Magic Shop
Greta chegou ao pavilhão do Porão dando de cara com os quatro membros mais velhos do BTS a encarando como se ela fosse um objeto raro no mundo. Yoongi esboçava um sorrisinho satisfeito sempre que os olhares dos dois se cruzavam, mas os outros três mantinham o olhar embasbacado como se ela fosse a mulher mais fantástica do mundo. Não soube dizer se o que sentiu foi orgulho ou vergonha por ser admirada assim por quatro dos caras mais admirados da Coreia, mas não deixou que isso a parasse. Foi decidida até eles.
— Preciso de um café, quer?
— Um café agora seria ótimo, obrigado. — respondeu Jin, parado logo ao lado de Yoongi. — Ai! Isso dói! — resmungou logo em seguida. Tinha acabado de levar uma cotovelada na costela e quando encarou Namjoon, este permanecia imóvel, como se nada tivesse acontecido.
— Infelizmente temos que ir, Noona. — respondeu antes que Yoongi aceitasse ao convite.
Hobi foi o único que não reagiu, estava concentrado em Nari, descendo as escadas com o olhar aflito e falando muito rapidamente ao telefone. Deixou os outros membros com Greta e foi até ela, curioso e preocupado.
Greta ficou encarando Yoongi sem jeito. Tinha jogado o convite por impulso, sem se lembrar de quem ele era e dos compromissos que provavelmente o ocupariam por muitas vidas. O sorrisinho dele virou uma careta de decepção e ela segurou a vontade de abraçá-lo ali mesmo, fingindo que os outros não estavam junto.
— Ta tudo bem? — perguntou ainda o encarando.
— Viemos apenas checar o som, mas já sabem que estamos em Daegu. É questão de tempo ligarem os pontos. Temos que ir. — respondeu Namjoon de novo, visivelmente incomodado porque ela sequer o olhava de volta.
— Eu volto para o nosso café. — falou Yoongi antes que a moça dissesse mais alguma coisa.
— Greta! — Nari os interrompeu também. Estava mais pálida do que nunca, segurando o celular com uma mão e o braço de Hoseok com a outra. Greta percebeu que era alguma coisa com sua filha antes mesmo de Nari abrir a boca. Era sempre assim, sempre que começava a sentir os ventos da mudança entrando em sua vida e ela ameaçava dar uma guinada, algum obstáculo surgia. E quase sempre era algo difícil de lidar.
— É a Micha...
— O que houve? — Greta e Yoongi perguntaram juntos.
— Quem é Micha? — sussurrou Jin para Namjoon, mas ele balançou a cabeça negativamente. Os dois atentos aos gestos e expressões de Nari.
— Levaram-na para o hosp... — antes dela completar a palavra Greta já estava correndo em direção a própria bolsa, saindo em seguida sem dizer mais nada.
— Qual hospital, noona? — perguntou Yoongi ficando para trás com os outros.
***
Quando Micha abriu os olhos horas depois de uma cirurgia feita as pressas por conta de uma dor de barriga que ela não entendia, achou que estivesse sonhando. A claridade estava bem baixa, mas ela conseguia ver claramente o quarto cheio de presentes com o logotipo do BTS. Bem em frente a cama havia uma cômoda com um vaso grande de flores que ela não conhecia, sete balões com rostos das ilustrações do grupo, um Jin de papelão em tamanho real parado ao lado do móvel, uma cesta de frutas ao lado do vaso de flores.
O olhar da menina foi acompanhando os presentes até parar numa cabeça apoiada na cama, coberta com os braços. Tentou falar, mas tudo o que conseguiu foi um gemido porque a garganta estava muito seca. A cabeça se mexeu e ela percebeu que não era nem sua mãe e nem tia Nari. Olhou a volta, para o resto do quarto e percebeu que estava no hospital. Esperava ver outras camas com outros pacientes, mas o quarto era todo seu e na cama ao lado havia um homem que ela não conhecia, de olho na porta de correr. Ela seguiu o olhar dele e viu a sombra da mãe do outro lado. Sabia que era Greta porque ela gesticulava e falava um coreano carregado de sotaque português, coisa que só acontecia quando ficava muito nervosa.
— Quanto tempo ela tem que ficar aqui, doutora? — Greta perguntou no corredor iluminado de uma área que nem que trabalhasse toda a sua vida seria capaz de pagar. Tentou ignorar o segurança parado atrás de si, observando tudo apoiado na porta do quarto e o outro no fim do corredor observando a equipe médica que ia e vinha. Normalmente não aceitaria esse tipo de favor, mas era Micha, então não se importou com o luxo apesar de estar levemente incomodada com ele.
— Mais três dias e ela poderá ir para casa, senhora. A irmã Sarah foi rápida em reconhecer os sintomas e a trouxe antes que o apêndice chegasse a romper. — explicou a médica. — Ela já foi uma excelente enfermeira em seus anos de juventude, fez um trabalho impecável aqui. — completou.
Três dias numa área de luxo no melhor hospital de Daegu e, coincidentemente, o mais próximo que havia da igreja onde a menina passava as tardes. Greta desviou o olhar da médica e analisou rapidamente o próprio orçamento para pagar três dias num hospital desse porte. Depois de perder um dos empregos que mal sustentava as duas.
— Não podemos transferi-la para um quarto coletivo? Com outras crianças e...
— Não se preocupe, Mãe da Micha. Já foi resolvido. — respondeu a médica entendendo perfeitamente onde a moça queria chegar. Inclinou-se levemente e saiu sem deixar que Greta falasse mais nada. Não era sua função cuidar dessa parte, mas sabia bem que as contas havia sido paga pelo rapaz responsável pelos seguranças no corredor e dentro do quarto. O hospital todo sabia porque todos tiveram que assinar um termo de confidencialidade, comum naquela ala.
Greta ficou observando a médica se afastar sem acreditar ainda que irmã Sarah já tinha sido enfermeira, Micha teve apendicite e agora estava internada com tudo do bom que a medicina podia fornecer. Ficou com medo de entrar no quarto porque isso significava encarar a própria culpa e a constatação que nunca seria grata o suficiente. Ficou de frente para a porta e tentou ignorar o segurança que delicadamente olhava em outra direção, respeitando o momento dela.
Do lado de dentro Micha tentou se mover de novo e a pessoa que estava com a cabeça apoiada em sua cama a levantou e a encarou com um sorriso cansado. Tinha aproveitado aqueles minutos para cochilar antes de ir embora para os muitos compromissos que teria antes de poder voltar a Daegu para o evento de Nari-noona. Suga sorriu para a menina e inclinou a cabeça levemente.
— Oi.
— Su-su...
— Melhor não conversar muito. Você passou por uns probleminhas, mas vai ficar tudo bem agora. — falou. — Já passei por isso também. — sorriu.
Micha ficou encarando-o sem acreditar que era mesmo Min Yoongi sentado a beira de sua cama num hospital. Voltou a olhar a volta, para todos os presentes espalhados pelo quarto. Reconheceu a letra das amigas num cartão ao lado da cesta de frutas, mas não conseguiu ler daquela distância. Havia mais coisa, mas ela não conseguia assimilar tudo, concentrada em não ficar ansiosa por ter seu bias ali.
— Sempre que alguém implicar com você nos próximos dias, finge que sente dor e qualquer coisa que pedir vai aparecer milagrosamente. — ele falou em modo conspiratório ao perceber que a conversa no corredor tinha acabado. — Vai por mim, é a melhor parte. — completou.
Greta entrou no mesmo momento que Yoongi se levantou da cadeira. O segurança imediatamente deixou de fingir que era apenas um amigo e passou a prestar atenção em volta. Micha viu a mãe ignorar o rapaz e o segurança como se eles fossem mais um item de decoração.
— Ah meu Deus, filha! — falou em português ao perceber que a menina estava acordada. — Como se sente? Está com dor? Se doer alguma coisa me avisa que eu chamo a médica de novo! Eu vim assim que o padre Kim me ligou, não devia ter ido testar o equipamento sem ser profissional da área. Devia ter ido para casa logo em seguida e...
— Mãe... — Micha chamou baixinho, mas Greta continuou falando sem perceber.
— Você sabia que a irmã Sarah já tinha sido enfermeira? Eu achei incrível...
— Mãe... — chamou de novo, um pouco mais alto. — Em coreano... — completou quando Greta finalmente ficou quieta e a encarou. Só então ela lembrou que Yoongi estava ali. Tinha chegado ao hospital dez minutos depois dela, mas tinha ajeitado tudo antes mesmo dela descer do carro de Nari. Virou-se para o rapaz e inclinou o corpo totalmente, numa reverência profunda carregada de gratidão.
— Muito obrigada por tudo. — falou naquele sotaque carregado que tinha apenas em momentos de ansiedade, mas que ele começou a achar charmoso, apesar das circunstâncias. — Vamos pedir para transferí-la para a ala pediátrica. Não precisa mais se preocupar. — falou.
— Não precisa. — interrompeu ele. — Não é nada. — completou, irritado com aquela formalidade toda. Mal parecia que tinham se beijado ha menos de vinte e quatro horas.
— Sinto muito por tudo o que tem passado desde que nos conhecemos. Não precisava fazer nada di...
— Sério, não se incomode. — interrompeu de novo. — E não seja tão formal comigo, não precisa. — desviou a atenção de Greta e sorriu para Micha, se transformando completamente em apenas dois segundos.
— Espero que fique bem logo, Pequena. Precisa aproveitar os presentes. — desviou os olhos dela e encarou o Jin de papelão parado perto da cômoda. — Eles fizeram questão de mandar o que desse. Não duvido nada que vai ter mais desses até receber alta. — brincou ao apontar para seu irmão na versão de papel. Micha não disse nada, não conseguia e parte da culpa era passar por um pós-operatório de última hora e parte pela impressão de que era um sonho, porque era impossível ter o Suga do BTS em pessoa ali. Em resposta ela apenas inclinou a cabeça para a frente, bem de leve, voltando a deita-la nos travesseiros em seguida.
Yoongi encarou Greta e o sorriso fechou, apesar de ainda estar presente.
— Qualquer coisa que precisar, nos avise. — falou. Greta abriu a boca para recomeçar seu discurso, mas ele não deixou. — Não perca seu tempo, a decisão foi tomada. Cuide bem dela. — falou.
Encararam-se por um tempo, sem saber o que dizer além daquilo, sempre presos em longos silêncios cheios de significado.
— Espero te ver daqui uns dias. — ele falou antes que o silêncio ganhasse espaço demais e ficasse carregado. — Ela também. — apontou Micha com a cabeça e saiu depois de uma breve inclinação do corpo. O segurança o acompanhou sem dizer nada, deixando as duas ali, para que pudessem se recuperar do susto juntas.
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NOTA DA AUTORA: Pessoas, me perdoem a chuva de atualizações aqui ultimamente. Estou fazendo isso para que os leitores daqui possam alcançar os leitores do Inkspired e do Spirit. Depois que alcançar, voltamos às atualizações nas sextas, combinado?
Beijos <3
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