8. "Lhe devo uma!"
Suas mãos se movimentavam de acordo com a música que provavelmente escutava em seus fones, fazendo-me sorrir com a cena. Não posso mentir que era adorável o jeito que ela caminhava e as vezes saltitava por conta de alguma animação surgida de algum lugar, inesperadamente.
Minhas sobrancelhas franziram ao ver um pouco mais á frente, um grupo com uns cinco garotos que estavam em um beco. Via de longe a fumaça que eles exalavam, provavelmente fumando escondidos e não deixei de reparar que usavam uniforme de outra escola.
Eles se aproximaram da garota de um modo estranho enquanto pareciam murmurar algumas coisas.
— Vejam se não é uma das mimadas...— um deles falou, enquanto eu ainda me mantinha longe, mas dava para escutar.
— O que vocês querem? — ela perguntou em tom alto e sério, retirando um dos fones.— Dinheiro? Não tenho comigo. Agora me deixem em paz.
Trinquei o maxilar ao ver um deles agarrar o pulso dela enquanto outro vez ou outra puxava um pouco de seu cabelo o enrolando no dedo. Comecei a caminhar em passos mais firmes e rápidos quando os vi se sentirem íntimos e próximos demais.
— Ya! — exaltei-me, já perto.— Vão mexer com alguém do tamanho de vocês.
— Seu namoradinho burguês chegou bem quando estávamos nos divertindo.— um deles falou próximo á orelha da menina, me arrancando um suspiro pela proximidade, que nem eu entendi o motivo.
Um deles se aproximou de mim, agarrando em minha jaqueta, mas o empurrei o fazendo se desequilibrar e cair. Antes que pudesse agarrar o que levantou a mão para golpear-me, senti uma pancada no meu lado do rosto, percebendo que o que segurava a menina, agora havia levado um chute no meio das pernas pela mesma.
— Jungkook! — a vi olhar para meu lado, então segurei o pulso de quem mais uma vez iria acertar meu rosto, agora eu, acertando o seu.
Antes que aquela briga pudesse piorar, o barulho de uma sirene ecoando perto do beco os fez sairem correndo.
— Ei! Jovens, venham aqui! — uma voz grossa soa de dentro do carro da polícia.
Jieun parecia confusa e assustada, então me levantei e corri até a mesma, agarrando sua pequena e gelada mão. Com um pouco de força, a puxei incentivando-a correr junto.
Não evitei algumas risadas durante nosso percurso pulando alguns blocos de concreto, enquanto via o semblante cada vez mais irritado da garota.
— A....acho que já.....despistamos eles.— vi a menina se abaixando, colocando uma das mãos no joelho enquanto a outra se mantinha entrelaçada na minha. Era uma sensação boa.— P-por que fugimos?
— O perigo é sempre mais gostoso.— pisquei, vendo uma feição irritada se abrir no rosto da mesma.— O que? Não vai nem me agradecer por ter lhe tirado de levar uma surra?
— Mas você acabou levando.— engoli em seco quando ela tocou o canto de meu lábio inferior, provavelmente analisando algum ferimento que o soco havia causado. Estava próxima demais.— Me desculpe. Fico te devendo uma.— ela sorriu fraco, me fazendo sentir aquela coisa estranha novamente.
— Da um beijinho que sara.— seus olhos rodaram.— E vou pensar bem no que você vai ficar me devendo. Já pode ficar animada com a ideia.
— Você é tão convencido assim de que eu pensaria em você de outra forma que não fosse, apenas, de quem eu devo manter distância?— seus olhos tinham as pálpebras mais abaixadas, mostrando o seu desinteresse sobre o assunto.
— Se quisesse tanto assim manter distância, ainda estaria segurando minha mão tão firme? — me abaixei ficando em sua altura enquanto perguntava aquilo, sentindo com grosseria, minha mão ser jogada para trás.
— É. Você é um convencido do caramba.— soltou, caminhando cada vez mais rápido em minha frente.
— Ya! Não é por isso que precisa soltar minha mão! — corri ficando ao seu lado, não recebendo sua atenção. Aquilo me incomodava talvez um pouquinho.— Posso te fazer uma pergunta?
— Não.— arqueei minhas sobrancelhas, dando de ombros.— Eu tenho escolha?
— Não e...por que quer tanto manter distância se nem me conhece?
Ouvi um suspiro seu. Seus pés pararam e ela ficou com os olhos levemente arregalados, o que fez minha curiosidade aumentar muito mais.
— A-ah é que....— tentou falar algumas vezes, mas as palavras não pareciam sair. Ou talvez ela estivesse apenas tentando mentir para fugir do assunto ou da resposta real..— Eu sei que tipo de cara você é. Metido a Bad Boy.
— E por que não posso ser um cara legal? Talvez eu só aparenta a ser isso.— mordi o lábio inferior colocando as mãos nos bolsos. Eu geralmente não ligava para a opinião alheia, mas a primeira impressão que ela havia tido de mim, não me fez sentir tanto aquela vontade de ignorar.
— Você joga no time de basquete, é do grupo dos populares que pelo o que eu soube, tem uma ótima fama em serem galinhas e encrenqueiros, além de que vi que você pede para sua namorada comprar coisas para você.
Sua fala me fez franzir o cenho por uns segundos, então ri ao perceber que ela falava de Aisha e da cena de mais cedo, quando ela foi me entregar a garrafa de água que Jin pediu para ela me comprar no início da aula. Apenas como uma desculpa.
Seus pequenos pés chutavam pedras em seu caminho, enquanto ela respirava fundo para continuar seu "julgamento".
— Você vive rodeado de festas, bebidas, garotas e sabe se lá o que.— segurei um riso.— E como você disse, não lhe conheço além disso. Mas não tenho muito interesse.
— Ya! Não pense que eu e aquela garota de mais cedo namoramos, ela é apenas...
— Outra que você ficou e deixou nutrir sentimentos por você? — ela parecia realmente ofendida. De alguma forma, vi que sua confiança não era fácil de ganhar, e pelo seu olhar profundo, algo havia a feito perder isso.
— Não..— engoli em seco.— Ela me traiu, quando eu tinha dezesseis anos.
Seu olhar sobre mim, indicava um certo arrependimento. Talvez ela estivesse realmente achando que eu ficava ainda triste com aquilo, ou que ainda era apaixonado por Aisha, mas a única coisa que eu conseguia sentir por ela era um certo nível de raiva, e de mim mesmo por me deixar levar os sentimentos naquela época.
Ignorei o bullying que ela fazia com algumas pessoas naquela escola, apenas por estar ao seu lado. Muitos se machucavam, e eu não os ajudava por isso. Apenas acreditava nas mentirinhas dela, e parece que apenas acordei quando um garoto teve que sair da escola por sua causa.
— Sinto muito.— sua voz saiu mais baixa que o normal, percebi que ela havia se sentido mal com seu próprio julgamento.— Eu deveria ter pensando antes e..
— Ei...— empurrei seu ombro fraco, tentando arranjar um pouquinho de humor naquela situação.— Está tudo bem. Eu não me sinto mal por isso.
A vi suspirar baixinho, ainda parecendo um pouco cabisbaixa. Ela analisava os próprios pés enquanto caminhava, parecendo ainda pensativa sobre algumas coisas.
— Não tem como não se sentir mal com a pessoa estando um dia ali para você e com você, e no outro, já ser alguém totalmente com outro significado. Talvez até fora de sua vida...
Ela ainda não me olhava, mas conseguia sentir seu tom triste apenas em suas palavras pronunciadas. Com certeza por alguma situação, ela já havia passado.
— Obrigada por vir comigo até aqui.— ela fez uma pequena reverência, caminhando pelas pedras em seu gramado. Fiquei parado a observando chegar mais perto de sua casa.— E ah, Jungkook?
— Hum? — falei alto para que ela pudesse ouvir, já que estava em sua entrada.
— Eu lhe devo uma!
***
Eaí xuxuzinhos, como estão?
Estão gostando da fanfic? Espero que tenham gostado do capítulo de hoje.
O que será que JiEun queria realmente responder na hora que arregalou os olhos?!
Até o próximo capítulo! Com amor, nena, aninha ou Lara.❤️
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