Ela é minha menina, e eu sou o menino dela!
P.O.V. Má
Os Beatles finalmente tocam o grand finale do show, Roll Over Beethoven, do grande Chuck Berry... Garotos e garotas berram e dançam por toda a extensão do salão, e é claro que eu não faço diferente... Mas já era de se esperar que isso acontecesse, afinal, os Beatles se revelaram como sendo o ápice da rebeldia adolescente que necessitamos para viver!
Eu olho para Pete, dançando e cantando também... Como eu amo esse rapaz! Não faz nem uma hora que estamos namorando, mas me sinto como se isso fosse algo natural... Ele me olha também, sorrindo, e me abraça de lado, para dançarmos juntos as últimas notas da música. quando esta acaba, toda aquela maré de gente aplaude os jovens músicos triunfantes!
-- Bem, queremos agradecer a todos vocês aqui presentes... Foi muito importante pra nós... Vocês foram o maior público que já tivemos até agora! -- George é quem dirige as palavras ao microfone, sorrindo. -- Bem, queria agradecer aos professores e ao diretor, que me permitiram trazer a banda para tocar aqui hoje... Quero agradecer ao Peter Townshend, que esteve aqui conosco pouco tempo atras, tocando sua música especial... Você tem futuro, garoto! -- Pete cora um pouco, ao meu lado, mas ergue o braço para Harrison. -- É isso! Esperamos tocar para vocês novamente! Ah, sim, já ia me esquecendo... Vou apresentar a banda! Paul McCartney no baixo e nos vocais!
-- Muito obrigado gente! -- Paul responde, em meio aos aplausos.
-- John Lennon na guitarra e vocais! -- George prossegue. John dá um aceno com a mão esquerda... Ele tem uma cara de durão. -- E Pete Best na bateria! -- Este último bate as baquetas nos pratos.
-- E é claro, George Harrison, que vocês já conheciam, na guitarra solo e vocais! -- Paul adiciona. Muitos aplausos e gritos saem da multidão. Os Beatles se curvam e as cortinas descem.
-- Eles são incríveis! -- Comento, me virando para Peter.
-- São, né? Sabe quem mais é incrível? Minha namorada... -- Pete fala, me abraçando e me beijando carinhosamente nos lábios. Afago seus cabelos macios.
-- Ô dois molengas! -- Keith nos interrompe, bruscamente, fazendo-nos soltar. -- Vocês vão ser pisoteados assim! Olha a loucura que está isso aqui, e vocês dois aí, como se nada estivesse acontecendo!
-- Keith, não enche! -- Digo, revirando os olhos mais de brincadeira do que seriamente. -- Onde está Jullia?
-- Foi ao banheiro... Ali ela! -- Moon acena pra garota, que tenta passar em meio à multidão. -- Ah, vou lá ajudá-la... -- E assim, vai em direção à mesma.
-- Vem, vamos nos sentar... -- Pete pega em minha mão e vai em direção à nossa mesa, até ser parado no meio do caminho por dois rapazes, George e Paul.
-- Ei, hum, oi! -- George começa, simpático.
-- Ei, Peter! Essa é a famosa garota? -- Paul pergunta, olhando pra mim. Ele pega minha mão e a beija, como um cavalheiro.
-- Oi rapazes! -- Respondo sorrindo.
-- Essa mesma, Paul! -- Pete comenta, colocando a mão nas minhas costas.
-- Eu sou Maria Giulia Rose Fields, mas me chame de Má... -- Me apresento.
-- Enfim, gostaríamos de saber se vocês não querem se sentar conosco... -- George pergunta, animado. Pete me olha, procurando uma resposta. Sei como ele é tímido, por isso, o olho com ternura, o encorajando.
-- Ah... Claro! -- Pete responde, um pouco hesitante. -- Mas será que vocês não se importam se chamarmos nosso amigo e a namorada pra ir junto? É que eles estão conosco, e não queremos deixá-los...
-- Pode chamá-los! Quanto mais, melhor! -- Paul fala animadamente, piscando os lindos olhos cor de mel, com grandes e perfeitos cílios.
-- Muito obrigada, vocês são muito gentis! Não vejo a hora de conhecer todos vocês! Vocês são demais! -- Digo, perdendo um pouco o controle e entrando no modo "fã maluca".
-- Que bom que gostou, moça! Bem, estamos indo... Sabe onde nos encontrar! Ficaremos esperando... -- George fala, apontando para trás com o polegar.
-- Iremos sim, pode deixar! -- Falo, acenando para os dois rapazes que se viram e caminham de volta para o local de onde saíram. -- Vem, vamos chamar o Moonie e a Jullia...
-- Eles estão ali, perto dos banheiros... Pra variar estão dando uns amassos... -- Pete riu ironicamente, revirando os olhos.
-- E depois aquele ser ainda fala da gente... Mas é já que eu boto ordem na casa! MOON! -- Eu grito, tentando chamar a atenção do casal, mas o som está muito alto. Pego um gurdanapo que acho na mesa mais próxima, faço uma bolinha e taco nas costas do menino, que solta o rosto da namorada e se vira, assustado. Ele me vê e eu faço sinal para que eles venham para onde estou.
-- É, você é maluca... Não poderia querer uma garota mais perfeita pra mim! -- Pete fala, romanticamente, abraçando minha cintura.
--Ah, pelo menos assim aquele doido presta atenção na gente! -- Eu falo, um pouco antes dos dois apaixonados finalmente passarem pela multidão e chegar ao nosso encontro.
-- Qual é, Má? -- Keith pergunta, curioso.
-- Venham, George Harrison nos convidou para sentar com os Beatles... Ele deixou vocês irem também. -- Falo, meio autoritária.
-- Mas Má... -- Keith protesta, mas eu o corto.
-- Sem "mas", Moonie... Nós somos tipo uma família, e não iremos abandoná-los na festa... E além do mais, me sinto na obrigação de tomar conta de vocês, já que sou a mais velha... -- Digo, com as mãos na cintura.
-- Você é meses mais velha que a gente! -- Moon protesta novamente. -- Mas tá, a gente vai... Desde que você não tente dar uma de minha mãe!
-- Tá, tá... Eu prometo... Agora vamos! -- Jullia é a que me acompanha mais próxima.
-- Ela não é demais? -- Escuto Pete falando com Keith. Sorrio ao escutar as palavras.
Logo chegamos à mesa onde a banda se posta. George se levanta para nos apresentar ao resto do pessoal.
-- Ei, Harrison, estes são Keith, que você provavelmente já conhece, e esta é Jullia! -- Falo, equanto George aperta a mão de Moon e da namorada deste.
-- Fiquem à vontade! Galera, esta é a garota pra quem Peter escreveu a música, Má... Este é Keith e sua namorada Jullia. -- Todos na mesa nos cumprimentam com acenos e sorrisos. -- Bem, este é John com sua namorada Beatrice... -- George aponta para o casal mais próximo. A garota de cabelos parcialmente curtos está enlaçada nos braços do guitarrista. -- Paul, que você já conheceu e Ginger... -- O outro casal exibe sorrisos amigáveis. -- E estes são Pete e Gillian... -- O último casal apresentado também mostram sorrisos simpáticos. -- Ah, é claro, minha namorada Lorella, que vocês já devem conhecer também... -- A garota sorri e acena. Após todos serem apresentados, nos sentamos nas cadeiras restantes. Pete se senta ao meu lado.
Após muito tempo de conversa, já nos sentíamos parte do grupo. Rindo e fazendo piadas. Eu nunca fui muito amiga das meninas, mas, pela primeira vez, me sinto num grupo feminino. Tipo, posso considerar Jullia minha melhor amiga, mas mesmo assim, duas meninas não formam um grupo... as garotas não são muito mais velhas que eu... Gillian e Ginger possuem 18 anos, e Beatrice e Lorella possuem 17. No meio da conversa, escuto Best comentar para a namorada:
-- Amor, espero que não se importe, mas passei seu endereço para Townshend... Seu irmão está procurando um guitarrista pra banda dele, não está?
-- Sem problemas... É, o Roger está... Não aguento mais ouvir ele reclamar que não acha ninguém que satisfaça as frescuras dele na hora de tocar... É, Peter, fique a vontade para aparecer quando quiser... Roger irá gostar de você! -- Gillian joga os cabelos loiros para trás.
-- Muito obrigado... Aparecerei sim! -- Pete responde, feliz da vida.
-- Meninas, vamos ao banheiro! -- Ginger fala, se levantando. -- Vocês também, Jullia e Má! -- Todas as garotas se levantam. Eu as imito.
-- Nunca entendi essa necessidade das meninas de irem juntas ao banheiro... -- Lennon fala, meio desinteressado.
-- Vai entender... -- Moon concorda.
Chegando ao banheiro, Jullia e eu ficamos um pouco ao lado, tentando entender o porquê daquela ida. Ginger pega um batom na bolsa e passa sobre os lábios. Gillian arruma seus perfeitos cachos loiros. Lorella simplesmente ajeita o vestido. Beatrice parece estar tomando coragem para algo...
-- É, bem... Meninas... Preciso contar uma coisa... -- Ela começa. Todas se viram curiosa e eu olho para Jullia, estranhando tudo.
-- Fala logo, mulher! -- Lorella a apressa.
-- É que... Eu... fiz "aquilo" com o John... -- Ela fala, vermelha. Fico um pouco assustada, pois por mais que eu saiba sobre essas coisas, nunca conversei com alguém sobre isso.
-- SÉRIO? -- Gillian fica animada.
-- Sim... É que eu fui ontem até a casa dele como de costume e a tia Mimi não estava... Então, as coisas foram esquentando e rolou... Quase fomos pegos... Mas por sorte o sapato de Mimi é bem barulhento... -- Beatrice comenta meio travessa.
-- Que sorte mesmo! Lembro que minha primeira vez com o Paul foi muito estranha... Estávamos com muita vergonha... Mas agora não mais, hehe... -- Ginger comenta, contribuindo ainda mais para minha incredulidade...
-- Bem, meu namorado sempre foi meio selvagem... -- Gillian começa. -- Então, né... Ele resolveu dar uma de louco bem no sofá do porão de casa... E eu, louca também, fui na onda... O imbecil do meu irmão quase nos pegou também... Por sorte o amigo dele chegou bem na hora e eles foram juntos ensaiar sei lá onde...
-- Ah, o George é um doce... Lembro que ele foi muito delicado na nossa "primeira vez"... Como se as coisas tivessem mudado... Mas ele é um amor... -- Lorella fala, olhando para uma mecha clara de seu cabelo caído em sua face. Olho um pouco horrorizada para Jullia, que retribui da mesma maneira.
-- Estão me dizendo que... Todas vocês... Não... São mais virgens? -- Pergunto. Acho que minha voz sai um pouco incrédula de mais, já que todas as mais velhas me olham e começam a rir.
-- Isso aí, fofa! Mas só fomos fazer isso depois de um tempo namorando... Beatrice mesmo, fez isso pela primeira vez ontem e já está namorando John por dois meses! -- Gillian diz, rindo.
-- Me desculpem a incredulidade, é que nunca falei disso com ninguém antes... -- Me desculpo das garotas, que me abraçam ternamente.
-- Não faz mal, não, querida! É normal se sentir estranha com assuntos deste tipo... Mas garotas mais velhas são assim, temos as respostas para todas as suas perguntas! -- Ginger fala, me soltando, assim como as outras.
-- Exatamente! Quando precisar de dicas e conselhos, é só nos procurar! Iremos deixar nossos endereços com vocês duas, e nossos telefones também... deixem o de vocês também! -- Beatrice é quem se pronuncia desta vez, pegando um bloco de notas e uma caneta da bolsa. Ela e todas as outras anotam seus endereços e telefones, assim como Jullia e eu.
Logo, saímos do banheiro e voltamos para a mesa. Pete me recebe com um selinho.
-- Que cara é essa, Má? -- Ele pergunta. Provavelmente ainda estou com a incredulidade transposta.
-- Nada não... É só que eu não imaginava que os assuntos discutidos por garotas em grupo fosse daquele jeito... -- Comento bem baixo, de forma que só Peter escute. Ele sorri de lado, passa uma das mãos no meu cabelo e me beija.
-- Vocês dois são fofinhos... Tão românticos... -- Gillian fala, sorrindo e abraçando Best de lado.
-- Ah, é que... Ela é minha menina... -- Pete me olha apaixonado. -- E eu sou o menino dela... -- Eu olho da mesma maneira para seus olhos azuis. Nos beijamos mais uma vez. Não somos os únicos da mesa. Ginger e Paul trocam um beijo muito profundo na ponta e Moon dá selinhos leves em Jullia.
-- Quanta melação... -- Lennon fala, com seu típico jeito de bad boy, dobrando as pernas e colocando um dos braços atrás de Beatrice.
Mais um tempo se passou, e logo chega a hora de ir embora. Olho para o relógio da parede: 00h14. Não estou acostumada a ficar acordada até tarde, por isso, começo a ficar com muito sono.
-- Pete, podemos ir? -- Pergunta ao menino, encostando a cabeça em seu ombro.
-- Claro, minha linda... -- Ele responde acariciando meus cachos. -- Galera, precisamos ir... Vocês são muito legais! Esperamos vê-los novamente! -- Pete se levanta. Me levanto junto. Nos despedimos de todos. Moon fala que também precisa ir levar Jullia, então estes saem junto da gente.
-- Keith John, Jullia, juízo vocês dois! -- Falo, abraçando meus amigos.
-- Falo o mesmo de vocês! Peter Dennis só tem cara de tímido... E você também, sua hippie maluca que eu amo tanto! -- Keith fala, retribuindo o abraço. Acabamos de nos despedir e começamos a descer a rua.
-- Má, só pra perguntar... O que as meninas falaram que te deixou tão horrorizada? -- Pete pergunta, curioso, enlaçando nossas mãos, enquanto andamos pelas ruas desertas e mal iluminadas.
-- Ah, coisas de menina... Coisas que eu nunca havia conversado com ninguém antes... Coisas meio assombrosas... Nada de mais... -- Respondo e Pete dá de ombros. -- Prefiro as nossas conversas sobre fliperama...
-- Compreendo... Meninos também são seres meio estranhos... -- Pete estuda nossos dedos enlaçados, enquanto acaricia a costa da minha mão com o polegar. Minutos depois chegamos na frente de casa.
-- Obrigada pela noite maravilhosa Pete! -- Subo o primeiro degrau da minha casa e o abraço, assim ficamos do mesmo tamanho. Passo as mãos nas laterais da face de Pete, que me abraça pela cintura. Ele sorri, antes de seus lábios encontrarem os meus, em um beijo muito profundo. -- Melhor a gente não se beijar assim na frente da minha casa... Meu pai pode acordar... -- Falo quase num sussurro.
-- Eu sei... Mas correr riscos só deixam a situação melhor ainda... Mas de qualquer forma, a gente se vê amanhã... Te amo, viu? -- Ele fala, sorrindo, ainda com o nariz encostado no meu.
-- Também te amo... Até amanhã então! -- Dou mais um beijo no rapaz, antes de subir o resto dos degraus e acenar uma última vez para este, que logo se vira e caminha os poucos passos restantes para chegar em sua casa. Ele acena mais uma vez, antes de entrar. Entro também, tentando fazer o mínimo de barulho possível.
Subo as escadas sorrateiramente, troco de roupa e então, me jogo na cama... Penso em Pete, penso na música que este fez pra mim... Mas também penso na conversa das meninas... Com um certo frio na barriga, durmo.
P.O.V. Pete
O baile não poderia ter sido mais perfeito... Me chamem de idiota apaixonado, ou até melodramático, mas a Má é incrível... Eu não poderia estar mais feliz perto dela... Acabo de deixá-la em sua casa... Desde que voltou do banheiro com as garotas, percebi que esta sentiu-se meio estranha. Ela não me contou sobre o que conversaram, só me disse que eram coisas de meninas... Mas é claro, eu não nasci ontem... Tenho uma ideia do possível assunto...
Mas a Má não tem com o que se preocupar. Nunca farei com ela nada que ela não queira e nunca a tratarei com falta de respeito. Eu a amo, não há motivos para agir feito um idiota!
Enfim, logo entro em casa, em silêncio. Subo para meu quarto sem fazer ruídos. Tiro o terno e coloco apenas uma bermuda. Enquanto arrumo o paletó na cadeira, pego de dentro do bolso o papel onde Pete Best anotou o endereço da casa onde a namorada mora com o irmão. Penso nas possibilidades... Algo me diz que devo procurar este tal de Daltrey... Quem sabe amanhã?
Deito em minha cama. O sono está presente, porém, demoro a dormir. Fico pensando em como minha vida será diferente daqui pra frente. Logo desisto de manter os olhos abertos, e durmo profundamente.
O amanhecer chega num piscar de olhos. Sou acordado pelo alto som das vozes dos adultos no andar de baixo. Olho em meu relógio, na mesa de cabeceira... 8h41... Mais tarde do que de costume. Levanto e me ajeito, antes de descer para a cozinha, onde tomo um delicioso café com meus pais e os conto sobre o baile. No começo, sinto um certo medo de contar sobre Má e eu, mas resolvo contar, afinal, mais cedo ou mais tarde eles descobririam. Eles sorriem e começam a contar sobre como começaram a namorar, aos 14 anos. Sorrisos estranhos são trocados entre os dois. Quando acabo de comer as panquecas que mamãe havia preparado, aviso que vou até a residência vizinha, visitar minha namorada.
Fico um pouco hesitante em tocar a campainha... Uma nova onda de timidez toma conta de mim, mas esta some e aperto o botão. Aguardo pacientemente até ser atendido por uma Má sorridente que me abraça fortemente ao terminar de abrir a porta.
-- Oi, minha linda! -- Falo, a cumprimentando. Ela me solta do abraço e me dá um beijo nos lábios.
-- Olá, meu garoto! -- Ela responde, com as mãos enlaçadas em meu pescoço.
-- Você contou aos seus pais que estamos namorando? -- Pergunto, curioso, a abraçando pela cintura.
-- Bem... Pensei muito se devia ou não contar... Decidi contar, afinal, se eu escondesse poderia se tornar uma bola de neve e no final dar merda... E além do mais, seria muita hipocrisia se os dois me xingassem, já que começaram a namorar mais novos! -- Ela diz, mexendo a cabeça de um jeito que me faz sorrir.
-- E o que eles disseram? -- Pergunto novamente, com o mesmo tom curioso.
-- Só me disseram "Juízo vocês dois... Não façam nada que possam se arrepender no futuro... Espero que Peter te faça feliz!" e coisas do gênero... E quanto a você? -- Ela fala, enquanto passa os dedos de leve em meus cabelos. Conto a ela sobre o café e sobre meus pais não terem ficado bravos e nem nada... Conto também sobre os sorrisos estranhos. Ela ri um pouco. -- Normal, Pete... Normal...
Ela me convida para entrar em sua casa, mas digo para ficarmos nas escadas da entrada da mesma. Nos beijamos algumas vezes, mas nada muito intenso. Me lembro da minha decisão em ir à casa dos Daltrey para fazer o teste para entrar na banda... Resolvo comentar com a garota, que agora esta sentada um degrau abaixo de mim, entre meus joelhos. Faço uma trança em seu cabelo.
-- É... Hum... Má, lembra-se de Gillian e de Best? -- Ela responde um sim. -- Então, lembra-se que me falaram sobre o irmão dela querer fazer uma banda? Então, eu estava pensando em ir até lá mais tarde... Gostaria de ir comigo?
-- Ah, Pete, eu adoraria... Mas minha mãe quer que eu vá com ela ao salão de beleza hoje... Foi mal... Mas você tem que ir! eles vão te adorar! -- Ela me encoraja, virando o rosto para me encarar.
-- Obrigado... Então eu vou, e depois te conto como foi... Você é a melhor namorada do mundo! -- Digo, roubando um beijo rápido dela.
-- Ah, obrigada! Isso tudo porque você é o melhor namorado do mundo! -- Ela responde sorrindo entre mais um beijo rápido. -- Melhor você se apressar... -- Ela diz, se levantando, estendendo a mão para me ajudar a fazer o mesmo. -- Se não você chega muito tarde... Boa sorte!
-- Obrigado, gata! -- Falo, a abraçando mais uma vez, beijando com gosto seus lábios macios. -- Te vejo mais tarde?
-- Claro! Bem, vai lá! Amo você! -- Ela fala, acariciando meu rosto.
-- Também te amo! Até mais tarde! -- Me despeço com um último beijo, antes de me virar e correr até minha casa, onde entro abruptamente. Corro até o porão e pego minha guitarra. Pego o papel com o endereço anotado e aviso de minha saída para minha mãe.
Saio pelas ruas, procurando pela casa correta. Quando finalmente encontro, noto um garoto um pouco mais velho que eu parado na frente desta. Chego de mansinho perto do menino.
-- Olá! -- Ele cumprimenta.
-- Oi! Você sabe se esta é a casa dos Daltrey? -- Pergunto, amigavelmente.
-- Oh, sim... Eu sou Starkey, Richard Starkey... E você é...
-- Peter, Peter Townshend.
-- Muito prazer Peter! Vejo que trouxe um estojo de guitarra... Irá fazer o teste para a banda? -- Ele pergunta, apontando para o estojo da minha Gibson.
-- É, eu vim... E você? -- Pergunto, colocando o pesado estojo apoiado no chão.
-- Vim também... Quero tentar a vaga de baterista... -- Ele responde, fazendo gestos com as mãos, como se nestas houvessem baquetas invisíveis.
-- Boa sorte! Faz muito tempo que você tocou a campainha? -- Pergunto, notando a demora para a porta ser aberta.
-- Não, só uns cinco minutos... Vou esperar mais um pouco e depois, qualquer coisa, eu volto amanhã... -- O moço fala, conferindo as horas em seu relógio de pulso.
-- Boa ideia... -- A espera dura por mais um tempinho. Richard e eu conversamos sobre músicas e bandas. Quando estamos prestes a desistir de esperar, a porta se abre, revelando um garoto um tanto quanto baixo de cabelos loiros e olhos azuis. Atrás dele, um outro garoto um pouquinho só mais alto aparece.
-- Doug, você foi ótimo! Qualquer coisa, entraremos em contato! -- O loiro fala, se despedindo do outro garoto, que sai pela porta, passando por mim, e sobe a rua. -- Desculpem a demora, estava terminando o teste de Doug...
-- Você é Roger? -- Pergunto, pegando o estojo da minha guitarra do chão.
-- Isso mesmo! Vieram para fazer os testes? -- Ele pergunta.
-- Sim, eu sou Richard Starkey e gostaria de fazer o teste para baterista... Este é Peter Townshend, ele quer fazer o teste para guitarrista. -- Richard aponta pra mim com o polegar.
-- É, eu conheci sua irmã e seu cunhado ontem, e eles me disseram para vir até aqui... -- Digo, meio tímido.
-- Ah, sim... Minha irmã comentou sobre você... Disse que é muito bom na guitarra... Isso é o que veremos agora... Entrem, por favor! -- Roger fala, dando espaço para entrarmos em sua residência.
Ele pede para que Richard sente atrás da bateria. Este começa a tocar e vejo como é bom. Noto uma semelhança na maneira de tocar... Parece que se encaixa... Nos Beatles. O loiro ao meu lado o observa, com o semblante meio sério. Sua face é de alguém de pouca idade, talvez a mesma que a minha, mas suas expressões o fazem parecer mais velho.
-- Muito obrigado Richard... Irei pensar no seu teste... Qualquer coisa eu entro em contato com você... -- Roger fala, enquanto o outro se levanta.
-- Tá certo... Obrigado também... Ei, Peter, boa sorte! -- Richard se vira para mim e acena, antes de seguir o outro até a porta. Daltrey logo volta.
-- Muito bem, sua vez! -- Ele fala. Eu me ajoelho na frente do estojo da guitarra e tiro minha Gibson SG de lá. Me levanto e me preparo, afinando o instrumento. -- Minha irmã comentou que você tocou uma música autoral ontem... Por que não toca esta para eu escutar?
-- Ah, sim, claro... -- Respiro fundo e começo a tocar minha música feita para Má. É difícil saber se o garoto está apreciando ou não. Ele encara fixamente a guitarra que seguro, apenas balançando a cabeça de vez em quando. Quando acabo, ele me olha e sorri.
-- É, Gillian estava certa... Você toca muito bem... Olha, preciso de um tempo para decidir... Ontem veio um guitarrista muito bom fazer o teste... Preciso mesmo pensar... Agradeço a sua vinda! Se tudo der certo, daqui a poucas semanas entrarei em contato! -- O loiro fala, enquanto guardo meu instrumento em sua respectiva caixa e o sigo até a porta. Anoto meu telefone para ele e aperto sua mão. Logo, me vejo andando novamente pelas ruas Londrinas.
No caminho para casa, fico pensando nas palavras de Roger. Mal posso esperar para contar para Má! Agora é só esperar para ver...
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Oi oi gente!!! E aí, gostaram? Eu fiquei com um pouco de vergonha, hehe... Mas ok... As pegações mais hards talvez comecem no próximo capítulo... Mas enfim, valeu a pena esperar tantos meses para este capítulo?????? Espero que tenham curtido!!! Beijos!!! <3
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