Capítulo Quatro
I Trust You
O sol calmo e acolhedor de uma manhã de domingo deixava os seus primeiros raios de sol invadir o quarto do jovem rapaz deitado em sua cama tentando se recuperar da festa da noite passada. Sua mãe entrou no quarto, e se aproximou da cama do garoto o cutucando, no primeiro momento ele nem pareceu se importar ou perceber. Pattie tomou fôlego e começou a chamar pelo seu nome. Ela sabia que ele havia chegado há quase três horas, mas eles tinham um trato e Justin teria que cumpri-lo querendo ou não. Justin se mexia na cama incomodado com a voz da mãe.
-Por favor, mãe me deixa dormir nem tem escola hoje –ele reclamou fazendo a mulher rir, ela se perguntava se ele já havia esquecido de domingos de manhã serviam para ir a Igreja.
-Acorde Justin, temos que ir a igreja.
-Ah por favor mãe! –ele resmungou puxando de volta a coberta que ela tentava tirar de cima dele.
-Justin, você vive dizendo que não é mais criança, então pela última vez pare de se comportar como uma –ela disse com um tom mais convicto fazendo o garoto a encarar de uma forma diferente. Pela primeira vez naquela manhã ele estava a olhando como se ela fosse sua mãe.
-Tudo bem, eu me arrumo em dez minutos. –disse se levantando. Pattie riu internamente o vendo levantar, ela sabia que tudo que ele precisava era um ouço de pulso firme.
Justin se levantou e tomou um banho rápido, ir a Igreja enquanto ele poderia estar dormindo não era uma coisa que o deixava muito alegre. Se aprontou e comeu algo antes de sair de casa. Sua mão dirigia até a igreja, não tão longe de sua casa, cantando uma música da Alanis Morissette. Uma mesma que ela cantarolava antes de coloca-lo na cama.
O caminho foi a duração de uma música, logo eles estavam estacionados em frente a igreja, vendo aquelas dezenas de pessoas, com suas roupas de domingo e sorrisos de glória no rosto. Justin não era ateu ou coisa do tipo, ele só não entendia –pelo menos não mais –como a pessoas ainda se importavam tanto em levantar cedo em um domingo e ir até uma igreja para ouvir um homem ler em voz alta palavras que muitos deles conheciam de cor e salteado.
Enquanto ele caminhava para dentro da Igreja de tamanho mediano, e se perguntava por que ainda estava ali. Ele a viu. Suas roupas de domingo não eram tão diferentes das suas roupas usuais. Ela sorria lindamente enquanto conversava com outras senhoras que –sem ofensas –se vestiam como ela. O sorriso da garota o chamou atenção, de certa forma era como se existisse algo mais por baixo daquelas roupas feias. Ele não se conteve e esperou até que as velhinhas saíssem de perto dela e se aproximou, sentando ao seu lado.
-E ai! – ela o encarou sem ação. Que diabos esta fazendo aqui? Ela pensou.
-O que faz aqui? –perguntou tentando não chamar atenção. Seu pai estava prestes a começar a pregar.
-Vim te dizer um oi, algum problema nisso.
-Nós estamos em uma igreja, aqui não é lugar pra isso. –ela resmungou encarando o terço em sua mão.
-Então nós podemos ir a um lugar mais apropriado. –disse a provocando mesmo sem querer, era da sua natureza.
-Não! –ela disse firme fazendo a velhinha que estava a sua frente a encarar.
Envergonhada ela levantou indo na direção da sacristia, imaginando se livrar de uma vez por todas dele. Ela passou pela porta e segundos depois ele também, observando o espaço impressionado com a simplicidade do local, havia uma mesa enorme, uma estante com alguns livros e um pequeno guarda roupas de madeira velha.
-Definitivamente esse lugar não é como eu esperava. –ele disse num tom mais algo do que esperava.
-Eu não acredito que veio até aqui –ela disse boquiaberta.
-Melhor acreditar. –Isabelle começava a ouvir seu pai pregando.
-Se meu pai entrar aqui, eu nem sei o que ele pode fazer.
-Espero que me exorcizar não seja uma das opções –ele zombou deixando a garota ofendida.
-Por favor, ele vai surtar se te encontrar aqui. –ela deu um passo pra trás quando ele se aproximou dando a volta na mesa no centro da sacristia.
-Não vou sair. –disse firme. A garota baixou a cabeça temendo o pior. –Olha, eu não vim aqui te meter em encrenca, só quero falar com você. –Por um momento ele baixou a bola e tentou ser amigável.
-Tudo bem, o que você quer? –ela encostou na mesa o encarando.
-Primeiro eu quero pedir desculpas por toda a minha idiotice, eu juro que não era o que eu pretendia.
-Ta desculpado –ela disse mais rápido do que ode pensar. –Agora saí por favor.
-Não, será que da pra você me escutar? –ele disse um pouco bravo.
-Eu adoraria, mas meu pai sabe quem você é e tudo o que você fez. Te encontrar aqui vai me colocar em uma tremenda encrenca.
-E toda aquela baboseira de ajudar o próximo e ir pro céu.
-Não é baboseira –ela retrucou ouvindo seu pai pedir uma pausa. –Você precisa sair.
-Isabelle ... –ele murmurou quase que implorando.
-Ai meu Deus! –ele disse pra si mesma ouvindo os passos de seu pai se aproximando. Ela se aproximou do guarda roupas no canto da sacristia e apontou pra dentro. Justin negou com a cabeça deixando a menina completamente nervosa. –Se você entrar eu fico e te escuto –ela sussurrou e ele pulou pra dentro do mesmo fechando a porta no instante em que seu pai surgiu ali.
-Minha querida o que faz aqui? –seu pai perguntou pegando o dos livros na instante.
-Me senti um pouco mal e vim aqui descansar um pouco –ela se sentiu mal mentindo para seu pai.
-Espero que fique melhor, tenho um final reservado especialmente pra você –ele sorriu beijando o topo da cabeça da garota e saiu.
O coração de Isabelle batia tão forte que ela podia jurar que havia algo de errado com ele, suas mãos suavam frio e sua garganta parecia estar seca. Mentir definitivamente não era uma de suas virtudes.
Ela foi até o guarda roupas de madeira velha e abriu a porta dando luz ao pequeno espaço de escuridão que Justin se encontrava, nada contente.
-Mais um pouco e ele nos flagra. –ele riu puxando uma das cadeiras da mesa e se sentando.
-Você acaba de me fazer pecar e ainda tem a audácia de fazer piada sobre isso? –ela disse brava o encarando.
-Pecar? Nós dois teríamos que estar fazendo algo mais alem de conversar pra isso ser considerado um pecado –a voz dele saiu tão provocativa e convidativa que o coração da menina palpitou deixando as suas bochechas vermelhas.
-Você ficou com vergonha –ele exclamou surpreso e com um sorriso no rosto. A expressão de vergonha cravada no rosto dela era engraçada e fofa ao mesmo tempo, ele nem entendia o porquê daquilo, ao ver dele não tinha dito nada demais. –Me desculpa, eu não queria causar esse efeito em você. Então, será que você pode me dar aquelas aulas que te pedi?
-Você vai me deixar em paz se eu disser não? –ela encarava seus pés enquanto esperava suas bochechas voltarem ao estado normal. Ele cantarolou um não e a garota se convenceu. –Tudo bem, eu te dou as aulas. –Ele levantou da cadeira com um sorriso vitorioso no rosto. –Todos os dias depois da aula, na biblioteca. –ele assentiu.
-Ótimo, te devo uma –ele saiu dali depois de dar uma de suas piscadas pra garota.
Ela permaneceu por ali por mais alguns instantes, acobertando sua mentira.
Justin voltou ao lado da sua mãe discretamente fingindo prestar atenção no que o pastor Jackson dizia.
-Onde estava? –ela perguntou preocupada.
-Tem uma conversa privada com um anjo. –Pattie não deu muita atenção e voltou a prestar atenção no que acontecia.
***
Na segunda feira depois da última aula Isabelle correu pelos corredores a procura de Justin, ela ainda teria que ir a seu armário pegar alguns materiais. A garota correu por três longos corredores sem se importar com os alunos que transitavam por ali indo embora. Finalmente no final do terceiro corredor, três portas antes da saída, estava ele. No meio de dos caras do time de futebol e as meninas –algumas vadias – lideres de torcida. Ele diminuiu o passo e surgiu atrás de Chris encarando Justin de frente. Ele congelou e engoliu em seco a vendo ali. Puta merda! Ele gritou na própria cabeça enquanto pensava em como se safar daquela.
-Oi Justin! –ela disse nervosa com os olhares estranhos dos amigos do garoto em cima dela. Justin olhou pro amigo ao lado –um dos jogadores –e mexeu a cabeça como perguntava conhece ela? O amigo negou. Ele a encarou de uma forma intensa e tão fria que a garota se sentiu ofendida e humilhada ali mesmo. Ela encarou os sapatos de boneca rosados e o encarou de volta. Ele não moveu um músculo da face, deixando a garota mais apavorada com a situação. O cochicho crescente entre as lideres de torcida foi a última gota no copo cheio de água da menina. Ela engoliu o choro que por um momento quis aparecer e saiu dali tão rápido quanto chegou.
Abriu seu armário jogando os livros ali dentro e continuou percorrendo os corredores até a porta de saída, abraçado a um caderno.
No meio do campus, quase na calçada na escola alguém a abordou ela se virou assustada –afinal ninguém falava com ela –seu coração disparo ao ver Justin ali na sua frente, mas não disparou por estar surpresa por vê-lo, mas por estar muito chateada com ele.
-Espera ,por favor! –ele pediu ofegante segurando o braço da garota.
-O que você quer? –ela perguntou brava se soltando das mãos dele.
-Você me prometeu uma aula.
-Verdade, e em troca eu recebi uma humilhação em público. Muito obrigada. –ela deu as costas dando dois passos na direção da rua e ele surgiu em sua frente mais uma vez.
-Não foi minha intenção, eu juro.
-Mentir é feio, mas jurar uma mentir dessas é quase um pecado –ela praguejou o encarando.
-Ontem quando nos encontramos você disse que seu pai enlouqueceria se soubesse que vai me dar aula, eu só não queria te prejudicar por isso te ignorei. –Justin disse tentando manter um tom de voz convincente. Pelo menos parte daquilo era verdade.
-Então você não tava tentando me esconder dos seus amigos? –ela perguntou hesitante. Ele sorriu a achando meio boba por perguntar aquilo.
-Não, eu não tava. Foi só um mal entendido, me desculpa. –ela a encarou tão calorosamente que a garota quase se derreteu ali em sua frente.
-Eu espero que você não esteja mentindo.
-Eu não to, pode acreditar. –ela assentiu ainda receosa e deus as costas seguindo de volta pra escola.
Justin acompanhou a garota até dentro da escola, eles andavam com um pouco mais de três passos de distancia e sem uma palavra ser pronunciada. Ele estava nervoso, sabia que o que tinha feito minutos atrás era errado, mas ainda sim faria pra deixar sua barra limpa com a galera. No final das contas ele não queria ser o centro das atenções por estar com a "puritana" e não seria bom se ela fosse vista com ele. Juntando dois com dois, não teria como o resultado dar errado.
Eles entraram na biblioteca onde outros dois alunos –nerds –conversavam em uma mesa. Isabelle escolheu uma mesa e eles se sentaram, ainda sem pronunciar uma palavra. Justin puxou o caderno de dentro da mochila e o jogou em cima da mesa esperando qualquer ação da garota. Ela puxou uma folha de dentro da mochila e o entregou.
-Sua grade de horários pra estudo extra. Hoje nós vamos começar dando uma olhada no que você tem dificuldade e no que você tem facilidade. –ele assentiu e ela abriu o caderno mostrando dezenas de palavras que ele nem mesmo se interessava em saber o que era. Ela falava e perguntava se ele estava entendo e ele assentia sem ao menos ouvir o que ela dizia. Quinze minutos depois Justin já estava cansado de ouvir, ou melhor fingir que ouvia ou entendia alguma coisa. Seu cérebro havia enlouquecido minutos atrás e seus olhos estavam fixos nos lábios rosados e puros da garota. Ela falava sem perceber o olhar dele em cima dela. Justin sentiu um arrepio subindo o espinhaço no instante que Isabelle mordeu os lábios parecendo ter dúvida sobre algo. Ele balando a cabeça espantando suas loucuras e encarou o livro com uma pergunta na ponta da língua.
-Por que te chamam de puritana? –A garota levantou o rosto o encarando, era a primeira coisa que ele falava desde que havia chegado ali.
-Meu pai é pastor da igreja, como ele é meio lunático com a religião, os outros acham que eu sou também. –ele respirou fundo se acomodando na cadeira.
-Então não tem um motivo concreto?
-Não. –ela voltou a observar o livro, pronta pra continuar.
-Você não se importa?
-De ser chamada de puritana? Não, pelo menos não mais.
-As líderes de torcida implicam bastante com você –ele disse com o sorriso meio envergonhado no rosto.
-Já que elas não têm uma vida longe dos pompons e saltos acrobáticos elas gostam de cuidar da minha. –ela riu vendo a expressão do garoto. Por um momento largou os livros e o encarou. –Por que você esta aqui?
-Vim ter aula de reforço –ele disse como se fosse óbvio.
-Não aqui na biblioteca, mas aqui em Straford. Você não parecia estar muito a fim de voltar pra casa naquelas capas de revista.
Ele respirou tão fundo que parecia querer roubar todo o ar do lugar e explodir ali mesmo, esse não era bem seu assunto favorito.
-Meses antes de vir pra cá eu me meti em umas confusões bem feias, algumas pessoas achavam que eu estava fora do controle ...
-Você estava?
-Não sei, eu tava bem, eu acho, só tava curtindo. –ele fez uma pausa olhando pros livros em cima de uma mesa atrás da garota. –Depois de me meter em tanta confusão eu acabei sendo detido. Não foi nada legal ai todo mundo a minha volta surtou, eles não queriam me ver posando de badboy ou coisa do tipo. Minha mãe me chamou pra conversar logo quando fui liberado, a agência queria me demitir e me processar.
-Processar por?
-Segundo eles eu estava denegrindo a imagem da agência, eles não queriam um modelo encrenca. Pra não ser processado eu teria que passar por uma recuperação, voltar pra casa e começar de novo.
-Eles queriam te fazer um bom menino de novo?
-Exatamente.
-Ta funcionando?
-Você responde eu to sendo um bom menino? –ele riu esperando pela resposta da garota, que respondeu rindo.
-Acho que vai ter que trabalhar um pouco mais no seu lado bom menino. –ele ficou sério por um instante a fitando. –O que foi?
-Você é a primeira pessoa pra quem conto isso, nem meus amigos sabem o real motivo que eu to aqui. –ela o encarou de volta com um sorriso envergonhado.
-Por que eu?
-Você parece confiável. –ele disse puxando o livro de química que ela folheava antes.
Eles voltaram a estudar e dessa vez Justin tentava prestar atenção no que ela dizia o que era bem difícil, já que hora ou outra ele se pegava fissurado naqueles lábios rosados ele se sentia uma criança cobiçando o doce. Meia hora depois Justin havia desistido de prestar atenção e começava a fazer piadas sem graça, tirando a concentração de Isabelle.
-Sabe qual é o ácido mais engraçado de todos? –ela negou esperando a resposta –O ácido crômico.
Ele caiu na gargalhada fazendo um barulho estrondoso pela biblioteca. Isabelle riu, não por que achou graça, mas por que a piada era ridícula.
-Como você pode saber tantas piadas idiotas e ser tão ruim na matéria. –ele fingiu que não escutou e soltou outra piada.
-O que disseram pro Carbono quando ele foi preso?
-Pela milésima vez eu não sei –ela se debruçou na mesa cansada.
-Você tem direito a quatro ligações.
Dessa vez ela não se conteve e gargalhou tão alto quando Justin. Um coro de "shiu" foi lançado pela bibliotecário e os dois nerds que ainda estavam por ali.
A menina olhou o relógio no pulso e se assustou vendo o horário. Já passava das quatro horas da tarde.
-Meu Deus! –ela exclamou colando o livro dentro da bolsa. –Tenho que ir antes que mandem alguém atrás de mim. –ela levantou sorrindo.
-Eu posso te levar em casa –ele disse a acompanhando na saída.
-Não precisa.
-Mesmo assim, eu me lembro de ter dito que seria seu motorista particular. Não quero descumprir minha promessa. –ela assentiu e o acompanhou até o estacionamento.
O caminho da escola até a sua casa parecia um pouco mais demorado que o normal, talvez fosse pelo silêncio incomodo entre os dois, ou dos olhares que só agora ela havia percebido de Justin em cima dela.
-Pode parar aqui –ela disse apesar de ainda faltar cinco casas até a sua. –A essa hora minha mãe esta conversando com as vizinhas.
-E você não quer que ela nos veja. –ela disse num tom meio ofendido, não que ele realmente estivesse.
-Exatamente. –ela puxou o cinto pronta pra sair do carro. –Obrigada pela carona.
-Espera –ele segurou o braço da menina. –Tenho uma confissão a fazer.
-O que?
-Na noite que eu te trouxe até em casa...eu tava louco pra te beijar de um jeito que eu nunca fiquei por mulher nenhuma nesse mundo. –as bochechas de Isabelle se tornaram dois tomates de vergonha, já o coração de Justin batia no ritmo de uma escola de samba.
Ela se recuperou e abriu a porta.
-Me conhecer já não parece ter sido uma boa idéia pra você, o que aconteceria se tivesse me beijado? –ela saiu do carro sem dar chance dele responder.
-Eu ainda quero te beijar. –ele sussurrou pra si mesmo enquanto acelerava saindo dali.
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