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• Capítulo 7 • : "Deusa da destruição"

- Toda a calamidade que tem ocorrido desde antes de encontrar o jovem Riddle era do meu conhecimento. - O sacerdote explica. - Eu peço perdão por não ter contactado a senhora antes, minha Deusa, mas tive medo. Estive carregando esse fardo desde que a encontrei. E fui calado por ela.

- Com ela você quer dizer... - Começo a falar, e o sacerdote Jungwoo completa minha fala.

- Irene, a Deusa da Destruição. Ela deixou seu isolamento. Quebrou suas correntes e agora está a solta novamente. - Uma expressão de profunda tristeza toma conta do seu rosto quando ele abaixa a cabeça. - Estava tomando conta dos arredores, vigiando a região como me foi confiada a responsabilidade. E foi perto da floresta que a vi. Me assustei e achei que estava ficando louco, mas seu sorriso maligno era mais do que real. Quase não conseguia me mover. Queria gritar e correr, mas depois de tanto tentar, quando achei que conseguiria, ela me levantou nos ares pelo pescoço, como se usasse mãos invisíveis. E começou a falar. Disse coisas como "Todos vocês vão pagar" e "Esse reino será meu". Queria que eu fosse o primeiro que ela faria sofrer. Que o destino final dela era...a atual matriarca do Paraíso dos Deuses. Sua irmã e rival...

- Eu. - Digo, com certeza absoluta do sentido que tudo isso fazia. Ela conseguiu ficar forte e agora quer me destruir e levar o reino de mim e da família real. Essa desgraçada. - E quando diz que ela te calou, imagino o que quer dizer.

- Pôs algum tipo de feitiço em mim e me fez ficar observando todo tipo de desgraça acontecer sem eu poder alertar ninguém. Não sei o que foi. Sei apenas que toda vez que tento falar...é como se meu coração fosse explodir. A pior sensação possível toma conta do meu peito. Não é como um ataque cardíaco. É como se rasgassem minhas boas emoções em pedaços e só sobrasse desespero. - Ele fala isso gesticulando como se estivesse desesperado. E ele parecia prestes a chorar também. E machucava meu coração vê-lo tão perdido e desolado.

- Sacerdote...por favor de acalme. Faremos o possível para ajudá-lo, mas precisamos que o senhor fale mais sobre isso. - Explico. Ele parece se recompor um pouco.

- Claro. Mil perdões. Bem, após ter sido calado, muitas coisas ruins começaram a acontecer na vila. Tempestades de raios e trovões começaram a acontecer com frequência. Água e raios pra todo lado espalhando calamidade pela cidade. Além de muitas pessoas doentes que começaram a surgir, uma após a outra. Eu tive certeza de que era tudo culpa dela. E era horrível não poder fazer nada. - Ele dá uma breve pausa. - E também...sobre o jovem Riddle. Eu já estava ciente sobre seu sumiço fazia alguma tempo. Quando retornei ao mesmo lugar onde encontrei Deusa Irene da destruição daquela vez, tudo para investigar os arredores e pensar um pouco, o encontrei jogado. Ele estava da mesma forma que está agora. E soube que era coisa dela também. Principalmente porque... - E então ele se aproxima do jovem Tom. - Vi isso no corpo dele.

O sacerdote Jungwoo abre os botões da camisa da criança até a altura do peito e afasta o tecido, mostrando um desenho de garras cruzadas. Como se fosse um jogo da velha. Mas feito com algum objeto cortante. Outro arrepio toma conta do meu corpo no momento que vejo a marca dela. Daquela maldita desgraçada. Meu oposto. O pior nascimento da existência. A existência mais repugnante de todas. Uma vergonha para os nossos ancestrais. E ela tinha a vida e o sangue de Tom Riddle nas mãos.

- É a marca da destruição.... - Seokjin diz, sua voz soando tensa como nunca.

- A sensação é muito pior quando parece tão real assim...o que faremos, Deusa Âmbar? - Yoongi diz, me chamando.

Respiro fundo. Dias muito obscuros estão por vir novamente. Talvez seja ainda pior do que no passado. Temo pela nossa segurança. E pela segurança do resto do reino. No fim, eu e meus Deuses guerreiros somos a maior esperança de Opallina quando se trata de travar esse tipo de guerra. Se nós temos com o que nos preocupar, então os humanos não tem nem chance.

Precisamos agir.

- Sacerdote. - O chamo e ele ergue seu olhar. - Disse que não conseguia falar sobre nada disso pra qualquer um antes. Por conta do selo de Irene. O que mudou? Já que conseguiu nos falar agora, a situação já deve ser outra, não? - Pergunto.

- Sim, senhora. Bem, eu peço perdão. Fazem alguns poucos dias que eu encontrei o jovem Tom, e parece que quando o encontrei, o feitiço se desfez. Foi como se ela quisesse me enviá-lo porque agora não importa se eu falar. Então ela o entregou pra mim como sinal de libertação do seu selo. Porém, passei a ter receio de falar sobre isso. Não queria falar com qualquer um sobre o assunto e espalhar pânico. Por isso, tentei me comunicar com Ur. Sei que ela é mensageira dos Deuses além de ser a Deusa da União. Ela une os humanos aos Deuses entregando suas mensagens. Então quis tentar me comunicar com ela. Porém, não tive sucesso. Não consegui. É como se ela tivesse desaparecido. Como se estivesse falando com o nada e como se não existisse. Fora isso, não havia conexão direta para fazer com o Paraíso. Fiquei sem chão. Por isso dei graças aos Deuses que vieram ao meu encontro hoje. - Jungwoo fala com a voz descontrolada e tensa.

- Espere...Ur não esteve aqui? - Pergunto, de repente muito nervosa. Sinto uma chama dentro de mim queimando conforme fico tensa.

- Aqui no Norte? Não, minha senhora. - Ele parece confuso.

- Nem Hoseok? Namjoon? - Falo os nomes buscando por esperança de alguém ter aparecido e dado sinal de vida, mas sou pega por mas um olhar questionador. Ele não sabe da vinda deles. Eles nem chegaram, então...?!

- Perdão, minha Deusa. Eles estavam vindo ao nosso encontro? - O sacerdote pergunta.

- Os Deuses Ur, Hoseok e Namjoon saíram do Paraíso dos Deuses em viagem para acompanhar a Rainha ao Leste de Opallina. E depois disso viriam aqui para checar como estava a situação no Norte. Porém, não parece ter sido o caso. - Seokjin fala calmamente, explicando tudo ao sacerdote, que parece ficar mais tenso ao ouvir isso.

- Não recebemos os Deuses, minha senhora. Mil perdões se isso for um erro nosso. - Ele diz.

- De forma alguma, sacerdote. Não existe qualquer possibilidade disso ser culpa de vocês. Com Irene a solta e os três Deuses separados, obviamente ela tentaria algo contra eles. E ainda tirou minha chance de descobrir o que tramava bloqueando você de se comunicar com os Deuses por Ur. Bem que eu percebi algo errado quando não pude usar as estrelas pra mapear o paradeiro deles. Mas não havia o que fazer. E agora só parece estar ainda pior. - Me levanto da cadeira e vou até uma janela da casa. Olho para o céu. - Precisamos ir até o local de isolamento de Irene.

- Quer encontrá-la, minha senhora? - Seokjin pergunta, se levantando, aflito.

- Mas ela pode nem estar mais lá. - Yoongi continua.

- Não importa. Onde essa cachorra passa, ela deixa pegadas. Vou rastrear ela nem que seja na força. - O fogo e a fúria brilhavam nos meus olhos, eu podia ter certeza, principalmente pelos olhares acuados de todos na sala. Não podia controlar o ódio dentro de mim. Irene ia pagar pelo que começou.

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