CAPÍTULO 33
VOCÊ
Meu sono era atormentado por um estranho sentimento de angústia. Aliás, desde minha discussão com TaeHyung me sinto assim, mas agora esse sentimento parece ter se intensificado ainda mais. Eu estava preocupada e queria enviar uma mensagem perguntando se estava bem, todavia a raiva por ter me tratado daquela forma pela manhã falava mais alto e eu apenas encarava a tela brilhante do celular sobre o balcão da cozinha enquanto devorava azeitonas sem ter o que fazer.
ㅡ Ainda está acordada? São onze horas da noite. ㅡ Minha mãe apareceu na cozinha.
ㅡ Estou sem sono.
ㅡ Você está comendo azeitonas? ㅡ inquiriu com puro julgamento, aproximando-se do balcão americano onde eu estou. ㅡ Pessoas normais afogam as mágoas com chocolate, sorvete ou bebidas e não com azeitonas! ㅡ pegou o pote do mármore e o tampou seguindo até a geladeira.
ㅡ Eu nunca fui normal. ㅡ resmunguei atirando o caroço da última que devorei no lixo.
ㅡ Você deveria falar logo com o TaeHyung. ㅡ disse pegando um copo no armário e o enchendo de água.
ㅡ Eu já disse que não! Mãe, você tinha que ver como aquele babaca falou comigo.
ㅡ Vocês não têm nem dois dias de namoro e já brigaram. Eu não estou dando razão para ele, pois foi errado em ter tratado você daquela forma, mas não vai ser assim que vão resolver o problema de vocês.
Suspirei lentamente assistindo terminar de beber sua água e colocar o copo sobre a pia.
ㅡ Amanhã eu falo com ele. ㅡ peguei o celular do balcão levantando-me da cadeira.
ㅡ Amanhã pode ser tarde.
ㅡ Vira essa boca para lá, eu só vou dar um gelo. ㅡ caminhei para deixar a cozinha.
Antes que eu deixasse o cômodo por definitivo, o telefone da casa tocou, o barulho soou como um mau agouro fazendo algo dentro de mim, revirar e meu coração se inquietar.
Rapidamente minha mãe o atende.
ㅡ Alô. Sou a mãe dela... Conheço sim, é o namorado dela. O que aconteceu? Meu Deus! Como ele está?
Puta merda! Algo aconteceu com o meu TaeHyung.
ㅡ Filha. ㅡ chamou com a voz embargada ao desligar o telefone. ㅡ Você tem que ser forte agora.
Forte?
ㅡ O TaeHyung está no hospital. Parece que ele foi baleado. Ele não está bem, o caso dele é grave.
Meu corpo passou a tremer, minha temperatura variou do mais extremo calor ao mais congelante frio, o ar se congestionou em meus pulmões e eu arquejava sentindo um desespero enlouquecedor crescer em meu peito.
A dor era tanta, que eu nem sequer sabia como reagir.
Dói! Dói para caralho!
Eu queria chorar, mas as lágrimas não saiam, eu estava apenas paralisada.
ㅡ Vamos para o hospital. Ele está precisando da gente. ㅡ ela falou.
Mesmo sem força alguma, caminhei de forma atrapalhada até meu quarto. Peguei um sobretudo para cobrir meu pijama velho, apanhei minha bolsa sobre a cômoda e corri com minha mãe para um ponto de táxi.
***
Após longos minutos torturantes, o carro amarelo nos deixou no hospital. Fomos correndo para a recepção perguntar sobre ele. Tentamos pedir permissão para vê-lo, mas era tarde, TaeHyung estava na sala de cirurgia em um procedimento de emergência.
Aquilo só foi o início da noite mais longa e angustiante da minha vida. Os segundos passavam tão lentamente que eu sentia ir enlouquecer a qualquer instante. Eu tentava manter pensamentos positivos, mas o medo me deixava desesperada e sempre as mesmas dúvidas inundavam minha cabeça.
Quem fez isso?
Por quê?
Será que isso tem a ver com o comportamento dele hoje pela manhã?
Será que eu vou poder vê-lo com vida de novo?
Como seria a minha vida sem ele?
Ele não pode me deixar!
Eu chorava silenciosamente toda vez que ligava o celular para ver as horas e via seu belo sorriso retangular no meu plano de fundo.
Quando finalmente conseguia cochilar no ombro da minha mãe, sofria com pesadelos perturbadores que faziam-me acordar assustada. Que inferno!
Já era manhã, seis e dezesseis da matina, quando o médico apareceu, junto a um policial.
ㅡ Com licença. Vocês são familiares de Kim TaeHyung?
ㅡ Sim, eu sou a namorada dele. ㅡ coloquei-me de pé imediatamente.
ㅡ Sou o doutor Kim SeokJin, cirurgião geral do hospital e responsável por Kim TaeHyung.
ㅡ Eu sou Kim NamJoon, o investigador do caso. ㅡ o reconheci imediatamente, era o mesmo homem que me atropelou dois dias atrás, mas isso pouco importa agora.
ㅡ Bom, eu sinto em informar que a situação de seu namorado ainda é delicada, mas nossa equipe conseguiu controlar o estado dele. ㅡ o médico disse com a voz cansada. ㅡ Ele passou pela cirurgia para retirar as balas e agora está na UTI em observação e sendo medicado. Ele foi baleado duas vezes, uma, no abdômen e por sorte a bala não atingiu o intestino ou outro órgão crítico. Mas infelizmente a segunda bala atingiu sua coxa, rompeu uma importante artéria e perdeu muito sangue. Entretanto, graças a rapidez do socorro, TaeHyung ganhou mais chances de sobreviver.
ㅡ Mas como o TaeHyung se meteu nisso?
ㅡ Segundo os depoimentos de Min YoonGi, TaeHyung foi atingido ao se colocar como escudo humano para proteger sua esposa grávida. ㅡ o policial explicou.
Ouvir tudo isso era horrível.
ㅡ Bom, TaeHyung precisa urgentemente de transfusão do sangue O negativo e nós temos poucas bolsas em nosso estoque. Aliás, aqui é uma emergência, então diariamente precisamos desse tipo sanguíneo. ㅡ o médico complementou.
ㅡ Isso quer dizer que ele precisa de um doador? ㅡ indaguei angustiada por saber que eu não poderei ser sua doadora por ser do tipo A positivo.
ㅡ Sim. Mas podem ficar tranquilas, nós já encontramos um doador. O pai de TaeHyung, o senhor Kim KwanJi, é O negativo e já está a caminho.
***
ㅡ Você precisa descansar. ㅡ Minha mãe disse pela milésima vez tentando me levar para casa.
ㅡ Mãe por favor, não quero ter essa discussão de novo. Já disse que vou para casa mais tarde.
ㅡ Mais tarde quando? Filha, você sabe que não vai ver o TaeHyung hoje. Você precisa comer, já são duas da tarde, nós não dormimos, não tomamos café e nem almoçamos.
ㅡ A senhora pode ir. ㅡ respondi ainda irredutível.
ㅡ Não vou te deixar aqui sabendo da sua condição.
ㅡ Por favor, eu não sou uma criança.
ㅡ _____, pode ir para casa. Vou ficar e informo vocês sobre tudo. ㅡ Robi, que havia chegado a alguns minutos falou.
ㅡ Tudo bem. ㅡ respondi insatisfeita com o desfecho colocando-me de pé.
ㅡ Até mais tarde então. ㅡ se despediu quando eu e minha mãe passamos a caminhar para fora do hospital.
O trajeto no táxi foi silencioso, minha mãe dormiu o percurso inteiro, ela estava bastante cansada.
ㅡ Vá tomar um banho, vou fazer algo para comer. ㅡ Ela disse assim que entramos em casa.
Assenti e apenas fui direto para o banheiro. Meu banho foi longo o suficiente para que meus dedos ficassem engiados, pois debaixo da água quente que coloquei todo aquele sofrimento que dominava meu peito para fora através das densas lágrimas. E só quando não havia mais lágrimas para chorar deixei o cômodo.
ㅡ Se sente melhor? ㅡ Minha mãe indagou quando entrei na cozinha vestindo um vestido fresco.
Eu apenas suspirei em resposta quando me sentei do outro lado da pequena mesa, pegando a porção de macarrão instantâneo que havia separado para mim.
ㅡ _____, sei bem o que está sentindo, os pensamentos que circundam a sua cabeça. ㅡ ela disse colocando seus talheres de lado para me direcionar toda a atenção.
ㅡ Foi diferente com o papai, porque você sabia que ele ia morrer a qualquer instante. Já com TaeHyung foi tudo de repente, não tive quase sete anos para me preparar. ㅡ falei mais ríspida que esperava.
ㅡ Me preparar? Você acredita que me preparei nesses sete anos? Eu nunca estive preparada para a morte de seu pai, embora tivesse conhecimento dela. ㅡ falou com a voz alternando entre mágoa e raiva. ㅡ Se imagine, diariamente acordar e ver aquela pessoa que você tanto ama e pensar "Talvez seja a nossa última vez." Não foi fácil. Agora para de ficar aí mal-humorada com Deus e o mundo como se todos nós fossemos os culpados, pois não vai ajudar em nada. ㅡ irritada, colocou-se de pé abruptamente.
ㅡ Desculpa.
ㅡ Não tenho o que te desculpar, só estou te alertando que esse seu comportamento é inútil e infantil. E a louça é por sua conta.
Fiquei ainda mais irritada, contudo preferi me manter calada, pois nós estávamos cansadas demais e uma discussão agora só pioraria as coisas.
Após lavar e guardar a pouca louça, me recolhi ao meu quarto onde simplesmente apaguei em um sono profundo repleto de sonhos estranhos e cansativos, como alucinações causadas pelo cansaço.
ㅡ _____! ㅡ despertei com uma tapa na bunda.
ㅡ JiSoo?
ㅡ Estamos te chamando a horas.
ㅡ O que foi? ㅡ indaguei ao notar minha mãe toda sorridente ao seu lado.
ㅡ Robi acabou de me ligar dizendo que o pai de TaeHyung chegou. Ele foi encaminhado para fazer os exames para ver se ele tem condições de ser o doador. ㅡ Ela estava elétrica como sempre. Sei que deveria ter ficado feliz e animada com essa notícia, mas tudo o que senti foi receio.
TaeHyung me disse uma vez, há muito tempo, que fugiu de casa por conta da relação com o pai. Sinceramente, não sei como irá reagir ao saber quem foi o seu doador.
ㅡ Vamos filha, não fica aí com essa cara de sei lá o que, se arrume logo! JiSoo nos levará ao hospital.
Pikachu nos levou até o hospital na velocidade que conseguia, mas chegamos.
ㅡ Oi, meu solzinho. ㅡ JiSoo abraçou o namorado com um largo sorriso.
Ela sempre foi assim, o mundo poderia estar acabando, ela continua a sorrir.
ㅡ Oi, meu bem. ㅡ retribui o carinho rapidamente.
ㅡ HoSeok. ㅡ o cumprimentei.
ㅡ _____, como está? Descansou bem?
ㅡ Sim, mas como está o Tae? E o pai dele?
ㅡ O Tae está na mesma. O pai dele está ali, no banheiro. Estamos aguardando os resultados dos exames.
ㅡ E isso vai demorar quanto tempo?ㅡ minha mãe perguntou.
ㅡ Segundo eles não devem demorar muito, aliás o caso de Tae é urgente.
ㅡ Com licença. ㅡ uma nova voz ecoou no ambiente, densa, grave como a de TaeHyung.
Antes mesmo de olhar para o homem que se posicionou ao nosso lado, tive total certeza que era ele, o pai do Tae.
ㅡ Senhor Kim. ㅡ HoSeok disse. ㅡ Deixe-me apresentar a sua nora. Esta é _____, a namorada de seu filho.
Levei meus olhos ao homem, alto, lábios bem desenhados, maxilar marcado e a derme com o mesmo tom de dourado de TaeHyung. Entretanto, o olhar do mais velho era muito diferente.
ㅡ É um prazer senhor Kim. ㅡ estendi a mão para o homem à minha frente.
ㅡ Muito prazer _____.
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