Eu não vou embora!
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Já chorei vendo fotos e ouvindo música.
Já pensei que fosse morrer se saudade.
Tive medo de perder alguém especial
(E perdi...)
Já abracei para proteger.
Já dei risadas quando não podia.
Já amei e fui amado.
Já fui amado e não amei..
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Érika desperta pela manhã, passa os olhos no celular e vê que ainda é cedo. Se espreguiça na cama, e fica de barriga para cima, pensativa. Quase não pisca. Se pune profundamente ao perceber que seus primeiros pensamentos vão direto em Anthony.
Enquanto observa o pequeno quarto onde dorme na companhia de Lucy. Apenas um colchão e mais poucas coisas bem básicas. Prefere guardar todo o dinheiro que ganha e estar na casa de Eddy, sem gastar quase nada.
Começa a pensar como um rapaz como Anthony, conseguiu ser tão intrigante desse jeito aos olhos dela. São muitas perguntas. Anthony é inteligente, lindo e atencioso quando quer. Mas às vezes é misterioso, calado e sem paciência alguma.
A garota, suspira e resolve se levantar para tentar continuar com a tarefa de passear com Teddy, quando Jack, bate de leve na porta. Então ele entra.
- Aonde vai tão cedo? - pergunta, observando ela se aprontar.
- Eu... Vou no apartamento do Anthony. - Ela se mostra sem jeito - Eu falei que talvez voltaria com a tarefa de passear com o Teddy.
- Eu não acredito que você ainda vai voltar lá! - Ele não gosta muito do que ouve.
- Olha Jack, eu sei que o Anthony se comporta estranho às vezes, mas eu vou pela grana, tá! Eu já expliquei pra você e pra Lucy. Além disso, o dinheiro é bom e eu ganho sem esforços. - Ela procura roupas em uma pequena cômoda velha ao lado da janela.
- Quer saber. Eu tenho minhas dúvidas se é só pela grana, mesmo! - Ele caminha pelo quarto quase vazio - Em outra ocasião, você nos diria que isso não compensava, e que as correrias para o Heitor, renderiam bem mais dinheiro do que isso! É... você tá mesmo diferente. - Ele sacode a cabeça, surpreso.
- Eu não tô diferente, Jack! Ainda hoje à noite, vamos fazer as correrias para o Heitor. Preciso de dinheiro e ele paga bem!
- Mas já faz dias que não aparecemos lá, ele deve estar furioso!
- Eu invento uma desculpa, sei lá!
Ela se mostra impaciente para isso agora. Caminha apressada até o minúsculo banheiro e veste sua calça jeans nova, clara e rasgada nos joelhos. Coloca seus tênis brancos, novos. Já está pronta para sair.
- O Heitor é perigoso! - Jack se aproxima com jeito preocupado. - Ele não engole desculpas fácil. Precisa decidir se vai voltar a trabalhar pra ele mesmo, ou pra esse riquinho, senão... vamos ter que sumir!
A garota apenas se cala, pensativa.
- Você sabe que... Eu faria qualquer coisa que me pedisse, não sabe?
O grandalhão se aproxima da garota, com calma, enquanto a olha diferente, por baixo de seus cabelos cacheados.
- Eu já abri meu coração. Sabe que sou doido por você, desde o primeiro dia que você apareceu aqui do bar. Você sempre soube disso.
- Olha Jack, já falamos sobre isso... - A garota disfarça.
- Você sabe que nós sumiríamos desse lugar no dia que você quisesse. O Eddy me arranja um dinheiro e vamos alugar um cômodo longe daqui.
- Chiii!... - Érika olha para Lucy, deitada no colchão, enquanto põe o dedo na frente da boca - Já disse para não falar disso perto da Lucy. É por isso também que não podemos ir morar juntos, você ainda tem seu tio. Mesmo sendo difícil, eu ainda tenho minha mãe e minha irmãzinha, mas a Lucy... não tem ninguém!
No início, Érika tinha cogitado a ideia de aceitar o pedido de Jack e ir morar com ele, unicamente pela falta de opção. Estava só e não tinha para onde ir. A cima de tudo ele era um cara legal, mesmo às vezes meio ciumento e protetor demais.
Mas passeando pela Cidade das luzes, acabou encontrando Heitor, o chefe de uma quadrilha, que mexe com roubos e tráfico de drogas. A proposta dele pareceu tentadora para uma garota que já não tinha mais expectativa alguma de um futuro melhor, e o que passava em sua mente era se vestir bem, comer o que tinha vontade sem precisar ter que levantar cedo para isso. E assim, envolvendo Jack e Lucy, também.
...
- Érika?... - Lucy desperta, e percebe os dois cochichando. - Vejo que já vestiu sua calça nova. - Mas resolve deixar passar e sorri a medindo - aonde vai?
- Sabia que a Érika vestiu sua calça e seu tênis novinhos, apenas para ir trabalhar de babá do cachorrinho do riquinho? - O olhar de Jack não aparece contente.
- Oh... - Lucy para de sorrir.
- Dá pra parar, Jack!? - pede Érika, com os olhos firmes nele - Lucy eu prometi que voltaria a trabalhar pra ele. - A garota se abaixa perto da morena - O dinheiro tá me ajudando muito e pra falar a verdade... eu gosto do pequeno, Teddy.
Ela abre um sorriso de leve ao lembrar.
- Já o Anthony. Ele pode ser meio estranho às vezes, mas ele é um cara legal, só acho que deve estar passando por algum momento difícil.
- Tudo bem, Érika. - Lucy sorri.
Ao ouvir isso, Jack sai apressado do quartinho, descendo as escadas para o bar do seu tio.
- O que deu nele? - Lucy estranha.
- Nada de mais, só está preocupado com o Heitor. - A garota se levanta. - Mas nós precisamos continuar trabalhando para o Heitor, já faz dias que não aparecemos lá e vamos ter que nos explicar. - Érika olha preocupada.
- Já faz mesmo. - A baixinha, se preocupa.
- Não se preocupe, qualquer dia desses vamos dar um jeito de sair fora disso - promete Érika, se preparando para sair.
Lucy olha sem jeito e pensa um pouco antes de tomar coragem de contar:
- Essa noite eu... Sonhei com o Jack - um pequeno sorriso envergonhado aparece em seus lábios.
- Sério! - Érika sorri meio forçado.
Ela sabe da paixão secreta que Lucy tem por Jack. Mas infelizmente não é recíproco. Só não sabe como dizer isso para ela.
- Será que já é hora de dizer que eu gosto dele?
- Eu não sei.
Seus olhos vão parecendo tristes. Ela gosta muito de Lucy.
- Você tem que estar preparada para saber que tanto pode ser correspondida como, não.
Explica Érika e nota Lucy ficar calada. Abaixando a cabeça de forma triste.
- Ah, Índia! Você é a mais novinha de nós. É linda! Deveria se preocupar com outra coisa ao invés de querer arrumar alguém agora, não acha?
Pede Érika, de forma incômoda.
- Sei que não sou a melhor pessoa para isso, já que estamos no mesmo barco. Mas antes de parar nas ruas eu tinha um estilo de vida bem diferente. Ainda penso muito se vale a pena eu correr tantos riscos. Tudo o que eu queria era ter forças de voltar para rever minha mãe. - Érika abaixa a cabeça e seu olhar fica triste. - Tenho tanta saudades.
- Sinto muito... - Lucy ampara sua amiga.
Então Érika se despede de Lucy e desce as escadas já com um cigarro apagado nos lábios, se aproximando do balcão do bar. Pega um café com o Eddy, dizendo que iria fazer o bico para o cara do condomínio. Mas disfarçou quando Eddy perguntou se ela ia hoje à noite, fazer as entregas de lanches.
Ela caminha pelas ruas com o café na mão e o cigarro nos lábios, enquanto o vento frio bagunça seus cabelos.
....
Assim que chega em frente ao apartamento de Anthony, lembra que ele avisou que tinha uma cópia da chave dentro de um dos três vasinhos de plantas ao lado da porta do apartamento. Então ela abre e entra. O silêncio toma conta do ambiente bem decorado. Caminha devagar, ainda admirando, mesmo sabendo que já entrou ali várias vezes.
Teddy vem ao seu encontro com a alegria de sempre. A garota se abaixa sorrindo e acaricia seu pelo macio. E logo ouve o som do piano vindo do quarto de Anthony. Agora ela tem certeza de que ele está em casa.
Érika fica pensativa, enquanto seu peito se aperta ao saber que ele ainda está na mesma. Isso corta seu coração. É quando a campainha toca, Érika estranha, se levanta receosa ao pensar que pode ser a mãe dele. Anthony nem se manifestou, então ela resolve atender.
E ao abrir se depara com uma garota baixa, magrinha, cabelos loiros, finos e olhos grandes. Rosto pequeno e aparência delicada. Tão magrinha e delicada que Érika acha que um vento mais forte poderia parti-la em dois.
- Bom dia... - A loira cumprimenta, estranhando, enquanto entra - Você quem é? - pergunta, curiosa. E Érika percebe que sua voz é fininha.
- Me chamo Érika. - explica a garota, já imaginando que a loira com jeito de patricinha, seja a namorada do Anthony ou algo do tipo. - Só vim buscar o Teddy para o passeio.
- Ah, sim. Eu sou Alície, irmã do Anthony, minha mãe pediu para eu vir hoje me certificar se ele vai para o escritório.
- Desculpe te desapontar... Irmã do Anthony. Mas pelo que eu venho observando há dias, o Anthony não me parece com jeito de quem quer dar um duro danado no escritório, não!
Opina Érika, de forma descontraída, parecendo mais relaxada. Mas nem entende o motivo de ter ficado tão contente ao ver que a loira é só a irmã dele, mesmo sabendo que isso não era da sua conta.
- A menos que você traga um guindaste para o tirar daquele piano, eu acho bem difícil. - Ela sorri.
Mas de repente, um barulho alto ecoa pelo quarto fechado de Anthony, assustando as duas garotas. Pareceu alguém caindo e vidros se quebrando.
- O que foi isso?! - Pergunta, Alície.
Mas Érika age depressa, apenas se vira e corre apressada, deixando a garota na sala. Chega na frente da porta do quarto dele e abre bruscamente, sem pensar duas vezes. E justamente como imaginou, encontra Anthony, caído de bruços ao lado do piano, o banco virado, vidros e bebida espalhadas por todo o piso de madeira.
- Porra!
Érika corre em sua direção com os olhos tomados pela preocupação.
- Olha, não inventa de morrer justo agora que eu tô aqui porque eu não posso nem passar perto de uma delegacia, tá me ouvindo! Dessa vez eu vou me ferrar de verdade! - Érika briga com o rapaz, ainda preocupada.
A loira entra no quarto e leva uma mão à boca, enquanto vê Érika tentando virar o pobre rapaz.
- Ele deve ter se desequilibrado e caído por cima da garrafa! - deduz Érika, com jeito apressado.
- Eu te ajudo. O meu irmão deve ser pesado!
- O pior é que eu não faço a mínima ideia do quanto ele já bebeu hoje! Meu medo é ele entrar em um coma alcoólico! - explica, Érika, assim que conseguem o virar - Precisamos levá-lo ao hospital! - diz preocupada.
- Meu tio é médico e mora perto. Se eu ligar, ele chega num instante! - avisa a loira, se levantando e caminhando até a sala com o celular no ouvido.
Nessa hora, Anthony abre os olhos devagar.
- Anthony! - A garota fecha os olhos e suspira mais aliviada - Que bom que está acordado! Você deve ter apenas de desequilibrado! Tomara que não tenha se cortado! - Ela passa os olhos de forma agitada, procurando sinais por seu corpo.
- Porque... está no meu quarto? - Ele olha com dificuldade, sua voz sai arrastada - P-por favor... vá embora, eu... Não quero que me veja assim... - diz em voz baixa, tentando se soltar.
- Não! Eu não vou embora!... Não dessa vez... - Seu olhar fica profundo e vai sendo tomado pela tristeza - Nós vamos cuidar de você até seu tio chegar!
- Eu não q-quero ver ninguém! - Ele tenta se levantar.
- Já chega! Eu não vou mais ignorar as coisas que vejo! O que tá acontecendo com você, Cara! Já faz dias que venho aqui e te vejo na mesma! Não faz isso com você, por favor! E ainda que você não queira e não seja da minha conta, hoje vou cuidar de você!
Ela já não vai mais esconder sua preocupação.
Assim que se vira, vê que Alície, ouvia tudo o que ela disse.
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Jack
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