[ 𝄂𝄂𝄂𝄂 ] CAPÍTULO VINTE E OITO.

〢 ⸺ FACTION GHOSTS.
[CAPÍTULO VINTE E OITO]
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Nenhum pesadelo havia sido gerado na mente da ruiva enquanto passara esses três dias em coma após o que aconteceu na cidade. Thomas foi o primeiro a acordar, ele passava todos os dias na cabana na qual estava a garota, rezando para que ela acordasse alguma hora mas nada acontecia, ela continuava em seu sono profundo. Como da primeira vez quando a achou na sala da médica Ellen há um ano;
Thalia finalmente havia acordado depois de alguns dias desde o incidente, a luz solar que entrava pela brecha da porta feita de tecido iluminou a face da mesma que fechou um poucos os olhos.
Após conseguir raciocinar o que estava acontecendo, a garota se sentou na cama em que estava com a respiração calma — o que era estranho devido a tudo que ela tinha passado durante esses meses —.
A mesma arfou baixo ao sentir uma leve pontada em sua pele, então ela levantou a blusa vendo o curativo em seu abdômen, parecia novo pelo estado do mesmo como se tivesse sido trocado recentemente, logo ela olhou em sua volta lembrando do que havia acontecido e suspirou fundo assim que as memórias vieram a tona.
Uma de suas mãos percorreu por seu rosto agora descansando em sua testa enquanto ela olhava para o chão conforme as lembranças chegavam, o que fez seu peito começar a subir e descer com uma certa rapidez.
Felizmente algo a tirou de sua prisão que estava acontecendo em sua mente, um som calmo de onda a fez franzir o cenho levantando com certa dificuldade, a mesma saiu da cabana colocando a mão para tampar um pouco seus olhos devido a claridade que machucava-os, até que ela conseguiu se acostumar e olhou ao seu redor vendo que estava em um novo acampamento.
Aquele que seria seu novo lar. Como haviam planejado há muitos meses enquanto construíam o barco para fugir do CRUEL.
A garota caminhou pelo local passando pelos adolescentes não vendo nenhum de seus amigos o que a deixou cada vez mais afoita, sua palma foi direto para o seu abdômen sentindo novamente a pontada ali conforme seu peito subia e descia seguindo a respiração desregulada por conta do medo.
Seus olhos já ardiam por querer marejar, ninguém que ela conhecia estava por ali, era como se houvesse apenas estranhos. Um medo intenso começou a se apossar de seu corpo assim como um turbilhão de coisas passou por sua mente.
Até que tudo acalmou-se quando ela avistou Thomas se aproximar da mesma junto de Minho que estava ao seu lado. Os olhos da ruiva começaram a inundar aos poucos enquanto ela caminhava em passos rápidos até o moreno ignorando a dor.
O de cabelos escuros também apressou seus passos, o mesmo agarrou ela assim quando quebraram a distância que estava entre eles, a apertando em um abraço como se não houvesse amanhã. Ignorando as dores que sentiam eles ficaram ali por alguns segundos.
— Pensei que tivesse acontecido algo com você, eu acordei e quando saí e vi que você não estava aqui comecei a me desesperar... — a mesma dizia em um tom rápido fazendo ele se afastar e segurar o rosto dela com delicadeza, como se fosse uma boneca de porcelana.
— Acha mesmo que eu iria morrer sabendo que deixaria você aqui? Não irei cometer o mesmo erro de te deixar sozinha duas vezes, Thalia. — o adolescente soltou uma risada nasal enquanto analisava a face da jovem.
Ela riu baixo e assentiu com a cabeça o puxando para um selinho demorado demonstrando toda a saudade que sentiu — principalmente pela parte do de cabelos escuros —, após isso a garota se afastou e olhou os outros ao seu redor.
Thalia olhou Newt que estava ali com um sorriso no rosto, ela sentiu sua feição ir de alegre para chorosa e andou até o amigo o abraçando com força sentindo o queixo dele em seu ombro assim como estava o seu no dele.
— Desculpa. — a mesma murmurou fechando os olhos. — Eu tentei, eu juro que tentei.
— Não foi sua culpa, Thalia... não foi. — ele passou a mão pelo cabelo da mesma. — Tá tudo bem.
Logo os outros foram até a mesma e a abraçaram com força tentando passar conforto para a menor que agora afundava o rosto no peito do amigo.
— Thalia... — Vince se aproximou da garota que se afastou dos seus amigos desviando sua atenção para ele que tinha um sorriso reconfortante no rosto. — Você está a salvo agora. Vai ficar tudo bem.
A salvo, há quanto tempo exatamente a garota não sabia como era sentir-se realmente protegida? Talvez ela nem se lembrasse direito mais.
Ele deu alguns passos para perto dela e tocou o ombro da mesma tentando demonstrar conforto.
Um sorriso surgiu na face da adolescente que concordou limpando as lágrimas que escorriam por seus olhos.

A noite havia chegado, pela primeira vez os que estavam ali se sentiam protegido longe daqueles que foram detidos há alguns dias, as pessoas estavam ao redor de uma fogueira enquanto Vince fazia seu bom discurso como boas-vindas no novo lugar em que estavam.
— Superamos muita coisa juntos. Muitos se sacrificaram demais pra tornar este lugar possível. Seus amigos e suas famílias... — ele olhou para Thalia e Thomas, que estavam atentos na fala do mais velho, por alguns segundos, depois desviou o olhar para outros.
A mão da ruiva foi até a do moreno que sorriu agora segurando a mesma e deixando um beijo na bochecha dela.
— Um brinde aos que não puderam estar aqui. Aos amigos que perdemos. — todos levantaram seus copos que estavam em suas mãos brindando. — Este lugar é pra vocês. É pra todos nós. Mas aquilo... Aquilo é pra eles. Então, ao seu tempo, do seu jeito, venham se reconciliar.
Então ele virou um pouco seu corpo e apontou com uma pequena faca para uma grande rocha ali. A qual serviria para escrever os nomes daqueles que foram perdidos até agora.
— Bem-vindos ao Paraíso Seguro. — o adulto cravou a arma branca no pequeno tronco que estava no chão e levantou seu copo, logo uma salva de palmas e gritos de alegria vieram em seguida.
A ruiva deu um sorriso de lado vendo as pessoas se levantarem e fazerem uma fogueira ainda maior, todos aparentavam estar felizes, e realmente estavam.
Mas será que todos?
Thalia, Thomas, Minho e Newt estavam sentados em um canto apenas observando tudo, pensativos, era como se apenas os corpos deles estivessem ali mas suas mentes estavam em outro lugar, bem distante.
— Vai ser um bom lar pra nós. — comentou o asiático tentando acabar com o silêncio perturbador que estava ali.
— Vai sim. — a menor sorriu e depois desviou o olhar.
— Estava com isto quando desmaiou. — o garoto entregou um colar para a ruiva que rapidamente o segurou vendo que era de Atlas. — Achei melhor guardar pra você.
— Obrigada. — a adolescente agradeceu mostrando um sorriso para o amigo.
— A gente se vê. — o de cabelos escuros tocou o ombro da garota, agora olhando os três antes de sair dali.
— É do Atlas... — a garotou falou mostrando à Newt.
Com as mãos levemente trêmulas, o loiro pegou o pingente que parecia ter algo dentro e tirou uma pequena carta enrolada, em seguida, entregando para a jovem ao seu lado.
— Você não... — antes que ela pudesse terminar o de cabelos claros a cortou.
— Não, Thalia. Você que deve ler. Ele deu a você, eu estarei aqui apenas ouvindo. — sorriu tocando o ombro dela.
A garota soltou um suspiro e assentiu agora desenrolando os papéis e respirou fundo mordendo o próprio lábio — tentando evitar que os mesmos tremessem e uma inundação começasse em seus olhos — quando percebeu um longo texto escrito pelo seu amigo.
— Está tudo bem, anjo. — Thomas sorriu segurando a mão da garota.
Os olhos da mesma marejaram e ela respirou mais uma vez, profundamente, apertando de volta a mão do garoto e após isso começou a ler em voz alta para ambos que estavam ali.
— "Cara Thalia, Thomas e Newt. — a garota soltou uma risada baixa ao ler o seu apelido ali. — É a primeira carta que me lembro de escrever. É óbvio que não sei se escrevi outras antes do labirinto. Mesmo que não seja a primeira, é provavelmente a última. Quero que saibam que não estou com medo. Pelo menos, não de morrer. É mais o esquecimento. É me perder para esse vírus. É isso que me assusta. Então, toda noite, eu falo os nomes deles em voz alta. Alby, Winston, Chuck... Eu os repito várias vezes como uma oração, e tudo volta com força. Os detalhes, como o Sol batendo na Clareira naquele momento exato pouco antes de se esconder atrás dos muros. Me lembro do sabor do ensopado do Caçarola. Nunca pensei que fosse sentir falta."
Um sorriso surgiu no rosto dos três que riram ao imaginar a voz de Atlas ao invés da voz da menor que lia.
A ruiva pegou a outra carta e respirou fundo antes de começar a ler, preparando-se para reler a última carta que receberia do garoto que havia ido.
— "Me lembro do Thomas caindo na grama quando correu pela primeira vez quando saiu da Caixa. Era apenas um garoto assustado, mas sabia que seria um amigo que poderia contar com tudo. Também me lembro de Newt, no primeiro instante em que o vi percebi que era com ele no qual eu gostaria de expressar todos os meus sentimentos. Esperei tanto tempo para que alguém me amasse como ele me amou que fiquei inconformado ao saber que não duraria tanto tempo, mas aproveitei o máximo que pude. E me lembrei de você, Lili. Assim que vi você pela primeira vez, lembro-me de que me falaram que você correu até os muros sem ao menos cair no chão, você sempre foi forte e sempre foi corajosa. Foi aí que decidi que iria para onde você fosse, e fui. Todos nós fomos. Se eu pudesse fazer tudo de novo, eu faria e não mudaria nada. Minha esperança é que, quando olharem para trás daqui há alguns anos, vocês possam dizer o mesmo. Thalia, Newt e Thomas. O futuro está em suas mãos agora, Tommy. Sei que vocês três darão um jeito de fazer o que é certo. Sempre deram um jeito. Cuidem de todos por mim. E cuidem-se bem. Vocês merecem ser feliz, principalmente você, Thalia. — um soluço escapuliu pelos lábios da garota que rapidamente limpou as lágrimas antes que caíssem na carta. — Obrigado Thalia por ser uma irmã para mim. Obrigado Newt por ser meu primeiro e único amor. Obrigado Thomas por ser meu amigo. Adeus. Atlas."
Ela fechou ambas as cartas enrolando-as novamente e colocando dentro do pequeno tubo, logo entregando para Newt.
— Isso deve ficar com você. — sorriu assim que entregou.
O loiro limpou as lágrimas que escorriam sem parar por suas bochechas e assentiu com a cabeça puxando os dois para um abraço apertado.
— Ele ficaria melhor se fôssemos até os outros. — começou agora se afastando. — Ao invés de ficarmos aqui. Atlas sempre me disse para não chorarmos quando ele partir, mas sim, aproveitar a vida como se não houvesse amanhã.
A ruiva concordou com a cabeça, ele realmente reclamaria com seu sermão de pai se os visse ali parados sofrendo pela perda do mesmo, e se levantou segurando a mão de Thomas e de Newt.
— Vamos então... — ela deu um sorriso.
Os dois garotos sorriram de volta sentindo-se mais leves depois de lerem a carta e caminharam junto com a mesma até onde os outros estavam reunidos se juntando a eles.
Uma gritaria animada começou quando o trio se aproximou, percebendo as feições chorosas deles, o grupo que se divertia os puxou para alegrá-los, dançando e ouvindo as piadas sem graça de Caçarola mas que arrancava boas risadas.
Depois de um bom tempo festejando com os outros, finalmente a jovem conseguira tirar um tempinho para descansar enquanto observava as estrelas brilhantes no céu totalmente escuro iluminado pela luz lunar.
Ela estava sentada na beira da praia sentindo a água bater em seus pés e recuando de forma leve, a brisa fresca batia em seu rosto ainda pouco suado devido a movimentação que fez entre o grupo fazendo a mesma suspirar profundamente.
Antes de ler as cartas de Atlas e antes de conversar com todos que ela considera como sua família, Thalia teve um pensamento quase idiota, ou talvez não, passando por sua mente.
O sofrimento que veio a tona quando a mesma acordou trouxe consigo uma dor em seu peito que parecia que nunca iria embora, ela pensou que fosse até quase impossível conviver com aquilo, com a dolorosa sensação da culpa.
A ideia de desistir passou por alguns minutos por sua mente antes de conseguir ler o que o jovem amigo havia escrito, ou quando teve aquele momento com os dois. Era apenas questão de tempo para ela pensar em fazer algo contra si mesma para acabar com aquela angústia. Mas depois que teve contato com eles, percebeu que aquilo não pararia nada, apenas causaria mais dor que já estava instalada ali.
Por sorte, aquele pensamento havia ido embora junto com um pouco da dolorosa sensação quase insuportável que sentia em seu peito;
Ao fechar os olhos aproveitando a brisa fresca que estava em contato com sua pele, ouviu passos se aproximando da mesma e então respirou fundo abrindo os olhos olhando para o lado vendo Newt que ficou de pé há alguns centímetros de distância dela.
— Sabia que quase tudo que Atlas escreveu lá foi exatamente o que pensei quando vi você? — contou. — Tive que despistar os outros para poder falar com você, não vou tomar muito seu tempo.
— Está tudo bem. — a mesma sorriu e se virou para ele.
— Desde a primeira vez que te vi, Thalia. Sabia que era a pessoa certa, a qual eu seguiria para todo o canto. Demonstrou ser alguém leal, uma ótima amiga e irmã. Nada disso teria acontecia se não fosse por você ou por Thomas. — mostrou um sorriso como se tivesse agradecendo-a.
Ele soltou um suspiro profundo e agora se levantou olhando para a mesma.
— Bem, nunca pensei que fosse agradecer ao CRUEL por algo. Mas agradeço a eles por colocar vocês naquela Clareira, principalmente você, Lia. Sei que acabou tudo agora... — respirou profundamente. — Mas quero que saiba que, eu seguirei você aonde for, irmãzinha.
Um sorriso de orelha a orelha surgiu no rosto de Thalia que assentiu com a cabeça como se tivesse o agradecendo pelas palavras gentis.
— E eu sou grata por isso, irmãozão. — respondeu o vendo sorrir antes de sair dali.
Ela o seguiu com o olhar até que sumisse de seu campo de visão, do outro lado perto da fogueira a mesma pôde ver Pandora conversar alegremente com Minho que agora parecia mais solto ao lado da morena.
A cacheada realmente conseguiu reviver o lado mais animado do garoto que ria a cada palavra que a mesma dizia, ela conseguiu o trazer de volta depois de tudo que passara nas mãos do grupo maníaco que o torturou por meses.
Ela deu uma olhada para onde a ruiva estava e então olhou para o asiático falando algo para ele antes de caminhar até a jovem que xingou-se mentalmente por ter atrapalhado o momento de ambos.
— Está parecendo um espírito obsessor. — a de cabelo cacheado soltou uma risada sentando-se ao lado da amiga.
— Desculpa, não queria estragar o momento do casal. — a menor soltou uma risada dando ênfase na última palavra e olhou a garota.
— Está maluca? Tá tudo bem, não atrapalhou nada. Aliás não somos um casal. — fez uma careta, mas era quase impossível não perceber o sorriso que a morena estava escondendo. — Como vai?
— Bem... ainda meio atordoada pelos acontecimentos recentes mas estou bem. — respirou fundo. — E você?
— Bem também. Melhor agora que vejo que estamos todos reunidos. — olhou a de cabelos ruivos. — Eu tenho orgulho de você, Thalia. Mesmo depois de tudo ainda segue como se nada conseguisse te parar.
— Eu me inspiro em você todos os dias. — respondeu no mesmo tom puxando para o lado de admiração agora dando de ombros. — Fico muito feliz que tenha feito parte da família. Fico grata por tudo que fez por nós, vocês três para dizer a verdade. Sem você, Brenda ou Jorge, não sei onde estaríamos.
— Eu tinha que fazer algo, na verdade, tivemos. Eu daria a minha vida por todos eles, assim como eles deram a deles pela minha. — a morena olhou para as pessoas perto da fogueira e sorriu para a amiga.
— Admiro isso. Admiro mesmo. — comentou.
Ambas ficaram em silêncio por alguns segundos até que Pandora se levantou batendo as mãos umas nas outras para tirar a areia delas.
— Bem, acho que vou voltar para lá. Você vem? — perguntou.
— Já vou. — a mais alta assentiu com a cabeça e se virou saindo dali.
Um suspiro escapou pelos lábios da jovem que voltou a encarar o horizonte seguido pelo mar dando um meio sorriso, ela respirou fundo encarando três estrelas bastante brilhantes que se localizavam no céu antes de se levantar e sair.

O sol finalmente havia surgido depois de uma longa noite que deixou praticamente quase todos capotados em suas redes, Thalia agora era a única acordada naquele horário, malmente havia conseguido dormir na noite passada, não porque não conseguia mas sim por medo de ter algum tipo de pesadelo.
A mesma, já que estava sem sono, decidiu andar pelo local sentindo o vento fresco da manhã bater contra sua pele e sua face assim como a leve claridade que iluminava ao seu redor.
Ela se aproximou da rocha com diversos nomes escritos ali, por um momento se lembrou da Clareira e dos diversos nomes dos clareanos na parede externa dos muros enormes, agora tirando a faca cravada do tronco começando a escrever os nomes daqueles que partiram na pedra grande.
De todos, a ruiva fora a única que ainda não tinha gravado nenhum nome ali e agora poderia sem que ninguém estivesse para pressioná-la. Diante de tudo que ainda era recente, ela precisava de um momento sozinha para fazer aquilo sem nenhum falatório ou movimento ao seu redor, apenas o bom silêncio.
Lizzie.
Chuck.
Mary.
Atlas.
Ela havia anotado apenas dois nomes, que eram de sua irmã mais velha e de seu irmão mais novo, visto que o resto já havia sido escrito ali. Porém os quatro eram os que mais lhe chamavam a atenção diante das dezenas de nomes curtos que estavam ali.
Um suspiro saiu por seus lábios antes de se afastar limpando as lágrimas que queriam se formar em seus olhos, ela suspirou fundo cravando a faca de volta no tronco e foi para perto da beira da praia tirando seu par de botas de couro e caminhando próximo a água sentindo ela bater em seu pé e recuar delicadamente.
Enquanto aproveitava o momento calmo diante da costa, uma voz lhe chamou a atenção que fora desviada para a figura masculina que havia chegado no local.
— Deveria estar descansando. —Thomas se aproximou também segurando seus sapatos.
— Você também. — retrucou dando um sorriso de lado.
— Bem... perdi o sono. — ele suspirou dando de ombros agora parando ao lado dela e encarando o horizonte além do mar.
— É uma bela vista não é? — perguntou com um sorriso no rosto.
— É sim. — o garoto respondeu assentindo com a cabeça.
— Sinto falta de todos eles. — a ruiva comentou e olhou para o maior.
Alguns segundos se instalaram ali, era quase imperceptível que eles estavam machucados por tudo que havia acontecido. A única coisa que ainda os mantinha ali eram eles mesmos, um precisando do outro, foi isso que os manteve de pé.
— Eu também... mas agora. — ele retirou o frasco do soro de líquido azulado que havia dentro de seu bolso. — Estamos em um novo recomeço, não é? Como Atlas disse.
Um sorriso surgiu no rosto da menor que concordou com a cabeça se aproximando dele.
— Sim... — ela riu baixo. — A um novo recomeço.
Ele retribuiu o sorriso e suspirou fundo parecendo pensativo, o que Thalia estranhou, antes de pegar na mão da jovem.
— Vem comigo, quero que veja uma coisa. — comentou a puxando para longe da praia.
A brisa fria deixava tudo mais intenso, a pequena neblina que ainda tinha em volta do lugar devido a estar amanhecendo fazia com que o momento se tornasse ainda mais calmo.
Era a única coisa que eles precisavam depois de tudo que passaram, a calmaria.
Os dois subiram um pequeno monte e pararam num ponto alto onde podiam ver o acampamento e a praia mais a frente, além do barco que estava em alto mar.
Thalia fechou os olhos por alguns segundos enquanto estava de frente para o sol que continuava a nascer. O vento, na temperatura perfeita, bateu contra sua pele fazendo alguns pelinhos se arrepiarem enquanto um meio sorriso surgira em seu rosto.
— Sabia que gostaria desse lugar. Vim aqui quando você ainda estava desacordada, vinha aqui todos os dias de manhã pedir para que você acordasse logo. — o garoto contou a fazendo desviar o olhar para ele.
— O que o torna tão especial para lembrar de mim? — questionou.
— A calmaria. — ele sorriu. — Você é a única pessoa que consegue me acalmar em momentos... difíceis, e enquanto você estava desacordada eu estava em um momento severo. Achava que iria perder você.
— Mas não perdeu. — a ruiva se aproximou do garoto tocando um lado do rosto dele. — Eu estou aqui, com você e agora.
Os braços da menor rodearam a nuca do mais alto que soltou uma risada nasal agora deixando um selinho nos lábios da ruiva.
— Eu sei que está, e fico eternamente grato por ainda te ter aqui. — o moreno a puxou para mais perto pela cintura e grudou os lábios de ambos, sua mão deixando leves apertos no local por cima da blusa que a garota usava.
Enquanto estavam perdidamene distraídos pelo beijo apaixonado, o de cabelos escuros se afastou agora olhando a jovem em seus olhos que lembravam bastante o mar.
— Vem comigo. — murmurou sob os lábios dela voltando a puxar a mesma até outro local, agora totalmente longe do acampamento em que o restante encontrava-se dormindo.
— Você mapeou toda a volta do acampamento enquanto eu dormia? — ela indagou rindo. — Só falta dizer que também visitou outro continente.
O garoto revirou os olhos soltando uma risada nasal e finalmente entrou em uma espécie de cabana que havia ali, não era tão espaçosa quanto as tendas em que eles estavam mas era um lugar confortável. Bem, pelo menos um dos únicos lugares confortáveis que restara no mundo.
— Encontrei aqui ontem. Claro, o lugar estava pior antes. — ele sorriu. — Dei um jeito.
Ela observou o local vendo que havia um pequeno colchão com um tecido — visivelmente limpo em cima dele — no piso, ao redor duas pequenas janelas na parede para que entrassem alguma iluminação.
— Já dá para considerar nossa casa, marido. — Thalia brincou e se virou para o garoto que riu.
— Esse era meu pensamento, esposa. — entrou na brincadeira agora vendo a jovem ficar de costas para o mesmo.
A ruiva observava o lugar espaçoso imaginando como enfeitaria aquela cabana futuramente, apenas um lugar para chamar de lar ao lado de Thomas.
Enquanto estava perdida na sua própria imaginação, o garoto atrás de si levou a mão até os fios alaranjados que estavam do lado do pescoço da adolescente agora jogando para o outro lado deixando a área livre.
Um suspiro saiu pelos lábios da menor que fechou os olhos assim que sentiu pequenos beijos molhados em sua pele. Levou apenas uma questão de segundos para que os leves beijinhos começassem a se tornar pequenas mordidas e chupões delicados.
— Tommy... — a adolescente murmurou.
As mãos, agora na cintura da jovem, viraram-a com uma certa força para que ficasse de frente para o mesmo que esperou alguns segundos antes de voltar a atacar os lábios da garota.
Era óbvio que ela foi pega desprevenida, mas apenas por um curto período de tempo até que a garota pudesse tomar o controle de seu próprio corpo e retribuísse o beijo de desejo que era iniciado ali.
As palmas do garoto desceram até a barra da blusa da mesma agora adentrando e tocando a pele macia apertando a carne com uma certa força, o que provavelmente deixaria marcas no local.
O moreno segurou-a como se fosse uma corrente invisível que estava os colando, então ele deu alguns passos indo em direção ao colchão antes de encerrar o beijo e sentar no mesmo.
— Vem aqui. — o jovem murmurou com a voz baixa e então Thalia respirou fundo se aproximando e subindo em cima do colo do parceiro.
As mãos de Thomas apertaram o quadril da esposa fazendo com que ela se movesse em cima de seu colo, ambos suspiraram no momento em que sentiram a fricção das intimidades pulsantes.
O moreno voltou a puxar a parceira para outro beijo e logo mordeu de leve o lábio inferior dela arfando em seguida assim que sentiu a calça que vestia ficar cada vez mais apertada enquanto a garota se movia em cima dele.
As mãos do companheiro foram até a barra da blusa da menor logo a puxando para cima revelando o sutiã da cor preta que usava, os olhos do garoto brilharam ao ver a imagem a sua frente e então deu um sorriso de lado puxando-a para outro beijo.
— Você é linda, amor. — murmurou deixando beijos no pescoço dela.
— Não acho justo você estar com camisa e eu não. — brincou a ruiva vendo o de cabelos escuros se afastar e puxar a camisa para cima revelando seu tronco magro definido o qual continha uma linha em formato de V que tinha seu final escondido pela calça jeans, ignorando totalmente o curativo recém trocado ali.
Os lábios da jovem foram até o pescoço dele onde deixaram beijos e leves chupões na área fazendo o moreno se arrepiar por completo.
Em um movimento rápido, Thomas virou os corpos deixando Thalia deitada no colchão embaixo de si, enquanto ele ficou por cima voltando a atacar os lábios dela.
A garota sentiu uma leve pontada na lateral de sua coxa — a mesma que sentiu em seu abdômen no dia da festa na casa de Marcus — o que a fez olhar para o de cabelos escuros que deu um sorriso de lado.
— Tem certeza disso? — questionou encarando-a com toda a atenção possível, atento a cada sinal de desconforto ou hesitação que ela pudesse demonstrar porém apenas o desejo estava ali em sua face.
— Claro que tenho. — ela respondeu puxando o mesmo para outro beijo agora rodeando a cintura do moreno com suas pernas puxando-o ainda mais para si.
— Merda... — o jovem murmurou afundando o rosto na lateral do pescoço dela sentindo o leve incômodo em seu membro que praticamente implorava para ser libertado e afundar-se no interior da jovem.
Mas para a primeira vez de ambos, ele decidiu ser mais cuidadoso e menos apressado, queria que fosse especial tanto para a companheira quanto para ele mesmo.
Suas mãos soltaram o feche do sutiã da garota agora descendo os beijos do pescoço dela até a área de seus seios onde rodeou a língua em um mamilo puxando e mordiscando a ponta enquanto sua mão estava em outro o apertando.
A ruiva gemeu baixo arqueando levemente suas costas contra o colchão fechando os olhos enquanto sentia a sensação prazerosa percorrer por todo seu corpo, a língua quente do garoto praticamente lambia a ponta de seu seio o que a fazia revirar os olhos.
— Thomas... — Thalia puxou-o assim que sentiu a pressão em sua intimidade. — Eu preciso de você, por favor.
— Sem pressa, anjo. — ele sorriu deixando um selinho nos lábios dela e então se afastou.
Suas mãos foram até o cós da calça jeans da jovem desviando o olhar para as orbes azuis antes de fazer algo esperando a permissão da parceira que assim que fora dada ele tirou a peça jeans de suas pernas jogando em algum canto daquele lugar.
Um leve xingamento saiu de seus lábios ao ver a calcinha que a garota usava combinar com o sutiã que ela estava vestindo, ele respirou fundo agora puxando para baixo também se aproximando e deixando um beijo no meio dos seios dela.
Com o curativo novo ou não que cobria uma parte do abdômen da jovem, ela ainda estava completamente encantadora aos olhos do mais alto.
A barriga da adolescente contraiu-se levemente ignorando apontada ali e então viu o parceiro subir até seu rosto novamente, descendo apenas uma mão até o meio de suas pernas.
Como era sua primeira vez em praticamente em quase tudo, ele pensou por alguns segundos antes de inserir um dedo na região agora fazendo movimentos circulares em cima de seu ponto pulsante.
O gemido da garota dessa vez foi em um tom alto, ela jogou a cabeça para trás sentindo a área em que ele tocava começar a ficar mais úmida com a estimulação que estava se concentrando ali.
— Thomas... — chamou pelo nome dele recebendo um sorriso de volta.
— O que, linda?
— Por favor, eu preciso de você. Por favor. — ela implorou olhando nos olhos do garoto.
Com ela implorando daquele jeito como ele poderia negar? Sua calça estava quase se rasgando no meio pelo intenso prazer que se acumulava em seu membro já completamente duro.
Pelo menos daquela vez ele não tinha que esconder como ficava diante da garota toda vez que ela o provocava, mesmo que sem querer.
O moreno se afastou ficando em pé abaixando a peça jeans tirando juntamente a boxer agora jogando em algum canto do lugar assim como fez com a roupa da garota.
Ao observar o local que sempre fora escondido, Thalia mordeu levemente o lábio inferior ao ver o corpo escultural do garoto que estava há alguns metros de si.
— O que foi? — perguntou soltando uma risada.
— Nada. — ela deu de ombros ainda meio desconcertada e voltou a encarar os olhos dele.
— Eu vou ser cuidadoso, eu prometo. — garantiu agora se aproximando.
Assim que ela sentiu a ponta dura da intimidade do garoto tocar em sua coxa, a mesma suspirou fundo e o olhou nos olhos agora circulando a nuca dele com seu braços.
— Relaxe, tudo bem? — o garoto deixou um beijo na testa dela antes de levar a própria mão até o membro e bombardeá-lo por alguns segundos antes de colocar a cabeça na entrada da jovem.
No mesmo instante ela desviou o olhar para os olhos dele encarando-os fixamente assim como ele fez com os dela, em um impulso gentil o garoto enfiou-se aos poucos dentro da companheira parando no instante que a viu fechar os olhos e morder o lábio inferior.
— Eu posso parar se for muito, anjo. — ele falou agora acariciando a lateral do rosto da garota.
A leve queimação se instalou ali assim como a pequena dor que circulava o corpo dela, a adolescente respirou fundo por alguns segundos e olhou o garoto assentindo com a cabeça como se fosse uma permissão.
Ele a puxou para um beijo e penetrou ainda mais fundo arrancando um gemido baixo dela que fora silenciado pelo beijo, depois de esperarem alguns segundos para ela se acostumar, Thomas começou a se movimentar arrancando gemidos de ambos.
Thalia circulou a cintura dele com suas pernas permitindo que ele fosse um pouco mais fundo assim que a dor passou deixando apenas o prazer dominá-la naquela hora.
As unhas da jovem foram até as costas dele arranhando de leve enquanto seu pescoço era completamente atacado pelo moreno que beijava e mordiscava a pele prendendo seus gemidos.
— Porra... — ele xingou contra a carne dela enquanto tentava manter o controle de seus quadris, tentando não ser tão bruto com ela.
Percebendo que o garoto estava sendo cuidadoso com medo de a machucar, a jovem suspirou fundo e o puxou para a encarar nos olhos tirando a atenção do mais alto de seu pescoço.
— Pode ir mais rápido. — ela permitiu fazendo o moreno sorrir, como se tivesse até mesmo ganhado um prêmio.
— Você é perfeita, anjo. — o garoto deixou um selinho nos lábios dela agora aumentando a velocidade dos movimentos.
Gemidos altos rodeavam a cabana, Thalia tentava os segurar mas era quase impossível, seu abdômen se contraia — continuando a ignorar a sensação pouco dolorosa ali — e a mesma revirava os olhos com a sensação.
O moreno levou uma das mãos até o pescoço da ruiva onde apertou o mesmo de forma leve levando os lábios de ambos para se juntar. Seus olhos se fecharam assim como seu cenho que franziu-se sentindo o ápice cada vez mais perto, mas ele decidiu esperar pela vinda da garota primeiro.
A jovem respirou fundo aproveitando a desconcentração do moreno e os virou na cama ficando por cima agora, ela saiu de cima dele agora sentando no colo do mesmo enquanto puxava-o para se sentar.
— Esperta. — ele soltou uma risada baixa que logo foi substituída por um suspiro profundo quando a garota sentou em seu membro.
Ela gemeu baixo rodeando a nuca do companheiro com seus braços enquanto as mãos dele foram para sua cintura a ajudando a se movimentar em cima dele.
— Caralho... — a garota murmurou aumentando a velocidade de suas sentadas em cima do adolescente.
Os lábios da ruiva foram até o pescoço do garoto lambendo e mordendo a área enquanto ele levava suas mãos até a bunda dela dando impulso para ela ir mais rápido.
O barulho das peles se chocando juntamente dos gemidos e suspiros preenchiam toda a cabana, Thalia jogou a cabeça para trás sentindo o seu orgasmo começar a se aproximar, o suor já escorria por sua testa assim como a de Thomas que acelerou os movimentos da garota.
A boca da jovem se entreabriu deixando um gemido silencioso escapar por seus lábios junto com seu cenho que fora franzido agora fechando levemente os olhos sentindo o garoto chegar alguns segundos após dela.
Vendo-a mole, o de cabelos escuros puxou o corpo da companheira para si agora a abraçando ouvindo a respiração ofegante dela e os batimentos cardíacos que estavam tentando se regular, encontrando-a no mesmo estado que ele.
— Isso foi... uau. — a menor soltou uma risada nasal e se afastou olhando o garoto deixando um selinho nos lábios dele.
— Finalmente matei a vontade. — brincou, rindo assim que recebeu um leve tapa da garota em seu ombro.
— Tão engraçado. — ela revirou os olhos e suspirou fundo. — Eu te amo, Thomas.
— Eu te amo, Thalia. — ele sorriu e a puxou para outro beijo.
— Bem que poderíamos ficar mais uns minutos aqui. — ela sorriu de lado vendo o garoto assentir.
— E vamos. Podemos ficar o tempo que quiser, até mesmo repetir o que fizemos. — ironizou fazendo carinho com as pontas dos dedos no meio das costas da adolescente.
Uma risada tímida vinda da ruiva preencheu o cômodo assentindo com a cabeça, logo ela abraçou o adolescente deitando a cabeça em seu ombro e respirou fundo fechando os olhos.
Pela primeira vez ela se sentia segura, não temporariamente, mas sim para todo o sempre, pois estava nos braços do garoto que ela mais amou em sua vida depois de tudo que passou.
Thomas acariciou o cabelo alaranjado e deixou um beijo no topo da cabeça dela em seguida vendo a garota totalmente confortável em seus braços.
Naquele momento eles souberam que poderiam continuar suas vidas normalmente, longe de tudo que um dia já havia os machucado.
Foi como se tudo que tivessem passado nas mãos daquele grupo nunca existisse, nenhuma dor ou sofrimento. Nada.
Agora sim eles tinham um longo futuro pela frente, ainda eram jovens, obviamente ainda havia muita coisa para descobrirem diante do enorme mundo que estavam, mesmo que completamente acabado pelo apocalipse mas eles conseguiriam.
Finalmente, eles haviam terminado aquilo que o CRUEL começou, haviam evitado a extinção que o próprio homem causou.
FIM

▌ACABAMOS FACTION GHOSTS DEPOIS DE MESES :(
▌Oi oi meus amores, como vão?
▌O que acharam do último capítulo da nossa linda e perfeita fanfic?
▌Sério, estou quase eternizando essa fanfic KKKKKKKKKKK
▌Primeiramente antes de falar sobre as coisas deste capítulo, eu gostaria de agradecer com todo meu coração por todo apoio, carinho e mensagens vindas por vocês em relação a esta fanfic! Sério, muito obrigada mesmo, amores! Claro, tivemos altos e baixos por aqui mas agradeço por tudo e todo apoio que me deram em toda a trajetória da história!
▌Bem, agora poderemos falar sobre o capítulo KKKKKKKKKK
▌Finalmente tivemos nosso momento de Thomalia, espero que vocês tenham gostado, confesso que estava meio enferrujada desde Deep Paradise KKKKKKK
▌Quem pegou referências de DP pegou viu KKKKK
▌Voltando ao assunto da história, muitos se perguntam de onde vem o nome "Lilith" ou o apelido que o Atlas deu a Thalia "Lili", não, não foi um surto dele. Mesmo com nós achando, o nome verdadeiro da nossa querida é Lilith, todas as vezes que o antigo nome dela era citado de forma escondida e em itálico era este que estava sendo escondido KKKKKKKKK acreditem se quiserem, realmente quando criei a história, antes mesmo de jogar no wattpad, eu já tinha decidido o nome de batismo dela e o verdadeiro. Agora vocês sabem a origem dela
▌E a nossa Pandora com o Minho? Amo demais esses
▌Relaxem que o nosso Newt não ficará eternamente sozinho, claro que ele terá outros amores mas o único que sempre tivera seu coração é o nosso eterno loiro, Atlas. E sim, ele irá descobrir sobre a Sonya através da Thalia, mas aí já fica por decisão e imaginação de vocês
▌Mais uma vez, eu agradeço de coração! Lembrando que está será a minha primeira e única fanfic de Maze Runner, já tentei fazer como DP de escrever outra do mesmo universo e simplesmente não consigo então ficarão apenas com Faction Ghosts mesmo KKKKKKKKK
▌Enfim amores, hoje concluímos a nossa querida fanfic. Vejo vocês na próxima, beijos meus anjos!
▌Muito obrigada pelos votos, leituras e comentários, obrigada mesmo! Amo vocês!
all the love, yas
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