãe, você está me chamando? — ouviu-se a voz sonolenta de um Jungkook, que andava esfregando os olhos adentrando a sala. O menino vestia pijamas xadrez e o cabelo estava uma repleta bagunça. Ele arregalou os olhos quando viu Jimin sentado à mesa.
— Bom dia, meu irmão favorito! — Daeho falou enquanto corria até o irmão mais velho, o abraçando pelas pernas. Quando viu Saya encostado ao arco que dava para a sala de jantar, lhe deu língua e ele fez o mesmo. Yuri suspirou de novo.
— Jimin? — Jungkook perguntou confuso fazendo carinho na cabeça de Daeho, e quando se tocou das presenças do ambiente em que estavam, se perguntou se dava tempo de correr escada acima e se trancar dentro do quarto.
— Oi, JK — ele inclinou a cabeça levemente e sorriu. Um silêncio se instaurou na sala.
— Vamos deixar o irmão de vocês e o Jimin a sós, certo crianças? — Yuri falou querendo ajudar e se levantou pegando a louça dos mais novos e levando para cozinha. Saya reclamou que não tinha terminado o cereal e a mãe o olhou com aquela típica cara de mãe apertando os lábios, inclinando a cabeça para o lado e arregalando os olhos para ver se ele entendia.
— Mamãe, eu também não terminei meu desenho — o mais novo seguiu a mulher também reclamando. Yuri voltou até a sala de jantar e pegou as folhas e os lápis de cor do filho na mesa com ele ainda atrás dela.
— Você pode terminar de colorir no seu quarto, Daeho — ela sorriu para Jungkook e Jimin —, fiquem a vontade.
— Mas mãe, como eu vou me cocentrar se o Saya começar a fazer barulho com aquela guitarra horrorosa? — ele colocou as mãozinhas na cintura bloqueando a passagem da mãe.
— Horrorosa é essa sua cueca. — Saya falou revirando os olhos — Não tem vergonha de ficar andando sem calça com visitas em casa? — Daeho o encarou enfurecido.
— E daí? Eu não 'to pelado — ele gritou —, e horrorosa é essa sua cara com essa espinha que parece o nariz do Anpanman! — falou de volta e Saya levou a mão ao rosto. Jungkook olhou para a mãe com o olhar de "Por que não parou em mim?".
— Sai daqui os dois, anda! — Yuri ordenou, já sem paciência. E os dois até saíram da sala a obedecendo, mas ainda discutindo — Come alguma coisa, Kookie. Desculpa mais uma vez por isso, Jimin, eu juro que eu tentei educar, mas não sei o que deu errado no caminho.
— Cala a boca você, seu bobão! — ouviu-se Daeho gritar do outro lado da casa. Yuri sorriu envergonhada e saiu do ambiente indo atrás dos filhos, não sem antes de dar um sorriso incentivando o mais velho, deixando-os sozinhos depois.
— Você não vai comer? — Jimin perguntou a Jungkook que ainda estava paralisado no meio do caminho entre a entrada e a mesa. Ele assentiu ainda confuso, e como se fosse um boneco do The Sims respondendo a um comando, foi até a mesa e se sentou.
Enquanto o garoto colocava café em uma xícara do Homem de Ferro, Jimin o observou com um sorriso singelo no rosto. Jungkook levantou a xícara, mas parou a mão no ar e inclinou a cabeça para o lado parecendo pensar.
— Como você achou minha casa? — ele encarou Jimin que disfarçou o sorriso que já devia estar parecendo idiota. O loiro lhe respondeu "Gaeul" — Ah, sim — ele bebeu o café fazendo careta depois e o enchendo de açúcar.
Daeho apareceu de novo, mas agora ofegante, o que explicava que ele devia estar fugindo da mãe ou do irmão. Jimin riu quando ele parou ao seu lado, pegou o pote de biscoito que ele tanto amava, abriu e direcionou ao professor.
— Pode pegar mais — ele ofereceu a Jimin que assentiu o achando fofo. Pegou um, depois mais dois, porque o menino insistiu. Não satisfeito, Daeho pegou mais um e colocou no prato a frente de Jimin. Jungkook observou a cena chocado.
— É sério isso? Você não dá esses biscoitos para ninguém — ele observou Jimin rir e morder um — Não vai me dar nenhumzinho? Você acabou de falar que eu sou seu irmão favorito. — Jungkook apelou.
Daeho pareceu pensar por alguns segundos, deu a volta na mesa e tirando apenas um biscoito do pote, colocou no prato a frente de Jungkook. Jimin não aguentou e soltou uma gargalhada. O menino sorriu travesso enquanto ele mesmo pegava uma das rosquinhas e mordia. Yuri apareceu esbaforida na sala de jantar e antes que a criança percebesse a presença da mulher, ela o pegou no colo o segurando embaixo do braço. Ele gargalhou achando graça.
— Eu preciso te dar banho, seu porquinho — falou. Daeho fez um sonzinho imitando o animal e todo mundo acabou rindo junto com ele. Jimin quase explodiu com a fofura! — Eu queria tanto ter filhos — Yuri falou com dificuldade segurando Daeho —, mas eu não fazia ideia que uma das vantagens seria economizar na academia, porque eu não corria assim nem quando tinha meus 20 anos — a mulher reclamou, saindo do ambiente.
Jungkook passou a mão na testa com vergonha e esperava que se Jimin não fugisse depois daquilo, não fugiria mais. Ele não queria nem imaginar o que tinha acontecido ali antes de Saya o puxar para fora da cama, literalmente, dizendo que a mãe estava o chamando.
— Aconteceu alguma coisa? — Jungkook perguntou, quando o cérebro pareceu acordar de vez — Digo... porque você precisou vir aqui. — ele mordeu o biscoito que ganhou do irmão.
— Ah, eu queria saber se você não quer sair comigo — Jimin falou sorrindo, ajeitando o cabelo. Jungkook arregalou os olhos.
— Que? — ele ficou paralisado encarando o garoto do outro lado da mesa — Eu e você? — ele apontou de um para o outro e Jimin assentiu — Você e eu? — ele fez o movimento reverso e Jimin riu concordando mais uma vez.
— Você gosta de cinema? — Jungkook arregalou mais os olhos. Não ficaria surpreso se o coração pulasse boca a fora, abrisse a porta da frente da casa e fosse embora com a malinha em uma mão e colocando um chapeuzinho na cabeça. — JK?
— Oi? Oi! Eu gosto sim... de cinema — ele finalizou a resposta com um "haha" nervoso, enquanto coçava a nuca.
Meu Deus, como assim Park Jimin estava sentado na frente dele, na sua casa, o convidando para ir ao cinema? Será que ele estava dormindo ainda e aquilo não passava de um sonho?
Jungkook se beliscou discretamente e se arrependeu logo depois, porque aquilo doeu para caramba. O coração em seu peito palpitava nervoso e ele estava em um misto de vergonha por ainda estar de pijama e com remela nos olhos e por receber aquele convite tão inesperado, mas tão desejado. Tudo isso, com ele separado de Jimin apenas por algumas canecas de super heróis e biscoitos amanteigados.
— Pode ser sábado que vem? Vou ter folga no trabalho — Jungkook assentiu sentindo o rosto esquentar. E toda vez que ele se lembrava que o rosto deveria estar vermelho, ficava mais vermelho ainda. Era tipo um ciclo sem fim. — Você quer escolher o filme?
— Ah não, você pode escolher — respondeu de volta. Jungkook quase não conseguia nem pensar em o que era um filme. Eles poderiam assistir a uma versão de 3 horas de baby shark na telona que ele já estaria feliz demais e até cantaria junto com os tubarões coloridos.
— Ok, então vamos ver se consigo te surpreender. — Jimin sorriu e Jungkook sorriu também.
•
21h09min
— Pronto, consegui comprar os ingressos! — Jimin falou se jogando em um dos sofás com um sorrisinho feliz no rosto. Hoseok e Yoongi ocupavam o maior, o ruivo sentado mexendo no celular e o namorado deitado com a cabeça em seu colo quase dormindo.
— Conseguiu chamar o Jungkook para sair? — Taehyung perguntou, tirando o olhar dos desenhos sobre a mesa para fitar o amigo que assentiu — E aí?
— Vou o levar para assistir Pantera Negra. — Jimin disse. Yoongi parou de olhar o celular para o encarar com a sobrancelha arqueada. Lá vem!
— Jimin esse filme já saiu de cartaz tem um tempão — ele comentou meio confuso.
— Eu sei, Yoon. — o loiro disse — É um evento que vai ter no centro, vai ter concurso de cosplay e essas coisas que quem é gamer gosta. E aí vão ter sessões de filmes também. Certeza de que ele vai adorar! — Jimin comemorou.
— Park, você é burro ou se faz? — Yoongi perguntou o provocando.
— Que que foi agora, Min Yoongi? — Jimin o encarou já levantando a guarda.
— Sinceramente? Eu acho difícil que você consiga a atenção dele no meio de tanta coisa de super heróis e HQ's. Digo como alguém que entende esse sentimento, Jiminie. — Yoongi o avisou sorrindo de lado.
— Mas você não é o JK, Yoongi. — Jimin revirou os olhos, o que fez o amigo sorrir.
— Tu acha mesmo que vai rolar alguma coisa no meio de várias pessoas? E no cinema, então? Porque eu duvido muito que ele vá parar de assistir filme da Marvel para olhar para tua cara — Yoongi respondeu. Jimin fez careta, porque infelizmente aquilo fazia muito sentido. Poxa.
— Ih, Jimin — Hoseok falou sorrindo, tendo que concordar com o namorado — Entendo que você quer levar ele para um dia legal, mas não sei se vai rolar alguma coisa em um lugar cheio de pessoas. Ele é mó tímido, não é? E putz, Pantera Negra é um puta filme para ficar trocando saliva ao invés de assistir. — o garoto completou, o namorado concordando com ele. E para Hoseok e Yoongi concordarem assim de cara, era porque realmente o fato tinha coerência.
— Deu mole, Jiminie — Taehyung se meteu no assunto apenas para o zoar.
— Ó o outro que levou a menina que gosta para catar cocô de cachorro — Yoongi falou e Taehyung o encarou de cara feia. — Vocês não sabem nada de encontros.
— Onde ele te levou na primeira vez que vocês ficaram, Hobi hyung? — Jimin perguntou a Hoseok, ignorando Yoongi.
— Em uma exposição de Arte Urbana — Hoseok falou se virando para os amigos com um sorrisinho bobo no rosto, ainda deitado. Todo mundo sabia que Hobi amava aquele estilo, então era óbvio que Yoongi tinha acertado em cheio. O Min sorriu orgulhoso dele mesmo.
— Não acho que vai ser muito romântico eu levar a Sohye em uma exposição porque vai parecer que eu estou trabalhando. — Taehyung reclamou, continuando o desenho que estava fazendo — E ela gostou de conhecer o abrigo — resmungou e deu de ombros, não aceitando muito bem a crítica dos outros. Ele queria sim levar Sohye para sair de novo, mas não sabia bem se queria a levar para algum museu. Apesar de amar o que fazia, o Kim não tinha vontade nenhuma de ir no dia de folga para um lugar que o lembrasse do trabalho.
— Deixa de ser bobo, Taehyung! Está perdendo uma oportunidade e tanto. — Yoongi falou e riu depois — Imagina que legal seria você explicando as coisas lá de arte que você gosta para ela. — Hoseok assentiu e Taehyung pareceu pensar.
— Opa, opa, peraí, o assunto aqui sou eu e o Jungkook, ok? Fica aí no teu cantinho e espera tua vez, Kim — Jimin reclamou — Eu já comprei os ingressos, não tenho como devolver mais.
— Nós vamos pensar em alguma coisa, meu pequeno gafanhoto — Yoongi falou apertando um dos ombros do amigo o dando força e ao mesmo tempo ainda o zoando. O menino assentiu sem nem se dar ao trabalho de reclamar, já estava aceitando qualquer ideia mesmo.
O celular de Taehyung tocou e ele parou o que estava fazendo para o olhar. Mordeu os lábios meio sorrindo ao ver quem era e os amigos também pararam o que estavam fazendo para o observar. Taehyung se virou para eles fazendo "shiu" com o indicador na frente dos lábios.
— Oi Soso — ele atendeu e sorriu sozinho depois de ouvir ela falar alguma coisa lá do outro lado.
— Oi Soso — Jimin o imitou fazendo caretas engraçadas e Yoongi e Hobi riram. Os três receberam um olhar feio vindo do Kim.
— Não, não 'tô ocupado, pode falar sim. Eu ia te ligar mesmo — ele disse empurrando os óculos para mais perto dos olhos e riu envergonhado depois com a resposta dela. Jimin o imitou novamente, e Taehyung revirou os olhos, se levantou e foi até seu quarto fechando a porta e deixando os três amigos que ainda riam, para trás.
— Ah, eu só 'tava aqui sem fazer nada e pensei em te ligar para saber como você está — Sohye se justificou, meio atrapalhada. Taehyung sorriu porque o atrapalhado da história era sempre ele, então era bonitinho a ouvir assim.
— Eu 'to bem. — respondeu, se jogando na cama de solteiro.
— Você disse que ia me ligar... — Sohye jogou no ar, enquanto encarava o teto do seu quarto, deitada de barriga para cima em sua cama.
— Ah no começo era porque eu estava com saudades mesmo — ele riu se sentindo meio bobo ao falar aquilo. Sohye, por mais que estivesse sozinha em seu quarto, sentiu o rosto esquentar e se virou enfiando a cabeça no travesseiro. — Mas é que eu acabei de perceber que eu te prometi um encontro melhor que o do parque e até agora eu não fiz isso.
— Ué, mas já não saímos, Kim? E o abrigo? — a menina o perguntou confusa, se virando de novo na cama.
— Ah, claro. Que belo encontro: eu, você e a Pati. — Sohye riu — É, sério, quero fazer alguma coisa legal, pode ser?
— Tae, não precisa — Sohye respondeu, mesmo sem a olhar, Taehyung sabia que ela estava fazendo a carinha de quando achava estar incomodando.
— Precisa sim. Não quero que sua principal lembrança de mim seja eu fedorento. — ele fez careta.
— Kim, para de drama. — ela riu mais uma vez. Sohye lembrava de várias coisinhas dele, mas aquela não era uma das que ela levava em consideração. E fora que naquele dia ela estava tão cheia de terra quanto Taehyung.
— Eu não 'to fazendo drama. — ele retrucou.
— Está sim — Sohye.
— Não 'to. — ele continuou teimando.
— Eu mereço. — Sohye desistiu.
— Aham, quem me beijou primeiro foi você. Se vira agora — a menina fez um "rum" e ele riu vendo que ela não tinha mesmo mais argumentos — Posso pensar em alguma coisa? Prometo que você não precisa se preocupar com essas coisas chatas de roupa e o que você não gosta. — ele parou por um segundo — Eu quis dizer que não precisa se preocupar com roupa formal. Não ir sem roupa. — ele sacudiu a cabeça, vendo que se atrapalhou todo e Sohye prendeu o riso — Ai, você entendeu, não é? — ele perguntou tirando os óculos e passando a mão no rosto, pensando que mais uma vez falou de mais.
— Tudo bem, Tae — Sohye respondeu, querendo rir, mas mantendo apenas um sorrisinho bobo no rosto. Estava feliz porque o veria de novo sem todo o cenário do metrô e o cansaço dos dois recém liberados do trabalho.
— Uau, achei que você ia teimar mais. — Taehyung disse fazendo graça e ele ouviu Sohye xingar baixinho — Ei, você sabe falar palavrão? Que coisa feia, tia Sohye. Imagina se alguém te ouve falando isso?
— Você sempre foi chato assim, Kim? — ela devolveu, fazendo Taehyung rir.
•
terça-feira, 14h45min
Era mais uma tarde na escola infantil. Sohye estava em uma ponta da mesa, enquanto Yejin estava na outra. As crianças, por algum milagre, estavam todas concentradas em colar os recortes coloridos no papel comprido e ela agradecia mentalmente por nenhuma ter inventado de se levantar para ir até os brinquedos ou correr pela sala.
— Tia Sohye — uma delas a chamou com aquele arzinho de pergunta. Sohye tirou os olhos da atividade de uma outra menininha para a olhar — É verdade que se eu comer essa cola, eu nunca mais vou conseguir abrir a minha boca? — perguntou a encarando, os olhinhos questionadores. Sohye sorriu antes de tentar responder, mas foi interrompida.
— Claro que vai abrir. A minha boca tá normal, tá vendo? — outra criança respondeu, antes que ela pudesse falar.
— Eu perguntei para a tia Sohye, não para você — deu língua e recebeu o mesmo gesto em troca.
— Quem te falou isso, Ahri? — Sohye perguntou a menininha que lhe fez a pergunta.
— Foi o meu pai, ué — a criança a respondeu, ainda a encarando, esperando uma explicação. Ah, mais um Seokjin, Sohye pensou controlando a vontade de revirar os olhos. Ela viu Yejin se levantar e sacudir a mão para ela, apontando para o celular, seguindo para fora da sala depois.
— Pode até não colar a sua boca, mas vai fazer mal para sua barriguinha, sabia? — ela voltou a atenção para os alunos que prestavam atenção nela — Cada coisinha no mundo tem um função. O lápis é para desenhar e escrever, a borracha para apagar e cola para colar. — tentou explicar do jeitinho mais fácil que conseguiu — Existem um monte de comidas gostosas que não vão fazer mal, então para que a gente vai comer isso? — Sohye pegou um pedacinho de papel e depois de passar um pouquinho de cola, encostou no papel — Viu para o que serve? — a garotinha assentiu, demonstrando estar convencida.
— Entendi — respondeu sorrindo voltando a atenção aos papéis picados.
— Alguém aqui vai pensar comer cola ainda? — a Kim perguntou e um "nããão" soou pela sala. Ela riu sozinha sabendo que iam sim querer comer cola de novo, mas que pelo menos lembrassem do que ela tinha explicado antes que o fizesse e desistissem.
— Sohye — Yejin a chamou no cantinho da sala enquanto as crianças estavam todas espalhadas no chão brincando com os brinquedinhos coloridos. A menina se levantou e foi até ela. — Eu acho que a gente vai precisar cancelar a festa de sábado. — comentou meio triste, Sohye ficou surpresa.
— Como assim? — perguntou de volta, quase gritando, mas depois abaixou o tom de voz ao ver que as crianças olharam na direção delas — O que aconteceu? — sussurrou.
— Se lembra do Sr. Lee? — Sohye assentiu se lembrando do senhorzinho de sorriso amigável que sempre participava das festinhas dali — Então... ele precisou viajar até outra cidade para resolver algumas questões familiares. Talvez nem volte mais para Incheon. — a professora suspirou triste.
— Mas será que a gente precisa mesmo cancelar? Não é só colocar as musiquinhas na caixa de som? — a menina tentou encontrar uma solução rápida.
— Até podemos, mas eu não queria fazer isso, Sohye. Eles esperam por essas festinhas por um tempão e não é a mesma coisa de ouvir música ao vivo. — a Kim assentiu, concordando. Ela olhou para os alunos, todos sorrindo e felizes demais para ter que receber uma notícia daquelas. Se para os adultos já era difícil ter as expectativas quebradas, imagina para aquelas criaturinhas? Ela suspirou triste. — Aquele seu amigo que dá aulas de inglês para crianças, sabe tocar violão, não é? É que está muito em cima da hora para procurar alguém que saiba tocar e que conheça as músicas — Yejin se recordou de Jungkook, porque Daeho já tinha sido seu aluno e ele não parava de falar do irmão por um minutinho sequer. Sohye sorriu ao se lembrar do amigo.
— Eu posso falar com ele sim — falou e Yejin sorriu de volta — Ele conhece as musiquinhas, com certeza vai aceitar ajudar — a outra professora assentiu — Não cancela a festinha, Sra. Kang, por favor. Eu vou falar com ele.
— Sra. Kang, Sohye? — Yejin fez careta. Se ela tinha uns 6 anos a mais que a menina, era muito. Sohye sorriu envergonhada — Não vou cancelar, pode deixar. Mas me chama de Sra. de novo para ver se eu não te faço ir ajudar a diretora Choi com os papéis dela. — Sohye concordou sorrindo, enquanto se inclinava pedindo desculpas.
Ela viu Yejin se afastar, voltando para perto dos pequenos e também se aproximou a ajudando a os colocar em fila para os levar para o intervalo da tarde.
Depois que as crianças já estavam todas no parquinho, correndo de um lado para o outro, Sohye pegou o celular rapidamente mandando mensagem para Jungkook, pedindo para ele a chamar quando pudesse conversar. Ela até achou que o amigo não responderia na mesma hora, já que também estava no trabalho, mas logo uma resposta chegou.
kookie: pode falar Soso, as crianças estão fazendo prova
soso: nossa, que ótimo exemplo de professor você é, Jeon Jungkook 😜
kookie: eu não tenho a sorte de trabalhar em um lugar que eu tenho amigos como você e a Gaeul.
Preciso socializar com gente que tenha mais de 10 anos
O que houve?
soso: não queria atrapalhar, Kookie 🙁
Depois falo com você, não tem problema
kookie: eu já ia te chamar, tenho uma coisa para contar
soso: o que???? me fala, agora 'to curiosa 😭
kookie: nossa, hoje que você descobriu o emoji, Sohye?
soso: me conta, Jeon!!!
kookie: adivinha quem vai sair com Park Jimin no próximo sábado???
— Ai que droga, amiga — Gaeul resmungou, sentada ao lado dela, enquanto dividiam uma tangerina e observavam as crianças gritarem e correrem de um lado para o outro.
Depois da notícia de Jungkook, Sohye não teve nem coragem de falar a ele sobre o problema na escola. Não queria que o amigo se sentisse culpado e ela sabia o quanto ele gostava de Jimin. Aquele encontro significava e muito para ele.
Mas não dá para negar que a Kim estava desesperada. Já tinha prometido para Yejin que ia dar um jeito e mesmo sabendo que não tinha mais uma solução, não queria magoar as crianças. Já tinha até tentado convencer Gaeul a levar o teclado dela, mas era claro que as coisinhas agitadas que elas chamavam de alunos não ficariam sentadas ouvindo a menina tocar sonatas.
Tudo o que lhe restou antes de ir falar com a outra professora, foi choramingar no ouvido da amiga. O intervalo delas nem era no mesmo horário, mas ela sempre dava um jeito de fugir da sala para encontrar com Sohye.
— Não posso pedir ao Jin também, não tem como ele deixar a ajudante sozinha na cafeteria em pleno sábado de manhã — Gaeul concordou entendendo — Minha mãe fez de tudo para eu aprender a tocar, mas eu não quis porque meus dedos doíam demais — ela bufou irritada com a Sohye de 11 anos que chorava dizendo que queria ler seus livros ao invés de aprender violão. Aquilo fez Gaeul rir.
— Soso... — Gaeul chamou. Sohye a olhou e arqueou a sobrancelha quando viu a amiga com um sorriso esquisito no rosto — E se você chamar o Taehyung?
— O que? — Sohye perguntou confusa — Não, Gaeul. Não acho que as crianças vão curtir música romântica. Talvez elas até durmam. — Sohye falou rindo e Gaeul revirou os olhos.
— Hobi disse que ele aprendeu aquela música lá que você gosta de um dia para o outro — ela comentou, dando de ombros. Sohye a olhou não se lembrando daquela informação. — Ele disse no último sábado. — Sohye soltou um "ah", se lembrando que ela não tinha participado do último encontro dos amigos. Uma fagulha de tristeza apareceu nela, mas logo ela a apagou — Soso, você tinha que ver. — Sohye a encarou de novo — Tinha um monte de gente lá pedindo para o Taehyung tocar umas músicas, mas assim, dando em cima dele mesmo, depois foram na nossa mesa e tudo. E ele nem tchum. — Gaeul, zero foco, mudou de assunto.
— Gaeul, volta, a festa das crianças — a menina de maria chiquinhas assentiu parando de falar sobre a noite no bar.
— Olha amiga, se ele aprendeu a tocar aquela música lá toda complicada que você gosta, de um dia para o outro, certeza que ele aprende a tocar the tomato song até sábado. — Gaeul deu de ombros, comendo mais um gomo da tangerina. Sohye pareceu pensar.
— Será? — perguntou.
— Que? Claro que sim, Sohye! Duvido que ele vai negar se você pedir. — Gaeul respondeu, sorrindo travessa com aquela ideia.
19h
— Claro que você sentiu saudades, quem não sente falta de Kim Seokjin? — o rapaz fez piada, o telefone na orelha, enquanto abria a geladeira e olhava lá dentro. — Brincadeira... — ele riu e tirou um pote de vidro o colocando na bancada — Senti falta de conversar com você, Nam. — ele parou parecendo ouvir o que o outro falava, um sorrisinho apaixonado tomando conta do rosto — Eu sei que foram 4 anos — Jin sussurrou.
— Papai? — Jin pulou de susto, gritando e deixando um pote cheio de arroz cair no chão. Se virou assustado tentando segurar o celular que por pouco, também não foi ao chão.
— Deus do céu? — ele levou a mão no peito.
— Não. Sou eu, Yuna. — a menininha o encarou — Pai você esqueceu meu nome? Você disse que você quem escolheu.
— Não Yuyu, não esqueci — ele passou a mão no rosto respirando fundo. Ela fez menção de se aproximar — Não, não. Fica aí, não se mexe. Tem vidro, você pode se machucar. — Yuna assentiu, se afastando e subindo em uma das cadeiras. — Tá tudo bem, derrubei um pote aqui. Não se preocupa, ninguém se machucou — ele explicou a Namjoon no telefone, claramente preocupado com o barulho e os gritos — Eu te ligo depois. — desligou.
— Não tem mais comida? — Yuna perguntou, um sorriso já aparecendo no rosto — Que pena, vamos ter que pedir lanche, então né? — perguntou enquanto o pai já limpava o chão.
— Foi só o arroz, dá tempo de fazer mais. — respondeu.
— Aff — ela resmungou, apoiando o rostinho na mão. — Eu preciso conversar com você umas coisas que eu pensei, papai — Jin a olhou.
— O que houve, Yuyu?
— Olha só — ela juntou as mãozinhas ao começar sua explicação pausadamente —, quando dois adultos ficam sorrindo bem bobos toda hora, e ficam se olhando com cara de mais bobos ainda, ah! e falando no telefone todo dia também. Eles já estão namorando? Mesmo sem saber? Tipo "PA" — ela bateu as mãozinhas e gritou —, aconteceu. Ta namorando.
— Que? Quem está fazendo isso? — O coração de Jin bateu forte no peito e ele encarou a bancada nervoso. Se perguntou se estava tão na cara assim.
— Duas pessoas que eu conheço — ela falou fazendo cara feia. Jin a encarou de volta. Como Yuna se lembrava de Namjoon? Ela era tão novinha.
— É que assim Yuyu, às vezes só acontece das pessoas gostarem uma da outra.
— Ah tá — ela pareceu pensar — Não precisa pedir para namorar antes então? Só acontece?
— Yuna por que você está tão interessada nisso? — Jin perguntou, todo desconcertado. — Não é legal tomar conta da vida dos outros.
— Mas não é dos outros, pai. É da tia Sohye. — se justificou.
— Ahhh, entendi. — Jin se virou, interessado, e se sentou do outro lado da mesa onde a filha estava — Me conta o que aconteceu então...
— Pai, mas você não disse que é feio? — ele deu de ombros fazendo uma cara engraçada e ela riu — Tá, eu acho que ela gosta do Taehyung mesmo e ele gosta dela também. Mas a tia Gaeul disse que eles são lerdos. — balançou os ombrinhos.
— Ah, Yuyu. Isso é uma coisa que sua tia tem que resolver, não é certo a gente se meter.
— Mas pai, fui eu quem mostrei ele para a tia Sohye. — Yuna fez bico — Ela nem viu quando ele falou com ela.
— Mesmo assim, Yuyu. É ela quem tem que resolver isso, ok? — ela fez carinha feia e assentiu, entendendo. — Acho que um cachorro-quente cairia bem hoje, não é? — ele perguntou pegando o celular. A menina abriu a boca surpresa e bateu palminhas se esquecendo do assunto. Jin sorriu observando a filha comemorar e a pegou no colo, indo para a sala.
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Oi ♥
Como vocês estão? Se cuidado direitinho? Lavando as mãos? Ficando em casa?
Espero que sim!
Esse capítulo veio com um brindezinho, uma narrativa diferente das que vocês já estão acostumadas a encontrar aqui na Learning. Eu queria muito contar mais um pouquinho da família Jeon aqui, principalmente porque o Kookie é mega importante na vida da Soso. E fora que acho que agora faz todo o sentido do porque ele vive na casa dela, não é? haha
Teve também um pouquinho do Taehyung com os amigos, porque sim, ele está num relacionamento com a Sohye, mas eles também são peças importantes e presentes na vida dele. (Eu ainda estou surtando com a foto dos Sope de hoje, queria registrar kkkk)
Eu amo escrever isso aqui, porque é tão gostosinho ter esse tempinho para rir um pouquinho com essas personagens. Amo todos e eles todos têm um significado por aqui, podem ter certeza!
Cês acham que o Taetae vai aceitar tocar na festinha? Será que essa ideia da Gaeul vai dar certo, mesmo? Logo, loguinho vocês vão descobrir haha
Espero que esse capítulo tenha chegado de um jeitinho bem levinho para vocês.
Fiquem bem e se cuidem, ok?
Beijinhos, Polly ♥
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