Capítulo oito
Não seja uma garota má
O sinal do último horário tocou e Isabelle e Justin finalmente puderam se encontrar na biblioteca. Como sempre haviam poucas pessoas por ali, eles procuraram uma mesa no final da sala e se sentaram enquanto Isabelle falava da nova matéria que eles deveriam começar a estudar.
-Sabe o que eu acho mais fascinante do que física quântica? –ela parou de falar por um segundo e o encarou enquanto ele se aproximava.
-O que? –ela perguntou um pouco envergonhada pelo fato dele estar tão próximo dela.
-Você –ele puxou o corpo da menina beijando seus lábios. Eles ficaram trocando caricias e palavras apaixonadas por quase meia hora. A menina já havia se esquecido dos estudos e ele bem, nem fazia questão disso mesmo.
Um grupo com três nerds se aproximaram da mesa tentando não encarar o casal. Justin já havia os alertado que se eles contassem algo pra qualquer pessoa na escola ele os penduraria de cueca no mastro da escola.
-Desculpem o incômodo, mas o lanche de vocês chegou –um deles falou dando um sorriso amedrontado para Justin. O outro entregou um pacote enorme com o logotipo do Starbucks.
-Obrigada –ele sorriu e pegou o pacote da mão de um dos meninos que parecia tremer de medo.
Assim que o pacote parou em cima da mesa os nerds evaporaram tão rapidamente que Isabelle não conteve o riso.
-O que você disse pra eles começarem a agir assim? –ela perguntou curiosa abrindo a sacola e vendo o que tinha dentro.
-Nada demais, nós somos amigos agora –ele respondeu rindo internamente.
-Starbucks sério? –ela disse tirando um copo de frappuccino que tinha seu nome e uma embalagem com algo parecendo um sanduíche.
-Não gosta? –ela perguntou pegando o seu lanche dentro do pacote.
-Eu nunca experimentei nada de lá, não é como se eu pudesse julgar.
-Tem um Starbucks na sua esquina e você nunca comeu em um?
-Segundo a minha mãe, comida industrializada pode me dar câncer e ela não quer que eu morra antes dela. –ele riu vendo a cara de tédio de Isabelle, a menina nem imaginava o quanto ficava fofa.
-Não consigo acreditar nisso, seus pais te privam de tudo.
-De tudo que eles acham que possa me fazer mal.
-Eles acham que qualquer coisa pode te fazer mal Belle. –ela o encarou com um sorriso de canto. Ela abocanhava seu sanduiche sem perceber o olhar dela sobre ele.
-Do que você me chamou? –ele a encarou tentando engolir a comida em sua música.
-Belle? –ele riu ficando envergonhado por alguns instantes –não me olha assim, eu não percebi. –ela pegou um guardanapo no pacote e limpou o canto da boca dele sujo com um pouco de molho.
-Pode me chamar assim quanto quiser, eu gosto.
Era quase impossível pra ele ficar tão perto da boca dela e não tentar beija-la, a melhor parte é que não havia resistência e sim uma entrega. A cada vez que seus lábios de tocavam ele sentia o coração dela batendo em suas mãos.
***
Justin estava ao volante ouvindo o rádio enquanto ia em direção a casa dos Beadles, ele havia deixado Isabelle em casa e havia tomado uma importante decisão. Estacionou o carro no gramado da casa e caminhou até a porta de entrada tentando ensaiar as palavras na cabeça. Ele bateu e Caitlin abriu com um sorriso no rosto.
-O Chris não ta aqui. –disse antes de qualquer coisa.
-Eu sei, ele ta no treino de basquete a essa hora. –ele respondeu tomando coragem. –Eu preciso falar com você, é muito importante. –Ela o encarou de cima abaixo estranhando, mas abriu a porta deixando que ele entrasse.
Ela o guiou até a sala de estar onde se sentaram.
-Então o que tão de importante quer falar comigo? –ela o encarava dividida entre a curiosidade e o medo do que ele poderia vir a falar.
-Eu nem sei por onde começar, mas eu quero que saiba que só to falando isso pra você, por que eu realmente confio em você.
-Ai meu deus, não vai me dizer que engravidou alguém –ela se mexeu no sofá como se fosse cair.
-Não, não –ele disse rápido a encarando. –Eu me apaixonei por uma garota, e acho que os meus amigos podem não aceitar isso.
-Me diga que essa garota não é a piranha da Pri. –ele a encarou indignado por um momento se esquecendo do assunto da conversa.
-Porra! Todo mundo sabia que a garota era uma vadia e ainda sim me deixaram ficar com ela?
-Não tenho nada a ver com isso Justin –ela cantarolou já mudando o assunto –continue –ela gesticulou.
-Então sobre a garota...eu .. eu
-Fala logo –ela fez uma cara o encarando.
-Eu to apaixonada pela Isabelle. A garota que vocês chamam de puritana.
-Você o que? –ela caiu na gargalhada batendo no travesseiro em cima do sofá. –Essa foi boa, quase me pegou. –ela continuava gargalhar enquanto ele ficava constrangidamente sério. –Onde estão as câmeras Bieber? Meninos já poder sair de trás das cortinas –ela recuperou o fôlego tentando para de rir.
-Eu não to brincando Caitlin, eu realmente to apaixonado pela Isabelle, ela é completamente diferente do que vocês pensam, ela é uma garota maravilhosa.
-Ai meu deus você ta falando sério –ela desmontou a cara de deboche e começou a encara-lo intensamente –Você fala dela com a mesma intensidade que você dizia que gostava de mim, você ta apaixonado mesmo. –ela se encostou no sofá tentando assimilar as informações. –Como isso aconteceu?
-Eu não sei se consigo te explicar, mas eu não me apaixonei pela garota que vocês chamam de puritana eu me apaixonei por uma menina linda que eu vi no supermercado antes das aulas começarem.
-Por isso ficou encarando ela nos primeiros dias, eu achei estranho, mas nunca me passou pela cabeça que fosse isso.
-Nem eu, quando eu fiquei sabendo da fama dela na escola eu nem pensei muito e deixei pra lá, depois disso e outras coisas eu acabei a conhecendo melhor e nãoo deu mais pra segurar.
-Presumo que os meninos não saibam, certo?
-Eu não sei como contar, eles não são dos tipos sociáveis nesse contexto.
-Mas você me contou.
-Você é diferente, você entende. –Caitlin saiu de seu lugar no sofá do outro lado da sala e se sentou ao lado dele segurando sua mão.
-O que precisar pode contar comigo, você ta se metendo em uma grande encrenca.
-Enquanto eu achar que vale a pena nada vai me fazer desistir dela.
-Espero que sim. –ela deu um sorriso encorajador e ele retribuiu sussurrando um "obrigada".
***
Pouco mais das oito da manhã e Isabelle já estava se penitenciando por ter mentido pros seus pais. Ela estava no hall de entrada da escola vendo os outros alunos da sua classe indo em direção ao ônibus que os levaria para o passeio que Isabelle havia dito para seus pais que iria, mas na verdade passaria aquelas poucas horas com Justin. Ele estava cerca de quinze minutos atrasado, ela já estava apreensiva imaginando de ele iria ou não aparecer.
-Bom dia flor do dia –ele surgiu ao lado dela com um sorriso no rosto.
-Bom dia senhor atrasado.
-Me desculpa senhora hora certa, mas eu tive que deixar minha mãe no trabalho.
-Desculpas aceitas. –ele agarrou a menina a beijando ali mesmo, enquanto os dois riam.
Justin não tinha um plano certo de encontro com Isabelle ele só queria sair e passar um tempo com ela sem ter medo de encontrar seus amigos ou pais dela na rua. Ele dirigiu até a cidade vizinha e passeou pela cidade de mãos dadas com ela, almoçaram, foram ao cinema e por fim param em uma praça que mais parecia uma fotografia guardada no baú de tão velha e acolhedora.
-Por que eu? –a garota surgiu com a pergunta quebrando o silêncio.
-Por que você o que? –ele perguntou sem entender o que ela queria dizer.
-Por que me escolheu? –ele respirou findo procurando uma explicação. –Digo, tem dezenas de garotas lindas naquela escola, elas usam roupas bonitas dão festas em casa, por que escolheu a mais antiquada delas?
-Antiquado é você usar a palavra antiquada –ele tentou fazer graça mas ela não deu muita importância. –Eu gosto de você, você é diferente das outras.
-Diferente bom ou ruim?
-Diferente bom, você é especial.
-Não, eu não sou. –ela encarou o chão por alguns segundos.
Ele se aproximou dela passando o braço pelo seu pescoço.
-Claro que é, o brilho que você tem nos olhos, ninguém mais tem –eles se encaram por um segundo, ele queria beija-lá, ela queria que ele a beijasse, mas havia algo.
-Que horas são? –ela perguntou quebrando o contado visual.
-Pouco mais das...puta que pariu –ele levantou puxando ela com ele –Não me mata, mas já são mais das cinco.
-A única coisa que vai ser morta aqui sou, meus pais vão me matar Justin –ela choramingou enquanto entrava no carro.
O rapaz tentou fazer o percurso mais rápido possível e menos de meia hora já havia deixado a menina na esquina de casa.
Ela correu pra porta de casa e entrou dando de cara com seus pais sentados no sofá da sala com uma cara nada boa.
-Isso é hora Isabelle? –seu pai disse se levantando e encarando a menina.
-Me desculpe, eu me distrai um pouco na biblioteca da escola.
-Não quero saber Isabelle, você sabe que tem que avisar sempre que for demorar.
-Mas papai...
-Não –ele gritou deixando a menina tanto assustada quanto brava. –Eu não quero saber.
-Eu tenho o direito de explicar –tentou.
-Não quero ouvir. –ele continuou com o tom alto.
-Até por que você só ouve o que quer –ela disse na mesma altura que ele se assustando com o tom da própria vez.
-Isabelle! –ele deu um passo para trás espantado com a reação da menina, ela nunca o havia respondido ou levantado a voz.
-Vou pro meu quarto. –ela disse dando as costas e indo em direção a escada.
-Essa conversa não acabou, não seja uma menina má. –ele disse a repreendendo.
-Essa conversa nem deveria ter começado –ela disse passando pelos últimos degraus da escada.
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