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15. you take me to another space in time, you take me to a higher place

"Você me leva para outro espaço no tempo, você me leva para um lugar mais alto"

- Adam Levine (A Higher Place)

n/a: essa música se encaixa muito bem com esse momento da Soso e do Tae. Fora que ela é muito gostosinha de ouvir também, então super recomendo ♥

boa leitura!

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quarta-feira, 16h36min

Faziam alguns minutos desde que Gaeul e Yuna tinham saído do trem e Sohye havia ficado sozinha nele. Ela queria ter tempo de passar em casa e trocar de roupa, mas resolveu não se preocupar muito com aquilo, não seria novidade para ninguém ela chegar em qualquer lugar de all star, calça jeans, camiseta e blusa xadrez. Nas mãos da menina o livro, Eleanor & Park, que seria seu companheiro até a estação em que iria descer. Sem a sobrinha, sem a amiga e sem Taehyung, aquela viagem de metrô pareceu levar uma eternidade.

Quando a mensagem de Jimin chegou, perguntando se ela queria passar na casa deles para ver Taehyung, ela se sentiu em um misto de gratidão pela pergunta do menino e de vergonha, porque não queria ser inconveniente ao ponto de aparecer na casa deles assim. Mas ele insistiu tanto, mas tanto — bem do jeito que Park Jimin conseguia convencer qualquer pessoa a fazer o que ele queria —, que ela não soube como negar. Ele tinha a contado que o amigo ganhou os dias de folga e que apesar de já estar bem melhor que nos dias anteriores, não tinha ido para o trabalho por insistência dele e de Namjoon.

E bem, indo lá ela poderia aproveitar para lhe devolver o casaco também.

Sohye conhecia as ruas daquela parte da cidade melhor que a palma da própria mão, principalmente por ter morado um bom tempo ali por perto, mas talvez nunca tivesse andado tão devagar quanto naquele momento. Uma coisa era ir na casa de Jimin e Taehyung com os amigos, outra coisa totalmente diferente era voltar até lá, sozinha. Ela ajeitou a jaqueta jeans por cima das duas blusas que usava e que pareciam não esquentar em nada.

Se sentia sem jeito toda vez que pensava na cena na estação de metrô. Ela e Taehyung não tinha conversado muito desde aquele dia, tirando as mensagens de um avisando ao outro que tinham chegado em casa e os minutos que passaram juntos ao se encontrarem no metrô. Ela ficou com medo de estar se iludindo e aquele beijo de sábado a noite não tivesse passado de um mero beijo para ele. Talvez até devesse ser aquilo para ela também, mas lá estava Sohye sorrindo boba toda vez que lembrava dele. E pensando no Kim daquele jeito, ela se lembrou do irmão a zoando com a própria fala de que ela não queria estar em um relacionamento amoroso tão cedo.

Se não queria, o que eram aqueles pensamentos então, Kim Sohye?


Quando ela passou pela porta de vidro, cumprimentou o porteiro que rapidamente a identificou como a amiga do menino Taehyung e a deixou subir. Ao entrar no elevador, Sohye cumprimentou em silêncio, inclinando a cabeça, uma outra mulher que já estava lá e ela lhe sorriu educada a cumprimentando de volta.

Coincidência ou não, a garota loira e de sobretudo rosa clarinho também estava indo para o sétimo andar e ela compartilhou um risinho sem graça com Sohye, quando as duas se esbarraram ao tentarem sair do elevador ao mesmo momento. Ela deixou a Kim passar na frente, Sohye agradeceu e seguiu até a porta com o 704, tocando a campainha depois.

Ela sentiu o olhar ainda parado sobre si, e quando olhou em sua direção, a moça disfarçou e ultrapassou uma das portas dos apartamentos vizinhos. Sohye sentiu vergonha sem nem saber o porquê e se Jimin não tivesse aberto a porta naquele momento, talvez ela desistisse e voltasse para o elevador.

E a Kim nunca ficou tão feliz ao ver Park Jimin! Não só pela outra mulher ter parado de a encarar, mas também porque pelo menos não seria tão constrangedor ela aparecer na casa deles em plena quarta-feira a noite e só Taehyung estar lá.

— Oi Soso — o garoto disse animado e a abraçou. Ela até estranharia ser chamada pelo apelido e pelo contato físico repentino se fosse por outra pessoa que não os amigos ou alguém da família, mas Jimin tinha todo aquele jeitinho de parecer ser seu melhor amigo desde sempre — Fica a vontade, vou avisar o Taehyung que você está aqui. — ele falou enquanto a guiava para dentro do apartamento. Sohye tirou os sapatos com os pés mesmo e depois de entrar, não se deu ao trabalho de se sentar no sofá, como foi indicado por Jimin, já que não estava planejando ficar por muito tempo. Ela o observou bater na porta e abrir depois — Taetae? 'Tá pelado? — ele perguntou entrando no outro cômodo e deixando uma Sohye completamente envergonhada e parada igual a um poste no meio da sala. Ela deu até um passinho para o lado para não correr o risco de ver nada pela brecha da porta. — Se veste aí cara, a Sohye 'tá aqui — ela ouviu um "O que?" ser gritado dentro do quarto.

A garganta parecia melhor que antes, pelo menos.

Sohye deve ter ficado uns 2 minutos ali esperando até a porta ser aberta novamente e Jimin aparecer sorrindo sem mostrar os dentes. Aquele típico sorriso que amigos dão de "eu sou um gênio e um dia vocês vão me agradecer por isso".

Ah, o cupido Park Jimin tinha atacado novamente!

— Você não avisou que eu vinha aqui? — ela perguntou com vergonha e Jimin sacudiu as mãos como quem dizia que não tinha problema.

— Nah, que isso, não precisava! O Taetae é tranquilo com essas coisas — ele foi até Sohye e a contornou segurando a menina pelos ombros e a guiando até o quarto. Assim que eles ultrapassaram a porta foi o tempo dela notar o Kim jogar alguma coisa verde no chão do outro lado da cama. Ele se virou e sorriu forçado para Sohye.

— Oi — Taehyung falou, vestido de moletom e com o cabelo meio espalhado.

— Ei, porque você fez isso com o Michelangelo? — Jimin perguntou chateado, soltou os ombros da menina e correu até o outro lado da cama resgatando o bichinho de pelúcia do chão. Sohye teve a impressão de ver Taehyung ficar vermelho. — Se não quiser mais eu pego de volta, seu sem coração — ele abraçou a tartaruga encarando o amigo.

Taehyung a puxou da mão de Jimin que sorriu achando graça da situação. O loiro tinha todo um prazer estranho em fazer o melhor amigo passar vergonha e na frente da menina que ele gostava, deixava tudo mais divertido ainda.

— Jimin... — Taehyung resmungou — ...tchau. — falou entredentes. Jimin sorriu o mesmo sorriso de mais cedo, e Sohye o acompanhou discretamente, com plena noção de que aquilo tinha sido tudo um plano do Park.

— 'To indo, 'to indo. Precisar é só me chamar — ele falou fazendo um certo drama movimentando os braços e saindo do quarto mantendo o sorriso engraçado no rosto.

— Não sabia que vinha — Taehyung falou sem graça depois que o amigo encostou a porta os deixando sozinhos. Coçou a nuca sem saber o que fazer e jogou a tartaruga de pelúcia sobre a cama. O garoto até poderia ter tramado aquilo, mas pelo menos Jimin tinha se preocupado em o convencer a levantar e tomar um banho, então ele não era um melhor amigo tão péssimo assim.

Eles se encararam por um tempinho, nenhum dos dois sabia muito bem como estava a situação entre eles depois daquele momento de sábado.

— Desculpa, achei que o Jimin tivesse avisado. Ele me pediu tanto para passar aqui que achei que você soubesse. — Sohye se justificou sem graça. Era mesmo verdade que aquilo tinha sido ideia de Jimin, mas Taehyung já conhecia o amigo o suficiente para saber daquilo no momento que ele anunciou a chegada da garota.

— Ah, eu sei que isso foi ideia dele, relaxa  — Taehyung falou na tentativa de deixar Sohye um pouquinho mais confortável, ela assentiu em silêncio.

— Como você está? — ela perguntou, afinal, era para aquilo que ela tinha ido lá, não é?

— 'To bem — respondeu. E como se fosse uma piada, se virou para o lado sendo surpreendido por um espirro atrapalhado —, eu juro que 'to melhor — falou se virando novamente para ela, sorrindo sem graça o que fez Sohye rir. Ele realmente estava melhor se fosse comparar aos outros dias, mas talvez não cem por cento ainda.

— Senta aí — ele indicou um dos puffs no canto, tentando ser receptivo, mas estava um pouco envergonhado de Jimin ter levado Sohye no cubículo que ele entendia como quarto. Sem contar que ele não tinha ficado sozinho com ela assim antes — Você quer beber ou comer alguma coisa?

— Não precisa, Tae — Sohye lhe respondeu e ele não conseguiu disfarçar o sorriso bobo que apareceu no rosto ao ouvir ela o chamar daquele jeito —, não vou demorar.

— Não vai? — ele disse, visivelmente decepcionado — Eu ia pedir alguma coisa para jantar, não quer ficar mais um pouquinho? — perguntou. No começo ele até tentou disfarçar, mas depois deixou para lá, porque estava mais do que na cara que ele queria que Sohye ficasse mais tempo. Ele fitou a menina esperando uma resposta. — Você gosta de yakisoba vegetariano? — insistiu meio atrapalhado, sem conseguir pensar em nada melhor. Aquilo fez Sohye rir e concordar. — Eu só vou perguntar ao Jiminie se ele quer também, ok? — o garoto pegou o celular em cima da cama e saiu correndo porta afora, provavelmente indo até o quarto do amigo.


Sohye tirou a mochila e a encostou em um dos cantos junto com as outras bolsas que carregava. Observou o quarto de Taehyung e sorriu sozinha vendo o quanto aquele ambiente dizia tanto sobre ele. O violão no canto próximo à janela, as fotografias coladas com durex vermelho na parede da escrivaninha, a vitrola também vermelha e antiga com a coleção de discos de vinil ao lado.

Ela se aproximou daquele cantinho e achou encantador como tudo ali tinha a cara do Kim. Tudo no quarto estava completamente arrumadinho e parecia estar no seu devido lugar. Sohye teve vergonha do quarto dela, o sobrevivente do vendaval. Ela se viu tímida só de imaginar Taehyung entrando nele e o encontrando daquele jeito.

Ela observou as fotografias na parede e ficou surpresa. Enquanto nas redes sociais do menino só haviam fotos de construções, ali a maioria eram de pessoas. Tinham algumas que ela não fazia ideia de quem eram, mas pelos uniformes julgou serem amigos da época de escola. Nas outras ela reconheceu Jimin, Namjoon, os Sope e Taehyung. Todos em uma versão um pouco mais jovem que a atual e de cabelos coloridos.

Ela viu mais algumas fotos de vários gatinhos e cachorrinhos e se perguntou se eram do abrigo. Uma foto da senhora Mina, surpresa e sorrindo animada porque alguém segurava um bolo com velas sparkles nele. Outra do próprio Taehyung sorrindo seu sorriso quadrado e de olhinhos fechados abraçado na pelúcia de tartaruga que ele tinha acabado de colocar na cama.

A duas últimas fotos era a primeira com dois idosos segurando um bebezinho bem embrulhado em uma manta verde e a segunda de um casal, o homem com um garotinho no coloco e ele abraçava os dois adultos juntando as bochechas dos três. Na primeira ela desconfiava que o embrulhinho verde era Taehyung bebê e a segunda ela teve certeza absoluta de que era ele e seus pais, porque não tinha como negar que ele era uma mistura perfeita dos dois.

— São meus avós e meus pais — ele confirmou e ela se virou para o olhar encostado no batente da porta a encarando com um sorriso bonito no rosto —, já fiz o pedido, é aqui perto, não deve demorar. — Sohye assentiu, sem ver problema nenhum. Taehyung se aproximou dela e abriu a vitrola, tirando a tampinha vermelha que se tornava a caixa de som — Quer fazer as honras? — apontou para a coleção de discos. Sohye sorriu e concordou antes de vascular em busca de algo em que ela conhecia. Ela abriu a boca surpresa ao encontrar Beatles for Sale.

— Meu Deus do céu? — Sohye disse sem acreditar — Eu amo tanto esse disco! — falou e Taehyung achou graça da carinha que ela fez encarando o LP em suas mãos. A menina lhe entregou e ele tirou da capa colocando depois na vitrola. Empurrou de leve o braço para o lado direito, "ligando" o aparelho, e depois de encostar a agulha com cuidado no disco, esperou No Reply começar. Sohye continuou encarando o objeto girar como se fosse algo mágico e Taehyung, continuou com um sorriso completamente idiota no rosto, a observando como se a mágica estivesse nela. Ela o encarou ainda sorrindo. — O que foi?

— Eu quero te beijar, mas eu 'to cheio de vírus. — disse sem conseguir parar de sorrir ou pensar em alguma outra coisa melhor para dizer. Sohye gargalhou sem saber o que falar, mas se encantando mais um pouquinho pelo jeitinho dele. Taehyung, que em outro momento estaria se culpando de ter falado mais uma abobrinha, apenas sorriu vendo que a menina tinha achado graça da bobeira dele.

— Como conseguiu essa raridade? — Sohye o questionou, se referindo a vitrola. Na infância ela até teve uma em casa, mas a de Taehyung parecia ter mais tempo de vida do que a que seus pais costumavam usar para ouvir seus LPs nas tardes de domingo.

— Meu avô me deu assim que eu passei para a faculdade e precisei me mudar. Ele disse que sempre que eu sentisse saudades de casa, era só colocar algum disco para tocar porque a música aproxima as pessoas independente de onde elas estão. — Sohye sentiu um calorzinho dentro do peito com aquela frase e se antes ela desconfiava, agora tinha certeza que a relação de Taehyung com música vinha de seu avô — Inclusive, foi essa vitrola que fez sua avó falar comigo depois que entrei na cafeteria — ele sorriu, se lembrando de quando chegou em Incheon com uma mochila nas costas, sem bateria no celular, e com a caixa vermelha nas mãos. Sohye o encarou, a sobrancelha arqueada, curiosa para saber mais sobre aquilo — Ela disse que parecia a que seu avô comprou quando foi a pedir em casamento — Taehyung explicou —, disse que só aceitou na época por causa da vitrola, porque ela não queria casar de jeito nenhum — o menino completou e Sohye levou a mão na frente da boca, rindo envergonhada.

— Meu Deus, isso é a cara dela — riu tentando imaginar a cena do avô chegando com a vitrola embaixo do braço e a Sra. Go, que era uma jovenzinha bem rebelde para época e que dava bastante dor de cabeça aos mais velhos, pensando se deveria ou não se levar pelo interesse de sair da aba dos pais —, eu não conhecia essa história, mas lembro deles dois abraçados dançando músicas que tocavam nessa tal vitrola. — Taehyung ficou surpreso, pensando se não tinha falado demais.

— Ops, acho que eu não devia ter contado então — ele coçou a nuca sem graça, já que aquilo deveria ser uma história de família, Sohye negou com a cabeça.

— Vamos dizer que estamos quites. Se formos pensar na quantidade de coisa que ela já falou de mim para você, isso não foi nada — a menina argumentou tentando o tranquilizar, voltando depois a olhar o disco girar. Taehyung assentiu, porque aquilo era mesmo verdade. Ele sabia muitas coisas sobre ela e antes até de a conhecer pessoalmente.

O garoto observou a Kim parecendo concentrada na música, já que sussurrava a letra junto com os Beatles. Ele já tinha entendido que o quarteto de Liverpool tinha um grande significado dentro daquela família e se sentiu um pouquinho especial por Sohye estar compartilhando aquilo com ele.

— Ah! — a menina falou do nada o surpreendendo. Ela foi até perto de suas bolsas e segurou uma sacola amarela de papel, lhe entregando — Seu casaco. Eu ia lhe entregar no metrô antes e me esqueci. — ele assentiu, aceitando o pacote. A vontade de querer dizer que ela poderia ficar com a peça de roupa era grande, mas o garoto se sentiu envergonhado de pensar em fazer aquilo. Poderia soar estranho demais.

Ele depositou a sacola sobre a escrivaninha e tirou os óculos os colocando ao lado dela, sorrindo depois de ouvir as notas de guitarra invadirem o ambiente.

Rock And Roll Music começou a tocar e Sohye sorriu sozinha voltando a olhar a vitrola. Aquela música a lembrava perfeitamente das tardes, dela tendo a idade de Yuna, em que girava ao som das guitarras, baixos e baterias pela sala de estar enquanto fazia par com o pai e Haydée e Jin acompanhavam a música, cada um com seu violão. Aquela era uma das lembranças que tinha da família que fazia questão de não esquecer.

It's gotta be rock roll music, if you wanna dance with me, if you wanna dance with me — Taehyung cantou baixinho junto com a música, balançando a cabeça para os lados, no clássico jeitinho do quarteto. Ele deu um passo para o lado de um jeito um pouco exagerado e esticou a mão para a menina — Me concede essa dança, senhorita Kim? — Sohye riu com a dramatização inesperada do garoto, com direito a se inclinar e tudo.

— Eu não sei dançar, senhor Kim — ela respondeu, ainda rindo de toda a cena que Taehyung estava criando.

— Todo mundo sabe dançar, senhorita — ele a olhou, arqueando a sobrancelha de forma instigante, ainda inclinado. Aquele olhar típico de galã de filme de época que fazia qualquer jovenzinho que gostava de romance, ter o coração batendo acelerado. Sohye era a primeira rir quando sua avó suspirava vendo os vídeos antigos de Bruce Springsteen, mas ali estava ela, quase se derretendo toda por Kim Taehyung fazendo a mesma cara. Ela segurou na mão dele e Taehyung a puxou um pouquinho para perto, rodopiando junto com ela bem no estilo em que as pessoas dançavam nos anos 60 —, e eu duvido que com o histórico beatlemaníaco da sua família, você nunca tenha dançado Beatles antes. — Sohye gargalhou e concordou, desistindo de negar. Taehyung a girou novamente e depois a puxou para perto a inclinando sobre sua perna. Era óbvio que Sra. Go já tinha também o informado que quem tinha viciado toda a família em rock tinha sido ela. Taehyung se separou de Sohye e fechou a mão dela a colocando na frente da boca da menina, como se fosse um microfone. Ele fez o mesmo com a dele. — I took my loved one over 'cross the tracks — ele cantou e fez uma dancinha engraçada, apontando para Sohye fazer o mesmo.

So she can hear my man awail a sax — ela completou, totalmente envergonhada, mas sem querer deixar ele no vácuo.

Taehyung não era real, não era possível!

I must admit they had a rockin' band — ele cantou — Man, they were blowin' like a hurrican'! — ele a puxou para perto de novo e Sohye não conseguia parar de rir achando aquela cena a coisa mais aleatória que poderia acontecer com ela. Mas aquele era Taehyung: nunca dava para saber o que ele iria fazer. — Meu Deus, acho que não sei mais respirar. — ele reclamou, levando a mão no peito, com um pouquinho de falta de ar. Sohye o abraçou pela cintura, encostando o rosto no peitoral dele.

— Dança paradinho — a menina falou sem pensar muito bem, talvez pela falta de oxigênio no cérebro depois do esforço, e ele riu a perguntando como se dançava paradinho. Ela afundou mais o rosto no peito dele enquanto ria de si mesma e ele a abraçou de volta.

I'll Follow the Sun começou a tocar e eles apenas balançaram, ainda abraçados, de um lado para o outro enquanto sussurravam juntos a música. Sohye ainda tinha o rosto encostado em Taehyung, aproveitando para sentir o cheirinho de amêndoas que ele tinha, junto com o calor que havia no abraço dele. Ela entendeu aquela como a temperatura normal dele e não febre.


Era estranho para a garota que sempre era tão independente de qualquer contato humano, querer tanto ficar nos braços de outra pessoa. Sohye sempre dizia que aquilo não lhe fazia falta nenhuma, mas estranhamente, ali nos braços do Kim, ela não queria que ele se afastasse dela tão cedo.

Mr. Moonlight e Kansas City / Hey-Hey-Hey-Hey começaram e terminaram, e nem Sohye nem Taehyung se soltaram um do outro. Se dependesse deles, ficariam ali a noite inteira ou até o disco acabar, mas o celular do garoto tocou avisando que o entregador já estava esperando na portaria do prédio. Ela fez um pouquinho de careta ao ter que se afastar dele e Taehyung sorriu discreto porque percebeu aquilo.

Foi ali que Sohye teve a primeira amostra do quanto Taehyung poderia ser teimoso. E ele por sua vez, descobriu que ela era ainda mais do que ele. E ele aprendeu também que a teimosia dela aliada com o olhar de professora, só piorava, então acabou sendo a menina quem desceu para pegar a comida.

A mini discussão dos dois podia ser explicada em, ele argumentando que não seria educado ele não ir porque ela era visita e ela retrucando de que ele ainda não estava cem por cento da gripe e que lá embaixo deveria estar bem frio devido a hora.

A menina entrou no elevador sob o olhar indignado de Taehyung na porta de seu apartamento. Sohye riu com a expressão de drama que ele fez quando ela olhou em sua direção e sacudiu as mãos como quem dizia para ele entrar e esperar por ela dentro de casa.

Assim que as portas se fecharam, a menina encostou em uma das paredes frias do elevador e suspirou alto encarando a própria cara de boba pelo espelho. Em que realidade paralela ela iria imaginar que estaria no meio da semana na casa daquele garoto, descendo em um elevador porque eles iriam dividir uma porção de yakisoba? Tudo isso depois de rodopiar com ele pelo quarto ao som de Beatles?

Se alguém lhe contasse aquilo há alguns anos, ela riria e diria que a pessoa estava completamente louca.

Mas agora ela só conseguia pensar que quem estava louca era ela.


— Tem certeza que o Jimin não quer jantar com a gente? — Sohye perguntou a Taehyung mais uma vez, enquanto ele se sentava do outro lado da mesinha da sala. Ele assentiu, separando os hashis descartáveis. — Kim? — ele a olhou esperando ela continuar, mas Sohye só arqueou uma das sobrancelhas.

— Jimin-ah! — gritou sem desviar o olhar da garota, mas levou a mão na garganta depois se arrependendo. Eles ouviram um "Já jantei!" vindo do quarto do loiro. — Viu? — ele apontou para a porta com os palitinhos. — Como foi seu dia hoje?

— Ah, a mesma coisa de sempre. Nada de novo. — Sohye separou os palitinhos em suas mãos e pegou seu potinho, mexendo no macarrão.

— Com certeza foi mais agitado que o meu que fiquei o dia todo deitado assistindo desenho. — Taehyung bebeu do suco, fazendo um pouquinho de careta ao engolir.

— Ainda Ursos sem curso?

— Uhum. Terceira temporada, episódio 26. — rasgou o pacotinho de shoyu jogando mais na sua porção de yakisoba. Sohye sorriu o achando engraçadinho.

Depois de Taehyung deixar claro que o beijo não tinha sido importante só para ela, lhe doía um pouquinho pensar que sairia dali sem poder fazer aquilo de novo. Seria muito bonito realmente se, depois daquela chuva toda que pegaram, nenhum dos dois tivesse ficado doente, mas aquilo era vida real e a prova era a careta de dor que o Kim fazia toda vez que engolia a comida.

Mas como ninguém é de ferro e é legal sim ter uma visão um pouquinho mais romântica da situação, Sohye preferiu imaginar que o cupido tinha lhes pregado mais uma peça para que eles dessem valor para quando pudessem se beijar novamente.

Ela suspirou e Taehyung a fitou de volta, mas sem perguntar nada daquela vez. Ele já estava até se acostumando com a menina suspirando assim, do nada.

— Daqui a pouco você já vai estar igual a Yuna, falando junto com eles — ela comentou tentando disfarçar e ele sorriu fofo. — Ok, deixa eu ver o que eu fiz hoje... — ela parou para pensar por um tempo — Ajudei o Jin na cafeteria e fui para o estágio depois, hoje as crianças aprenderam como era roxo em inglês e inventaram uma frase nova com isso. Ouvi música e agora estou jantando com um garoto que faz careta sempre que engole a comida, mas nem por isso para de enfiar macarrão boca a dentro. — ela falou a última parte de forma mais rápida e ele levantou o olhar da embalagem individual que segurava e a olhou, sorriu sem jeito depois.

— Eu 'to comendo papinha de legumes tem 3 dias, eu não aguento mais, Sohye — Taehyung reclamou, comendo mais um pouco.

— Você 'ta melhor mesmo, Tae? — ela perguntou, ainda meio que se sentindo culpada por ele estar naquela situação. Ele assentiu.

— Só dói um pouquinho quando eu falo muito e o problema é só que eu não consigo parar de falar. — explicou — O farmacêutico disse ao Jiminie que até sábado eu já vou estar cem por cento. — disse fazendo "ok" com uma das mãos. — Você não tem culpa de eu não ter a imunidade esperada para alguém que foi criado brincando no meio da terra. — ele falou brincalhão o que arrancou um risinho de Sohye — Obrigado por se preocupar. — falou encarando a menina que lhe presenteou um sorriso.




segunda-feira, 10h

Sohye pegou o celular sobre a mesa checando a hora mais uma vez e respirou fundo. Tinha marcado às 9 horas com o grupo da faculdade para resolver alguns pontos do seminário, e até então, ninguém havia chegado ainda. Myung até tinha a informado que estava a caminho, mas que iria se atrasar porque estava em um engarrafamento.

Suspirou mais uma vez abrindo o grupo no celular para ver se os outros dois rapazes haviam se manifestado, mas nada. Ela estava começando a se perguntar se Gaeul tinha razão e se aqueles dois tinham sido colocados no mesmo grupo que ela de propósito pela professora Song, mas antes que começasse a ficar com raiva ouviu a porta da cafeteria ser aberta e olhou na direção para ver se era a colega de grupo.

Não era a garota, mas a surpresa foi boa.

— Fugiu do trabalho, foi? — Sohye perguntou com um sorriso no rosto.

— O problema de ser o funcionário novo é que eles sempre colocam você para comprar as coisas, principalmente café — Taehyung respondeu parando ao lado seu lado.

— Hm, e lá no museu não tem lanchonete não, é? — Sohye perguntou novamente, com a sobrancelha arqueada.

— É que os preços de vocês são bem melhores — ele respondeu dando de ombros.

— Ah, claro — Sohye respondeu de volta, tentando manter o ar divertido, mas pelo jeito não deu muito certo porque o Kim percebeu.

— Ei, que carinha é essa? — perguntou agachando ao lado dela. Sohye encostou o cotovelo na mesa e apoiou a cabeça na mão, olhando para o garoto.

— Era para eu estar em uma reunião, mas ninguém apareceu até agora. E eu meio que não tenho muito o que fazer porque minha parte do trabalho já está pronta. — ela suspirou cansada. Tinha passado boa parte do final de semana resolvendo aquilo porque não queria prejudicar as outras pessoas, mas tirando Kang Myung e ela, o resto do grupo não tinha feito nada.

— Do seminário? — Taehyung perguntou e a menina assentiu — Uau, que mulher — ele brincou e Sohye lhe deu um tapinha no braço envergonhada.

— Vem, vou te atender porque meu irmão está na cozinha — ela se levantou o que fez o garoto a imitar e caminhar com ela até o caixa. Taehyung pediu os cafés gelados e esperou a menina os preparar, achando fofo até o jeitinho que ela colocou a tampa nos copinhos. Depois que ela os entregou, ele pagou e continuou parado a encarando.

— O que foi? — Sohye perguntou sorrindo.

— Será que você corre o risco de ser demitida pelo seu irmão, se eu pedir um beijo seu? É que eu estou em um total de quase 9 dias sem te beijar, isso é quase um crime, sabia? — ele perguntou exagerado fazendo a menina se esquecer completamente da preocupação que estava e rir.

— Você disse que veio aqui porque nossos preços eram melhores, não porque queria me ver e muito menos que queria me beijar — Sohye disse, um sorriso brincalhão no rosto.

— O que eu quis dizer era que lá eu não ganharia um brinde desses, entende? — Taehyung falou entrando na brincadeira o que fez Sohye fingir cara de assustada.

— Ah, é? Me beijar é brinde da cafeteria agora, Kim? — ela arqueou a sobrancelha — Será que eu devo colocar isso como promoção no cardápio? Será que mais alguém estaria interessado? — ela encostou o indicador na bochecha, olhando para cima. Taehyung arregalou os olhos, claramente perdendo na sessão de drama que ele mesmo começou.

— Que? Não, não foi isso que eu dizer. — respondeu atrapalhado, Sohye continuou o encarando com cara de quem gargalharia a qualquer momento — Se eles te contratarem eu posso comprar lá também... e eu espero que seu irmão entenda. — gaguejou.

— Ah sim, entendi. E aí eu faço a promoção lá na concorrência? — ela continuou.

— Meu Deus, Sohye.

— Hm? — ela perguntou, já sem conseguir prender o riso. Sohye olhou para porta que dava para a cozinha, como quem tentava ver se Jin estava por ali.

— Eu 'to melhor da gripe, eu juro — Taehyung falou, sem mais nenhum argumento e Sohye riu da carinha que ele fez. Ela se inclinou sobre a bancada e o puxou para perto.

— Eu sei que tá — ela sorriu o segurando pelo pescoço, encostando os lábios nos dele, enquanto lhe fazia carinho na nuca — Se eu perder um dos meus empregos a culpa é sua.

— E se eu perder o meu, a culpa é sua que demorou um tempão para me dar um só esse beijinho de um segundo — ele retrucou — Não, pior ainda, se eu for demitido vou ter que voltar para Daegu para plantar tomate e aí nem beijinho da tia Sohye tem mais. — ele completou o drama fazendo a menina rir.

Taehyung estava passando muito tempo com a Sra. Go, não podia negar.

— Eu já te atendi, você que está enrolando aqui, Kim — Sohye respondeu, lhe dando um último selinho antes dele assentir e correr porta a fora da cafeteria. A menina riu quando viu o suporte com o pedido do garoto em cima da bancada. Logo ele voltou para dentro da cafeteria atrás dos cafés.

— Eu sempre esqueço alguma coisa — Taehyung brincou pegando o pedido com os 4 copinhos e Sohye entendeu a referência sobre o primeiro beijo deles, achando aquilo fofo. Ela o levou até a porta. — É só um trabalho, ok? Não se estressa tanto — o garoto a segurou delicadamente pelo queixo e ela assentiu, ganhando mais um beijinho rápido depois.

— Bom trabalho — ela o disse, lhe entregando um de seus famosos sorrisos.

— Depois desse brinde, com certeza o dia vai ser ótimo. — Sohye riu observando o garoto lhe dar tchau e atravessar a rua depois.

20h59min

Enquanto Sohye corrigia os trabalhinhos das crianças, e colava adesivos de rostinhos felizes em cada uma das folhas com as letrinhas tracejadas, ela tinha o celular apoiado sobre a mesa e ouvia Taehyung falar sobre como tinha sido a noite de sábado, já que ela não tinha conseguido ir, fazendo o tal trabalho da faculdade.

Sohye não ligava muito para sair, e já até tinha desistido de dar desculpas para Jungkook e Gaeul, então quando os dois a chamaram naquele final de semana para ver Taehyung cantar e ela negou porque precisava fazer coisas da faculdade, os amigos não insistiram por já saber que aquilo era uma cena comum. Mas agora parando para pensar que ninguém do grupo tinha movido um dedo naquele final de semana e não perderam o tempo de descanso para se estressar com aquilo, ela percebeu que tinha perdido um momento legal com os amigos e se sentiu triste.

A própria Sohye tinha insistido muito para que ele contasse como foi então Taehyung o fez, tomando bastante cuidado para não a deixar mal. E mesmo com todos os esforços dele, Sohye acabou se sentindo meio boba por ter tomado aquela decisão, porque não teria como voltar atrás e já tinha perdido as conversas animadas, as comidinhas gostosas e assistir o Kim a tocar violão e agraciar seus ouvidos com aquela voz bonita dele.

Ela se assustou com a porta do quarto sendo escancarada batendo na parede contrária.

— Tia Sohye, socorro. — Yuna apareceu na porta do quarto respirando com dificuldade, depois se aproximando da mulher. A tia a olhou preocupada largando tudo o que estava fazendo para checar se estava tudo bem com ela — Tia, você precisa ajudar o papai.

— O que houve, Yuna? — perguntou a menininha, e até o garoto na telinha do celular pareceu se assustar as encarando.

— Tem uma barata do tamanho de um rato lá embaixo. — Yuna falou, abrindo os bracinhos e arregalando os olhos.

— Garota, você quer me infartar? — Sohye arfou passando a mão na frente do rosto, tentando normalizar a própria respiração. Taehyung do outro lado câmera também sentiu uma dose de tranquilidade voltar ao corpo.

— Tia, mas é muito grande. O papai não para de correr lá e não pega ela.

— Ele não pega porque tem medo, Yuna. Ele está correndo da barata, e não atrás da barata. — Sohye falou, voltando a destacar os adesivos e colando um na bochecha da menina.

— É pode ser, mas ela é grande mesmo. Tia por favor, tira ela de lá — a menininha bateu pé nervosa — Tia se você me ama, ajuda ele a tirar aquela barata de lá. — Sohye olhou a sobrinha e se perguntou como cabia tanto exagero naquela criaturinha.

— Tae, eu já volto, ok? — Sohye se levantou e saiu do quarto, indo socorrer o irmão do inseto mutante. Yuna aproximou o rostinho da câmera olhando a figurinha na bochecha e sorriu fazendo o garoto sorrir junto com ela. Com um pouquinho de dificuldade, sentou-se no lugar antes ocupado pela tia.

— Oi Taetae — ela deu tchau para ele o olhando pelo celular de Sohye — Posso te chamar de Taetae? O tio Jimin disse que eu podia usar o apelido que ele te deu. — Taehyung riu do outro lado e assentiu. — Tá bom, então você pode me chamar de Yuyu também.

— Ok, Yuyu — o menino disse e sorriu.

— Taetae, já que a gente agora é amigo meeesmo, eu posso te perguntar um segredo? — a menininha perguntou e o garoto riu achando engraçadinho o jeitinho dela falar.

— Mas se é um segredo, eu acho que não posso te contar, não é? — ele arqueou a sobrancelha brincando.

— Pode sim, eu sei guardar segredos. — Yuna respondeu de volta, convicta.

— Tá bom, Yuyu, pode falar — ele concordou preferindo embarcar na ideia e ela sorriu.

— Tá — ela deu um risinho com a mãozinha na frente da boca e se aproximou do celular no móvel. Se fosse qualquer outra pessoa que conhecia ela a mais tempo, já saberia que vinha bomba depois daquilo — Você e a tia Sohye são namoradinhos? — ela perguntou falando baixinho. Pela telinha, dava para ver o quão surpreso o menino ficou com aquela pergunta enquanto empurrava o óculos para perto dos olhos. Mesmo querendo falar que sim, negou e disse a menina que não, eles não estavam namorando — Por que não? — ela perguntou sem entender, apoiando o cotovelo na mesa e a mãozinha no rosto.

— Porque é meio complicado, Yuyu — ele disse coçando a nuca e a menina revirou os olhos cansada de ouvir que era complicado. Parecia que todos os adultos só sabiam falar isso! Complicado era as continhas de matemática que ela estava aprendendo na escolinha, isso sim.

Taehyung, que nunca tinha explicado nada do tipo a uma criança e estava morrendo de medo de falar alguma besteira. Ele se perguntou se Sohye iria demorar muito a voltar e se conseguia mudar aquele assunto a tempo porque ficaria muito sem graça de falar sobre aquilo pelo celular e com Yuna ao lado.

— Se você pedir ela vai aceitar, pronto — Yuna continuou e Taehyung sentiu o rosto ficar vermelho de vergonha. Sério que ele estava conversando sobre aquilo com Kim Yuna? — Ai, tá bom, vocês deixam tudo difícil, eu hein. — ela reclamou quando não teve resposta nenhuma — Mas já que você me contou um segredo eu vou te contar um também, deixa só eu pensar... — a menininha colocou o dedinho na bochecha e pegando impulso na mesa, girou a cadeira de Sohye olhando pelo quarto. Parou olhando o guarda-roupas. — Ah, eu já sei! — vibrou alto. Quando Yuna desceu da cadeira em um pulo pegando o celular depois, Taehyung não soube muito o que falar.

— Yuna, o que você está fazendo? — ele perguntou confuso.

— Tem um segredo no guarda-roupas da tia Sohye, mas acho que não é muito segredo porque a tia Gaeul sempre vê também. — Taehyung arregalou os olhos. Seja lá o que fosse que elas olhavam dentro daquele guarda-roupas, seria totalmente invasivo ele ver o que tinha lá, sem o consentimento de Sohye.

— Yuna, se é um segredo da sua tia, eu não acho certo você me mostrar — ele falou nervoso, sem saber como controlar a menina, ela o olhou sem entender, já na frente do móvel.

— Mas o papai sabe e a bisa também... — ela falou o encarando sem entender. Mas Taehyung não pareceu nem ouvir aquilo de tão nervoso que estava. 

— Yuna, deixa isso para lá, vai? — o menino repetiu, quase implorando, já com o dedo no botão de finalizar a chamada. Seria uma medida drástica, mas ele realmente não queria arriscar.

— Você não quer que eu conte um segredo também? — ela perguntou o olhando, a carinha confusa. Um beicinho começou a aparecer e os olhinhos acumularem lágrimas. Ele tirou o dedo do botão rapidamente ao ver que ela iria chorar. Taehyung ficou desesperado!

— Ei, ei, não precisa chorar. — ele falou do outro lado da tela a olhando nervoso tentando sorrir.

— O que você está fazendo com meu celular na mão, Yuna? — Sohye apareceu no quarto de novo. Magicamente a carinha de choro do mesmo jeito que apareceu, sumiu, e ela sorriu para a tia.

— Eu ia contar um segredo para o Taehyung. — respondeu.

— Que segredo? — Sohye perguntou de volta.

— É segredo né, Tia Sohye. — ela sorriu sapeca.

— Hm, ok. — falou desconfiada, pedindo o celular e a garota a lhe entregou sem demora, lembrando da conversa que tiveram sobre isso — Já tirei a barata, vai lá consolar seu pai. Ele 'tá precisando do seu carinho — ela assentiu uma vez, e depois de dar tchau para Taehyung e dar um beijinho na bochecha de Sohye, saiu correndo quarto a fora. — Desculpa, meu irmão tem entomofobia. — Taehyung assentiu, demonstrando que entendia, mas com o olhar assustado e o rosto ainda com indícios da vergonha, meio avermelhado. — Tae, o que ela falou para você? — Sohye o questionou enquanto voltava a se sentar na cadeira e colocava o celular na escrivaninha. Sohye conhecia muito bem a peça que tinha em casa. — Que segredo foi esse que fez você ficar com essa cara? — ela perguntou meio preocupada, se lembrando da vergonha que Yuna e Daeho fizeram Jungkook passar ao lado de Jimin. O observou empurrar os óculos para perto dos olhos mais uma vez, gaguejando um pouco para falar.

— Ela não me contou nada não. Mas era alguma coisa no guarda-roupas, não sei. — ele justificou, porque não achou que seria certo mentir. O coração batia tão forte que ele praticamente o sentia no ouvido.

— Guarda-roupas? — Sohye perguntou se virando para o móvel tentando entender o que poderia ter ali que Yuna iria querer mostrar para Taehyung. Ela piscou algumas vezes tentando pensar em alguma coisa diferente ou interessante, porque ali dentro só tinha calça jeans e camisetas de bandas.

Ai meu Deus, os pôsteres!

Ela se virou rápido para o celular, meio atrapalhada e rindo nervosa: — Você viu alguma coisa? — ajeitou a franja na testa tentando disfarçar.

— Não! — Taehyung negou falando alto, sacudindo as mãos na frente do corpo — Você chegou na hora. Não deu tempo dela mostrar nada não, fica tranquila. — Sohye assentiu, respirando fundo e mexendo no cabelo.

Durante sua adolescência ficavam todos na parede, mas quando Jin a ajudou a pintar o quarto, Sohye ficou com pena de os jogar fora e guardou aqueles dois. Ela não tinha problema nenhum em outras pessoas sabendo que ela ainda tinha pôsteres colados dentro do armário, mas naquele momento, ficou com vergonha de Taehyung saber que ela tinha o rosto do Zayn e do Yongguk em tamanho A3 colados ali.

Eles se encararam um tempinho, os dois envergonhados.

Sohye pelo garoto que ela estava acreditando iniciar um relacionamento, dar de cara com fotos imensas de dois caras que ela até pouco tempo lia Fanfics interativas que hm... deixa para lá. E Taehyung, que de tão nervoso, não conseguia nem imaginar o que poderia ter ali dentro.

Não dava para se descuidar 5 minutos de Yuna que ela aprontava uma, mesmo que sem a intenção. Depois do susto, Taehyung bocejou visivelmente cansado. Sohye o observou tirar os óculos e passar a mão no rosto, achando a cena agradavelmente bonita.

— Ei, melhor você ir deitar, não é? — o questionou, o sorriso bobo ainda lá. Ele sorriu de volta, sentindo o coração quentinho. Qualquer sinalzinho de preocupação que ela tinha com ele, o deixava comovido. — Você acorda mais cedo que eu, precisa descansar.

— Eu já vou. Mas você também, Soso. Chega de resolver coisas por hoje. Dá pause nessa cabeça um pouquinho. — ela sorriu de volta com a fala do menino. Não sabia se por ele ter a chamado pelo apelido ou por ser tão querido.

— Eu já vou também. — ele arqueou a sobrancelha, como quem questionava se ela ia mesmo — Eu vou sim. — sorriu.

— Promete?

— Prometo, Tae — ele lhe sorriu, porque adorava quando Sohye o chamava de Kim, mas tinha todo um encanto em ser chamado por seu apelido pela garota que tinha o sorriso mais bonito que ele já tinha visto. — Prometo de dedinho — ela fechou os outros dedos, deixando só o mindinho levantado. Ele riu e fez o mesmo do outro lado da tela. — A Yuna diz que não vale se não colar o selo no final.

— E então o que a gente faz se estamos longe? — ele perguntou de volta. Sohye pareceu pensar por um tempinho, antes de dar um beijinho no próprio polegar e o juntar ao mindinho depois. Ela gargalhou junto com o garoto ao ele a imitar sem pensar duas vezes. Nenhum dos dois se surpreenderiam se Daeho ou Yuna falassem que eles pareciam duas criancinhas fazendo aquilo. Mas quer saber? Aquele ali seria um segredo deles dois, ali, naquele mundinho que estavam começando a construir juntos. — Dorme bem, Soso.

— Dorme bem, Tae — ela o respondeu sentindo o coração bater feliz.

E mesmo que do outro lado da cidade, do outro lado da telinha daquele celular. Tudo indicava que seus corações estavam batendo no mesmo ritmo.


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Olá ♥

Como dito antes, esse capítulo tem muito da Soso e do Tae e eu espero que vocês tenham gostado! Sério, eu acho tão gostosinho de escrever cena deles dois juntos, me sinto renovada haha

Pausa para deixar aqui seu agradecimento ao cupido Park Jimin por mais um encontro desse casal, por favor.

E Yuna aprontou mais uma, não é? Eu amo essa criança!!! (Adianto aqui que ela ainda vai aparecer e muito!)

Agradeço mais uma vez pelo carinho que vocês deixam aqui, eu leio, leio, leio e leio de novo os comentários e eu acho mágico ver como cada uma de vocês vê a história do seu jeitinho. Ver o que eu mesma escrevi de vários pontos de vistas é mágico e não tem explicação ♥

Sei que já tá repetitivo, mas aqui fica mais uma vez o pedido:

Se cuidem e fiquem em casa!

Até logo, ok?

Beijos, Polly

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