A TENSÃO NO SALÃO ERA PALPÁVEL.
— Não! – Nymeria se levantou de seu lugar, batendo a mão na madeira e assustando a maioria dos presentes. — Não lembro de ter sido perguntado a mim, se queria me casar.
Todos os presentes olharam para a garota e Rhaenyra olhou para o marido, em confusão. Daemon havia lhe dito que Nymeria havia concordado com o casamento. Seu marido lhe disse que a filha mais velha havia concordado com a união vantajosa.
— Eu estou farta de você querendo mandar em mim, Daemon. Você nunca nem sequer perguntou se eu estava bem, desde de o dia em que me abandonou e depois de anos, você aparece em minha porta e me promete em casamento para o primeiro que aparece? Você não tem esse direito! Nunca teve. Eu vou voltar para Pedrarruna, e se o ver novamente por lá, não importa se é príncipe ou não, sua cabeça será exposta nas muralhas do meu castelo. Os homens pagam por seus crimes no vale, até mesmo Targaryen como você.
Olhos arregalados a encararam.
A fúria de Nymeria estava estampada em seus olhos violetas. A garota saiu da sala, pisando duro no chão, sem nem olhar para trás. Ela nunca deveria ter permitido que Jeyne a convencesse de que ir para a corte era uma boa idéia.
A dor de cabeça que a assombrou mais cedo voltou, a fazendo se apoiar na parede de pedra da fortaleza vermelha.
Ela escutou uma voz desesperada gritando "Vhagar, não", depois um rugido de dragão seguido de mais gritos, dessa vez eram de pavor, eram ensurdecedores.
Nymeria levou aos mãos aos ouvidos, tentando abafar os gritos, não obtendo nenhum resultado. Ela sentiu as pernas fraquejarem e teria caído, se não tivesse sido segurada por mãos fortes. Quando abriu os olhos, o príncipe Aegon a encarava com as sobrancelhas franzidas, o homem tinha uma expressão quase preoucupada no rosto.
— Você esta bem? – Aegon perguntou.
— Não é da sua conta. – ela se separou do príncipe, voltando para sua caminhada em direção ao seus aposentos. Ela pegaria suas coisas e voaria com Nemesis de volta para sua casa. Aegon a seguiu.
— Já pode voltar de onde veio. – Nymeria disse esfregando uma das mãos sobre a outra.
— Você não me parece muito bem, não vou deixar que ande sozinha e caia pelos corredores da fotaleza.
Ela encarou os olhos violetas do príncipe. A imagem da coroa ardendo em chamas voltou aos seus pensamentos. Aegon seria um dos principais motivos da queda da casa Targaryen.
— E você se importa com alguma coisa além de bebida? – Aegon arregalou levemente os olhos. — Não vou para cama com você. Volte para qualquer que seja o buraco que você frequenta na baixada das pulgas, e me deixe em paz! – Nymeria virou o corredor, dando de cara com a porta de seus aposentos, ele entrou no quarto, batendo a porta de madeira com força, atrás dela.
Assim que foi em busca de seu baú com os seus pertences. A garota escutou batidas na porta. Bufando e pronta para mandar Aegon ir a merda ela a abriu, tendo a visão de Baela e Rhaena paradas uma ao lado da outra.
As gêmeas a encaravam com expressões de culpa, Nymeria deu espaço para que elas entrassem, mesmo que estivesse com raiva, sua fúria era direcionada exclusivamente para Daemon, Rhaenyra e Lucerys Velaryon, suas irmãs não tinham nada a ver com aquilo.
— Você está bem? – Rhaena perguntou.
— Ficarei melhor quando estiver voando de volta para casa. – Nymeria respondeu.
— Nós acabamos de nos conhecer, e já vai embora? – Baela disse baixinho.
— Não culpe a mim, culpe ao imprestável do pai de vocês. – A garota bufou, jogando o alguns de seus pertences que estavam espalhados pelo quanto de forma rude, dentro do baú de madeira.
— Ele é nosso pai. – disse Rhaena em uma voz mansa.
— Daemon não é meu pai. – devolveu Nymeria. — Ele também matou a mãe de vocês? – ela perguntou cruzando os braços na frente do corpo.
As gêmeas se entre olharam com expressões doloridas, os olhos violetas de Rhaena se encheram de lágrimas.
Nunca foi confirmado que Daemon realmente havia matado Rhea no vale, mas todos sabiam, e quando Yobert Royce o primo de Rhea, também morreu de forma misteriosa, depois de começar a espalhar a notícia de que Daemon Targaryen era um assassino, as pessoas do vale confirmaram suas suspeitas.
Nymeria foi criada com Jayne, em meio ao povo comum de Pedrarruna e do ninho. As pessoas comentavam e susurravam pelos cantos, foi um pouco traumático para uma criança de 8 anos, saber pela boca de terceiros, que o próprio pai era suspeito do assassinato da mãe.
Rhea Royce, havia morrido no dia que Nymeria completou um dia do nome, e a cada novo ano, no dia de seu aniversário, Nymeria ia ao túmulo da mãe e passava o dia. Ela gostaria de ter conhecido a mulher que a deu a luz, e a nomeou.
Jeyne a contou que Rhea havia escolhido Nymeria em homenagem a princesa Roinar, que fugiu da antiga valíria com seu povo e conquistou Dorne. A região que mais deu problema para os Targaryen durante a conquista de Aegon e suas irmãs-esposas, Visenya e Rhaenys. Tendo até mesmo, sido os responsáveis por terem matado Rhaenys, a segunda rainha e seu dragão, Meraxes.
Era uma ironia cruel do destino. Ela que tinha o nome de uma princesa Roinar que foi a responsável por dar continuidade a casa que mais daria infortúnios aos Targaryen, e o sangue de Rhea Royce nas veias, a pessoa que Daemon odiou por anos. Era uma péssima escolha dos deuses ou quem quer que seja que a deu as visões. Ela achava engraçado o fato de que logo ela tinha o poder de mudar o futuro desastroso que a casa Targaryen teria pela fente.
— Vão me dizer que depois da morte da mãe de vocês ele foi um bom pai? – ela perguntou depois das gêmeas ficarem em completo silêncio, por segundos seguintes. — Daemon só se importa com a continuidade de sua linhagem, e com seus filhos com Rhaenyra, vão me dizer que nunca perceberam como ele os trata diferente de nós?
Até mesmo ela, que estava na fortaleza apenas à algumas horas, notava como Daemon orbitava ao redor de Rhaenyra e os dois filhos.
Baela abaixou o olhar e Rhaena apertou aos mãos. Depois da morte de Laena, Daemon havia sim se afastado delas, e logo depois da morte da mãe, sem o determinado tempo de luto, ele se casou novamente com Rhaenyra e os dois tiveram outros filhos, a quem Daemon mostrava muito mais apreço e carinho do que a elas.
——🐉Peço perdão desde já por qualquer erro ortográfico, eu tento ao máximo revisar, mas sempre escapa um ou outro, caso achem, me avisem para que eu possa arrumar. Não se esqueçam de deixarem suas opiniões sobre o capítulo. Eu amo ler os comentários. Beijos da Thay
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