
Prólogo 🌻
_ Gif de "WlwSource" do Tumblr.
Vada se encontrava como esteve continuamente de uma maneira nada saudável nos últimos dias, deitada em sua cama. A respiração pesada, o nó na garganta e um redemoinho de sentimentos nos quais ela não sabia descrever, apenas que lhe faziam se sentir extremamente péssima.
Ela estendeu as mão, dobrando lentamente e cuidadosamente os dedos que outrora estavam dormentes. Ela olhou para o teto de seu quarto e mesmo com as luzes apagadas e as cortinas fechadas, pôde enxergar os girassóis que um dia, quando pequena, pintou com risadas e peripécias com sua família. Ela traçou um caminho com seus dedos pelas formas daquelas lindas flores que simbolizavam para ela, felicidade e vida, algo que ela estava com saudades de sentir.
Vada estava sentindo a falta de viver.
Porém ela não sentia mais a disposição de viver.
Toc toc toc
Vada se sobressaltou com as batidas em sua porta, o coração disparando e sua respiração começando a ficar entrecortada.
Pow pow pow
Foi isso o que ela ouviu, não as leves batidas que sua mãe deu para não assustar a filha pois sabia que seu estado era delicado, apesar dos anti-depressivos que os médicos prescriveram para Vada.
- S-sim...? - A Cavell mais nova disse em um fio de voz após uma longa pausa para tentar - sem sucesso - recuperar sua respiração.
Patricia, sua mãe, do outro lado da porta respirou pesadamente: seu coração afundando apenas por sentir a tensão da voz da filha. Ela queria adentrar o quarto e a abraçar, cantando canções de ninar como fazia quando Vada corria para o quarto dos pais em noites tempestuosas, repletas de trovões que assustavam a pequena criança. Porém sabia que não deveria fazer isso, cada pessoa passava pela depressão ou o TEPT de um jeito diferente, e algumas optavam em não querer conversar sobre o que lhe aflingiam: muito menos tocar no assunto sobre os transtornos e os assumir também.
Vada odiava quando a olhavam com empatia, como se ela fosse uma coitada. Odiava quando os outros diziam algo como "a depressão é assim mesmo..." ou "Estamos aqui" e "Vai passar logo". Ninguém sabia como ela estava se sentindo, ela não sentia que estavam "aqui" com ela e muito menos que tudo isso passaria logo.
- Filha... Você já está pronta? Já está dando a hora da escola e Nick disse que você não está respondendo as mensagens dele... Ele já está tirando o carro da garagem... - Nick era seu melhor amigo, ele estava com ela no dia do atentado assim como Mia e Quinton Hasland que infelizmente perdeu o irmão mais novo para aquele atirador.
Ainda com o coração acelerado e agora com os olhos lacrimejando, Vada pegou o celular com as mãos trêmulas, suspirando ao ver uma foto antiga na tela de bloqueio que era ela e Nick em um dia qualquer quando Vada se encontrava como sempre descontraída com o amigo em um passeio. Ao desbloquear o mesmo, bufou irritada quando as lágrimas pingaram na tela de seu celular, mais especificamente na conversa de SMS dela e de Nick, onde a Cavell tinha ignorado as mensagens por não querer conversar com ninguém ontem, hoje e amanhã.
- Já tô saindo... - Ela respondeu finalmente a mãe, saindo lentamente da cama após mandar uma mensagem para Nick dizendo que já estava pronta.
Ela entregou um tempo para a pequena crise de ansiedade passar depois de relembrar os tiros na escola.
"1... 2... 3..." Vada contou a respiração em uma tentativa de se acalmar, mas não foi muito sucedida. Então com esse aperto no coração e a sensação que estava prestes a morrer que a ansiedade entregava, a Cavell saiu de sua cama caminhando em direção ao banheiro.
Ela olhou para o seu reflexo no espelho e suspirou ao se enxergar com grandes olheiras, olhos vagos e os cabelos desgrenhados. Vada abaixou a cabeça deixando alguns soluços baixinhos escaparem.
Quando ela se tornou isso?
Essa casca vazia... Essa sombra do que um dia ela já foi.
Lavou o rosto, escovou os dentes, penteou o cabelo e colocou a primeira roupa que encontrou que não cheirava a cigarro, bebidas alcoólicas ou maconha - as três coisas que ela buscou para tentar sentir sentimentos ou algo mais próximo parecido disto.
Ela saiu finalmente de seu quarto, piscando inúmeras vezes com a luz exterior batendo fortemente em seus olhos que já estavam acostumados com a escuridão de seu quarto, fazendo com que os mesmos ardessem levemente.
O tempo que levou para se arrumar foi o suficiente para lhe acalmar um pouco, mas mesmo assim não conseguia retirar o aspecto abatido que agora já era sua marca registrada. Ela deu um "bom dia" vago para os pais e a irmã, sem ao menos olhar para ambos e assim, entrou no carro de Nick que já estava estacionado em frente a sua casa apenas a esperando.
O trajeto até a escola foi silencioso como nos últimos dias; Nick não tentou puxar nenhuma conversa pois sabia que Vada lhe entregaria respostas vagas, e a Cavell não disse nada, pois até falar era um grande esforço para ela.
(...)
A professora de literatura no momento se encontrava recolhendo a redação dos alunos sobre "Os irmãos Karamazov" de "Fiódor Dostoiévski", um grande autor russo, mas não grande o suficiente para chamar a atenção de Vada - mesmo que por obrigação já que era para ser um trabalho escolar - ao ponto da mesma ler o livro.
- Eu não fiz. - Foi o que respondeu quando a professora Rachel passou por sua carteira. Respondeu despreocupada, não em um ato de rebeldia ou deboche: indiferença, afinal de contas, nada mais valia á pena.
A professora lhe entregou um olhar de repreensão, mas que se suavizou por saber através da direção que orientou os professores sobre a saúde mental dos alunos após o ataque escolar, que Vada fazia parte dos estudantes afetados - aliás, não somente os funcionários sabiam, todos de lá uma vez que os boatos e "novidades" corriam soltas nos corredores da escola.
- Tudo bem Vada... Lhe darei mais uma semana, devido aos seus problemas... - Ela sorriu simpática para a menina, se afastando lentamente.
"Devido aos seus problemas"? Vada pensou, uma pitada de raiva cruzando sua mente. Ela não tinha problemas, ela não era doente, ela não era louca e ela não estava com nada!
Sua linha de pensamentos foi cortada pela entrada do inspetor onde ela nem percebeu que o mesmo havia pedido licença para adentrar a sala. Ela olhou para ele assim como os outros estudantes, apenas para ver o mesmo se afastar um pouco da porta para dar entrada para uma garota na qual Vada nunca havia visto na sua vida.
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Olá, espero que tenham gostado do prólogo! Eu agradeço desde já a quem deu uma chance para a fic e leu até aqui, obrigado mesmo!
Apenas para pontuar novamente, apesar de ter colocado a classificação para +18, está fanfic ainda será uma história Slow Burn, mas não ao ponto de demorar um século para o desenvolvimento das duas protagonitas, e que será uma fic mais Fluffy e SNW como está na sinopse. Talvez terá um hot futuramente e etc., mas nos meus planos atuais não.
Massssss
Para as leitoras e leitores salientes, eu estou pensando em fazer uma fic da CC com a Katie de "O dia do sim", por conta do paralelo entre a Jenna e a Emma terem feito papéis onde eram filhas da Jennifer Garner, e por a Katie se não me engano curtir esportes também... E seria uma fic beeemm serelepe 😏
Em um resumo seria mais ou menos que a Katie seria prima da CC (daí o fato das mães delas serem parecidas, seria por elas serem irmãs gêmeas) e aí a CC iria morar na casa da Katie após ser avaliada pelo olheiro de futebol e ser aprovada justamente no mesmo time que a Katie!
Mas só se vocês quiserem...
Ah! E o próximo capítulo será na quinta-feira e no ponto de vista da CC.
Beijos!
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