C3: "É um trabalho, não um encontro"
Não ia conseguir me comunicar com ele de jeito nenhum. Não tinha como.
- Erina, manda a mensagem logo. - Oli diz, quase pegando meu celular da mão.
- Mas o que eu mando? Depois de tanto tempo eu finalmente consegui o número dele. - Respondo, com as mãos tremendo.
- Cara, não precisa de nada demais. É só mandar qualquer coisa. - Oli continua. - Você esqueceu como se conversa com as pessoas?
- Não, mas eu estou nervosa. Não quero mandar qualquer coisa. É nossa primeira conversa.
- Erina, é um trabalho, não um encontro. E vocês nem vão se ver. Dá pra resolver tudo online. Só fala com ele. Você quer pesquisar sobre a evolução da espécie em si, não é? Sugere que vocês façam uma divisão de áreas do trabalho. E pega a sua. E faz o seu trabalho. Pronto. Acabou. - Ela fala sobre o trabalho de biologia, no qual a professora sorteou com quem nós faríamos.
Tirei o Yoongi. Peguei o número dele e agora ela está na minha casa porque pedi ajuda pra mandar mensagem pra ele. E talvez não tenha sido eu que pedi no número dele mas sim a Oli porque eu não tive coragem e me escondi no banheiro. E talvez eu tenha dito que precisava da ajuda dela com um problema no computador porque sabia que ela não viria se eu falasse que era pra mandar mensagem pra ele. E agora ela está completamente sem paciência comigo. Apenas talvez tenha acontecido coisas assim. Talvez...
- Mas é o nosso primeiro contato. Não posso chegar já assim. Preciso cumprimentar ele. - Digo.
- Claro. "Oi, Yoongi. Tudo bem? Vim sugerir algo que pensei sobre o trabalho de bio". Pronto. Aí pode falar o que tem pra ser falado. - Ela diz, imitando a minha voz com um tom muito fino.
- Eu não falo assim! - Falo, indignada. - Essa voz é irritante.
- Realmente. Só quando você fala com ele. O que é raro. Ou as vezes quando está especialmente chata sobre a sua paixão e fala dele com essa voz. E sim, é irritante. Que bom que reconhece. - Ela sorri. - Agora manda a mensagem.
- Deveria ter pedido ajuda do Jimin. - Digo, largando o celular e deitando na cama.
- Eu até diria que sim, porque adoraria não estar nessa situação. Mas, não. Tenho pena dele. Ao mesmo tempo que acho ele um idiota por se submeter a isso de forma tão solícita. - Ela senta do meu lado.
- Por que? Ele é meu melhor amigo. Não é o que fazemos um pelo outro? - Pergunto.
- Claro. Mas existem algumas situações adversas que tornam quase ridículo de assistir esse tipo de coisa. Deveria ser proibido por lei. - Oli continua falando, indignada.
- Ainda bem que você não é a presidente do país.
- Que pena que eu não sou. - Ela diz e eu olho pra ela. De repente, pulo da cama. Oli estava com o meu celular na mão. E digitando.
- OLI!! ME DEVOLVE AGORA! - Ela sai correndo pelo quarto e depois pra fora dele, correndo pela minha casa e pelos corredores dela, e eu vou atrás, desesperada. - OLI!
Quando consigo alcançar ela, já era tarde demais. Me jogo no sofá, ofegante de cansada de correr atrás dela, finalmente com o meu celular em mãos. Mas a merda estava feita. E ela parecia orgulhosa da obra dela.
- Você foi formal demais!!! Nunca mais peço sua ajudaaa! - Digo, me sacudindo no sofá.
- Opa, sério? Tirei a sorte grande, então. Meu trabalho aqui está feito! - Ela diz, se levantando do braço do sofá e indo até a porta da minha casa.
- Mas você não fez nada! - Grito do sofá.
- Adeus.
Oli sai e me larga no sofá, triste porque não mandei nada mais charmosinho na mensagem. Aliás, nem tive como, já que meu celular foi roubado da minha mão.
- Agora não importa mais... - Meu celular vibra e eu caio do sofá. - ELE RESPONDEU!
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