Capítulo único.
OneShot: Júpiter e Saturno
Autora: VParkMin (euzinha)
Versão: Taekook.
Dedicatória:
"Dedicado aos amores impossíveis
existentes no universo..."
.
Meu doce universo repleto de cores, permita-me amar, permita-me ser o que eu sempre quis ser, ao lado de quem me faz desejar que a vida seja duradoura...
Embora o universo marchasse em toda a sua ousadia, ostentando sua incomparável beleza misteriosa, brilhante, esplendorosa e nivelada de cores que ainda sequer haviam sido descobertas, sua monotonia entediou aquele que gostava de fazer travessuras, unir o improvável e embebedar os corações mais incrédulos, o Destino.
O mesmo havia se cansado de unir, desunir, presentear, causar lágrimas, alegrias, remorsos, empatias e acontecimentos inesperados nos seres de duas pernas que erguiam penhascos de tijolos e que povoavam o planeta de nuances azuladas, esverdeadas e terrosas, os humanos.
Cansou-se daquele lugar onde muitos achavam-se melhores que os outros. Onde egoístas e orgulhosos rompiam laços com a decência e amor genuíno pelo próximo. Onde muitos queriam escrever o seu próprio destino, deixando de lado a naturalidade de seus dias, dos planos que lhe eram preparados com afinco por mãos habilidosas de algum artesão que tudo entendia sobre aquela imensidão de estrelas, planetas e corações latentes.
Eis que, em um daqueles lampejos de ideias, o destino questionou-se sobre a dádiva que fôra entregue somente para os habitantes da terra, o amor. Naquele enorme planeta, havia o amor maternal, paternal, romântico, fraternal e de várias outras nomeações e significados, no entanto, não parecia justo o amor existir apenas naquele globo.
Estrelas não amavam. Poeira cósmica não amava. Planetas não se apaixonavam e a escuridão apenas abraçava aqueles astros, como uma mãe que acolhe um filho que acabara de se ferir, mas sem realmente sentir o quão aquele gesto demonstrava um amor incomparável e afetuoso.
Era triste.
O universo era triste.
A solidão e frieza do vácuo que ultrapassava a eternidade e toda a magnitude de um vazio intocável, era triste.
Então, a maior traquinagem fôra feita pelo menino de sonhos e certezas, esta que seria a maior das maiores travessuras já feitas.
Como se uma semente fosse lançada em uma terra fértil, o amor velejou por entre constelações, desvencilhando-se de astros celestiais de diferentes formas e tamanhos e despencou lentamente sobre a superfície densa e bela de Saturno.
E, esta mesma semente de afeto e sentimentos arrebatadores, fôra habilmente depositada no Planeta de cores quentes e dóceis, Jupiter.
Todos sabem que há uma distância de magnitude inegável entre os dois planetas, mas todos sabem também que o destino gosta de pregar peças e que está sempre nos mantendo em suas mãos delicadas.
Ele sempre desejam brincar um pouquinho mais, apenas para afastar o seu tédio e arfares sonolentos que a monotonia causa-lhe às vezes.
Mas, como nem o próprio destino é capaz de entender a potencialidade de algo tão notável como o amor, aqueles dois apaixonados cultivaram um sentimento tão avassalador que o destino surpreendeu-se quando, na tentativa de destruí-lo, conseguiu apenas fortalecer os sentimentos puros que residiam Júpiter e Saturno.
Embora existisse um grande espaço que os mantinha separados, Júpiter amava Saturno. E Saturno amava Júpiter. E tudo o que lhes restava, era aquela crua esperança de um dia estarem perto um do outro, contemplando as figuras florecidas e iluminadas daquele aconchego que somente os apaixonados podem proporcionar.
As estrelas e os cometas entristeceram-se diante daquela história de amor de realidade sôfrega. Nem o Sol, em sua majestade inabalável, conseguiu esconder a melancolia que o assolava cada vez que contemplava aqueles dois astros que se amavam da forma mais bela e indestrutível que algo ou alguém poderia amar um dia.
Mil anos se passaram e nada havia mudado. Saturno, que tinha uma doçura perpetuada em cada traço de sua composição, ainda sonhava com o dia em que seria empurrado por alguma constelação para perto de seu amado.
E Júpiter, que tinha uma intensidade palpável em cada detalhe da sua existência, deixava-se velejar por inimagináveis lugares do universo, sonhando também, não mais tanto esperançoso, com o dia em que teria Saturno ao seu lado, amando-o com voracidade e recebendo também o seu amor voraz.
O Destino havia esquecido-se daquela travessura que fizera um dia, e ao lembrar-se, sentiu-se desolado e arrependido de ter feito tamanha injustiça. A tristeza o consumiu ainda mais quando notou que, mesmo sabendo da impossibilidade daquele desejo ser um dia realizado, Júpiter e Saturno ainda sonhavam em um dia ficarem juntos.
Comovido, mas acreditado que nada mais poderia ser feito para mudar aquela realidade, o Destino resolveu propor-lhes algo. O amor envolve méleos e simpatizantes sentimentos, mas também é repleto de espinhos e escolhas.
Eis a proposta do destino, para os apaixonados: Esquecer-se um do outro por toda a eternidade, assim evitando a dor de jamais poder estar perto, ou serem presenteados com um único momento, para poderem estar juntos e depois voltarem aos seus destinos e conviverem com a eterna lembrança do dia em que puderam estar perto um do outro.
Era uma escolha difícil.
Uma escolha que ultrapassava todas as complexidades mais complexas existentes.
Pensaram.
Perceberam então que jamais sequer cogitariam esquecer-se daquele amor que os unia. Mesmo que doesse, eles teriam o consolo nas árvores que aquelas sementes haviam erguido em seus corpos de composições indecifráveis. Então eles viveriam, juntos, aquelas horas que lhe seriam dadas, como se fossem -e realmente eram- as últimas da sua existência.
No instante em que decidiram qual seria sua escolha, algo começara a acontecer naquela imensidão. O Destino estava trabalhando em seus mistérios, preparando, para os amantes, os mais suaves e inesquecíveis presentes.
Eles não escolheram o esquecimento, escolheram a opção de amar eternamente, ainda que uma vasta distância os mantesse separados por todo o sempre depois daquele breve momento que ficariam juntos.
Uma luz surgiu em meio a densa escuridão e um barulho estarrecedor ressoou por longos segundos. Saturno sentiu-se estremecer, assim como Júpiter. O barulho cessou e tudo o que restara, fôra apenas os ruídos que o próprio universo sussurrava desde o seu nascimento.
A calmaria acalentou tudo o que rodopiava e flutuava na galáxia, embalando cada pedacinho dela com dedicação. As estrelas sorriram como nunca antes. E talvez aquele fosse o dia mais feliz que houvera naquele espaço espetacular e de infinitas possibilidades.
Os olhos de Júpiter se abriram lentamente, e a claridade o fez sentir como se suas íris queimassem. Demorou alguns segundos para se acostumar com a luz do sol que sorria para si. Sentia-se estranho, podia escutar algo batendo dentro de sua estrutura. Aquele bater rápido era o que chamavam de coração? O coração era um sentimento? Um tipo de estrela inquieta que queria fugir de seu interior?
Encarou o que ele era naquele instante, vendo uma estrutura um tanto peculiar, coberta por uma camada de algo que ele não compreendia e que esbanjava uma coloração quente, como bronze suave e celestial, aquela era a sua pele.
Ergueu lentamente o quê o ajudara a se levantar do chão frio e, curioso e um tanto assustado, encarou aquele membro que continha cinco espécies de palitos cobertos da sua pele, eles se mexiam à medida que ele observava cada detalhe da própria mão.
Um humano.
O destino havia os tranformado em humanos.
Os motivos eram simples; A espécie humana também fôra presenteada com a dádiva de tocar, sentir, ser arrebatado por infinitos desejos, tanto carnais quanto espirituais e de compartilhar o amor das formas mais intensas e afetuosas existentes. Também tinham a forma mais doce de amar, embora muitos não dessem o devido valor à tal dádiva.
Júpiter sentiu-se tremer quando seus olhos de cor caramelada pairaram pelo rapaz que ainda dormia ao seu lado. A doçura daqueles fios negros com nuaces de azul e roxo que despencavam sobre a face angelical do adormecido, fez a estrela em seu interior bater ainda mais rápido, causando-lhe um arfar surpreso.
Era Saturno. Este que espreguiçou-se e abriu os olhos com lentidão, também incomodando-se com a luz que atingira seus mirantes de cor que mesclava-se dentre um turqueza e lilás. Também surpreendeu-se com o que havia se tornado, e, depois de longos segundos, fixou seus próprios olhos nos do rapaz de cabelos quase dourados que estava ao seu lado.
ㅡ És tu, meu amado? - Saturno, que tinha lábios finos e pigmentados de um vermelho centilante, sorriu para Júpiter.
Só então, o de cabelo com fios dourados percebeu que também conseguia emitir aqueles sons que ele entendia perfeitamente, pois o destino também cuidou daqueles detalhes com muito carinho e dedicação, para que tudo acontecesse da forma mais inesquecível para ambos.
ㅡ Sim.... - sussurrou e imitou o gesto de Saturno, sorrindo timidamente.
Os olhos alheios prenderam-se nos lábios fartos que ainda esboçavam o sorriso. Aquele sorriso era de um formato excepcional, não redondo, não triangular, era algo diferente. Bonito.
ㅡ Jungkook. - falou de repente, conseguindo fazer com que Júpiter o encarasse com certa curiosidade.
ㅡ O quê? - o timbre era suave, mas ao mesmo tempo vibrante e intenso.
ㅡ Em meu sono, escutei uma voz me dizer que eu seria Jungkook em minha forma humana. Ser um Jungkook parece espetacular, não acha? - disparou, levantando-se com dificuldade, pois ainda não havia se acostumando com aquele corpo macio e desnudo.
Júpiter o olhou com atenção. Jungkook parecia entender muito mais daquelas mudanças, mas a sua atenção fôra tomada por aqueles traços perfeitos dele. Um rápido franzir surgia acima de suas bochechas, próximos aos olhos, toda vez que ele sorria. Era tão lindo. Como uma estrela.
ㅡ E você? - foi surpreendido com a pergunta do rapaz de pele empalidecida e bela. ㅡ O destino não lhe dera um nome humano?
ㅡ Eu não me lembro...
Esforçou-se um pouco mais, e depois de alguns segundos, lembrou-se que sim, havia escutado uma voz enquanto dormia.
ㅡ Kim Taehyung...
ㅡ Kim Taehyung? - o outro o fitou com carinho e depois corou. ㅡ Eu gosto. Eu gosto de Kim Taehyung.
ㅡ Eu quero tocar em você, Satur.... Jungkook! - Taehyung corou também, mas suas mãos já seguravam a estrutura magra do rapaz.
Era uma necessidade que gritava em seu íntimo. Ele queria simplesmente sentir e saber do quê ele era feito, mas aquele toque o deixou trêmulo e com uma sensação queimante em seu interior, fazendo suas mãos ficarem trêmulas e a estrela bater mil vezes mais rápido em seu peito.
ㅡ Você sabe o que está fazendo? - Jungkook perguntou, sorrindo em seus braços.
ㅡ Não...
ㅡ Está me amando. - suspirou, levando os dedos até a face de Taehyung, este que também suspirou ao receber o toque tão suave.
ㅡ Então os humanos se amam desta forma? - perguntou, respirando pesadamente contra a face de Saturno.
Jungkook sentiu-se amolecer nos braços do outro. De alguma forma inexplicável, ele entendia todas as formas de amar que existiam entre os humanos. Porque o destino havia cuidado disso também. Ora pois, o destino sempre fôra muito detalhista e generoso.
Os apaixonados encontravam-se em um planeta um tanto quente, mas que se tornava frio à medida que o sol se ponha no horizonte. Logo à frente, havia uma substância líquida de cor azul, mas ao mesmo tempo cristalina, que fazia um vai e vem peculiar sobre a superfície branca que jazia nas bordas. Não era poeira ou terra grotesta, era um tipo de grão minúsculo que formava pequenas dunas.
Júpiter e Saturno pisavam em um chão diferente daquele, perto, mas diferente e que fazia cócegas. Uma terra verde e pontiaguda, mas que não machucava, pois era macia. Não muito longe, podia ver um tipo de campo, talos verdes que surgiam do chão e que ostentavam em seus topos, uma espécie de algo que não conheciam, com suas pétalas amarelas e centro grande de cor marrom.
Ah, eles não sabiam que se chamavam girassóis, mas aquele detalhe não os impediu de se apaixonarem perdidamente por aquele campo amarelo que estendia-se por uma grande parte do solo. Ambos se surpreenderam quando pontinhos brilhantes começaram a surgir no céu.
ㅡ O quê são? - Tae sussurrou, os braços envolvendo a cintura de Jungkook, este que estava de costas para si, com a cabeça repousada em seu ombro.
ㅡ Eu não sei. - respondeu sincero.
Estavam acostumados com as estrelas que eram verdadeiros planetas de tamanhos extraordinários, então sequer cogitaram a possibilidade daqueles pontinhos brilhosos serem aquelas estrelas monumentais que eles tanto contemplavam. Suas vizinhas.
ㅡ Eu sinto uma emoção inexplicável agora, Tae. - O moreno passeou o próprio nariz pelo pescoço de seu amado, sentindo a pele da área arrepiar-se violentamente.
ㅡ T-ae? - o outro ciciou de olhos fechados. Sentia um ar adentrar seu corpo com certa dificuldade, causando-lhe uma sensação sufocante, mas boa, pois era Jungkook que o fazia sentir todas aquelas coisas desconhecidas.
ㅡ De Taehyung. - o de olhos mesclados em turqueza e lilás murmurou contra sua pele.
ㅡ Posso chamá-lo de Jung, então? - o questionou. ㅡ Jung de Jungkook.
ㅡ Não. Eu prefiro Kook.
ㅡ Tudo bem. - assentiu o outro timidamente.
Júpiter ainda estranhava tudo aquilo e por isso, se sentia um tanto intimidado. Mas aos poucos, se acostumava com tudo o que estava acontecendo. Estava se acostumando com o vento daquele lugar, com o cheiro que deixava a pele de Jungkook, com o campo amarelo e as dunas que eram atingidas pelo líquido cristalino.
ㅡ Eu quero pisar naquele chão de cor pálida, Tae! - Saturno impôs seu desejo, já encaminhando-se até o chão de grãos minúsculos.
Ambos caminharam pelo solo de areia, sorriram diante das novas sensações, sujaram-se com aqueles grãos. E quando pararam para contemplar a imensidão acima de suas cabeças, um frio já tomava seus corpos, fazendo os dois tremeram.
ㅡ Como fugir disto, Kook? - Júpiter o questinou, sentindo toda a sua estrutura quase congelar.
ㅡ Devemos procurar algum lugar para ficar. - falou, sorrindo travesso. ㅡ Os humanos têm abrigos, algo que os deixam quentes e que os escondem das estrelas e dos cometas. Eles chamam estes abrigos de lar...
ㅡ Devemos ter um lar, meu amor? - Tae estava confuso, mas esperançoso e confiante na sabedoria alheia.
Porque Jungkook entendia, pelo simples fato do destino ter lhe dado certa sabedoria. E como vocês já estão cansados de saber, o destino é magnífico, incomparável e perfeito.
ㅡ Sim. Acho que devemos.
ㅡ Como encontrar um lar? - o cabelo dourado de Taehyung era atingido por rajadas suaves de vento que faziam os fios dançarem de um lado para o outro como em um balé.
ㅡ Veja! - Jungkook apontou para o lado oposto.
Lá estava. Uma cabana que parecia ter sido destinada à eles. Caminharam até a casinha de madeira e quando adentraram, suspiraram em surpresa.
Algo esquentava aquele lugar, tinha a cor do sol e oscilava enquanto mantinha-se no mesmo lugar, em uma estrutura de arco de pedra. Era um lareira. Seus corpos esquentavam aos poucos e os sonhos pareciam cada vez mais palpáveis.
Ambos estavam nus, mas pouco se importavam. Não tinham vergonha alguma ou malícia naquele momento. Taehyung fitou um tipo de esteio suspenso, coberto por algo que ele não conseguia entender.
Aproximou-se e o tocou, sentindo a maciez do colchão. Maravilhado, deixou-se cair sobre o que para si, eram nuvens um pouco mais consistentes. Sorriu de olhos fechados, gostando da sensação de deitar-se alí.
Abriu os olhos abruptamente quando sentiu dedos mornos em sua face. Encontrou os olhos magníficos do seu amor, este que havia se debruçado sobre o seu corpo, fazendo-o arfar em clara surpresa.
Saturno deslizou os dedos pela pele celestial de Júpiter até pará-los nos lábios de cor avermelhada. Os olhos encontrados sequer fugiram um do outro, estavam hipnotizados demais para cogitar o abandono.
Inclinou-se um pouco mais e uniu sua boca à dele. Júpiter ficou sem reação, mas quando percebeu que aquele toque o deixava extasiado, fechou os olhos lentamente, imitando o que Jungkook havia feito segundos antes de beijá-lo.
As mãos compridas de Taehyung seguraram os ombros de Jungkook com ternura, enquanto seus lábios ainda namoravam castamente. Tremeu quando o rapaz de cabelo de nuances virou o rosto para o lado oposto, causando o encaixe bom de suas bocas, e inseriu algo úmido e de gosto doce dentre seus lábios.
Tae imitou o seu gesto e seus gostos se encontraram. Inquieto e pouco satisfeito, Jungkook o beijou com mais intensidade, pressionando sua boca na dele com mais voracidade, arrancando murmúrios do outro e apertos desesperados em seus ombros.
Júpiter sentia seu corpo ser tomado por uma quentura incoerente. Era incrível, pois ele se sentia quente, no entanto um frio se alojava em seu interior, fazendo o mesmo ter calafrios e arrepios repentinos. Deslizou as mãos pelo corpo de Jungkook, a pele era tão morna e macia que ele sentiu vontade de beijar cada parte dela.
E assim o fez, abandonou os lábios sedentos de Saturno e beijou o pescoço, ombros, braços e barriga do seu amado. Como se uma luz viesse em sua mente, soube o que estavam prestes a fazer. Porque também era uma forma de amar. A forma que eles poderiam demonstrar um pouquinho daquele amor imenso que sentiam um pelo outro.
Trocou as posições e se ajeitou sobre o corpo de Jungkook, tomando cuidado para não machucá-lo. Encarou os olhos de nuances, testemunhando as íris escurecidas e ansiosas por algo. Tomou os lábios do rapaz com desespero, querendo mais daquele gosto, daquele amor que exalava dele.
Suas peles se encostavam com mais anseio e os dedos pálidos de Saturno passearam por sua nuca e alcançaram os fios dourados e finos de seu cabelo. Arfou dentre o beijo quando Jungkook puxou os fios que segurava. Era uma sensação que ele jamais conseguiria explicar.
ㅡ Eu te amo. - Kook sussurrou, deixando toda a sua sinceridade transcender e atingir o amor que finalmente estava perto de si.
ㅡ Eu também te amo. - Taehyung confidenciou, certo de todo o amor puro que havia em seu interior.
E eles se amavam.
Se amavam como ninguém nunca amou em todo o universo. Aquele sentimento tão cruo era repleto das mais lindas juras de amor, dos sorrisos mais belos, dos desejos mais sinceros e da cumplicidade mais notável.
Jungkook se ergueu um pouco e selou a pele quente do pescoço de Taehyung com seus lábios trêmulos e úmidos. Foi mais ousado e sugou alguns lugares, deixando marcas ligeiramente avermelhadas. Surpirou assim que pôde sentir o desejo do outro despontando perto de seu abdômen, era tudo tão erótico e romântico.
Seu sexo também já encontrava-se ereto, sentia o mesmo doer, e ele queria destruir aquela dor o mais rápido possível, então ondulou o quadril contra a virilha do rapaz de cabelo dourado, tentando encontrar uma forma de sentir prazer.
Taehyung gemeu sôfrego com os estímulos abaixo de si. Também movimentou seu próprio quadril e fechou os olhos diante da sensação que aquilo causava em todo o seu corpo. Os dedos de Jungkook haviam abandonado seu cabelo e agora maltratavam seus ombros largos em apertos carregados de ansiedade e paixão.
ㅡ Prometa que me amará por todo o sempre. - Kook pediu, olhando o outro profundamente.
ㅡ Eu te amei por mil anos, Saturno. E te amarei por mais mil anos. Eu prometo...
ㅡ Eu também irei te amar para sempre, Taehyung. Eu prometo! - o beijou.
Gemidos ressoavam cada vez que conheciam um pouco mais um do outro. Sentiam-se embriagados dentre os beijos, os toques, os corpos colados e suados. Jungkook se encaixou ao seu amado, pressionando a cintura esbelta de Taehyung com suas coxas.
ㅡ Você sabe o que fazer, Tae? - seus olhos brilhavam e seus dedos inquietos passeavam pelas clavículas elegantes de Júpiter.
ㅡ Acho que sim... - assentiu. As bochechas coradas e os lábios umedecidos por saliva de ambos.
Jungkook deixou-se relaxar no colchão e esperou, pacientemente, Taehyung se ajeitar dentre suas pernas e pressionar a própria ereção em sua entrada. Fechou os olhos para senti-lo melhor, e gemeu sôfrego a medida que ele o invadia vagarosamente.
Sua mente se tornou turva por breves segundos. Tae ficou sem se mover por um tempo, tentando se acostumar com aquela maresia que o tomava demasiadamente. Jungkook era quente, macio, perfeito. Moldavam-se perfeitamente um ao outro. Pareciam ter sido feitos um para o outro.
Saturno pertencia à Júpiter.
E Júpiter pertencia à Saturno.
Moveu-se lentamente, invadindo o seu amado com um carinho descomunal. Sentia-o se apertar contra seu sexo, maltratando o mesmo. Sorriu, pois imaginou estar sonhando mais uma vez, no entanto ele sabia que daquela vez era real.
A cama de repente parecera pequena para tanta entrega. Taehyung segurou as mãos de Jungkook e entrelaçou seus dedos longos ao dele, pressionando-os contra o colchão. Encarou os olhos de nuances e o penetrou mais uma vez, indo mais fundo, arrancando um arfar alto dos lábios finos e elegantes de Saturno.
ㅡ Isso é tão bom... - Jungkook estava absorto naquele desejo que os queimava de um jeito inexplicável.
Um calor febril reivindicava a pele de ambos, atenuando o prazer que sentiam, o amor que os tragava sem censuras. Um barulho agora os mantinha mais que acordados. Era suas peles se chocando cada vez que Tae o penetrava.
Seu corpo o aceitava com mais imponente perfeição, fazendo-o suspirar e arfar contra a boca farta de Taehyung, este que o tomava com mais destreza e rapidez. Apertou as mãos do rapaz quando, em um movimento fundo, Tae encontrou um ponto sensível em seu interior.
ㅡ O que houve? - Júpiter perguntou, preocupado.
ㅡ Faça novamente.
ㅡ O quê?
ㅡ Vá fundo como fez antes, meu amor...
E o seu pedido fôra atendido com prontidão. Taehyung conseguiu arrancar mais um gemido alto do moreno, assim que foi fundo e atingiu o mesmo ponto que atingira mais cedo.
Jungkook afundou o rosto na curva do pescoço do outro e sua voz sumiu quando seu interior fôra tomado com mais força e seu ponto sensível foi estimulado várias e várias vezes. Afastou-se e sua cabeça descansou no travesseiro.
Tae o empurrava contra o acolchoado, tentando buscar um alívio para aquela quentura que ameaçava fugir do seu corpo. Fitou o rosto alheio, vendo o homem que amava com as bochechas vermelhas e os lábios entreabertos.
Estremeceu assim que os dedos de Kook deixaram os seus e desceram por entre seus abdômens unidos, encontrando a própria ereção e a estimulando. Eles sentiam que estavam próximos de algo, embora não soubessem exatamente do quê.
Os olhos, antes caramelados, de Júpiter agora ostentavam uma tonalidade alaranjada, centilante e intensa. Jungkook se perdeu naquela imensidão de cores fumegantes, e apaixonou-se ainda mais, se possível, por aquele rapaz de sorriso abrasador.
Haviam esperado tanto por aquele momento, embora não tivessem certeza de que um dia ele chegaria. A paixão avassaladora que sentiam era o combustível para os sonhos mais improváveis. Era simplesmente amor. E amor não é algo que conseguimos explicar de forma fácil, pois ele só é entendido, quando sentido.
Nem o fogo oscilante da lareira, foi capaz de competir com o fogo que tomava aqueles lençóis. Taehyung capturou os lábios de Jungkook e velejou na suavidade e duçor daquela boca de sabor instigante.
Mordeu a área com carinho, sentindo fogo líquido se concentrar em sua virilha. Penetrou o outro com mais afinco, escutando-o pedir por mais. Fechou os olhos com força quando chegara ao seu ápice sem prévias. Espasmos tomaram cada centímetro dos seus músculos e a sua mente fôra tragada para um céu diferente de todos, com nuances azuladas e arroxeadas.
Jungkook, ao notar que Tae havia encontrado o que tanto procurava, estimulou sua própria ereção com destreza e logo também fôra tragado pelas mais intensas e extensas constelações de prazeres tumultuados. Amoleceu, sorridente e mais que satisfeito.
Horas se passaram.
Conversaram, se amaram mais uma vez, perto da lareira e fizeram mais juras de amor. Kim Taehyung buscou conhecer cada mínimo detalhe do seu amor, desde a pontinha do nariz até os dedinhos do pé. Apaixonava-se cada vez mais pela voz, pela forma que ele sorria, pelo som da respiração e das batidas da estrela em seu peito.
Jungkook também gravou cada pedacinho de Taehyung. Beijou as bochechas quentes, as têmporas, as mãos, as clavículas e tudo o que ele era. Gostava do som grave de sua voz, do sorriso cativante, dos olhos e das linhas de expressão que descansavam em sua face.
ㅡ O que faremos agora? - Jungkook perguntou depois de um tempo.
Estavam debruçados no batente da janela, olhavam o nascer do sol, encantados com as cores que surgiam no horizonte. Não haviam dormido um segundo sequer, pois algo os deixava um tanto aflitos.
Taehyung não sabia o que era, no entanto ele sentia que algo aconteceria caso dormissem.
Jungkook tinha a mesma sensação. Era angustiante. Seus olhos de repente queimaram, e assustou-se quando água salgada deixou suas órbes e escorreram por suas bochechas cheinhas.
ㅡ Podemos ficar aqui. Acho que os humanos ficam juntos quando se amam...
Tae suspirou diante de suas próprias palavras e fitou os olhos de Saturno. Observou aquela pequena quantidade de água que molhava as bochechas do seu amor e crispou os lábios, pois sentia que aquilo não era algo que transmitia felicidade no momento.
ㅡ O quê significa? - passou o polegar pelo rosto alheio, secando as lágrimas de Jungkook.
ㅡ Acho que estou chorando.
ㅡ O quê é chorando? - perguntou, preocupado diante da feição entristecida do rapaz.
ㅡ Acho que os humanos choram. É uma água salgada que deixa os olhos, mas elas vêm do coração.
ㅡ Está triste, meu amor?
ㅡ Angustiado.
ㅡ Não é bom?
ㅡ Não. Mas tudo vai ficar bem, meu amado! - sorriu pequeno para Taehyung, este que retribuiu o gesto e também sorriu.
E eles fingiram que estava tudo bem.
E talvez vocês precisem saber sobre os planos do destino. Eis que o mesmo havia feito com quê Júpiter e Saturno se esquecessem de que teria apenas aqueles momentos juntos. Sei que pode parecer injusto, mas não seria mais melancólico, caso vivessem aqueles momentos e soubessem que tudo acabaria ao nascer do sol?
E, foi pensando na dor que aquele amor causaria aos dois, que o destino também cuidou de rever sua própria travessura...
Jungkook suspirou e agarrou a mão de Tae, estava sendo tragado pelo sono. Era de manhã. Era tarde. Era melancólico. Era aconchegante e suave.
ㅡ Eu te amo. - murmurou sem forças, conseguindo sorrir uma última vez.
Taehyung o viu fechar os olhos lentamente e acreditou que o cansaço havia o vencido por breves horas. Alinhou-se ao corpo de Saturno, encostado na parede ao lado da janela. O ajeitou com carinho e o fez colocar a cabeça em seu peitoral.
ㅡ Também te amo, meu garoto de nuances. - riu contido, também cansado e sonolento.
Deitou-se no piso, levando consigo o corpo já desacordado de Jungkook. Ficou alguns segundos encarando o teto, e depois de um tempo, dormiu.
O universo estava pronto para recebê-los mais uma vez. O destino os separou com pesar, tendo dificuldade de fazer com que os braços de Júpiter deixassem Saturno ir para longe.
Em um lapso de tempo, o destino os fez voltar ao espaço azul e profundo, sem princípio e nem fim. E, arrancou o amor de seus corações. Percebeu que nunca deveria tê-los feito se apaixonar um pelo outro, porque seria um amor consistente que causaria muita dor.
Saturno, o planeta de nuaces, deixou de amar Júpiter.
E Júpiter, o planeta de tons quentes e belos, deixou de amar Saturno.
Dizem por aí que os dois jamais deixaram de se amar e que guardam esse segredo por milhares de anos. Mas também dizem que eles realmente esqueceram-se para sempre de que um dia perteceram um ao outro e que se amaram como ninguém nunca amou em todas as constelações e universos ocultos. Se tornaram um belo mistério para os que acreditam e desacreditam no amor.
E no final, em algum momento podemos escolher uma parte de nosso destino, como quando Júpiter e Saturno tiveram que escolher dentre amar eternamente ou esquecer-se para sempre daquele sentimento. Mas o epílogo, é sempre descrito pelo próprio destino.
O nosso destino é sempre incerto, sempre inconsistente e sempre...surpreendente.
🌙F I M
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