Capítulo Dezessete
-U may not see her anymore
Justin entrou em casa já encontrando sua mãe sentada na sala com um ar de "hoje eu te bato garoto". Ele queria fazer graça ou alguma piada infame, mas quando se aproximou o suficiente da mulher se assustou com sua expressão extremamente séria.
-Cheguei –anunciou sentando no sofá a frente da mulher.
-Pode começar a falar.
-Falar o que?
-Não se finja de idiota Justin Drew Bieber –ela disse num tom autoritário deixando o rapaz desconfortável no sofá.
-Ok, eu sei que parece loucura o que você viu, mas eu posso explicar.
-Eu realmente espero que você possa me explicar, por que eu não encontro uma explicação plausível pra você ter levado a filha do pastor, que é uma criança pra cama.
-A Isabelle não é uma criança mãe –ele protestou evitando o olhar crucial da mulher.
-Ela só tem 15 anos e você é um homem feito –ela respirou fundo tentando não perder o controle –Você sabe que pode até ser preso né?
-Não viaja mãe –ele riu nervoso –Eu não abusei dela ou coisa do tipo, nós estamos juntos por que estamos apaixonados. –ele tentou explicar encarando a mulher.
-Os pais dela sabem? –ele negou encarando o chão – Mas que droga Justin, eu pensei que você tivesse mudado –ela explodiu levantando a voz.
-E eu mudei –ele retrucou –Eu to apaixonado e eu só quero o bem dela.
-O Pastor Jackson vai enlouquecer –ela abaixou o tom de voz encarando as mãos –Nós estamos acabados...eu não consigo imaginar o que ele vai tentar fazer com vocês dois.
-Não a nada que ele possa fazer, nem mesmo nos separar. –ele disse ficando bravo e levantando do sofá.
-Ele pode fazer o que quiser, ele é pai dela. Ela é uma menina e se tiver um pingo de decência vai obedecer o que ele disser.
-As coisas não são bem assim –ele resmungou.
-As coisas são exatamente assim, eu quero que você fique longe dessa menina. –o rapaz ia protestar quando a mulher levantou a mão pedindo silencio. –Não é um pedido, é uma ordem.
-Eu não sou criança pra você decidir com quem eu posso ou não andar.
-Ainda que você tivesse trinta anos Justin, você é meu filho e mora sobre o meu teto. –sua voz saiu mais autoritária que o normal causando um assombro no rapaz. Ele nem se lembra a última vez que havia visto sua mãe tão brava daquele jeito.
-Então eu saio –ele murmurou encarando a mulher que ficou sem ação.
Justin saiu de casa batendo a porta e entrou em seu carro dirigindo sem rumo.
***
Uma nuvem cinza pairava sobre a cabeça de Isabelle, a televisão estava desligada, seu irmão mais novo já estava em seu quarto e seus pais andavam de um lado pro outro na sala em silêncio. Mais de quinze minutos naquela situação desconfortável. Não era novidade nenhuma que a menina morria de medo do pai, mas naquele instante o vendo tão calado e sério o medo parecia aumentar.
-Quantas vezes você já mentiu? –seu pai falou chamando o atenção da menina.
-O que? –ela perguntou sem entender o que ele queria.
-Você saiu hoje mais cedo dizendo que iria a casa de uma amiga, mas na verdade estava com aquele ... –ele respirou fundo tentando não se exaltar –aquele rapaz. Quantas vezes você já mentiu?
-Essa foi a primeira –ela disse no impulso já pensando em limpar sua barra.
-Mentira –seu pai gritou –Não minta pra mim menina, você sabe que eu não tolero mentiras. –ele deu a volta no sofá ficando na frente da menina.
-Eu posso explicar tudo papai –ela disse já assustada com a situação.
-Não quero explicações, quero respostas. –disse frio –A quanto tempo vocês se encontram?
-A pouco mais de um mês –ela nem se deu ao trabalho de encara-lo.
-A mãe dele sabe disso?
-Não, pelo menos não até hoje quando ela nos encontrou... –naquele momento ela desejou ter mordido a própria língua.
-Os encontrou...?
-Não foi nada de mais papai –ela respondeu.
O silêncio permaneceu por alguns instantes, a tensão na sala fazia os pelos dos braços de Isabelle se arrepiarem. Ela sabia que seu pai estava se controlando e aquilo a amedrontava mais ainda. Ela ainda não se esquecera das poucas vezes que o via estourar. Era terrível.
-Alguma vez ele já te tocou? –falou pegando todos na sala de surpresa.
-Não, de jeito nenhum –respondeu rápido. –Justin não é má pessoa ele gosta de mim.
Pastor Jackson riu admirando tamanha inocência da garota.
-Foi isso que ele te disse?
-É isso que ele demonstra e se o senhor em deixar explicar eu tenho certeza que vai entender. –Ele deu um passo a frente apontando o dedo no rosto da menina.
-A única pessoa que vai entender alguma coisa aqui é você –disse num tom sinistro –Só Deus sabe o quanto eu sacrifiquei pra que nada de ruim acontecesse a minha família, que nada de ruim acontecesse aos meus filhos e esposa. E foi só um cretino aparecer e tentar bagunçar com meus planos. –ele segurou a menina pelos ombros a levantando.-Eu não criei uma meretriz.
-Papai! –exclamou ofendida. –Sera que não consegue entender eu o am ... –a mão do homem se levantou tão rapidamente que ela mal conseguiu terminar a frase.
-Não ouse terminar essa frase –ele gritou pronto pra esbofetear a menina quando Amelia surgiu segurando o braço dele.
-Nem pense nisso –ela o encarou e puxou a menina pra trás dela.
-Saia da minha frente Amelia.
-Não vou deixar você encostar na minha filha.
-Essa menina vai manchar o nome da minha família. Eu não permito isso –ele gritava enraivecido. O corpo da menina tremia tanto que ela nem sabia o que pensar, antes que percebesse já estava chorando. –Ela nunca mais vê aquele cretino, e que Deus me perdoe se eu o ver em algum lugar sou capaz de cometer um crime.
-Se acalme –a mulher disse tentando apartar a situação.
-Como eu posso me acalmar depois de descobrir que a minha santa filha se entregou a perdição? –ele falava exaltado enquanto a menina se debulhava em lágrimas. –Eu já sei o que vou fazer com você –ele disse apontando pra menina. –Você vai entrar no sótão e vai rezar até que Deus perdoe todos os seus pecados, por que eu não sei se conseguirei.
O homem puxou a menina pelo braço e subiu as escadas indo em direção ao sótão. A menina tentava argumentar, mas ele não a escutava gritava e a chamava por nomes terríveis. Quando foi atirada dentro do quarto escuro e com cheiro de mofo foi que percebeu o que realmente estava acontecendo. Ele estava a prendendo.
A menina correu até a porta e gritou pedindo pra que ele abrisse, ela implorou até que não tivesse mais voz. As horas passaram e ela chorou até pegar no sono.
(...)
As horas passaram e Isabelle acordou, levantou do chão e procurou pelo interruptor. Ligou a luz e observou o lugar, ela não entrava ali desde que tinha cinco anos e havia ficado de castigo por comer antes da oração na ceia de natal. Mais um dos caprichos ridículos de seu pai. O lugar parecia mais sinistro que o normal, dezenas de quadros com imagens angelicais e de santos, cruzes gigantescas e estatuas de Cristo sendo crucificado. Além do manto vermelho que cobria uma mesa cheia de cálices dourados. Tudo naquele pequeno cubículo parecia adereços de filme de terror.
A garota se sentou em um sofá velho e tentou manter a calma, quando uma onde de gritos surgiu. Eram seus pais, eles discutiam feio, por culpa dela.
***
Justin estava dentro do carro acompanhado por Caitlin, ele havia contado tudo que estava acontecendo e tinha pedido a amiga que falasse com Isabelle, já que provavelmente não conseguiria.
-Sabe se os pais dela estão em casa? –ela perguntou soltando o cinto.
-Não faço ideia, mas sei que eles vão te receber. Não esquece de falar que vamos nos encontrar na sacristia amanhã de manhã.
-Ta Justin, eu não vou esquecer. Você já repetiu isso umas quinhentas vezes. –ela disse entediada saltando do carro e indo em direção a porta.
Assim que pisou no gramado ela começou a ouvir os gritos, sabia que a coisa tava feia lá dentro, mas tinha que falar com Isabelle, Justin estava muito preocupado. Tocou a campainha e os gritos cessaram no mesmo instante. Amélia, mãe de Belle surgiu na porta com um sorriso convidativo –de aparências – e encarou Caitlin dos pés a cabeça.
-Olá, eu vim ver a Belle. –a mulher olhou pra dentro da porta e depois fechou se aproximando da garota.
-Você não veio ver a minha Isabelle, veio trazer algum recado daquele rapaz maldito. –Caitlin engoliu em seco pensando em uma resposta.
-Que isso senhora, claro que não. –tentou se explicar.
-Não foi muito difícil juntar as peças, não acredito que criei uma cobra dentro do meu teto.
-Também não precisa ofender.
-Eu vou ofender sim –a mulher disse brava. –A praga dos setes mares ta caindo sobre o meu teto e parte disso é culpa sua.
-O que quer dizer?
-Quero dizer que o melhor que pode fazer agora é dar meia volta, entrar naquele carro e pedir ao seu amigo que esqueça da minha família, e nunca mais volte a procura lá.
-Sim senhora. –Caitlin deu meia volta e correu em direção ao carro de Justin. Ele a encarou esperando uma resposta, mas ela não sabia exatamente o que dizer.
-Falou com a Belle? –perguntou apreensivo.
-Não, e acho que não vou falar tão cedo.
-O que?
-Desculpa Justin, mas você vai passar um bom tempo sem ve-la.
O momento congelou e Justin ficou perplexo encarando a porta da casa, ele ia saltar do carro e derrubar aquela porta. Pegar a menina em seus braços e fugir da ali.
Ele ia...mas o bom senso falou mais alto.
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