Capítulo 55
O final de semana passou rápido, Jennie não queria deixar Lalisa, mesmo sabendo que em cinco dias elas se veriam mais uma vez. A ômega se sentiu mais triste que o normal, Jennie faz muita falta para ela, e esses dias passaram de forma lenta e tortuosa. Mas finalmente sábado chegou, junto de sua animação.
A viagem para a universidade de Jennie não fora longa, ela acabou dormindo durante o percurso. Assim que desceu do ônibus, foi recebida por abraços e beijos demorados da sua alfa, que foi até lá para a receber. Enquanto não dava o horário que precisa estar em uma das salas com os responsáveis do projeto, Jennie a levou para conhecer seu dormitório, uma parte do campus e para comerem alguns palitos de queijo na cafeteria mais próxima. E realmente, Lalisa comeu tantos que Jennie perdeu as contas em determinado momento.
O projeto por enquanto esta sobre a supervisão do dono da universidade e a professora Hale, eles não convidaram nenhum aluno, então Jennie não podia entrar para participar da reunião e a deixou na porta da sala, se despedindo com um doce beijo e retornando para seu dormitório.
Lalisa caminhou esfregando a mão na barriga de forma involuntária enquanto cumprimenta com sutis acenos de cabeça algumas pessoas que olham para ela. Manoban se sentou na primeira fileira da arquibancada do lado de uma ômega.
Quando deu o horário combinado, e não tinha mais ninguém para chegar, um ômega no auge de seus trinta anos limpou a garganta e se posicionou de um lugar que todos pudessem vê-lo. Não tinham tantas pessoas, mas ele teria garantir ter total atenção.
— É um prazer recebê-los na Mixed University. Eu sou Nick, faço parte dos proprietários da universidade. – o homem inicia a fala. — O projeto, desenvolvido e planejado pela Srta Hale, aborda a vida dos ômegas, a ideia é falarmos sobre experiências ruins, formas de lidarmos com elas e soluções, incluirmos os alfas e betas na nossa vida diária de luta contra eles mesmos. Alguma dúvida até aqui?
Alguns Ômegas ergueram as mãos, incluindo Lalisa. O homem respondeu a dúvida de três pessoas antes de se virar para Manoban, que abaixou a mão aliviada e cansando de ter mantida tanto tempo erguida.
— Na parte teórica é fácil incluirmos eles na rotina da nossa espécie. Mas na prática não. Eu sou professora em um internato para alfas, e já passei por diversas situações constrangedoras e humilhantes que alguns deles me submeteram, tanto por perguntas íntimas quanto praticando atos desagradáveis contra mim. E mesmo eu falando e ensinando um pouco sobre mim durante as minhas aulas, foi realmente difícil fazer meus alunos mais velhos entenderem que não sou um objeto que serve apenas para prazer sexual e reprodução. – Lalisa falou com a voz calma, sua doce voz chegando nos ouvidos de todos os presentes no recinto. — Quando lidamos com alfas menores de quinze anos, é muito fácil ensinarmos. Alfas crescidos não aprendem isso dá noite para o dia, levam dias, semanas, meses e até anos.
— Realmente, senhorita-...
— Lalisa Manoban.
— Srt Manoban, você está certa. O projeto tem duração de dois anos, são palestras mensais, incluindo atividades em grupo e situações de risco. Você sabe, não será simples mostrar para eles como é difícil lidar com assédio sem que eles realmente vejam como é um assédio. Iremos incluir as crianças também, para que desde cedo entendam isso, mesmo que seja um assunto debatido mundialmente, ainda não tem a força que queremos e precisamos. – o homem falou, alterando o olhar entre Lalisa e os outros participantes. — A Srta Hale fez um resumo sobre como acontecerão as primeiras palestras e com os vamos divulgar esse projeto por toda a cidade, e se possível, pelo país.
— Por que não o mundo? – Lalisa questiona, de forma divertida causando o riso de todos.
— É sonhar alto demais, mas se todos colocarmos fé nesse projeto. Poderemos prolongar ele o máximo possível, sempre buscando pessoas novas. – Nick mostra um pequeno manual em sua mão. — Esse é o planejamento do projeto dentro de seis meses feito pela Miranda Hale.
Um dos ômegas ao lado de Nick começou a ir até a arquibancada e destribuir vários daqueles manuais para as pessoas presentes.
— Amanhã iremos todos nós apresentarmos e falarmos um pouco do projeto, ninguém é obrigado a dizer nada amanhã. Mas se for participar, que ao menos tenha a palavra uma única vez. – ele espera todos terem em suas mãos os livrinhos distribuídos. — O manual tem a instrução sobre o tema explorado amanhã, que será apenas a apresentação do projeto e como queremos incluir a comunidade nele. – ele explica enquanto os ômegas abrem e passam as pequenas páginas com textos e até algumas imagens explicativas.
— Poderíamos fazer folhetos e criarmos redes sociais, hoje em dia tudo é bem mais fácil de ser divulgado pela internet. – Lalisa fala e alguns concordam.
— Já tínhamos pensado nisso, mas precisamos de pessoas suficientes para toda a organização e divulgação. – a Srta Hale fala. — Também precisamos de uma ideia que envolva mais a sociedade para que mais pessoas se sintam propensas a participar.
— Poderíamos envolver doações, arrecadarmos alimentos e outras coisas. Basta escolhermos o centro que iremos doar. – Lalisa sugere, Nick observa com o semblante curioso a ômega grávida. — As pessoas gostam de ajudar, às vezes de forma errada, apenas para dizer que ajudou. Estaríamos trazendo esse público também. Além de falarmos sobre algo realmente sério, ajudaríamos pessoas necessitadas.
— É brilhante! – Nick fala, Lalisa sorri agradecida e retorna o olhar para o manual.
— Quanto mais atividades tivermos, mais públicos podemos alcançar. E se envolvermos pessoas com mais influência nesse projeto, como cantores que poderiam fazer algum show? – uma ômega falou do outro lado da arquibancada.
— Se mudar muito o rumo do projeto pode tirar o foco principal, que é sobre nós, ômegas e em como a sociedade é cruel conosco e maneiras de resolvermos isso aos poucos. – Lalisa se intromete, falando com a voz calma e virando o rosto em busca do olhar da garota que falou. — Mas incluirmos artistas será bom para uma maior divulgação.
— A minha irmã mais velha é amiga da empresária de uma banda britânica famosa. – outro ômega entra no assunto. — Posso tentar falar com ela e pedir que eles divulguem o projeto em suas redes sociais, mas primeiro precisamos criarmos a do projeto primeiro para nos encontrarem com mais facilidade.
— Srta Hale, o projeto tem um nome? – alguém pergunta, todos retornam o olhar para Miranda.
— Não imaginei que precisaríamos de um nome. – ela admite, soltando um riso nervoso. — Mas podemos decidir agora, alguma sugestão?
— Talvez apenas Ômegas? – alguém fala ao fundo.
— Ômegas seria algo muito pouco, não explica nada do projeto. – outra pessoa fala. — O que acham de Ômegas e Lutas Diárias?
— Esse é bom. – concordam.
— Poderíamos usarmos a sigla mundial das três espécies, ABÔ. – outro ômega sugeriu.
— Três espécies, uma nação. – Lalisa falou de repente, recebendo a atenção de volta para si, a mesma com uma expressão pensativa. — E se utilizarmos apenas as inicias poderíamos chamarmos de TEN.
— Projeto TEN. – a Srta Hale fala com um sorriso se formando. — Gosto como isso soa, não discrimina nenhuma das espécies, e deixa claro que não queremos sermos privilegiados ou estarmos a cima deles, mas sim todos na mesma altura.
— Excelente, o projeto então será nomeado como Três Espécies Uma Nação, ou apenas TEN. – Nick fala com empolgação, Lalisa abre um sorriso gigantesco com a sua ideia sendo aceita, todos entram de acordo com o nome e iniciam mais outros assuntos com ideias bem elaboradas.
Quando acabaram a reunião, Lalisa andava contente para fora da sala e pelo extenso corredor, mas parou ao que ouviu Nick chamá-la. Lalisa voltou até o outro ômega com um pequeno sorriso.
— Srt Manoban, certo? – ele pergunta para afirmar.
— Prefiro apenas Lalisa.
— Me chame de Nick. – ele aponta para uma das saídas do corredor que dá acesso a outra parte do campus, a qual Jennie não conseguiu mostrar para Lalisa a tempo. — Podemos?
— Claro!
Eles começaram a caminhar pelos alunos até finalmente estarem fora do sufoco, andando pela pequena trilha entre a grana bem aparada.
— Eu achei incrível todas as suas ideias. – ele inicia o assunto, Lalisa murmura um agradecimento. — A senhorita mencionou que é professora em um intentando, certo?
— Sim.
— Qual a matéria que você leciona? Você fez mestrado?
— Filosofia. E sim, eu fiz mestrado. – Lalisa responde, estranhando toda a curiosidade do outro.
— A sua alfa me falou de você, ela disse que é uma ômega incrível e agora não tenho dúvidas. – Lalisa sorri pelo elogio, e feliz de saber que Jennie a elogia para qualquer pessoa que conhece. — Se eu te fizesse uma oferta de emprego para lecionar no curso de Filosofia na matéria de Historia da Filosofia, você ao menos pensaria na proposta?
Lalisa para de andar assim que ouve o convite. Ela olha para o homem um pouco confusa e ao mesmo tempo surpresa.
— Oh, eu... eu estou grávida de quatro meses. Isso não é um problema? Eu vou ter que me afastar por alguns meses após o nascimento do meu filho.
— Eu entendo, isso aconteceu comigo nas vezes que estive lecionando quando ainda era professor, mas não é um problema, valorizamos todas as espécies e no contrato de admissão fala sobre esses termos. – Nick diz sorridente. — Fora que não posso perder alguém como você, precisamos de um ômega como a senhorita para a Mixed University, a vaga está aberta assim que um dos professores se transferir para uma das nossas universidades na Irlanda, ele irá na próxima semana e eu já estava enviando pro RH alguns currículos a serem avaliados, posso dar prioridade ao seu. – Lalisa continua o encarando surpresa. — Nós temos um alojamento para professores também, pelo menos até você poder alugar algum apartamento ou comprar algum imóvel, o salário é muito mais farto, eu suponho já que estamos falando de uma universidade comparado a um internato. São diversos fatores que poderia trazê-la para cá... inclusive o Srt Kim estuda aqui, vocês se veriam o tempo todo quando você não estiver em horário de trabalho e ela de aula.
Lalisa estava pasma com essa oportunidade. É realmente muito tentadora, e ela adoraria aceitar ela, mas precisa conversar com Jennie primeiro. Fora que tem tantas outras coisas que serão afetadas se ela aceitar.
— Nick, eu fico realmente muito feliz com esse pedido. Mas você poderia me dar alguns dias para pensar? Eu tenho tantas coisas a resolver ainda, não quero dá-lo falsas esperanças. – Lalisa fala, a voz um pouco falha. — Muito obrigado em me oferecer essa oportunidade.
— Entendo. E não há de quê, apenas pense bem nisso, sim? – Lalisa concorda com a cabeça. Nick tira do bolso um cartão e entrega para Lalisa. — Se decidir ficar, me envie seu currículo por e-mail.
Eles se despedem e Lalisa anda em direção o alojamento dos estudantes. Não teve tempo de admirar todo o local bem preservado, pois sua mente estava uma confusão e ela só deseja os braços de sua alfa. E ela é recebida exatamente por um abraço carinhoso de Jennie quando a porta do dormitório é aberta pela própria.
— Jennie, temos que conversar.
— Não me diga que são gêmeos, você sentiu que são gêmeos? – Jennie falou em um tom realmente preocupado, Lalisa riu mexendo a cabeça em negação enquanto caminham em direção a cama da alfa, e se sentam nela. — Isso me deixa mais tranquila, eu estava com medo de você me dizer isso em algum momento que são gêmeos.
— Não são gêmeos. – Lalisa fala rindo, Jennie suspira aliviada. — Bem, pelo menos eu acho... – Jennie arregala os olhos e Lalisa ri mais uma vez. — Não faça essa cara Jen, estou brincando. Eu posso sentir, são apenas dois corações batendo aqui dentro, contando com o meu, claro. – Lalisa fala com um enorme sorriso, esfregando a mão na barriga, Jennie sorri e se posiciona para tocar também.
Após uma Jennie bobinha falando coisas para a barriga de Lalisa e a fazendo rir, finalmente a ômega lembra o que iria falar. Depois de explicar exatamente o que Nick disse, Lalisa encarava Jennie com expectativa, querendo saber a opinião da mesma sobre a situação.
— Hum, e quais são as suas preocupações, amor? É uma oportunidade incrível demais para você cogitar recusar.
— Minhas irmãs, fico preocupada com as gêmeas, elas não são responsabilidades de Charlotte e Félicité, nem minha, mas Mark mora em outro estado, não posso deixá-las tão longe de nós, entende? E eles escolheram antes viver comigo, então acredito que elas ainda querem isso. – Jennie mexe a cabeça e Lalisa continua. — Eu tenho esse dever com todos eles depois que minha mãe se foi. Os bebês vivem com Dan pelo menos, então isso me deixa mais aliviada. – Lalisa encosta as costas na parede, seus pés saindo do chão e balançando levemente. — Você sabe, eu gosto de tornar as coisas mais complicadas do que parecem.
— As garotas podem cuidar das gêmeas durante alguns meses até que possamos comprar uma casa por aqui, eu não me importo das pequenas morarem conosco, na verdade vai ser muito bom termos elas por lá, ajudando com o bebê. – Jennie fala sereno, Lalisa imediatamente vira o rosto para ela com os olhos arregalados.
— Uma casa? Eu e você? – ele repete confusa, Jennie sorri.
— Vamos criar nosso bebê pelos corredores da universidade? – brinca. — Precisamos de um lugar, Lis.
— Não temos dinheiro, Jen. – Lalisa deixa os ombros caírem.
— Eu posso tirar o da-...
— Não! Você não vai tirar da poupança o dinheiro que sua mãe te deu de Natal para você se manter aqui, Jennie! – Lalisa a interrompe assim que Jennie começa falar.
— Lis, eu consegui bolsa integral aqui, aquele dinheiro quase nem foi tocado desde quando cheguei.
— Não acho que ela vai gostar de saber que você alugou uma casa com um dinheiro que é para seus estudos.
— Gemma conseguiu bolsa de 80% na Califórnia e também ganhou da mamãe dinheiro de Natal antes de partir, e o dinheiro que ela não usa na universidade, alugou um apartamento na cidade que ficasse o mais próximo possível da universidade, o resto investiu em algumas ações. – Jennie tenta explicar, segurando nas mãozinhas de Lalisa com as suas. — E minha mãe não brigou com ela, até achou legal Gemma investir...
— Não posso deixá-la gastar tanto comigo. – Lalisa murmura, um pouco irritada com o assunto.
— Você vai estar trabalhando também, nós podemos dividir a maioria das coisas. E quando eu conseguir um estágio não vou precisar tirar da poupança... – Jennie faz um bico enorme e Lalisa desvia o olhar suspirando, ainda um pouco relutante.
— É um passo muito grande, Jen. – Lalisa responde, não sabendo qual a melhor resposta para dar ao pedido de Jennie.
— Eu sei, e você lembra que falamos que daríamos um jeito? – Lalisa acena. — Pois então, estamos dando um jeito, Lis.
Lalisa respira fundo, apertas as mãos de Jennie. Ela encara a alfa em sua frente e acaba deixando um pequeno sorriso escapar, que contagia a alfa, fazendo-a sorrir também.
— Bem, se dividirmos as despesas, acharmos um lugar com dois quartos, um nosso e o outro para as meninas e o bebê, acho que podemos tentar... – Jennie comemora fazendo uma expressão adorável. Lalisa apenas se permite rir das caras e bocas da outra. — Uau, acho que é isso.
— É o nosso futuro, amor. – Jennie a puxa para seu colo, Lalisa a abraça de forma manhosa.
Elas tocam os lábios uma da outra gentilmente, não havia malicia naquilo. Era apenas um puro ato de afeto.
— Sabe o que eu realmente quero agora? – Lalisa murmura, depois do silêncio confortável que havia se formado após o beijo.
— O que? – Jennie pergunta curiosa, os olhos fechados apreciando a mãozinha de Lalisa em sua cabeça e o dedinho enrolando seus cabelos.
— Palitos de queijo.
Suas risadas altas preenchem o quarto. Elas não podiam controlar a felicidade que invade seus peitos, era tão bom estarem juntas depois de tudo o que passaram. Pode não parecer muito para algumas pessoas, mas elas já estavam fartos de todos os dramas de suas vidas.
Para Jennie, Lalisa é como as constelações do seu vasto universo, pois sem elas ele não é tão bonito e interessante assim, sem as estrelas (que sempre serão fantasmas para a alfa) se torna apenas um vazio escuro. E para Lalisa, Jennie é a flor do seu jardim, a linda Camélia rodeada de Rosas, com a sua pura beleza diferenciada. O amor de ambas é tão incrível, que se torna paralelo, e em diversas realidades elas irão sempre se amar, independente do que aconteça. Jennie e Lalisa vão sempre encontrar uma a outra, em qualquer realidade, em qualquer situação, sendo pessoas com personalidades diferentes, vidas diferentes. Mas dentro de cada uma, terá sempre um pouquinho daquilo que as fazem se amar.
Sempre será Jennie e Lalisa. Independente de qualquer coisa. Apenas... Jennie e Lalisa.
Continua...
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