☁┊vinte e um
Chan ajudou Minho a se levantar. — Vamos entrar, ok? Você pode fazer isso por mim, Min? — Chan olhou para Minho com uma expressão calma e um sorriso reconfortante.
Minho apenas acenou com a cabeça e deixou Chan ajudá-lo a entrar. Era difícil para ele ficar estável enquanto andava, tropeçando nos pés ou nas pernas, simplesmente querendo desistir de como estavam trêmulas.
Assim que conseguiram entrar na casa, Chan arrastou Minho para a sala, pois era o local mais próximo para o colocar. Jisung correu logo atrás deles, seguindo-os até o sofá onde Chan colocou Minho.
Jisung deu um passo para trás, mantendo uma boa distância deles para que Chan pudesse fazer o que ele precisava fazer.
— Min? — Chan perguntou suavemente enquanto colocava um cobertor sobre o corpo trêmulo e choroso de Minho.
O dito homem olhou para seu irmão com os olhos marejados. Era de partir o coração o quão pequeno ele havia se tornado e como tudo o que fazia Minho 'minho' havia sido drenado de seu corpo.
Não havia confiança ali, nenhuma emoção exceto tristeza e dor, nenhuma auto-estima, ele parecia vazio e havia uma grande sensação de nada.
— Ei, Min.. Posso pegar sua mão, por favor? — Chan estava falando com uma voz suave e calma. Minho, trêmulo, estendeu a mão para que Chan pegasse. — Você acha que pode nomeá-las para mim? — Chan disse enquanto segurava o polegar de Minho.
Minho acenou com a cabeça, respirando fundo antes de falar.
Chan ergueu o polegar de Minho,
— Ó-O-Orion. — Ele respirou fundo, trêmulo.
Chan ergueu o dedo indicador de Minho,
— Andro- Andrômeda. — Outra respiração profunda.
Chan ergueu o dedo médio de Minho,
— Cas-siopeia. — Uma respiração profunda menos trêmula.
Chan ergueu o dedo anelar de Minho,
— Hércules. — Uma respiração calma e profunda.
Chan ergueu o dedo mindinho de Minho,
— Perseu. — Uma última respiração profunda, que saiu estável e calma.
Jisung observou enquanto Chan erguia cada um dos dedos de Minho e Minho nomeava as constelações. A princípio, ele não tinha certeza do que eles estavam fazendo, até que ouviu uma de suas favoritas ser eliminada.
Foi emocionante ver como Chan foi capaz de acalmar Minho com ajudando-o a contar algumas de suas constelações favoritas. Mas ele se sentiu péssimo porque não foi capaz de ajudar o namorado.
Minho finalmente conseguiu respirar fundo e parou de chorar. Suas mãos se ergueram e pousaram em seu rosto, enxugando as lágrimas que caíram. Depois que suas mãos caíram de seu rosto, ele olhou e fez contato visual com Jisung.
O mais novo estava lá com uma expressão triste e preocupada enquanto brincava com seu suéter.
Minho sorriu o melhor que pôde e gesticulou para que Jisung fosse até ele. Jisung rapidamente se aproximou e sentou-se ao lado de Minho, tomando cuidado para não tocá-lo, pois não tinha certeza se podia.
— Me desculpe se eu assustei você.. — Minho sussurrou com uma voz grogue.
— Não.. está tudo bem. Não peça desculpa. — Jisung balançou a cabeça, tentando dar a Minho o melhor sorriso que ele poderia dar.
Houve um silêncio que envolveu a sala por alguns momentos, fazendo com que todos se sentissem tensos e incomodados. Eles queriam quebrá-lo, mas ninguém sabia o que dizer.
Até que Jisung fez a pergunta que estava hesitante e com medo de perguntar.
— Q-Quem era aquela mulher?
Minho e Chan ficaram visivelmente tensos com a pergunta. Jisung se sentiu mal por perguntar, mas ele estava muito curioso. — Está tudo bem se você não quiser me contar... — Ele acrescentou, olhando para seu colo.
— Não.. — Minho disse, hesitantemente colocando sua mão sobre a de Jisung para fazê-lo olhar nos seus olhos. — Eu quero te contar... Você merece saber.
— Tem certeza, Min? — Chan perguntou. Ele sabia que era um assunto muito delicado e não achava que Minho seria tão aberto a falar sobre isso.
Minho acenou com a cabeça e deu a Chan um sorriso para mostrar que estava bem. — Sim... eu quero contar pra ele... m-mas você pode me ajudar.. se eu precisar de você? — Ele perguntou a Chan com olhos esperançosos.
— Claro, Min. — Chan deu um tapinha no joelho de Minho.
Minho se mexeu desconfortavelmente, respirando fundo algumas vezes para poder contar a Jisung sobre seu passado. Contar pra ele quem aquela mulher é.... contar pra ele o que ela fez.
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(se não quiserem ler, passar para ⛈)
— E-Eu tinha 16 anos.. — Minho começou. — Ela costumava ir na nossa casa e cuidar da gente porque nossos pais saíam em viagens de negócios.. No começo era muito divertido, sabe? Ela deixava a gente ficar acordado e brincar o tempo que quiséssemos e ela até mesmo pedia a comida de que gostávamos. Nós realmente amávamos e esperávamos por ela sempre que ela aparecia. Ela sempre foi a que vinha na nossa casa e nos via crescer. Eu a conheço desde que eu era bebê... todos nós, na verdade.
Minho olhou para Chan, que apenas acenou com a cabeça com uma cara triste para Minho continuar.
— Q-Quando ficamos mais velhos... quando eu tinha cerca de 16 anos e Chan tinha 17.. ela começou a agir de forma diferente perto de nós. C-Chan nunca estava em casa na época porque ele apenas ficava com seu namorado ou amigos sempre que mãe e pai viajavam... então era sempre apenas eu, Changbin e Hyunjin em casa com ela.
A respiração de Minho começou a ficar trêmula mais uma vez e as lágrimas ardiam em seus olhos.
— Você quer que eu continue, Min? — Chan ofereceu com preocupação.
O dito homem balançou a cabeça e respirou fundo uma última vez. — N-Não.. Eu quero ser o único a contar a Jisung.
— Tudo bem.. apenas leve o seu tempo.. — Chan esfregou círculos suaves no joelho de Minho.
Jisung sabia para onde essa conversa estava indo e até ele mesmo precisava de apoio para ouvir isso, Minho percebeu isso e ele queria confortar Jisung, pois ele também o confortava. Minho apertou a mão de Jisung para acalmar os dois.
— Quando éramos apenas nós três com ela, ela começou a se tornar mais rígida sobre nossas regras da hora de dormir. Não sabíamos por que começou a ficar assim. Ela sempre disse que tínhamos que estar em nossos quartos e dormir às 22:30 no máximo. E-Eu não sabia por que ela começou a fazer isso... a-até que.. — Minho engasgou com um soluço que estava crescendo. — E-Ela entrou no meu quarto... e-era depois das 22:30, então Hyunjin e Changbin estavam dormindo...
— No início, e-ela estava apenas perguntando por que eu ainda estava acordado e p-por que eu não estava ouvindo sua regra de estar dormindo... E-E-Então ela d-disse q-que ter-ia q-que me c-c-castigar... m-me pu- punir... — Minho voltou a soluçar, mal conseguindo decifrar palavras que pudessem ser compreensíveis.
— M-Min.. v-você não tem que me c-contar agora... — Jisung resmungou sobre as lágrimas que se formavam e que ele tentava tanto conter.
Minho olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas e balançou a cabeça. — N-Não... E-Eu n-não acho que v-vou s-ser capaz d-de dizer isso de n-novo depois d-disso..
— Ok.. s-só leve o tempo que precisar. — Jisung hesitantemente colocou a mão nas costas de Minho para esfregar círculos sobre suas roupas.
O mais velho se encolheu por um segundo antes de perceber que era apenas Jisung, fazendo-o relaxar com os movimentos pequenos e relaxantes em suas costas.
— N-No começo... achei que tinha gostado, sabe? P-Porque sabia bem... m-mas me deixava desconfortável.. e ela me convenceu de q-que era normal. Então eu a deixei fazer isso.. Eu pensei que estava tudo bem, ela me disse que estava tudo bem e que também não tinha problema se eu gostasse. E-Eu deixei ela fazer aquilo.. mas então.. ela começou a fazer coisas. — Minho respirou fundo, tentando estabilizar as mãos trêmulas.
— Ela começou a trazer 'brinquedos' que queria experimentar em mim.. E-Eu não quero dizer o que eram.. m-mas doíam.. E-Ela nunca foi gentil com isso.. e-e ela não parava quando eu pedia. E-Ela usava um c-chicote nas minhas costas a-até que eu sangrasse... e-e às vezes o-objetos mais afiados.
Jisung não pôde evitar os soluços que escaparam de seus lábios ou a maneira como todo o seu corpo caiu sobre Minho para abraçá-lo. Ele chorou no ombro de Minho. — Eu s-s-sinto muito.. — Ele repetiu uma e outra vez. Sua voz tropeçando nas palavras e engasgando com os soluços enquanto tentava falar.
Chan também começou a chorar enquanto ouvia a história dolorosa que Minho só havia contado a ele antes de Jisung.
O mais velho sempre teve esse peso enorme nos ombros pelo que aconteceu com Minho. Ele sentia que era tudo culpa dele e que ele era o motivo de tudo isso ter acontecido com Minho. Pois ele não estava lá para proteger seu irmão quando ele precisou dele. Que ele tinha ido para uma festa com seus amigos em vez de ficar para confortar seu irmão.
Minho passou a mão pelos cabelos de Jisung com uma mão e a outra hesitantemente envolvendo sua cintura. Segurar Jisung foi terapêutico para ele e o acalmou instantaneamente.
— Isso durou mais de um ano... Comecei a odiar quando mãe e pai viajavam. E-E eu estava com muito medo de contar a alguém. Isso foi até que Chan decidiu ficar em casa enquanto mãe e pai estavam fora... E-Eu implorei a ele para me deixar ficar no quarto dele, p-porque eu estava com medo do que ela queria fazer comigo naquela noite... Desde que eu havia ficado mais velho, ela começou a ser mais violenta e-e a tentar coisas diferentes..
— No início, e-ela me amarrava.. e apenas me obrigava a fazer com ela. M-Mas então ela c-começou a f-fazer i-isso c-comigo com b-brinquedos... e-eu odiava tanto, e eu implorava para ela parar, mas ela sempre me dizia para ficar quieto... Em um ponto, ela me fazia engasgar, e-então eu não podia gritar por ajuda. — As lágrimas de Minho escorriam por seu rosto, começando a cair nos cabelos de Jisung.
Minho olhou para Chan, que estava cobrindo os olhos com as mãos, tentando impedir que suas lágrimas caíssem. Minho estendeu a mão e segurou a mão de Chan.
— Chan me salvou. — Minho ofereceu um sorriso para Chan, que o mais velho devolveu alegremente no meio das lágrimas. — Ele me deixou ficar em sua cama naquela noite... e-e ele perguntou por que eu queria ficar com ele naquela noite.. Eu não estava planejando contar pra ele, m-mas quando eu comecei a chorar, eu sabia que não poderia mentir para ele. E-Eu disse a ele tudo e há quanto tempo estava acontecendo. Então ele começou a ficar comigo sempre que eles iam embora e ele nunca mais deixou eu ficar sozinho com ela depois disso.
— M-Mas depois que ele fez dezoito anos, ele teve que começar a treinar para assumir a empresa da mãe e do pai.. então eu pensei que ele iria começar a viajar com eles. M-Mas acabou acontecendo que minha mãe não precisava mais ir.. então ela nunca mais pôde ficar com a gente depois disso. Eu só morei naquela casa por mais um ano, até que eu consegui meu próprio apartamento enquanto ia para a faculdade. Só a vejo em eventos, mas evito falar com ela, então sou capaz de manter os ataques de pânico sob controle... pelo menos até chegar em casa.
⛈⛈⛈
Minho levou um minuto para olhar para Jisung, que ainda estava chorando. — Hoje foi a primeira vez que falei com ela desde que tudo aconteceu.. e hoje foi a primeira vez que contei a alguém sobre isso além de Chan.
Minho tirou sua mão da de Chan. Ele a guiou até o rosto de Jisung para levantá-lo e fazer contato visual. — Prometo que estou bem agora. — Minho sorriu através das lágrimas secas em seu rosto. — Eu só fiquei surpreso em vê-la, isso é tudo. E-E eu quero agradecer a você, Sung.
Jisung olhou para cima com olhos de corça lacrimejantes e sobrancelhas franzidas. — P-Pelo quê? — Ele engasgou no meio das lágrimas.
— Por estar comigo hoje e me ajudar.. Como você provavelmente pôde dizer, eu não suporto quando as pessoas me tocam. Eu sempre odiei... você é a primeira pessoa que eu deixei me tocar em qualquer forma. Os toques físicos suaves me assustam, porque eu não me lembro de ter experimentado isso durante os momentos íntimos... até que eu conheci você. — Minho acariciou lentamente a bochecha de Jisung com a ponta do polegar. — Então, obrigado por finalmente me dar o conforto que eu nunca soube que estava procurando e precisava.
O mais novo enterrou o rosto no peito de Minho para cobrir as lágrimas e o rubor em seu rosto. Ele apenas acenou com a cabeça e cantarolou. Mas foi o suficiente para deixar Minho saber que Jisung ouviu e ficou grato pelas palavras que lhe foram ditas.
Chan deixou escapar um suspiro, enxugando as lágrimas do rosto. — Minho, mais uma vez, sinto muito por não estar lá mais cedo. Sempre serei extremamente culpado e arrependido pelo que aconteceu com você... e-eu podia tê-la parado mais cedo, m-mas eu fui tão egoísta e estúpido para ver o que estava acontecendo com você.
— Chan.. não se sinta culpado. Não havia como você saber até eu te contar. Eu não te culpo por nada e você não tem nenhum motivo para se desculpar. Estou bem agora. — Minho deu um sorriso para mostrar sua sinceridade.
Chan sorriu de volta, olhando para o menino nos braços de Minho, que estava agarrado a ele como um coala. — Eu posso dizer.
Minho seguiu os olhos de Chan, olhando para o menino chorando em seus braços. Ele acenou com a cabeça e sorriu genuinamente, passando a mão pelo cabelo de Jisung.
— Nós provavelmente deveríamos dormir... Chan, você é bem-vindo para ficar aqui.
— Eu vou.. só para ter certeza que você fica bem. — Chan se levantou e deu um tapinha na cabeça de Minho. — Me chame se precisar de alguma coisa.
— Eu vou.. Boa noite, Chan.
— Boa noite, Min. Boa noite, Jisung.
— Boa noite. — Jisung murmurou, seu rosto ainda pressionado contra o peito de Minho.
Chan riu um pouco antes de ir embora. Mas antes de virar a esquina para ir pelo corredor e encontrar um quarto de hóspedes, ele olhou para trás, para Minho e Jisung no sofá.
Minho estava sussurrando coisas no ouvido de Jisung, fazendo o mais novo olhar para ele. Chan podia ver claramente a admiração e cuidado nos olhos de seu irmão enquanto Minho olhava para Jisung. Um sorriso se espalhou pelo rosto de Minho por algo que Jisung havia dito.
Chan viu Minho se inclinar e conectar sua testa com a de Jisung. Ele então os viu esfregar o nariz um no outro antes de se levantarem do sofá. O mais velho não pôde deixar de sorrir para si mesmo com a visão que acabara de ver.
— Você realmente o ama, não é? — Chan sussurrou para si mesmo antes de continuar pelo corredor e para um quarto de hóspedes aberto.
ೃ࿔₊
Minho e Jisung subiram para o quarto de Minho para que pudessem dormir. O mais velho apagou as luzes e subiu na cama, onde Jisung já estava deitado. Jisung apenas observou enquanto Minho subia na cama e se deitava de frente para ele. Minho parecia nervoso.
Jisung estendeu a mão para acariciar levemente o rosto de Minho. — Você parece nervoso.
— Bem... e-eu queria te perguntar uma coisa.. — Minho abaixou a cabeça timidamente.
— O que é? — Jisung parecia preocupado, com medo do que Minho iria perguntar.
— V-Você pode me abraçar essa noite? — Minho parecia além de envergonhado por estar perguntando isso. Mas às vezes, você só precisa ser a colherinha e isso é o que Minho precisava agora. Ele queria se sentir seguro e protegido nos braços de Jisung.
Isso fez com que Jisung ficasse confuso e muito, muito vermelho. Ele nunca pensou que Minho lhe perguntaria isso... mas novamente, muitas coisas aconteceram hoje que ele achava que nunca aconteceriam.
— S-Sim.. claro. — Jisung abriu os braços, deixando Minho lentamente e timidamente se aproximar.
O mais velho colocou a cabeça no peito de Jisung, o mais novo passou os braços em volta de Minho com segurança. Um braço estava firmemente enrolado em volta dos ombros de Minho enquanto o outro estava brincando com o cabelo dele.
Jisung começou a cantarolar baixinho uma melodia e deixou pequenos beijos no topo da cabeça de Minho. O mais velho relaxou e derreteu no aperto de Jisung. Ele nunca havia sentido um conforto assim, e isso quase o fez querer chorar de novo.
Ele esfregou mais a cabeça no peito de Jisung, absorvendo todo o calor que podia.
Tão confortável e seguro.
Ele não conseguia mais se conter.
A sensação em seu peito... e coração.
As palavras que ele tem medo de dizer.
Ele só precisava deixá-las ir.
Então ele o fez.
— Eu te amo, Jisung.
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☀️
É... então... eu chorei
escrevendo isso.
E eu não deixei ir muito para os detalhes, eu poderia, mas eu não acho que eu aguentaria.
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「 𝐚𝐮𝐭𝐡𝐨𝐫 • mInMiNcutieguy 」
「 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐥𝐚𝐭𝐢𝐨𝐧 • 𝐦𝐢𝐧𝐦𝐢𝐧𝐬𝐜𝐞𝐧𝐭𝐭 」
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