Chapter XXII: Emerging truth
🐱
Caros leitores, nem todas as atividades programadas para o cortejo serão contempladas, senão Immutable mudará de foco. Já antecipo que o próximo capítulo é o desfecho desse período, então vocês já sabem o que vai rolar *nhac nhac*
Eu fiz mudanças no desenvolver dessa história, então caso não tenha alguma passagem que eu afirmei que teria respondendo alguns de vocês pelo Twitter, relevem.
Particularmente acho essa atualização bem morninha, mas momentos mais calmos e descontraídos são bem-vindos. Me esforcei bastante para trazer paz, ok? Me deêm pontos pela tentativa!
Tradução
Tädi = Tia
Harry perdendo a sanidade em 1, 2....
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✻ ═════ •❅• ═════ ✼
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❝Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.❞
ೃ༄
「Ano de 2026」
─ Claro que você pode ficar comigo, H. ─ Elizabeth confortou, trazendo o pequenino para se sentar em seu colo. ─ Mas perderá toda a diversão.
Era intervalo e os alunos corriam pelo parque do colégio, alguns escalando estruturas coloridas enquanto os outros se sujavam com areia azul. A assistente de sala se mantinha atenta, pronta para intervir e mediar qualquer conflito, situação que deixava a professora mais a vontade para direcionar sua atenção exclusivamente à Harry, o aluno recluso.
Olga, Faya, June e Sabrina. Todas elas acompanharam a trajetória pedagógica do garoto, preocupadas com a introversão excessiva comparado aos demais.
Era a a vez de Elizabeth assumir o "posto."
─ Eu sei me divertir sozinho. ─ Garantiu, voltando a mordiscar o lencinho amarelo que trazia todos os dias. A mulher tentou fazê-lo abandonar o tecido por semanas, mas passou a aceitá-lo depois que Harry, sem seu objeto de conforto, cravou uma mordida no pulso de um colega. ─ Não quero brincar com eles, eu tenho medo.
─ Não quer nem tocar na areia? Nem um pouquinho?
Ele projetou um beicinho pensativo, mordendo o interior da bochecha.
─ E se...e se você trouxer um pouco de areia para mim? ─ Elizabeth estreitou os olhos. ─ Na mão...
─ Que tal eu segurar a sua mão? Eu prometo não soltá-lo. O que você acha?
O menino oscilou, mascando o lencinho com ansiedade. A educadora removeu os sapatos infantis, guiando-o até a vasta caixa de areia azul. Havia um brilho diferente no olhar esmeralda, uma luz que mesclava o receio com o anseio de estar ali.
Sua presença em meio às brincadeiras era tão atípica que despertou curiosidade nos alunos, que se aproximavam discretamente para saber o que aconteceria a seguir.
Harry sentiu a textura áspera entre os dedos dos pés, abrindo um sorriso de orelha a orelha. Ele soltou a mão de Elizabeth por conta própria, guardando o lencinho no bolso da calça antes de pegar um punhado de areia.
─ Então você superou o seu medo. ─ Cantarolou após um tempo. ─ Sua mãe ficará muito feliz em saber que você brincou hoje!
A criança piscou atônita, cambelando para fora da caixa e se refugiando no banco de madeira.
Ele nunca mais retornou a caixa de areia.
Ele jamais quebraria um Acordo Secreto.
. . .
Louis segurava algo importante.

Ele dobrou o papel com cuidado, encaixando-o no espaço estreito de sua carteira. Sim, ele possuía uma agora e fazia questão de expor a todos ali presentes o quão responsável aquilo soava.
Ele era tão adulto que poderia fazer compras na companhia do seu namorado, prometendo que seria paciente com as outras pessoas e que não consumiria nenhum produto sem pagar antes.
De qualquer forma, Harry deveria ter estabelecido isso antes que ele chegasse alcançasse algumas uvas, engolindo-as sem cogitar mastigá-las.
─ Eu sempre faço uma lista no bloco de notas do celular. ─ O ômega alcançou um carrinho de metal, dispondo-o para o alfa. ─ Mas eu sempre lembro de tudo, então...
─ Eu posso subir aqui? ─ Indagou genuinamente, testando a força da estrutura ao forçá-lo para baixo.
─ Não, alfa. Isso é feito para carregar os produtos.
─ Muito tecnológico.
Styles não evitou um sorriso bobo, selando suas bocas por breves segundos. O desejo por Louis sempre fora natural, mas vê-lo em trajes que se resumiam ao preto absoluto era o auge da impulsividade. Os olhos azuis realçavam, os lábios brilhavam em vermelho e a postura exalava algo a mais.
Talvez fosse um dos efeitos colaterais da ausência de um heat, Harry não saberia dizer. Na verdade, não havia nenhum sintoma que pudesse explicar, então ele carregava todos em uma só bagagem de incertezas.
─ Não faça isso. ─ Tomlinson pediu, se referindo à sucção recebida no lábio inferior seguido de uma mordida sutil. ─ Você disse que é proibido praticar atos libidinosos em público, mas eu não irei hesitar se você não parar agora.
Harry soltou um muxoxo, respirando fundo e cruzando os braços. O raça pura não podia culpá-lo por se portar dessa maneira, não quando os toques se tornavam cada vez mais frequentes, intensos.
Sua mente ainda se recordava dos beijos na virilha, as mordidas nos ombros, os dedos em-
─ Por onde vamos começar? ─ Louis questionou ansioso, admirando os produtos distribuídos nas prateleiras. ─ Pelos doces? Carnes? Que tal os doces? Estou bem se começarmos com as carnes.
─ Pelas frutas.
─ Para comer-
─ Não, nada de comer uvas.
─ Ok.
O alfa conduzia o carrinho entre os corredores, observando como as pessoas se comportavam naquele ambiente. Ele demorou para associar as carrancas aos preços, se espantando com valores tão altos.
─ Por que as pessoas não estão rendidas? Isso é claramente um assalto! ─ Guinchou inconformado, um pacote com pedaços de queijo em suas mãos. ─ Setenta euros por queijos? Queijos?!
─ É queijo francês, alfa.
─ E por esse preço ele fala francês? Bonjour?
Harry caiu na gargalhada, de verdade. Era uma daquelas risadas que a barriga dóia e o corpo se chacoalhava, contraindo o abdômen; daquelas preenchiam o local e recebiam carrancas e até mesmo olhares espantados.
─ Eu adoro suas piadas.
─ Não foi uma piada.─ Retrucou ofendido, não entendendo o humor em sua fala. O híbrido logo desfez o semblante contragosto ao lamber uma de suas bochechas discretamente.
─ Você é tão adorável que eu poderia te morder para sempre.
─ Como...mordidinhas-de-amor.
─ É. ─ Sorriu abertamente. ─ Mordidinhas-de-am- Não! Não morda o queijo!
─ Nem de queijo eu gosto.
. . .
Styles havia chegado à conclusão que tudo era mais leve ao lado de Louis.
Andar entre os corredores de um mercado não era sua atividade favorita, detestava lidar com pré-julgamentos assim que seu pescoço imaculado era percebido ㅡ deveria haver uma marca ali. Ele preferia aspirar sua casa três vezes ao dia do que reservar um tempo para abastecer os armários e geladeira.
Ele nunca expôs tal incômodo ao namorado por não querer plantar uma semente na terra fértil que era sua mente e cultivar um comportamento hostil. Já não bastassem os pequenos conflitos que o homem gerava vez ou outra, ora porque não suportava o cachorro da vizinha e se transmutava durante a noite para persegui-lo, ora porque se sentia ameaçado com breves olhadas, confrontando-as sem hesitação.
O alfa, no entanto, não era tão abstraído como aparentava ser, revelando sua espécie ao liberar seu cheiro incomum. Esconder seus ferômonios evitava situações desconfortáveis, mas o bem-estar do ômega era sua prioridade agora, motivo o qual o aromatizou na frente de todos, dizendo, entrelinhas, que cravaria seus dentes naquele pescoço em breve.
A atmosfera havia mudado. Nada de feições condenadoras e narizes empinados, apenas sorrisos desconcertados e orbes pávidas.
─ Não se chateie, você terá a marca mais bela de todas. ─ Sussurrou ele, os braços envoltos da cintura do veterinário, abraçando-o por trás. ─ E irá exibi-la por aí, dizendo quem deu a você.
A derme sensível recebeu uma lambida modesta e um sopro quente logo em seguida, fazendo o híbrido firmar os dedos no apoio metálico para não emitir um ruído dengoso.
Eles permaneceram de chamego por um tempo, respirando o ar de recém-apaixonados que aquela bolha exalava ㅡ mãos que não se soltavam, corpos que não se separavam.
Os comentários genuinamente ácidos continuaram a arrancar boas risadas do ômega, agraciando a audição de Louis com o som melodioso de suas cordas vocais. Ele começava a associar o riso à felicidade, entendendo que era uma reação positiva, não negativa como costumava pensar.
E ele, de fato, estava bem-humorado, executando, até mesmo, um malabarismo com limões somente para impressionar o outro. E então a vida adulta lhe proporcionou o que havia de pior: uma fila interminável.
Usualmente, Harry rolaria suas orbes esmeraldas, bateria um dos pés de maneira infantil e iria embora, decidido a retornar no dia seguinte. Todavia, a enorme espera que enfrentavam tinha como destino uma vitrine suculenta de carnes, alimento que Tomlinson jamais dispensaria.
─ Lou, ─ Acenou, chamando a atenção do rapaz que, impaciente, intimidava alguns clientes ao invadir seus espaços pessoais, analisando-os. Ele abandonou o comportamento antipático assim que se virou, caminhando até Styles tal qual uma criança travessa faria. ─ Não seja rude, alfa.
O raça pura suspirou, deixando um beijo casto nos dedos gélidos ㅡ era o seu jeitinho de se desculpar.
─ A fila está grande, talvez demore um pouco. ─ Disse suavemente, os membros superiores do alfa se enrijecendo. ─ Você poderia pegar alguns produtos de limpeza para mim?
Louis anuiu prestativo, esperando que os nomes dos produtos fossem anotados em seu celular recém adquirido. Costurando entre as prateleiras, ele empurrava o carrinho sem pressa, vez ou outra se dispersando ao processar tantos sons, cores e cheiros ao mesmo tempo.
A tarefa de controlar os estímulos que recebia era tão árdua que ele sentia a transmutação ansiando rasgar sua pele, sensação que se alastrou e fez uma de suas orelhas felinas saltar por um par de segundos.
─ Agora não. ─ Rosnou para o seu animal interior, se distanciando do setor movimentado. ─ Qual é o seu problema? São só...coisas coloridas! Já vimos isso antes e-
Um alfa passou ao lado, ombros caídos e feição desgostosa. Com muito pesar, ele arrastava a cesta metálica como todos ㅡ ou a maioria. Mas, diferente dos outros, algo peculiar estava camuflado entre as inúmeras compras.
Num assento minúsculo de cor amarela, um bebê balbuciava e gesticulava seus braços pequeninos, apontando para todos os lugares.
Louis farejou, eles não possuíam linhagem sanguínea.
─ Uau, eles vendem bebês-crianças.
Bebê-criança soava melhor para ele do que bebê ou só criança. Quer dizer, todas as crianças foram bebês algum dia, e os bebês se tornariam crianças em um futuro não tão distante. Era o nome ideal.
Ele começou a procurar pela "ala infantil", se lamentando por ter tantos labirintos que não o levavam a lugar nenhum. Tomlinson até pensou em, acidentalmente, se confundir e pegar o ser pequenino que avistara minutos antes, mas não foi preciso.
Afinal, uma criança atravessou suas pernas, bem no meio delas, caminhando incerta até o setor de frios.
Ela não era tão pequena quanto um bebê nem tão grande quanto Bonnie. Parecia ter entre seus dois ou três anos de idade, pele negra e cachos que se assemelhavam a mais bela copa de árvore que Louis já vira em toda sua vida.
O menino se apoiava nos freezers e visualizava as pizzas congeladas, as fendas escuras brilhando em antecipação. O alfa se apropinquou casualmente, recolhendo uma das caixas e a organizando com as demais compras.
─ Você gosta de pitza também? ─ O olhar receoso se esvaiu, dando lugar a um aceno frenético. Crianças. ─ Quer conhecer a minha casa? Eu vou levar uma dessas e podemos comer juntos!
Outro aceno frenético e o garoto já se acomodava no centro do carrinho, pernas cruzadas e sorriso animado. O alfa buscou por qualquer sinal do código de barras na etiqueta da blusa da criança, resmungando pela ineficiência do mercado.
─ Você não fala muito, não é? Bonnie é o oposto, ela não sabe calar a b‐ ─ A voz do híbrido martelou sua cabeça. Nada de palavras grosseiras. ─ Não sabe ficar quieta, é isso que eu estava prestes a dizer.
Harry finalmente era atendido quando o cheiro do raça pura se intensificou. Ele empurrou sua irritação para longe antes de agradecer o açougueiro, checando em qual direção seu namorado seguia.
O suspiro de alívio ao vê-lo tão relaxado num ambiente barulhento logo sumiu.
─ Louis, ─ Pausou, a entonação baixa para não causar alarde. ─ De quem é essa criança?
─ Minha, oras.
─ Não, ela não é sua. Ela é-
─ Nossa! Ele é nosso filhote.
─ Não... ─ A criança se manifestou pela primeira vez, pondo-se de pé com dificuldade. ─ Eu sou o filhote da mamãe.
─ Está vendo?! ─ Styles transpareceu o desespero, massageando o couro cabeludo. ─ Ele já tem uma mãe, uma mãe que deve estar desesperada procurando! Onde você o encontrou?
─ Eu comprei.
─ Comprou?! Como?
─ Comprando! ─ Revirou os olhos, trazendo o menino para o seu colo. Para alguém que não possuía o hábito de segurar indivíduos menores, Tomlinson levava jeito. Harry reprimiu um sorriso doce. ─ Você disse que somente produtos à venda vão no carrinho. Eu vi um bebê-criança em um, então pressumi que eles são vendidos também, o que é, na verdade, horrível! É um absurdo comprar seres humanos!
─ E não foi o que você fez, alfa?
Ele mordeu o interior da bochecha, envergonhado.
─ Mas ele é adorável, ômega. Podemos ficar com ele?
Uma presença feminina interrompeu a negação imediata. E se seu rosto não fosse extremamente familiar, seu cheiro seria.
Hillar.
─ Tädi! ─ O garoto saudou, se jogando nos braços de Hillar. A semelhança entre eles era palpável e se não fosse pela fala infantil, as pessoas afirmariam que ela era a mãe.
─ Fugindo de mim novamente, não é? ─ Mordeu os dedos gorduchos, fazendo-o tremer numa risada escandalosa. Direcionou sua atenção à Louis que, diferentemente de Harry, parecia muito feliz ao reencontrá-la. Primeiro sinal. ─ Ao menos você estava muito bem acompanhado, Henrik.
─ Esse é o nome dele? Que nome horr-
─ Ei, ele é só uma criança! ─ Advertiu descontraída, o semblante enciumado do ômega ao lado mais do que evidente, o segundo sinal. ─ O que fazem por aqui?
─ Bem, isso é meio óbvio. ─ A acidez não veio do raça pura. Terceiro sinal. ─ Estamos fazendo o que as pessoas costumam fazer em mercados, entende? Compras.
─ E compramos o Henrik também! Estava tudo bem até você aparecer. ─ Existia um humor genuíno ali, ele fazia de propósito. Desejou ouvir um riso do híbrido, mas tudo o que recebeu foi um cruzar de braços penoso. Quarto sinal. ─ Você será uma mãe desnaturada, sabe disso, não é?
─ Eu sei, cuidar do Henrik para praticar minha maternidade foi uma decisão ousada demais.
Styles deu o quinto sinal, se aconchegando em Louis de forma a afundar o rosto no pescoço quentinho. Ele funcionava como uma espécie de válvula desregulada ultimamente, ou era aberta para inundar uma sala, ou fechada o suficiente para enferrujar, sem meio-termos.
─ Cortejo. ─ Tomlison explicou, a gesticulação demonstrando que tinha tudo sobre controle. Hillar cobriu os lábios maravilhada. ─ Não estamos seguindo a linha tradicional, fizemos nossa própria lista de rituais. Algo como...trabalhar a convivência em atos rotineiros.
─ Isso é diferente de tudo o que eu já vi.
Harry estava sendo implicante, ele sabia disso. A garota mal se expressava e seu nariz se contorcia, desejando que aquele aroma em específico se afastasse do seu alfa.
Tal pensamento fez com que sua língua passasse a lamber a epiderme com discrição, diminuindo a vontade de marcá-lo ali somente para aliviar sua insegurança e ciúmes excessivo.
O alfa não sabia se estava bem com isso. Sua sexualidade vinha florescendo como girassóis em setembro e ter uma textura molhada e macia contornando suas veias não projetava um dos cenários mais puritanos.
O veterinário era, de fato, uma vadia ㅡ algumas vezes ㅡ, e foi exatamente o que ele ouviu de Louis no instante seguinte, ou ao menos julgou ouvir, pois o raça pura sequer cogitou usar aquele linguajar novamente.
Era a voz, aquela que se comunicava com ele desde o encontro no observatório. Ele optou por encarar esse fato como um pressentimento ou repressão inconsciente, evitando enlouquecer com a hipótese de estar delirando.
─ Vai dar tudo certo! ─ Hillar garantiu, chiando quando teve seus brincos de argola levemente puxados pelo sobrinho. ─ Ok, ok, estamos indo embora! Louis, foi um prazer revê-lo. Apenas peço que, da próxima vez, não tente levar embora crianças que não são suas, sabe? E Harry, ─ Ela lubrificou os lábios, a vontade de formular um flerte como fizera no dia do pub se esvaía ㅡ eles estavam em um cortejo e ela não queria antipatia em dobro. ─ Não se esqueça que eu fui a primeira a dizer que queria ser madrinha dos filhotes.
Styles concordou um tanto atordoado, vendo-a caminhar para longe enquanto parecia salientar à Henrik o quão perigoso era conversar com estranhos. Ele estava prestes a enunciar um sermão para Tomlinson, mas este o trouxe para perto, beijando-o com carinho.
─ Talvez eu não tenha dito o bastante, mas eu só tenho olhos para você. ─ Expressou moroso, os polegares escovando as bochechas rosadas. ─ Não há motivos para ficar tão enciumada, Polaris. Eu sou seu, ninguém mudará isso.
O ômega ofereceu um sorriso tímido, as borboletas no estômago mais vivas do que nunca. Louis lhe deu outro beijo de conforto, o admirando antes de finalmente seguirem até o caixa automático.
─ Têm uvas escondidas no seu bolso, não é?
─ O quê? Claro que não!
─ Deixe-me ver.
─ Não.
. . .
Louis resmungava sobre a teimosia do namorado quando este se desfez da própria camiseta, pendurando-a em uma árvore. Apesar de não estar nevando como o previsto para o fim de janeiro, o frio não era um dos mais piedosos, motivo o qual ele anulou o mergulho no lago para priorizar o piquenique.
Harry, no entanto, não deixaria nenhuma etapa do cortejo para trás. Já estava sendo difícil conciliar a rotina que possuía com todas as atividades, ele não se sentiria bem sabendo que estava excluindo momentos importantes, mesmo que estivesse tremendo da cabeça aos pés dentro da água.
Os alimentos estavam dispostos no interior do carro, que teve o porta-malas expandido para abrigar ambos durante o piquenique. O alfa desfrutava de cada prato, fingindo não escutar as súplicas do ômega teimoso.
─ S-Se você não entrar comigo, ─ Os dentes colidiam um contra o outro. ─ O cortejo será cancelado! V-Você está infringindo uma regra muito importante!
Tomlinson deu de ombros. Aquilo não era verdade, ele saberia se fosse. Depois de pesquisar tanto sobre cortejo, seria capaz de recitar cada termo sem consultar a alguém. Ademais, se ele acatasse o pedido, estaria incentivando a atitude inconsequente do híbrido.
─ E-Eu não sei nadar, você sabe disso. ─ Insistiu, o timbre forçando uma urgência inexistente. Certo, ele poderia não saber nadar, mas estava seguro perto da borda. ─ L-Louis!
─ Três segundos para sair da água e vir se aquecer. Um.
Harry engoliu em seco.
─ O-O quê?
─ Dois.
─ Pare com isso!
Louis removeu o resquício da massa açucarada que manchavam seus lábios.
─ Três.
Sua peça íntima foi arremessada no gramado úmido. Tomlinson o encarou perplexo.
─ Você é tão promíscuo, Harry.
Embora balançasse a cabeça em sinal de reprovação, seus pés o guiavam em direção ao lago. A quentura rotineira invadiu seus poros ao vislumbrar a face ardilosa, a típica excitação que somente o seu namorado conseguia causar.
─ O que deveria acontecer depois do três? ─ Styles provocou. ─ Você pensou que eu sairia por vontade própria?
─ Claro que não, você anda muito petulante ultimamente. ─ O tom brincalhão em sua voz era novidade. Nu, ele escorreu para dentro, indiferente à baixa temperatura. ─ Eu iria te pegar.
─ Então o que você está esperando?
Harry não fez esforço para fugir ou se desvencilhar dele, mantendo-se imóvel para usufruir do calor alheio. O encaixe perfeito das pernas carnosas ao redor da cintura teve um efeito imediato, dispersando a aura divertida e qualquer rastro de gargalhadas.
O motivo dos pelos enrijecidos não se devia somente ao frio eminente, os toques de Louis também eram responsáveis pelo arrepio constante e o aquecimento que prosperava de dentro para fora. Styles se deleitava com as mordidas distribuídos em seu ombro de olhos fechados, as mãos firmes no emaranhado de cabelos o expondo como uma pressa premiada.
Os dedos calejados deslizaram entre as nádegas cheinhas, a lubrificação se misturando com o líquido gélido e inundando seus sentidos animalescos. Seu tigre interior demonstrou interesse em assumir o controle dali em diante, mas o alfa dispensou.
Acontecia frequentemente, ele sempre procurava brechas para se comunicar e satisfazer sua Estrela do Norte.
─ Você disse que nunca mais faríamos isso em público. ─ Relembrou, os caninos mordiscando o lóbulo sensível. ─ No dia do interrogatório.
O ômega ponderou. O lugar era envolto por uma vasta vegetação, nada de carros, casas ou pessoas.
─ Eu faria tudo com você. ─ O veterinário sorriu inerte, mimicando o mesmo tom de voz ao responder. ─ Absolutamente tudo.
Ego massageado a parte, Tomlinson se sentiu bem ao ouvir tal afirmação sendo dita com tamanho certeza. Não tinha uma das melhores condutas, mas entendia o quão inconsequente aquilo soava. E se o "senhor certinho" parecia tão disposto a seguir em frente, eles iriam.
As costelas foram manchadas pela terra firme, único suporte disponível para que o raça pura o apoiasse, perna esquerda sobre sua coxa enquanto a outra flutuava livremente ㅡ ângulo perfeito para resvalar as digitais sobre o períneo com lentidão, focais atentas às reações e sons prazerosos que Harry o proporcionava.
O híbrido amava ter os dedos de Louis para si, enxergava estrelas. Ele não costumava ter tanto contato sexual fora dos cios quando estava na companhia de um alfa, então estar numa relação em que tudo era intenso e recíproco tornava cada gesto especial.
Isso explicava o desespero para tê-lo independente da hora ou lugar.
Explicava o porquê Styles soava como um adolescente na puberdade, ensopando suas roupas à simples menção de desfrutar de tudo o que o outro poderia oferecer.
Explicava o desejo incessante para agradá-lo e obter um elogio.
Explicava também o ciúmes crescente que se alastrava sem perceber.
Mas certamente não explicava a brutalidade repentina em seu tato.
Por um momento, Tomlinson pensou que o heat do rapaz havia, finalmente, eclodido ㅡ o tempo reprimido sendo responsável pelos arranhões tortuosos ao longo de suas costas. Todavia, o cheiro do ômega não tivera oscilações condizentes com tal período, evidenciando que a excitação poderia ser grande, mas seu cérebro funcionava em plena consciência.
A gengiva de Harry coçou, os instintos comprimindo sua caixa torácica a medida que lambia a região atrativa. Entre uma mordida e outra, o alfa sentiu a força e pressão esmagadora dos dentes em seu pescoço, se esquivando irrefletido.
Louis se encontrava aturdido. A dor resultou numa certa confusão mental e desregulou seu mecanismo biológico, acionando e neutralizando seu cheiro seguidamente.
─ Harry, você tentou me marcar?
Styles não via nada além de um clarão, a voz do namorado soando muito mais distante do que a realidade.
Ele havia vivenciado uma situação semelhante na semana anterior, no santuário. Estava em seus típicos afazeres quando uma angústia imensurável apertou seu peito, o desestabilizando por tortuosos minutos regados a um choro que não tinha fim.
Desse dia em diante, passou a ter picos de emoções, nem sempre contendo-as a tempo de não influenciar a dinâmica de cortejo. Muita irritação na segunda, pouca disposição na quarta e melancolia moderada na sexta.
Ele era uma caixinha de surpresas.
─ Harry, ─ Tomou o rosto úmido em seus palmas, o verde tão profundo que a coloração excêntrica se tornava quase imperceptível. Os tremores cessaram, olhos perdidos como planetas em órbita. ─ Você tentou me marcar.
Porque era surreal para ele lidar com as finas camadas de sangue trilhando um caminho linear e encontrando a água abaixo do seu peitoral, provando que sim, não teria mais volta se a arcada dentária pressionasse dois centímetros adentro.
Tudo parecia tão fora da eixos que o odor metálico sequer causou efeitos negativos.
E Harry, ao invés de se enojar pelo pescoço ensaguentado, se aproximou, recolhendo as gotículas vermelhas tranquilamente com a língua
─ O que-
─ E-Eu não sei. ─ Respondeu com sinceridade, pelos voltando a se enrijecer e lábios dormentes. ─ Sinto muito, não queria ter feito isso.
─ Mas- Tudo bem, venha se aquecer primeiro. ─ Instruiu, impulsionando-o para cima. Uma vez fora, ele retirou uma toalha da bolsa para secar os fios do ômega, o enrolando nela em seguida.
─ Você disse que não iríamos nadar.
─ Sim.
─ E você trouxe uma toalha mesmo assim.
─ Sim.
Styles franziu o nariz, observando a maneira cuidadosa a qual o alfa guardava os objetos e os alimentos na cesta. O híbrido apreciava momentos como aquele, apenas Louis sendo ele ao passo que se esforçava para demonstrar o quão havia aprendido nos últimos meses.
─ Por quê?
─ Porque eu sabia que você pularia mesmo assim. ─ Deu ênfase no final da frase, a entonação pairando o deboche. ─ Ômega atrevido.
O rapaz projetou um beicinho contrariado, pouco se empenhando em vestir a própria roupa. O raça pura fez isso por ele, ignorando a ardência pulsante em sua derme ㅡ não era para doer tanto.
─ Você ainda está-
─ Pelado, eu sei. Você não para de olhar.
Tomlinson sorriu quando as bochechas assumiram um tom rubro. Estava prestes a confortá-lo quando teve os pulsos contidos, semblante confuso encontrando a face sem expressão.
─ Minha mãe mentiu para mim.
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