Outro: The Journey
Os olhos dele estavam perdidos no cenário magnifico da propriedade alugada pela empresa para que ele se hospedasse. Poderia ter ficado num hotel, assim como sempre acontecia quando vinha com os outros membros para a América, verdade, mas sua vinda não tinha sido oficialmente noticiada e ficar num hotel atrairia atenção desnecessária. Ao longe ele conseguia ver o contorno de LA contra as luzes da própria cidade. Queria poder aproveitar mais a viagem, mas havia muita coisa a ser feita e quanto mais pensava, menos confiante ficava.
Tatiana era competente, quanto a isso não havia dúvidas, mas a dificuldade de comunicação não passava a segurança de que iam terminar tudo em uma semana. “Menos de uma semana”, já que o primeiro dia havia encerrado.
— Não vai descansar? — a voz de Jaesub, seu segurança e parceiro nessa “aventura americana”, o trouxe de volta ao apartamento alugado pela Big Hit.
— Hyung*… — começou ele ainda com o olhar perdido na paisagem. — Acha que vai dar certo?
— O que, exatamente?
— Esse vídeo clipe em uma semana? — finalmente se virou para encarar o outro.
— Não confia na senhorita Hamilton?
— Não! Nela eu confio, mas… — hesitou. — Tenho a impressão que essa coisa de falar usando um tradutor vai atrasar mais ainda, não acha?
— Sinceramente?
Hobi acenou com a cabeça, ansioso.
— Acho que você está se preocupando demais com a comunicação sem motivo. Apesar de não achar ela a mais simpática das pessoas — continuou com uma careta — … acho que o trabalho dela fala por si mesmo. Só precisamos confiar mais.
— Mas e se eu precisar receber instruções dela?
Jaesub soltou uma risada que mais parecia um latido rouco.
— Hoseok-ah — colocou as mãos nos ombros do mais novo — Você é o J-Hope do BTS. Um dos maiores rappers e dançarinos do mundo.
Hobi ficou vermelho com aquele elogio, mas não interrompeu o segurança.
— Seu trabalho vai se comunicar com o dela. Ninguém precisa de um tradutor para talento. Nem ela e, muito menos, você!
Hoseok voltou a olhar para as luzes de LA no horizonte. Nunca iria se acostumar com a admiração e confiança que sua posição de ídolo trazia. Mesmo assim sorriu e concordou com a cabeça.
— Hyung. Estou pronto.
***
Mesmo sabendo que as flores não tinham sido entregues pessoalmente por Mike, Tatiana continuava tensa sem perceber. Estava agarrada ao volante de sua SUV com tanta força que seus dedos já começavam a doer. Pela segunda vez naquela noite, esqueceu-se completamente que Anna estava presente, deixando a mente viajar em todas as direções, sem realmente se fixar a nada que tivesse nexo.
Anna, por sua vez, não conseguia olhar em outra direção que aquela moça loira com os ombros tão erguidos que faziam com que ela se parecesse com uma tartaruga tentando se esconder no casco. Se todos os adultos envolvidos com a mídia forem iguais a Tatiana, ela não tinha muita certeza se ainda seguiria por esse caminho quando finalmente fosse fazer faculdade.
Pararam em um sinal vermelho, numa esquina particularmente iluminada, chamando a atenção da garota para um anúncio de celular.
— Tem certeza que é por esse caminho? — perguntou ao reconhecer as lojas dos dois lados da rua.
— O que? Como? — Tatiana piscou algumas vezes, olhando para Anna como se ela fosse um alienígena que havia acabado de se teletransportar para o carro com ela.
— O caminho… — Anna murmurou. —... para me apresentar ao J-Hope…? — sorriu sem jeito, mostrando todos os dentes alinhados sob uma gengiva muito grande para o rosto bonito dela.
Tatiana abriu e fechou a boca algumas vezes, organizando a própria mente, encarando a menina. O silêncio dela começou a ficar incômodo, fazendo com que Anna finalmente desviasse o olhar.
— Olha, Anna, eu…
— Não vai me apresentar ao J-Hope, não é mesmo? — a garota parecia resignada, como se finalmente tivesse entendido a diretora.
— Não…
— Eu sabia.
— Não é isso, eu… — alguém buzinou impaciente atrás delas. Tatiana engatou o carro e continuou dirigindo. — Eu estou com medo. — admitiu finalmente.
— Mas você é famosa! É rica! E bonita! E… — Anna emudeceu e voltou a olhar pela janela do passageiro.
— E branca. — Tati completou por ela. — Era isso que ia dizer, não era? — a atenção da diretora estava voltando ao seu normal com aquela conversa. — Não é disso que tenho medo. Sei muito bem que tenho privilégios demais para ter medo do fracasso. Não foi isso que eu quis dizer. Apesar disso influenciar muito em como faço questão de sempre trabalhar com pessoas que não tem a mesma “sorte”. — completou.
Era a primeira vez na vida que Tatiana se abria desse jeito com alguém que não era sua terapeuta. As perguntas sagazes daquela adolescente tiveram o mesmo efeito que um ruído marrom, organizaram seus pensamentos e a fizeram responder mais racionalmente.
— Tenho medo desse cara nos seguir. — admitiu olhando pelo retrovisor antes de virar mais uma esquina.
— Quem? O Hobi?
— Hobi?
— Ah, desculpa, esse é um dos apelidos que a gente usa com ele. O J-Hope?
— Não. Não dele. Esse cara das flores.
— Vocês se conhecem?
— Digamos que somos amigos de f… somos amigos. — quase se esqueceu que estava conversando com uma adolescente.
— Se vocês são amigos, por que tem medo? Não faz sentido.
— Ele queria que eu o incluísse no nosso trabalho com o J-Hope. Acha que isso vai ajudá-lo a subir na carreira de ator.
— E…?
— E eu disse não. O trabalho dele não tem nada a ver com o meu, mesmo ele sendo ator e eu diretora. — baixou a alavanca da seta, diminuindo a velocidade do carro gradualmente.
— Vocês transavam, não é mesmo? Não tem nada de amizade aí… — Tati quase ganhou um torcicolo ao se virar para encarar a garota. — Eu tenho quinze anos, não dez. — completou sem olhar para a moça.
— Vou me lembrar disso. — voltou a atenção para a direção e parou o carro numa portaria que Anna não reconheceu. Não era o estúdio onde Augustín havia as apresentado uma à outra.
— Onde estamos?
— Num lugar que só eu, você, Aurélio e o J-Hope conhecemos. — sorriu e voltou a dirigir assim que o guarda noturno levantou a cancela.
— Seu "amigo" conhece esse lugar?
Tatiana ficou tensa novamente, imaginando se Mike apareceria ali. Apertou as mãos no volante e dirigiu em silêncio até uma vaga de estacionamento com seu nome. Anna não perguntou mais nada, com medo de ter perdido a única chance que tinha de conhecer seu ídolo.
— Anna. — a voz de Tati era quase um sussurro por trás dos cabelos que cobriam seu rosto por estar com a cabeça abaixada. — Pode me prometer uma coisa?
— Por favor não me mande embora, eu juro que vou ser mais legal e…
— Prometa que se vir alguém, qualquer homem, diferente de J-Hope, o segurança dele ou meu assistente, você não vai conversar e nem interagir. Prometa que virá diretamente a mim e me contar quando, onde e como estava essa pessoa estranha.
O tom da diretora deixou Anna apreensiva. Estava começando a ficar assustada com esse "amigo" ator que Tatiana havia mencionado antes. Era quase como se ele fosse algum tipo de criminoso. A menina engoliu seco e concordou com a cabeça.
— Prometo.
— Ótimo. Então vamos começar nosso trabalho. — Tati levantou a cabeça e jogou o cabelo para trás, abrindo um sorriso triste que não combinava em nada com a mulher poderosa que Anna havia imaginado. Mesmo assim a menina sorriu de volta. — Pronta para conhecer o meu amigo "Hobi"? — era a primeira vez que usava o apelido carinhoso do cantor. Gostou do sabor do nome dele em sua boca.
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Nota da autora: oi gente, mil desculpas pela demora de atualização nessa e nas demais fanfics.
2021 e 2022 tem sido bem cansativos para mim. Mas a inspiração está voltando e, aos poucos vou conseguindo atualizar tudo. Espero que gostem.
Bjs <3
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