Tulipas 🌷
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Com a chegada do inverno, os dias vêm amanhecendo muito frios. Mas nem mesmo as temperaturas baixas estão sendo o suficiente para tirar toda a motivação de Lucy, em levantar cedo da cama com todo o seu entusiasmo de sempre. Sua nova rotina é tão boa e diferente aos olhos dela que, levantar cedo num dia frio não é nada. Ela sabe bem o tempo que perdeu estando em caminhos errados, por isso o que mais deseja, é correr atrás desse tempo perdido.
Desde quando chegou na nova cidade, acompanhada de Érika, Lucy conseguiu uma vaga de emprego em uma enorme floricultura, próximo ao centro. E com o dinheiro que ganha, ela vem pagando a mensalidade da faculdade de biologia, coisa que nunca imaginou fazer um dia. Assim, dia após dia, ela vem recuperando sua dignidade que já não sabia mais se ainda a tinha.
Ela é encarregada de abrir a loja todos os dias bem cedo, então mais que depressa, ela procura deixar tudo bem organizado antes de começar a chegarem os clientes. Mas hoje, em especial, alguém aparece bem cedo na loja, a cumprimentando:
- Bom dia! - Um rapaz alto, de cabelos acastanhados, lisos e de jeito fofo, se aproxima rápido da morena, que estava distraída com a organização das plantas.
- Bom dia! - A baixinha para e se vira para o atender. - Posso ajudá-lo?
Mas quando ela observa melhor, se dá conta de quem se trata:
Eu não acredito! É ele! O rapaz que trabalha na cafeteira da faculdade. Não achei que ele fosse ainda mais lindo assim, de perto!
A garota pensa consigo mesma, enquanto o rapaz lhe fala:
- O que você me indica para presentear uma mulher muito especial? - pergunta ele, escorando suas mãos grandes sobre o balcão, deixando a garota embriagada com seu perfume marcante.
- Hum! Deixe-me pensar.
Lucy se vira para escolher uma bela planta bem florida, enquanto seu pobre coração se esvazia de qualquer esperança ao ver seu admirador, comprando presentes para outra mulher e pelo jeito, muito especial, assim como ele mesmo lhe disse.
- Eu e indico, as tulipas. - Lucy se vira trazendo em suas mãos um arranjo exuberante de tulipas, cor rosa pink e salmão. - São umas das mais lindas que temos na loja. A pessoa que a ganhar ficará fascinada, com certeza...
A morena não consegue esconder vestígios de decepção brotando aos poucos, sobre seus olhos grandes, escuros e brilhantes como a noite.
- Muito obrigado, hãm. Como você se chama? - pergunta o rapaz.
- Lúcia. Maria Lúcia. Mas meus amigos me chamam de Lucy ou ... Índia. - Ela desvia o olhar com jeito acanhado, ao notar que acabou de falar de modo informal com o seu admirador, já que no momento, ele é apenas um cliente.
- É um lindo nome, Lucy. Na verdade sua beleza, junto a características indígenas, chamam muito a atenção, realmente. Por isso o apelido! Eu me chamo Nick.
- É um prazer te conhecer, Nick.
- Eu já vou indo, Lucy. Obrigado pelo ótimo atendimento e... Tenho certeza que minha mãe ficará feliz com as lindas tulipas!
- Ah, então eram para a sua mãe! - Um sorriso inesperado toma os lábios de Lucy.
E no instante em que percebe que sua voz saiu mais alta do que pensou, ela leva a mão aos lábios de forma rápida e surpresa.
Logo o rapaz para e se vira, trazendo um pequeno sorriso nos lábios, ao perceber a comemoração da garota, em saber que as flores eram para a sua mãe.
- Eu não poderia simplesmente ir embora sem agradecer pela atenção da forma em que você merece.
O rapaz se aproxima de Lucy, ao mesmo tempo em que tira uma flor do lindo arranjo em suas mãos, e lhe entrega. O olhar do rapaz parece atravessar a alma e o coração da garota nesse momento:
- Isso é por escolher as flores mais lindas para a minha mãe. E olhando bem. Essa flor também combinou perfeitamente com seu rosto, Lucy!
A pobre garota quase não acredita no que acaba de ouvir. Ela aceita a flor da mão do rapaz, sentindo vergonha por sua própria mão tremer tanto.
- Esse rosto que só posso admirar de vez em quando, nos dias em que você vai tomar café lá na cafeteria da faculdade. - Ele lhe sorri de forma rápida, a fazendo notar que tem interesse nela.
- O- obrigada. - Lucy luta para parecer natural, mas sem sucesso.
- Então... Te vejo na cafeteria?
- Claro que sim, Nick. - Ela abaixa seus olhos, enquanto lhe sorri acanhada.
O rapaz sai da loja finalmente, mesmo mostrando não querer ir tão cedo, mas sabe que de agora em diante, eles terão muito tempo para conversarem.
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Érika caminha pelo seu quarto com jeito ansioso e pensativo. Só de pensar que vai voltar para a cidade de Anthony, seu coração acelera de saudade e ansiedade. São tantas dúvidas sobre o que ele estaria fazendo ou o que pensa a respeito dela hoje em dia. Quem sabe ele ainda esteja bebendo, ou estudando, ou até mesmo não tenha entendido os reais motivos de ela ter ido embora daquela forma e ele não queira mais saber dela.
Várias dúvidas rondam sua cabeça, então apressada, ela vai até seu quarto e se encosta na janela observando a vista das casinhas daquele bairro simples, com jeito pensativo. Sua agitação está tão incontrolável, que seu desejo de acender um cigarro a toma por completo, e já fazia tempo que ela não fumava um cigarro.
E mais que depressa, ela se vira e vai até a gaveta de sua cômoda. Ao abrir, encontra um maço de cigarros, junto a um isqueiro, que fazia dias que estava ali e pensou já o ter jogado fora. Ela respira fundo, pegando um cigarro e o colocando sobre os lábios. Logo em seguida, acende o isqueiro, colocando uma mão, cobrindo para o vento não o apagar.
Mas ela para por um momento, ergue os olhos em direção da janela com expressão pensativa, depois abaixa o olhar e tira o cigarro dos lábios rapidamente e respirando fundo. Ela junta o cigarro com o isqueiro e os joga de qualquer jeito sobre a mesinha de cabeceira, então se vira caminhando rápido pela casa, esfregando o rosto com as mãos e jeito agitado. Ela sabe que precisa ser forte e lutar duro contra seu vício por cigarros.
Também sabe como foi difícil sair da vida tortuosa em que estava e por conta disso teve sérias consequências. E para mostrar para si mesma o quanto está diferente, e que não pretendo mais voltar com o comportamento antigo, ela vai seguir firme, lutando contra o vício do cigarro como um sinal de mudança completa de vida.
Resolve então, caminhar até a sala ainda de forma ansiosa, para terminar de ajeitar suas coisas para a viagem. Quem sabe assim, consegue esquecer por um momento o desejo incontrolável de uma boa tragada em um cigarro.
Será que o Anthony ainda luta contra seu vício, também?
Enquanto ela pensa consigo mesma, sua mãe chega:
- Então quer dizer que você vai mesmo para longe de novo não é? Vai voltar àquela cidade mesmo eu te pedindo tanto, Érika? - pergunta sua mãe, a observando arrumar as coisas.
- Sim, mãe. Eu ja combinei com o Eddy - responde a garota, sem fazer contato visual com sua mãe, devido a tanta ansiedade em seu coração.
- Você poderia simplesmente pedir para esse Eddy, tentar encontrar o Anthony e pegar o número dele. - Eduarda se aproxima devagar de sua filha, com os olhos tristonhos. - Da última vez, você demorou muito tempo pra voltar pra casa. Tenho tanto medo de acontecer a mesma coisa. - Suas palavras estão carregadas de tristeza.
- Eu vou passar apenas uma semana fazendo companhia para o Eddy, enquanto procuro por Anthony, mãe. Quero aproveitar as minhas férias da faculdade para fazer isso.
Érika para com a arrumação e se vira para sua mãe finalmente.
- O Eddy disse que está tudo bem diferente agora, eu prometo que assim que conseguir encontrar o Anthony e pegar o contato dele, eu volto. Eu não faço ideia de como o Anthony deve estar ou o que está fazendo. Isso está me tirando o sono ja faz tempo!
...
- Érika! Que bom que você está aqui! - Lucy chega sorridente, abrindo a porta da sala com jeito eufórico.
- O que aconteceu, Índia? - pergunta Érika, estranhando tamanha animação.
- Você não acredita quem apareceu lá na loja?! Me belisca, porque eu estou sonhando até agora! - A baixinha estende sua mão na direção de Érika.
- Não me diga que é o rapaz da cafeteria, em que você tanto fala? - Érika sorri.
- Ele mesmo! Ai, ele quer me encontrar na faculdade. Eu não tô acreditando até agora.
- Ai, índia eu tô tão feliz por você! Pelo que vejo na faculdade, ele parece ser um cara legal. - Érika sente que sua amiga finalmente está vivendo todas as coisas boas que ela merece.
- Fico feliz por você Lucy... - Eduarda responde, mas Luci percebe os olhos dela meio desanimados.
- Aconteceu alguma coisa, Eduarda? - Lucy se preocupa.
- Ah, Lucy. A Érika já se decidiu. Ela vai voltar para aquela cidade outra vez! - Eduarda caminha pela sala, com jeito meio triste.
- Agora entendi sua preocupação. - Lucy percebe as bolsas de Érika, no canto da sala.
- Mas eu já disse a minha mãe que não vou demorar, Índia. Eu só não estou mais conseguindo esconder meus sentimentos, eu preciso muito procurar o Anthony! Saber o que aconteceu com ele! - avisa Érika, com firmeza.
- Que pena você ter apagado o contato dele quando viemos embora - avisa Lucy.
- Eu sei, Lucy, e me arrependo disso. Mas eu não pretendia mais vê-lo, foi muito difícil raciocinar direito naqueles dias, mas eu não consigo mais evitar. Preciso vê-lo novamente!
- Mas e se você demorar muito tempo pra voltar, assim como da última vez? - Sua mãe coloca suas mãos sobre ombros de Érika com jeito triste. - Você disse que esse rapaz é de família muito rica. São empresários e tudo mais! Que ele estudava medicina. Você acha que ele aceitaria vir para a essa cidade, mesmo você sendo de família pobre? Ele não vai te deixar voltar, Érika. O máximo que ele vai querer, é que você fique lá com ele, assim como ele queria antes. Como você me disse uma vez, lembra?
- Mãe, eu sei que as nossas realidades são bem diferentes. - Érika sente seus olhos marejados pelos vários sentimentos que tomam seu peito, de forma rápida. - Mas nós fizemos promessas um ao outro, eu não acho que ele se importe com minhas condições, pois em nenhum momento isso pareceu problema pra ele.
- Mas e os pais dele? - pergunta Lucy. - Você me disse da última vez, que os pais dele não ficaram contentes com a aproximação de vocês dois.
Mas nesse momento a garota se vira, mostrando em seus olhos sinais de que às vezes esquece a sua verdadeira realidade.
- Eu não ficaria com ele, lá naquela cidade. Eu sei que o meu lugar é aqui com vocês. Nós viríamos embora. E quer saber? Se ele não quiser mais saber de mim, ou quem sabe já esteja mesmo vivendo todas as coisas boas que ele tanto sonhou, eu não me importo. Eu voltaria feliz para casa sabendo que ele se recuperou, assim como eu.
Eu vou ficar satisfeita ao saber que em algum lugar do mundo, Anthony está bem financeiramente e emocionalmente. Isso é o mais importante.
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- 1895 palavras -
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