
Professora Substituta | Capítulo Dezoito
— O que você está fazendo aqui? — perguntou Elisa, sem saber por onde começar. Queria perguntar sobre a energia demoníaca irradiando dela, sobre Lilith, mas pareceu mais urgente entender o que ela estava fazendo ali, sentada no sofá de uma biblioteca em uma fenda dimensional fantasma.
— Asmodeus — disse ela, como se isso explicasse tudo. — Ele queria que eu retirasse a marca de Lilith de Sara, então foi o que fiz. Longa história, mas agora tenho poderes e estou aqui para resgatar a espada de Lúcifer. Falei com Clarissa, então combinamos eu te encontraria. — Elisa assentiu, compreendendo quando Clarissa dissera que saberia para onde ir. Ela sabia que Aislinn lhe encontraria para lhe dar mais informações.
— Você e Asmodeus estão trabalhando juntos? Ele está por trás disso? — perguntou, um tanto desconfiada. A presença dele ainda lhe revirava o estômago, Asmodeus nunca parecia boa notícia.
Aislinn negou, o rosto um tanto pálido e tenso.
— Ele está interessado em parar os planos de Mamon, não quer guerra, então achou que eu seria perfeita para encontrar a espada e passar despercebida — relatou, o tom duro e um tanto contido. Elisa viu um vislumbre feroz de raiva brilhar em seus olhos. — Estou o ajudando, mas não diria que estamos trabalhando juntos — complementou, e Elisa queria perguntar mais sobre aquilo, sobre a energia demoníaca e o sumiço, mas precisava focar nas questões mais práticas por enquanto.
— E a espada? Do que se trata? — pediu, querendo entender mais sobre o que precisaria procurar.
— É a versão contrária à espada de Miguel, a que foi usada no combate original. Clarissa não conseguiu descobrir muito sobre isso, mas Azazel e Lúcifer tinham algum tipo de acordo sobre a arma. — Elisa sentiu um calafrio, desviando o olhar para as estantes fantasmagóricas e querendo confirmar que estavam sozinhas. — É a única poderosa o suficiente para quebrar um elo demoníaco. Se fizermos isso, Mamon e Azazel ficam sem nada.
— Você tem alguma ideia de onde está? Por que estaria em uma fenda como esta? — perguntou, um tanto confusa. A menos que Azazel tivesse a arma, era mais provável que a espada estivesse na dimensão infernal, não em uma fenda dimensional humana.
— Podemos invocá-la, até onde eu sei. A espada não está aqui, mas Azazel tem o rubi que decorava sua ponta, é isso que devemos procurar e depois levá-lo até Sara — disse, e só então Elisa compreendeu. Sara invocaria a espada como a herdeira de Lúcifer.
A ruiva assentiu com seriedade.
— Vamos encontrá-lo.
« ♡ »
— Beth? Você está bem? — A voz de Valerie soou abafada pelo som dos outros alunos, Bethany levantou a cabeça. Estava com ao braços dobrados na carteira e a cabeça apoiada neles, quase dormindo.
O olhar de Valerie era preocupado, Bethany não se surpreendeu. Devia estar com olheiras horríveis no rosto pálido, além do cabelo bagunçado.
— Não dormi bem — murmurou, sem querer dar mais explicações. Havia uma grande diferença entre não dormir bem e não dormir nada. Estava exausta depois de passar a noite em claro, revirando-se entre pesadelos e acordando entre os gritos, com o barulho do tiro ressoando nos ouvidos.
Sonhava com Aislinn também. Às vezes sonhava que tinha notícias dela, de que ela havia voltado para a biblioteca, mas então acordava e se lembrava de que não tinha notícias dela há semanas.
Havia acordado no meio de uma crise de ansiedade outra noite, seu pai até mesmo lhe deixara faltar na escola e descansar naquela manhã. Ele estava passando mais tempo em casa ultimamente, pegando menos plantões e lhe tratando como se fosse de vidro. Aquilo lhe irritava e reconfortava ao mesmo tempo, saber que ele estava por perto.
Naomi havia conseguido curar a ferida em sua perna em alguns dias, agora restava uma cicatriz fina e rosada que evitava a encarar. Parou de usar saias, mas a cicatriz na perna não era a única sequela daquela noite.
Os pesadelos e as crises de pânico no meio da madrugada pareciam longe de acabar.
— Tentei te ligar ontem à noite, seu celular estava desligado — disse Valerie, sentando-se ao seu lado. Bethany deu de ombros, passando a mão pelos cabelos bagunçados. — Você não viu nenhuma das minhas mensagens, então te liguei — explicou.
— Meu pai está com ele faz dois dias, desde a última festa com as líderes de torcida — respondeu, encolhendo os ombros. Não lembrava-se muito da festa, só borrões, música alta e de vomitar no gramado no caminho para casa.
— Por causa do que aconteceu com Thomas? — perguntou ela, e Bethany franziu as sobrancelhas, negando com a cabeça. Thomas era só um garoto aleatório que havia beijado na festa, não sabia o que estava pensando naquele dia.
— Não, não ter nada a ver com o Thomas. Eu cheguei muito mal em casa e vomitei na frente dele.
Valerie assentiu com compreensão.
— Eu sei que não temos nos falado muito desde tudo o que aconteceu com Ally, sinto muito por isso, eu...
— Não é sua culpa, meio que estou presa com outros problemas — disse, sem querer que ela se sentisse culpada. Costumava passar as tardes com Valerie e Ally, eram muito mais próximas do que agora, mas estava tão focada em todos os acontecimentos sobrenaturais que não percebera o quanto se afastaram.
— Eu soube que a professora está de licença, uma substituta vai assumir até o final do ano — disse ela. Bethany normalmente se importaria, porque a matéria de artes era a sua favorita, mas estava tão exausta que só sentiu indiferença, lembrando-se de que só faltavam mais dois meses para finalmente estar livre da escola.
Trocou poucas palavras com Valerie, sem querer conversar, então voltou a deitar a cabeça entre os braços dobrados. Ficou ali por mais alguns minutos e ouviu a sala se silenciar, indicando que a professora havia chegado.
Só levantou a cabeça quando ouviu uma voz feminina se apresentando, uma voz extremamente familiar.
Bethany ofegou, encarando a loira na frente da sala com confusão. Quando o olhar de Candace encontrou o seu, ela também pareceu um tanto surpresa e perplexa, mas seguiu a aula com naturalidade.
Ficou encolhida no fundo da sala durante a aula, mas admitiu que Candace era boa no que fazia prestara atenção na aula. Não sabia se estava prestando atenção na matéria, ou se só estava tentando conhecê-la e tentando julgá-la mentalmente, mas a aula passou com uma rapidez surpreendente.
Depois que a aula acabou, esperou na sala até que todos tivessem saído. Candace estava arrumando o material quando Bethany se aproximou, sem saber como abordá-la. Candace não pareceu surpresa quando levantou o olhar, embora um pouco tensa.
— Preciso me desculpar sobre o outro dia — disse a menina, antes que ela tivesse a chance de falar. — Eu estou tendo um ano ruim, estava chateada com outra coisa e descontei em você. Sinto muito por ter exagerado, foi a primeira vez que vi meu pai com outra pessoa — falou, as palavras embolando-se com um pouco de nervosismo. O sorriso que Candace abriu logo depois lhe acalmou, não havia nem um pouco de mágoa nele.
— Eu entendo, não se preocupe com isso — falou, balançando os cabelos loiros iluminados. Bethany forçou um sorriso também, desconfortável com a simpatia dela.
— Então você é professora? Como você e meu pai se conheceram? — perguntou, enquanto ela fechava o zíper da bolsa e pegava os livros empilhados no canto da mesa. A sala de artes era sua favorita por causa do aspecto rústico, toda decorada com móveis de madeira crua e os pôsteres vintage colados na parede.
— Na verdade, eu trabalhava na curadoria de uma galeria de artes, mas então o contrato venceu e eu decidi voltar a dar aulas — explicou, e Bethany assentiu. A cidade era pequena, a possibilidade de ela lhe dar aulas era grande, considerando os poucos colégios disponíveis. — O trabalho como substituta apareceu meio repentinamente, não tive chance de comentar com seu pai ou relacionar o nome da escola. — Aquilo explicava o espanto dela, percebeu. Candace também não sabia que lhe encontraria ali. — Aliás, seus desenhos são impressionantes, você já tem um portfólio? — Ela havia colocado a bolsa no ombro, fazendo um sinal para que Bethany lhe acompanhasse. Acompanhou Candace ao sair da sala, adentrando o corredor barulhento e caótico.
Bethany se encolheu instintivamente. Ficava mais difícil de respirar no meio de tanta gente e barulho.
— Não, na verdade — confessou.
— Deveria montar um, principalmente se pretende cursar alguma faculdade de artes. Conseguiria entrar em qualquer uma com o portfólio certo — falou Candace, e pela primeira vez em algum tempo, Bethany não precisou se esforçar para sorrir. — Posso te ajudar com isso, se quiser — sugeriu a loira, enquanto andavam lado a lado no corredor. Hesitou um pouco, mas então percebeu que seria uma ótima ajuda, já que ela tinha experiência em uma galeria de artes.
— Seria incrível — disse, bem quando Noah apareceu entre a multidão de alunos, ofegante como se tivesse corrido até ali. Ele tirou os cabelos dos olhos, lhe encarando com atenção.
— Precisamos conversar — falou, e Bethany trocou olhares Candace, que apenas piscou e sorriu de uma forma simpática.
— Nos falamos depois — disse. Bethany assentiu e ela seguiu pelo corredor, lhe deixando sozinha com Noah. Queria falar alguma coisa sobre Candace para Noah, mas o assunto que ele queria abordar parecia mais urgente.
— O que aconteceu entre você e o Thomas na última festa das líderes de torcida? — perguntou, as sobrancelhas erguidas com seriedade.
— Nada, não aconteceu nada — disse, mas Noah lhe encarou com mais intensidade e a menina revirou os olhos. — Nós nos beijamos, foi só isso.
— Alguma coisa deve ter acontecido, porque a escola inteira está comentando que vocês fizeram muitas coisas no banco de trás do carro dele, bem piores do que os beijos — falou o loiro, e Bethany arregalou os olhos.
Havia beijado Thomas, ele havia lhe levado até o carro, mas Bethany resolveu não entrar quando percebeu as intenções dele. Dera as costas para o garoto e voltara para a festa.
Tudo era um borrão em sua mente, mas tinha certeza de que não havia feito mais nada com ele. Havia ficado na pista de dança a noite inteira, qualquer uma das líderes de torcida podia confirmar isso.
De repente, a pergunta de Valerie fizera sentido.
— Meu Deus, ele disse isso? — murmurou, furiosa quando acelerou os passos pelo corredor. Noah correu para lhe alcançar. — Eu vou acabar com esse desgraçado.
— Beth... — Noah lhe chamou, mas já havia chegado ao refeitório e avistado Thomas na mesa de sempre, junto com outros atletas. Caminhou até lá com os punhos fechados, observando-o enquanto ele falava com os amigos.
Já era conhecida como a amiga da garota que havia morrido, a menina que tivera uma crise de pânico durante a prova de literatura, não precisava do título de a garota que havia transado com Thomas no banco de trás do carro dele.
— Ei, idiota! — chamou-o, atraindo a atenção dos atletas. Cruzou os braços, encarando Thomas nos olhos e baixando a voz. — Por que não conta aos seus amigos a verdade sobre o que aconteceu na festa? — O garoto riu e deu de ombros, sem parecer realmente preocupado.
— Todos já sabem — disse ele, olhando para trás e encarando os colegas. Todos tinham sorrisinhos sugestivos nos lábios, provavelmente pensando em todos os detalhes falsos que Thomas havia narrado.
Sentiu o bile na garganta, enojada.
— Eu não entrei no carro, então você ficou irritadinho e eu mandei você se foder, depois voltei para a festa — disse, com o tom de voz mais baixo e controlado. Não precisava que todo o time ouvisse. — Por que você não engole seu orgulho ferido e admite que eu não estava interessada em transar com você? — Cruzou os braços, tendo noção de que Noah estava atrás de si, que os olhares de todo o time de futebol estavam sobre os dois.
— Pareceu bem interessada para mim — respondeu ele, em um tom mais duro. Bethany sentiu o sangue ferver de raiva. Ele lhe encarava como se dissesse cale a boca.
— Você beija que nem a porra de um desentupidor, nem todo o álcool do mundo me faria entrar naquele carro — retrucou, sem tirar os olhos dos dele, nem um pouco disposta a recuar. Queria que ele admitisse bem ali, na frente de todos.
Sentiu o poder frio em suas veias, pronto para ser usado e fazê-lo cair de dor. Tensionou os músculos, se controlando.
— Você fala isso, mas geme como uma atriz pornô — provocou ele, aumentando a voz para que o resto do time pudesse ouvir também. Risadas ecoaram entre os atletas, junto com aqueles sorrisinhos cheios de segundas intenções.
Sentiu Noah pegando seu braço, apertando forte.
— Meu Deus, eu só ouço um choro desesperado de orgulho hétero ferido saindo da sua boca — disse seu irmão, colocando-se em sua frente e lhe puxando pelo braço, querendo lhe tirar dali. — Beth, vamos — enfatizou Noah, e Bethany resolveu ceder e ir com ele. Não conseguiria resolver nada ali, discutindo com ele na frente da escola inteira.
Havia acabado de dar as costas para Thomas quando ouviu-o falar novamente.
— Isso mesmo, salve sua irmã da humilhação e volte a chupar as bolas do seu namorado, viadinho de mer... — Bethany não deixou que ele terminasse a frase, virou-se repentinamente e o chutou, acertando-o entre as pernas com toda a força que conseguiu. Thomas se curvou com um gemido de dor, deslizando para o chão e com as mãos no meio das pernas, todo encolhido e pálido por causa do chute.
Ainda de braços cruzados e sobre os olhares da multidão de estudantes na cafeteria, Bethany abaixou-se para que Thomas pudesse lhe ouvir.
— Fale sobre meu irmão de novo e eu chuto tão alto que vou quebrar sua cara — ameaçou, enquanto o menino ainda se recuperava e tentava respirar. Ouviu uma voz rígida lhe chamando, foi assim que soube que teria problemas. Bethany levantou o olhar e deu de cara com a professora de matemática.
« ♡ »
Meia hora depois, estava sentada com Noah, Thomas e seu pai na sala do diretor.
Sabia que havia uma câmera de segurança na cafeteria, só não sabia que estava tão perto dela. Aparentemente, toda a cena havia sido gravada com muita qualidade, e agora o diretor reproduzia o ocorrido na tela de computador. Viu a discussão com Thomas, o momento em que havia o chutado e que ele havia caído no chão, se encolhendo de dor.
— Eu já disse, ele espalhou pela escola inteira que nós transamos durante uma festa das líderes de torcida, mas isso nunca aconteceu e agora todos estão falando sobre mim — explicou pela milésima vez, depois de repetir as palavras de Thomas. Repetira palavra por palavra, desde o momento em que ele lhe expusera com mentiras sobre sua vida sexual ao momento que ofendera Noah. — Eu não transei com ele e nem ninguém, nunca — falou, se encolhendo na cadeira e inspirando fundo. Sentia-se tão exposta que chegava a ser irônico, era uma piada cósmica ter de defender sua vida sexual inexistente. — Eu só o chutei porque ele foi ofensivo comigo e com meu irmão.
— Não toleramos nenhum tipo de violência, a pena padrão é a suspensão por três dias — disse o diretor. Bethany encolheu-se na cadeira, frustrada. Não devia ter perdido o controle, não quando estava tentando se redimir com seu pai depois de todas as besteiras que fizera.
Nunca mais veria seu celular, se continuasse nesse ritmo.
— Me desculpe, eu só não consigo entender o motivo de minha filha ser suspensa por três dias e ele só levar uma advertência. — Bethany reconheceu o tom de argumentação afiada quando Liam se inclinou para encarar o diretor. O diretor Hallister era um homem velho e grisalho com terno cinza, um tanto clichê e padrão, a menina percebeu.
— Thomas nunca...
— É a terceira vez que você repete que ele nunca agrediu ninguém fisicamente, não é isso que estou colocando em questão. Achei que a escola também fosse contra violência verbal e intimidação, mas não acho que meus filhos se sintam protegidos e seguros aqui — interrompeu o loiro, com impaciência e irritação. Bethany quase sorriu levemente, percebendo que seu pai não deixaria os comentários agressivos de Thomas passarem em branco. — Eles passam boa parte do dia na escola, jamais achei que precisariam lidar com isso. Quero a transferência agora mesmo, se comentários como os dele continuarem acontecendo.
Hallister parecia um tanto descontente e impaciente também, os lábios tensos quando encarou Thomas, Bethany e Noah, sentados em poltronas de couro no canto da sala.
— Vocês estão dispensados — disse para os três. Ele não precisou dizer duas vezes, se levantaram imediatamente e saíram da sala abafada e apertada.
Thomas não disse nada, despareceu pelo corredor em questão de segundos; Bethany e Noah sentavam-se em um banco no lado de fora da sala, esperando por Liam. A menina observou o corredor vazio, encarando fixamente o lugar em que Thomas havia desaparecido.
A secretária havia ligado para os pais dele, mas não tinha recebido nenhuma resposta. Bethany suspirou levemente. Infelizmente, seu pai era diferente e sempre atento ao celular, é claro que ele estava ali para a conversa nada agradável com o diretor.
O corredor estava silencioso e cinzento, quase fantasmagórico. Bethany teve de conter as lágrimas e inspirar fundo quando seu pai finalmente saiu da sala, depois de quase quinze minutos.
— Me desculpe — murmurou, se levantando e o encarando. Ele apenas sorriu de leve e levantou a mão para tirar suas mechas escuras dos olhos lacrimejantes, não parecendo tão irritado quanto Bethany achava que estaria.
— Não se desculpe, o diretor retirou a suspensão.
— O quê? — Bethany e Noah perguntaram em coro.
— Tive de ameaçar pedir a transferência de vocês, expôr todo o ocorrido a outros pais e dizer que a escola estava colaborando com um ambiente hostil e inaceitável — respondeu Liam, enquanto seguiam pelo corredor vazio. Bethany não conseguiu conter um suspiro, impressionada e aliviada ao mesmo tempo. — O diretor cedeu e deixou vocês com advertências, além de garantir que Thomas não vai mais incomodar e que a escola vai adotar uma nova política contra qualquer tipo de intimidação física ou verbal.
— Então você não está bravo porque eu o chutei? — hesitou a menina, com medo de estar pisando em um campo minado. Seu pai riu e negou com a cabeça, as mechas loiras transformando-se em um ponto de luz no corredor cinzento.
— Se você não tivesse feito isso, eu provavelmente teria — disse ele. Noah assentiu em concordância, também rindo.
— Aquilo foi incrível, eu queria ter aquele vídeo para ver em um looping infinito — comentou o garoto. Bethany riu fraco, exausta e abalada depois de tudo aquilo.
Ainda sentia os olhos ardendo em lágrimas, uma vontade absurda de se encolher na própria cama, desaparecer entre os lençóis.
— Quero vocês dois bem longe daquele garoto, há algo muito errado com ele. — A garota ficou surpresa com o aviso de Liam, sem saber o que ele queria dizer. Havia algo errado com Thomas, ele era um tremendo idiota.
— Ele não é humano? — perguntou, mesmo que não tivesse percebido nada diferente. Não havia nenhum calafrio, nenhuma onda diferente de poder que lhe indicasse qualquer elo sobrenatural, mas a preocupação na face de seu pai lhe alarmou.
— Não sei dizer, mas as tatuagens que ele tem no braço são idênticas aos símbolos que encontramos na floresta — respondeu Liam. Bethany se encolheu de leve, percebendo que não havia prestado atenção suficiente nas tatuagens dele, mas lembrava-se dos desenhos abstratos que Thomas tinha no braço.
Inspirou fundo, querendo mudar de assunto antes que aquele drama lhe esmagasse ainda mais.
— Candace está trabalhando aqui — disse, mordendo o lábio inferior e tomando coragem. Falou antes que recuasse e pensasse demais sobre o assunto. — Talvez possa chamar ela para almoçar conosco hoje — sugeriu.
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