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12. and, please, say to me you'll let me hold your hand

"E, por favor, me diga que você me deixará segurar a sua mão"

- The Beatles (I want to hold your hand)


quarta-feira, 6h20min

Mesmo que ele não tivesse conseguido dormir bem, Taehyung tinha aberto a janela agradecendo ao sol por ter subido logo no céu porque não via a hora de pegar o metrô naquela manhã. E nem o garoto do apartamento ao lado de cueca na janela enquanto bebia um copo de achocolatado tinha o incomodado daquela vez. Taehyung até mesmo o deu tchau e sorriu, o que fez o menino ao o perceber ali arregalar os olhos e fechar a cortina.

Quando ele encarou o próprio reflexo no espelho, achou que a blusa branca e quentinha com dois botões combinava com a calça social bege e com o casaco verde. A boina bege clara para trás dava um toque do famoso, "estilo do Taetae". Ele se sentiu o próprio garotinho magrinho e com mais espinhas do que é possível imaginar em um adolescente, preocupado com o que a primeira namoradinha ia pensar em como ele estava vestido. Blé! Ele duvidava que Sohye iria se preocupar com o que ele vestia aquela hora da manhã, ela provavelmente tinha coisas mais importantes para se preocupar do que se ele sabia combinar roupas.

E falando na dita cuja, ela havia acabado de enviar uma mensagem perguntando se Taehyung já tinha tomado café, e depois que ele negou, outra perguntando se ele se importava de esperar um pouquinho mais para tomar com ela. Segundo a mente do Kim, ele poderia esperar o tempo que precisasse se fosse para ficar mais tempo ao lado de Kim Sohye.

Meu Deus, Taehyung, que brega.



Antes mesmo de sair do prédio, Taehyung viu Sohye pela porta de vidro que dava para a rua. "Eu vou fazer você me amar na próxima vez que nos encontrarmos no lado ensolarado da rua" dizia a letra da música recebida no dia anterior. Assim como na letra cantada por Tom Fletcher, lá estava Kim Sohye parada do outro lado da rua com alguns raios de sol batendo em seu rosto, a iluminando mais do que ela já brilhava por si só.

E sim, ela havia conseguido fazer Taehyung se sentir como na canção, porque pelo menos naquele dia e naquele momento, ele sabia o suficiente para entender que seu coração batia mais rápido quando ela estava por perto.

Sohye não estava dentro dos padrões coreanos de beleza e nem em qualquer outro padrão ao redor do mundo. Sua personalidade estava longe de ser perfeita, já que ela se preocupava demais com tudo e com todos e infelizmente também guardava um pouquinho de mágoa de algumas pessoas. Já Taehyung tinha seu jeitinho diferente de entender a vida e muitas vezes era visto como o esquisito por isso. Chorava por qualquer coisa, principalmente se envolvesse animaizinhos ou crianças, e ah, às vezes ele falava demais também.

Nenhum dos dois estava procurando por alguém perfeito, na realidade nenhum deles estava exatamente procurando por alguém. Não sabiam se aquilo aconteceu porque já estava premeditado por alguma força do destino, como Taehyung acreditava, ou se foram os caminhos que decidiram seguir naqueles últimos dias que os fizeram se encontrar, de acordo com as crenças de Sohye. O que sabiam era que se alguma coisa iniciasse ali, teriam os dois que aprender um com o outro. A partir dali, tanto Sohye quanto Taehyung, teriam que entender que cada um via a vida do seu jeitinho, e não seria preciso que mudassem a própria visão para que o outro passasse a ser parte dela.



Enquanto esperava o menino descer do apartamento, Sohye tinha o olhar fixo nos pés com seus all star vermelhos e balançava o corpo para frente e para trás com as mãos nos bolsos do casaco, assim como Yuna fazia quando estava ansiosa. A saia jeans com a camisa branca e o sobretudo bege a deixavam bem pequenininha vista de longe e Taehyung achou aquilo bonitinho.

Assim que ela o avistou, sorriu sem nem tentar esconder que estava feliz em o ver entre todas aquelas pessoas apressadas e vestidas formalmente que seguiam provavelmente para mais um dia de trabalho. Esperou que Taehyung atravessasse a rua e bateu palmas animada quando o rapaz parou a sua frente, o que fez o garoto achar a cena no mínimo interessante. Sohye parecia sempre tão cansada e ele que não estava acostumado a vê-la agir daquela forma, gostou do que viu.

— Oi — ela falou e sacudiu as mãos na frente do corpo como se desse tchau, quase como uma cópia de Gaeul, o que fez Taehyung rir. Ele reparou que ela não estava com bolsa nenhuma e não entendeu muito bem, já que entendeu que iriam tomar café e ir direto pegar o metrô — Você quer conhecer a minha avó? — Sohye o questionou de surpresa, sorrindo quadrado como o emoji e com medo dele negar aquele convite inesperado.

— Que? — o menino arregalou um pouquinhos os olhos, tentando disfarçar depois. Como assim conhecer a avó dela? Ele não tinha se preparado para aquilo, sequer pensado em alguma coisa para falar!

— É porque a essa hora ela acabou de abrir a cafeteria e os clientes que aparecem, não ficam muito tempo — ele ajeitou a pontinha da franja que estava por baixo da boina e olhou distante, visivelmente nervoso — Ei, calma. É só um café, ela não vai te morder. — sorriu tentando o incentivar.

— Ok, tudo bem — Taehyung devolveu meio desconfiado com a proposta inusitada e ela sorriu em resposta, segurando sua mão depois e o guiando até o local.

— Ela é tipo uma versão mais velha da Yuna — Sohye tentou explicar enquanto andava meio de costas para olhar o menino, mas sem soltar sua mão —, um pouquinho mais estressada, mas sério, você vai ficar chocado em ver como elas se parecem! — Eles viraram uma das esquinas e ela parou subitamente de andar.

— Tudo bem? — Taehyung perguntou a olhando preocupado e Sohye suspirou.

— Posso te pedir para não comentar nada sobre a minha faculdade? Ou do estágio? — ela perguntou envergonhada. Quando pensou em apresentar Taehyung a avó, não tinha pensado naquela questão e agora se sentia idiota e boba por ter que enfiar mais alguém em toda aquela mentira.

— Ela não sabe que você faz Pedagogia? — Taehyung perguntou e a menina meneou o rosto tristemente. Se fossem outras épocas, ele até ficaria meio bravo ou decepcionado por ela ter mentido daquele jeito para a própria avó, mas hoje em dia ele até entendia os motivos. Talvez se não tivesse contado a verdade ao pai, a relação dos dois estaria bem melhor agora. E Taehyung sentia falta das conversas e das risadas que tinha com o pai. Ele não sabia se conseguiria guardar um segredo daquele jeito por tanto tempo, mas ele entendia o porquê de Sohye fazer aquilo, e não a julgava — Tudo bem, não vou falar — ela assentiu agradecendo e eles voltaram a andar.

— Agora eu paro para pensar e vejo como isso é bobo — ela resmungou e fez careta —, é só que eu nunca levei jeito para cozinha, sabe? Não tem nada a ver comigo estar cursando Pedagogia, até porque ela gosta muito de crianças também, mas é que toda a minha família faz isso. A minha avó tem uma cafeteria, meu pai era confeiteiro, meu irmão também trabalha com isso. — ela suspirou de novo envergonhada, seria tão mais fácil se ela simplesmente conseguisse cozinhar — Eu infelizmente puxei a falta de jeito com as panelas da minha mãe. — ela aceitou, mesmo que a contragosto, que tinha mais coisas parecidas com Haydée do que ela queria aceitar.

— Você nunca tentou contar a ela? — a menina assentiu depois de ouvir a pergunta.

— Só que eu morro de medo de a decepcionar. Ela é bem querida quando quer, mas é assustadora às vezes — fez careta. Taehyung parou e a olhou surpreso, afinal estavam indo para que ele pudesse a conhecer! — Não, não assim. Ela vai ser legal com você. — sacudiu a mão dele que estava presa a dela e o puxou para voltar a andar, rindo.



Quando os dois chegaram a cafeteria, Taehyung parou para observar a fachada por alguns segundos antes de entrar, pensando se aquilo não era só mais uma coincidência. Sohye seguiu na frente e abriu a porta esperando o garoto passar para também entrar. Do ponto em que estavam, a menina avistou sua tia atrás do caixa. A mulher a olhou de volta, mas logo fingiu que não a viu e ela decidiu que faria o mesmo. Sohye já tinha escutado indiretas o suficiente na noite anterior, não queria ter que ouvir mais coisas ruins sobre ela mesma. Logo viu a avó, e antes mesmo que ela se pronunciasse para os apresentar, ela que estava por detrás da bancada, arregalou os olhos e correu para perto deles sem acreditar. O rosto de Taehyung se iluminou em um daqueles sorrisos fofos que ele dava.

— Querido! — ela fez a típica cena que avós fazem quando vêem os netos, caminhando de braços abertos e o prendendo em um abraço apertado depois. Sohye até teria direito a uma cena daquelas, se não tivesse demorado tantos meses para aparecer na cafeteria da Sra. Go. Ela os observou sem entender, enquanto os dois na sua frente se abraçavam como se fossem melhores amigos.

— Olá, Sra. Go — Taehyung falou envergonhado porque Sohye ainda os encarava sem entender nada.

— Esse é o seu amigo que você disse que queria me apresentar? — a avó se afastou e apontou para Taehyung com um sorriso engraçado no rosto. Ela passou o olhar do rosto do menino para as mãos dos dois que só então eles perceberam que ainda estavam dadas. Cada um puxou para um lado tentando disfarçar, mas falharam miseravelmente, porque os olhos de Kim Goyon não deixavam nada escapar e ela já tinha entendido que estavam próximos assim que passaram pela porta. — Hm... — falou e nem tentou encobrir.

— A Sohye é a sua neta ingrata? — ele perguntou a mulher enquanto apontava para a menina ao seu lado. A senhora assentiu com uma expressão de mágoa no rosto enquanto a neta apenas abriu a boca e os encarou indignada. Peraí?

— Eu sou o que? — reclamou, mas a avó a ignorou, voltando a estaca zero do drama "vou ignorá-la para ver que ainda estou chateada".

— Senta, querido. Vou fazer o chocolate que você gosta! — Taehyung notou o que a senhora fazia e concordou com ela, decidindo embarcar na brincadeira. Ele caminhou até a mesa que ela apontou e que parecia já estar posta, apenas esperando que eles dois chegassem. Não era um café da manhã tipicamente coreano, nada ali tinha como ingrediente principal arroz ou legumes, mas parecia igualmente delicioso. Tinha um bolo que mesmo de longe Taehyung sabia que havia acabado de sair do forno só pelo cheirinho, alguns pães, biscoitos e um vasinho delicado com flores lilás no centro.

E era por essa entre outras tantas coisas que ele amava a Sra. Go: ela o fazia se sentir em casa, mesmo tão longe da família. Tinha entrado na cafeteria em uma tarde chuvosa assim que chegou a Incheon e sem conhecer o lugar, se perdeu procurando onde ficava o apartamento que Jimin tinha lhe falado que escolheram alugar.

— Me explica isso aí de "neta ingrata" — Sohye sentou com ele, pegou um biscoito em um dos potes na mesa e levou a boca, mastigou e encarou Taehyung com uma das sobrancelhas erguidas. O menino a encarou meio desconcertado com o semblante de Sohye e se perguntou se aquela era a cara que ela usava para conversar com as crianças que faziam alguma besteira. Deveria funcionar, porque ele mesmo já queria pedir desculpas sem nem saber porquê.

— Ela me ajudou a encontrar Jimin quando eu cheguei em Incheon — contou —, onde eu morava não tinha essa quantidade de ruas e casas e eu acabei me perdendo e entrando aqui. — ele sorriu olhando a senhora atrás da bancada mexendo nas canecas — Depois disso eu sempre venho aqui e conversamos bastante. É engraçado pensar que as histórias que ela me contou na verdade são sobre você — ele falou, e acabou disfarçando uma gargalhada com tosses no final parecendo lembrar de alguma coisa. Sohye continuou o encarando séria.

— Tipo... qual história? — perguntou, tentando não demonstrar que estava preocupada. Mas ela estava, e muito!

— Hm... — ele pareceu pensar —, tipo a história do menino lá que não gostava de tomar banho — ele completou. A Sra. Go se aproximava da mesa dos dois quando Sohye arregalou os olhos e sentiu o rosto ficar vermelho.

— Halmeoni? — ela reclamou, extremamente envergonhada e encarando a mulher. Não era possível que todos daquela família gostassem tanto de contar aquela história para o resto do mundo!

— Achei que você ia ter meu dedo podre para homens — a mulher respondeu, colocando a caneca de Taehyung a frente do menino, e sorriu para ele como quem dizia que aquilo havia mudado até o ver com a neta. Colocou uma xícara com chá na frente da cadeira em que ela sentaria.

— Obrigada, vovó — Sohye fez drama e enquanto olhou para as bebidas, colocou o cotovelo na mesa apoiando o rosto na mão.

— Só tenho duas mãos — ela reclamou —, garota chata — resmungou e retornou para pegar a caneca da menina. Sohye riu porque conhecia a avó o suficiente para saber que ela tinha feito aquilo para provocá-la na frente do Kim.

— Você sabe o que isso significa, não é? — Taehyung, com o tom de voz baixo, voltou a falar enquanto arqueava a sobrancelha e encarava por cima da caneca de chocolate quente.

— O que? — Sohye devolveu a pergunta no mesmo tom, ainda com a mão apoiada no rosto, mas se inclinando sobre a mesa para o encarar.

— Que eu sei várias coisas sobre você — ele explicou, voltando a se sentar direito na cadeira como se o que disse não tivesse sido nada demais.

— E você acha isso justo? — a futura professora perguntou com aquele ar de autoridade que ninguém nunca sabia de onde vinha, também arqueando a sobrancelha em resposta, e ele negou com o rosto, sorrindo.

— Só toma esse negócio puro, vai acabar ficando com uma gastrite — a senhora falou se aproximando e colocando a caneca cheia de café na frente da neta. — Onde vocês se conheceram? — perguntou tentando fazer com que o silêncio não iniciasse a mesa enquanto se sentava também.

— No metrô — Taehyung falou.

— Em um bar — Sohye disse ao mesmo tempo. Os dois se encararam confusos — A primeira vez que a gente se viu foi no bar que você toca, Kim — ela comentou e ele negou com a cabeça.

— Mas eu te vi antes no metrô, pode perguntar a Yuna — ele voltou a beber o chocolate. Sohye soltou um "ah!" se lembrando que provavelmente ele tinha a visto no mesmo dia que Yuna tinha se encantado com ele. Até que fazia sentido.

— Já parecem um casal de velhos juntos há 40 anos — Sra. Go resmungou e nenhum dos dois falou nada, mesmo que Taehyung quisesse muito rir —, na minha época os príncipes vinham a cavalo e não de transporte público — a senhora falou, pegou um pedaço de bolo e o colocou no prato a frente de Taehyung, indicando que ele deveria o comer. Sohye só conseguia pensar em como tinha nascido em uma família tão cara de pau daquele jeito enquanto o garoto não conseguiu controlar mais e acabou rindo do comentário.

— Você achou essa boa? — Sohye fez careta e levou um tapa no braço, dado pela avó — Aish... as do Jin são ainda piores, mas pelo jeito você vai amar ele. — ela citou o irmão, enquanto esfregava o braço onde tinha recebido o tapa.

— Está muito engraçadinha, Sohye — a avó da menina disse, preocupada da neta destruir seus esforços para que Taehyung se interessasse por ela. Não ela sabendo que o que não faltava ali era interesse de Taehyung por Sohye, e vice versa. — Taehyung, querido, já te contei quando Sohye inventou de cortar a franja sozinha quando tinha 13 anos? — Sra. Go falou, bebericando seu chá depois. Estranha essa maneira de querer ajudar um cara a gostar de outra pessoa, mas tudo bem. 

Sohye apressadamente deu o último gole no café que ainda estava quente e se levantou. Aquilo provavelmente iria a resultar na língua queimada e em não sentir o gosto das refeições nos próximos dias.

— Nós precisamos ir, não é Kim? Senão vamos perder o metrô — falou tirando a mochila pendurada no encosto da cadeira e colocando no ombro. Taehyung que levava um pedaço de bolo a boca apenas a olhou sem parar o movimento.

— Ainda temos 20 minutos — falou depois de engolir, encarando o relógio no pulso e sorrindo depois para Sra. Go. Ele não ia perder a chance de ouvir mais uma história de sua protagonista favorita, que agora ele descobriu ter a chance de conhecer pessoalmente.


16h35min

A Sohye que Taehyung tinha visto naquela manhã, não se parecia em nada com a que agora estava ocupando o assento ao seu lado no metrô. A menina estava com os cabelos mais bagunçados que o normal, com cara de emburrada e com manchas de tinta guache azul na frente da saia favorita. E ela nem teve como trocar de roupa porque aquela já era a roupa reserva.

A única coisa que ela tinha falado com Taehyung sobre, foi que possivelmente aquela foi a pior ideia que ela teve no tempo de estágio: fazer slime para ensinar as cores em inglês para as crianças. Pela cara que ela estava, o garoto imaginou o caos que deve ter sido tentar controlar mais de 10 crianças ao mesmo tempo enquanto elas misturavam cola, glitter e tinta.

Seria mentira dizer que ele não teve vontade de a abraçar e dizer que estava tudo bem, que é normal não acertar de primeira e que ela não precisava se culpar daquele jeito. Taehyung estava se sentindo incomodado de não saber como ajudar, principalmente porque Sohye parecia estar a ponto de chorar a qualquer momento e ainda era só quarta-feira e faltava alguns dias para aquela semana nada fácil terminar.

A única coisa que ele sentiu confiança para fazer, foi pegar a mão da garota e segurar dentro do bolso de seu casaco, entrelaçando seus dedos. Por mais que eles já tivessem ficado de mãos dadas por várias vezes, ele não sabia se estaria invadindo seu espaço e se estaria tudo bem fazer aquilo na frente de outras pessoas. A menina suspirou visivelmente cansada, mas com o coração quentinho com a ação do Kim.

Yuna ao seu lado parecia muito entretida com o slime azul que a tia tinha conseguido salvar da vista das outras crianças e não prestava atenção em nada que não fosse a geleca colorida em suas mãos. Gaeul do outro lado de Sohye devia estar na terceira fase de sono, também totalmente alheia ao que acontecia ao redor. Quando Sohye apertou mais um pouquinho a palma da mão contra a de Taehyung, ele percebeu que talvez ela só precisasse saber que podia contar com ele naqueles momentos, mesmo que sem palavras, apenas em silêncio.

Poderia parecer bobo para outra pessoa, mas a menina estava realmente chateada porque tinha falhado com algo que Yejin tinha depositado confiança para que ela fizesse. Por mais simples que parecesse ensinar as cores as crianças, ela não queria fazer de um jeito que em dois dias eles já teriam esquecido. Era comum Sohye ignorar as 10 vezes que acertou com os pequenos, mas se martirizar pela única que errou. E por mais que no final ela achasse que aquilo tenha sido um caos, não havia uma criança que não se divertiu e que nunca mais esqueceria que "blue" é azul.

A voz no metrô avisou que a próxima parada era a delas e ela resmungou chateada porque não queria sair de perto do Kim e de sua mão quentinha segurando a dela. Taehyung tirou as mãos deles devagar de dentro do bolso e fez um carinho singelo no dorso na da menina. Sohye fez bico quando eles as separaram. Sohye, que era sempre tão autossuficiente, estava surpresa por querer tanto a presença de outra pessoa por perto.

— Me avisa quando chegar? — sussurrou baixinho e ele assentiu. A garota cutucou Gaeul para que ela acordasse e pegou a mochila de Yuna, porque a menina não tirava os olhos do brinquedo mesmo na hora de se levantar e andar.

Taehyung observou as três saírem do vagão: Yuna tropeçando nos próprios pés porque não parava de olhar para as mãos, Gaeul se arrastando porque ainda estava com sono e Sohye cabisbaixa, deixando claro que gastaria muito mais do seu tempo pensando naquele dia.


20h36min

Kim Sohye estava sentada entre os travesseiros e almofadas de sua cama segurando a caneca do Pardo pela metade com o chá de camomila — esse que a Sra. Go tinha obrigado Jin a fazê-la tomar antes de dormir — e observava Taehyung sentado na cadeira da escrivaninha falar sobre o dia dele pela tela do celular. Os cabelos com alguns fios molhados e completamente bagunçados a fez imaginar que ele tinha acabado de sair do banho e sua janta estava sendo aquele sanduíche por preguiça de preparar alguma coisa para comer.

Por mais que ela tivesse lutado, e muito, para manter Taehyung em seu lado apenas como amigo, não era bem isso que o coração dela esperava. Por mais que ela soubesse que em poucos meses estaria sentada em uma sala, fazendo uma prova que dependendo do resultado, poderia mudar a vida dela por completo, Sohye se viu cansada de se preocupar tanto com as coisas que ainda não tinham acontecido.

Naquele momento, ela só queria se permitir a assistir ao garoto bonito contando sobre como estava empolgado para uma exposição nova que chegaria ao museu ao mesmo tempo que se atrapalhava para comer o lanche em suas mãos. Ela não queria se preocupar com pessoas de um grupo de trabalho que não davam sinal de vida ou com provas da faculdade ou com alguma criança comendo cola. Sohye suspirou e colocou a caneca na mesa de cabeceira ao lado da cama.

Por mais que ficasse confusa as vezes, aquele sentimento pelo menos ela tinha noção do que era. Ela sabia que o que estava sentindo pelo Kim não era algo que coubesse apenas em abraços amigáveis e apertos de mãos educados. E ela não era tão boba a ponto de não perceber que ele também se sentia de forma parecida. 'Tá, talvez depois do empurrão que Gaeul deu, claro.

Lá no fundo a razão dizia que se permitir viver aquilo poderia dar uma baita de uma dor de cabeça mais lá para frente, mas não viver também iria doer. E quando ela já estava quase voltando atrás na decisão de se arriscar, ela viu que Taehyung a encarava na tela com uma cara de curiosidade, como quem esperava alguma resposta. E poxa, ele ficava lindo mesmo agora que passou a segurar o celular de qualquer jeito com apenas parte do rosto na câmera.

— Hm? — perguntou, quando percebeu que ele tinha acabado de lhe fazer uma pergunta, mas ela não tinha prestado atenção. Ele sorriu achando graça da cara que ela fez de perdida.

— Perguntei se você vai fazer alguma coisa no sábado a tarde — ele repetiu e Sohye ainda tinha o olhar perdido — Sohye? — ela fez aquela cara de quem parecia ter acordado com um estalo.

— Ai, desculpa — passou a mão no rosto e se ajeitou na cama — não vou fazer nada no sábado a tarde não — ela falou sem pensar. Claro que ela iria fazer alguma coisa no sábado a tarde, e a apostila para a prova de inglês sobre a escrivaninha eram provas disso. Ela se sentiu muito doida imaginando uma versão miniatura de Gaeul aparecendo em seu ombro para gritar que era sábado e ela deveria descansar e tinha sim que sair com o Kim. Era no mínimo engraçado como aos poucos o pensamento de Sohye vinha mudando e ela agora pensava duas vezes antes de deixar de fazer alguma coisa por ela para fazer as obrigações da faculdade ou do estágio. Ela não estava fazendo nada demais em tentar aproveitar o final de semana para descansar e também porque não tinha como desmentir a resposta vendo o brilho que apareceu no olhar de Taehyung —, por quê? — ela observou o garoto levantar da cadeira e se jogar na cama depois.

— Queria te levar a um lugar — ele sorriu, as bochechas ficando cheinhas, e Sohye sorriu junto —, vocês vão ao estúdio com o Jungkook? Posso te levar depois da aula das crianças? — ela assentiu depois de parecer pensar por um tempinho.

— Posso pedir o Kookie para deixar a Yuna na casa da mãe dela depois — assentiu. A lembrança de Taehyung dizendo que o próximo encontro deles seria melhor veio em sua mente e ela acabou sendo pega de surpresa ao se questionar se na verdade aquele convite se tratava de uma nova tentativa deles se encontrarem em outro lugar que não fosse no metrô e nem com algum dos amigos por perto.

Sohye tinha experiências ruins com encontros românticos porque odiava se sentar em restaurantes caros e ficar dissertando sobre a própria vida sem graça para outra pessoa. Ela já tinha passado por aquilo umas 2 ou 3 vezes e decidiu que nunca mais se sujeitaria a aquilo de novo.

— Preciso ir com alguma roupa específica? É que se dependesse de mim eu iria de pijama para aula deles — ela confessou, na tentativa do menino perceber que ela não gostava de coisas formais demais. Taehyung riu com a cara que ela fez.

— A roupa mais confortável que você tiver e tênis — ela devolveu um "ok" achando graça da expressão animada que ele fez. Sohye ouviu a porta de seu quarto ser aberta, e viu o corpinho pequeno pela brecha. Yuna, com seu pijaminha azul com estampa dos ets de Toy Story, entrou no quarto coçando os olhinhos. Os cabelos estavam uma bagunça e ela abraçava seu coala de pelúcia — O que foi, pequena? — perguntou enquanto Taehyung apenas a observava do outro lado da tela com pixels.

— Você 'tá ocupada, tia? — ela perguntou de volta com a vozinha de sono.

— Não estou não, meu amor, só estou conversando com o Taehyung. Quer dar oi para ele? — ela viu a menininha concordar e vir até a cama dela. Ainda meio sonolenta, Yuna subiu meio atrapalhada na cama e se aconchegou no colo da tia deitando a cabeça sobre o peito dela. Olhou para o celular, deu um tchauzinho e depois um sorriso de olhos fechados e carinha amassada.

— Oi, Taehyung — ela falou meio abobalhada de sono.

— Oi Yuna, tudo bem? — ele a cumprimentou de volta e a menina assentiu fofa.

— Não — fez bico e Sohye sorriu vendo que ela tinha se contrariado e com certeza nem sabia direito o que estava falando —, eu tive um pesadelo — ela contou para o amigo fechando os olhos depois. Sohye viu que ele fez uma carinha de dó do outro lado e ela chegou a conclusão que tinha se apaixonado mais um pouquinho por Kim Taehyung. Só o fato dele ter gostado de Yuna desde o primeiro momento significava muito para ela e não se importar que ela tinha interrompido a conversa que estavam tendo, mais ainda.

Era tão comum que menina corresse para o quarto da tia quando tinha pesadelos e acordava no meio da noite, porque era mais perto do que o do pai e aquilo nem surpreendia mais Sohye. Ela ficou ali, aconchegada na tia, parecendo lutar com o sono, ora de olhos abertos, ora com eles fechados, para prestar atenção no que Sohye e Taehyung falavam. Enquanto os dois conversavam sobre mais algumas coisas em um tom mais baixinho, a menina abriu os olhinhos e observou os dois em silêncio.

— Taehyung — ela o chamou, interrompendo o assunto sobre animações da Disney —, você vai cantar no sábado? — ela perguntou do nada, e Sohye se surpreendeu da menininha ter gravado o rápido comentário que ela fez do garoto fazer sessões de violão aos finais de semana.

— Esse agora não, só no outro — respondeu de volta e a criança assentiu, agora com os olhinhos fechados novamente. Ele estava achando fofo o quanto Yuna parecia estar em uma guerra para ficar com os olhos abertos e por segundos o pensamento de ser pai passou por sua mente.

— Você já cantou a música que a tia Sohye gosta? — ela perguntou inocente e antes que ele pudesse formular uma resposta, Yuna já tinha embarcado em seu calmo sono de criança. Sohye o encarou pela tela do celular surpresa.

— Qual a música que a tia Sohye gosta? — ela sussurrou de volta a ele. Taehyung apontou para Yuna e levou o dedo a frente da boca fazendo "shiu", como quem dizia que se ela continuasse a falar iria acordar a menina. Sohye sorriu e meneou a cabeça, não acreditando no que a sobrinha tinha falado e tentando entender como ela sabia daquilo. — Truly, Madly, Deeply? — ela citou a música do grupo favorito e ele deu de ombros — Era para mim? — perguntou sem nem conseguir disfarçar a felicidade e Taehyung riu da inocência de Sohye. Ele jurava que ela tinha entendido que era para ela! Yuna resmungou em seu colo se aconchegando melhor — Eu vou desligar, ok? — sussurrou e ele assentiu entendendo — Boa noite, Kim — ela falou antes de sorrir o típico sorriso dela que Taehyung adorava.

— Boa noite, tia Sohye — ele respondeu também sorrindo, antes de desligar a câmera. 


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Olá!

Aqui fica mais uma partezinha da Learning, espero que tenham gostado ♥

Aproveito para contar também, que ontem comecei a postar outro livro aqui. Ele tem uma pegada um pouco diferente da Learning, onde eu quis mostrar um pouquinho o jeitinho que vejo o Taehyung. Se você gosta de amor e de arte, acho que você vai gostar de sépia.

Lá vai ter muita referência ao mundo das artes, já que é uma área que eu gosto demais, além de que a ideia é fazer contos baseados nas músicas/solos/fotografias e qualquer outra coisinha que o Tae postar e que eu sinta alguma história chegar para mim haha.

Passa lá e sente um pouquinho do amor que é esse livro, ok?

Fiquem bem ♥

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