Capítulo 51
Lalisa bufava enquanto arrumava seu cabelo de frente ao espelho, ouvindo Taehyung tagarelar sobre ela não ter contado à Jennie no dia da formatura. Taehyung vai passar o natal na casa de Yoongi, a mãe do garoto convidou ele e Hoseok. Ele passou na casa de Lalisa para desejar a todos um feliz natal e aniversário para a melhor amiga.
— Eu sei Tae, eu vou contar, eu juro. — bufou, ao que não conseguia deixar uma mecha do cabelo para trás.
— Deus... ao menos Félicité e Charlotte sabem? — questionou Taehyung, falando um pouco mais baixo.
— Não, mas eu pretendo contar para elas, estou apenas esperando o momento certo.
— E quando vai ser o momento certo? Quando a sua barriga estiver maior que uma melancia?
— Shhh! Fale mais baixo, droga! – bateu os pés no chão irritada.
Tae suspirou pela petulância da amiga. Ele se aproximou, olhando para Lalisa um pouco mais amistoso, embora não tenha feito a ômega mais baixa se sentir menos pressionada.
— Preciso ir, prometa que só vai abrir o presente de Natal apenas quando for a hora, ok? — Taehyung fala, ele trouxe dois presentes, o de aniversário que era um moletom azul, e Lalisa adorou, o agradecendo diversas vezes enquanto o abraçava.
— Eu prometo, mas faça o mesmo! — a ômega não deixou de comprar algo para Taehyung durante esses últimos dias que se passaram ao voltar para casa.
A ômega se aproximou do loiro, o abraçando de forma carinhosa, soltando um longo suspiro cansado. Ela passou a última semana quase morrendo de ansiedade, não precisava ter o amigo lhe lembrando de algo tão sério, mas entende a preocupação do mesmo.
— Tenha um feliz natal, Tae!
— Igualmente, Lis. Vou me despedir das meninas... boa sorte. — eles se afastaram novamente, Taehyung saiu pela porta acenando e desejando mais uma vez um feliz aniversário.
Lalisa jogou todo o ar dos pulmões para fora, está nervosa, com medo da reação da namorada. Mas ela precisa contar, afinal é certo. Taehyung já lhe disse que a responsabilidade é de ambas, mesmo que uma seja muito nova ainda, e que isso possa prejudicar Lalisa por ter cometido relações sexuais com uma menor de idade... mesmo que isso signifique perder o emprego. Talvez ela esteja exagerando, mas se mais alguém souber, podem denunciar. E isso deixa Lalisa em sérios apuros
— Está pronta, Lis? – Charlotte aparece na porta do quarto.
— Y-yeah... os presentes já estão no carro? – ela afirma com um movimento de cabeça. — Certo, então vamos apenas pegar o frango.
A família Manoban, já completamente arrumados, se acomodavam no carro, quase não deixando espaço para nada. Os bebês estão nas duas cadeirinhas, já Dayse e Phoebe dividem o colo da Félicite enquanto Charlotte está no passageiro ao lado de Lalisa. E foi uma completa zona nesse tempo da casa deles até a cidade vizinha, em torno de 40 minutos num carro com dois bebês chorões, duas garotinhas brigando o tempo todo, Lottie tagarelando com Fizzy, foi o suficiente para deixar Lalisa ainda mais estressada.
Estacionando em frente à casa de Jennie, eles começam a descer, as gêmeas murmuram um "uau" ao admirar a tão bela e enorme casa. Enquanto as gêmeas tiram os bebês do carro, Lalisa pega as sacolas de presentes com Félicité e Charlotte segura o frango. Jennie está saindo de casa, com uma roupa apresentável e os cabelos – um pouco maiores que o normal – sendo decorados por uma bandana. Lalisa sorriu assim que a avistou caminhando em sua direção.
— Lis! – ela a abraça, erguendo levemente os pés da ômega do chão, que riu com isso e a abraçava com força. — Eu senti seu cheiro de longe, está tão forte e diferente.
— Eu também percebi isso. – Félicité também fala. Lalisa é colocada delicadamente no chão para Jennie cumprimentar todas com beijos em suas bochechas.
— Bobagem de vocês. – Lalisa diz, tentando disfarçar seu desconforto com o assunto. — Jennie, ajude-nos com algumas coisas? Por favor?
— Claro! – ela se apressa para pegar as sacolas que Lalisa colocou no chão para abraçá-la, e se aproxima de Charlotte para pegar o frango bem embrulhado também.
Lisa e Charlotte pegam os bebês das gêmeas para evitar que elas os derrubem. E todos caminham seguindo Jennie em direção a casa.
— Sintam-se todos bem-vindos. – Jennie anuncia.
A alfa guiou todos pela casa decorada, deixando os presentes em baixo da árvore de natal. Ela levou o frango para a cozinha enquanto todos se acomodavam no sofá.
— Que casa bonita. – Charlotte murmura para os irmãos. — Bem, já era de se esperar já que ela é matriculado em um dos internatos mais caros da região.
— Shhh! Modos, Charlotte. – Félicite fala para a irmã.
Não demorou para a garota retornar grudada em uma ômega de aparência semelhante à dela.
— Lalisa, meninas... – Jennie chama a atenção para ele. — Essa é a minha irmã mais velha, Gemma.
— Olá! – ela cumprimenta animada.
Lalisa se levanta para cumprimentá-la com um abraço, seguido por suas irmãs mais velhas. As gêmeas estão próximos da lareira com os gêmeos.
— É um prazer conhecer a família da namorada da minha irmã caçula! – Jennie sorri envergonhado, Lalisa não esconde o sorriso e apenas segura na mão de Jennie, olhando para Gemma. — Own, por favor se casem e tenham lindos filhos!
Todos dão risadas, Lalisa tenta se divertir com isso, mas é difícil já que realmente espera um bebê.
— Mamãe logo estará presente, por enquanto podemos todos conversarmos, venham. – Gemma se senta numa poltrona e todos imitam seu ato.
Lalisa não conseguiu prestar atenção no assunto que se iniciou entre eles. Jennie estava logo ao seu lado com seus braços enroscados e acariciando sua mão, vez ou outra o encarando apenas para ter certeza de que ela está bem. Jennie consegue sentir algo de errado, mas preferiu deixar a conversa para mais tarde. A ômega tem que admitir que ficou um pouquinho chateada de Jennie não ter lembrado do seu aniversário.
Não demorou muito para Anne surgir, agradecendo a presença de todos. Para Lalisa era estranho pensar que todas sabiam sobre o relacionando dela com Jennie, mesmo que nenhuma das duas tenha dito de forma totalmente aberta.
A noite foi calma, exceto quando as gêmeas quase derrubaram a árvore de natal. Lalisa pensou que Anne iria surtar e mandá-las embora, mas fora totalmente o contrário disto, sendo gentil com as meninas e as chamando para conhecerem o resto da casa. Gemma se apaixonou pelos bebês, que adoravam os cabelos coloridos da mesma e os puxavam vez ou outra enquanto estavam com ela no carpete em frente os sofás.
Jennie falava animada com Charlotte sobre a universidade, pedindo algumas dicas para esse primeiro ano como caloura.
— Lalisa, você se importa de me ajudar com a mesa? – Anne perguntou ao que retornava com as meninas, que correram para brincarem com os bebês junto de Gemma.
— Claro que não! – Lalisa sorriu se levantando, Jennie sorri para ela antes de retornar a fala para Charlotte.
As duas ômegas mais velhas seguiram para a cozinha em silêncio. Lalisa está um pouco tensa, ela sabe que se contar para Jennie hoje, ela vai querer anunciar para todos da família, mas ela não pode. A reação de todas pode não ser a das melhores. Afinal Jennie está indo para a universidade em pouco tempo, Lalisa tem responsabilidades até o pescoço. Um bebê pode atrapalhar tudo, mesmo sendo uma benção.
— Estou com vontade de comer esse frango desde quando você o trouxe. – Anne brinca, Lalisa ri enquanto andam em direção a sala de jantar, Anne está levando uma travessa com algo que Lalisa ainda não reconheceu, mas parece ser delicioso. — Lalisa, você está bem?
— Sim, eu estou. – ela responde sem olhá-la, não quer mentir para a mulher que está confiando a sua filha menor de idade em suas mãos.
— Sua pele está linda, muito reluzente. – ela fala de repente, Lalisa sorri sem graça para ela.
— Obrigada. – ela agradece, desviando o olhar para qualquer coisa que não fosse ela.
Lalisa tem medo do que pode acontecer nos próximos meses, não sabe como será a reação da família de Jennie e a sua. E a coragem aos poucos vai fugindo conforme as horas vão passando.
O jantar foi uma bagunça feliz, todos comemoravam com animação o natal. Exceto Lalisa, que permanece estranha perante tudo que se passa em sua cabeça.
Lalisa imaginou que os presentes seriam trocados logo após o jantar, mas Anne insistiu para que todos dormissem nos quartos de hóspedes para os presentes serem entregues de forma tradicional pela manhã de Natal. E Lalisa apenas aceitou pois todas suas irmãs estavam de acordo. Quando o relógio bateu meia noite e meia, as crianças bocejavam a todo momento, eles decidiram arrumar tudo para dormirem.
Gemma levou as meninas e os bebês para mostrar os quartos de hóspedes enquanto Anne, Jennie e Lalisa terminavam as coisas no andar de baixo.
— Podem subir, queridas. Vou apenas desligar as luzes e subo logo após. – Anne pede ao vê-las começarem a arrumar a bagunça na mesa de jantar, ambas negam mas ela as puxa delicadamente e as empurram para as escada, mesmo com os protestos de que queriam ajudá-la. — Não se preocupem, tenham uma boa noite!
Jennie segurou na mãozinha de Lalisa e a guiou para o andar de cima, a ômega sorriu para ela enquanto caminhavam pelo extenso corredor.
— Eu posso dormir com as gêmeas? Talvez não tenha muito espaço se as garotas forem dormir com os bebês. – Lalisa fala observando os quadros clássicos na parede branca.
— Eu pensei que fosse dormir comigo. – Jennie fala com um bico nos lábios, Lalisa ri e a encara enquanto param de frente a uma das portas do corredor.
— Certo, então eu vou.
A alfa sorri feliz, abrindo a porta para ambas entrarem. Lalisa avista um quarto enorme, não era enfeitado como pensou que fosse, era até arrumado demais, semelhante a quartos de hotéis. Jennie não deve ter vivido muito nesse lugar.
— Vou pegar algo para você vestir, me espera na sacada para vermos os fantasmas? – Jennie pede carinhosa, Lalisa abri um sorriso enquanto afirma com a cabeça.
A alfa some ao entrar no closet e fechar a portinha. Lalisa caminhou para a sacada e se debruça ao lado de um telescópio. Ela observou a vista, a casa fica em uma parte mais alta da cidade dando uma vista privilegiada.
Não demorou para a alfa retornar, ela deixa o pijama na cama e se aproxima de sua ômega, a abraçando por trás de forma acolhedora.
— Você está diferente, aconteceu alguma coisa?
Esse é o momento. Lalisa pensou sentindo o coração bater mais rápido.
— Eu estou bem, são apenas algumas coisas que me deixam aflita.
— Entendo. Mas tenho uma surpresa para você.
A alfa abre a mão diante da ômega, mostrando dois colares de prata, um com o pingente de uma corda e o outro de uma âncora.
— Feliz aniversário atrasado. – ouve a garota murmurar ao seu ouvido.
Lalisa sente seus olhos lacrimejarem ao que se vira para Jennie e a encara de forma carinhosa.
— Você lembrou...
— Eu não esqueci. Eu queria te dar apenas quando estivéssemos sozinhas. – Jennie mantém o colar de âncora em sua mão, e o outro passa pelo pescoço de Lalisa, prendendo antes de soltar. A ômega sorri enorme e segura o pingente delicado com uma das mãos.
— Obrigado Jen, ele é lindo.
— Eu tenho um que complementa. – a alfa coloca em si mesma o colar de âncora, sorrindo para a ômega que a observa com os olhos brilhando. — Uma âncora e uma corda. Elas precisam uma da outra, assim como eu preciso de você.
— Isso é tão lindo! – Lalisa a abraça e a beija com paixão.
Elas não prestaram atenção nos fantasmas, nem mesmo pensaram nisso depois que iniciaram o beijo, Jennie apenas andava para dentro do quarto, sem se soltar de Lalisa e a guiando para a cama enorme e bem arrumada, elas caíram no colchão entre os beijos, a alfa tateia a parede próximo o seu abajur, achando outro interruptor do quarto para apagar a luz. A única coisa que iluminava o quarto eram as luzes do lado de fora, junto das luzes e das estrelas. A alfa fica por cima da ômega de forma cuidadosa, descendo os beijos pelo pescoço da mesma enquanto começa a desabotoar a própria camisa.
— Hum, Jen... – Lalisa resmunga, Jennie volta a beijar seus lábios, Lalisa afasta. — Jennie, hoje não... – a alfa se afasta assim que a ouve, da um sorriso pequeno e rola para o lado sem questionar o motivo de Lalisa não desejar nada.
— Eu separei para você. – entrega o pijama que estava no pé da cama, deixando um singelo beijo na testa da ômega.
Lalisa a observa e acaba sorrindo com isso. Jennie a encara com certa dúvida.
— O que foi, Lis?
— Nada, você é apenas perfeita demais para ser real.
Jennie ri com o que ouve e se ajeita na cama, começando a se despir. Lalisa faz o mesmo mas decide ficar sem o pijama, usando apenas a sua boxer. Ela deixa as roupas no criado-mudo e se vira para Jennie, que a espera paciente.
— Jen, eu preciso te contar algo. – Lalisa murmura, deitando a cabeça no travesseiro com o rosto próximo da alfa.
— Diga. – ela murmura de volta, guiando a mão para o rosto delicado da ômega.
— Eu-... – Lalisa trava, fecha os olhos e respira fundo. — Eu-...
— Sim? – a encoraja a falar.
— Jennie, eu-... – a ômega encara a alfa mais uma vez, sua coragem some assim que encara os belos olhos verdes e calmos. Lalisa suspira e abre um sorriso fraco. — Estou triste que vai embora.
A alfa a abraça de forma acolhedora, Lalisa se sente mal de não conseguir contar.
— Eu também fico triste de te deixar, meu amor. Mas eu voltarei sempre que possível para te ver, sim? – Jennie deixa beijos no topo da cabeça de Lalisa.
— Eu sei, vou te ligar todos os dias.
— Eu vou enviar tantas mensagens que você vai querer me bloquear.
Elas dão risadas juntos, apertando uma a outra no abraço que estão. Jennie boceja.
— Boa noite, Lis.
— Boa noite, Jen.
A alfa deixa mais um beijo no rosto de Lalisa, e fica de costas para ela. A ômega se acomoda melhor na cama e abraça o corpo ao seu lado.
Lalisa sabe que precisa contar, apenas tem medo da reação de Jennie. A garota não pode escolher ficar, é o futuro dela em jogo e Lalisa se sentiria muito culpada de interferir em um dos sonhos de Jennie por não ter sido responsável o suficiente.
Continua...
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro