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Prólogo (amostra)


Mamãe falou para eu não incomodar o papai. Ela me disse que ele estava doente e que precisava descansar. Ela também chamou a minha atenção e falou que eu era uma pirralha encrenqueira e que eu precisava aprender a me comportar, afinal eu era uma mocinha e não um moleque como os meus primos.

Eu não entendia o que o papai tinha. Ele vivia deitado na cama com as pálpebras pesadas de sono, a pele quase translúcida e os lábios secos. Eu não entendia também o porquê de o papai não ter mais cabelo. Antes ele tinha cabelos negros e encaracolados iguais aos meus circundando a sua cabeça redonda. Agora não havia mais nenhum fio adornando o seu rosto extremamente fino e cansado. Papai parecia outra pessoa. Pensei em perguntar a mamãe se era verdade aquilo que o tio Carlos havia dito que o meu papai havia sido abduzido por extraterrestres e trocado por algum outro humano raquítico.

Aproveitei que a minha mãe estava na casa da vizinha e entrei sorrateiramente no quarto. Apoiei as minhas mãos no colchão de mola e subi na cama, fiquei de joelhos do lado do meu papai. Ele demorou para notar a minha presença, eu o cutuquei com força com raiva porque agora o papai só sabia dormir. Ele nunca mais empinava pipa comigo e estava sempre cansado para brincar de pique esconde. Os olhos do papai se abriram lentamente, ele piscou algumas vezes até que finalmente os seus olhos se cravaram em mim.

— Oi princesa. — Ele sorriu, mas os seus dentes estavam meio estranhos, amarelos demais, e o seu sorriso parecia estar cheio de dor ao invés de alegria.

— Oi — falei emburrada com os braços cruzados sobre o meu peito. — Você nunca mais brincou comigo!

— Papai está cansado. — Sua voz estava exausta.

—Você sempre está cansado — reclamei. — Quando você vai melhorar?

Papai cerrou os olhos e suspirou profundamente.

— Logo. — Ele forçou um sorriso.

— Logo quando? — indaguei franzindo os meus lábios e depois fiz um biquinho.

— Amanhã já não vou mais estar nesta cama.

— Você promete?

— Sim. — Ele balançou vagamente a cabeça. — Prometo.

—Você jura mesmo?

Apontei o meu dedo mindinho para ele e papai levantou a sua mão com muito esforço e então encostou o seu dedo no meu.

— Eu prometo, Ana. — A voz do papai saiu como antes, grave e imponente. Eu ri ao notar que o tio Carlos estava errado, meu papai não fora abduzido. Meu papai só estava doente, mas ele me prometeu estar bem no dia seguinte.

— Amanhã, quando você melhorar, podemos brincar de pique esconde? — perguntei me aconchegando nos braços dele, e o abraçando apertado. Papai cheirava remédio e vômito.

— Ana — ele hesitou —, papai vai embora amanhã.

— Embora? — Levantei as sobrancelhas.

— Sim — ele disse de um jeito triste com a voz embargada, meio chorosa. Eu não gostava de ver o meu papai assim, apertei-o ainda mais em meus braços. — Papai vai morar com Jesus no céu. Faz tempo que Jesus chama o papai para ir embora com ele, mas o papai não vai porque tem medo. Mas eu não posso mais temer. Eu preciso ir, Ana.

— Jesus não pode esperar você brincar de pique esconde comigo? — perguntei chateada porque Jesus iria levar o meu papai embora, e eu não queria que o meu papai fosse embora sem antes brincar comigo.

— Vem cá. — Papai me puxou para mais perto dele e me apertou demais no seu corpo, achei que os meus ossos iriam ser quebrar. Ele me manteve presa no seu abraço por um bom tempo, meu rosto se afundou no seu peito e eu ouvi o papai fungar alto e começar a chorar.

— Não chore — falei para ele me afastando do calor dos seus braços com muito esforço. Encostei o meu polegar na sua face e limpei as lágrimas que desciam dos olhos verdes do papai com as costas da minha mão. Papai ficou me olhando por um bom tempo, com os lábios curvados para baixo e com uma respiração pesada, além de que os seus olhos pareciam o riacho do sitio do tio Carlos. — Eu deixo você ir embora com Jesus.

— Obrigado, Ana.

Papai ergueu a cabeça e afastou os cobertores de lã, com muita dificuldade ele levantou da cama, me ajoelhei na beirada. Ele abriu o guarda roupa e tirou de lá uma caixinha de música.

—Toma. — Ele apontou o objeto para mim. — É para você. Quando eu parti vou mandar um anjo igual ao da caixa para tomar conta de você.

Peguei a caixinha de música e a admirei. Ela era dourada igual os cabelos da minha irmã, Jéssica. Na sua borda havia alguns desenhos de asas e sapatilhas de dança. Quando eu a abri uma música suave de piano reverberou nos meus ouvidos. A música embalava a dança de um anjo com asas enormes cravadas nas suas costas. Ele era ruivo, e o seu rosto de cera tinha até as pintinhas na sua face, acima da sua cabeça uma auréola.

— Ele é lindo, papai! — Suspirei admirada com o meu anjo, entrelaçando os meus braços em torno do pescoço do papai.

— Ele será o seu anjo da guarda agora.

— Você promete que ele irá mesmo me proteger? Que você vai mesmo mandar um anjo de verdade para cuidar de mim?

— Alguma fez eu quebrei as promessas que eu fiz para você? — papai perguntou afastando uma mecha de cabelo do meu rosto.

Pensei um momento. É verdade, papai nunca quebrava as suas promessas.

— Não — falei. — Você vai embora amanhã mesmo?

Papai assentiu triste. Eu beijei a sua bochecha.

— Está aí uma promessa que você bem que poderia quebrar.

No dia seguinte acordei apressada e levei a minha caixinha de música com o meu anjo dentro para o papai, mas a cama estava vazia. Papai cumpriu a sua promessa.

*

Foi depois de duas semanas que o papai finalmente me enviou o meu anjo. Eu devia saber, papai nunca quebrava uma promessa.

Eu estava no sítio do meu tio Carlos. Mamãe disse que íamos passar o fim de semana lá, isso foi depois de alguns dias que o papai foi morar no céu com Jesus. Mamãe passava o dia inteiro chorando. Ela não queria mais brincar de boneca comigo e vivia gritando com a Jéssica que era mais velha que eu. Então, o tio Carlos que era irmão do meu pai, apareceu e resolveu que deveríamos passar o fim de semana no sítio dele em Rio Claro.

O sítio do meu titio era imenso. Uma copa de árvores circundava a casa de madeira que eu e Jéssica dizíamos que era uma casa de filme americano, por ter pisos de taco e ser toda feita de madeira. Mas o que eu mais gostava era o pequeno riacho que se estendia por toda a relva.

Foi em uma noite em que o céu estava salpicado de estrelas e as nuvens transparentes que eu o vi. Eu estava apertada, louca para fazer xixi. Levantei da cama e fui até o banheiro que ficava na parte inferior da casa. Quando eu saí caminhei em passos lentos até a janela da sala que estava aberta. Foi estranho, estava ventando muito, fiquei na ponta dos pés para conseguir fechar, mas aí eu o vi, o meu anjo perto do riacho olhando fixamente para a lua.

Eu já tinha me esquecido dele. Fazia dias que o papai havia prometido, mas até aquele momento o anjo da minha caixinha dourada era o meu único protetor.

Coloquei as mãos na boca assustada, abafando assim um grito. Ele era meu! Meu pai o mandou! Ele tinha asas! Enormes! E o seu cabelo era ruivo! Vermelho igual o anjinho da minha caixinha. Então eu fui correndo para lá.

Descalça, pisei na grama úmida, meu pijama das meninas superpoderosas era rosa e fiquei com vergonha dele. Será que ele vai achar me infantil demais? Ele era mais alto, por isso logo achei que ele devia ser alguns anos mais velho.

Pigarreei alto.

— Com licença.

Ele girou nos calcanhares e olhou para mim. Ele parecia ter ficado assustado, com a expressão de quem havia sido pego de surpresa.

— Você é o meu anjo? — perguntei e só depois eu notei que o menino estava sem camisa, ele vestia apenas uma calça de flanela azul marinho.

— O quê? — Ele levantou uma sobrancelha vermelha, o rosto dele era cheio de pintinhas e os olhos verdes.

— Meu papai me disse que mandaria um anjo para mim assim que ele fosse embora para ir morar com Jesus no céu.

Ele era o meu anjo, mas por que agia como se não soubesse de nada?

— Ah sim! — Ele exclamou de repente colocando as duas mãos no peito e o estufando. — Sou um anjo que veio dos céus! Seu pai me mandou.

— Quantos anos você tem? — perguntei cruzando os meus braços. Ele agia de uma forma tão teatral.

— Doze e você? — Ele perguntou me observando.

— Eu tenho nove anos — o respondi.

Ele passou as mãos no cabelo e virou- se para encarar o céu novamente.

— Eu preciso ir — ele disse. — Está tarde e eu não devia estar aqui.

— Você vai me deixar? — Eu praticamente gritei com ele. Como assim o meu papai me manda um anjo e depois ele vai embora?

— Eu...

— Não! — Gritei agarrando o seu pulso. — Você vai ficar aqui comigo, nós vamos conversar e depois vamos voar no céu e você vai ficar comigo para sempre!

— Mas eu nem conheço você! — Ele franziu o cenho.

— Bom, por isso vamos conversar para que você me conheça.

Eu o puxei, ele acabou me seguindo sem reação e começamos a caminhar pela beirada do riacho.

— O que você quer conversar? — inquiriu.

— Não sei — admiti. — Eu nunca conversei com um garoto e você? Já falou com uma menina antes?

Ele negou com a cabeça, pela a expressão do seu rosto ele havia ficado triste.

— Pois então converse comigo!

Eu não sei o porquê, mas perto do meu anjo eu não conseguia não gritar.

— Está bem — ele concordou. — Sobre o que você quer conversar?

Balancei os braços no ar pensativa.

— Eu não faço ideia — falei derrotada.

E então rimos. Dois furinhos se formaram na maçã do rosto dele quando ele sorriu.

— Quando você ri dois furinhos se formam na sua bochecha. — Ele colocou as mãos no rosto, ele tinha ficado vermelho? — Eu também tenho dois furinhos.

Ele observou o meu sorriso e depois as minhas bochechas.

— Verdade — ele disse animado. — O que é isso no seu queixo?

Nós paramos de andar e eu virei o meu rosto para ele. O meu anjo tocou com o polegar o meu queixo, achei esquisito.

— Minha mamãe disse que uma joaninha beijou o meu queixo.

— É uma pinta! — Ele sorriu novamente. — É uma pinta legal.

— Você tem várias pintinhas no rosto.

Ele colocou ambas as mãos na sua face.

— Ah sim. — Seu tom de voz era triste.

— Eu gosto. Gosto muito das suas pintinhas.

Ele sorriu, mas desta vez foi como se o sorriso dele tivesse apertado o meu estômago.

— Gosto muito da sua pinta no queixo.

E então fui eu quem sorriu.

— Como é morar no céu? — perguntei retomando o nosso caminho.

— Eu não moro no céu. — Outra vez eu notei uma tristeza em sua voz e no seu olhar.

— Então aonde você mora? — inquiri com a testa franzida. Pensei que anjos morassem no céu.

— Eu não quero falar sobre isto. E você? Você mora aqui?

— Não, eu moro em outra cidade, estamos apenas visitando. Meu papai foi morar com Jesus e a mamãe ficou muito triste e a Jéssica também.

— Quem é Jéssica? — Ele perguntou.

— Minha irmã — respondi. — Ela é mais velha, tem catorze anos.

— Ela é igual a você?

— Ela é mais bonita.

— Eu duvido!

Corei, então ele me achava bonita?

— Papai me disse que iria mandar você para cuidar de mim.

— Eu não sou um anjo — ele falou calmamente olhando para a grama e depois para as águas do riacho.

— Se você não é um anjo, então por que tem asas? — perguntei. — Bobagem! Você é um anjo! Meu anjo.

Segurei a mão dele, ela estava meio úmida, os dedos dele eram maiores que os meus. Ele olhou para as nossas mãos e então entrelaçou os nossos dedos e os apertou contra si.

— Eu...

Eu não soube mais o que dizer. Caminhar de mãos dadas com aquele garoto ruivo que tinha asas foi a coisa mais estranha e mágica que eu já fiz.

Ele me olhou. Eu olhei para ele. Nós nos olhamos.

— Você quer voar? — ele perguntou em sobressalto.

— O quê? — indaguei assustada com tal ideia.

— Voar. Eu posso te levar até aquela nuvem ali.

Ele apontou para uma nuvem gorda próxima da lua. Arregalei os meus olhos.

— Sério? Você pode me levar até onde Jesus está? Eu preciso falar com ele e pedir para ele devolver o meu papai.

O garoto franziu a testa e depois suspirou derrotado.

— Eu sinto muito, mas não posso fazer isso.

— Mas você não é um anjo? — Perguntei a ele, meus olhos começaram a pinicar.

— Só você acha isso, a maioria das pessoas dizem que eu sou um demônio, uma aberração.

Coloquei as minhas mãos no rosto dele que estava cabisbaixo e o fiz olhar para o meu rosto, nossos olhos se encontraram. Senti outra vez aquela sensação no estômago.

— Você é meu anjo, meu. O papai me deu você. E agora você vai me levar para voar.

Ele sorriu os buraquinhos na sua bochecha apareceram.

— Segure-se.

Ele colocou os meus braços em torno do seu pescoço. Os meus pés descalços e sujos em cima dos seus pés. Eu nunca tinha ficado assim tão perto de um garoto, ainda mais um garoto com asas de anjo.

Ele impulsionou os nossos pés no chão e começamos a subir pela superfície. Fechei os olhos e senti medo de cair, medo de estar sonhando e aquilo não ser real. Afundei a minha cabeça no peito dele com medo de olhar para onde estávamos indo. Ele cheirava sabão e eucalipto.

— Pode abrir os olhos — ele falou amavelmente.

— Eu estou com medo — confessei enquanto o meu coração afundava no meu peito.

— Não tenha medo — ele disse acariciando o meu cabelo escuro. — Eu sou seu anjo, lembra? Eu protejo você.

—Você vai mesmo me proteger? — perguntei erguendo os olhos para ele.

Assentiu.

Fui tomando coragem e aos poucos me permitindo a sensação de estar ali, no céu. Olhei admirada para as nuvens, nós passávamos tão perto delas, fomos tão alto. O meu anjo fazia piruetas entre as nuvens e eu sorria para ele, e ele sorria para mim. Ficamos rindo enquanto dançávamos na superfície. Era tão alto que fiquei um pouco zonza quando olhei sem querer para baixo. O sítio do titio parecia uma das minhas casinhas de boneca dali do alto.

Quando voltamos e tocamos o chão, o meu anjo me segurou para que eu não caísse, pois eu ainda estava meio tonta com tudo aquilo.

— Uau! — Suspirei quando os meus pés se firmaram na relva, eu ainda tremia. — Isso foi real?

Ele assentiu com um sorriso bobo.

E então ele colou os lábios nos meus. Foi tão rápido, um beijo tão rápido, mas o suficiente para eu sentir a boca vermelha dele sobre a minha.

— Desculpa — ele disse sem jeito quando percebeu que eu havia ficado chocada.

— Tudo bem — eu falei tentando soar tranquila, um garoto me beijou! Um anjo me beijou!

— Eu queria saber como é.

— E o que você achou? — Perguntei nervosa.

— Foi ótimo! Meu coração está batendo muito forte, quer sentir?

Ele encostou a minha mão no seu peito, realmente o seu coração batia acelerado.

— O meu também.

Encostei a mão dele no meu peito para que ele também sentisse.

— Agora eu sou seu por completo. Seu anjo e você é a dona dos meus lábios.

Sorri. Ele era meu mesmo.

— Como você se chama? — Perguntei.

Mas então ouvi a minha mãe me chamando, virei-me na direção dela que caminhava para fora da casa gritando o meu nome.

— Qual o seu nome? — perguntei outra vez, mas quando fui olhar para ele, o meu anjo da guarda havia desaparecido.


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