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Capítulo 24

HANSEONG — D. JOSEON,
HÁ CERCA DE 600 ANOS

Os meninos passaram algumas horas daquela manhã despedindo-se das pessoas que eram importantes para si, e não foi uma tarefa fácil — especialmente para Jungkook, que era bastante apegado a todos eles. Sabia das dificuldades que teria que experienciar ao mudar-se para um mundo totalmente diferente do seu, mas isso era o de menos. Estar junto ao seu amor destinado era seu maior objetivo e nada mais importava. Se estivesse junto a Park Jimin, tudo estaria bem.

Quando chegou próximo a sua pequena irmã, não foi capaz de segurar as lágrimas. Sempre a amou incondicionalmente, e ter que deixá-la pela segunda vez era ainda mais difícil do que a primeira. Segurou ambas as mãozinhas dela, fitando seus olhinhos azuis aguados.

— Tem certeza que não quer vir conosco, Daphiny? — o moreno propôs mais uma vez, com a voz embargada. Como poderia protegê-la se vivessem em dois mundos distintos? Isso lhe deixava extremamente aflito.

Orabeoni! Assim como você, eu também encontrei o meu amor aqui — disse, referindo-se a Yu Yein. — Não posso mais viver longe dele. Por isso, vou ficar. — Ela enroscou seus bracinhos ao redor do grande corpo do irmão, o envolvendo em um abraço apertado e emocionante. — Mas não se preocupe. Prometo te visitar quando o portal se abrir novamente, daqui um ano, tudo bem? — Pelo padrão, julgaram que o portal dos céus se abriria a cada 12 meses, mesmo esse fato ainda não sendo uma certeza.

O general sabia que não adiantaria mais insistir. Sua menina estava apaixonada e sabia como era sentir-se assim; jamais a julgaria. Desta forma, a ergueu facilmente com seus braços fortes, até os pequenos pés dela saírem do chão. A apertou mais contra seu peitoral, a balançando em seu colo como se fosse uma boneca adorável. Fez carinho em seus cabelos degradês, e passou os próximos minutos apenas a mimando.

— Espero que seja feliz aqui com ele, pequena. E lembre-se que eu te amo para todo o sempre. — Beijou a testa da irmã com toda a ternura em seu ser, em seguida, a colocou no chão, afastando-se por fim, a contragosto.

— Eu também te amo para sempre, orabeoni. — A menina tinha o rosto todo umedecido pelo choro, e tentou se conter para não voltar correndo para os braços do irmão. Contra suas vontades, eles se distanciaram.

Após todas as despedidas, Jungkook segurou a mão de Jimin e caminhou com ele em direção ao portal. Afastaram-se cada vez mais, olhando para trás vez ou outra, vendo seus amigos acenando para si. Era de cortar o coração, todavia, todos estavam felizes pelo casal, principalmente o rei e a rainha.

Quando já não era mais possível visualizá-los, os rapazes apressaram seus passos para chegar ao destino o quanto antes. Eram alguns quilômetros, então passaram a conversar sobre diversos assuntos. A alegria claramente os fazia estufar seus peitos.

— Qual é a primeira coisa que vamos fazer no seu mundo, Jimin-ssi? — Jungkook quis saber, animado ao extremo.

— Hmmm... — O garoto fingiu pensar, logo abrindo um sorriso ladino, deixando o outro um tanto curioso, mas não tardou em revelar: — Vou te apresentar aos meus pais! O que você acha? — Jeon tinha suas pupilas arregaladas, surpreso e receoso. Começou a especular cenas daquele encontro e suas mãos passaram a suar ao que seu órgão cardíaco se acelerava um pouco involuntariamente. — Calma, orelhudo. Não precisa ficar nervoso. Minha família é bem legal, eu prometo. Vão amar você, tenho certeza. — Riu da expressão do namorado, o achando adorável.

— E se eles ficarem com medo de mim? — perguntou, sabendo qual era a reação da maioria dos humanos que entravam em contato com ele pela primeira vez.

Park parou de andar por alguns instantes, apenas para ficar de frente ao maior e fitá-lo em seus olhos. Segurou suas mãos com firmeza, tentando transparecer confiança.

— Eles não vão, ok? Confie em mim. Meus pais são pessoas boas, sem preconceitos — o garoto proferiu, embora outro fator viesse a sua mente. — Porém nem todos são como eles. Talvez você possa sofrer preconceito pela sua aparência na sociedade. Bom, acredito que em um primeiro momento ninguém vai acreditar que você é um elfo, amor.

— Se eu tivesse meus poderes de volta, tentaria mudar meu corpo — o moreno falou com um bico nos finos lábios. — Sem orelhas pontudas e olhos vermelhos. E talvez diminuiria o tamanho...

— Jungkook. Não diga isso. Eu amo você do jeito que você é — o loiro ralhou, dando leves socos no peitoral do mais novo. Ele era único justamente por ser detentor de tais características físicas.

— Então se eu me assemelhasse a um humano você ia me achar feio? — Agora até as bochechas do ser místico encontravam-se infladas. Desde que viera para a terra dos humanos, tinha o sonho de tornar-se um deles e ficaria desapontado se o seu namorado não aprovasse sua aparência dessa forma.

Jimin suspirou. Era difícil fazer Jungkook lhe entender de uma vez por todas.

— Claro que não, amor. Eu ia te achar perfeito de qualquer forma. Elfo ou humano. Até mesmo se fosse um ogro. — O garoto gargalhou, fazendo o grandão finalmente abrir um sorriso, contente.

— É mesmo?

O de cabelos curtos balançou a cabeça em concordância e então se colocou na ponta dos pés para selar seus lábios vultosos nos do seu amado. Era a melhor sensação que poderia ter, sempre avassaladora. Os calafrios em seu estômago, os arrepios por cada centímetro de sua derme, os coisos que eletrocutavam cada nervo em seu ser. Era perfeito. Ergueu seus braços até enroscar no pescoço do outro, ficando numa posição confortável quando o de cabelos longos o segurou em seu colo para não machucar sua coluna. Assim, aprofundaram aquele beijo mágico, fazendo seus corpos se aquecerem um contra o outro. No entanto, alguns minutos depois, eles se afastaram.

— Vamos ter todo o tempo do mundo para continuar com isso no meu quarto mais tarde, Kookie. Agora vamos, antes que o portal se feche.

O elfo abriu um sorriso e assim que pôs Jimin no chão, voltaram a caminhar de mãos dadas.

Alguns minutos depois, estavam quase chegando ao destino, mas o general estagnou repentinamente ao sentir o vento soprar contra suas vestes. Sua pele arrepiou-se de modo involuntário e teve uma sensação ruim em suas entranhas. Foi algo muito repentino, e ele queria avisar o loiro sobre o perigo iminente. Mas não teve tempo. Segundos depois, não teve mais controle sobre o seu corpo. Era como se estivesse sendo petrificado. Nada mais se movia, nem mesmo seus pulmões.

Jimin o fitou sem entender. Chamou-o algumas vezes, sem obter uma resposta. Por fim, viu os olhos avermelhados do ser mágico brilharem de forma cintilante.

— Jungkook? Me responda, por favor! O que está acontecendo? — Chacoalhou o corpo paralisado dele, tendo seu interior em desespero. — Ei! Meu amor? O que houve? — Balançou as mãos em frente ao rosto do garoto alto, pulando na sua frente. Já estava quase chorando. Estava com medo do que pudesse estar acontecendo com seu amado. Era tudo repentino demais, estranho demais. Percebeu a ventania crescer cada vez mais, criando um redemoinho que arrancava pedaços e galhos das árvores. Havia folhas verdes para todos os lados. — Kookie, você consegue me ouvir?

Sim, Jungkook conseguia. Queria poder dizer isso ao seu amor, mas simplesmente não era possível mover sequer um músculo do seu corpo. Agora sabia o que estava acontecendo, e só queria ser capaz de gritar para que seu humano corresse dali o mais rápido possível. Sentiu os choques eletrizando cada nervo do seu tronco de forma dolorosa. Era torturante ao extremo.

Agora Park já se encontrava em prantos, com o rosto totalmente umedecido. Segurou a mão do elfo, percebendo o quão rígida estava. Pelos deuses! Só gostaria de saber o que fazer naquela situação. Por que não nasceu com poderes? Desejava poder proteger seu namorado acima de tudo em tal momento. Sabia que ele estava sofrendo, sentia isso em seu interior.

— Ora, ora! — Jimin ouviu uma voz familiar vindo logo atrás de si. Ao virar seu pescoço, pôde captar a cabeleira platinada, quase branca, e as íris azuladas do outro elfo. Ele estava flutuando no céu, há alguns metros de distância dos dois garotos. Tinha suas vestes em dourado com detalhes em prata, e a coroa radiante sobre sua cabeça grande. — Parece que meu irmãozinho está sem poderes. — Exibiu um sorriso sádico e satisfeito. — Que pena!

Park, involuntariamente colou seu corpo contra o de Jungkook, o envolvendo de forma protetora como se fosse um escudo. Nesse instante desejou ser um pouco maior para ser capaz de cobrir mais o seu elfo, entretanto, só o que seus ouvidos captaram foi a gargalhada estridente do rei de Huihuai.

— P-Por que fez isso com ele? — Apesar de sua voz vacilar por conta do choro, tentou ser firme e valente. Transparecer coragem. — Por favor, desfaça isso. Jungkook nunca te fez nada. Por que és assim com ele?

— Ele não é o todo poderoso titã? — Wei simplesmente ignorou as perguntas do humano, e aproximou-se dos garotos até seus pés tocarem o chão. — Se ele de fato é o titã, poderá defender-se dos meus poderes com facilidade, não é mesmo?

Raiva. O curador celestial nunca sentiu tanta raiva em toda sua vida. Era um sentimento tão forte e dominador em seu corpo naquele momento que nem mesmo foi capaz de aflorar seu medo contra aquela criatura mágica.

— Jeon Jungkook o ajudou a derrotar os demônios. Ele matou o Demônio dos Demônios enquanto você apenas relaxava em seu castelo como um covarde — cuspiu aquelas palavras e sentiu uma súbita vontade de pular no pescoço do elfo maldito. — Jeon Jungkook extrapolou seus poderes apenas para lutar a favor de Elfland, sua terra natal, e agora você simplesmente vem atacá-lo pelas costas? Depois de tudo o que ele fez para te ajudar? — O tom de voz do médico era firme e decidido, acusando a Majestade dos seres místicos. — Você é patético e covarde. Você não é digno daquele trono!

Se o moreno pudesse falar naquele instante, certamente pediria para seu amado parar com aquilo, pois nada mudaria os pensamentos do seu irmão mais velho. Fora mimado pela rainha, que nunca amou seu pai e viveu apenas em busca de poder. Proferir aquelas verdades na sua cara apenas iria lhe irritar, e isso não era nada bom para Park Jimin.

— Oh! É mesmo? — O sorriso debochado do platinado continuava estampado em sua face, como se as palavras do humano nem sequer tivessem o provocado. — E o que o seu elfo todo poderoso poderá fazer por você agora? — Aproximou-se mais alguns passos até erguer a mão e tocar os dedos na bochecha pálida do loiro.

O coração de Jungkook se remexeu, inquieto. Sua vontade era explodir o de olhos azuis em mil pedacinhos.

Jimin tentou se esquivar, mas foi tarde demais. Sentiu choques pelo corpo todo, causando tanta dor e ardência em seu interior que em poucos segundos desabou ao chão, fraco. Tentou reprimir os gritos que fluíam de sua garganta a todo custo, mas não foi capaz. E mais uma vez sentiu-se inútil. Tudo o que queria naquele instante era ser um elfo com talento para poder enfrentar Yee-Ka.

Enquanto isso, os olhos avermelhados do general faiscavam. Ele lutava internamente a todo custo para recobrar sua magia, mas nada adiantava. Seu interior encontrava-se em pânico, pois seu humano estava sofrendo nas mãos do seu irmão maldito e nada podia fazer para protegê-lo. Era uma maldição!

Mas ele jamais desistiria. Lutaria contra essa força maligna nem que isso custasse a sua vida.

— Diga adeus ao seu mundinho, humano. Nós, elfos, vamos dominar essa terra e extinguir a sua espécie. — O azul infernal fitava o corpo caído do loiro a seus pés. — Diga adeus a sua vidinha de merda, garoto. — Esticou o braço, pronto para lançar uma magia poderosa e destruidora contra o corpo de Jimin. Yee-Ka estava prestes a eliminá-lo, no entanto, sentiu suas pernas vacilarem e seu pescoço ser pressionado com uma força do além. Virou seu rosto e viu que Jungkook havia por fim se libertado da magia de paralisação e tinha chamas brotando de todos os poros de sua pele. — Olá, irmãozinho! Vejo que acordou.

Só o que fluiu dos lábios do moreno eram gritos de fúria descomunal enquanto ele tentava estrangular o platinado com a força da magia que havia acabado de recuperar, mas seu corpo todo tremia e não conseguia concentrar-se o suficiente. A tontura fazia sua visão girar e ficar embaçada. Não tinha controle sobre seus poderes ainda.

— Vou te dar uma última chance, irmãozinho. — Wei conseguiu libertar-se do aperto em seu pescoço com facilidade e chegou mais próximo a Jeon. Agora o fogo do elfo já havia cessado. — Junte-se a mim e juntos poderemos dominar e governar toda essa terra. Caso contrário, vou eliminar esse — disse apontando para Jimin jogado ao chão — e todos os humanos restantes nesse mundo!

— Já lhe dei minha resposta. — Apesar de cada célula do seu corpo estar tremendo, fez de tudo para soar firme e forte. — Nunca! — Andou alguns passos até chegar próximo ao amado, que gemia de dor ao ver que seu corpo todo se encontrava úmido de suor.

— Vou lidar com você mais tarde então, Jeon — o platinado apenas disse antes de dissipar-se dali e se teletransportar para longe.

Sem mais delongas, Jungkook agachou-se ao lado do de cabelos razoavelmente curtos, o pegando em seu colo assim que suas mãos se firmaram na cintura fina.

— Jimin-ssi! Você está bem? — finalmente proferiu, vendo o garoto erguer os olhos. Tinha lágrimas escorrendo pela bochecha, além do rosto completamente úmido. O ser místico sabia que sua pergunta fora um tanto estúpida, mas precisava ouvir a voz do seu amor.

— S-Sim, porque você está aqui comigo, Kookie — o outro respondeu, tentando levantar-se um pouco, o suficiente para poder abraçá-lo. Enroscou os braços ao redor do pescoço dele, e acariciou os cabelos compridos e castanhos. Queria apenas proteger e cuidar do seu namorado uma vez na vida. — E você, como se sente? Seus poderes voltaram?

— Não sei. Não estou conseguindo controlá-los muito bem. — Subia e descia a palma de sua mão larga pelas costas estreitas, gentilmente o acalmando com tal gesto. — Sinto muito por isso ter acontecido. — Suspirou de forma pesada, entristecido. — Vou ter que voltar para ajudar o exército. Não posso deixar que os elfos dominem o reino de Min!

— Eu vou com você!

Hyung, você deve atravessar o portal. Assim que eu conseguir derrotar meu irmão, vou para o portal também. Prometo! — ele tentou convencê-lo, mas sabia que seria uma tarefa difícil.

— Não vou me separar de você agora, Jungkook. Não podemos! — Jimin segurou a mão do elfo, entrelaçando os dedos. — Vamos derrotá-los juntos!

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Naquele exato momento, Yoongi já estava certo de sua morte. Quando Hoseok pensou em lhe contar sobre a visão que acabara de ter, os elfos já haviam invadido o castelo e os arredores. Foi tudo muito rápido, e o rapaz vidente não teve tempo para avisar e assim prevenir-se do pior. Por que isso tinha que acontecer justo no dia em que o ex-general do seu reino partira para ir embora? O destino estava sendo cruel consigo e com a humanidade. Sabia que não seriam capazes de vencê-los sozinhos, sem ajuda da magia, então sentia-se praticamente derrotado, mas ainda assim lutaria com todas as suas forças. Se morressem, morreriam de forma digna.

Tirou sua hwando do suporte em sua armadura e caminhou firme para fora do castelo, com Kim Taehyung logo ao seu lado. Sem que estivesse preparado, um elfo surgiu na sua frente de repente, se teletransportando para ali sem mais nem menos. Ele tinha um sorriso sádico nos lábios, e por mais que fosse mais baixo que o curador real, parecia infinitamente mais poderoso e mais forte. Seus cabelos eram ruivo-avermelhados como o sangue, e suas vestes acinzentadas lembravam um pouco as roupas de Jungkook. O nobre então colocou-se em posição de ataque, apontando sua espada para a criatura mágica; queria ser corajoso uma vez em sua vida e acabar com aquele maldito, porém o outro simplesmente riu de forma maléfica, e com a força do pensamento, foi capaz de curvar a lâmina enrolá-la como se fosse uma língua. Era um elfo com poder de telecinese.

— Como vamos lutar contra essas criaturas, Taehyungie? — sussurrou para o rapaz ao seu lado, internamente horrorizado. Sentia que podia desmanchar-se como açúcar a qualquer momento.

— Venha comigo, Majestade. — Kim segurou o monarca pela mão e o puxou para longe dali, tentando protegê-lo com seu corpo, como se fosse um escudo. A criatura, todavia, ergueu um dos castiçais que estavam sobre a mesa, com sua mente, tentando arremessá-lo contra os dois garotos. Taehyung foi rápido em defender-se, fazendo a vela cair sobre o chão e começar a espalhar chamas pelo salão principal. As coisas estavam saindo do seu controle.

Sendo assim, aproveitou que o elfo demoníaco estava sendo atacado por outro soldado e puxou o rei o mais rápido que conseguia a fim de fugirem dali. Precisavam bolar algum plano para se defender daquelas criaturas mágicas.

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Centenas de elfos invadiram os arredores do palácio de Min, atacando as casas simples dos vilarejos e as destruindo. Alguns seres mágicos eram mais poderosos, já outros, mesmo tendo um nível menos elevado de magia, ainda assim conseguiam facilmente derrotar os humanos. A maioria das pessoas tentava se esconder, já sabendo que não teriam chances contra os outros seres, no entanto, alguns possuíam mais coragem e lutavam contra os de orelhas pontudas — mesmo nunca tendo lutado em uma guerra antes.

Tudo estava um caos. Crianças choravam e corriam para debaixo das mesas, como se tal móvel fosse capaz de lhes proteger. Algumas pessoas se fingiam de mortas assim que os elfos se aproximavam, sendo brutalmente assassinadas pelas criaturas logo que eles percebiam suas respirações e batimentos cardíacos audíveis em seus ouvidos potentes. Era impossível enganá-los.

Enquanto isso, Yoongi se lamentava nos calabouços do seu palácio, torturando-se com xingamentos em sua mente, achando-se o pior dos monarcas por não conseguir proteger seu povo. Sempre fora alguém muito egoísta, que pensava apenas no bem daqueles que amava, e agora, toda sua autoestima fora por água abaixo ao se dar conta que jamais poderia governar sua população de forma justa e eficiente. Era um péssimo rei.

— Não posso ficar aqui sem fazer nada. Preciso proteger o reino! — Levantou-se com uma nova espada em mãos, mas sua irmã logo segurou seu pulso.

— Espere o Taehyung voltar com a rainha, irmão. Temos que bolar um plano para derrotar os elfos — a princesa comentou, um pouco mais calma do que o nobre. Tentou relaxar o garoto aflito, mas seus nervos também se encontravam à flor da pele. Era praticamente impossível não se afligir nas atuais circunstâncias.

Alguns minutos longos e silenciosos se arrastaram até que um ruído pôde ser ouvido pelos dois nobres. Eles se entreolharam, com os olhos arregalados e imediatamente fecharam as pálpebras, esperando pelo fim.

— Não se preocupem, sou eu. — Uma voz feminina se propagou pelo ambiente. A garota se aproximou e sentou-se junto aos dois irmãos. — Vou ficar aqui com vocês para protegê-los. — Daphiny revelou, trazendo um pouco de tranquilidade aos humanos.

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Jimin tinha seus braços enroscados no pescoço do moreno ao que suas pernas enlaçavam a cintura dele. Pensava em como as coisas estavam perfeitas demais para serem verdade. Sonhava com o momento em que atravessariam o portal e juntos poderiam ir para a sua casa. Ele levaria Jungkook para conhecer sua família e depois iriam ao shopping para comprar roupas modernas e que coubessem no elfo alto. O faria provar diversos conjuntos e até conseguia visualizar o quão lindo ele ficaria em cada um deles. Depois, gostaria de ver sua reação ao provar as comidas diferentes do futuro. Qual seria a expressão de Jeon ao entrar em um carro? E em um avião? E quando fossem assistir a um filme de robôs ou elfos no cinema? Será que ele ia gostar das ficções? Pelos deuses! Seriam tantas coisas para fazer juntos logo após atravessar o redemoinho arroxeado... Estava ansioso ao extremo, mas aquilo agora parecia distante demais. Como um sonho.

Infelizmente, mais uma guerra estava acontecendo. Elfos contra humanos. A paz parecia inexistente desde que voltara ao passado.

Segurou-se mais firmemente contra as costas largas do guerreiro, ao que a velocidade parecia ter aumentado. Sentia que os poderes do seu amado estavam finalmente se fortalecendo, e isso era bom, apesar de todos aqueles elfos também portarem magia poderosa. Sabia que seu namorado era, afinal, o grande titã de Elfland e tinha uma infinidade de magia inexplorada. Jungkook era capaz de vencê-los todos, só precisava de um incentivo. E isso lhe deu uma ideia. Não das melhores, mas viu como única alternativa para vencerem aquela batalha.

Ao chegarem ao palácio, logo desceu das costas largas do amado, arregalando seus olhos para o horror que estava presenciando. Vários guerreiros tentavam duelar contra os elfos, mas eram brutalmente arremessados pelas magias das criaturas, e havia muitas pilhas de humanos jogados ao chão, sem vida. Seu peito se apertou em angústia. Depois de tudo o que passaram, esse seria o fim? Não. Não podia deixar que outro desastre ocorresse.

Jeon então fez o fogo brotar em seus dedos longos, logo atirando as chamas contra os seres místicos. Sua expressão estava séria; seus olhos faiscavam em fúria.

— Fique atrás de mim, Jimin, por favor — pediu, ao concentrar-se ao extremo para conseguir fazer seus poderes funcionarem mais uma vez. Seu esforço estava lhe deixando um tanto cansado muito antes do que deveria, entretanto, não ligou para esse fato. Tinha que acabar com aquilo de uma vez por todas.

Park obedeceu, porém agachou-se para pegar uma espada caída ao chão, provavelmente de algum dos soldados mortos, em seguida, apunhalou um dos elfos distraído a sua frente, que tentava eliminar um humano com seu poder de gelo ardente. A hwando atravessou o pescoço da criatura de cabelos longos e brancos, até o sangue quase preto jorrar pela sua jugular. O referido ser tentou se curar a todo custo, mas quando Jungkook virou-se, lançou suas chamas contra ele, o fazendo gritar até a morte e transformar-se em simples pó.

Depois de mais alguns minutos, Jungkook conseguiu eliminar cerca de 20 elfos não muito poderosos que tentaram lhe atacar. Quando o espaço estava livre, segurou a mão do amado e o direcionou para dentro dos aposentos nobres, até deparar-se com Kim Taehyung que tentava proteger Im Yoona. A rainha, no entanto, não aparentava estar com medo. Tinha suas mãos ocupadas por uma espada enquanto sua expressão era de pura coragem e energia. Por mais que não tivesse tido muitas aulas de luta, parecia estar lidando bem com a lâmina, desferindo golpes nos seres demoníacos que lhe atacavam. Vez o outra, as criaturas conseguiam rebater aos ataques da garota, a fazendo cambalear, mas Taehyung era quem finalizava os seres mágicos, prevendo agora o tipo de ataque que eles usavam.

— Jungkook! Jimin! Vocês voltaram? — As sobrancelhas escuras e marcadas da Majestade se juntaram em confusão. Estava surpresa, mas não pôde deixar de sentir-se aliviada e um pouquinho mais feliz.

— Não iríamos deixar vocês sem fazer nada. Voltamos para ajudar a derrotar os elfos. Vamos conseguir juntos! — Jimin disse, logo abraçando a morena. Sabia que ela seria uma das pessoas que mais sentiria falta quando partisse, ainda que estivesse ciente de que Yoona era também sua irmã nos dias atuais.

Juntos, os quatro se direcionaram aos calabouços do palácio, um dos locais mais seguros do reino.

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— Vamos usar nossa pólvora. O equipamento não foi testado ainda, mas pelo que ouvi falar, é um dos mais potentes existentes — Yoongi referiu-se ao presente que conseguiu arrecadar de um país aliado. — Acredito que fará um grande estrago nos elfos. Só temos que atraí-los até um local seguro para a batalha... — sugeriu, tentando a todo custo propor uma ideia eficiente para derrotar as criaturas mágicas. — E agora que nosso general recuperou os poderes, ele poderá acabar com eles em segundos.

— Jungkook ainda não tem controle absoluto sobre os poderes. Isso pode acabar lhe prejudicando e lhe sobrecarregando, como já ocorreu — Park se intrometeu, tentando proteger o namorado. Ele já havia se ferido demais no passado, e só esse pensamento lhe apavorou, o tirando dos eixos.

O clima ficou um tanto tenso enquanto as Majestades e os demais tentavam arquitetar algum planejamento para acabar com os elfos, principalmente porque quanto mais o tempo passava, mais as mortes aumentavam.

— É a única solução. Não posso deter os elfos somente com minhas habilidades de espada. Você sabe que isso não vai funcionar. Preciso usar minha magia. Só assim vamos ser capazes de derrotá-los — o moreno palpitou e segurou a mão do amado, a massageando de maneira carinhosa para tentar relaxá-lo. — Vai ficar tudo bem, hyung.

Era sempre assim. Jungkook sempre iria se oferecer como herói. Sempre se sacrificaria pelas pessoas que amava, e sempre dizia que ia ficar tudo bem, mesmo não tendo certeza sobre tal fato.

— Kookie, você é apenas um. E mesmo que Daphiny lhe ajude, são dois contra centenas! Isso é praticamente suicídio! — Jimin sentia-se indignado e angustiado.

O de olhos vermelhos fitou o namorado e tentou usar seu poder para relaxá-lo, mas não funcionou. Como seu poder poderia funcionar se ele mesmo estava à beira do colapso de nervos? Apertou ainda mais a mão de Jimin, um tanto frustrado, e a levou até seus lábios para beijá-la.

— Precisamos ao menos tentar. E teremos a ajuda do exército, que foi treinado por mim. Lhes ensinei sobre defesa contra criaturas mágicas. Eles não irão decepcionar.

Os olhos castanhos de Jimin ficaram aguados. Queria contestar e teimar para seu namorado não se meter mais naquela guerra, mas sabia que seria inútil. Depois de alguns segundos de silêncio no ambiente, Jeon voltou a falar:

— Tenho que ir. Vou fazer esse plano funcionar... — Jungkook aproximou-se do loiro, encostando sua testa na dele, as respirações quentes se encontrando. — Mas tenho um pedido a fazer, hyung.

— Hmm? — o garoto apenas respondeu, temendo desabar em lágrimas caso tentasse abrir os lábios para proferir qualquer outra palavra. Seu peitoral todo lhe sufocava angustiado.

— Fique aqui, por favor! Esse lugar é seguro. Permaneça aqui junto às Vossas Majestades e à Vossa Alteza. Taehyung vai proteger vocês. — Viu uma lágrima escorrer pela bochecha dele quando ele fechou suas pálpebras. Seu corpo todo encontrava-se trêmulo. — Por favor, hyung! É o único jeito para que eu possa me sentir confortável para lutar. Se você estiver em perigo, só vou querer te proteger e temo não conseguir suceder em minha missão. Por favor — quase implorou.

Não. Não e não!

Era isso o que Jimin desejava responder a Jungkook. Não podia suportar a ideia de separar-se de Jeon, justamente em um momento como aquele, mas o que poderia fazer para ajudar naquela situação? Sentia-se apenas um fardo, próprio para atrapalhar o elfo em seu objetivo. Não era capaz de lhe ajudar afinal.

Assim sendo, o garoto respirou fundo e deu sua resposta.

— Tudo bem, mas me prometa que vai voltar logo e bem...

— Eu prometo, hyung! — Jungkook praticamente nem deixou o amado terminar a frase antes de fazer aquela promessa. Mais uma promessa.

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Jung Hoseok tinha seu rosto encoberto pelo suor. Seus olhos arregalados deixavam claro o sinal de horror dentro do seu ser. Estava tendo outra visão, e dessa vez, era uma visão diferente do comum. Não lhe mostrava apenas uma possibilidade, e sim duas. Dois destinos. Eram como duas pontes que levavam ao mesmo local: a tristeza. Não saberia dizer qual das visões era a pior, e isso fez seu peito doer como nunca.

Mas ele não podia refletir sobre aquelas informações no momento. Estava tentando acabar com a vida do maldito elfo que ameaçava a sua própria. O inimigo usava seu poder de teletransporte para sumir e ressurgir logo atrás de si e lhe dar um soco tão forte capaz de quebrar seus ossos. O rapaz vidente não conseguiu aguentar a dor e soltou um grito sôfrego ao cair de joelhos sobre a terra arenosa. Sua espada voou para longe. Era seu fim. Sentia isso em suas entranhas. Talvez uma de suas visões já estivesse acontecendo naquele exato momento.

Tentou revidar e levantou-se, cambaleando. A criatura estava sorrindo, como deboche. Sumiu mais uma vez e retornou com sua mão no pescoço do humano, pressionando sua garganta até fazê-lo ficar roxo, sem ar. Após quase dois minutos, o moreno já estava quase sem oxigênio, mais alguns minutos e estaria morto.

Pensou na rainha. No sorriso bonito e contagiante dela, e isso o fez curvar seus lábios para cima, com suas últimas forças. Se fosse morrer, ao menos teria a imagem de Sua Majestade em mente. Gostaria que ficasse estampada ali para sempre. A amou mais que tudo, e agora não poderia nem sequer se despedir dela. Era um destino cruel.

Sua visão já estava escurecendo aos poucos, nada mais era visível; os sons tornaram-se dispersos, como se estivessem a quilômetros de distância.

Instantes depois, Hoseok sentiu um alívio repentino. A dor no pescoço havia se desfeito. Todo seu interior parecia mole, prestes a explodir, mas ainda pôde captar o relance de um corpo muito grande o segurando em seu colo. Não sabia se estava delirando, mas apenas murmurou, para ter certeza:

— Jungkook-ssi. S-Se for você... — A voz era fraca, entretanto reuniu tudo dentro de si para finalizar a frase. — P-Por favor. Salve-a. Yoon-na, m-minha rainha. Di-Diga que eu a amo!

— Diga você mesmo. — Seus ouvidos puderam captar a voz rouca de Jungkook. Ele tinha as mãos sobre sua cabeça, transmitindo algum tipo de poder para o garoto que via o futuro.

— O q-que está f-fazendo? Onde está o elfo maldito?

— Estou salvando sua vida — Jeon respondeu, concentrando-se ao máximo para curar o humano com seus poderes, e dessa vez, não usava seu sangue. Estava tentando realizar o mesmo processo que conseguiu fazer com as flores murchas, algum tempo atrás. Por sorte, sucedeu. — Já matei o inimigo, não se preocupe.

— Não faça isso, Jungkook. — Hoseok agora já sentia sua visão e sua voz voltarem ao normal. Seu corpo estava se fortalecendo. — Você não pode!

Talvez a segunda visão de Hoseok se concretizaria.

— Pronto. Não está mais roxo. Consegue respirar? — Por fim, o de olhos vermelhos soltou-se de Hoseok, quase caindo para trás quando se afastou. Uma breve tontura lhe dominou, mas nada tão sério que não fosse capaz de se recuperar em poucos minutos.

— Sim. Obrigado, general. — Levantou-se e estendeu a mão para ajudar o outro.

Jungkook direcionou-se ao pátio de treino, onde os canhões de pólvora se encontravam. Apesar de insistir que não precisava de ajuda, Hoseok o acompanhou, e logo organizou os soldados a fim de movimentar os equipamentos para fora do palácio. Jungkook tentou usar seu poder para movê-los o mais rápido possível, mas fora impedido pelo humano.

— Não use seus dons ao extremo em vão, por favor. Use-os com sabedoria. Você pode ficar fraco e se machucar se ficar exausto — aconselhou.

Por mais teimoso que fosse, o elfo aceitou o conselho. Parou sua magia e decidiu usar os cavalos para puxar os canhões em direção ao lado de fora. Estava tentando aproveitar o tempo que tinham, já que os inimigos agora estavam atacando os vilarejos e haviam se afastado um pouco do castelo.

Parte do exército já estava mais à frente, rumando em direção ao vilarejo; outra parte se encontrava ao redor do castelo para protegê-lo. Nas horas que se passaram, o general guiou os cavalos e os homens que o acompanhavam ao destino referido. Os canhões eram pesados, por isso se moviam em velocidade mais baixa. Durante o percurso, encontraram alguns poucos elfos, e Jungkook fez questão de eliminá-los antes que sequer vissem a cor daquela pólvora.

Depois do que pareceu uma eternidade, por fim chegaram ao destino próximo à vila, que também ficava relativamente perto do portal do futuro. O moreno de cabelos longos sentiu a saliva arranhar sua garganta. Tudo o que queria era dar um fim nisso e poder viver feliz ao lado do seu hyung para sempre. Por que as coisas tinham que ser tão difíceis para eles?

— O que faremos agora? Como vamos chamar a atenção daqueles demônios? — um dos soldados atreveu-se a questionar.

— Me esperem aqui. Vou trazê-los até aqui — foi o que o general respondeu, caminhando até a vila, mas suas pernas vacilaram ao ver o terror que ocorria ali.

Crianças e idosos sendo brutalmente assassinados nas mãos daqueles elfos infernais. Havia choro e desespero por toda a parte. Homens e mulheres corriam de um lado ao outro, carregando os filhos que ainda lhe restavam. Havia fogo e destruição por todo o vilarejo.

Por mais que fosse forte, não suportou. As lágrimas se acumularam no canto de seus olhos. Era quase tarde demais, mas jamais se daria por vencido. Estufou o peito e enxugou o rosto. Ajudou alguns humanos, apesar de se assustarem achando que iria atacá-los. "Não se preocupem. Sou Jeon Jungkook, general e guardião do reino de Min e irei salvá-los. Venham comigo!" Era o que dizia aos olhos cheios de medo das pessoas, e a grande maioria o acompanhou para fora daquele tumulto.

O grandão lutou contra os seres da sua terra natal com toda sua força. Lançou sua magia de fogo ardente contra os elfos, sendo capaz de praticamente derretê-los até a morte. Sabia que não era um elfo comum — um elfo comum jamais teria tanta força em seus poderes, e era isso o que o mantinha determinado a derrotar os Huihuai.

Após andar alguns metros com algumas dezenas de humanos lhe seguindo, ele estagnou quando seus olhos avermelhados se encontraram com os azuis do seu irmão. Yee-Ka tinha acabado de estrangular um senhor de meia idade que caiu aos seus pés, morto.

— Wei Yee-Ka. Você não precisa disso para ter poder — começou. Seu peitoral se apertou, principalmente ao relembrar sua infância. Enquanto era só uma pequena criança, seu irmão era um adolescente. Sempre tentou se espelhar no platinado, quase como se quisesse imitá-lo, porque naquela época ainda o achava incrível, ainda admirava sua perseverança, força de vontade e habilidades, ainda o considerava família, ainda o amava. Não sabia dizer por que ele mudara tanto ao tornar-se adulto. Seu pai sempre os criou de igual maneira, apesar da rainha elfa sempre dar mais privilégios ao seu filho biológico. — Está matando pessoas inocentes que nem tem como se defender. Por quê? — pausou. Seu interior estava aos pedaços. — Por favor, pare com isso. Vamos terminar esse conflito em paz!

— Quero o mundo em minhas mãos. Cada parte dele. Serei o rei dos universos. Os elfos vão dominar essa terra, irmãozinho. Sinto muito — proferiu com o típico sorriso psicopata que se apoderava de seus lábios.

Jeon pediu que os homens, mulheres e crianças que lhe acompanhavam ficassem atrás de si, e logo em seguida deu alguns passos e se aproximou do seu ente não-mais-tão-fraterno.

— Não vou permitir que isso ocorra. Terá que me eliminar antes. — Agora estava tão perto que Wei teve que erguer seu rosto para encarar o do irmão.

Seu sorriso agora se tornou sério; estava começando a se irritar com o meio-humano. Deu um passo para trás e seus olhos azul-claros cintilaram.

Jungkook sentiu os choques percorrerem todo seu corpo repentinamente, tentando a todo custo lhe petrificar mais uma vez, no entanto, foi rápido. Revidou e fez o fogo brotar dos seus dedos até se conectar com o raio que fluía das mãos de Yee-Ka. A magia chocou-se, criando um atrito onde saíam faíscas de fogo eletrocutadas para todos os lados. Os dois agora estavam há cerca de cinco metros de distância, a linha de fogo e eletricidade causava um ruído estridente que fez várias pessoas taparem os ouvidos sensíveis. Além disso, o calor aumentou naquela área. Ambos os elfos usavam seus poderes de forma extrema, tentando a todo custo eliminar um ao outro de uma vez por todas.

Em alguns momentos, os choques do platinado chegavam até as mãos do outro elfo, e o fogo de Jungkook aquecia a palma do inimigo. O duelo estava acirrado. Enquanto Wei continuava firme, o de cabelos castanhos vez ou outra vacilava, sentindo o cansaço daquela luta.

Todos agora observavam os dois, os elfos pararam de lutar na expectativa de saírem vitoriosos assim que seu rei eliminasse o meio-humano; já os moradores da vila, apesar de receosos, torciam para que o general vencesse e pudesse salvar a todos.

Era um tanto complicado, visto que nenhum deles estava disposto a ceder. O de cabelos quase brancos abriu um sorriso cínico, quase como se quisesse dizer a todos que estava em grande vantagem.

A realidade era que Jeon ainda não estava pronto para usar seus poderes, especialmente naquelas proporções extremas. A cada minuto que se passava, mais e mais o seu corpo se enfraquecia. O raio de Wei estava próximo demais. E sabia que seria seu fim caso lhe atingisse.

Minutos e minutos se passaram. E ele persistiu.

"Jimin-ssi," murmurou. Não sabia se havia se propagado em voz alta ou apenas dentro de sua mente. Àquela altura, já não conseguia mais raciocinar de forma perfeita. Será que estava delirando? Pois estava vendo o garoto sereno logo ao seu lado, com os cabelos loiros agora quase caindo sobre os ombros. E ele estava gritando palavras de encorajamento e incentivo para si. Só não conseguia entendê-las. "É perigoso demais! Vá para longe, por favor," tentou balbuciar.

Se seu namorado realmente estivesse ali consigo, precisava protegê-lo. E não. Não poderia deixar que o visse morrer de tal forma. Jamais. Não podia perder aquela batalha. Precisava manter sua promessa. Com isso em mente, e em seu coração, ele deu o seu melhor até fazer seu fogo élfico chegar até o corpo de Yee-Ka.

E ele conseguiu. A energia que fluía do rei dos elfos foi rompida assim que ele tombou para trás, e o duelo se deu por completo.

Jeon caiu ao chão, com seu corpo exausto. Era como se toda a sua força tivesse sido sugada de dentro de si.

— Jungkook? Você está bem? — Ouviu a voz suave e recheada de preocupação próximo a si. Abriu os olhos, vendo a imagem do amado acima de seu corpo. Não estava delirando, afinal. Park Jimin quebrou a promessa e veio até ele, mesmo correndo perigo.

— Jimin-ssi. E-Eu disse para ficar com Vossas Majestades...

— Eu sei. Eu sei. Me perdoe! — Jimin já se encontrava aos prantos, chorando. Segurou o tronco do maior, tentando ajudá-lo a se sentar. — Mas não pude ficar lá sem saber notícias sobre você. Estava muito angustiado, e sou péssimo em manter promessas. — O garoto sentia-se desesperado porque sabia que seu elfo não estava bem. Estava fraco mais uma vez. E para completar o desespero, seu coração quase parou de bater quando ouviu aquela voz maldita que o fazia tremer em horror.

— Irmãozinho. Acho que seu poder não foi o suficiente para me derrotar. — O cabelo platinado do nobre elfo agora estava escuro com as cinzas e em parte chamuscado, suas roupas rasgadas e queimadas, mas o corpo, intacto. — Vai ter que tentar algo melhor, tsc tsc — provocou, chegando próximo a Jimin até colar seu corpo ao dele. Como o garoto estava sentado, a criatura chutou sua coluna até lhe arrancar um grito sôfrego.

Depois, segurou o humano pelo colarinho até arrastá-lo para longe de Jungkook.

Isso fez com que todos os órgãos internos do general se remexessem, como se estivessem derretendo. Era a pior sensação de sua vida. A pior das piores. Levantou-se, cambaleando, tonto. Sua visão o fazia ver vários Jimins, e ele ficou confuso. Depois, sua vista se tornou embaçada por alguns instantes.

"Kookie... Você é o titã dos elfos." Dessa vez, ouviu a voz do amado ecoar dentro de sua cabeça. Sabia que estava fazendo aquilo para somente ele ser capaz de ouvi-lo. "Seja o titã! Domine os elfos com sua mente. É o único jeito de vencer essa batalha."

Por quê?

Por que essa tinha que ser a única saída? Ele sabia dessa possibilidade, sabia que era capaz, todavia, sabia ainda mais sobre as consequências, embora estivesse ciente de que Park provavelmente não tinha conhecimento sobre tal fato, pois do contrário, jamais lhe ofereceria essa sugestão. Aquele tipo de magia era o mais poderoso. Nenhum elfo seria capaz de resistir aos efeitos colaterais, porque eram centenas, talvez milhares de elfos. Dominar a mente de todos eles custaria um preço caro.

Era isso ou o fim da humanidade.

Jungkook jamais deixaria isso ocorrer.

Uma vida por milhões valeria a pena.

— Deixe-o fora disso, Wei Yee-Ka. Essa batalha é entre você e eu, apenas — o jovem proferiu, concentrando-se ao máximo para recuperar suas energias perdidas. Precisava delas mais do que nunca agora. Fechou os punhos, aproximando-se do irmão que tinha Jimin em suas mãos. — Não o machuque. Faço o que quiser. Eu imploro!

As íris cor-de-fogo faiscaram.

O titã estava acordando aos poucos.

— Você vai se juntar a mim? Vamos dominar a humanidade juntos, então? Se for assim, até posso ter piedade com esse humano inútil — o platinado questionou, receoso. Seria Jungkook capaz de trocar tudo apenas por uma paixão?

— Não — respondeu, absoluto.

— Mentir é feio, irmãozinho. Papai lhe ensinou, não é mesmo? — Gargalhou, sendo acompanhado por todos os elfos ali próximos. Jeon sabia que cada um dos seres místicos presentes ali estava conectado ao rei, e sabia que isso só era possível através de magia negra. Seu irmão estava ganhando poder com magia negra, uma das mais poderosas.

— Ele também me ensinou a ter compaixão pelo próximo, coisa que você nunca sequer aprendeu — rebateu. Aquela estava sendo uma discussão profunda sobre a complicada família Wei. O coração de Jungkook estava machucado com todas as lembranças que passavam em sua mente sobre o seu irmão. Era triste aquele destino: ser obrigado a tirar a vida do ente fraterno.

Aos poucos, o já grande elfo passou a aumentar ainda mais o seu tamanho, crescendo tanto que se tornou ainda maior do que as construções e as árvores, quase atingindo a altura das nuvens.

— Sinto muito por isso, Yee-Ka. — Sua voz ecoava pelos ares e provavelmente podia ser ouvida a quilômetros de distância. — Eu sou o titã! — proferiu, com orgulho. — E você não poderá tomar isso de mim.

A expressão de Yee-Ka era de pura raiva, e especialmente inveja. Enganou a população do seu reino informando que era o titã de Elfland, quando na verdade não passava de um impostor. Olhou para os céus, vendo o membro da sua família praticamente lhe humilhar publicamente para todos os elfos e humanos ali presentes, e sua fúria fez com que choques fluíssem de seus dedos, até atingirem o corpo do curador celestial. A única maneira de vencer aquela guerra contra Jungkook era usar o seu ponto fraco: Park Jimin.

O gigante urrou, dando um passo para frente, fazendo o chão todo tremer. Os olhos pareciam duas bolas de fogo enquanto sua pele toda tornava-se avermelhada e ardente. Viu seu amado sofrer nas mãos do irmão, que não considerava mais como irmão, e teve vontade de simplesmente explodir tudo ao seu redor, mas tentou se acalmar aos poucos e focou sua magia apenas no maldito. Apontou seu dedo indicador na direção de Yee-Ka e ergueu o elfo com o poder da telecinese. Jimin estava caído no chão, tendo alguns choques de convulsão. Isso fez seu coração sangrar dentro de seu peito, mas precisava terminar o que começara. E por sorte, Hoseok já estava socorrendo o seu amor.

O titã fez o outro elfo flutuar apenas com o poder da sua mente. Fechou suas pálpebras, concentrando-se.

Enquanto isso, Yee-Ka estava usando sua magia negra para controlar os elfos ali presentes, e todos começaram a ir na direção do médico, tentando eliminá-lo a todo custo. O exército viu aquilo como sinal de ataque, e sendo assim, passaram a contra-atacar, bombardeando os inimigos com os canhões de pólvora. Não era a solução perfeita, mas ajudou a atrasá-los. Várias criaturas pegaram fogo e se feriram com as explosões, e isso os prejudicou consideravelmente, ainda assim, eles não desistiram. Não desistiriam até conseguir completar seu objetivo: acabar com a vida do curador celestial.

Jungkook então, ainda que sentindo-se culpado por não conseguir um acordo de paz com seu irmão mais velho — já que a violência, apesar de ser uma de suas habilidades, nunca fora seu feitio —, respirou fundo e contou até três mentalmente.

— Adeus, Wei Yee-Ka — sussurrou, apesar de audível a todos ali próximos.

— Você vai mesmo fazer isso com seu irmão mais velho?

— Sinto muito.

E por fim, explodiu o rei dos elfos até seu corpo virar nada mais que pó.

Mas não era o fim. Eliminar o platinado não foi o suficiente. A magia negra continuava agindo e os elfos ainda estavam sob seu efeito. Atacavam os humanos com seus poderes, ferindo vários deles, tentando atingir o loiro a todo custo.

De relance, viu que agora Park estava apoiado contra o corpo de Hoseok que o ajudava a sair daquela multidão. Aparentava estar fraco e provavelmente tonto, ferido. Tudo o que mais queria era cuidar do seu humano e levá-lo para longe dali; para o portal. Um local seguro.

Porém, não podia perder o foco. Tinha que pôr um fim naquela batalha. Sendo assim, voltou a inspirar e expirar oxigênio, que já começava a faltar em seus pulmões. Todo seu ser parecia estar se desfazendo, órgão por órgão, em seu interior. Voltou a apagar as íris avermelhadas e cintilantes ao fechar os olhos, e a concentração não demorou a dominar sua aura. Como se fosse automático, palavras da antiga língua élfica fluíram de seus lábios — palavras desconhecidas para os humanos e pouquíssimo conhecidas até pelos elfos mais antigos, afinal, aquele era um idioma extinto, mas assim que os seres místicos captaram a frase do titã, não demorou muito para que estagnassem. Um a um, eles paralisaram onde estavam, e sacudiram a cabeça, olhando ao redor como se estivessem perdidos.

"O que está acontecendo?", "Onde estamos?", "Que lugar é esse?" Eram os questionamentos dos elfos. Não havia mais magia negra os controlando. Jeon Jungkook havia de fato sucedido em sua missão, mais uma vez.

❨♔♚♔❩

O general voltou ao seu tamanho original, e caiu sob o solo de terra. Novamente, como da última vez em que se transformara em titã, havia sangue escorrendo por todos os seus orifícios, principalmente pelas narinas, orelhas e boca, ainda assim, naquele estado, ele se levantou, com muito esforço, e com o corpo todo trêmulo, cambaleou até Park Jimin, que já corria para os seus braços, aos prantos.

O loiro chorava. Não havia palavras para descrever a dor que sentia ao ver o seu namorado naquele estado. Ele parecia ainda pior do que após a guerra dos demônios, e ainda assim, estava resistindo para manter-se acordado.

— J-Ji-min-s-ssi. T-Tem-mos que ir... o p-portal v-vai se f-fechar — proferiu com dificuldade, visto que o sangue fluía de sua boca. Já estava anoitecendo. O sol estava se pondo. Jeon tinha apenas mais uma missão para cumprir e então tudo ficaria bem.

— Não fale mais nada, m-meu amor. — A visão embaçada pelas lágrimas tornava tudo mais difícil. Ele soluçava. — Você precisa descansar para s-se recuperar — finalizou a frase com a voz embargada ao extremo.

Era para ser o dia mais feliz de suas vidas, contudo, o destino o tornou um dos piores.

Jungkook, teimoso, não obedeceu.

— V-Venha. Vou t-te le-levar ao portal. — O elfo então buscou forças de onde já não tinha e segurou Jimin em seus braços, o colocando em seu colo; depois, passou a correr o mais rápido que conseguia, em direção ao céu arroxeado. O vento aumentava mais a cada segundo, tornando difícil o acesso ao local.

Enquanto isso, Jimin contestou, preocupado com as condições do amado.

— Jeon Jungkook, você ficou louco? Me coloque no chão! Não se esforce mais do que já se esforçou, por favor. Não quero perder você... — interrompeu-se quando as lágrimas voltaram com tudo, como uma tempestade repentina. Seu corpo, ainda dolorido pelos choques que sofreu há instantes, jamais doeu tanto quanto com o peso das suas palavras.

Jungkook nada respondeu. Permaneceu em silêncio até finalmente atingir o portal acima de suas cabeças. Sofreu em silêncio. Nenhuma dor se comparava à tristeza de ter que abandonar o seu amor, a partir daquele ponto. A substância rubra e quente continuava a ser expelida de seu corpo. Por mais que tentasse se curar, nada mais estava funcionando dentro de si. Era um caso perdido. Sabia que sua hora chegara. A única derrota de sua vida.

H-Hyunggg — murmurou em um tom cansado. — Está na hora... você precisa ir. — Fitou os olhos aguados do ser que mais amou em toda a sua curta vida. Tentou enxugar a umidade do rosto daquela preciosidade, mas tudo o que conseguiu foi manchá-lo de sangue.

— Não. Eu não vou sem você, Kookie. Eu não vou. Eu não vou... — repetiu diversas vezes, em prantos, sem acreditar que isso realmente estava acontecendo. — Não posso te deixar aqui, Kookie. Não posso. Não consigo. Não!

O elfo apertou o seu humano contra seu peitoral vasto uma última vez e ambos choravam com suas almas em desespero. Era o momento mais difícil de suas vidas. As mãos largas acarinharam as costas do seu garoto, tentando acalmá-lo, ainda que soubesse que se tratava de um ato em vão. Depois, afastou-se, para uma última vez fitar os olhos acastanhados que tanto amava, e uma última vez, inclinou-se até tocar os lábios finos nos vultosos, com toda a sua paixão.

— E-Eu te amo, Jimin-ssi — sussurrou entre o beijo, molhando a face do garoto numa mistura de lágrimas e sangue. — N-Nós vamos nos ver de n-novo. Eu t-te amo mais q-que tudo. Lembre-se disso... até nos encontrarmos... de novo! — conseguiu balbuciar, em seus últimos suspiros. — Eu prometo!

Mais uma promessa.

— Kookie... Eu... eu também te amo... mais que tudo no infinito! — o loiro disse, ao que seu corpo foi impulsionado com força para os céus, na direção do círculo arroxeado. Faltavam apenas poucos segundos.

Instantes antes do portal se fechar, Park Jimin pôde ver o corpo da sua alma gêmea desfazer-se em pequenas partículas que cintilavam contra o pôr do sol.

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