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3 - Segredos

"Por que os adultos achavam que as crianças suportavam melhor os segredos do que a verdade? Será que não faziam ideia das histórias tenebrosas que elas inventavam para explicar os mistérios?"

Cornelia Funke, Coração de Tinta

Se num primeiro momento eu acreditava que Devin estava com medo de mim, agora era eu quem me encontrava aterrorizado com a visão dele saindo sozinho da mata naquele estado. Olhei para o espaço atrás dele, esperando que o outro monge aparecesse, se não ensanguentado como Devin, pelo menos ferido de alguma forma e por outro motivo que não o que se passava em minha mente com aquela imagem.

Fiquei paralisado no mesmo lugar, sem conseguir ir para meus aposentos ou voltar para o riacho por medo do que Devin faria a seguir. Ele parou a margem da mata, me olhando como se soubesse coisas que eu jamais poderia imaginar. E realmente sabia. Não consegui piscar, preso naquele olhar, assustado como um rato prestes a ser devorado por uma serpente. Vi de relance ele esboçar um sorriso ladino, esperando que eu me movesse, que eu piscasse, no entanto o primeiro sinal de reação não veio de nenhum de nós. Ouvimos vozes e pensei seriamente em pedir ajuda. Desfiz nosso contato visual, prestes a seguir com esse plano, como qualquer boa alma nesse mundo teria feito, mas senti meu corpo ser puxado para a proteção da mata.

— Não diga nada! — ele sussurrou com a mão em minha boca, me empurrando contra o tronco de uma árvore e me prendendo ali com o próprio corpo.

O cheiro de sangue era forte e metálico e ele pressionava a mão contra a minha boca com tanta força que eu cheguei a provar. Não podia me mover mesmo que quisesse muito, mas senti uma energia diferente vindo do ambiente ao nosso redor, como se aquele sangue todo tivesse despertado algo muito antigo naquela montanha. Senti de novo a energia mágica do lugar falando comigo. Mesmo assim eu estava preso e incapaz de fazer nada. Conseguia ouvir as vozes dos monges se aproximando cada vez mais, procurando pelo rapaz que agora eu acreditava estar morto. Aquele sangue era o sangue dele, sem sombra de dúvidas.

Devin desviou o olhar do limiar das árvores e me encarou de perto. Os olhos castanhos continuavam doces e gentis, como se ele fosse inocente de qualquer coisa que eu pudesse imaginar. No entanto, minha mente ia e voltava à palavra "assassinato" sempre que sentia o sabor metálico do sangue de meu irmão morto.

— Eu não vou te machucar. — sussurrou. Senti o ar quente saindo de seus lábios e vindo de encontro com a umidade provocada pelo sangue em meu rosto. Senti medo, Christine, muito medo. Ele poderia, a qualquer momento, fazer comigo o que quer que tivesse feito com o monge que me testemunhara usando os poderes. Temi pela minha vida, mesmo sabendo que sendo a criatura mágica que sou, teria como me defender melhor. Mas meu corpo não reagia como tal. Era como se toda aquela imagem de Devin molhado, respirando com dificuldade e me olhando tão de perto, despertasse em mim um desejo primal de segui-lo por onde fosse. Lentamente ele retirou a mão da minha boca, fazendo sinal de que eu deveria continuar quieto.

— Irmão Hasan! — alguém chamou.

Eram pelo menos três outros monges jovens, andando em grupo a caminho do riacho para lavarem suas túnicas. Aparentemente Hasan era o monge que havia nos visto – me visto flutuando – e fugido para a floresta. Devin reforçou o pedido de silêncio que me fez e se afastou alguns centímetros, uma das mãos ainda em meu peito, garantindo que eu não fugisse. Meu medo de ser a próxima vitima era tão grande que duvido que minhas pernas fossem capazes de reagir, mesmo que ele me soltasse.

As vozes ficaram mais altas, indicando que eles estavam vindo em nossa direção. Provavelmente havíamos deixado algum tipo de rastro, porque eles falavam algo sobre sangue e cheiro de caça.

— Taehyung, precisamos sair daqui! — sussurrou voltando para perto. Tão perto que eu sentia o hálito dele. Tinha o mesmo cheiro de sangue que nos rodeava.

— O que você fez, Devin! — sussurrei de volta, sentindo minhas pernas voltarem a dar sinal de sua existencia.

— Fiz o que precisava para te proteger. — disse desviando o olhar para a sombra dos monges se aproximando.

— Hasan! — gritou um deles.

— Taehyung, precisa usar seus poderes agora!

— Poderes? Do que está...

— Eu já sei que é um changeling! Agora nos tire daqui! — pediu aflito. Quando falava, se aproximava tanto que eu senti os lábios dele roçando a pele do meu rosto várias vezes sempre que voltava.

— Não sei do que...

— Não temos tempo!

Era questão de olharem na direção certa e os monges nos veriam. Mas Devin foi tão rápido e tão intenso que tudo o que senti foi o corpo dele contra o meu, os lábios presos nos meus e as mãos me puxando para mais perto, como se quisesse que nos fundíssemos. O vento mudou de direção e a floresta toda respondeu na mesma intensidade. Senti a energia mágica surgindo com tanta facilidade e força que foi muito fácil usar aquele beijo e a energia de Devin para abrir o portal. Uma luz verde nos rodeou imediatamente, expandindo a partir do contato entre nossos corpos, crescendo e aumentando como numa explosão que jogou as árvores menores, animais próximos e os monges para longe enquanto o portal era aberto e fechado com extrema rapidez.

Mal tive tempo de sentir o sabor da língua de Devin contra a minha, o toque suave de suas mãos contra a pele dos meus braços ou a levíssima ereção contra minha perna. Assim que abri os olhos estávamos em meus aposentos, limpos e secos, como se nunca tivéssemos deixado o lugar.

Assim que me dei conta do que havia acontecido, me afastei desesperado de Devin. Não cheguei a tocá-lo, mas senti o ar fazendo força contra ele para que se afastasse também. Meus poderes tinham voltado como se nunca tivessem me deixado. Ele exibiu um sorriso vitorioso.

— Eu sabia! — disse vitorioso.

— Não é o que está pensando. Isso foi coincidência e... — comecei a balbuciar, olhando em todas as direções a procura de uma saída.

— Coincidência? Sério? — perguntou com uma risada divertida. — Você acabou de nos trazer para o quarto! Limpos! — falou abrindo os braços e mostrando a própria túnica como prova de seu argumento.

— O que vai fazer? — perguntei com medo.

— Não vou te machucar, se é isso que está perguntando.

— Você matou um homem!

— Foi um acidente. — falou desviando o olhar e se sentando sobre as próprias pernas, no chão, do lado oposto do quarto, como se estivesse prestes a meditar. — Fiz para nos proteger, Taehyung. O que os monges diriam se soubessem que não é humano? Fiz isso para te proteger.

— Me proteger?! Do que? Quem iria acreditar nele? Eu mesmo não acredito no que acabamos de fazer! Devin!

— O que?

— Você matou um homem!

— E o faria de novo, Taehyung. Se fosse para te proteger!

Ele respirava com dificuldade, como se tivesse corrido uma distância grande em poucos segundos. Ficaríamos naquele impasse por horas se dependesse da teimosia de ambos. Abri a boca para dizer que iria embora, se precisasse, mas a porta foi aberta e um dos monges que quase havia nos flagrado entrou. Antes de olhar para qualquer um de nós, ele olhou para o quarto, como se o irmão Hasan fosse aparecer por detrás do baú ou pular pela janela.

— Viram o irmão Hasan? — perguntou finalmente nos encarando. Parecia saber mais do que dizia, mas apenas não tinha como provar.

— Quem é o irmão Hasan? — perguntei. Antes do episódio perto do riacho eu realmente nunca o tinha visto antes.

— Devin conhece. Dividem o dormitório. Certo, irmão? — perguntou o homem.

Olhei para Devin, ciente de que era uma questão de tempo até deduzirem que ele havia dado cabo da vida do pobre monge, mas ele mantinha um olhar sereno, como se nada tivesse acontecido.

— Soube que ele cuidaria das túnicas, hoje. Já procurou perto do riacho?

Você jamais duvidaria da inocência dele. Fiquei genuinamente impressionado com sua capacidade de fingir normalidade, como se o irmão Hasan estivesse vivo e a poucos metros de nós.

— Qual a tarefa de vocês hoje? — perguntou o monge ainda encarando Devin.

— Agricultura. Já cuidamos das ervas menores. Na parte da tarde vamos colher cogumelos. Certo, Taehyung?

— Cogumelos? — perguntei confuso. Depois de passar vários dias inconsciente, eu não tinha ideia de qual era a minha tarefa naquele dia. Tudo o que eu queria era fugir o mais rápido possível. — Sim...?

— Se virem o irmão Hasan, peçam que me procure. — pediu o monge e saiu.

Devin e eu voltamos a nos encarar imediatamente. Como se a tensão nunca tivesse deixado o quarto. Fiz menção de me levantar, mas ao mínimo movimento, ele já estava sobre mim, me pressionando contra o chão e cobrindo minha boca com a mão.

— Prometa para mim que não dirá nada. — pediu. Concordei com a cabeça. — Eu vou resolver isso. Confie em mim. — completou num sussurro. Senti novamente algo diferente do medo com o corpo dele daquele jeito, colado ao meu. Mas não tive tempo de identificar porque ele me deixou sozinho logo em seguida. 

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