
Capítulo 12
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Acordei atrasado e quando perguntei pela Agatha, a dona Sônia me disse que ela havia saído e ido fazer um trabalho, na casa da Sabrina.
Desanimei-me, pois eu teria que ficar sem vê-la por tempo indeterminado; ainda mais depois de tudo o que havia acontecido entre nós.
Cogitei a ideia de ir visitar o Anderson e aproveitar para vê-la, como quem não quer nada, mas logo vi que era injusto eu usar o meu amigo, somente para ver a garota que eu amava.
Amava.
É, durante a madrugada eu havia percebido que havíamos cruzado a linha tênue entre o amor e o ódio. Então sim, eu amava a Agatha, como nunca amei ninguém na vida.
Tentei então me inteirar das matérias da faculdade, porém, nada entrava na minha mente. Eu não conseguia me concentrar em nada, nem nos brioches quentinhos que a dona Sônia havia feito para mim.
Contudo, quanto mais eu tentava não parecer estranho, mas eu aparentava estar. E era inescapável a mim e a qualquer outro ao meu redor, que a ausência de Agatha estava causando em um mim sensações horríveis, como se algum ruim fosse acontecer, muito em breve.
Mas acreditei que aquelas paranoias da minha mente eram apenas fruto da ansiedade, que já me acompanhava há alguns anos.
No entanto ― para a minha salvação ―, ninguém sabia o motivo que me deixava assim tão hiperativo, andando de um lado para o outro, mas apenas sabiam que alguma coisa me assombrava.
Durante toda a tarde eu tentei fazer milhares de coisas, mas acabava com o mesmo aperto no peito, e uma sensação horrível de terror invadindo a minha mente.
Tentei relembrar os momentos passados com a Agatha em minha cama, onde ela quase havia se entregado a mim, mas nada me fazia me sentir melhor. Era como se naquele instante em que eu estava ali, sozinho em minha casa com o resto das pessoas que não eram a minha aurora da manhã, algo horrível acontecia; algo que poderia mudar tudo.
Era como se sem a Agatha, um rombo se abrisse em meu coração, mesmo que ela só estivesse há um pouco mais de um quilômetro de distância de mim. Porém, naquele instante realmente não aparentava ser somente aquilo que me afligia.
Aparentava ser um pouco mais, mas que também, eu não conseguia decifrar o que era.
Era noite e eu já estava sem fôlego, pois a minha respiração faltava a cada minuto em que eu pensava que a Agatha estava demorando demais para voltar, ou ao menos ligar, dizendo que precisava de carona.
Porém, enquanto eu rolava na minha cama, tentando controlar a minha ansiedade e os pensamentos ruins que vinham à minha mente, eu escutei o meu celular tocar, bem em cima do meu criado.
Olhei para o visor e vi que era a Agatha. Dei graças à Deus pelo sinal de vida que ela estava me dando, todavia, ao atender ao telefonema, percebi que não estava tudo bem.
A Agatha chorava convulsivamente do outro lado da linha. Então senti todo o meu corpo se congelar.
― Agatha, o que está acontecendo? ― eu gritei, enquanto sentia todo o meu corpo tremer de medo.
― Marcelo, por favor, venha me pegar no Hospital Jardim Eulália? ― Eu sentia a Agatha tentando controlar a sua voz, mas tudo o que ela conseguia passar para mim, era dor e desespero. ― Eu preciso muito de você!
― O que aconteceu? ― Eu não sabia se tentava entender o que tinha ocorrido, ou se corria para lá logo. Decidi que não tinha nada mais que eu pudesse saber dali e que ela precisava mesmo era que eu corresse até lá. ― Eu já estou indo!
― Por favor, Marcelo, não se demore, pois eu preciso mesmo de você! ― ela suplicou, antes de desligar o celular.
Saí correndo e derrubando tudo pelo caminho. Logo os meus pais apareceram na sala, me olhando com as suas expressões inquisitivas, porém, eu os ignorei.
Parti para a garagem e entrei no meu carro, sem dar maiores explicações. Afinal, eles também nunca estavam dispostos a clarear a minha mente. E eu não tinha tempo. Eu tinha que chegar em Agatha o quanto antes, pois se ela precisava de mim, eu precisava o dobro dela.
Dirigi rapidamente, correndo o risco de levar várias multas por ultrapassar sinais e ainda mais, correndo o risco de causar uma tragédia, mas não havia maior treva do que aquela, que rondava o meu coração, enquanto a Agatha chorava e eu simplesmente estava longe dela... Meu Deus, ela estava em um hospital!
A Agatha estava chorando e precisando de mim, e o caminho parecia longo demais, tanto que eu pisei até no fundo do acelerador.
Estacionei o carro na calçada até derrapando, de tão rápido que cheguei. Saltei do automóvel e logo encontrei a Agatha na entrada do hospital, chorando e com as mãos trêmulas. Porém, ao me ver, a primeira coisa que ela fez foi saltar para o meu abraço, procurando abrigo e proteção em mim, depois de seja lá o que, que ela havia passado.
― Marcelo, ele queria me matar! ― ela disse, sem controlar o choro. ― Porém, foi a Sabrina quem ele quase matou.
― De quem você está falando, Agatha? ― eu disse, segurando firmemente em seu rosto. ― Quem tentou te matar?
― O Anderson.
― O quê? ― Arregalei os meus olhos e gritei com toda a indignação que me cabia naquele momento.
― Ele é o sujeito que pertence ao Plano Mágico e que quer me usar para voltar... Ele não é bom. O Anderson é um falso... e ele queria me matar, para poder voltar.
― Mas... Mas isso não é possível! ― eu disse, ainda atordoado.
― É verdade, Marcelo! ― Ela implorou com o seu olhar. ― Eu me lembro de quando ele foi exilado do Plano Mágico. E posso te dizer que ele é um sujeito maléfico. E eu sabia que ele não perderia tempo, se soubesse que eu sou quem sou. Por isso eu não queria que ele lesse o meu livro, mas não precisou de muitas linhas, para ele logo sacar tudo... E por isso, a pobre da Sabrina está em péssimo estado, depois de ter sido envenenada com cianureto de potássio!
Eu puxei a Agatha para o carro, quando notei a silhueta de Anderson surgindo no corredor, aparentemente em busca dela… ou até de nós dois. Contudo, antes mesmo que ele pudesse nos ver, eu a levei para o automóvel e arranquei com ele dali.
― Me conte tudo! ― eu pedi. ― Preciso entender tudo, para saber como poderei te proteger dele.
― Ele é muito perigoso, Marcelo ― Agatha disse. ― Se ele souber que você… que bem, que você é o único que pode me tocar, ele pode querer fazer coisas horríveis com você também. Ele não quer que quebremos a maldição da bruxa careca, pois me destruindo é a única forma de ele conseguir voltar para Carmesim.
― Não me importa, Agatha! ― eu disse. ― Eu estou com você e ponto final!
Agatha suspirou, deixando as lágrimas rolarem novamente pela sua face. Ela se encostou no banco do carro e ficou olhando para mim; e não mais para a rua, como quando queria me evitar.
― Tenho medo de que a Sabrina não se salve… ― ela disse, tentando controlar os frêmitos que voltavam a avançar sobre o seu corpo.
― Ela está muito mal?
Agatha balançou a cabeça, assentindo.
― Está entubada e o médico disse que não sabe se ela vai sobreviver, e se isso acontecer, não dá garantias alguma de que ela não vá ter sequelas ― ela disse de maneira irada. ― E isso é tudo culpa minha! Se eu tivesse sido cuidadosa, ele nunca me reconheceria. Afinal, eu era muito nova quando ele foi exilado de Carmesim, então não tinha como saber como é a minha fisionomia.
Eu parei o carro onde estávamos e então a abracei. A Agatha se acolheu em meu peito, como se aquilo fosse o seu paraíso no meio do inferno. E era isso o que eu queria ser: a sua salvação.
― Ela vai ficar bem! Vamos ter fé nas coisas boas… ― eu pedi. ― Mas me diga uma coisa, Agatha: se ele foi banido quando você era pequena, ele então era muito novo quando fez algo de errado, não é mesmo?
― Não! ― ela disse. ― Ele já tinha mais ou menos a idade que tem hoje. Mas quando uma pessoa é exilada do Plano Mágico, ela renasce de novo aqui. E a sua alma nunca tem descanso, pois ela vai renascendo e renascendo sucessivas vezes, sem nunca ter uma pausa.
― A alma leva para sempre as penalidades da outra vida… é isso que quer dizer?
― Sim ― ela respondeu, sem se afastar do calor dos meus braços.
O meus dedos roçavam a sua pele carinhosamente naquele instante.
― Mas o que ele poderia ganhar te matando?
― Eles iriam querer punir ele em Carmesim... E daí, ele deve ter planos para quando for parar novamente no Plano Mágico.
Eu a apertei mais contra o meu corpo, somente ao imaginar ela sofrendo nas mãos daquele asno, que eu chamei por muitos anos de amigo.
― Mas como ele envenenou a Sabrina, ao invés de você?
― Ele usou o velho truque do veneno no suco, porém, mandou uma empregada levar a bandeja para a gente, e na hora de colocar os copos na mesa, ela acabou fazendo confusão e então inverteu a posição com que eles deveriam ser servidos.
― A sabrina bebeu da xícara que era para você e foi envenenada, mas isso quer dizer então, que a empregada está levando a culpa de tudo? ― eu perguntei, já sabendo a resposta.
― Sim. Ela tentou dizer que foi o Anderson quem preparou a bandeja, mas a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco ― disse Agatha, se agarrando ao meu braço com bastante raiva. ― A mãe da Sabrina acredita que a mulher pode estar querendo tirar a filha do caminho, já que ela é tinhosa e põe todos os empregados na linha. Mas essa não é a verdade, Marcelo! E nada poderá fazer o Anderson parar, pois ele é um assassino profissional.
― Foi por isso que ele foi exilado? Ele matou alguém lá em Carmesim?
― Matou. A própria mãe ― ela disse, tremendo em meus braços e me puxando mais para junto. ― Eu não quero que ele lhe fira. Eu nunca tive nada de bom na vida, mas agora, mesmo que por pouco tempo, eu tenho você.
― Ele não vai nos ferir, Agatha ― eu afirmei. ― Eu não vou deixar. E você não me terá por pouco tempo, mas sim, para sempre.
Eu vi ela se encolher, como se ainda me escondesse algo. No entanto, tentou disfarçar, dizendo:
― Você acredita em mim, não é? ― Ela buscava confirmações também em meus olhos.
― Não há alguém que eu confie mais do que em você, Agatha ― falei com os lábios e olhos, ao mesmo tempo.
Abracei a Agatha mais forte, enquanto ela voltava a chorar seguidas vezes. Porém, em um momento ela se soltou, olhando para mim com os seus olhos muito graciosos; eles estavam inchados, mas mesmo assim, continuavam lindos.
― Eu preciso tanto de você! ― Agatha disse baixinho, sem deixar se intimidar pelo medo que eu sabia que ela sentia.
― Eu também preciso de você! ― eu disse, voltando a puxá-la para os meus braços.
― Me desculpe pela noite passada…
― Tudo bem ― eu disse. ― Está tudo bem... e não há pressa, meu amor.
Eu esperava apenas que a Agatha dormisse, ou chorasse mais em meus braços, mas ela apenas se afastou.
Aquela garota ficou a me olhar e então aproximou os seus dedos finos dos meus lábios, desenhando-os em traçados tão delicados quanto a sua própria pele.
Em seguida, a Agatha se aproximou de mim, tremendo, mas com toda a coragem que uma borboleta tem, ao romper o seu casulo e enfrentar o mundo sozinha. Porém, ela não enfrentaria o mundo, mas somente os meus lábios, beijando-me e entornando o seu magma em todo o meu corpo.
Dando vasão a todo o sentimento que me tomava, puxei-a para mais perto, fazendo-a se encaixar em meu corpo e meu colo, enquanto eu a beijava com mais intensidade.
Não percebi que estava puxando os seus cabelos e que ela arranhava o meu pescoço, até me ver completamente sem fôlego.
― Me faça esquecer de tudo isso, Marcelo! ― ela implorou, ainda com a voz embargada pelo beijo. ― Eu quero me faça sentir que serei sua para sempre... Assim como Romeu e Julieta.
Eu beijei os seus lábios de maneira estalada, lhe sorrindo e sentindo o meu coração bombear muito sangue pelo corpo. Eu estava em combustão, elétrico e pronto para fazer a Agatha esquecer de qualquer coisa naquela noite.
Porém, não podia ser ali. Não podia ser daquela maneira. Eu tinha que lhe fazer bem. Eu queria muito lhe fazer bem.
Então sem nem afastá-la do meu colo, assim como um louco, pus-me a dirigir para um lugar que eu nunca havia ido, mas que eu sabia que existia.
― Onde estamos indo, seu maluco? ― ela perguntou, um pouco desconfiada.
― Não se preocupe, não estamos indo para casa.
― Quer que eu saia do seu colo?
A Agatha estava irrequieta, sem saber se ficava em meu colo, ou voltava para o seu lugar. Mas o que aquela menina não sabia, era que ali, sentada tão bem encaixada em mim, ela já me deixava muito mais pronto para fazê-la se esquecer de tudo, o quanto antes.
― Fique aí! ― eu disse e então tomei a mão dela para junto da minha e a coloquei na marcha do carro. ― Você vai me ajudar a dirigir.
Eu sorri e ela me devolveu um sorriso, que era inocente e malicioso ao mesmo tempo.
Depois de acelerar e tentar me controlar, ali com a Agatha tão ardente e junto de mim, nós chegamos ao nosso destino.
E no alto de uma pequena colina, repousava um único e grande baobá ― daqueles que existiam na história do Pequeno Príncipe ―, e em seus grossos galhos, se sustentava uma pequena cabana, que há muito tempo temperava histórias sobre romances belos, de lendas que rondavam a cidade.
Porém, eu queria ser o primeiro a contribuir para a certeza de que aquele lugar não fora somente usado em lendas.
Ao olhar para a Agatha percebi que ela consentia ao lugar; simples e calmo, contrastando com todo o turbilhão que nos dominava naquele instante.
Subi com ela nos braços e ao chegar dentro da cabana, percebi que tudo ali era muito rústico e selvagem. Eu gostava do que via, mas temia que a Agatha se sentisse mal ali.
Contudo, ao vê-la se aproximar do pequeno leito que estava ali, estendido no chão, percebi que ela se sentia mais confortável naquela cabana, do que em qualquer outro lugar daquela cidade.
Pensei em dizer um milhão de coisas para a Agatha, mas ao me lembrar do seu pedido urgente e de ela dizendo tão claramente que precisava de mim, me esqueci completamente do que iria dizer.
Aproximei-me dela, puxando-a para mim e beijando-a com todo o amor que eu sabia que sentia por ela.
A Agatha parecia se derreter em meus braços; contra os meus lábios. Ela me passava total certeza do que queria, por meio de seus atos e da sua entrega.
A Agatha me puxava para si pela camisa e pela calça, enquanto me arranhava e amarfanhava o meu cabelo escuro, tornando-se então uma gatinha muito selvagem.
Ela me queria, da mesma forma que eu a desejava, e a Agatha já devia até saber disso, de uma maneira física e gestual.
Encostei-a contra a parede de madeira, elevando-a e fazendo-a se encaixar em minha cintura; colada em mim, me sentindo pulsar de desejo.
Uma de minhas mãos lhe passeava pela cintura, nádegas e pernas, e a outra lhe segurava bem forte na nuca, assegurando que ela não fugisse dos meus lábios também. Eu a sustentava contra a parede com a pélvis, que estava completamente encaixada à dela, antevendo os próximos momentos de conexão.
Todavia, a Agatha demonstrava a mim estar totalmente ali, e em nenhum lugar mais, pois naquele instante, os meus braços se tornavam um lar para ela, e os seus lábios, eram a minha nova morada.
E então não importava onde estivéssemos e nem para onde fossemos depois dali, pois estaríamos repletos, para sempre, um no outro.
Eu sentia uma urgência latente em invadi-la logo, mas sabendo que a Agatha ainda era virgem, me concentrei em ser um pouco delicado com ela também.
Apesar de eu querer apenas arrancar a sua calcinha e lhe penetrar ali mesmo, contra aquela parede fria, eu decidi que não podia ser egoísta e que aquele dia deveria ser principalmente para ela; para ensiná-la os caminhos do prazer.
Pousei a Agatha sobre a cama improvisada e então com mãos trêmulas e ávidas, comecei a tirar o seu vestido. E durante o processo, observei todo o seu corpo perfeito, desejando muito poder correr logo nas suas curvas.
E mesmo que a única luz que nos iluminasse fosse a proveniente da lua e das estrelas, eu sentia que mesmo assim, eu a podia enxergar com muita clareza.
Beijei cada recôndito do corpo de Agatha, mostrando para ela que aquele era o amor ardente que nos uniria para sempre. E não importava quantas barreiras se levantassem, nós as derrubaríamos com aquele mesmo sentimento.
E enquanto ela gemia e se contorcia mediante o meu toque, eu agradeci mentalmente por ter sido paciente, pois se eu tivesse sido brusco demais, nunca poderia assistir àquele festival de beleza, que era a minha Agatha, gemendo e implorando por mais um cálice de prazer.
Todavia, no momento em que os nossos corpos se uniram em meio a escuridão da noite, eu voltei a ter que refrear os meus anseios, pois eu queria que aquela noite fosse especial, para mim e para ela, por igual.
Fui bem cuidadoso ao invadi-la e segui assim cauteloso, até ver que a Agatha estava mais confortável, e então somente após isso, intensifiquei os meus movimentos de entrar e sair, como se os nossos corpos fossem somente ondas que vibravam e dançavam juntas, em uma mesma sintonia.
E eu estivera tão louco e ansioso por aquele momento, que tive que controlar bastante a minha mente, não permitindo que eu alcançasse o êxtase antes que a Agatha aproveitasse o máximo daquele momento. Afinal, para mim era muito fácil alcançar o ápice. Bastava olhar para os seus seios bonitos ou para os seus lábios entreabertos, e eu facilmente chegaria lá.
Mas como aquela noite era mais sobre ela do que sobre mim, aguardei com paciência que a Agatha encontrasse a sua forma de chegar ao clímax. E somente após isso, foi que eu relaxei a minha mente e os meus músculos tensos, me liberando para sentir e apreciar o meu próprio orgasmo.
Derramei-me dentro dela por completo, e ao ver que ela estava ofegante e sorridente, apenas a abracei.
E como para alguns instantes não eram necessárias palavras, e aquele era um destes momentos silenciosos, mas tão igualmente significativos.
Acabamos pegando no sono, ainda nus e abraçados, dormindo um sono dos deuses, ou então algo muito próximo a isso.
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