Epílogo
How long I will love you
(Por quanto tempo vou te amar)
(Antes de começar a leitura da uma passada lá nas notas finais e leia o capitulo com uma playlist feita especialmente pra ele, mil beijos)
De volta
O banco do motorista já não parecia mais tão macio quanto quando ele se sentou ali, depois de horas dirigindo parecia que seus músculos estavam congelando. Faltavam poucos quilômetros pra cruzar a divisa da cidade. Ele ainda não acreditava no que estava fazendo, depois de tudo, voltar para a pequena Stratford depois de seis anos longe de casa. Ainda parecia loucura em sua cabeça, ele jurara a si mesmo que não voltaria. Enfrentar o seu passado não estava em seus planos, mas o casamento de sua mãe mudara todo os seus planos. Ele tinha que ir e consequentemente descobrir o que havia acontecido desde a sua partida.
Antes que seus músculos congelassem de uma vez por todas, ele decidiu fazer uma parada em um bar a alguns metros da entrada da cidade. Estacionou o carro e desceu tranquilamente aproveitando pra esticar as pernas. O bar estava bem movimentado pra uma sexta feira. Ele passou pelas portas de madeira estilo faroeste e entrou observando o bar, típico beira de estrada de cidade pequena. Uma dúzia que garçonetes com metade da roupa, não que isso desagradasse o homem, homens bêbados por todos os lados e alguns casais na bancada do bar. Ele se aproximou e sentou encarando o menu que estava pregado na bancada.
-Uma cerveja sem álcool, por favor! –disse ainda encarando o menu, desejando poder beber alguma coisa com bastante álcool pra poder aguentar as primeiras horas naquela cidade que lhe trazia tantas lembranças. Boas e ruins.
-Sério sem álcool? –uma bartender perguntou, sua voz era familiar.
-Sim eu vou dirigir daqui a pouco –disse levantando o rosto e encarando a mulher. –Fala sério –disse abrindo um sorriso.
-Eu nunca imaginei ouvir Justin Bieber pedir uma bebida sem álcool –ela riu –Eu ainda acredito que a sua mãe batizava seu leite com vodka. –Justin se esticou por cima do balcão dando um abraço apertado na menina.
-Senti sua falta Caitlin –ele voltou ao seu lugar encarando o rosto da menina. Os anos, apesar de poucos haviam a feito muito bem, ela estava linda.
-Também senti sua falta Justin, ainda mais considerando o fato de que você saiu daqui fugido. –ela segurou a mão do rapaz encarando seus olhos de volta. –É uma droga perder meu melhor amigo.
-Você nunca me perdeu, eu só..
-Precisava de um tempo, eu sei eu e a .. –a mulher segurou a língua evitando citar Isabelle, ela não sabia como ele reagiria ao saber algo sobre dela depois de tantos anos.
-Então –engoliu em seco, ele sabia que ela ia tocar no nome da Isabelle, só não tinha a certeza de que estava pronto pra isso. –Como estão as coisas, os caras e principalmente como a chefe das lideres de torcida acabou como bartender em um bar de beira de estrada nesse fim de mundo?
-Primeiramente eu to me sentindo ofendida com essa sua observação e segundamente eu não sou bartender. O movimento ta grande hoje e os garçons não tão conseguindo segurar as pontas sozinhos.
-E desde quando você é uma pessoa tão bondosa? –ela encheu o copo dele e o entregou.
-Eu sou quase dona daqui, é quase o meu dever ajudar. –ela riu.
-Por que tantos quases?
-Na verdade o meu namorado é dono daqui, mas como todo mundo me respeita eu ajo como se mandasse aqui também. Afinal o dinheiro que paga as minhas contas e compra os meus vestidos sai daqui mesmo. –ele riu sem conseguir acreditar na menina,ela ainda continuava a mesma.
-Argumentos aceitos –ele levantou a cerveja reverenciando a loucura crônica dela que riu.
-Ryan e Gaby estão por ai se pegando em alguma mesa, vai lá dar um oi pra eles, eu não vou poder te dar muita atenção aqui. –ela disse servindo um cara ao lado.
-Desde quando eles estão juntos? –ele riu consigo mesmo lembrando dos dois –Achei que ela ia acabar com o Chaz.
-Não, mesmo ela realmente odiava o Chaz, mas o Ryan...eles estão até pensando em casar. –ele levantou levando sua cerveja.
-Depois de uma bomba dessas eu preciso ouvir isso por eles. –ele saiu dali andando calmamente pelo local e observando o que acontecia a sua volta enquanto procurava pelo novo casal. Um garçonete dançava em cima de uma mesa para alguns caras, ela tinha um corpo que fazia os olhos de Justin saltarem do próprio rosto como aqueles personagens de desenho animado. O vestido de garçonete caia perfeitamente bem nela, que pernas, que bunda! Ele tentava enxergar o rosto dela, mas ela se mexia demais.
-Justin! –uma voz feminina gritou e ele se virou assustado procurando de onde vinha. Era Gaby, ela pulou do colo de Ryan quando ele se aproximou e o abraçou. –Como eu senti sua falta seu puto –ela se separou o encarando e deu um tapa em seu peito –Seu filho da mãe, por que diabos você nunca mais voltou?
-Não me faça repetir a historia. –ela deu espaço e Ryan abraçou o amigo.
-E ai, é bom te ver além de uma webcam –ele se abraçaram um pouco emocionados. Bromance.
-Eu não diria o mesmo, você parece mais feio ao vivo –eles riram enquanto ele se sentava.
Jogaram um pouco de conversa fora e pediram mais algumas bebidas, enquanto o interesse de Justin pela tal garçonete em cima da mesa só aumentava.
-Quem é sua acompanhante pro casamento da sua mãe?
-Bem, eu esperava que fosse a Caitlin, mas aparentemente ela já tem acompanhante e a Gaby bem, agora que soube que ela esta praticamente noiva eu não arriscaria convidar.
-Supera Justin –ela disse rindo.
-Vai sozinho então? –um alvoroço vinha da direção em que a tal garçonete estava. Ela estava descendo da mesa e gritando algo como "Acabou meu turno amigões, a festa acabou e eu tenho que ir pra casa".
-Não se aquela garçonete gostosa aceitar ir comigo. –ele disse rindo e apontando para que os amigos vissem quem é.
-Justin –eles disseram apreensivos depois de ver quem era, mas antes que se manifestassem ele já estava de pé pronto pra ir na direção dela. –Não é uma boa ideia –eles gritam ao mesmo tempo, mas com a altura da música no bar ele não conseguiu ouvir.
Conflito
Ele caminhou rapidamente na direção dela antes que ela sumisse no meio das pessoas ali em volta. Quando se aproximou ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha, como um aviso. Mas ele não se intimidou, ele a alcançou e a puxou pelo braço.
No instante em que ela se virou foi como se a terra tivesse para de girar, saído de sua órbita e caísse em direção ao sol. A respiração faltou de ambos os lados, palavras não poderiam definir o que sentiam naquele instante. Os corações batiam tão fortes e sedentos por sangue que parecia que iam explodir a qualquer momento. O tempo tinha congelado e eles estavam cara a cara depois de tantos anos, seus olhos mantinham um contato visual tão intenso que seus corpos não conseguiam responder a nenhum comando do cérebro, que por sua vez brigava com o coração. De repente a terra pareceu voltar a girar e permanecer em sua órbita sem fazer a sua queda brusca na direção do sol. O ar voltou, e o tempo corria em seu tempo normal. E eles haviam voltado à realidade.
-Isabelle –ele sussurrou sem conseguir acreditar no que dizia, soltou seu braço calmamente e a garota deixou a garrafa já vazia que segurava cair no chão e correu. Sumindo da vista dele.
Enquanto ela guardava suas coisas e corria atordoada para fora do bar, ele já estava lá. Encostado exatamente no carro dela.
-Me lembro de ter ouvido você falar sobre esse carro, e que também iria colocar esses adesivos neon neles –ele riu apontando. Mas a menina não se moveu ou disse qualquer coisa. –É incrível te ver depois de todos esses anos, eu quero dizer...-ele se embolava nas palavras nervoso –Você ta incrível, você cresceu –ele riu fraco passando as mãos pelo cabelo. Ela riu internamente com o ato dele, sabia que ele estava nervoso, mas ela só conseguia sentir ódio naquele instante. O mesmo sentimento que a corroia há anos.
Ela tentou passar e entrar em seu carro, mas ele a impediu.
-Será que a gente pode conversar? –Num fleche ele viu a mão da menina chegando ao seu rosto, e um perfeito "slap" foi ouvido. Ele acabara de levar um belo tapa, e ainda se recuperava da dormência que ficara em seu rosto. –Tudo bem, eu mereci essa. –ele resmungou passando a mão sobre a face avermelhada.
-Você quer conversar? –eles se encararam, mas dessa vez foi diferente, ele podia sentir o ódio nos olhos dela. –Volta seis anos atrás antes de ir embora e ferrar comigo e então fica e conversa. –ela entrou em seu carro e buzinou pra que ele saísse da frente e acelerou sumindo na direção da cidade.
Ela apertava o volante assim como sentia seu coração se apertando, a respiração falhando e as lágrimas escorrendo freneticamente pelo seu rosto. Nem em um milhão de anos Isabelle esperava encontrar Justin ali, depois de tantos anos. Ela sentiu seu coração bater tão desesperado que teve medo de cair ali mesmo em sua frente. Por um segundos, um misero segundo ela olhou nos olhos do homem que um dia foi o amor de sua vida e logo seu passado voltou a tona, juntamente com o ódio que ele não se importava de alimentar, afinal era aquilo que a manteve de pé nos últimos anos.
Parou o carro em frente de casa e respirou fundo afastando as imagens que surgiam na sua cabeça, imagens que ela reprimira a tanto tempo. Quando ele a deixava em casa e sempre lhe roubava um beijo, ou todas as vezes que ele jogou pedrinhas na sua janela, ou até mesmo a primeira vez que ele entrou ali no jantar que sua mãe oferecia para as suas amigas da igreja.
A garota saiu de dentro do seu Dodge Challenger e foi em direção a sua casa notando algo diferente, o carro de seu pai estava parado na frente de sua casa. Ela entrou encontrando seus pais sentados na sala tomando café e conversando civilizadamente.
-O que ta acontecendo? –ela perguntou os encarando. O divorcio de seus pais havia acontecido a quatro anos atrás, mas ela ainda achava estranho encontra-lo ali como se fossem melhores amigos.
-Seu pai veio visitar Kennedy –Amelia disse sorrindo. A mulher estava linda, o divorcio parecia ter lhe tirado o pesado do mundo de seus ombros, ela parecia viva como Isabelle nunca a vira quando estava casada com seu pai.
-Meu irmão esta no acampamento de verão, só volta na semana de aulas e ele sabe disso. –apesar de tudo a menina ainda guardava muita mágoa do pai.
-Minha filha, eu também queria te ver. –ele disse num tom dócil.
-Já viu, agora pode ir embora e faz o favor de não ficar rodeando a casa. –disse fria e subiu as escadas.
Isabelle se jogou na cama se sentindo como uma adolescente de coração partido, até sua alma doía, ela não sabia o que fazer, o que sentir além de raiva por ele ter a deixado.
***
Por acaso, sem acaso
O sol morno começava a entrar no quarto de Isabelle a despertando, ela dormira com o seu moletom por cima do uniforme de garçonete, precisava se livrar daquela maquiagem borrada e os resquícios da noite passada. Nada melhor que um bom banho para isso.
-Isabelle! – ouviu sua mãe chamando enquanto descia as escadas secando os cabelos.
-Sim! –ela foi ao encontro da mulher vendo o que ela queria.
-Vá ao mercado, por favor! –disse correndo de um lado para o outro –Preciso que me traga café, leite, açúcar, pizzas congeladas, massa de bolo e chantilly.
-Pizzas congeladas mãe? –ela riu pegando o dinheiro da mão da mulher.
-Sim, eu vou a despedida de solteira da Pattie hoje e prometi levar algumas coisas.
-Você vai a uma despedida de solteiro e vai levar pizzas congeladas?
-Não, vou levar cupcakes, as pizzas são pra você. –a mulher seu as costas e subiu as escadas.
-Mas eu não gosto de pizza congelada mãe! –ela gritou, mas a sua mãe já estava longe o bastante pra não ouvir.
A garota calçou suas sandálias e pegou a chave do carro, o mercado não era longe, mas ela não estava a fim de voltar com um monte de sacolas em mão. Estacionou o carro e saltou indo em direção do mercado, pegou um carrinho e passou por alguns corredores pegando algumas besteiras. Entrou na seção de congelados escolhendo algumas pizzas.
-Pensei que não gostasse de pizza congelada. –Justin surgiu ao lado dela a observando pegar as pizzas.
-Eu não gosto –ela respondeu num tom de quem pretendia o ignorar. Ela pretendia.
-Então por que ta comprando? –ele perguntou e ela seguiu em frente. Entrou na fila do caixa e ela permaneceu ao lado dela. –Não vai falar comigo? –ele disse meio constrangido, se sentia um menino tentando ganhar a garota mais gata da escola.
Ela terminou de passar as compras, se segurando pra não esbofetear ele mais vez e terminar de botar sua raiva pra fora, e seguiu pro estacionamento colocando as compras no carro.
-Lembra quando nos conhecemos, você veio ao mercado eu também, depois eu te levei em casa... –ele disse com um sorriso meio bobo no rosto, ele queria tanto conversar com ela.
-E no outro dia você quebrou o meu coração me tratando como se eu fosse um pedaço de nada –ela bateu a porta do carro dando a volta pra entrar, ele nunca a vira daquele jeito, agindo como se odiasse ele mais do que o próprio demônio. –Me deixa em paz! –ela gritou entrando no carro e cantando pneu. E foi ai que ele percebeu que ela estava fugindo dele, não estava em seus planos reconquista-la ou coisa do tipo, mas o sentimento adormecido dentro dele parecia aflorar a cada instante que ele a via e ao julgar pelos ataques de raiva, ela não parecia estar tão distante assim.
Ele a seguiu até em casa e quando ela saltou ele a acompanhou até o gramado da casa.
-Fala comigo por favor! –ele a segurou e ela se soltou balançando as sacolas no ar.
-Me solta! – ela deu um passo pra trás –Você virou um psicopata agora seguindo as pessoas até em casa. –
-Você não para pra me ouvir, eu tinha que fazer algo –disse confuso com a reação dela. O que havia acontecido com a sua doce Belle.
-Já que você quer tanto fazer algo, vai se foder e me deixa em paz. –ela gritou.
-O que aconteceu com você, por que ta agindo desse jeito. Eu to aqui de novo. –ele respondeu no mesmo tom que ela. Eles conversavam aos berros em frente a casa.
-"Eu to aqui de novo" –ela fez uma imitação barata do que ele dizia –Você sumiu por seis anos sem me dar noticia, você foi embora e me deixou aqui sozinha –gritou pondo toda a sua raiva pra fora. –Foi um covarde ao desistir de mim. –ela secou uma lágrima. –Eu te odeio Justin Bieber.-Ele encarou o chão tentando absorver o que ela dizia - E se você veio aqui esperando que eu te abraçasse e dissesse o quanto eu sinto a sua falta, você vai morrer esperando esse dia chegar. –a amargura na voz dela chegava a machucar, ele quase deus as costas e resolveu deixa-la em paz, mas ela..
-Você disse sinto a sua falta e não senti sua falta. –ele disse pensativo a pegando de surpresa.
-Eu disse senti –ela desviou o olhar dele.
-Me deixa explicar o que houve, falar com você, saber com você esta –ele pediu quase deixando uma lágrima cair. Ele sabia que havia a machucado, mas ouvir aquilo em alto e bom som era bem mais doloroso.
-Eu estava muito bem antes de você aparecer. –ela deu as costas indo em direção a porta de sua casa.
-Janta comigo essa noite. –ela parou na porta e riu fraco.
-Não! –respondeu abrindo a porta.
-Não saio daqui até você aceitar.
-Vai ficar ai pra sempre –ela entrou em casa o ignorando.
O pior é que ele iria sim, ficar ali até que ela finalmente cedesse o que poderia não acontecer. Ele sentou no gramado da casa , de frente pra porta esperando que ela aparesse e assim aconteceu cerca de meia hora depois. Ela estava colocando o lixo pra fora.
-Mudou de ideia? –ele perguntou e ela passou brava por ele sem responder.
Uma hora depois Amélia saiu da casa e cumprimentou Justin.
Outra hora Isabelle saiu pra entregar uma vasilha da vizinha e viu Justin recebendo seu almoço de um restaurante chinês dentro do carro. Ele levantou a caixinha de sushi e ela sorriu levantando o dedo do meio.
Ele riu quase engasgando com o peixe cru, ela ficava incrivelmente linda sendo mal criada e toda raivosa. Definitivamente o que ele sentia por ela ainda estava vivo dentro dele.
Horas depois Amélia foi até Justin e lhe ofereceu um café. Eles jogaram um pouco de conversa fora, falaram sobre o casamento de Pattie e logo ela voltou pra dentro de casa.
(...)
Justin estava fora da casa esperando a reposta da menina a quase duas horas, ele não queria desistir, mas estava começando a achar que ela realmente nunca diria sim a sua proposta. Ele abriu o porta malas do carro –acabara de ter uma grande ideia, pelo menos ele acreditava nisso –e entrou no carro procurando um cd com alguma música que a irritasse o suficiente, ou melhor....
Ele colocou o som no máximo fazendo a vizinhança inteira ouvir e sentir seu desespero pra falar com a garota.
EVERYBODY HURTS
"When your day is long and the night
The night is yours alone
if you're sure you've had enough of this life
Well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes"
Ele cantarolava na frente da casa de olhos fechados, como quem sofria por um amor perdido na quinta serie.
-Abaixa essa música! –ela gritou fazendo com que ele abrisse os olhos e a visse ali.
-Só quando você disser sim.
-Não!
-O que, eu não to te ouvindo! –ele tirou o controle o bolso aumentando o volume.
-Seu filho da mãe, abaixa! –ela gritou esperneando.
-O que? –ele fingiu não ouvir e continuou cantando com a música.
-Ta bom, ta bom! –ela gritou e ele a encarou.
-O que disse? –abaixou o volume.
-Eu saio com você hoje –ela gritou sem perceber que já não ouvia mais música.
-Ótimo, te pego as oito. –ele sorriu.
-Imbecil! –ela cruzou os braços sem desfazer a cara de brava.
-Você tem algum lugar que queira ir? –ela revirou os olhos.
-Eu nem queria sair com você em primeiro lugar então pra mim pode até ser a barraquinha de cachorro quente da esquina.
***
A noite toda
Depois de deixar sua mãe e as amigas em um bar, que mais parecia um bar de strip, Justin seguiu para a casa de Isabelle. Ele estava vestindo seu melhor terno, havia passado horas penteando o cabelo e havia tomado um banho de perfume. Suas mãos soavam enquanto ele segurava o buque de rosas vermelhas. E foi naquele instante que ele percebeu que não iria sair com a sua menina Belle, ele ia sair com uma mulher que jurava que o odiava, por ter feito uma coisa que ele fez por estar apaixonada por ela.
A porta abriu e ele ficou perplexo. Ela estava a mulher mais linda do universo, vestido preto colado, seus cabelos soltos, seu batom vermelho que delineavam seus lindos lábios.
-Uau! –ele disse ainda meio boquiaberto.
-Pois é, uau! –disse sem se importar. –Vamos logo, quanto mais rápido formos mais rápido você vai poder arruinar a noite e voltaremos pra casa. -Ela seguiu rebolando e jogando o cabelo na direção do carro, ele até tentou se aproximar e abrir a porta, mas quando chegou perto ela já estava dentro passando o cinto de segurança. Ele entrou e entregou as flores pra ela.
-O que é isso?
-Flores! –ela pegou e as jogou no banco de trás.
-Obrigada –disse indiferente. No entanto ela suava frio por dentro.
Já Justin começava a ficar incomodado com o comportamento dela, eles não eram mais adolescentes e droga ele só queria poder conversar com ela. Após algumas tentativas no caminho, ele parou o carro no meio da rua e ela o encarou estranhando.
-Parou por quê?
-Você vai ter que conversar comigo. –disse sendo direto.
-Não quero conversar já disse. –voltou a cruzar os braços e a ignora-lo. Ele travou as portas e tirou o cinto se virando pra encara-la.
-Mas vai.
-Você não tem o direito de exigir nada de mim, não depois de tudo. –ela se virou o encarando.
-Mas você tem o direito de saber a verdade, de saber o que quiser saber.
-Que verdade? Que você apareceu uma noite na minha janela e disse adeus sem olhar pra trás. Que não me ligou pelo menos uma vez pra saber como eu estava? –disse triste.
-Essa é a verdade que você quer acreditar, eu to aqui agora e não me importo em você descontar toda a sua raiva em mim, mas por favor faz logo a pergunta que eu tenho certeza que você quer fazer desde o momento em que me viu.
Ela engoliu em seco e deixou fluir, ela precisava tirar aquela sensação ruim de dentro do seu coração.
-Por que você foi embora, por que diabos você me deixou? –ela disse baixo encarando as próprias mãos, como se sentisse vergonha por perguntar aquilo.
-Por que era o melhor pra você. E se eu não tivesse feito isso eu teria arruinado com a sua vida.
-Aprecio a sua gentileza, mas não adiantou nada você ferrou comigo no instante em que você virou as costas e sumiu da minha vida.
-Você pode pensar assim, mas eu nem imagino como teria sido se eu tivesse ficado...-ele olhou pelo para-brisas. –Ele ia te mandar pra longe de todos, não sei por quanto tempo. Você ia perder tudo...tudo. –ele respirou fundo lembrando da cena de anos atrás, ele estava no altar da igreja discutindo com o Pastor Jackson quando ele ameaçou mandar a menina pra um convento em outro estado se ele não a deixasse. –E ia ser tudo por minha culpa.
-O que? –ela o encarou absorvendo o que ele dizia. –O meu pai te ameaçou...como assim ?
-Se eu ficasse ele ia te prender em um convento. –ele segurou a mão da garota –Apesar da tudo eu sempre soube o quanto você gosta da escola, da Caitlin e da Gaby e quanto você gostava de se sentir normal, mesmo que fosse por alguns segundos. Eu nunca me perdoaria por destruir tudo a sua volta.
-Não te passou pela cabeça ficar e lutar por mim? –ela disse com a voz fraca.
-Passar passou, mas não adiantaria nada você só tinha 15 anos Isabelle, na melhor das hipóteses eu ia preso e seu pai te mandaria pra casa de uma tia distante. Não era o nosso tempo, eu sinto muito.
-Eu também –ela virou o rosto secando uma lágrima que caia, ela não queria que ele a visse chorar ou percebesse que apesar de tudo; ELA ACREDITAVA NELE.
-Nesses seis anos não houve um dia em que eu não me preocupei em como você estava ou se ainda se lembrava de mim. –o silencio pairou por alguns instantes até que a menina falou com sua voz de riso.
-Não é tão fácil esquecer do cara que me levou a primeira festa da escola, que resultou na minha primeira ressaca. –ela riu se lembrando do momento e engolindo o choro ao ouvi-lo acompanha-la nas gargalhadas.
-Não era minha intenção te deixar bêbada. –ele se defendeu.
-A intenção de me deixar bêbada era da Gaby, sempre foi –eles riram não dando tempo para que houvesse um clima desconfortável entre eles. –Que tal você ligar o carro e nos levar ao bendito restaurante.
-Claro! Seu pedido é uma ordem senhorita Evans.
-Assim que eu gosto Bieber!
Com o clima bem menos tenso eles puderam seguir o trajeto amigavelmente, sem mais discussões ou xingamentos. Não era como se ambos tivessem esquecido sobre tudo o que aconteceu antes e durante os seis meses, eles só estavam se permitindo um momento de trégua. Em nome dos velhos tempos, talvez. Desceram do carro e foram em direção do restaurante.
-Espera! –ela o segurou pelo braço –Eu quero as flores! –ela deu meia volta as buscando no carro e depois se juntou a Justin na porta do restaurante italiano.
-Pensei que não tivesse gostado! –ele disse com um meio sorriso.
-São as minhas preferidas, eu só não gostei de você tê-las me dado. –ela riu.
-Tudo bem, eu mereço! –ele se aproximou a encarando –Será que eu posso...
-Pode o que?
-Te abraçar? –ela sorriu o puxando para um abraço apertado, as sensações naquele instante não poderiam ser descritas por meras palavras. Antes de entrarem ele depositou um beijo em sua testa, de uma forma tão suave que Isabelle teve a impressão de ter quinze anos de novo.
Se sentaram em sua mesa reservada e fizeram seus pedidos colocando o papo em dia, como amigos fariam. Mas será que eles realmente eram isso?
-E então, o aconteceu na sua vida nesses últimos anos? –Justin perguntou educadamente tomando um gole da sua taça de vinho.
-Bem, por onde eu começo? –ela se fez de pensativa pousando o dedo indicador na bochecha –Os últimos anos do ensino médio foram incríveis, fiz mais amigos, entrei pro time da natação, mas fui expulsa logo que meu pai fez um escândalo em dos jogos pelo tamanho do meu maiô, ai eu briguei feio com ele e ele ameaçou me tirar da escola. E então a temporada de brigas foi aberta na minha casa, meus pais se separam pela primeira vez, meu irmão foi pego colando e eles voltaram, depois eu fui indicada a rainha do baile e meu irmão decidiu ser judeu. Caitlin deu uma festa de 18 anos pra mim foi incrível eu passei uns dois dias bêbada –ela riu vendo o espanto na cara dele –meu irmão acabou indo a festa e acabou bêbado, a época ele só tinha 11 anos, nada legal. Meu pai surtou de vez e ameaçou açoitar (bater) meu irmão em praça publica e claro eu tbm. Meus pais se separaram definitivamente, Kennedy voltou ao normal, mas ele ainda quer ser judeu –Justin riu sem acreditar no que ele dizia –Fui a rainha do baile e o Ryan foi o rei, mas eu só ganhei por que a Caitlin já tinha saído da escola e comprou o voto dos meninos e ameaçou as meninas. Depois disso passei um mês em festas loucas e entrei na faculdade. Estou no sexto semestre de fisioterapia, volto pra casa no verão e trabalho no bar da Caitlin pra conseguir dinheiro extra. Acho que isso é tudo.
-Uau –ele disse boquiaberto. Os pedidos chegaram.
-Sua vez, o que aconteceu na sua vida?
-Eu passei o primeiro ano longe daqui modelando e depois eu larguei, não era mais pra mim. Abri uma gravadora de música em Nova Iorque e me associei com grandes empresas, comecei a viajar o mundo em busca de grandes talentos, me casei. –a menina cuspiu a própria comida depois de engasgar com as palavras deles. –Ta tudo bem? –ele assentiu –Não deu certo, me separei. Encontrei aspirantes a cantores e agora trabalho com eles. –ele riu fraco –Comparado com a sua vida eu apenas sentei e vi as coisas acontecerem.
-Não é bem assim, você já eram um adulto Justin, a vida dos adultos é um saco –ela riu. –Dos lugares por onde você passou quais mais gostou?
-França, foi incrível especialmente quando eu vomitei escargot na minha ex-mulher, ai nós terminamos –Isabelle não queria admitir mas ela sentia calafrios quando ele se referia a tal esposa ou ex-esposa –Ryan me encontrou na muralha da China, foi incrível nós curtimos muito, eu participei de uns luaus muitos loucos no Hawai, depois passei a semana na Austrália com os Backstreet Boys. Uma virada do ano no Brasil na beira da praia e a minha segunda passada no Carnaval com certeza memorável. –ele riu como quem via tudo passando em frente aos seus olhos.
-Agora eu que tenho que dizer Uau –ela bateu palmas rindo –Espero que um dia eu possa fazer isso, parece demais.
-E é, acredite.
Eles continuaram no mesmo ritmo da conversa, falando sobre as suas vidas fazendo comentários engraçados e rindo como se o tempo não tivesse passado e fossem apenas amigos contando sobre suas viagens.
-Acho que esse vinho me deixou meio alta –a garota reclamou embaralhando as palavras.
-Você não foi a única –falou rindo e abocanhando o último pedaço da sua sobremesa. –Vou chamar um táxi.
-Ótimo, preciso de um bom banho e cama –ela terminou sua taça de vinha e chamou o garçom.
A conta foi paga e os dois saíram trocando os passos até a recepção e pediram um táxi.
-Vai fazer algo amanha de manha? –Justin perguntou enquanto esperavam o taxi.
-Sim, eu vou dormir o máximo que puder, vai ser um longo dia. –ele passou ao braço em volto do ombro dela em um abraço.
-Que tal mudar seus planos e ir ao casamento da minha mãe comigo?
-Justin Bieber me convidando para sair em público como sua acompanhante? Acho que eu vou desmaiar de tanta emoção –ela satirizou o fazendo revirar os olhos e rir –Não, obrigada pelo convite, mas não é como se nós fossemos melhores amigos agora, não vou roubar o lugar do Ryan nesse bromance.
-O que tem contra um ménage a três? –eles riam. O taxi chegou e eles embarcaram, o caminho foi curto.
Justin acompanhou a garota até a porta de casa, eles trocaram algumas farpas e brincadeiras no caminho até a porta.
-Obrigada pela jantar, foi muito bom.
-Digo o mesmo, foi incrível poder passar esse tempo com você –ele tocou o rosto da menina e ela se esquivou em seguida sentando no degrau da porta.
-O que foi? –ele perguntou se sentando ao lado dela.
-Pode parecer estranho eu perguntar isso, mas você disse que eu tinha o direito de perguntar tudo o que eu quisesse.
-Claro, pode perguntar.
-Como conheceu sua esposa, e por que se separaram?
-Minha ex esposa você quer dizer. Bem, eu estava em Phoenix e nós nos conhecemos no aeroporto e a coisa toda já rolou durante o voo pra Las Vegas, daí a gente resolveu casar...
-Você gostava dela?
-Não sei, acho que sim pelo menos eu acreditava que ela ia ser a mulher da minha vida. Daí a gente resolveu passar a Lua de Mel em Paris, ela era meio louca e foi ai que eu percebi. A mulher era uma psicopata vestindo Prada, um dia nós saímos e ela tentou me fazer comer escargot e eu acabei vomitando e cima dela, foi realmente engraçado ela surtou de vez e agrediu um dos garçons, depois atropelou uma ciclista e por fim foi presa. –ele prendeu o riso vendo o espanto de Isabelle. –Acho que ela ainda ta presa, não tive mais noticias dela depois disso.
-O que? –a garota levantou brava –Sua esposa vai presa em outro pais e você nem sequer sabe se ela esta bem? –ele levantou a encarando.
-Primeiro ela não era bem minha mulher, nós nos casamos em Vegas, Elton John celebrou nosso casamento e até hoje eu não sei qual é o sobrenome dela. Segundo nosso acordo de núpcias continha a clausa de que se um de nós fosse preso o outro tinha a obrigação de dar no pé e nunca mais voltar. Acredite se quiser foi ela quem inventou essa clausa. –ele riu se aproximando da menina. –Mais alguma coisa?
-Por que não escolheu Elvis invés do Elton John? Tudo mundo sabe que ele é o melhor.
-Eu só deixaria Elvis celebrar meu casamento se fosse com você . –O silencio pairou, o clima ficou tenso. A garota respirou fundo pronta pra sair dali. Se uma coisa não havia mudado nesses anos era a sua covardia diante algo incerto, ela se sentia acuada e fugia. Sempre. –Eu não menti quando disse que você era a melhor coisa que já aconteceu na minha vida, ainda que eu pudesse voltar no tempo eu não mudaria ter te conhecido e me apaixonado por você. –ele tocou o bochecha da garota acariciando levemente.
-Mas isso foi a muito tempo. –ela pode ver o rosto dele chegando mais perto do dela e não pode se mover, não queria na verdade.
-Mas não significa que acabou –os lábios dele tocaram os dela em um beijo ardente e preciso. Em segundos seus corpos estavam grudados, como se nunca tivessem sido separados.
-Eu menti quando disse que te odiava –ela disse ofegante –Eu é que me odiei por ainda sentir o que eu sentia pra você a seis anos atrás. –ele encostou a testa na dela encarando seus olhos.
-Nada mudou!
-Não –ela mordeu os lábios o puxando pra dentro da casa -É melhor a gente recuperar o tempo perdido.
Os dois entraram na casa aos beijos e amassos subiram as escadas e entraram no quarto da garota.
Sem perder tempo ela o atirou em cima da cama sentando em seu colo e desabotoando seu terno. Eles tinham e não tinham pressa ao mesmo, era um momento mais do que esperado. Ela queria ele e Ele queria ela. Isabelle abriu a camisa do homem encarando cada centímetro do seu corpo deliciosamente definido. Os lábios dele tocavam o pescoço dela enquanto ela marcava seu peitoral com seu batom vermelho. Ela se levantou o ajudando a tirar as calças. A menina havia se transformado em uma safada de plantão, o meio das duas pernas formigou ao vê-lo só de cueca. De volta ao seu colo ela pediu que ele tirasse seu vestido, ele abriu o zíper, mas parou antes que o vestido fosse tirado.
-Tem certeza? –ele perguntou cuidadoso.
-Sim. –ela o beijou.
-E a sua mãe?
-Ela vai ficar fora até tarde.
-Mas...-ela colocou o dedo indicador nos lábios dele pedindo pra que parasse.
-Eu não sou mais uma menina Justin, eu sou vacina e eu quero muito fazer amor com você! –aquelas palavras soaram como um alarme de luz verde, apontando que poderia avançar o sinal sem arrependimentos.
Em segundos o vestido já estava no chão e os dois se colocaram em uma posição excitante (69). Os lábios da garota sugavam e beijavam cada centímetro do membro dele ouvindo murmúrios de prazer , enquanto ele fazia o mesmo beijando e acariciando a sua intimidade ouvindo os sussurros de prazer dela. Sem perder mais tempo com preliminares ou coisa do tipo ela se posicionava embaixo dele que se aprontava. No primeiro movimento ela passou suas mãos pelo pescoço dele juntando seus lábios e abafando o gemidos, o ritmo aumentava assim como o prazer a cada segundo seus corpos exigiam mais, sua mente sedenta por mais sexo exigia mais. As posições foram trocadas, sentada em seu colo ela deslizava calmamente e gemia alto sentindo ele sugar seus seios sem pudor. Os movimentos oscilavam de velocidade a cada segundo, depois longos minutos eles já pareciam exaustos, o suor começava a escorrer em suas testas. Seus corpos já se aproximavam ao seu épice, seus músculos começavam e se contrair. Neste instante encarando um os olhos do outro, eles se viram como adultos. Isabelle não amava um rapaz, ela amava um homem um belo homem. Justin já não gostava de uma menina ele...amava uma mulher.
-Eu te amo! –ele disse quando o seu corpo se contraiu pela ultima vez e logo relaxou se embriagando com a sensação. Ela gemeu alto chegando ao seu ponto também e caiu do outro lado da cama sem fala. Os ânimos foram se acalmando, mas a tensão sexual continuava entre os dois.
Mais caricias foram trocadas e os dois acabaram repetindo o ato a noite inteira.
O casamento.
(...)
Um alarme tocou os despertando indelicadamente. Isabelle levantou vestida com a camisa de Justin procurando o que fazia tanto barulho, era o celular dele. Ela o pegou e desligou o alarme. Quando se virou pra voltar pra cama ela se deparou com ele a encarando.
-Seu celular me acordou! –ela disse arrastando a voz.
-Casa comigo! –ele disse sério, mas ela riu.
-Claro, mas o Elvis tem que celebrar o nosso casamento e eu exijo uma capela cor de rosa. –ela voltou pra cama rindo e se envolveu nos braços dele.
-Eu to falando sério, nada de Vegas ou capelas coloridas com cosplay de gente morta. –ela riu o encarando –Eu quero casar com você na igreja , no campo ou em um templo budista se você quiser, eu te amo Isabelle –ele sussurrou no ouvido dela –Eu te amo Belle.
Ela se moveu sentando em seu colo e olhando no fundo de seus olhos.
-Eu também te amo Justin, mais do você possa imaginar, mas nós não temos tempo pra isso agora.
-Claro que nós temos.
-Não temos não, você tem que estar no casamento da sua mãe em duas horas- ela levantou o celular mostrando as horas.
Eles desceram pra tomar café no mesmo clima de romance que estavam quando subiram as escadas na noite passada. Enquanto preparavam o café da manhã uma supresa chegara.
-Mas que porra é essa? –Isabelle encarou a porta da cozinha vendo seu irmão mais novo os encarando boquiaberto. Não era a coisa mais comum do mundo encontrar sua irmã vestida apenas com uma camisa quase transparente e um homem sentado na mesa de casa só de cueca.
-Kennedy! –ela levantou apavorada –Eu posso explicar.
-Explicar o que? Se você me contar aquele historia sobre abelhas e pólen de novo eu cometo suicídio. –Justin acenou e o menino acenou de volta. –Ta tudo tranquilo, só não fica andando seminua pela casa com seu namorado novo. –ele deu as costas e depois voltou. –Pera, você não era aquele cara que tirava o meu pai do sério por que tava dando uns pegas na minha irmã.
-Sou eu mesmo –O garoto fez um toque na mão de Justin o admirando.
-Vai se ferrar Kennedy, some daqui a mamãe deve estar te esperando na casa da Florence. –ele riu da reação da irmã.
-Bom te ver também. –ele disse antes de sair.
Depois daquele momento bizarro os dois terminaram o café e voltaram ao quarto dela, onde Justin se vestia.
-Você pensou sobre ser minha acompanhante no casamento? –ele perguntou calçando os sapatos.
-Não sei.
-É sério que você vai me fazer implorar? –ele resmungou pegando sua grava e blazer do chão.
-Não, dessa vez não. –ela sorriu se levantando. –Vou me arrumar e te encontro na igreja.
-Ótimo! –eles se abraçaram e ele depositou um beijo na testa dela. –Te amo. –ela sorriu ouvindo aquilo, ainda não havia se acostumado.
-Te amo.
(...)
A cerimônia foi linda, digna de conto de fadas. A igreja estava cheia, os convidados riam e conversavam até a entrada da noiva. Pattie estava deslumbrante, Justin a acompanhava com a postura de um príncipe. A marcha nupcial tocou. Isabelle observava abobalhada a magia acontecer. Justin entregou sua mãe a seu futuro marido e voltou em direção a Isabelle. Eles se sentaram de mãos dadas assistindo a cerimônia.
-Um dia vai ser nós dois –ele sussurrou enquanto assistia a troca de alianças.
A cerimônia terminou e eles se levantaram logo após a saída dos noivos. Eles saíram da igreja indo em direção ao estacionamento.
-Eu te encontro lá. –ela disse soltando a mão dele e seguindo na direção do seu carro. Ele achou estranho, parecia até que ela queria se afastar dele, no caminho até o salão de festa ele se perguntava o que tinha feito de errado. Quando chegou ela já estava lá, ele foi em sua direção pronto pra perguntar se algo estava errado, mas ela desviou a atenção dele com um beijo.
Os amigos se reuniram juntando as mesas e jogando conversa fora, eles pareciam adolescentes numa da saída no ensino médio. Riam e faziam piadas de duplo sentidos, os casais se pegavam e trocavam juras de amor.Mas na verdade eles eram homens e mulheres feitos. Mas nada os impedia de sentirem a mesma alegria que sentia quando mais jovens.
Justin arrastou Isabelle pra sessão de foto em família, ele aproveitou e a apresentou para todos."Essa é a mulher com quem um dia eu vou casar" ele dizia a cada um que se apresentava. Ela ficava envergonhada e feliz ao mesmo tempo, embriagada com o mesmo sentimento de que eles ficariam juntos pra sempre e seriam felizes pra sempre. Pena que aquele momento não durou muito.
Eu e você
Depois do brinde do casal, Justin se despediu de sua mãe emocionado e voltou para a mesa dos amigos. Eles zoaram um pouco e começaram a ir embora aos poucos. A banda ainda estava lá assim como Justin e Isabelle.
Eles se juntaram no meio da pista dançando calmamente e aproveitando a música. A banda tocava melancolicamente All Of Me do John legend. A garota repousou a cabeça no ombro dele enquanto seus corpos se moviam lentamente.
-Eu nunca vou esquecer desse final de semana –ela disse baixinho extasiada pelo momento.
-Nem eu –ele respondeu.
(...)
Os dois caminhavam lentamente no parque próximo ao salão de festas. A tarde estava indo embora e o por do sol fazia as honras encerrando um lindo dia. Elas param por alguns instantes e sentaram na grama fresca assistindo o sol se por.
-O que acontece agora? –Isabelle perguntou ainda olhando pra frente. Justin respirou fundo procurando uma resposta que se comparasse ao que ele sentia naquele instante mas nada parecia ser bom o suficiente.
-A gente pode se encontrar nos fins de semana, ou ficar juntos nas férias. –ela repousou a cabeça no ombro dele.
-Não vai dar certo... –ela segurou a mão dele, como se confortassem.
-Eu sei...-ele murmurou –Isso é uma droga.
-É sim. –ela levantou o puxando. –Eu tenho que ir, minhas férias acabaram...meu voo é hoje a noite.
-Talvez a gente se encontre no aeroporto, eu volto hoje também –ela respondeu a observando.
-Legal –ela riu fraco sentindo seus olhos se enchendo de lágrimas. –Não quero me despedir de você.
-Não é uma despedida, a gente vai acabar se encontrando de novo e transando a noite toda de novo –ele riu espantando a vontade de chorar.
-Então isso é um te vejo em breve Justin –ela selou seus lábios delicadamente.
-Eu te amo Belle, tanto que dói –ele a puxou pra perto tomando seus lábios em um beijo de despedida que o tirou os fôlego e sentir mais ainda a perda daquele momento.
-Não tanto quanto eu te amo. –ela falou se soltando e se distanciando na direção do estacionamento.
-Espera! –ela parou –Se esse fosse o nosso momento, você aceitaria o meu pedido de casamento?
-Sem pensar duas vezes! –ela respondeu correndo na direção dos braços dele e o abraçando pela última vez.
***
Isabelle segurava a passagem na mão, no hall de embarque esperando que seu voo fosse chamado. Depois da longa espera ela finalmente pode entrar e procurar sua cadeira pronta pra descansar e chorar.
Checou o numero da sua poltrona e foi na direção da mesma. Deixou sua bolsa na mesa e abriu o compartimento de bagagem tentando enfiar a sua gigante mala de mão, por um segundo ela se desequilibrou e a mala voltou na direção do seu rosto, numa fração de segundos ela foi pega por alguém que chegara ao seu lado.
-Cuidado moça. –uma voz conhecida disse, ela puxou a mala das mãos da pessoa podendo ver seu rosto.
Os dois congelaram e mais uma vez a terra tivesse para de girar, saído de sua órbita e caísse em direção ao sol. A respiração faltou de ambos os lados, palavras não poderiam definir o que sentiam naquele instante. Os corações batiam tão fortes e sedentos por sangue que parecia que iam explodir a qualquer momento. O tempo tinha congelado e eles estavam cara a cara depois de tantos anos, seus olhos mantinham um contato visual tão intenso que seus corpos não conseguiam responder a nenhum comando do cérebro, que por sua vez brigava com o coração. De repente a terra pareceu voltar a girar e permanecer em sua órbita sem fazer a sua queda brusca na direção do sol. O ar voltou, e o tempo corria em seu tempo normal. E eles haviam voltado à realidade.
-Justin!
-Isabelle!
-O que faz aqui?
-Indo pra Los Angeles, onde a minha gravadora fica, e você?
-Faculdade... –ela respondeu boquiaberta. –Mas não era em Nova Iorque?
-Na verdade foi a minha primeira cede, nos mudamos a pouco tempo, mas isso não importa. –ele sorriu se dando conta do que estava acontecendo. –Nós estamos indo pro mesmo lugar, eu não vejo mais nada nos impedindo de..
-Ficar juntos. –a garota jogou a mala na poltrona e o agarrou o beijando sem pudor algum quanto aqueles que assistiam.
Eles ficariam juntos agora, o destino finalmente havia permitido que o amor dos dois pudesse ser vivido. Sem mais impedimentos ou controversas na história, eles se juntariam numa queda livre em direção a felicidade, sem medo de amar ou do que as pessoas diriam. Eles se amariam até o último dia de suas vidas e nada no mundo poderia mudar isso. Já estava escrito, por poeira celestial que ainda que houvesse tempestades de meteoros o amor de Justin e Isabelle seria puro e eterno.
Decidi não escrever fim neste capitlo, afinal de contas: Se tiver fim, não é amor. E essa foi uma história sobre amor.
Notas FinaisMusica Everybody hurts :
https://youtu.be/S2N_uvnvGbI
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