PRÓLOGO
Louis
Quando você ler isso eu já terei partido e eu espero que você respeite o meu desejo de ir embora não vindo atrás de mim.
Viver essa vida rotineira e suburbana não é para mim. Por todos esses anos eu me forcei a fingir que isso era aceitável, que eu gostava de ter essa família grande e barulhenta, que tudo daria certo e que eu poderia realizar os meus sonhos, mas ambos sabemos que é mentira.
Não estou pedindo perdão ou que você me compreenda, só estou explicando que eu, simplesmente, não posso mais viver desse jeito. Eu quero ser livre, ir aonde eu quiser, trabalhar com o que eu quiser, poder viajar e sair para me divertir. Estou farta de me preocupar com o jantar, com compras ou se temos a quantidade suficiente de fraldas.
Sei que eu devia ter dito antes e meu erro foi ter empurrado essa decisão até depois de já termos quatro filhos, mas alguma hora eu precisaria dar um basta nessa situação.
Provavelmente você está me odiando e achando que eu escolhi o pior momento, sinto muito que você acabou de voltar do velório da sua irmã, eu sinto mesmo. Mas, acredite em mim, isso vai ser o melhor no futuro. Para que eu precisaria esperar mais tempo para ir embora?
E as crianças vão curar tudo de uma vez, tanto a minha partida, quanto a perda de Fizzy. E eles são crianças, logo já estarão bem e nem se lembrarão de tudo isso.
Deixei os papéis do divórcio já assinados, você pode ler ou até levar para um advogado, está tudo correto. Assim que você assinar você envia para o escritório de advogados que está cuidando disso. Também já deixei o papel te concedendo a guarda total das crianças, fique sossegado, eu garanti que a guarda seja sua sem chance dos meus pais interferirem. Nem mesmo eu poderia, caso um dia quisesse.
Quatro crianças dão muito trabalho, mas você tem sua irmã e seus amigos, então creio que não terá problemas, afinal você já é um bom pai, vai saber se virar.
Não ache que eu nunca te amei, porque te amei de verdade, mas percebi que tínhamos sonhos diferentes, os seus são muito simples para mim. Eu quero ganhar o mundo e os seus se resumem a sua família. Eu quero bem mais do que isso.
Não vou me estender aqui, eu não sei lidar com despedidas, tanto que achei melhor não te esperar para conversarmos pessoalmente. Apenas diga para as crianças que eu fui procurar o melhor para mim, afinal eu mereço.
Eu desejo que tudo fique bem com vocês e espero que você não me odeie. Talvez um dia a gente se encontre, talvez não, mas o mais importante é que ambos sejam felizes com a vida que queremos viver.
Adeus
Eleanor
Louis releu aquela carta várias vezes, ainda sem conseguir acreditar que aquilo era real. Ele esperava que não passasse de um piada de mau gosto, que sua esposa aparecesse rindo e ele ficaria bravo pela brincadeira malvada.
Mas isso não aconteceu.
Sua vontade era rasgar aquela maldita carta e queimar os pedaços.
Me forcei a fingir que isso era aceitável
Eu quero ser livre, ir aonde eu quiser, trabalhar com o que eu quiser, poder viajar e sair para me divertir
Você já é um bom pai, vai saber se virar
As crianças vão curar tudo de uma vez, tanto a minha partida, quanto a perda de Fizzy
Eu fui procurar o melhor para mim, afinal eu mereço
Ela estava louca?
Ele tinha feito tudo o que ela queria, até comprar aquela maldita casa que ele odiava. Ele tinha mudado de estado, tinha a incentivado a voltar a estudar, assumiu todas as contas da casa para que ela pudesse focar em seguir a área que ela quisesse sem ter pressão nenhuma.
Louis amava Alice, mas a ideia de ter mais um filho tinha vindo da própria Eleanor, agora ela nem tinha a consideração de citar a menina na carta?
Aliás, a coisa que Eleanor menos teve foi consideração. Ela usou o momento que Louis tinha viajado para sua cidade natal, para o enterro da sua irmã mais nova, para fugir covardemente.
"Eu não lido bem com despedidas"
Que merda de desculpa é essa?
É assim que você acaba com um relacionamento de mais de quinze anos? É a justificativa que você dá para abandonar seus filhos sem nem dizer um "adeus" para eles?
Louis tirou foto daquela carta, afinal era sempre bom ter uma cópia, dobrou e guardou. Ele assinou cada um dos papéis, depois de ler e, também, tirar fotos. Colocou tudo dentro do envelope e no dia seguinte iria até o escritório de advocacia entregar tudo.
Se Eleanor queria ir embora, que fosse, Louis não seria aquele que imploraria por alguém que, claramente, não quer ficar. Mas ele também ia garantir que ela nunca voltasse.
Ainda se sentindo meio anestesiado, ele foi até o quarto dos seus filhos, todos dormiam bem, mesmo que os últimos dias tenham sido difíceis. Ele sentiu muito por aquelas crianças, que dormiam tristes pela perda da tia e não sabiam que tinham perdido mais alguém.
Louis beijou a testa dos quatro filhos, garantiu que todos estivessem bem cobertos e confortáveis. Ele sempre fez o que pudesse por eles, agora faria o dobro. Se Eleanor era estúpida o suficiente para não perceber as preciosidades que tinha, que se foda ela!
Ele os amaria e os apoiaria em tudo, seria o pai mais dedicado e nunca deixaria que eles questionassem o seu valor.
Ele tinha trinta e cinco, mas no momento se sentia com muito mais, como se carregasse o peso do mundo nas suas costas. Suspirou e voltou para o seu quarto, ainda estava com a roupa que tinha usado na longa viagem de volta e seu corpo estava tão cansado, que só um banho ajudaria. As roupas ficaram pelo chão do quarto e ele não se importou em largá-las, afinal agora o único responsável pela casa era ele mesmo.
Louis ignorou aquela estúpida e conceitual banheira feia, ligou o chuveiro e deixou o jato de água no mais forte e mais quente, atingindo seu corpo de um jeito quase punitivo. Logo o box do banheiro estava cheio de vapor, mas Louis encostou a testa no azulejo frio, sentindo todo torpor sumir e sendo consumido pela dor.
As lágrimas vieram rasgando, a dor dilacerava e o pior é que ele nem estava surpreso por Eleanor o deixar, mas o modo como tinha acontecido é que doía.
Ele tinha acabado de enterrar sua irmã, Fizzy só tinha dezoito anos e sua ex tinha achado mesmo que era esse o melhor momento para os abandonar?
Louis encostou suas costas na parede, tampava o rosto com as mãos, mas as lágrimas escorriam pelos seus dedos e se juntavam com a água do banho. Suas pernas estavam fracas, ele escorreu pela parede até se sentar no chão do box. Chorava tanto que seu corpo quase parecia convulsionar. Ele usava os punhos para abafar os gritos e batia no próprio peito, como se isso fosse ajudar.
Ele chorou pela falta que sentia da sua mãe, porque ela saberia o que fazer. Ele chorou por ter perdido a sua irmã e como isso era injusto, ela só tinha dezoito anos. Dezoito! Ele também chorou pelo casamento desfeito em uma traição, por ela ter usado um momento que ele estava tão frágil para virar suas costas para a família. Ele chorou por seus filhos, que sofreriam com aquilo.
Ele chorou muito, até não ter forças, até não ter mais lágrimas, até a água quente ficar fria. Ele chorou toda a sua dor, porque quando saísse daquele banheiro, não choraria mais por ela.
Eu não sei quando você está lendo isso, mas essa fic é uma comemoração ao dia 28/09, porque Larry é real e merece ser comemorado
Essa fic é bem diferente das outras fics que já escrevi, porque apesar do inicio tenso, eu juro que ela vai ser bem levinha. Ela é bem mais curta que as outras e sem drama (mesmo que não pareça). Se por acaso você ainda não leu nenhuma fic minha, confere lá no meu perfil
E se você ainda não me segue, por favor me siga aqui e no insta (o link está no meu perfil), porque logo teremos muitas novidades!!! Eu aviso tudo no meu perfil, então me siga para não perder nada
Eu quero agradecer de todo meu coração a @louisismyproud e a @Candy_Lotus que são duas loucas que toparam me ajudar a realizar a loucura de escrever uma fic inteira em dez dias!!! Vocês me ajudaram muito e eu devo essa fic a vocês!!! (sigam elas também)
A única coisa que posso dizer agora é que espero que se divirtam e amem ler IRRESTIBLE, assim como me diverti e amei escrever!!!!!!
Não vou liberar adaptações DESSA fic, porque tenho plano para ela...
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