
Capítulo 2
- Você está namorando com a Kika? - Joana perguntou casualmente para Jow assim que sentaram-se na cafeteria do hospital.
- Não sei se posso afirmar isso. - O rapaz ponderou um pouco antes de pegar o cardápio de plástico que estava jogado sobre o tampo da mesa de madeira preta.
- Qual é? - Joana tirou o folheto das mãos dele e com a ponta dos dedos ergueu o queixo do treinador para que ele voltasse a fitá-la diretamente nos olhos. - Agora isso é um segredo de Estado?
O contato da pele macia dos dedos longos da morena com o queixo recém barbeado de Jow provocaram um formigamento no local, e ele obrigou-se a segurar a mão dela e interromper aquela interação conflitante. Amaldiçoou-se internamente por estar ficando corado feito um adolescente nerd de quinze anos, mas estava sorrindo para ela, como se estivesse completamente relaxado e despreocupado. Em sua mente questionava-se porque cargas d'água sentia-se tão afetado por aquela desconhecida deslumbrante e encantadora.
- Isso não é um segredo. - Ele esclareceu. - Apenas não definimos muito bem os termos do nosso relacionamento.
Joana fez um biquinho que provocou uma aceleração dos batimentos cardíacos de Marone.
- Expresso, cappuccino, mocha ou chá? - Ele piscou de volta enquanto erguia-se da cadeira.
- Uma dose de vodca por favor! - Joana respondeu em tom divertido. - Ou alguma coisa que tenha álcool.
Jow contornou a mesa e aproximou-se da morena, inclinando-se um pouco para falar em seu ouvido.
- Sabia que não comercializam álcool dentro de um hospital? - A voz dele era quase um sussurro.
Joana quase perdeu o pouco de sanidade que tinha naquele momento. Foi pega desprevenida, era evidente. O rapaz que acabara de conhecer no corredor parecia tão concentrado em preocupar-se com Kika, que a jovem nem sequer cogitou a possibilidade de sentir-se afetada por ele. A irmã de Alex estava circulando por ali para oferecer qualquer tipo de apoio que fosse necessário, mas a melhor amiga de seu irmão parecia depender apenas da presença física do Alex para manter-se de pé e estável. Joana entendia seu desespero, por isso ocupou-se em ajudar a própria mãe que parecia arredia e tensa desde que chegaram de Petrópolis. Haviam também a irmã de Kika, Branca e sua mãe Ursula que tentavam fazer algo pela menina, sem sucesso. Joana poderia usar de seus talentos pessoais para manter as pessoas tranquilas, positivas e, se possível, descontraídas. Ela fez o que pôde.
- Vou trazer um cappuccino com gotas de limão para você. - Ele falou enquanto se afastava dela meneando a cabeça.
Ela aproveitou a distância para observar o homem com quem compartilharia uma xícara de café, e percebeu que Kika tinha um excelente gosto para homens. Jow não deixava nada a desejar no quesito aparência, e poderia competir com Alex o posto de homem mais quente que existia andando por aí, vivendo uma vida comum e longe de holofotes. Sua vida saudável permitiam o bônus de ostentar um corpo viril, másculo e atlético, com músculos definidos e tudo nos devidos lugares. Os olhos de Joana cravaram-se na bunda bem torneada do personal trainer e um suspiro profundo escapou de sua garganta. Aquele tipo de homem podia perfeitamente fazê-la abrir mão de sua opção sexual.
Joana Torres sentia uma atração irrefreável por mulheres.
Seu irmão foi a primeira pessoa a descobrir aquela peculiaridade em sua vida. Joana nunca namorou com um homem, nunca apareceu em casa apaixonada por algum garoto da escola, nunca teve ataques de amor por nenhum artista famoso, e nem andava suspirando ou reclamando por causa de aventuras românticas.
A jovem reunia uma fila de pretendentes por causa da aparência física estonteante que fora um presente não solicitado oferecido pela genética clássica de seus pais, Alexandre e Teresa. O pai possuía descendência italiana e a mãe uma vertente grega poderosa nas veias, o resultado disso foi dois filhos com profundas características físicas que os destacavam no meio da multidão desde bebês.
Quando Jow voltou com as xícaras de café nas mãos e um sorriso incrivelmente acolhedor nos lábios atraentes, Joana sentiu que algo havia se quebrado dentro dela. Piscou algumas vezes atordoada e lembrou de colocar um sorriso no rosto, arqueando uma sobrancelha sugestivamente, como quem está muito feliz por poder provar o melhor cappuccino de toda sua vida.
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