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Electio


SECUNDUS

 Andei pela floresta escura e fria, mesmo que ainda fosse dia, o lugar era congelante. Eu deveria recolher cinco artefatos mágicos espalhados por toda a floresta, o primeiro que achasse os seus e chegasse do outro lado da floresta, ganhava a Competição.

Na teoria parece simples, mas na prática era quase pedir para uma pessoa aprender a voar. Revirei os olhos quando percebi que usei uma das metáforas do Louis. Suspirei, eu já tinha achado dois, faltava apenas três e, se eu não ganhasse, eu poderia ser um bom Comandante.

De repente, ganhar a Competição não parecia prioridade. Enquanto caminhava pela floresta escura, fiquei repensando minha vida. Eu tinha vivido boa parte dentro do Castelo, mal tive contato com o mundo exterior. Não conhecia nada, então, ser um Comandante não seria tão ruim assim.

Eu nunca pude viver de fato, viajei pouquíssimas vezes e nenhuma foi para algum lugar longe. Eu queria conhecer o continente, talvez até os outros. Viajar por reinos diferentes, conhecer pessoas, aprender coisas comuns que não estivem relacionadas a magia. Eu queria poder me apaixonar por alguém que pudesse existir na minha vida, ter um relacionamento e amar. O problema é que eu já amava alguém e era justamente alguém que eu nunca poderia ter.

Minha intuição me chamou para um lugar, algo me atraía para lá e segui esse caminho. Ouvi passos e pensei que poderia ser outro escolhido procurando por seus artefatos, então de primeira, não me importei.

Ainda estava caminhando, quando escutei que os passos estavam mais próximos, talvez apenas metros atrás de mim. Mas o que me chamou a atenção foi como eles eram pesados, como se quem estivesse andando por perto pesasse muito, talvez centenas de quilos.

Me escondi atrás de uma árvore e fiquei observando em volta, talvez minha imaginação estivesse pregando peças em mim. Eu já estava dentro da Floresta há muito tempo, o frio e a ansiedade estavam mexendo comigo. Devia ser isso.

Mas então, entre as árvores, eu vi ao longe o dono dos passos se aproximando. Tampei minha boca com as mãos, para me impedir de fazer barulho. Era uma criatura humanoide, uma mistura de um homem com algum animal de longos e afiados chifres. Ele andava meio desengonçado, suas mãos terminavam em garras afiadas e compridas. Seu corpo era musculoso e era bem mais alto que uma pessoa comum.

Não conseguia ver seu rosto e nem queria, ele passou ao longe e sumiu antes que percebesse minha presença. Meu coração batia tão rápido e forte, que foi uma surpresa que aquela besta não tivesse me ouvido. Esperei até ter certeza de que a fera tinha ido embora e tentei encontrar o artefato.

Minhas mãos tremiam e eu queria tanto que Louis estivesse comigo, ainda não o tinha visto, mesmo ele me prometendo que estaria aqui. Achei uma cabana abandonada, aquele lugar não parecia seguro, mas eu só queria achar os artefatos e ir embora dali.

Ao longe, ouvi um grito agonizante e o urro de algum animal. Minha pele se arrepiou e eu senti a atmosfera mudar ao meu redor, era o agouro da morte. Corri para a cabana, olhando em volta e mexendo em tudo o que eu pudesse encontrar.

— Vamos, por favor — implorei para quem quer que estivesse me ouvindo. — Onde está?

— Olha pelo chão.

— Porra! — quase gritei, colocando a mão sobre o coração — Louis, onde você estava?

— Protegendo você — ele respondeu bravo. — Procure pelo chão!

Imediatamente me ajoelhei e olhei pelo assoalho ruído, praticamente havia mais buracos do que madeira naquele chão.

— Rápido, tem algo vindo — ele me alertou, olhando pela porta.

— Eu estou tentando — murmurei. Então minha mão passou por um dos buracos e esbarrou em algo — aqui!

Puxei uma correntinha de prata com um pingente esverdeado nela. Ele era muito bonito, quase hipnotizante, e brilhava um pouco.

— Harry! — Louis me chamou, me acordando de um transe que eu nem sabia que estava preso — Sai daqui!

Corri para fora, dando a volta na cabana, eu estava tentando sentir outro artefato, mas nada aparecia. Então corri sem pensar, passando por entre as árvores, me cortando no caminho, mas tentando me afastar o mais rápido possível dali.

— Pare — Louis sussurrou do meu lado. — Se esconda.

Eu o obedeci, entrando no meio dos arbustos e ficando imóvel. Duas pessoas passaram perto de mim e eu vi que eram figuras totalmente humanas. Eles tinham espadas e as duas estavam sujas de sangue.

— O que está acontecendo? — eu sussurrei a pergunta para Louis, quando as duas pessoas já tinham partido.

— Vocês eram em dez Protegidos, mas eu só sinto a presença de sete. Porém tem coisas nessa floresta que não deveriam estar aqui.

— Do que você está falando? — perguntei tremendo.

— Eu te disse que senti cheiro de enxofre Harry, há demônios nessa floresta — ele respondia sério.

— Não, a Competição era para ser segura, eles só querem medir nosso nível de magia — repeti o mesmo discurso que eu já tinha ouvido tantas vezes.

— Essa "competição segura" já matou três Protegidos, você não será o quarto.

Engoli em seco e senti lágrimas nos meus olhos, o que estava acontecendo?

— Espere um minuto e fique em silêncio — Louis disse antes de desaparecer de novo.

Fiquei encolhido no lugar, a névoa ia rastejando pelo chão e gelando onde tocava. Aquilo lembrava a Floresta dos Sonhos, mas era muito mais assustador, porque estava acontecendo no mundo real.

A cada barulho, o menor estalar de uma folha, meu corpo se arrepiava e eu me perguntava: Eu seria o próximo a morrer?

— Hazz — Louis me chamou — a saída da floresta está a cerca de cinco milhas daqui, você vai andar sentido norte sem parar.

— Lou, cinco milhas são duas horas e meia de caminhada — fiz as contas na minha cabeça — e eu... Ainda faltam dois artefatos, eu...

— Harry! Essa competição estúpida não importa! Você tem que ir embora daqui, você me entendeu? — Fiquei encarando seus olhos desesperados e decididos, eu o conhecia e via a tempestade dentro daquele mar azul — Confie em mim.

— Eu confio — murmurei por fim e ele beijou minha testa.

— Vamos — ele se levantou e seguimos rumo ao norte.

Eu tinha acabado de desistir de tudo pelo que batalhei por boa parte da minha vida, mas eu confiava em Louis. Então daria certo, tinha que dar certo.

Estávamos seguindo mais rápido do que eu podia, por algumas vezes, Louis sumia e voltava instantes depois, dizendo qual era o caminho mais seguro. Algumas vezes ele me fazia percorrer o caminho mais longo, mudava minha direção, mas não me dizia o motivo.

— Você não precisa ver aquilo — ele dizia trincando o maxilar.

Andamos por mais de uma hora, eu estava muito cansado, principalmente com todos aqueles desafios. Toda hora que escutávamos algum barulho, Louis me fazia me esconder, até que ele verificasse o local, então isso só tinha nos atrasado.

— Eu já volto — ele me falou em uma das vezes, apenas concordei com a cabeça, me sentando encostado em um grande tronco de árvore.

Bebi o pouco de água que restava em meu cantil, eu mal conseguia ver o céu, mas já estava anoitecendo, eu só tinha comido de manhã e nem tinha sido muito. Será que alguém já tinha ganho? Se fosse o caso, iriam tentar me resgatar ou me dariam como perdido?

Ouvi passos, alguém corria na minha direção, me levantei assustado tentando ver para onde poderia correr. Illustratus eram proibidos de usar qualquer tipo de arma ou ferir qualquer pessoa, independente de quem for. Quando você derrama sangue, você mancha sua alma e isso pode corromper a magia pura, que é a fonte de poder de todo o Castelo Alto.

— Harry — Pete, outro Protegido, correu desesperado até mim — temos que sair daqui!

— O que houve com você? — ele estava machucado, ferimentos por várias partes do corpo, sangue em suas roupas, sua expressão era de pânico.

— Tem algo atrás de mim — ele agarrava meus braços com força, tanto que machucava — ele matou Chance — lágrimas escorriam pelo seu rosto — ele o dilacerou, temos que ir! Ele vai nos achar!

— Pete, do que você está falando... Você está me machucando...

— Shiu — Pete olhou em volta com medo — escute, ele está por perto...

— Pete — tentei me soltar, eu puxei seu braço com tanta força, que derrubou a bolsa a tiracolo que o outro carregava, de lá caíram diversos artefatos, inclusive um que era para que eu encontrasse — Isso é meu, o que você está fazendo com ele?

— Não, eu... eu juro... nós...

— Você estava roubando os artefatos dos outros para que ninguém ganhasse? — falei enojado, pegando o anel com a pedra turquesa e jogando dentro da minha própria bolsa — Você está trapaceando, como pôde?

— Foi ideia de Chance — ele falava alto, de forma desesperada — ele disse que teríamos mais chances, mas agora ele está morto! Temos que ir!

— Me solte, eu não vou a nenhum lugar com você! — tentei sair de perto, mas ele me agarrou, puxando de volta.

— Você vai ficar comigo! Tem que ficar comigo! Quando a fera me achar, eu vou te entregar no meu lugar e escapar! — ele gritava, me arrastando para o lado errado.

— Pete, pare!

— Você não entendeu, ele partiu Chance no meio, eu quase não escapei, quase — ele batia na própria cabeça, desequilibrado.

— Me solte! — me debati, então ouvi um uivo, mas não era de um lobo ou cachorro, era gutural e feroz.

— Ele está aqui — Pete balbuciou.

Um vento nos circulou fortemente, como se estivesse tentando nos prender no lugar. O cheiro de enxofre ficou tão forte, que era nauseante. Algo se mexeu nas sombras, uma figura se arrastava em nossa direção, até começar a ficar de pé. Olhos vermelhos, garras afiadas, dentes serrilhados e sujos de sangue.

— Pegue-o — Pete implorou chorando, me empurrando em sua frente.

— O que? — perguntei confuso, e entendi que ele estava me entregando para morrer antes dele.

O demônio veio até nós, rosnando furiosamente, parecia sedento por sangue. Ele avançou contra mim e tentei escapar pulando para o lado, mas acabei recebendo uma patada do monstro. Por sorte não me cortou, mas me lançou para o lado e derrubou-me no chão.

Bati a cabeça com força, ficando confuso e com a vista embaçada. O demônio estava perto demais e tentei me arrastar para trás, mas a fera era rápida. Quando as garras chegaram perto demais do meu pescoço, Louis apareceu do nada, a arremessando para trás e ficando entre o demônio e eu, me protegendo com seu corpo.

A fera rosnou para Louis, que nem se mexeu. Quando a besta o atacou, ele usou suas asas brancas e douradas para se defender e empurrar o demônio para trás. Socou o rosto com tanta força, que sangue escorreu da boca enorme, sujando as mãos do meu anjo. O monstro urrava de dor e raiva.

— O que está acontecendo? — Pete gritou, ele não podia ver Louis, então só via a fera se debatendo no chão, presa por algo invisível.

— Meu Anjo Guia — me levantei, cambaleando.

— Anjo Guia? Mas... — Pete foi interrompido pelo urro da fera.

— Vamos sair daqui — Louis correu até mim em uma velocidade impressionante.

— Estamos presos — falei o óbvio, já que o vento nos circulava, como se estivessem no centro de um furacão.

— Você tem que ser rápido — Louis me avisou e concordei.

O anjo abriu as asas de novo, emitindo uma luz amarelada muito forte dessa vez, ele parecia concentrado, nunca o tinha visto tão sério. Uma de suas asas tocou o furacão, o som do atrito era alto e cheirava a queimado.

— O que está acontecendo? — Pete gritou assustado.

— Louis, está te machucando — eu disse preocupado, ignorando o outro.

— Está tudo bem — Louis respondeu ofegante, sua asa por fim rompeu o furacão, criando uma passagem — Vai!

Passei correndo, chegando do lado de fora e vendo Louis atravessando com cuidado, para não ser pego pelo vento. Pete veio correndo, mas quando colocou um pé para fora, as garras agarraram seu ombro, o puxando para trás. Sangue escorria por todos os lados e seus gritos podiam ser ouvidos por cima do barulho do vento.

— Pete! — gritei com todas as minhas forças, mas Louis me segurou, porque quando ele passou, a fenda se fechou.

— Não há mais nada o que fazer, venha! — Louis me puxou, eu ainda olhava para o furacão sem conseguir acreditar em tudo aquilo.

— Mas Pete... ele... não podemos...

— Não tem o que fazer! — Louis falou sério — Quando essa magia acabar, o demônio estará atrás de outra presa, não será você!

— Ser portador de magia deveria ser algo bom, deveríamos conseguir ajudar os outros — lamentei, algumas lágrimas escorriam pelos meus olhos. Pete tinha tentado me entregar para o demônio, eu sei, mas eu o conheci, convivi com ele por anos. Mas o assisti morrer sem poder fazer nada para ajudar.

— Sinto muito, nem todos pensam assim — Louis suspirou, e então colocou seu braço por cima dos meus ombros — quando você estiver a salvo, mantenha seu coração puro, ok? Você é incrível e a maioria das pessoas não merece viver no mesmo mundo que você.

O olhei confuso, mas ele não falou mais nada, apenas continuamos a andar por um longo tempo. Eu me sentia fraco e triste, muito triste. Se o que Pete disse era verdade, além dele, Chance também estava morto. Eu entendi que estavam trapaceando para ganhar e não importa de quem era a culpa, nenhum dos dois estava mais aqui.

— Você falou que sentia apenas sete de nós — eu murmurei um tempo depois — quantos você ainda sente?

— Dois — ele me respondeu sem me olhar e as lágrimas vieram, abaixei minha cabeça e segui meu caminho.

Chegamos em um gramado, não havia árvores ali, mas tochas estavam dispostas em linha reta, como se delimitassem algo. No meio, entre duas tochas, estava uma mesa alta, em cima dela tinha uma caixa de madeira aberta e dentro dela um medalhão de prata antigo.

Era redondo e tinha o desenho de uma estrela de várias pontas, ao redor das estrelas, dez pequenas pedras brilhavam sob as luzes das tochas. Cada pedra tinha uma cor diferente, como vermelho, laranja, amarelo, roxo e assim por diante, mas uma delas era turquesa.

Aquele era o último artefato, se eu o pegasse, ganharia a Competição.

— Hazz — Louis me chamou — não, deixe isso, apenas atravesse as tochas e saia daqui.

— Por que você quer tanto que eu não vença? — ele apenas negou com a cabeça — Louis, me diga qual o problema.

— Você não pertence a esse lugar — ele disse por fim. — Vá embora!

— Por quê? — gritei a pergunta — Depois de tudo o que passamos, você precisa me responder.

— Se você tocar nesse medalhão, eu não serei mais seu Anjo Guia, você terá completado o ritual. Eu não posso te deixar desprotegido.

— Do que você está falando?

— Você não tem ideia do que vai acontecer com quem ganhar essa competição — ele falou de um jeito sombrio, que me arrepiou — Harry, tem alguém aqui.

Nisso vieram passos do outro lado e um homem veio na minha direção, ele usava uma máscara prateada e carregava uma espada suja de sangue. Era uma das pessoas que tinha visto antes, mas agora ele estava sozinho.

— Olá Harry — a pessoa me falou, me assustando — nós somos os dois últimos.

— Saulo? — perguntei assustado e ele riu de mim, tirando a máscara e me mostrando que realmente era ele — O que você fez?

— Garanti que eu venceria — ele jogou sua máscara de lado — Rico também estava comigo, mas uma das criaturas o pegou — ele falou como se não fosse nada.

— Você feriu alguém? — eu não conseguia acreditar — Você sabe que não podemos derramar sangue!

— Feri? — Ele riu de mim — Eu matei os que encontrei. E quem vai saber? Você? Logo te matarei também.

— Você manchou sua alma — gritei — não pode mais usar magia pura!

— Não? — ele riu de mim e mexeu sua mão, fazendo com que as chamas das tochas aumentassem de tamanho, iluminando todo o lugar — Você sempre foi tão estupido. O pobre e ingênuo Harry — ele zombava de mim — Anane, meu Anjo Guia, sempre falou como você era imbecil e que não sabia como tinha chegado tão longe. Nós achávamos que você morreria no ritual da Floresta dos Sonhos, mas você chegou até aqui e quase atrapalhou meus planos.

— Eu nunca te fiz nada — sussurrei, as lágrimas nos meus olhos — nós treinamos e estudamos juntos por anos.

— E eu odiei cada minuto — ele falou com desprezo — não sei como conseguiu ser bom em magia, sendo tão ingênuo e burro. Mas uma coisa, temos que concordar, sortudo sempre foi, toda vez que tentaram te livrar da competição por todos esses anos, algo acontecia e você saia impune. E falta de tentativa não foi, mas nada deu certo. Nem deve saber o quanto te odiavam naquele Castelo.

— Você está mentindo! — gritei.

— Eu me pergunto quem é o seu Anjo Guia. Ele devia ser um fraco para ter escolhido justamente você — ele meneou com a cabeça. Olhei para o lado e Louis continuava parado, olhando Saulo seriamente — ele não te ensinou a burlar as regras, o jeito correto de vencer neste lugar e a ter a ambição. Você ainda acha que tudo isso é pelo "bem maior"? — ele riu.

— Se não é, por que você quer ser um Illustratus?

— Pelo poder — ele respondeu sem hesitar — tudo isso, todos esses anos, sempre foi pelo poder. E você vai morrer para que eu tenha poder.

Ele avançou sobre mim, mas Louis entrou na frente o empurrando com força, o fazendo cair no chão e rolar. Aquilo me assustou, porque Louis não podia encostar em ninguém, apenas eu podia vê-lo ou senti-lo.

— Quem está aqui? — Saulo gritou a pergunta, puxando uma adaga do seu cinto, já que sua espada estava caída — Eu sinto sua presença, mesmo não conseguindo te ver.

— Quer me ver? — Louis perguntou e, pela reação de Saulo, ele conseguiu ouvi-lo.

As chamas das tochas se tornaram ainda maiores, como um incêndio que nos circulava. Louis abriu suas asas, mas a luz as deixava escuras. Uivos soaram de perto de nós, demônios estavam na floresta, se aproximando.

— Louis — eu gritei, mas um demônio pulou do meu lado, quase me pegando. Em instantes meu anjo estava lá, e a fera no chão.

— Eu sei quem é você, você matou Rico — Saulo gritou, apontando para Louis.

— Você não tem a menor ideia de quem sou — Louis respondeu, mas não negou a acusação.

— O que você fez? — perguntei para o meu anjo, ele não sorria mais, seu rosto estava sério e sem expressão.

— O que eu prometi que faria.

Saulo avançou sobre nós, ao mesmo tempo que dois demônios nos atacaram. Louis conseguiu nos defender das feras, mas Saulo iria atacá-lo, eu não pensei. Peguei a espada com as duas mãos e virei meu corpo, acertando Saulo e o cortando na costela. Ele gritou de dor e sangue espirrou, mas eu sabia que não tinha sido grave.

Ele se virou para mim com fúria, me transformando em seu alvo. Eu não queria usar magia para atacá-lo, não era para isso que ela existia, mas eu também não queria feri-lo.

— Não faça isso — eu avisei, mas raízes brotaram do chão e se agarraram as minhas pernas, me derrubando.

— Harry — Louis gritou.

Toquei nas raízes que me prendiam com força, elas se transformaram em milhares de borboletas e todas voaram para o rosto de Saulo, o atacando. O cheiro de enxofre estava mais forte, mais demônios estavam ali. Eu não tive tempo de correr, quando as borboletas pegaram fogo e sumiram no ar.

— É isso que você tem? — ele zombou de mim de novo. Dezenas de pedras voaram na minha direção, vindas de todos os lados.

Ergui minhas mãos e elas pararam no ar, então apontei para os demônios com quem Louis lutava, os acertando. Esse minuto de distração foi o suficiente para Saulo me atacar. Raios saiam de suas mãos, o primeiro me acertou, mas eu consegui desviar dos outros.

Só que cada vez eles vinham mais fortes e mais rápidos, eu não estava conseguindo me defender a tempo. Eu tentava desviá-los, mas Saulo estava chegando mais próximo e, quanto mais perto, mais fortes eram os raios.

— Revide! — Saulo gritou — Você consegue ou sempre vai ser o idiota de sempre? Revide!

Aquilo me deu uma raiva tão grande, uma que eu nem sabia que existia dentro de mim. Como se algo me roesse por dentro e fosse me consumindo. Senti a energia se acumulando dentro de mim, a eletricidade percorrendo meu corpo e se unindo como uma bomba prestes a explodir.

— NÃO! — Louis gritou, mas já era tarde demais.

Eu lancei a energia contra Saulo, que fez o mesmo. Quando as duas magias se encontraram no meio do caminho, houve uma grande explosão, que consumiu tudo e fomos lançados para trás.

Bati minha cabeça contra algo, meu ouvido zumbia, Saulo estava caído e mais demônios se aproximavam, um corria na direção de Saulo, pronto para matá-lo. Louis estava mais a frente e, mesmo que as feras estivessem o atacando, ele olhava nos meus olhos.

Tentei me levantar e o que usei para me apoiar tombou, me fazendo cair de novo. Pisquei algumas vezes até perceber que tinha derrubado a mesa e o medalhão estava na minha frente. O grito de Saulo me acordou do transe, o demônio tinha chegado até ele, outros até Louis.

Aquele era o jeito de acabar com aquilo.

— Me perdoe — eu murmurei para Louis, então coloquei o medalhão no pescoço.

Eu rastejei até passar pelas linhas marcadas pelas tochas. Quando me sentei e olhei para trás, os demônios pararam o ataque e fugiram imediatamente para a floresta, Saulo ainda gritava de dor. Olhei para Louis, que me olhava de volta, mas não pude me despedir enquanto ele sumia.



E venha ver os deslizes que vou cometer
E venha ver os amigos que eu vou perder
Não tô cobrando entrada, vem ver o show na faixa
Hoje tem open bar pra ver minha desgraça

Extra, extra! Não fique de fora dessa
Garanta seu ingresso pra me ver fazendo merda
Extra, extra! Logo logo o show começa
Melhor do que a subida só mesmo assistir a queda

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