🌻Capítulo 1🌻
Os alunos uniformizados estavam entediados, quase dormindo nas mesas, esperando sem muito anseio a nova professora de filosofia. Obviamente deve ser como a antiga alfa de uns cinquenta e sete anos, por sorte ela se aposentou e todos esperavam do fundo do coração que a próxima ao menos não os façam ficar sonolentos durante a aula.
Então a porta se abriu e um delicioso aroma preencheu todo o local deixando os alfas mais atentos, um aroma amadeirado de baunilha e canela. A mulher de estatura não muito alta entrou a passos firmes na sala, andou até a mesa, depositando sua maleta na mesma e erguendo o rosto, o que causou um suspiro de alguns alfas.
— Bom dia, me chamo Lalisa Manoban e sou a nova professora de filosofia do internato Internship Preparatory for Alphas. — anunciou a mulher se escorando na mesa, a bunda farta sendo prensada na lateral da mesa enquanto ela deixa as mãos juntas para frente. — Eu tenho 26 anos, estive dando aula numa escola particular em Manchester por um ano, recebi a oferta de emprego do diretor há algumas semanas e vim pensando seriamente sobre aceitar, e aqui estou eu.
Seu riso preencheu o local e alguns alunos apoiaram os cotovelos na mesa e deixaram a cabeça entre as mãos pra poder admirar a mulher com mais tranquilidade.
— Espero que possamos trabalhar juntos sem nenhum problema, não sou do tipo de professora que dá punição por qualquer coisa, então fiquem tranquilos caso eu estou aparentando ser alguém bravo ou mal humorado. — ela riu mais uma vez e alguns estudantes a acompanhou. — Talvez seja as tatuagens, e certamente teve algumas escolas que olharam minha aparência e não me aceitaram por eu ser um pouco... diferente? Diferente do habitual de professores, claro. Enfim, o diretor Jung Hoseok foi gentil e disse que ser "diferente" — fez aspas com as mãos. — Acaba tornando o relacionamento com os alunos mais fácil, afinal vocês se sentiriam mais aconchegados se eu estivesse com os cabelos pintados de azul e piercing no nariz como alguns aqui, não?
Os estudantes riram levemente, todos apreciando da simpatia da professora. Os garotos e garotas de piercing riram também assentindo em concordância para Lalisa.
— E talvez iriam se sentir mais confortáveis se eu falasse que tenho na verdade 18 anos e que gosto de bandas de rock e as atuais, e que sou uma viciada em filmes de viagens no tempo e comédias americanas com palavreado demais e provavelmente faria uma tatuagem maneira só porque meus colegas acham legal. — ela desapoiou da mesa ouvindo mais risinhos de concordância, um sorrisinho em seus lábios se formando enquanto deixa a postura ereta novamente. — Então espero que me imaginem assim para que possamos ter um bom desenvolvimento nesse ano letivo. Alguma pergunta?
No fundo, um garoto com o uniforme um pouco bagunçando ergueu a mão, Lisa sorriu para ele.
— Diga seu nome primeiro. — pediu gentilmente.
— Sou Min Yoongi... você é uma ômega? — ele perguntou sem vergonha alguma e todos voltaram a olhar a professora com curiosidade.
Obviamente todos sabiam que ela era uma ômega pelo seu cheiro viciante e pela forma que encantou a maioria dos alfas com a sua voz, seu corpo e sua doce simpatia.
— Sim, eu sou uma ômega, e inicialmente eu pensei que isso poderia ser um problema, mas espero que não seja. — ela abriu um sorriso formando ruguinhas em baixo dos seus olhos, os alunos apenas admiraram mais a professora ômega charmosa. — Agora, que tal darmos início a aula?
Lisa riu mais uma vez após ouvir alguns resmungos conforme os alunos abriam seus cadernos. Ela abriu a sua maleta, tirou o notebook e deixou aberto na mesa, tirou uma pasta e estojo, deixou sobre a mesa olhando em volta na sala e analisando o seu mais novo ambiente de trabalho, encarou o armário que poderá guardar suas coisas e onde provavelmente está a caneta preta e o apagador. Adentrou a mão dentro do bolso de seu jeans claro e olhou a senha, virando-se para abrir o armário. Estava usando uma camisa delicada, branca e com uma faixa de renda em cada braço, junto de um jeans claro e curta, acompanhada de um salto nem tão alto branco.
Ela já estava frustrada de quatro tentativas de abrir o armário e nenhuma delas o fez abrir. Até que sentiu alguém se aproximar e olhou para o lado, a aluna um pouco mais alta que ela se aproximou e olhou para o papel em suas mãos, então olhou para o armário e girou a tranca colocando a senha, emburrando levemente a porta para dentro e o armário finalmente abriu. Por algum motivo Lalisa afastou-se consideravelmente por ter sentido um calor maior subir por seu corpo pela proximidade da mais nova.
— Esse armário sempre faz isso, não ajudávamos a antiga professora para ela demorar para começar a aula. — murmurou a aluna e Lisa sorriu com humor, tentando disfarçar seu desconforto.
— Obrigado, ah...
— Kim. Jennie Kim.
— Obrigado Srt. Kim, é muita gentileza saber que uma aluna ao menos quer ter a minha aula. — riu e então se distraiu no armário, achando pastas e outras coisas úteis, enquanto se distraia Jennie voltava para sua mesa recebendo olhares sacanas dos colegas. Lisa pegou a caneta preta e deixou a porta encostada do armário, se aproximando da lousa branca.
Ela escreveu algo e o movimento que seu corpo fez balançando levemente não deixou os alfas muito confortáveis e olhavam sem pudor algum para a professora.
— Esse é o nosso pensamento do dia. — apontou para o que escreveu entre aspas. — Quero que todos leiam em voz alta em 3, 2, 1...
— "O conhecimento é o ato de entender a vida..." Aristóteles. — alguns leram em voz alta.
— Na próxima vez quero que todos tentem, tudo bem? E você Jennie, não ouvi sua voz. — Lalisa se escorou novamente na mesa como fez assim que entrou na sala, as mãos para frente encarando os alunos. Jennie deu um meio sorriso. — Vamos lá, primeiro vocês e depois eu. Agora me digam, em sua opinião, o que esse pensamento significa?
E um silêncio predominou o local por aproximadamente 2 minutos. Lisa riu baixinho e subiu as mangas da blusa delicada, dando a visão de algumas tatuagens que a deixavam ainda mais atraente.
— Eu posso esperar o resto da aula até alguém se pronunciar. — continuou o silêncio. — Mesmo? Ninguém? É uma pena, nosso primeiro pensamento e ninguém tem nada a dizer sobre ele?
Lisa olhou para alguns alunos que por ironia — já que ela é uma ômega e o restante alfas — se encolheram sem ter uma resposta.
— Certo, como eu não tenho voz de alfa ou algo assim, continuem em silêncio para me ouvirem. — Lisa disse com humor novamente e alguns riram. — "O conhecimento é o ato de entender a vida..."
Ela virou-se para a mesa e pegou um caderno de capa dura, procurou algo na maleta e tirou uma caixinha de óculos, retirando um de armação dourada e colocando no rosto.
— Precisamos do conhecimento, certo? — disse sem olhar para eles enquanto procura uma caneta com uma das mãos, então olhou para eles. E porra, a maioria não sabia como ela podia ficar tão sexy com aqueles óculos, vai ser uma tortura o resto da aula. — Por que precisamos de conhecimento?
O silêncio durou bem menos dessa vez. Uma aluna ergueu a mão e Lalisa sorriu tão abertamente que a alfa ruborizou. Lisa já sabia que iria causar essa impressão por estar lidando com adolescentes alfas e normalmente eles ou elas sentem-se envergonhados com ômegas adultos, e quando estão mais maduros acabam se abrindo mais e sendo um pouco mais audaciosos ao referir-se a um ômega mais velho. Explicando de outra forma; eles são vergonhosos ômegas adultos, mas com aqueles de sua idade não, alguns alfas já são mais "avançados" e ômegas adultos acabam tendo que lidar com flertes de adolescentes safados com os hormônios à flor da pele. Lisa sabia bem que pode acontecer de tudo nesse internato, mas não recuou depois que aceitou a oferta.
— Diga senhorita...?
— Sou Dahyun, Miss Manoban. — falou um pouco baixo, ajeitando-se desconfortável na cadeira. — Uh... nós precisamos... do conhecimento porque é algo que... hum... precisamos? Quero dizer... conhecimento é a base de tudo e sem ele nós não somos nada.
— Parabéns Dahyun. — Lisa sorriu e olhou para o caderno em sua mão, escrevendo o nome da aluna e erguendo o rosto novamente. — É o que a colega de vocês disse, o conhecimento é a base de tudo e sem ele nós não somos nada. Perfeito. E as palavras de Dahyun claramente descreveram o resumo da frase e da nossa aula de hoje... então já podem ir.
Os alunos se entreolharam confusos e Lalisa riu, eles respiraram aliviados pela aula continuar e poderem continuar na presença da ômega.
— Estou brincando. — colocou a ponta da caneta na boca, costuma fazer muito isso, analisou o caderno com apenas um nome e suspirou, voltando a manter a caneta longe dos lábios. — O conhecimento é necessário para termos uma vida mais sensata, sem o conhecimento somos ignorastes e sujos, não falamos, não pensamos, não fazemos nada, e não há vida se não há conhecimento. Mais alguém deseja acrescentar algo?
E mais um silêncio, ela soltou outro suspiro e colocou o caderno na mesa, cruzando os braços e se escorando mais uma vez.
— Espero que tenham escrito, todos os pensamentos serão necessários para ganhar ponto com o caderno. — uns três alunos se apressaram para escrever após ouvirem a professora. — Essa semana serão apenas pensamentos, na próxima passarei já algumas atividades valendo nota, mas nada que seja difícil, teremos dinâmica e atividade em grupo coletivo, vamos ter aulas fora da sala de aula também. Tudo bem?
Os alunos assentiram e Lisa retirou os óculos após notar que ainda o usava, depositou na mesa e voltou a olhar para os alunos.
— Eu tenho uma boa memória então quero que vocês se apresentem, não há nenhum motivo para não sermos amigos, há? Um bom relacionamento entre o professor e aluno é a empatia, responsabilidade, respeito e acima de tudo uma amizade. — Lalisa deu uma pausa. — Eu já me apresentei, então podemos começar pela primeira fileira.
Lisa apontou para o aluno que envergonhado desviou o olhar dela. As apresentações se iniciaram e ela respondia uma pergunta ou outra relacionada ao seu novo cargo e sobre as futuras aulas, alguns alunos vergonhosos, outros querendo impor superioridade e até mesmo lançando olhares nada discretos para Lisa, que apenas continuou a aula normalmente, até chegar na aluna da última carteira.
— Deixe-me ver... eu me lembro...Jennifer? — brincou Lisa e Jennie riu batendo os dedos na mesa como se estivesse entediada. — Jennie Kim, obrigado mais uma vez. Qual sua idade e o que busca atualmente em sua vida? — fez a mesma pergunta para ela que usou para os outros.
— Tenho 17 anos e eu não procuro nada. — cruzou os braços.
— Não? Precisa procurar algo, querida. — Lisa disse com a voz mais melódica, e alguns alfas gostariam de receber esse apelido carinhoso também. Jennie suspirou. — A vida não é tão boa quando não temos um rumo, vocês são jovens, eu sou jovem, os outros alunos e professores também, e todos precisamos de afazeres e objetivos que nos façam sentirmos realizados, então se ainda não tem, trate de procurar.
Lançou um sorriso simples e sútil para Jennie que assentiu levemente, mantendo o olhar na ômega enquanto ela volta a se dirigir para o restante dos alunos.
— Temos bem poucos minutos, então espero que tenham apreciado a nossa primeira aula. — anunciou, sentando-se na cadeira. — Vamos aproveitar esses últimos três minutos para a chamada.
Lalisa procurou pela pasta dessa turma e fez a chamada o mais rápido que pode, lembrando-se da maioria dos rostos quando chamou pelo nome. O sinal tocou pouco tempo depois, ela se levantou e observou os alunos fazerem o mesmo guardando suas coisas, acenou com a cabeça para todos aqueles que o olhavam antes de ir.
— Tenham um bom dia queridos, até a próxima aula. Espero que possamos ser bons amigos. — ela observou os alunos saindo, o último a sair foi Jennie Kim que lhe lançou um olhar não muito discreto e deu um sorriso amigável, deixando aparecer suas belas covinhas. Lisa esperou ela sair e pode soltar todo o ar que nem notou ter segurado ao receber o sorriso de sua aluna. — Ótimo começo Lalisa, ótimo começo.
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— "Oh, eu espero que possamos ser bons amigos!" — imitou a voz fina da nova professora de filosofia, fazendo os amigos rirem. Rindo com eles voltou a falar no tom normal; — Eu espero que eu possa enfiar meu pau naquela bunda bonitinha.
— Kim Jiwon, você não vale nada. — Yoongi disse entre risos.
— Porra, viram como ela faz aquilo com o corpo quando escreve na lousa? A bunda dela balança! Puta merda, eu não consegui me concentrar pelos próximos minutos depois que ela virou. — falou Dahyun um pouco mais séria; mas ainda com um sorriso sacana como os outros. — Mais alguém ficou duro?
— Ewww, não é pra tanto! — Calum disse rindo e ajeitando a mochila nas costas enquanto sobem os degraus para o terceiro andar. — Embora ela seja muito sexy!
— Eu iria fode-la o dia inteiro se fosse minha ômega. — Michael falou e já os outros mexeram a cabeça em concordância.
— Imagina só, aquela vozinha gemendo?! Seria tipo a melodia dos deuses. — Yoongi acrescentou.
— Vocês são uns pervertidos nojentos. — Jennie, que está andando na frente de todos, disse com o tom de voz sério.
— Como se você não fosse! — Jiwon defendeu-se. — E eu até achei que Jennie iria atacar a Miss Manoban quando levantou. Mais alguém achou que veríamos uma delicada ômega gritando?
— Porra pegou pesado, Jiwon. — Calum fez cara de nojo.
— Cara isso foi apologia ao estupro. — Michael disse e Jiwon rodou os olhos.
— Tanto faz, merda! Não estou falando que acho que Jennie faria isso, to só falando que no momento pareceu que ela iria agarrar a professora.
— Eu fui ajudá-la já que a maioria estavam ocupados demais observando a bunda dela. — rosnou Jennie. — Agora calem a porra da boca de vocês e parem de falar desse jeito da Miss Manoban.
— Ih, olha só, a Jennie encontrou a sua ômega. Quer ajuda para marcá-la? Adoraria morder aquele pele clarinha, huuuuum! — provocou Min abraçando Jennie por trás dando uma mordidinha em seu pescoço, Jennie o deu uma cotovelada enquantos os outros dão risada.
— Melhor você parar com isso, Min, ou eu vou te morder de verdade e garanto que arranco pedaço. — grunhiu irritada arrumando a gravata do uniforme.
— Porra! Eu preciso foder, quando chega o final de semana para que possamos encontrar os alunos do internato de ômegas e betas? Daqui cinco dias! Merda, será que a Miss Manoban chupa meu pau hoje à noite se eu pedir com jeitinho? — brincou Jiwon e Jennie lhe lançou um olhar de censura enquanto os outros dão risada.
Eles ouviram um limpar de garganta e pararam de andar, se virando para trás e vendo o diretor parado encarando todos com seriedade.
— Vejo que acabaram de ter a primeira aula com a professora Manoban. — ele cruzou os braços e parou o olhar em Jiwon que engoliu em seco. — Se eu ouvir você falando coisas como essas de novo sobre Manoban, você terá duas semanas de suspensão, senhor Kim, isso se eu não pensar em expulsar. Os ômegas e betas merecem o respeito dos alfas, não subestimem a nova professora, ela tem uma personalidade forte. — deu dois passos para frente ainda encarando Jiwon. — Mantenha-se comportado Jiwon, não vai querer que seus pais saibam do que você anda aprontando fora da escola... enquanto vocês, tratem de fazerem o mesmo que ele, respeitem a professora acima de tudo.
— Sim senhor. — disseram todos juntos.
—Agora vão para suas aulas. E não quero mais ouvir coisas pervertidas relacionadas à professora Manoban. — passou pelos alunos e andou pelo extenso corredor, sumindo numa curva.
— "Oh merda Jiwon, isso, isso! Mais forte, mais rápido! Sou a ômega Lalisa e estou aqui para te satisfazer, oh!" — se apoiou em Calum enquanto tentava imitar a voz da professora e gemia falso, e eles caíram na risada novamente, exceto Jennie que revirou os olhos em desgosto e ficou quieta o resto do caminho.
Lisa espera o melhor em seu novo emprego, mas o que esperar de alfas adolescentes que quase não veem ômegas durante o ano? Apesar de todo o transtorno que terá, torce para que tudo possa dar certo e que venha ensinar filosofia e muito mais para seus alunos.
Ela só não contava que um desses alunos tenha a chamado à atenção mais do que ela gostaria.
Continua.
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