Your eyes tell
Tatiana sentiu o rosto arder com a mensagem implícita nas falas de seu assistente. Afastou-se discretamente de Hoseok e cruzou os braços atrás das costas, reassumindo a postura autoritária que as vezes precisava fingir usar.
— Que bom que chegou, Alfredo, preciso que coloque a música do J-Hope nesse negócio.
— É Agustín. — sibilou desmanchando o sorriso imediatamente.
— Que seja. Pode fazer isso por mim? — perguntou se afastando completamente e indo até uma mesa posicionada ao lado do espelho, de onde poderia ver em detalhes a coreografia que ele havia preparado e então planejar como a usaria no videoclipe. Acabou esquecendo de usar o tradutor, então Hobi ficou parado no mesmo lugar, com um semi-sorriso no rosto, esperando eles lembrarem que ele estava ali.
Antes que ela se lembrasse de pedir para ele se aproximar, no entanto, o resto da equipe chegou. Colocaram algumas cadeiras perto da mesa onde ela estava e o equipamento do cinegrafista que documentaria a maior parte de tudo. Coisas que ela tinha esquecido, mas que fazia parte do contrato. Hoseok cumprimentou todo mundo com uma reverencia, cada vez que alguém novo entrava e também depois, quando saiam. Até que finalmente ficaram somente ele, a diretora e seu assistente, seu segurança na porta, já cumprindo seu papel e o cinegrafista equipado de uma câmera fotográfica.
Tatiana sentou-se numa das cadeiras e abriu uma pasta que Agustín deixara ali antes de finalmente ligar a música. O assistente sorriu para Hoseok, sem jeito porque continuavam sem um intérprete, e colocou a música para rodar, correndo para ocupar uma cadeira ao lado da diretora e poder assistir aquela dança exclusiva de um dos melhores dançarinos do k-pop.
— Eventualmente você vai precisar aprender meu nome, sabe? — cochichou pegando um notebook pequeno e se preparando para tomar notas.
— Eventualmente você vai precisar conseguir um intérprete, antes que perca seu emprego, sabe? — respondeu ela no mesmo tom, os olhos presos em Hoseok. — Minha paciência não é eterna, viu? A-gus-tín. — sibilou.
O assistente abriu a boca para responder, mas a expressão dela ficou realmente séria antes dele continuar aquele bate-rebate que tinham desde que ele tinha sido contratado. Uma música começou a tocar pela sala toda e eles encararam Hoseok em choque. Não era a música que ele tinha enviado, era uma mais antiga, dele mesmo. Boys meet Evil começou a tocar.
— Garoto! Era para colocar a música que eu te dei! — sibilou nervosa se levantando, pronta para ir trocar, mas parou no meio do caminho. Hoseok já estava dançando. — O que ele tá fazendo? — perguntou sem despregar os olhos dele.
— Dançando...? — sussurrou Agustín tão hipnotizado quanto.
— Mas é a música errada.
— Eu sei.
— Por que ele tá dançando a música errada?
— Não sei, mas agora quero ver até o final.
— Nossa. — sussurrou ela sem conseguir evitar deixar a boca cair alguns centímetros aberta em admiração.
— Pois é. — concordou Agustín empurrando o queixo dela para cima sem desviar o olhar de J-Hope.
Hoseok viu o olhar de admiração. Conhecia aquele olhar, porque era o mesmo que recebia do seu army quando estava performando no palco e ele sentiu que precisava fazer isso. A tensão, as coisas colocadas no lugar errado, a falta do intérprete, tudo estava fazendo com que se sentisse cada vez mais inseguro, apesar do claro esforço de Tatiana de não deixar que isso o afetasse. Ele simplesmente precisava dançar. Tinha praticado Boy Meets Evil com tanta paixão que era quase impossível ignorar a música, mesmo que não fosse a que ia gravar para o video clipe. Assim mostraria que estava pronto, independente do obstáculo em seu caminho e que Tatiana podia confiar nele, porque afinal de contas ele era profissional e muito bom no que fazia.
Enquanto ele dançava, parte da equipe chegou com o resto do equipamento de iluminação, mais cadeiras e alguns dançarinos que ficariam de apoio quando a gravação fosse feita finalmente. E cada um que entrava parava para assistir Hoseok dançando Boy Meets Evil com tanta paixão. Assim que a música acabou ele sorriu, respirando pesado, ouvindo os aplausos entusiasmados de toda a equipe com quem trabalharia. Incluindo Tatiana.
A diretora continuou alguns segundos ainda em transe encarando o coreano como se ele fosse uma especie de tesouro que ela acabara de descobrir. Até sentir o cutucão de seu assistente em sua cintura e finalmente se recompor.
— Nossa! Isso foi... — começou sem saber exatamente o que dizer. Estava sem palavras. — Nossa.
— Só sabe falar isso? — perguntou Agustín fazendo-a voltar ao mundo dos vivos assim, com uma simples palavra.
— Que tal você colocar a música certa agora, Manuel?
— Eu não vou nem te falar nada, Tatiana.
— Que bom, eu agradeço muito. — sorriu ela ironicamente.
Agustín andou devagar até onde estava o aparelho de som pela segunda vez. Ia fazendo caretas e imitando Tatiana sem que ela realmente visse. Aquilo fez com que Hoseok risse porque finalmente entendeu como funcionava a dinâmica daqueles dois. Eram caóticos e desbocados, mas o faziam apenas entre si, como dois irmãos que amam fingir que se odeiam.
— Tudo bem se você dançar a música certa agora? — perguntou Tatiana de seu lugar ainda na mesa colocada ao lado do espelho para avaliar a coreografia.
— É melhor dançar a música certa, não acha? — repetiu o tradutor, dessa vez na voz monótona do Google.
— Ok. — concordou ele dando de ombros. Dançar tinha aliviado seu nervosismo o suficiente para não se perturbar com a nova grosseria dela. Estava ali para trabalhar, afinal de contas, não para fazer amizade com a diretora. Mesmo que ela fosse bonita e emanasse uma espécie de carisma que o fazia querer dançar só para ela.
Quando a música certa começou a tocar, Tatiana foi imediatamente transportada para o sonho que tinha tido na noite anterior, se lembrando com detalhes exatamente o que tinha sonhado. Estava num lugar aberto e um carro vinha ao longe. Ela sabia quem o dirigia e isso a deixava mais ansiosa, como se precisasse mais do que nunca estar naquele carro com ele. Assim que se aproximou, o mundo descolorido pareceu ganhar vida e quando ele sorriu, foi como se tudo começasse a brilhar. Vendo-o dançando ao som daquela música a ajudou a entender exatamente o tipo de conceito que usaria no video. Luz, cores, brilho e Hoseok. Não precisava de mais nada. Sem desviar os olhos do coreano, ela escreveu num papel que Agustin podia dispensar os dançarinos.
— O QUE? ASSIM DO NADA? — ele perguntou em choque, despertando todo mundo do transe que era assistir J-Hope dançando. Tatiana abriu um sorriso amarelo e virou a cabeça mecanicamente para o assistente. — Desculpa, desculpa. Vou fazer o que pediu. — pediu imediatamente, assumindo tons de vermelho que ela nunca tinha visto. Olhou envergonhado para o coreano e sua pele assumiu outro tom de vermelho, mais intenso, com vergonha porque ele não estava mais dançando.
— Desculpe, J-Hope. — pediu Tatiana sem precisar usar o tradutor. — De novo? — perguntou.
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NOTA DA AUTORA: Pessoal, me perdoem pelo atraso nas atualizações. Só me dei conta depois de ter começado, que precisava de mais material para continuar. Estou trabalhando nisso e correndo atrás do prejuízo. Espero que gostem do capítulo de hoje.
boa leitura
<3
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