Capítulo Cinco
Catch Me
-Por que demorou tanto minha filha –a mãe de Isabelle disse –gritou- no instante em que a menina colocou os pés no gramado de casa.
-Fiquei até mais tarde estudando na biblioteca –disse indo na direção da porta.
-Avise da próxima vez, não gosto de ficar preocupada sobre onde a minha menina esta.
-Tudo bem mamãe –ela passou pela porta e subiu correndo pro seu quarto.
As palavras de Justin ainda soavam sem sua cabeça. Por que diabos ele iria querer me beijar? Ela pensou encarando o espelho a sua frente e vendo nada mais que uma garota sem graça, em roupas sem graça. Bem diferente de como Justin a enxergava.
Antes que aprofundasse aqueles pensamentos bobos ela decidiu tomar um longo banho. A água quente banhava seu corpo enquanto ela se lembrava das poucas horas que havia passado com Justin. Ele não deixava de ser um idiota a sua percepção, mas tinha ganhado uns pontinhos a mais. Ele era bem diferente longe dos amigos, era como se ele fosse mais verdadeiro.
Fechou o registro do banheiro e voltou pro seu quarto. Colocou uma roupa qualquer e se jogou na cama puxando um exemplar de os diários de um vampiro de dentro da escrivaninha ao lado da cama. A leitura foi tão profunda que ela nem percebeu o tempo passar. Logo seu irmão bateu na porta avisando que o jantar já estava pronto.
Isabelle desceu as escadas vagarosamente, não estava muito alegre em se sentar a mesa com a família reunida e ouvir o longo discurso de seu pai sobre o quão deveria agradecer pela comida que estava a sua mesa.
Ela foi à última a se sentar, ao lado de seu pai como de costume ela pediu a benção e encarou seu prato cheio de comida. Pastor Jackson proferiu as mesmas palavras que proferia todas as noites antes do jantar e logo eles começaram a comer.
Estava tudo calmo até seu pai começar a falar sobre a os frequentadores da igreja.
-Senhora Nora não foi ao conselho da igreja hoje, acho que ela esta com medo de represa-lha. –ele se pronunciou a sua mãe.
-Pelo que?
-Todos sabem que seus filhos foram assassinados, pois estavam envolvidos com drogas.
-Isso não foi provado –sua mãe argumentou.
-Ah por favor Amélia, sabemos muito bem que foi por isso. Quantas vezes vimos aqueles delinquentes fumando aquela coisa do demônio nas esquinas do bairro.
-Isso é verdade. –a mãe de Isabelle tinha uma qualidade fora do comum, ela era extremamente calma, mesmo quando estava brava, ela não se abalava com quase nada.
-Viu a senhora Mallette ontem? Depois de anos aquela foi à primeira vez que ela levou o filho a minha igreja. –Isabelle tomou um gole de seu suco sem dar muito importância ao que conversavam –Aquele projeto de delinquente, fez uma bagunça no mundo dos famosos e agora resolveu voltar pra nossa cidade -Por um instante Isabelle engasgou com o suco e recebeu os olhares assustados de seus pais.
-Eu to bem –ela disse largando o copo de suco.
-Aquele garoto é a prova viva do que o livro arbítrio é pros jovens. Acaba com eles –Pastor Jackson desencadeou um milhão de reclamações quanto ao garoto. –Nada de bom vem daquele mundo, o dinheiro os deixa loucos, é como se aquele La debaixo sugasse a inocência deles. –as vezes Isabelle se perguntava de onde seu pai tirava essas loucuras. –Um mal caráter, é isso que ele é, uma péssima companhia. Qual é o nome dele mesmo?
-Justin –a menina respondeu sem perceber que já estava falando –O nome dele é Justin e ele não é tão ruim assim.
Seu pai a encarou com dureza.
-Como sabe se ele não é ma pessoa? Por acaso já falou com ele? –ele disse num tom feroz fazendo a menina se encolher na cadeira.
-Não papai, eu ouvi nos corredores da escola, ele estuda lá também.
-Quem deixou um delinquente estudar na mesma escola que a minha santa filha? –ele bateu na mesa assustando sua mãe.
-Jackson, por favor, estamos à mesa. –sua mãe, Amélia, o repreendeu.
-Me desculpem, só não quero que minha filha seja guiada para um caminho diferente do que ela deva seguir. –ele se explicou dando um olhar terno a menina.
-Tudo bem papai. –ela forçou um sorriso voltando a encarar seu prato.
Depois do episódio do jantar, Isabelle voltou ao seu quarto e pegou seu livro. Lendo até pegar no sono.
***
Deitado em sua cama olhando pro teto, Justin estava nessa posição há horas. Mal conseguira dormir, sua cabeça criava mil e uma oportunidades para beijar a garota e logo depois seus pensamentos toscos imaginavam as consequências. Ele já havia entendido que essa coisa de puritana não tinha nada a ver com Isabelle, mas será que seus amigos entenderiam? Ele fazia essa mesma pergunta a horas.
Ele se virou encarando o relógio do lado da cama, ainda estava cedo, mas sua ansiedade em vê-la era maior. Ele pulou da cama indo direto pro banheiro, tomou um banho longo e quente. Se vestiu e foi até a conzinha encontrando sua mãe com uma copo de café na numa mão e o tablet na outra.
-Justin? –ela abaixou ambos na mesa e encarou o garoto. –Já ta de pé? Você ta bem meu filho? –ele deu a volta na mesa e deu um beijo molhado na bochecha da mulher.
-Nunca estive melhor mãe.-ele cantarolou se sentando a mesa e pegando um pedaço de bolo.
-É tão bom te ver assim –ela sorriu alegre ao receber um sorriso dele. –Por favor me diz quem foi o santo que te deixou assim que eu vou rezar mandar rezar uma missa pra ele –Justin gargalhou.
-Que isso mãe, falando assim até parece que eu vivo triste e cortando os pulsos.
-Eu diria que é quase isso –eles riram em uníssono.
Pattie nem se lembrava a ultima vez que o ouvirá gargalhar desse jeito, pelo menos não com aquela verdade e alegria estampada em seu rosto.
-O que pretende fazer depois da escola? –ela perguntou enquanto ele dava um gole no seu cappuccino.
-Acho que vou à casa do Ryan, a gente tem umas coisas pra resolver. –ela fez uma careta como quem dizia "eu to de olho hein"
-Juízo em menino –ela o advertiu enquanto levantava pra colocara xícara de café na pia.
-Mãe eu não sou mais um menino –ele reclamou levando sua xícara pra pia também.
-Eu sei, mas pra mim você sempre será o menino da mamãe. –ele riu a abraçando e depositando um beijo em sua testa.
-Tenho que ir. –disse a soltando e seguindo na direção do corredor. Pegou sua mochila no carro e voltou dando tchau a sua mãe.
-Não ta cedo? –ela perguntou enquanto tirava a mesa do café da manhã.
-Nunca é cedo pra um pouco de conhecimento –ele passou pela porta ouvindo a risada de Pattie. Pegou o carro na garagem e partiu ansioso pra escola. Ele pensará em passar na casa de Isabelle, mas aquilo deveria estar totalmente fora de seu alcance, a família dela não gostaria dele a pegando em casa e seus amigos não ficariam muito feliz em vê-lo chegar à escola com a"puritana". Justin mantinha uma linha de pensamento entre o que ele queria e o que aconteceria de ele conseguisse. Sem dúvidas a sua maior fraqueza era o medo do que as pessoas pensariam dele, ter cuidado em cada passo que dar.
Sua linha de raciocínio foi atrapalhada assim que estacionou o carro na frente da escola. Enquanto ele percorria o espaço do gramada a porta de entrada percebeu que mesmo faltando quase meia hora pra primeira aula do dia já havia bastante alunos por ali. Ele entrou em um dos corredores, na verdade no mesmo em que havia encontrado Isabelle uma vez, no corredor do seu armário. Ele seguiu calmo por ali sendo cumprimentado por quase todos os que passavam por ali.
Bem no fim do corredor ele enxergou um pontinho verde caminhando lentamente com os braços abraçando o livro ao peito. Ele estava linda, com suas roupas conservadoras na cor verde limão. Blusa, suéter aberto, saia um palmo abaixo o joelho e seus sapatos de boneca. Ele deu dois passos rápidos no intuito de encontra-la logo, mas Pri –a líder de torcida com quem ele mantinha uma amizade colorida – surgiu o agarrando. O beijo da garota era bom ele não podia negar, mas não deixava de ser como o das outras cem que ele já havia beijado.
-Ai esta o meu modelo –sua voz nasal soou irritando os ouvidos do Justin –o que faz aqui tão cedo?
-Nada demais e você, por que tão cedo?
-Reunião com as lideres de torcida –ela o puxou pra uma parede no intuito de começar uma conversa. –Nós estamos criando uma nova série incrível.
Justin havia passado os trinta minutos que antecediam a primeira aula fingindo prestar atenção no que a menina dizia quando na verdade observava Isabelle de longe, ele simplesmente não conseguia tirar os olhos dela e quando finalmente deu um pouco de atenção a Pri, Isabelle sumiu o deixando meio desesperado.
O sinal finalmente tocou.
Justin correu na direção de sua sala rezando pra que ela ainda não tivesse entrado, mas ela já estava lá dentro assim como a maioria dos alunos. Infelizmente o lugar ao lado dela já estava ocupado então ele se sentou em uma das cadeiras da frente, esperando o momento certo. E logo ele surgiu.
O professor de literatura pediu que todos o acompanhassem com o livro e Isabelle se manifestou dizendo que havia esquecido o seu no armário, o professor a deu licença e ela saiu. Justin pensou rápido e levantou o braço antes que o professor começasse a leitura.
-O que senhor Bieber?
-Posso ir ao banheiro?
-Claro, mas não demore.
Justin voou da cadeira correndo metade do corredor até encontrar Isabelle poucos passos de seu armário. Ele a puxou pelo braço e abriu a porta da sala do zelador a puxando pra dentro. O coração de Isabelle quase saiu ela boca com o susto, ela o encarava sem entender o que estava acontecendo.
-Qual é o seu problema! –ela esbravejou mais assustada do que brava.
-Você é o meu problema –ele sussurrou antes de encostar os lábios no dela.
Suas mãos seguraram o rosto delicado da menina enquanto ela se deixava levar pelo beijo mas não movia um membro sequer.
Não existia nada além deles dois naquele cubículo , nada além dos pés de Isabelle andando por cima das nuvens ou as mãos suadas de Justin ou até mesmo as borboletas que voavam em ambos os estômagos. Os lábios dela eram tão doces e leves que nem se pudesse ele conseguiria imaginar parecido. Ela não sabia o que fazer só conseguia sentir que seus joelhos fraquejariam a qualquer instante e ela cairia como uma fruta madura. No entanto, antes de qualquer coisa ela queria estar ali, o beijando mesmo sem saber se fazia certo ou estava fazendo bem.
Quando seus lábios se soltaram as paredes pareciam ter vibrado, como se o beijo quebrado tivesse arrebentado as barreiras do cosmo ou seja lá o que.
Isabelle permanecia de olhos fechados enquanto Justin a encarava com um sorriso envergonhado no rosto, a última vez que aquele sorriso havia aparecido nos seus lábios fora no seu primeiro beijo, e nem de longe havia sido tão...tão mágico como esse.
-O problema é que não consigo tirar você da cabeça. –ele disse quando a viu abri os olhos vagarosamente, como quem acordava de um sono profundo.
-Você não deveria ter feito isso –ela disse tão baixo e tão arrastado que o beijo parecia ter a arrancado um pedaço ou a ferido.
Antes que ele pudesse dizer uma palavra a porta havia se fechado e ela fugido pelos corredores o deixando ali confuso, sem saber o que fazer ou o que havia feito de errado. Ele queria sair dali e correr atrás dela, mas não achava ser uma boa ideia.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro