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Atrás das Grades

O sr. Moreira me arrumou um advogado público e graças a esse pequeno detalhe acredito que ele se achava no direito de cometer um atraso.
O delegado continuava a comer seus biscoitos enquanto me observava.
- Você não tem cara de criminosa... - Avaliou, mastigando ruidosamente.
- E não sou!
- Não podemos dizer que roubo é algo permitido por lei, podemos minha jovem?
- Não é isso que estou dizendo! Eu precisava chegar até o hospital o mais rápido possível, por isso peguei o carro!
- E veja só, não lhe adiantou de nada, como pode perceber, não está no hospital.
Fazia sentindo, uma burrice atrás da outra. Será que eu nunca ia ser uma pessoa normal? Ia sempre ter uma vida turbulenta? Porque se as coisas continuassem nesse ritmo... Francamente!
- O que pretendia fazer no hospital?
Aquelas mesmas perguntas de sempre...
- Minha irmã está internada, com leucemia... Parece que o estado dela piorou.
Ele deixou o biscoito no pratinho e me encarou.
- Qual a idade dela?
Pisquei algumas vezes.
- catorze anos - Respondi.
O delegado pareceu não ter palavras pois voltou a pegar seu biscoito.
- Pode me dar um desses? - gesticulei para os biscoitos.
- Eu não devia... Mas pode pegar, apenas um...
Minha barriga já protestava de fome. Peguei apenas um, talvez ele mudasse de ideia e me oferecesse mais... Não, ele não faria isso.
Dei mordidas pequenas para aproveitar cada pedacinho. Estava quase nos farelos quando ouvi uma voz no corredor, era uma voz conhecida... Não devia ser o advogado.
Demorei apenas dois segundos pra me lembrar de onde conhecia a voz, e todo o meu corpo ficou gelado e trêmulo quando me toquei .
Minha teoria se confirmou assim que o homem de vestes sociais e gravata borboleta cruzou a porta da saleta. Os olhos... Agora eu entendia o porquê dos olhos do sr.Moreira me serem tão familiares... Se eu tivesse percebido antes, teria pedido pra ser mandanda direto para a penitenciária. Seria menos humilhante do que encarar o meu gerente naquelas condições precárias...
O sr. McJake percorreu os olhos pela saleta até me focalizar, as sobrancelhas expessas se levantando em um tom de surpresa.
- O que faz aqui Clóvis? - O delegado perguntou.
Sr. McJake ainda tinha os olhos pregados em mim e não quebrou o contato visual ao responder :
- Vim lhe entregar o jantar que a mamã... - Suas bochechas ficaram da cor de um pimentão - Só vim entregar o jantar.
O delegado riu.
- Comprei uns biscoitos mais cedo, não sabia que viria.
Novamente o gerente me olhou.
- Não é um bom lugar para nos encontrarmos, não é mesmo, srta. Drayton?
Balancei a cabeça.
- Não mesmo.
- Aconteceu alguma coisa com a moça?
O delegado balançou a cabeça não muito contente.
- Não se meta no meu trabalho, Clóvis! - O Sr. McJake ficou um tanto constrangido - Mas... De onde a conhece?
Um sorriso perverso surgiu nos lábios do sr.Bigode de foca.
- Por um acaso, a srta. Drayton é uma das funcionárias do hotel.
Um arrepio percorreu minha espinha.
- Um bom emprego... - Notou.
- Deixem-me contemplar minha sorte... Vocês dois são irmãos, é? - Ambos me lançaram um olhar de reprovação.
- Esse sarcasmo não colabora em nada no seu estado atual - O delegado fechou a cara.
- E sim, somos irmãos, srta. Drayton.
Porém eram bem diferentes, com exceção dos olhos... A diferença mais perceptível era o fato do sr. Moreira equivaler a uns três do sr. McJake. A Foca e o Peixe Boi. Que dupla dinâmica!
Havia um documento em cima da mesa onde lia-se a assinatura do delegado :
Delegado Sérgio McJake Moreira
Eu devia ter percebido isso mais cedo, não?
- Então, o que ela faz aqui? - McJake sondou.
- Está esperando um advogado - Agora eu podia fazer ele engolir aquele último biscoito se isso significasse calar aquele bocão - Foi acusada de roubar um carro.
Onde ficava o sigilo? Só faltava eu perder meu emprego agora!
- Minha nossa... Esperava mais d...
- Eu já disse que ia devolver o carro! O que eu ia fazer com aquela lata velha!?
- Eu que lhe pergunto! E não grite na minha sala ou a tranco naquela cela agora mesmo por desacato!
Afundei na cadeira.
- Meu irmão, tem certeza que precisa de tanto? Não pode simplesmente tomá-la por inocente?
Aquilo sim me espantou, vindo do meu- agora- tão querido gerente.
Dele eu esperava qualquer coisa ruim e pedir pra que o irmão me inocentasse provou que talvez ele não fosse tão terrível. Ainda assim a situação era estranha e suspeita.
- Endoideceu? Eu sou uma autoridade aqui, ela não é inocente. Roubou um carro!
Naquele momento um policial, o mesmo que me trouxera até ali, entrou na sala.
- Sr. Moreira, pode trazê-la para o reconhecimento.
O delegado se levantou.
- A vítima chegou?
- Sim, senhor.
- Ótimo.
Fui conduzida até um bloco de vidro escuro. Não me demorei ali, um minuto, acho. Até o policial voltar e me chamar pra fora.
- O dono do carro me reconheceu, legal, e agora? - O delgado apenas levantou a sobrancelha e suspirou.
Outro policial apareceu no corredor.
- O advogado acabou de chegar - Anunciou.
Os dois irmão trocaram olhares de esguelha.
- Mande dizer que não será mais necessário - Disse o delegado com um abanar de mão.
Aah meu Deus, dispensaram meu advogado, eu seria sem dúvida alguma enviada pro xadrez, minha mãe ia ter que se sustentar apenas com a aposentadoria, eu pegaria uns dois anos de prisão, ou quem sabe teria que cumprir serviço público, o que seria bom levando em conta a opção de ser presa.
O delegado se colocou à minha frente, estendi os pulsos.
- O que sugere, minha jovem? - Perguntou com um pingo de diverterimento.
- Pode me algemar. Vão me trancafiar pra sempre em uma cela, não é? - Tá bom, eu estava sendo só um pouco dramática.
- Olha, eu não devia, não devia mesmo mas meu irmão... Bem... Clóvis é bem convincente quando quer...
- Espera... Está querendo dizer que... Vou poder ir embora!?
- Hoje não... Vai passar a noite aqui para pensar no que fez.
- Sem fiança? Sem julgamento? Nada?
- Ainda posso mudar de ideia...
O Sr. McJake estava encostado na soleira da porta, abri o mais largo dos sorrisos e corri até ele de braços abertos, acho que o peguei de surpresa, ou então ele não estava muito acostumado com tais gestos porém acabou retribuindo o abraço e ainda me deu dois tapinhas nas costas, isso não me tranquilizou muito.
Bom,ele iria pedir algo em troca. Alguma coisa lá no fundo me disse que ele não fizera isso a toa, Sr. McJake não era do tipo que sai por aí distribuindo atos de caridade.
Fiz menção de abraçar o delegado também, porém ele ergueu as mãos até a altura do peito para deixar bem claro que dispensava o agradecimento. Ok.


A cela não era tão suja, não tanto quanto pensei que seria. O delegado havia deixado que eu telefonasse para minha mãe. Cibelly continuava na mesma, porém perdera a força de uma das pálpebras, que insistia em ficar fechada.
Inventei uma desculpa sobre estar falando de um telefone público local, ela engoliu a história sobre eu estar cansada e disse que de qualquer forma minha presença não faria diferença. Nicole passaria a noite com ela e Nicholas ainda não tinha voltado do passeio ao "parque" .
Não consegui deixar de pensar em Richard. Talvez ele tivesse errado o lugar... Por quê meu celular tinha que descarregar!?.
No canto da cela havia um colchão, era tão baixo que olhando de certo ângulo, não passava de uma linha fina. Me causaria uma baita dor na coluna mas era um pequeno preço a pagar pela minha liberdado.
Bom, digamos que eu estivesse dramatizando um pouco as coisas com toda essa história de liberdade, cadeia e tudo mais, só que eu realmente estava morrendo de medo de pegar... Sei lá... prisão perpétua!
Tudo bem Kimberlly, respira, se deite naquele colchão gasto, trate de fechar os olhos...
E assim fiz.

***

Acho que o sol ainda não havia nascido quando ouvi alguma coisa no corredor.
Uma porta se abriu... não demorou muito até que um policial alto que eu não conhecia, entrou segurando o braço de um rapaz, ele não parecia ter mais de vinte anos, estava cabisbaixo, a camisa branca grudava no corpo por causa do suor.
A cela à minha frente foi aberta, o jovem foi jogado lá dentro.
O policial saiu, fechando a porta atrás de si.
Fiquei de pé, as mãos grudadas na grade.
- Ei - Chamei.
O garoto levantou o olhar, não parecia satisfeito por ter minha atenção.
- O que é?
Analisei melhor seu rosto. Havia olheiras em baixo dos olhos, a barba por fazer, sua expressão simbolizava cansaço.
- Qual sua idade? - Tudo bem, minha curiosidade ainda iria me colocar em grandes problemas um dia desses.
Ele pareceu confuso.
- Dezenove - Soou mais como uma pergunta - Você é o quê? Detetive? - Falou com uma voz carregada de escárnio.
Soltei uma risada.
- Antes fosse... - Murmurei - Mas e aí? Como veio parar aqui?
Seu cabelo eram cor de bronze, os olhos enormes e pretos feito ónix focaram em mim.
- Andando - Deu de ombros - Quase arrastado, na verdade...
Bufei.
- Que engraçado! - Falei com monotonia - O que quis dizer é, por quê está aqui?
- E isso te interessa?
- Não...
Me sentei novamente batendo com a cabeça na parede,olhei para o teto, não era nada higiênico...
Minha nossa! Minha bexiga estava estourando... Precisava sair dali o mais rápido possível.
- Você vai ser mandada pra uma penitenciária?
Aah, agora ele queria fazer perguntas? Não respondi.
- Me ouviu? - Tornou a insistir.
- Sim
Virei a cabeça para a frente de sua cela. Ele franziu a testa
- Sim você me ouviu ou sim vai ser mandada para uma penitenciária?
- Não vou ser mandanda para uma penitenciária mas ouvi sua pergunta.
- Aaaah.
Ele parecia um pouco idiota para um rapaz tão jovem
- Vai me dizer o que você fez pra vir parar aqui? - Perguntei curiosa.
- Pessoas vem parar aqui o tempo todo, não é? Basta apenas infringir as leis de trânsito e ser pego pelo bafomêtro, aposto que é seu caso.
Balancei a cabeça.
- Tenho cara de bêbada ou coisa do tipo? - Levantei as sobrancelhas.
- Não. Mas também não tem cara do tipo de gente que fica em um lugar como este... O papai ainda não veio pagar a fiança, foi?.
- Como você mesmo parece ter notado, pessoas vem parar aqui o tempo todo, as vezes por causa de coisas banais até...
- Dirigir bêbada não é uma coisa banal.
Arrrg, eu estava recebendo lição de moral daquele idiota metido a bandidinho?
- Eu sei! - Gritei estressada - E o que quis dizer com O papai ainda não veio pagar a fiança?
Soltou uma risada.
- Olha só pra você, com essas roupas bonitas, devem ter sido caras... Faz o tipo filhinha de papai, cheia da grana, entende? - Seu sorriso presunçoso me fez rir, ele estava tão equivocado!
- Na verdade não. É uma longa história - Dei uma piscadela.
- Que não estou interessado em ouvir - Deixou claro.
- E nem eu em contar. Muito menos pra você, garoto.
- Julian Lonvery.
Pisquei algumas vezes.
- Perdão?
Revirou os olhos sem muita paciência.
- Não sou garoto, meu nome é Julian. Julian Lonvery, acusado de assalto a mão armada - E pareceu ter orgulho disso.
Aaah sim.
- E o seu nome? - Quis saber
- Kimberlly Drayton... Hã... Eu peguei um carro que... Não era meu - Dei de ombros.
Ele tinha uma risada engraçada, parecia um animal morrendo.
- Isso não seria roubar?
- Não importa o modo como você chame, eu ia devolver.
- Mas é claro! - Riu novamente.
- Chega de rir às minhas custas. Agora me diga, o que você assaltou ?
- O Shopping. - A descrença era visível em sua voz - Vou te dar um conselho dama, nunca, eu disse nunca assalte uma loja de materiais esportivos... Aqueles caras são doidos! Ainda mais quando tentam te imobilizar com um taco de basebol! E eu estava armado!
- Obrigada pelo conselho.
- Quando eu sair daqui vou fazer aquele maníaco do taco engolir aquelas bolas!
Acabei rindo, apesar de tudo, ele era um cara divertido, não parecia capaz de fazer mal a alguém mas não dava pra confiar, certo?
Passos no corredor despertaram nossa atenção, o policial parou em frente à minha cela, destrancou e abriu.
- O delegado mandou te soltar.
A vontade de sair cantando "Livre Estou" era grande mas o medo de ter que passar mais um minuto ali era maior ainda, por isso dei apenas um "tchauzinho" ao Julian e segui o policial.


Tive uma conversa com o delegado que me lembrou as conversas com o diretor na época da escola quando eu fazia alguma coisa errada. Prometi não dizer nada sobre ele não ter seguido as regras. Se eu abrisse a boca colocaria seu emprego em risco e esse era um segredo que valia a pena não contar.

Eu era uma mulher livre novamente!






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