capítulo 11
A ômega colocou o capuz do moletom por causa do frio que bateu em seu rosto e bagunçou seus cabelos. Com as mãos no bolso e um pouco ansiosa, ela andou para próximo o campo de futebol, onde há apenas uma única luz no alto para iluminar o campo, mas o resto está uma escuridão.
O silêncio da noite estava a deixando assustada, mas o que lhe deixou ainda mais assustada foi o barulho de passos. Lisa olhou em volta e não viu ninguém, ela puxou o capuz para poder enxergar com mais facilidade e caminhou um pouco para onde ouviu o barulho.
— Jennie? — murmurou Laliz olhando para as árvores escuras.
— Miss Manoban, estou aqui. — ouviu a voz do lado oposto onde ouviu os passos. Lisa virou-se para Jennie e sorriu levemente, disfarçando seu susto.
— Oi. — Lisa falou um pouco tímida, Jennie sorriu se aproximando.
— Você tem que prometer que não vai contar para o diretor que eu venho aqui, ok? — Jen ergueu a mão esperando Lisa segurar.
— O-Ok... mas aqui aonde? — Lalisa perguntou olhando para a mão de Jennie. E timidamente levou a sua para a dela, mostrando a diferença de tamanho bem clara entre elas.
— Você vai ver. — Jennie sorriu gentil, dando as costas e andando para algum lugar escuro, e guiando Lisa. A ômega estava tão distraída olhando para suas mãos juntas que nem percebeu que a alfa segurava uma lanterna com a mão livre.
A alfa andava a passos calmos em direção a algum lugar em específico, ela começou a subir algo semelhante a uma montanha mas em uma proporção bem menor. Naquele local tinha muito mais árvores do que onde estavam. Elas andaram por mais uns 5 minutos, finalmente chegando perto de um tipo de cabana, mas ela estava no topo de quatro grossas madeiras a mantendo firme a cerca de 10 metros do chão, bem semelhante a um farol, havia uma longa escada até a pequena varanda que ela tinha.
— Pode ir primeiro. — Jennie falou, soltando a mão de Lis.
A ômega estava um pouco nervosa, mas tentou não demostrar, ela começou a subir a escada, não contou a Jennie que tem medo de altura, então preferiu olhar apenas para cima, engolindo em seco algumas vezes, suspirando de alívio quando chegou no topo, ela sentou no chão e não se atreveu a levantar. Jennie apareceu logo após, olhando com dúvida para Lalisa que permaneceu no chão de madeira.
— Eu não gosto de lugares altos. — Lisa murmurou, Jennie se inclinou ajudando Lisa a levantar com cuidado.
A alfa destrancou e abriu a porta, deu espaço para Lisa entrar primeiro, que deu poucos passos por estar escuro e poderia bater em algo. Jen procurou por uma cordinha no teto baixo e a puxou, acendendo uma luz fraca, mas o suficiente para enxergar o local com facilidade.
É pequeno e aconchegante. Tem uma escrivaninha com alguns livros, uma única cama de tamanho um pouco maior que uma de solteiro, parece velha mas o edredom é fofinho, o piso todo de madeira assim como o resto da cabana, tem um baú logo ao pé da cama e em um canto parece ser um pequeno e antigo refrigerador.
— Uou... — Lisa olhou em volta. — Que lugar é esse?
— Era onde ficava o zelador, mas ficou abandonado quando separaram um quarto para ele no prédio principal. — Jennie explicou, caminhando para a janela que Lalisa só reparou agora, abrindo a cortina branca e logo a janela. — Eu gosto de vir aqui, é como um refúgio de tudo e todos. — Jennie voltou para apagar a luz, agora a luz da lua iluminava um pouquinho, mas podiam chamar atenção de alguém que ainda esteja acordado no internato com a janela aberta e a luz ligada, então a alfa se debruçou na janela e observou o céu.
— Oh... — Lis soltou um pouco surpresa, caminhando lentamente até Jennie e se debruçando ao seu lado. — Me sinto lisonjeada de ter me trazido aqui.
— Que bom que gostou. — Kim sorriu e virou o rosto para encarar Lisa.— Olha, daqui da pra ver as luzes da cidade.
Jennie apontou para um aglomerado de luzes bem longe perto de uma montanha. Lalisa olhou para lá e sorriu.
— Estamos longe. — Lisa divagou, olhando para o local que Jennie apontou, agora observando que estão mais altas que o internato e que algumas das enormes árvores, elas subiram bastante até ali. Lisa se afastou um pouco da janela engolindo em seco após olhar para baixo e ver a altura.
— Tudo bem? — olhou para Jennie e assentiu, voltando a se debruçar na janela ainda com receio de cair. — Miss Manoban, posso te falar algo bonito?
— Claro que pode, Jennie. — Lalisa sorriu sem dentes.
— Olhe para as estrelas. — pediu gentilmente, Lisa olhou para o céu. — O que você vê?
— Apenas estrelas. — murmurou Laliz, ainda as admirando. Jennie manteve o olhar no rosto da ômega.
— São fantasmas.
— Fantasmas? — repetiu Lalisa virando o rosto e encarando Jennie em dúvida.
— Muitas dessas estrelas já se apagaram, mas elas estão tão longe que seu antigo brilho ainda está está chegando até nós. — Jennie se inclinou, olhando atentamente para cada detalhe do rosto angelical da mulher na sua frente. — E até pouco tempo atrás eu as admirava e pensava que eram as coisas mais lindas que eu já tinha visto na minha vida... mas não são mais.
— E por que não são mais? — perguntou Lisa, mordendo ligeiramente o lábio inferior, a respiração ficando desregular pela proximidade que estavam.
— Porque eu conheci você.
Lalisa segurou um sorriso e apenas alternou o olhar entre os lábios e os olhos de Jennie, e sem medo algum ela se aproximou o máximo que pode fechando os olhos, encostando seus lábios e levando as mãos para os ombros largos da alfa. Jennie fechou os olhos assim que sentiu o leve impacto contra seus lábios, as mãos indo automaticamente para a cintura da mais baixa.
Lisa percebeu certa inexperiência vindo da parte de Jennie enquanto seus lábios se envolviam. E embora fosse errado o que estavam fazendo, ela não conseguia parar, era tão bom a forma que as mãos da alfa a seguravam de uma forma tão protetora e carinhosa, era gostoso sentir os cabelos se enrolando em uma das suas mãos, e a melhor parte era sentir suas línguas brincarem de uma forma tão sensual e ao mesmo tempo inocente.
Se Jennie não estivesse segurando Lisa daquele forma, ela provavelmente teria caído porque suas pernas derreteram igual sorvete.
E quando finalmente precisaram se separar pela falta de ar, Lalisa encarou os olhos tão belos de Jennie, ambas com as bocas entreabertas respirando ofegante.
— L-Lalisa... — a alfa murmurou envergonhada, Lis continuou com a mão na nuca de Jennir e a outra em seu ombro. — Eu n-não-... eu... desculpe.
— Foi eu que te beijei, Jennie. Você não precisa pedir desculpas. — Lisa respondeu, soltando um riso baixinho.
Jen soltou a cintura de Lalisa e a ômega a soltou também, ficando com o semblante sério quando Jennie começou a se afastar sem a encarar.
— Lalisa, eu não... eu juro q-que... eu... — Jen se atropelou nas palavras e se sentou na cama, encarando as mãos.
Lisa se aproximou a encarando com dúvida, se sentando ao lado de Jennie e pondo a mão no ombro da garota.
— Jennie, está tudo bem?
— Eu não te forcei a isso, forcei? — Jennie a encarou, os olhos marejados .
— O que? Não, claro que não! — Lisa se aproximou mais, levando a outra mão para o rosto da garota. — Jennie, foi eu que beijei você, e me desculpe se eu não podia fazer isso, não quis te assustar, querida.
— Você está mentindo, eu sei que eu te forcei a isso, me desculpe professora. Eu gosto de você, eu gosto mesmo, mas não quero que você faça algo contra a sua vontade. — Jennie soluçou, Lis não sabia o que responder e a abraçou forte.
— Eu juro para você Jennie, eu te beijei porque eu senti vontade. — Lalisa sentiu as mãos grandes de Jennie a abraçar e a puxar para mais perto, fungando e enfiando o rosto em seu peito.
— Eu quero te contar algo, mas eu tenho medo de você se afastar de mim. — murmurou a garota.
— Você pode me contar o que quiser que eu continuarei aqui. — Lis respondeu, levando as mãos para o rosto de Jennie para fazê-la a encarar. — Confie em mim.
— Eu sou fruto de um estupro.
Lisa abriu a boca em surpresa e arregalou os olhos, ela gaguejou um pouco antes de dizer algo que fizesse sentido.
— Não é sua culpa, você sabe, né?
— Minha mãe não consegue nem olhar pra mim. — Jennie murmurou, deixando as mãos por cima das mãos de Lalisa. — Eu sou uma vergonha pra ela.
— Ah, Jennie. Eu sinto muito. — Lalisa a abraçou mais uma vez.
— Eu tenho medo de ser igual a ele, eu não quero te força a ser minha amiga ou a me beijar. — Jen divagou, Lalisa se ajeitou na cama e puxou Jennie para deitar com ela, ainda fazendo carinho nos cabelos da garota.
— Você não é igual a ele, você é tão doce é gentil, eu amo o seu jeito e não consigo imaginar uma alfa mais amável do que você. — Lisa murmurou, sentindo a garota se aconchegar contra seu corpo e deitar a cabeça em seu peitoral, Lalisa sorriu ligeiramente de tê-la em seus braços mais uma vez. — Eu sinto muito por tudo isso, mas eu estou aqui agora, ok?
— Ok.
Jennie fungou mais algumas vezes recebendo os carinhos de Lisa, e acabou caindo no sono com todo o afeto que estava recebendo.
E Lisa teve certeza do quão preciosa Jennie é e que não quer deixá-la escapar. Mas as coisas vão mudar agora que se beijaram e seus corpos estão numa confusão de sentimentos.
Continua...
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro