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10 - Incauto

"A habilidade suprema não consiste em ganhar cem batalhas, mas sim em vencer o inimigo sem combater"
- A Arte Da Guerra

Julho de 2000

— Ei, Kitty* — uma voz feminina e alegre cantarolou assim que Catarina pôs os pés na cozinha do Burned Souls — Você vai jogar com a gente hoje, não vai?

Cat encarou os cunhados que estavam sentados ao redor de uma mesa com cartas de baralho na mão, Freya — a irmã mais nova — costumava ter uma certa admiração por Catarina, ela tinha um sorriso lindo e contagiante, os cabelos castanhos eram cortados na altura do queixo e ela carregava o ar jovial de seus vinte anos recém completos, ao lado direito dela estava seu irmão e fiel escudeiro Wassily, apenas um ano mais velho, ele era uma versão masculina da caçula. Também sentado na mesa estava Archie, o segundo mais velho, ele levantou o olhar para Catarina e a cumprimentou com um leve sorriso, depois voltou a atenção para o jogo, trocando de lugar uma das cartas que tinha na mão.

— Você prometeu, Cat — Freya disse fazendo um beicinho e Catarina percebeu que não tinha respondido a pergunta dela.

— Talvez outra hora, Freya — Catarina respondeu, depois se aproximou alguns passos da mesa — Wassily, você fez o que eu pedi?

Ele olhou para Cat como se ela tivesse acabado de acorda-lo, piscando os olhos e com a testa franzida.

— Ah — ele disse, suavizando a expressão, depois levou a mão até o bolso da calça e tirou de lá duas folhas de papel dobradas várias vezes até ficarem no formato de pequenos retângulos, ele as estendeu para Cat.

— É a sua vez de enfrentar "O Inferno"? — perguntou Archie sorrindo de lado e erguendo uma sobrancelha loira.

Catarina soltou um suspiro forçado e todos caíram na gargalhada, exceto Freya que franziu o cenho confusa.

— "O Inferno"? — perguntou.

— É a vez da Cat fazer as compras — Wassily respondeu enquanto depositava uma carta no centro da mesa, Archie xingou baixinho e ele riu.

O som de passos na escada tirou a atenção dela dos jogadores, Luken vinha descendo os degraus lentamente, cantando alguma canção de forma baixa e suave, ele sempre teve uma linda voz, capaz de silenciar e hipnotizar os ouvintes, a prova disso ele carregava no colo naquele momento, Ash olhava para o pai totalmente concentrado, como se a música fosse a coisa mais interessante que ele já havia presenciado nos seus onze messes de vida, e provavelmente era.

— Ah, meu anjinho! — disse Cat alegremente, o bebê se virou para ela e acabou derrubando sua girafa roxa de pelúcia ao estender os braços, ele abriu e fechou as mãozinhas várias vezes indicando que queria passar para o colo dela, Ash havia aprendido a andar surpreendente rápido, mas ainda falava pouca coisa, por isso ainda se comunicava com esses tipos de sinais que os bebês fazem. A primeira vez que Wassily vira Ash andando, ele havia feito uma piada do tipo "os espertos aprendem a correr antes de aprender a pedir desculpas" isso tinha acabado com Catarina dando um tapa forte na parte de trás da cabeça do cunhado.

A Caçadora pegou o filho no colo e beijou a bochecha gorducha, Luken havia recuperado a "Girafa Alienígena" de Ash e agora a estendia para ele, o bebê abraçou a pelúcia e esfregou o rostinho nela, um gesto que Catarina achou extremamente fofo, mas tentou não demostrar. Ela levantou o olhar para o marido, que tinha um imenso sorriso no rosto.

— O que foi?

— Só estava pensando no quanto você parece adorável quando olha para Ash — O sorriso de Luken se expandiu ainda mais.

— Vai se ferrar, eu não sou adorável — retrucou Catarina, estendendo o garotinho para que o pai o pegasse no colo, Ash soltou um resmungo de protesto.

— Não com esse linguajar — disse Luken, rindo enquanto pegava o filho nos braços.

— Cat não xingue na frente do bebê — Freya gritou da mesa.

Archie se levantou e tirou Ash do colo do irmão.

— Vem com o tiozão — ele disse, esticando os braços e levantando o bebê acima da cabeça, a criança riu — Quem é o seu tio favorito? É o tio Archie, não é?

— Não é, não — Wassily rebateu quando Archie sentou-se novamente e colocou Ash sentado na mesa, Catarina notou que Freya tinha começado a fazer um castelo de cartas, o menininho bateu na base da estrutura e o castelo desabou — O tio Wassily é o seu favorito, né bebê?

Ash riu e bateu palmas, provavelmente porque estava satisfeito pela bagunça que tinha feito, mas Wassily interpretou como uma resposta afirmativa para a pergunta e olhou triunfante para Archie, que apenas revirou os olhos. Catarina estivera tão concentrada no que acontecia na mesa da cozinha que teve um leve sobressalto quando braços a envolveram pela cintura, ela xingou-se mentalmente pelos seus sentidos terem falhado a pressentir o "ataque", ela era uma Caçadora afinal, deveria ser mais atenta, acabou apenas se virando para o marido e sorrindo.

— Preciso ir antes que fique muito tarde — disse após beijar brevemente os lábios de Luken, ela fez menção a se afastar, mas ele a puxou ainda mais para perto e a beijou, um beijo de verdade, não o leve roçar de lábios de antes, a língua dele acariciou a dela de uma forma quase reverente, fazendo um arrepio descer pela coluna da Caçadora, quando eles se afastaram Luken sorriu satisfeito, Cat não conseguiu evitar retribuir o sorriso, o abraço dele era quente e agradável, como o sol no fim de tarde, ela poderia ficar eternamente aninhada naqueles braços.

— É assim que se beija o seu marido, garota Nem-Um-Pouco-Adorável — Luken disse, sorrindo de modo travesso para ela.

Cat espalmou a mão no peito dele e o empurrou para longe, ele cambaleou para trás enquanto ria.

— Que merda, Luken! Por que você sempre tem que estragar o momento — ela disse irritada — Eu estou indo agora.

Houve um coro de "Até mais, Cat" vindo da cozinha quando ela caminhou até a porta que levava ao beco atrás da casa, não queria ir pelo bar na frente e correr o risco de dar um soco na cara de alguém pela segunda vez naquele dia, ela esfregou os leves machucados nos nós dos dedos e parou quando chegou a porta, olhando por cima do ombro para a família que ria e conversava ao redor da mesa, a dor suave que sentiu ao tocar os hematomas em um tom suave de roxo esverdeado a lembraram de seus planos de fugir da Caçada com o filho e o marido, ela se lembrava disso todas as vezes que sentia dor, todas as vezes que tinha que costurar uma ferida aberta, todas as vezes que apontava uma arma para alguém. Ela sabia que a Caçada era perigosa de todas as formas, poderia sair para caçar uma noite e nunca mais voltar. Mas mesmo assim era fácil esquecer, ainda mais em momentos tranquilos e alegres como aquele.

Ela se permitiu esquecer mais uma vez, por enquanto.

●◎●◎●

A criança disparou para fora do carro assim que a porta foi aberta, ela correu em círculos pelo estacionamento quase vazio, com os bracinhos estendidos como assas de avião, as tranças castanhas voando atrás dela.

— Brooklyn — Peeira chamou, ela levou quase os dois anos que a criança tinha para falar o nome dela sem fazer uma careta, era o preço que ela teve que pagar para convencer o marido a deixa-la colocar o próprio sobrenome como o último, que todos sabem que é o mais importante, esse era o acordo: o sobrenome dela pelo primeiro nome que ele escolhesse. E é claro que seu esposo nova-iorquino orgulhosamente nascido no Brooklyn não poderia ter escolhido outro nome para a pobre menina.

— Mamãe, eu quero chocolate — disse Brooklyn enquanto dava pulinhos aos pés da mãe, Peeira a pegou pelas axilas e a apoiou no quadril.

— Talvez um pouco menos de açúcar para você hoje — Bayron disse para a menina, elas se viraram para ele, que carregava o segundo gêmeo nos ombros, as perninhas do menino ao redor do pescoço do pai, enquanto este segurava seus bracinhos para que a criança não caísse, James tinha herdado o nome do avô paterno, que graças a Deus tinha um nome comum de garoto. Enquanto Brooklyn era eletricidade em forma de criança, James era seu total oposto, sempre sereno e concentrado.

Quando passaram pelos portas do mercado, os pais colocaram as crianças no chão, Brooklyn puxou o irmãozinhos pela mãe e disparou a frente.

— Não vá muito longe, Brooklyn — Peeira elevou um pouco a voz para ser ouvida, a menina parou abruptamente ao ouvir a voz, fazendo o menino quase cair por cima dela, Brooklyn olhou para ele come se esperasse que ele fosse chorar, quando ele não fez isso e ela chegou a conclusão de que ele não estava machucado, balançou suas mãos unidas, incapaz de permanecer quieta por mais do que alguns segundos, James não pareceu se importar, eles esperam pacientemente, ou nem tanto, os adultos chegarem até eles.

— Eu já disse que essa coisa que você comprou para ele é horrível? Porque ela é — comentou Bayron enquanto segurava a mão livre de Brooklyn, ele se referia ao moletom verde que o menininho usava, o capuz estava levantado sobre a cabeça, tinha olhos esbugalhados, orelhas e chifrinhos de monstro costurados nele, um tecido branco e grosso cortado em ziguezague fora costurado na borda para parecer com dentes, quando James ganhou aquela blusa ele não tinha gostado muito dela, mas assim que a vestiu pela primeira vez, ela automaticamente se tornou a roupa favorita dele, tornando a tarefa árdua de convence-lo a vestir outra coisa em um desafio, James podia ser tranquilo na maior parte do tempo, mas era extremamente obstinado.

A mão esquerda do menino ainda segurava firmemente a da irmã, Peeira segurou a mão livre de James na sua, ele olhou para ela, os olhos brilhantes e verdes combinavam com a cor da blusa-monstro, ele parecia extasiado de receber atenção da mãe, Peeira sorriu e conteve a vontade de apertar as bochechas dele.

— Eu não me arrependo de nada - ela disse — Ele fica muito fofo com essa roupa.

Peeira fingiu não ter visto Bayron revirar os olhos, eles haviam chagado ao corredor dos doces, Brooklyn se soltou da "corrente" que eles haviam formado quando deram as mãos e agora corria pelo corredor como se a energia dele tivesse aumentado simplesmente por estar perto de todo aquele açúcar, ela passou pelas prateleiras agarrando pacotes de guloseimas e os abraçando junto ao peito, foi quando Peeira percebeu que eles haviam esquecido de pegar uma cesta para por as compras, ela soltou a mão do filho e informou o marido que iria buscar uma cesta, este apenas murmurou um "ok" enquanto tentava fazer Brooklyn soltar um doces, Peeira se virou e começou a andar para fora do corredor quando uma mãozinha puxou a saia do vestido dela.

— Mamãe, mamãe me leva com você — ela olhou para o menino que tinha os dedos presos firmemente ao tecido do vestido, abaixou o capuz dele para que pudesse bagunçar os cabelos pretos como carvão.

— Fique com o papai, Jemmy — Peeira sorriu enquanto tentava gentilmente fazer James solta-la — A mamãe volta logo.

Ele a soltou e se virou para o pai, que parecia estar em uma discussão muito seria com Brooklyn sobre os doces, quando James voltou a olhar para Peeira ela já estava virado para fora do corredor, saindo de vista.

Ninguém notou a criança correndo para seguir a mãe.

●◎●◎●

Peeira encontrou facilmente as pilhas de cestas de compras, elas haviam sido organizadas em quatro colunas, a Loba foi em direção a uma delas, ao puxar a primeira cesta da pilha ela notou que o arame da alça estava solto, parecia perigoso, Brooklyn gostava de levar a cesta quando iriam comprar pequenas coisas que não fossem pesadas demais para ela carregar, a criança poderia se machucar nela, é claro que ela iria se curar rapidamente depois, ela era uma Loba também afinal, mas ainda assim Peeira não queria que a filha se machucasse, além do mais, alguém poderia ver.

Ela colocou a cesta quebrada no chão a separando das demais, quando se levantou, alguém bateu sem querer na última pilha e a derrubou no chão com um ruído alto de metal, Peeira havia recuado um pouco para não ser atingida, ela levantou o olhar para a mulher que tinha causado o acidente, o rosto dela era de uma beleza delicada, como uma boneca de porcelana, mas apesar disso, ela tinha uma postura reta como a de um soldado, parecia o tipo de pessoa que você deveria respeitar, ela usava uma jaqueta de couro preta e Peeira percebeu que ela tinha uma fina corrente de um colar prateado ao redor do pescoço, mas o pingente estava escondido sob a camiseta branca, ocorreu a ela que o estilo da mulher era o que Moereen chamaria de sexy casual. Peeira riu internamente e fez uma nota mental para se lembrar de comprar uma jaqueta de couro para a irmã.

A mulher murmurou baixinho o que Peeira imaginou ser um palavrão e olhou sombriamente para os carrinhos de compras, a Loba percebeu que ela não poderia levar tudo aquilo sozinha. Mais tarde, quando se perguntasse o porque de ter feito aquilo, ela não saberia explicar, mas naquele momento ela abriu um sorriso e simplesmente disse:

— Você precisa de ajuda?

●◎●◎●

Mesmo que Catarina não entendesse nada de facas cuja utilidade não fosse machucar alguém, ela imaginava que quando você compra facas de cozinha elas devem ser enroladas em jornal velho para não machucar alguém ao serem transportadas, era uma coisa óbvia, mas o garoto entediado que trabalhava no caixa não parecia saber disso quando colocou a faca em um pacote de papel junto com algumas verduras, Catarina pensou em reclamar, o que provavelmente acabaria em uma discussão já que o adolescente não parecia nem um pouco disposto a colaborar, então ela simplesmente optou por ficar quieta, tinha pouca coisa que ela desprezava mais do que gente que fazia escândalo por insignificâncias.

Após pagar o valor da compra, ela saiu empurrando os dois carrinhos cheios até as bordas em direção a porta, mas era mais difícil do que parecia, ainda mais porque o coldre de ombro que ela usava de baixo da jaqueta de couro estava mal ajustado ao corpo dela, ela mantinha a jaqueta com o zíper aberto caso precisasse pegar uma das pistolas em uma emergência, inclusive era por isso que ela tinha escolhido aquele mercado, ela sabia que ali não tinha detector de metais, sua única preocupação era caso um dos seguranças desconfiasse dela e decidisse revista-la, o que dificilmente iria acontecer, ela havia tomado o cuidado de deslizar o pingente com bala de prata para dentro do decote da regata, quando as pessoas viam o colar geralmente deduziam que ela era da polícia ou do exército pela sua postura severa, mas com ele fora de vista ela parecia uma civil normal como qualquer outra, tinha um rosto delicado e até bonito, apesar de sempre carregar uma expressão séria.

Sem o colar ela era facilmente esquecível.

Catarina tinha conseguido passar praticamente despercebida até acabar batendo um dos carrinhos em uma pilha de cestas de compras, uma mulher que estava perto delas se afastou alguns passos para não ser atingida quando as cestas de metal desabaram no chão com um ruído alto e agudo, várias pessoas se viraram para olhar, Catarina xingou mentalmente com todos palavrões que conhecia.

— Você precisa de ajuda? — era uma voz gentil e feminina, Catarina olhou para a mulher que quase tinha sido atingida pela catástrofe, a mulher sorria docemente, ela tinha um rosto gentil e lindo, os olhos eram azuis luminosos e seus cabelos eram extremamente pretos e lisos, caiam ao redor dela como uma capa que ia até a cintura, usava uma jaqueta Jeans bordada por cima de um vestido azul escuro longo e de aparência confortável.

Cat olhou para ela por alguns segundos antes de se lembrar que tinha que sorrir como uma pessoa simpática faria.

— Uma ajudinha não seria ruim — ela disse por fim, o sorriso pareceu ter funcionado, a mulher a ajudou a empilhar a cestas uma dentro da outra novamente, depois se dispôs a ajuda-la a empurrar um dos carrinhos até o carro, Catarina não recusou.

— Aliás — disse a mulher quando elas já estava do lado de fora, empurrando os carrinhos pelo estacionamento quase deserto, a noite havia caído e algumas estrelas pontilhavam o céu — Meu nome é Peeira.

O nome ecoou pela mente de Cat, apesar de ser um nome exótico, parecia extremamente familiar, mas ela não conseguia se lembrar de onde o tinha ouvido.

— Meu nome é Catarina — a Caçadora disse sem olhar para ela — Mas todo mundo me chama de Cat.

— Cat? — Peeira perguntou, quando Catarina a olhou ela tinha uma sobrancelha erguida.

— Você acha estranho? — disse em tom de conversa, não tinha conseguido decifrar se a outra estava debochando ou apenas curiosa.

— Você não ouviu quando eu disse meu nome? — Peeira riu, a risada dela era suave como o farfalhar das folhas de uma árvore, não tinha nenhuma maldade no tom dela, apenas simpatia pura — Além do mais, se você soubesse o nome da minha filha, perceberia que eu não saio por aí julgando o nome das pessoas.

As duas riram, Cat acabou decidindo que gostava dela, aquela mulher que mais parecia uma princesa moderna acabara fazendo Catarina rir, que era uma proeza muito difícil de se conseguir, ainda mais para um desconhecido. Elas haviam chegado no Dodge 73 de Wassily que Cat tinha emprestado para fazer as compras, ela havia estacionado o carro marrom na última vaga da primeira fileira do estacionamento, havia apenas outros três ou quatro carros no pátio, apenas um deles estava estacionado perto do de Cat, a apenas uma vaga de distância, Peeira começou a ajuda-la a colocar as compras no porta malas mesmo que a caçadora não tivesse pedido, mas também não reclamou.

— Então, você tem uma filha? — Catarina começou uma conversa enquanto colocava uma das sacolas de papel pardo dentro do compartimento, normalmente ela não faria isso, ela não tinha muitos amigos além dos cunhados e de outros Caçadores, também não estava interessada em fazer novos, mas tinha alguma coisa em Peeira que tornava fácil conversar com ela.

— Gêmeos, um menino e uma menina, de dois anos — ela respondeu, sorrindo orgulhosamente — estão na fase do "por que?", sabe?

— Na verdade, não — respondeu Catarina — Eu só tenho um menino. Vai completar um ano no próximo mês.

— Então você ainda tem tempo para se preparar psicologicamente — Peeira disse com um risinho, ela pegou um pacote de compras e contornou o carrinho até o porta malas do carro — Mas sempre vale a pena.

Peeira se virou para pegar outro pacote, mas quando estava virando-se para ir até o carro acabou tropeçando na barra do próprio vestido e caindo de joelhos no chão, derrubando o saco de papel no concreto.

— Você está bem? — Cat perguntou, se virando para ela.

— Eu estou bem, só tropecei — tranquilizou Peeira, ela levantou o pacote do chão, mas o soltou no mesmo segundo — Ai!

Catarina notou uma pequena mancha de sangue no pacote, a primeira coisa que ela pensou foi: A faca, depois ela notou o corte na palma da mão direita de Peeira, começava desde a base do dedo indicador e partia a palma da mão na vertical.

— Me deixe ver, eu entendo de primeiros socorros — Cat disse, mas Peeira se esquivou e escondeu a mão sobre o braço esquerdo.

— Não precisa, foi só um arranhão —Peeira justificou, tentando forçar um sorriso.

Alguma coisa na hesitação de Peeira fez a desconfiança da Caçadora estalar e antes que a outra pudesse registrar o que estava acontecendo, Cat se curvou para baixo e puxou o pulso da mulher para que pudesse olhar a mão dela. Foi o segundo em que tudo deu errado, o pingente de bala de prata deslizou para fora da blusa e balançou na frente do rosto de Peeira, Cat olhou para a palma da mão dela, estava suja de sangue e pegajosa, mas por baixo do líquido não tinha nada além da pele lisa, o machucado tinha desaparecido.

Peeira puxou o braço do aperto de Cat, ela tentou se levantar, mas enroscou os tornozelos no tecido da saia novamente e caiu sentada no chão.

— Você é uma Caçadora — ela murmurou.

Catarina olhou para ela uma com um misto de surpresa e desapontamento, ela percebeu de onde conhecia aquele nome: Peeira, a fada dos lobos da mitologia europeia*, era um bom nome para uma Loba.

Cat sabia o que tinha que fazer agora, mas não queria fazer. Ela levou a mão para dentro da jaqueta de couro, o olhar de Peeira dizia que ela sabia o que aconteceria agora, mas ainda assim não havia medo em sua expressão, o rosto era serio e firme como aço.

Os dedos de Catarina tocaram o metal frio da pistola.

— Mamãe? — As duas mulheres se viraram em estado de choque na direção da vozinha, detrás do carro saiu um menino muito pequeno, provavelmente não passava da altura dos joelhos de Cat, seus cabelos eram muito pretos e contrastavam contra a pele branca, os olhos grandes e verdes brilhavam como pedras preciosas, a criança encarava Cat como se pudesse enxergar sua alma e ela tinha medo do que ele poderia ver.

— James... — Peeira disse, a Caçadora se virou para ela, que olhava para o menino como se esperasse que ele fosse entrar em combustão, Cat se sentiu enjoada, ela iria atirar em uma mãe e deixar duas crianças órfãs, não pode evitar deixar os pensamentos irem até o próprio filho, poderia ter sido o contrário.

Os olhares das duas mulheres se encontraram.

— Fuja!

Peeira não precisou ouvir mais nada, ela se levantou, pegou a criança no colo e fugiu.

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Notas:

Kitty: significa "gatinho" em inglês, aqui foi usado como uma piada com o apelido de Catarina, Cat = Gato.

Peeira, fada dos lobos: Elas são a versão humana e feminina do lobisomem e fazem parte das lendas de Portugal, Europa e da Galiza. A peeira tem o dom de comunicar e controlar alcatéias de lobos. Fonte para mais informações: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Peeira

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