III
Estou quase chegando em casa, o peso da minhas emoções ainda em meus ombros, quando, de repente, a familiar sensação de ser observada retorna, mais forte do que nunca.
Paro, o coração acelerando, me viro lentamente. Aqui, na mesma rua deserta, está a Mulher Misteriosa, parada .Desta vez, não há sorrisos ou provocações; ela simplesmente me observa, como se estivesse esperando.
***"Não... não de novo. Mas não posso continuar fugindo. Chega de ser a vítima."*
Determinada, respiro fundo, sinto a raiva e a frustração borbulhando dentro de mim, alimentadas pelo cansaço de sentir vulnerável e perseguida. Decido que é hora de enfrentar essa figura enigmática de uma vez por todas.
—Quem é você? Por que está me seguindo? O que você quer de mim?"
Ela permanece em silêncio por um momento, como se estivesse ponderando sobre a pergunta.
—Eu já te disse, Melinda... Eu sou alguém que conhece suas dores, suas dúvidas. Alguém que quer te ajudar."
Sinto um arrepio percorrer minha espinha, mas desta vez, não recuo. Mantenho a postura, decidida a não deixar que a mulher continue jogando com minhas emoções.
—Ajudar? Como exatamente me seguir por toda parte é ajudar? Você acha que isso está me fazendo bem? Eu não sei o que você é, mas estou farta de ser caçada como um animal!
A raiva na minha voz faz com que a ela incline ligeiramente a cabeça, quase como se estivesse intrigada pela reação. O silêncio entre nós duas é palpável, carregado de tensão e expectativa.
—Ah, então você finalmente decidiu lutar... Mas e se a verdade que procura não for tão simples, Melinda? Está pronta para o que posso te mostrar?"
—O que você quer dizer com isso? Eu não ligo para seus jogos mentais. Eu só quero entender... Eu sonhei com você... e você estava tentando matar minha ex-namorada. Por que isso? O que isso significa?
Por um breve momento, um sorriso enigmático aparece no rosto da Mulher, mas desaparece tão rápido quanto.
—Sonhos são reflexos, pedaços de verdade misturados com as sombras dos seus medos. Talvez seu sonho seja mais um aviso do que uma lembrança, ou talvez... seja o seu próprio desejo oculto se manifestando.
—Isso é ridículo! Eu nunca desejaria isso! Pare de tentar me manipular! - digo com raiva.
—Talvez você ainda não entenda... mas em breve entenderá. Eu estou aqui para te libertar, Melinda. Libertar do que te prende, do que te atormenta. Mas, para isso, você precisa me aceitar.
—Aceitar você? Por que eu aceitaria qualquer coisa de alguém que me persegue e me assombra?
Ela para de se mover, e a atmosfera ao nosso redor parece congelar por um instante. Meus olhos brilham, cheios de algo que não consigo definir – poder, desejo, talvez ambos.
—Porque eu sou a única que pode te dar o que você realmente deseja. Mas lembre-se, Melinda... uma vez que começar a ver, não poderá mais voltar atrás."
O silêncio volta a tomar conta da rua, as palavras suas palavras reverberavam na minha mente. Estou dividida entre o medo, a raiva e uma curiosidade perigosa.
*"O que ela está tentando me dizer? Por que sinto que há uma parte de mim que já sabe, mas que eu estou evitando?"
—Você disse... que já nos conhecemos antes. Como? Quando foi isso?"
Ela dá um passo à frente, seu olhar intenso me penetrava . A distância entre nós duas diminui, e a proximidade faz com que eu sinta o coração acelerar.
—Ah, Melinda... Você sempre foi tão curiosa. Mas há coisas que o tempo tenta fazer esquecer... mesmo quando o corpo e a alma ainda se lembram."
Ela se move mais perto, a poucos centímetros de mim agora. A presença dela é avassaladora, e sinto o ar ao redor quase vibrar com uma energia densa e eletrizante. O coração bate mais rápido, mas não é apenas medo - há algo mais, algo que eu não consigo ignorar.
—Você não se lembra de como era... a primeira vez que nossos olhares se cruzaram? A primeira vez que senti sua emoção, sua essência?"
—Eu... não sei. É como se... algo estivesse na ponta da minha mente, mas eu não consigo alcançar. Por que sinto que deveria saber?"
Ela se aproxima ainda mais, seus lábios quase tocando minha orelha. Ela fala baixo, com um tom que faz minha espinha estremecer .
—Porque, Melinda... você já me desejou antes, como eu desejei você. Há algo em você que sempre me atraiu, que me fez te procurar... mesmo quando você não sabia o que estava procurando."
Sinto o calor da respiração da Mulher Misteriosa contra minha pele, e uma onda de sensações me invade desejo, medo, curiosidade, tudo se mistura de uma forma que me deixa tonta. Tento me afastar, mas ao mesmo tempo, é como se estivesse presa, incapaz de romper o momento.
—Mas... e se eu não quiser isso? E se eu não... entender o que você quer de mim? -digo quase sem fôlego.
Ela recua ligeiramente, mas apenas o suficiente para que seus olhos possam me encontrar novamente. Ela levanta uma mão, deslizando suavemente seus dedos pelo meu rosto, traçando o contorno da minha mandíbula. O toque é ao mesmo tempo delicado e carregado de uma intensidade que não consigo evitar.
—Mas você entende, Melinda... no fundo, você sempre entendeu. O que você deseja... o que você teme... tudo faz parte de quem você é. E eu estou aqui para te guiar , para explorar cada desejo , cada emoção escondida.
—Eu... eu não sei se posso...
—Você não precisa lutar, Melinda. Deixe-se levar... confie em mim. Juntas, podemos descobrir muito mais do que você jamais imaginou.
Abro os olhos, e por um momento, vejo algo nos olhos da Mulher Misteriosa um reflexo da minha própria vontade, dos meus próprios desejos reprimidos, misturados com a dúvida e o medo que tenho carregado.
Há uma parte minha que quer ceder, que quer explorar essa conexão intensa e inexplicável. Sinto o calor se espalhar por meu corpo, a proximidade com a Mulher Misteriosa criando um laço invisível entre nós duas.
—E se... eu quisesse lembrar? - digo confusa.
—Então, Melinda... eu estaria mais do que feliz em te ajudar a lembrar."
O toque dela ainda queima na minha pele, as palavras sedutoras dela ecoando na mente, sinto uma onda de calor subir por meu corpo. Por um breve instante, quase me perco naquele desejo intenso, naquela conexão inexplicável que parece me atrair como um ímã.
Mas então, algo dentro de mim desperta – um lampejo de clareza que corta através da neblina de luxúria que me envolvia.
Respiro fundo, forçando-me a recuar.
—Não... não! Eu... eu não posso fazer isso.
Me afasto bruscamente, quebrando o contato visual e me afastando da proximidade intoxicante dela.O ar ao redor de nós duas parece esfriar instantaneamente, como se a tensão elétrica de antes tivesse desaparecido.
—Você precisa parar... parar de me seguir, parar de aparecer nas sombras. Eu não quero isso, não quero você na minha vida desse jeito!
Ela não faz nenhum movimento para me seguir, mas o olhar dela permanece fixo , ainda cheio de uma intensidade inegável. Mesmo assim, há algo quase... respeitoso na forma como ela recua ligeiramente, me dando espaço.
—Você é forte, Melinda... mais forte do que imagina. Mas mesmo a força precisa de direção, de propósito. Eu estou aqui para te ajudar a encontrar isso."
—Eu não preciso da sua ajuda, e não quero! Eu não sei o que você quer de mim, mas não vou ser manipulada ou atraída por seus jogos. Então, pare! Me deixe em paz! - digo com firmeza.
A mulher mantém o olhar por mais um momento, como se ponderasse sobre minhas palavras , antes de finalmente dar um passo atrás. O sorriso dela permanece, mas há uma certa suavidade em seus olhos agora, quase como se estivesse se divertindo com minha reação.
—como quiser, Melinda. Mas lembre-se... eu não posso me afastar completamente, não enquanto você continuar me procurando – mesmo que inconscientemente."
Ela se vira, caminhando para trás na sombra de um beco próximo, a silhueta dela lentamente desaparecendo na escuridão. Antes de desaparecer completamente, sua voz ecoa pela rua deserta.
—Estarei por perto... sempre que precisar de mim. - diz já distante
Fico ali, sozinha na rua, o eco das palavras dela reverberando em minha mente. Meu coração ainda bate rápido, mas é um misto de alívio e frustração que me toma agora. Passo a mão pelo rosto, tentando me recompor.
*"Como isso foi acontecer? Como cheguei a quase... ceder? Não posso deixar que ela me controle assim, não importa o quão poderosa ou tentadora ela seja."*
Olho para o beco onde a Mulher Misteriosa desapareceu, ainda sentindo a presença dela como uma sombra que se recusa a ser dissipada. Mas, por agora, eu tomei uma decisão – não serei mais uma presa fácil.
Com passos rápidos e firmes, volto a caminhar para casa, determinada a não deixar que o que aconteceu me derrube.
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