Depois das aulas, eu e minhas amigas entramos no carro da Daniella, para irmos visitar o relojoeiro. O dia estava ensolarado e a cidade estava para lá de movimentada.
— Meninas, vocês são geniais, mas, como conseguiram descobrir o assunto do relojoeiro?
— Nas cartas, ela falava dessa relojoaria, parece que eles se encontravam nessa mesma relojoaria, achei fofo até. — Dani falou, abrandando quando o sinal fechou no semáforo.
— Trair a mulher numa relojoaria é fofo, Daniella? — Ruth perguntou, reduzindo o som da rádio.
— Olha, na parte de trair acabou toda a fofura. Mas na parte de namorar ao som dos tic-tac é fofo.
— Você tem razão. — concordei e Ruth revirou os olhos.
— Se o Carter me fizesse isso, ele estaria escutando o tilintar dos relógios em coma. — Ruth afirmou e nós gargalhamos.
— Bom, se o Nick fizesse isso, eu nem sei o que faria. — O sinal abriu e Dani curvou em direção ao centro da cidade.
— Talvez a amante era melhor do que a Nicole. — Ruth sugeriu, olhando para a janela.
— Pensando logicamente, era melhor mesmo, por que o Lucca é o filho mais bonito dos Roberts. — Daniella disse e aí eu tenho que concordar. — Não é, Nessa?
— Sim, o Lucca é o mais lindo dos Roberts. — Falei e elas sorriram com certa cumplicidade.— Mas, ainda falta muito?
— Não, já chegamos. — Daniella estacionou em frente a empresa dos Roberts e nós saímos do carro.
A empresa era gigante, a maior imobiliária da cidade. Os melhores apartamentos e mansões de luxo pertenciam ao Roberts, eles vendia mas as que restaram ainda pertencia a eles.
— É aqui a lojinha do relojoeiro. — Daniella falou, apontando para uma pequena relojoaria, pintada de cinza com um relógio desenhado na porta.
—É bonita e fofa. — Eu disse quando estávamos a atravessar para o lado da loja.
— Vamos entrar. — Ruth abriu a porta e entrou. Dani entrou e eu entrei após ela entrar.
Vários relógios tocavam o som forte do : TIC-TAC!.
Um senhor velhinho de cabelos grisalhos e um sorriso simpático olhou para nós e ajeitou o lápis na sua orelha direita.
— Boa tarde meninas, o que desejam? — Perguntou o relojoeiro, enquanto limpava as mãos com um pano rosa velho, ajeitou o seu macacão jeans azul e abotouou o último botão da sua camisa xadrez preta e vermelha.
— Boa tarde senhor, nós queremos saber o paradeiro de Scarlett Howard. — Ruth falou, mostrando uma foto da mãe de Lucca quando jovem e o senhor sorriu.
— Ah, a Scarlett, faz tempo que não vejo ela. Ela mudou-se para Portland, e agora é uma cantora de ópera, não tão famosa. Mas por quê o interesse nela? — Ele perguntou e Daniella forçou um sorriso.
— Roberts. — Dani respondeu e ele mudou o seu semblante, mas rapidamente voltou a inibir o rosto com o sorriso.
— Por favor, se retirem da minha loja, eu não tenho nada haver com isso. — pediu o relojoeiro.
— Meninas, é melhor irmos, muito obrigado senhor. — agradeci e levei as minhas amigas até fora da loja.
— Esse velhinho sabe de alguma coisa, Nessa. — Daniella argumentou e eu balancei a cabeça negativamente.
— Talvez ele não queira dizer por ser algo pessoal da Scarlett. — Repliquei.
— Covarde! — Ruth resmungou. — Mas se for para ir até Portland hoje, nós vamos meninas, não podemos parar por aqui.
— mas Portland é a cidade vizinha, muito longe daqui. — Reclamou Daniella.
— Duas horas de tempo não mata ninguém.
— Quem vai dirigir sou eu. — Dani disse.
— Eu também sei conduzir um carro, posso ajudar-te. — Ruth rebateu e Daniella revirou os olhos. A Ruth era difícil de ser contrariada.
— Está bem, vamos a Portland.
💘
Daniella estacionou em frente ao restaurante Portiolli's, o maior restaurante e com o melhor karaoke, existiam evidências da Scarlett frequentar aquele lugar.
— Esse restaurante é chique. — Daniella falou, sentando na cadeira ao lado da janela com o logo do restaurante.
— É bem lindo mesmo. Onde estará a Scarlett? — Ruth perguntou. — Vou chamar um dos garçom's para saber dela. Oh, mocinho bonito! — Ruth chamou um rapaz loiro e ele prontamente parou em frente a nossa mesa. — você conhece a Scarlett Howard?
— Conheço sim, hoje ela tem um show ao vivo aqui no restaurante, daqui a uma hora.
— Está bem, obrigada. — Ele sorriu e voltou a trabalhar. — Vamos ter um papinho com a Scarlett hoje.
— Falas como se já a tivesses conhecido. — Daniella retrucou e eu ri.
— Tens toda a razão Dani. A Ruth está muito confiante hoje.
O restaurante começou a encher e o som sendo preparado. Depois de duas horas, a Scarlett subiu ao palco.
Ela era totalmente parecida com o Lucca. Seus cabelos castanhos cacheados e o rosto branco como a neve, as iris dela são verdes, ao contrário do Lucca, que são azuis.
— Ela é tão bonita! — Daniella disse e eu concordei.
Ela começou a cantar uma música da Adele: Set Fire To The Rain. E quando terminou, eu e minhas amigas, levantamos da mesa e fomos até a mesa onde ela sentou-se.
— Boa noite Scarlett, nós viemos de Harpier só para ver-te a cantar. — Ruth falou, sentando na mesa e eu e Dani imitamos ela.
— Ah, muito obrigada, eu assim fico muito feliz. — Ela agradeceu sorrindo e nós também sorrimos.
— Quem iria ficar muito feliz é o Lucca. — Ruth foi directa e Scarlett forçou um sorriso
— Que Lucca? — Scarlett perguntou, dando um gole demorado na sua água e Ruth revirou os olhos.
— Posso ser uma adolescente, mas não nasci ontem. O seu filho, o Lucca Roberts. — Ruth falou e ela fez um sinal para Ruth calar.
— Fala mais baixo, aqui ninguém sabe que eu tenho um filho. Mas como vocês descobriram?
— Foi tudo graças a tua nora aqui. — Daniella falou apontando para mim e eu sorri envergonhada.
— Você namora com o meu Lucca? — Scarlett perguntou.
— Não, somos amigos. — Respondi e ela assentiu.
— Mas o teu filho sofre sem você. Quem não quer ter a verdadeira mãe por perto? Scarlett. — Ruth perguntou, demorando na pronúncia do nome dela. Ela sabia mesmo como intimidar as pessoas.
— Eu não tenho nada a fazer. O Richard proibiu-me de ver o meu filho, por causa da Nicole. Eu não tenho a guarda do Lucca, perdi. — Ela respondeu amuada e eu pude de alguma forma, sentir a dor dela. — Eu não vi o meu filho crescer. — Scarlett limpou uma lágrima prestes a cair do seu olho direito e sorriu nervosa. — Nunca troquei-lhe a fralda até uma boa idade e não lhe dei de mamar. Não lhe dei banho após voltar da escola.
— Mas que situação triste. — Falei, tocando a sua mão esquerda. — Eu também cresci sem o meu pai biológico, ele morreu, mas tenho um padrasto maravilhoso, que nunca me deixou faltar nada, mas se alguém me dissesse que o meu pai está vivo e que quer me conhecer, eu iria com todas as forças do mundo ver-lhe, apenas para o conhecer. Mesmo se ele fosse o maior estúpido e bruto do mundo, eu iria tentar e é isso que o Lucca quer, ele cogitou que a senhora estaria viva e ele tinha toda a razão, por favor, vá conosco a Harpier.
— Não meninas, eu não posso, tenho a minha vida feita cá, não posso largar tudo e sofrer nas mãos do Richard outra vez. — Scarlett disse e eu apenas sorri fraca. Ela estava ferida por dentro.
— Ao menos tentamos, meninas. — Daniella falou, levantando-se do banco acolchoado. — Mas Scarlett, fica sabendo que está perdendo a maior oportunidade de curtir o seu bebezinho antes dele casar e ser feliz com a família que vai criar.
— Vamos. — Ruth disse levantando e eu também levantei da cadeira. — Muito obrigada por ao menos nos escutar Scarlett.
Saímos do restaurante e entramos no carro da Daniella.
— Eu não a julgo, o pai do Lucca parece ser muito mau. — Ruth falou, abrindo a sua mochila.
— Para mim ele foi simpático. Ele e o meu pai eram melhores amigos, disse ele. — Falei, desbloqueando a tela do meu celular.
— Essa mulher talvez não quer o filho. — Daniella sugeriu.
— Bom, que mãe iria desperdiçar uma chance de ver o seu tão amado filho? — Ruth perguntou. — ela tem medo do Richard.
💘
— Adeus meninas, muito obrigada pela ajuda. — Despedi-me delas e entrei na minha casa. Já estava escurecendo e a lua estava aparecendo
Mas que dia! Estava cansada.
Subi as escadas até o meu quarto e tomei um banho gelado para fazer-me ficar mais relaxada. Vesti o meu pijama roxo e abri o meu computador.
Assisti um filme romântico e depois fui dormir.
Acordei com o som do despertador. Preparei-me para a escola e meu pai foi deixar-me.
Outra vez, entrei na biblioteca, em busca do misterioso livro do são Valentim. Dessa vez, encontrei ele, numa mesa, aberto.
— O amor é uma onda do mar tão brava que causa turbulências. — Li mentalmente e pus me pensar.
O que o livro quer me alertar desta vez? Sendo que o alerta de ontem foi quase que desnecessário, talvez ele quis dizer que a mãe do Lucca ficou enganada, ao pensar que o senhor Richard Roberts iria casar ou ter algo a mais com ela.
Talvez essa foi a escolha errada do cupido.
Deixei o livro sobre a mesa, mas quando estava prestes a sair da biblioteca, decidi levar-lhe comigo, talvez fosse necessário.
Voltei a mesa e como magia, desapareceu.
Mas para onde ele foi? Ele nem pernas tinha para eu tentar dizer que ele saiu fugindo correndo por aí.
Affs, suspirei — talvez ele não me queira por perto.
Saí da biblioteca e caminhei até o corredor dos cacifos, deixei o meu material que não ia usar durante as aulas e levei o meu livro de história.
O cartaz da peça estava colado por toda a escola, a minha imagem e a de Lucca juntos era tão linda de se ver. Eu estava tão linda vestida de Cinderela.
Eu gostava muito daquele rapaz. Ele fou enviado pelo cupido. Especialmente para mim.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro