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+2 - Gregory Durward - 2004

Como a vida consegue ser ruim a ponto de transformar a morte em misericórdia?

Por pior que fosse a minha rotina, os pensamentos melancólicos foram um oferecimento daquela noite fora do padrão.

Se eu desconsiderasse os carros estacionados, e a música alta, a Passagem Secreta seria só um galpão rústico abandonado. Embora não fosse exatamente no meio do mato, nem a nuvem de maconha atraía atenção indesejada ali.

Seria melhor se eu tivesse me aconchegado com os mendigos na esquina de casa...

Entrei pela porta de enrolar meio aberta. Algumas lâmpadas vermelhas faziam a iluminação. O cheiro de álcool exalava do ponche e de um tipo de achocolatado. Devia ter uns trinta adolescentes fantasiados lá dentro. Eu não conhecia a maioria, que não devia ser muito mais velha do que eu.

Nenhum traje de Freddy Krueger dificultaria o reconhecimento de Adolph Johnson, enquanto ele fosse tão expressivo. Talvez se eu estivesse fantasiado, ele não iria me olhar como se eu estivesse debaixo do holofote dele, e talvez eu não tivesse sido agarrado pelas golas e empurrado contra o contêiner no fundo da festa.

— Que merda você tá fazendo aqui, Durward?!

— Eu não faço ideia!

— Puta que pariu! — Paul Colton ergueu a máscara de Jason à minha direita. O mama-saco do Johnson ria feito uma hiena. — Você é mais corajoso do que eu pensava!

— Foi muita burrice ter vindo aqui! — Adolph falou por cima da música. — Mas como somos caras legais, vamos te dar um lugar de honra!

Antes que eu pudesse pensar em reagir, eles abriram as portas do contêiner, me empurraram lá dentro e passaram um cadeado.

— O que tá fazendo?!

— Aproveita a festa, Pac-Man!

— Por favor, me deixa sair!

Só ouvi as risadas se afastando. Depois, música abafada, que também ecoava de um jeito apavorante pelas paredes de metal, entre conversas aleatórias.

Machuquei minhas mãos tentando sair, até que aceitei que quem me ouvia não dava a mínima. Por isso, não demorei para desistir. Certeza que eu só sairia dali na tarde do dia seguinte, depois que Adolph e Paul acordassem da ressaca. Bem, sorte a minha se eles lembrarem da minha existência.

Tô fodido...

Fechei os olhos, respirei fundo três vezes e me forcei a pensar em outra coisa. Não foi tão difícil. Não tão bom também... Minha mente me levou de volta para horas antes de eu me meter naquela furada.

***

Acabei me atrasando, porque eu tinha dormido mal. No dia primeiro de Outubro, o colégio inteiro já estava enfeitado para o Halloween. Para mim, essa época do ano perdeu a graça sem que eu percebesse.

Não teria aula de biologia, mas peguei o livro no armário, porque gosto de ciências da natureza. Gosto de estudar, na verdade. Só que não gosto de ir para o colégio, porque...

— Cuidado aí, Pac-Man!

O aviso partiu de Paul Colton. Quem me fez fechar a porta do armário, me empurrando contra ela, foi o capataz, Adolph Johnson. Eles pareciam toupeiras siamesas com um hobbie diário em comum: pegar no pé dos sorteados como eu.

— Por que essa cara? — Adolph perguntou. — Você pode não ter mais idade pra pedir doces, mas já pode roubar as criancinhas! O mês de Halloween deve ser o maior período de efeito das pastilhas grandes e a cidade deve estar lotada de fantasmas pra você fazer de tira-gosto.

Risadas acompanhavam aquele caloroso cumprimento matinal.

— Espero que você não seja um deles, Adolph.

Ainda que eu tivesse chamado a mãe dele de piranha — e havia boatos que a Sra. Johnson fazia programas nos carros dos pais dos alunos mais ricos —, minhas palavras não o atrairia de volta, uma vez que já tinha decidido ir procurar outro infeliz para perturbar. O problema foi a substituição do sobrenome no fim da frase.

Adolph achava que seu nome soava idiota demais para se referir a alguém como ele. A meu ver, um variante do primeiro nome de Hitler combina com ele. Mas era bem possível que ele nem soubesse qual era o primeiro nome de Hitler. Por isso, ele voltou.

O sorriso de Paul, somado a um menear de cabeça, foi o meu cartão vermelho. Pensei que Adolph fosse esmurrar minha cara, porém ele só me empurrou, jogou tudo do meu armário no chão, pisoteou e chutou meu material.

— É melhor medir suas palavras se não quiser que eu arranque a sua cabeça, rolha de poço.

Ele chutou a porta do armário com tanta força que o parafuso da dobradiça inferior voou.

— Por que vocês não deixam ele em paz?

Senti meu coração acelerar assim que vi que Megan Randall tinha pegado um dos meus livros do chão.

— Só você pra se importar. Toma cuidado, porque dizem que gatinhas pretas dão azar, principalmente em outubro. Nunca se sabe até que ponto supersticiosos podem chegar.

Ela revirou os olhos para o comentário de Adolph, no momento em que Thabata Elise Pavel surgiu pelo corredor do bebedouro. A punk louca jogou um dos braços no ombro de Megan e balançou a mão diante do rosto, com sua típica cara de tédio, de quem não liga para nada.

— Rebuscada, como tem mosquitos aqui... — Ela olhava para Adolph e Paul.

— Foi por isso que você veio, sapa? — Paul falou entre risadas.

— Não preocupe, minha dieta não permite comer insetos que comem merda. — A resposta dada, espontaneamente, através de um sorriso, fechou a cara das toupeiras ogras. — E só para você saber: só porque uma garota não quer te dar, não significa que ela seja lésbica.

— Se liga, esquisita!

Paul nunca admitiria ter ficado constrangido, mas obviamente ficou. Incentivou seu parceiro de encrenca a desaparecer no corredor anexo junto com ele.

— Não liga pra eles. — Megan devolveu o livro.

— Não sei como a gente ainda não matou uns aos outros nesse colégio... — Só então Thabata Elise notou minha presença. — Meg, olha só, o sinal tocou! A boa ação do dia foi feita, agora vamos subir.

E Megan foi puxada pela amiga possessiva.

— Até logo!

Nem tive tempo de agradecer. De qualquer forma, duvido que eu o faria. Travei todas as poucas vezes em que ela falou comigo. Me destravar já parecia uma tarefa difícil sem a presença daquele encosto. A amizade de Thabata Elise e Megan me fazia refletir sobre o que poderia fazer um demônio se dar tão bem com um anjo.

O caso era que, apesar de todo mundo ter uma bolha de convívio no próprio padrão, não havia barreiras para Megan. Nerd e extrovertida, ela podia não ter todos como amigos, mas eu não conhecia ninguém que a odiasse. As raras piadas racistas que eu ouvia sobre os cabelos dela eram amaciadas, e soavam como inveja por ela ser tão bonita.

Eu me limitava a sonhar que eu tocaria naquelas tranças compridas, sempre que me desse vontade, quando Megan fosse minha namorada.

Enfim, assisti às aulas numa das carteiras da frente. Nada fora do comum até a hora do recreio. Os inspetores nos reuniram no pátio para receber o diretor. Com sua postura rígida, ele se posicionou diante de todos nós.

— Caros alunos, alguns de vocês já devem estar cientes de que quatro presidiários extremamente perigosos estão foragidos, desde a madrugada de ontem. Eles iniciaram uma rebelião no presídio, que resultou em nove policiais mortos e dezenas de feridos. Por conta disso, o toque de recolher, às oito da noite, entra em vigor hoje, na cidade toda. A polícia também nos instruiu a tomar providências de segurança. Portanto, a escola fechará por período indeterminado, até que os indivíduos sejam presos. Aconselhamos aos alunos a ficarem dentro de casa o máximo que puderem. Isso é tudo.

De acordo com os murmúrios contagiantes, parecia que todos realmente tinham escutado alguma coisa sobre isso anteriormente. Ninguém pensava que fosse chegar a tanto.

Fosse como fosse, terminamos as aulas do dia antes de abraçar nossas férias provisórias. Ter que ficar em casa não me deixava muito animado também.

Assim que cheguei, encontrei minha mãe sentada na cozinha de cara amarrada.

— Oi, mãe... Já soube dos foragidos? — Deixei a pergunta no ar por algum tempo, mas não o bastante para ela achar que devia responder. — A escola fechou por segurança, só vai reabrir quando os bandidos forem...

— Esta cozinha está podre.

— Por que você não limpou? Você não faz nada o dia todo.

— Não seja insolente. A pensão do seu pai supre com o meu fracasso, mas não quita as contas que não são pagas com dinheiro. Grande parte disso é culpa sua.

— Mãe, chega...

— Você não fez a merda do meu café da manhã hoje.

— Desculpe, eu me atrasei e pensei que...

— Cala a boca e limpa a cozinha agora!

Suspirei. Era muito comum minha mãe me obrigar a limpar a casa a cada quinzena.

— Posso comer alguma coisa antes?

— Olha como você tá gordo... — Ela torceu o nariz. — Por isso, ninguém da família do seu pai acredita que você é filho dele. Você até poderia ser um homem bonito como ele, se não fosse tão relaxado. Aliás... enquanto você não terminar a faxina na cozinha e no banheiro, você não come nada.

— Não vou lavar o banheiro também.

— O que você disse? — Ela pegou o ferro de passar e me mostrou a parte lustrosa. — Você se lembra disso? Quer que eu te lembre?

A parte de trás da minha coxa direita ardeu numa resposta psicológica. Embora minha mãe tivesse um ferro e um cinto, ela nunca passava roupa e nunca usava roupas largas. Mesmo assim, o cinto havia sido usado inúmeras vezes, já o ferro... fora uma vez só, e a última coisa que eu queria era que aquilo se repetisse. Então, eu a respondi rápido.

— Não.

Por um momento, antes de guardar o ferro, ela me encarou.

— Não seja mal educado.

Minha mãe saiu da cozinha e minhas pálpebras esquentaram. Em vez de chorar, fiz o que ela mandou. Sei que já sou forte para não me submeter a esse tipo de tratamento, só que ainda é difícil confiar em alguns novos anos, e centímetros, me diferenciando da criança que eu fui.

Logo que terminei, preparei meu jantar e comi o dobro do que costumava: uma parte foi por fome. A maior parte foi por um vazio diferente, um que não se preenchia.

Eu estava a caminho do banheiro para tomar banho, quando flagrei minha mãe mexendo na minha mochila. Certa revolta deu ênfase a minha pergunta.

— O que tá fazendo?

— O que é isso?

Ela me entregou um folheto que eu nunca tinha visto antes. Uma xerox preta e branca com desenhos de Halloween, talvez feitos à mão, divulgava uma festa chamada Passagem Secreta. Ressaltava-se a distribuição de achocolatado, o que era uma medíocre mensagem subliminar de open bar para menores.

— Onde você pegou isso? Quem te deu?

— Eu não peguei. — Hesitei. —... Alguém deve ter colocado na minha mochila.

Minha mãe mostrou um sorriso meio assustador.

— Alguém que quer que você vá...

— Não.

— Você vai.

— Não vou.

— Vai sim! Você já viu o ferro hoje. Não me faça ligar pra você sentir o calor.

Respirei fundo.

— Olha, essa festa começa meia-noite...

— Você pode sair. Você não é mais uma criança. Não quero que pensem que você não tem amigos por culpa minha.

— Mas depois das oito, é toque de recolher...

— Não quero saber. Você não consegue nem se misturar com os garotos da sua idade. Você não pode ser mais imbecil.

Tudo bem. Eu apenas tomei banho. Não pensei sobre o que vestir ou levar para aquela festa idiota, além do dinheiro para o táxi. Hesitei por alguns minutos, antes de encontrar minha mãe na cozinha. Ela ainda sorria daquele jeito medonho.

— Eu não quero ir.

Minhas palavras fizeram o rosto dela se fechar como uma tempestade, enquanto me empurrava para fora de casa.

— Não quero mais ouvir esse tom de covardia!

Ela bateu a porta na minha cara e me permiti chorar como quando eu era criança. No entanto, eu não fiquei parado lá por muito tempo, peguei o maldito táxi para ir para maldita festa. Nem foi preciso ver o local para saber que seria uma festa particular e, o pior de tudo, eu imaginava quem era o cabeça.

***

Então, estou nessa maravilha...

O cheiro de ferrugem era tão forte que minha boca ficou com gosto metálico. Eu não enxergava quase nada, não conseguia respirar direito e sentia o espaço lá dentro menor do que realmente era.

Tiros me adiantaram de que Adolph não deveria mais ser minha maior preocupação. O ruído violento da porta do galpão fechando seguiu-se de gritos. Mais tiros. Me joguei no chão.

Em pânico, a festa inteira se amontoou no fundo do galpão. O contêiner podia ter virado, se não estivesse rente à parede. Gritos de dor e pedidos de socorro me tiravam a necessidade de ver para saber sobre as pessoas baleadas, pessoas caindo ou sendo pisoteadas. Junto à música, os tiros pararam logo. Restaram apenas choramingos.

— Crianças, tentem não tirar os tios do sério, tudo bem? — Por mais bizarro que fosse, a voz do criminoso era carismática. — Isso mesmo. Fiquem todos juntinhos e quietinhos, porque o show vai começar!

A parede do contêiner tinha algumas pequenas partes corroídas, por onde vi metade da festa no chão, todos mortos ou morrendo. Depois, vi quatro figuras armadas. Usavam máscaras desbotadas de monstros e lençóis rasgados em tiras, com uma espécie de capuz. As fantasias não atrapalhavam o manuseamento das armas.

Uma garota baleada balbuciava alguma coisa aos pés do homem que tinha falado. Dois golpes e ele esmagou a cabeça dela. O silêncio dominou o resto da festa por perplexidade.

Com o pé-de-cabra gotejando sangue, o homem apontou para os três quartos da cabeça da garota para ressaltar suas seguintes palavras.

— Quando eu disser pra vocês ficarem quietos, fiquem quietos. É só uma dica. — E se voltou para os companheiros. — Algum de vocês tem fetiche com cadáveres?

Os assassinos se entreolharam por instante, até que o mais baixo entregou a espingarda para o cara do pé-de-cabra. Então, com as mãos livres, ele rasgou as roupas da garota morta.

— Parece que vamos ter que esperar — disse o cara do pé-de-cabra, acima de nossos gemidos horrorizados. — Onde estão meus modos? Permitam-me nos apresentar. Eu sou Veneno. O camarada com as três pistolas é o Presas. O grandalhão é o Couro. E o galo ali é Bifurcado.

Após sua apresentação, Bifurcado ergueu metade da máscara para lamber a boca da garota morta. Tinha mesmo a língua dividida em duas partes, com um piercing de cada lado.

— E nós somos a Serpente.

Apesar de vestidos quase da mesma maneira, o contraste entre os membros da Serpente era inegável. Enquanto Bifurcado era franzino, Couro era gigante como um peso pesado. Enquanto Veneno tinha um físico normal, Presas tinha um terceiro braço.

Nenhuma iluminação duvidosa seria capaz de ofuscar um completo show de horrores. E o suor media o surto que eu estava contendo. Duas vezes preso, quais seriam minhas chances de sair vivo da situação?

Minha esperança de ser ignorado desceu pelo ralo, quando senti um rato passar pela minha mão. Eu estava ajoelhado, caí para o lado pelo susto e o barulho da lataria era indisfarçável.

— Mas que porra vocês estão escondendo no contêiner?

Fodeu, fodeu, fodeu!

Depois que todos abriram espaço para Veneno passar, o cadeado foi a única coisa entre nós.

— Quem tem a chave?

Não ouvi resposta, mas o que veio a seguir me fez deduzir que Adolph simplesmente a entregou.

— Abre essa merda.

Quando a porta se abriu, me deparei primeiro com a expressão de Adolph. E eu que cheguei a pensar que ele fosse incapaz de ficar nervoso. De qualquer forma, ele se tornou invisível para mim em um segundo.

Fitei Veneno. Será que alguém havia reparado naqueles olhos de cobra brilhando por trás da máscara?

Após me observar por um instante, Veneno retornou seus passos. Bifurcado, que havia acabado de sair de cima da garota, pegou pé-de-cabra em prontidão, assim que foi lançado. Em seguida, o líder fez um sinal com a espingarda para eu me aproximar.

— Vem cá, vem cá. Não me faça pedir de novo.

Relutante, eu obedeci.

— Que merda você estava fazendo lá dentro, hum? Aqueles idiotas te prenderam? Você quer... — Ele deu de ombros — dizer alguma coisa?

A única pergunta que ele me deu tempo para responder foi a última. Tentei dizer algo que talvez pudesse ser útil.

— Levem os carros, mas deixem a gente ir, por favor...

— Só tem crianças aqui dentro. — Presas quase me interrompeu. — Que tal brincarmos um pouco?

— Muito bem. Crianças desordeiras desta bela cidade, não foi minha intenção acabar com o humor de vocês. Meus amigos e eu só queríamos nos enturmar. Então, que tal fazermos uma brincadeira pra reconquistarmos o clima festivo? Já ouviram falar em batata-quente? Não? Tudo bem. Couro, pegue alguma coisa que possa interpretar a nossa batata.

Um resmungo irritado demonstrou insatisfação por ter sido designado à tarefa. No entanto, Couro cumpriu... até rápido demais. Puxou a mão do garoto mais próximo e, num golpe bruto, cortou-lhe o pulso, usando uma foice velha provavelmente encontrada pelas redondezas. Jogou o membro decepado para Veneno, que, ao contrário de nós, não pareceu impressionado.

Presas parou os gritos do garoto desmembrado, atirando em seu peito. Beirávamos ao surto, até que ele fez um sinal de silêncio com a pistola. E os gritos reduziram-se a choramingos novamente. Pelo menos, eles aceitaram o máximo de silêncio que podíamos oferecer.

— O jogo funciona assim: vocês formam um círculo e passam a nossa mão de mão em mão... — Veneno hesitou por uma risadinha — enquanto nosso amiguinho aqui canta uma música. Não podem demorar muito, porque a batata tá quente. Lembrem-se disso. A música vai parar a qualquer momento e quem estiver com a mão em mãos, perde o jogo. Entenderam? Vamos! Façam o círculo e não deixem a batatinha cair, senão a coisa vai ficar feia.

Todos se entreolharam, até Couro comandar através de sua voz grave:

— Agora!

Veneno me virava para os outros reféns, enquanto eles obedeciam à ordem. Senti o cano da espingarda nas minhas costas, depois que ele me chutou.

Presas supervisionava. Couro entregou o membro decepado para uma garota, que se encolheu quieta, depois de ser ameaçada pela foice.

— Sugiro que cante um hino — Veneno me falou ao ouvido. — Comece e quando eu der o sinal, você para... Anda! Não me faça atirar em você antes do previsto.

Meu coração martelava no peito com mais força do que eu conhecia. Senti minhas lágrimas nas pálpebras. E com a voz trêmula, cantei o hino. Interpretei o cano da arma, pressionado contra as minhas costas, como o sinal. No mesmo instante em que parei de cantar, Presas acertou um tiro na cabeça do garoto, que precisara de certa acrobacia para impedir que a mão caísse. O sangue espirrou em Adolph, ao lado, e uma mancha se dilatou nas calças dele.

Gritos, choros e desordem.

— Muito bom pra primeira rodada, não?! — exclamou um Veneno animado. — Um já saiu do jogo!

Àquela altura, o chão da roda parecia um campo para rituais satânicos. A mão já estava toda vermelha e tinha deixado rastros, que se transformaram em pegadas. Embora já tivesse parado de sangrar, a nova morte formara uma nova poça.

Arregalei os olhos. Eu não sabia se minha repentina surdez tinha sido por causa do barulho do tiro. Tive que prender a respiração para não vomitar. Uma gota de suor caiu do meu queixo.

Outro sinal me deu um choque imaginário nas costas.

— Mais uma vez!

Então, recomecei para ciclo maldito.

Sinal. Parar. Miolos estourados. Recomeçar. Sinal. Parar. Miolos estourados.

A tentativa de fuga de um incentivou a todos os outros. Inútil. Apesar da muvuca ou baixa claridade, a Serpente matava sem gastar mais do que um tiro por cabeça. Não eram amadores. Para eles, aquilo não passava de uma recreação. Eles brincavam com o nosso desespero.

Bifurcado arrancou o olho de um deles com uma mão. Couro lançou uma garota contra a parede, como se ela fosse uma lata de cerveja vazia. Presas esmagou o tórax de um garoto desmaiado com uma única pisada. E, novamente, o medo paralisou os sobreviventes.

Sinal.

— Mais uma vez, gordinho!

Mal comecei e recebi outro sinal para parar. Foi a vez de Paul Colton ter os miolos estourados. Nessa hora, meu cérebro travou. Era como se minha mente estivesse tentando fugir de mim, já que meu corpo não podia fugir dali. Mas minha lucidez retornou a tempo de notar Adolph se aproximar me acusando.

— Seu filho da puta! Filho da puta! Você fez de propósito!

— É, fez sim. — Veneno me empurrou para o lado e detonou a cabeça de Adolph com um tiro de espingarda. — Seu mijão, viadinho do caralho.

Pedaços da cabeça de Adolph colaram no meu rosto. E quando senti o gosto do sangue dele, não consegui conter o distúrbio do meu estômago para minha garganta e vomitei.

Todos mortos... Estão todos mortos...

— Olhem só... — Veneno se reaproximou.

— Seu cu deve ser bem macio — disse Bifurcado. — Veneno gosta de cus.

— Mas não de gordos nojentos como esse aí. Eu preferia uma boceta quentinha, mas me dá mais prazer matar putinhas bebês do que trepar com elas. Quanto a você, gordinho... a brincadeira foi legal, não acha? Já tivemos muita diversão e a noite ainda não acabou.

— A polícia tá vindo pra cá — avisou Couro, após fechar o celular. — Temos que ir.

Em vez de me dar um tiro na cabeça, como tinha feito com os outros, Veneno preferiu usar o pé-de-cabra. O primeiro golpe foi na minha bunda, para que fosse bem humilhante até eu caísse. Mas não caí, embora o impacto tivessem me desequilibrado. Portanto, ele golpeou minhas pernas. A dor foi um tipo de choque e me derrubou de uma vez. Eu teria gritado se ele tivesse me dado tempo para isso. Veneno começou a bater na minha barriga.

Quando eu pensava que a falta de ar, junto com o latejar, seria insuportável, mais daquilo me alcançava, ficando pior e pior... Sangue subiu pela minha garganta e me engasgou. Minha resistência encantava o criminoso.

— É quase como bater num travesseiro.

Ele me cutucou com o pé, cuspiu em mim e levantou meu braço, oferecendo-o para Presas. Em seguida, me puxou quase ao ponto de me erguer.

— Não é suficiente pra mim.

Dito isso, Veneno bateu com o pé-de-cabra no meu braço e provocou uma fratura exposta. Então, eu gritei muito, muito alto.

Couro tinha aberto a porta, logo Veneno teria que calar minha boca, se quisesse saborear o último momento da minha vida. Ele voltou a me espancar até o tempo acabar, a Serpente desaparecer e os meus olhos se fecharem.

Nunca pensei que a morte fosse engraçada. Eu podia senti-la debaixo de minha pele, além de qualquer hemorragia interna, absorvendo o calor do meu corpo. Curioso. Vinha de dentro para fora. Comparado ao mundo que eu conhecia, aquele frio fazia cócegas e me dava vontade de rir. Seria preciso alguma força para rir ou chorar.

Talvez eu já estivesse morto, eu não tinha certeza. Fosse como fosse, o acesso às minhas memórias ainda estava ativo.

Mãe...

Eu não queria acreditar que eu morreria sem ver um vestígio do seu amor. Só de pensar no quanto eu te amei... Não vou me corroer por arrependimentos. Agora acabou. Estou livre de você para sempre. Depois de tanto sofrimento, eu finalmente vou morrer. Até que enfim... Se Deus realmente existir, essa misericórdia não deve demorar...

🐍☠️🐍

Olá, leitor(a)!

Quando isso aqui era só mato, RodrigoSensorium  foi um grande leitor de HIPNALE+ e HB, me deixou comentários inesquecíveis, que por vezes até me tiraram da fossa. Não tenho palavras para agradecer tamanho retorno.

Como apreciadores de gore sem limites (embora o Wattpad não permita que a gente vá muito longe), te dedico o sofrimento do pequeno Gregory Durward, enquanto eu não lanço o HIPNALE físico e te envio um exemplar de surpresa. 💝

Até a próxima repostagem, patota. 🖤

⭐⭐⭐⭐⭐ 💬

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