Capítulo 23
HANSEONG — D. JOSEON,
HÁ CERCA DE 600 ANOS
O tempo não espera. Ele corre como o vento, sem que possamos o ver. E foi assim para Park Jimin, que nem conseguia acreditar que já estava vivendo naquela era histórica há quase um ano completo. Oito meses haviam se passado. A saudade da família? Era gigantesca e doía toda vez que se lembrava dos pais.
O garoto sempre foi muito apegado à mãe, já que conviveu muito mais tempo com ela enquanto seu pai estrangeiro vivia viajando de país a país por ser um dos diretores executivos de uma famosa marca internacional, e foi em uma dessas viagens que David conheceu Na Eunjeong, por quem se apaixonou e acabou se casando. O loiro inglês não queria deixá-la tão sozinha enquanto resolvia os problemas da empresa, portanto o casal decidiu adotar duas crianças órfãs, Yoona e Yoongi, e poucos anos mais tarde, Jimin completou a família, sendo fruto do amor daquele casal tão incomum.
Sentia falta do sorriso constantemente presente nos lábios da mulher materna que sempre deu muito carinho aos três filhos. Sentia falta das suas palavras motivadoras, dos seus conselhos, das suas ideias malucas, dos seus biscoitos de chocolate quentinhos, dos seus abraços calorosos, da doce voz que lhe cantava canções de ninar até atingir a adolescência; do seu pai, que por mais distante que estivesse, sempre lhe ligava ou mandava mensagens perguntando como havia sido o seu dia; de simplesmente tudo. Poderia estar há milhares de quilômetros de distância, mas sempre estava presente, sempre se preocupou, e sempre manteve o papel de um pai digno.
Seus irmãos eram os únicos que, de certa forma, ainda tinham consigo ali no passado. Mesmo não sendo exatamente os mesmos, por algumas poucas diferenças, estavam ali próximos a si, mas seus pais não estavam. Os amava tanto que seu coração doía muito.
Sua decisão doía como o inferno.
Mas não voltaria atrás. Já havia se decidido há alguns meses. Tinha certeza daquilo. Poderia estar sendo egoísta, porém não seria mais capaz de viver longe de Jungkook.
O amor te faz tomar decisões difíceis, às vezes, te faz enlouquecer, na verdade, porque escolher viver em um mundo tão distante do seu, tão diferente do seu, longe de sua família, era loucura.
O jovem enterrou seus dedos em meio aos cabelos castanho-escuros macios do elfo, massageando o couro cabeludo. Observou as pálpebras fechadas do moreno, dormindo de maneira serena. Sempre acordava cedo, antes do general, e acostumou-se a observá-lo dormir por cerca de mais uma hora, até ver seus olhos avermelhados serem revelados diante de si. E foi o que aconteceu ali.
Aos poucos, o ser místico acordou, se espreguiçando e logo notando o namorado. Abriu um sorriso, e levantou-se, vendo o olhar do humano lhe acompanhar. Sentou-se ao seu lado, segurando a mão preciosa do garoto, entrelaçando os dedos e trazendo as mãos juntas para próximo de seu peito. Jimin continuava hipnotizado em si, quase sem piscar.
— Não cansa ficar olhando para mim por tanto tempo, hyung? — A voz de Jungkook soou um pouco rouca pelo sono.
— Não. Nunca. Jamais! — Sorriu feito um bobo. Definitivamente seu amor por Jeon Jungkook era irracional. Passou o dedão pela pele suave e gostosa, acarinhando a área. — Você é o ser mais belo que meus olhos poderiam presenciar, Kookie.
Após trocarem mais palavras melosas de amor, como de costume, os dois se higienizaram, trocaram de roupa, comeram algo e foram trabalhar, cada um em suas respectivas funções.
Pela manhã, enquanto Jimin tratava pacientes na enfermaria, Jungkook cuidava de alguns assuntos políticos envolvendo a união entre exércitos, afinal, ser general do palácio não se resumia apenas em treinamentos de espada. Os soldados precisavam de aliados, pois em caso de guerra, vários povos ganhavam a chance de se unir, fortalecendo-se pela vitória, e como líder dos guerreiros, o elfo tinha o trabalho de intervir, mediante as ordens do rei, nas decisões que envolviam essas alianças.
Enquanto lia alguns pergaminhos que continham informações sobre exércitos de outros reinos, Hoseok surgiu em sua sala de repente, com algumas gotas de suor que escorriam de sua face. Sua respiração era audível, sinal de que havia corrido bastante até chegar ali. Apenas ao mirar sua expressão, pôde perceber que se tratava de um assunto sério.
— General... Jeon. — Respirou entre as duas palavras. — Precisamos conversar. A sós! É urgente! — O elfo fez sinal para que os outros dois soldados ali presentes se retirassem do local. Assim, logo que recuperou o fôlego, Hoseok, agora promovido a conselheiro real, se dispôs a falar. — Tive outra visão. Me ocorreu há poucos instantes. Já conversei com Vossa Majestade, mas achei pertinente avisá-lo também.
— E do que se trata? Conte-me, por favor.
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Durante as tardes, Park trocava de turno com Taehyung na enfermaria, e ia até o pátio do exército para treinar com seu namorado. Estava quase a ponto de suceder em sua meta. Havia descoberto uma maneira de atiçar os dons mágicos do elfo, e a cada dia tentava fazê-lo recuperar. Não, o ser místico ainda não tinha seus poderes de volta, mas às vezes eles apareciam, tímidos, e o objetivo do loiro era dar um jeito de trazê-los de volta à tona, por completo, ainda que Jungkook sempre insistisse dizendo que isso não era preciso, já que a falta de magia lhe fazia sentir-se mais humano. Provavelmente tal fato o fazia se esforçar menos para ter de volta os poderes, e esse era um dos poucos casos em que o casal discutia, sem entrar em um consenso. Foram raras as brigas que tiveram até então.
Naquela tarde, no entanto, as coisas foram um tanto diferentes.
Enquanto o humano se encaminhava ao ambiente de treino, encontrou o namorado nos corredores do palácio, com uma feição indecifrável. Ele segurou em seu pulso, o arrastando para algum cômodo reservado, ao murmurar um "precisamos conversar" em tom urgente. Levou como algo sério, devido às circunstâncias, e começou a se preocupar, fazendo especulações em sua mente sobre o que poderia ser.
Ao entrarem no quarto de Jimin, Jeon fechou as portas e fez o garoto se sentar diante de si. Respirou fundo e decidiu, de uma vez por todas, revelar do que se tratava todo aquele alvoroço. Conseguiu por fim curvar os lábios para cima, quase que a força, tentando se convencer a todo custo, pois finalmente seria capaz de cumprir sua promessa.
— Jimin-ssi. Tenho uma boa notícia!
Jimin, por mais que conseguisse captar um sorriso miúdo nos lábios finos do amado, não se convenceu de que era algo verdadeiro. Quase um ano de namoro com o elfo foi suficiente para conhecê-lo melhor que a si mesmo.
— Tem certeza que é uma boa notícia? — Viu as pupilas do grandão vacilarem. Ele havia passado tempo demais com os humanos e era péssimo mentiroso. — Não me parece boa notícia, Kookie.
Os ouvidos do humano captaram a respiração pesada do outro, enquanto ele desviava o olhar para qualquer canto do quarto. Podia não ter poderes, mas estava captando uma mentira por parte do mais novo naquele instante.
— É uma boa notícia sim, hyung. Eu juro. — Fez um biquinho com os lábios, voltando a fitar os olhos cor-de-cacau que tanto admirava.
— Então me conte logo. Chega de mistério.
— Bom. O Hoseok veio conversar comigo há alguns minutos, disse que teve uma visão... — Os olhos do loiro continuavam presos a si, sem qualquer reação, e isso de certa forma o preocupou. Ficou aflito. — Ele viu o portal dos céus se abrir. Quero dizer, o portal do futuro. O portal para sua casa, hyung. — Ele continuava estático, quase sem piscar, totalmente paralisado. — É sua chance de rever sua família, de ter sua vida de volta.
Para o médico, aquilo doeu. Doeu como se Jungkook tivesse o esfaqueado no meio do peito com uma espada, de propósito. "Ter sua vida de volta"? Como se naquele exato segundo não estivesse vivendo sua vida verdadeiramente? Era isso o que o elfo pensava? Que tudo não passava de uma brincadeira? Um conto de fadas, talvez?
Ficou quieto. Decidiu continuar a ouvir o que Jeon tinha a lhe dizer.
— Ele não tem certeza sobre quando vai ser isso. Pode ser amanhã, ou semana que vem, pode ser a qualquer momento. Hoseok só consegue saber que isso vai acontecer em breve — o moreno pausou, mas as reações de Jimin apenas o deixavam cada vez mais aflito. — Por isso, vou até o local do portal todos os dias, hyung. Estou indo lá daqui a pouco...
— Não! — Jimin gritou, de maneira repentina, em um tom alto demais. — Você não vai a lugar algum!
O general se assustou. Era aquele tom frio e rude que Park usou no mesmo dia em que o portal se fechou diante deles, quando ficou preso no passado, quando tinham brigado pela primeira vez. E era doloroso como o inferno.
— P-Por que não, hyung? — gaguejou, fraco. Fraco porque tudo parecia desabar dentro de si, pois Jimin distanciou-se de si em poucos segundos, ainda que estivessem tão próximos, a centímetros de distância.
— Porque não vou voltar. Nunca mais, entendeu? — Por mais que sua voz agora encontrava-se normal, o garoto ainda parecia longe de si. E isso estava acabando com o ser místico. — Não posso mais voltar.
— Pode sim. O portal vai se abrir... — O desespero era evidente no de orelhas pontudas. Tudo o que desejava era ver Jimin feliz, contente por ser capaz de visitar sua família e seus amigos mais uma vez, entretanto, por algum motivo, não era assim que Park via as coisas. — Sei que sente falta deles, então, por quê? — questionou, realmente intrigado.
— Sei que um ano parece pouco para dizer isso... — O médico murmurou, agora mais calmo, porém com as emoções à flor da pele. — Mas construí uma nova vida aqui. E não posso mais viver sem você, Jungkook. — Os olhos estavam aguados, e as lágrimas fizeram uma trilha até despencarem por seu queixo. — Não posso, entende? Não quero mais voltar para lá... porque o futuro não tem Jeon Jungkook!
O ser místico sentiu-se culpado ao extremo, pois sabia que o humano lhe amava muito. E esse amor o faria sofrer, mas tinha ciência que seria doloroso para ele saber que o portal se abriu sem poder nem ao menos rever sua família por poucos segundos. E era tudo culpa sua.
— Tem certeza dessa sua decisão, Jimin-ssi?
O garoto confirmou, mas Jungkook não aceitou aquilo tão facilmente. Por isso, todos os dias, em segredo, dirigiu-se ao exato ponto de onde trouxera o curador celestial, para checar se o portal se abriria.
A cada dia, uma decepção.
Duas semanas se passaram, e nada do portal se abrir.
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— Onde está o general Jeon? — Jimin perguntou a Yein, que se encontrava treinando golpes com a espada, assim como os diversos soldados do exército. Teve que ir ao local de trabalho do elfo, já que naquela manhã, acordou sem a presença de Jungkook, e isso era estranho, porque sempre despertava nos braços do amado. Uma sensação ruim apoderou-se do seu peitoral, fazendo seu coração se apertar. Havia algo muito errado acontecendo, sabia disso.
Inocente como era, Yein dispôs-se a falar:
— O g-gen-neral Jeon foi até o p-porta-tal dos céus, v-ver se a-abriu — respondeu, atrapalhado, e instantes depois voltou a se concentrar em seu treinamento.
No entanto, aquilo foi a gota d'água para tudo desmoronar dentro do humano. Estava tudo bom demais para ser verdade. Só não conseguia entender o porquê.
Por que Jungkook estava tão determinado em levá-lo de volta para "casa"? Sua casa agora era ali, em Hanseong, ao seu lado. Por que ele não era capaz de entender aquilo?
Direcionou-se de volta ao palácio, a passos pesados, percebendo seu corpo fraquejar a cada metro avançado. Esperou atravessar o limite do seu cômodo para então deixar que os sentimentos mais obscuros transbordassem.
Jogou-se contra o acolchoado enquanto os soluços começaram a ecoar pelo ambiente. Sentia raiva, mágoa; sentia-se, de certa forma, traído, pois pediu ao namorado que não fosse até aquele local e ele apenas o ignorou.
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Há alguns quilômetros de distância, os nervos do de orelhas pontudas estavam a mil. A ansiedade lhe corroía, porque tudo o que mais desejava era finalmente viver seu destino. Viver ao lado de Park Jimin para todo o sempre. E sabia que se o portal estivesse aberto, essa seria a sua grande chance de realizar o seu sonho. Lembrou-se de uma das melhores sensações que sentira em toda a vida, há cerca de duas semanas, quando conversou com o rei Min Yoongi.
— Majestade. Tenho um pedido a lhe fazer. — O elfo baixou o olhar, temeroso por uma reação negativa. Não foi capaz de fitar seus olhos, pois o medo lhe encurralou, mas precisava, ao menos, tentar. — Sei que não estou no direito. Sei que sou seu servo, então não me deves absolutamente nada. — Ajoelhou-se, e por fim ergueu o olhar, fitando a expressão séria e confusa do nobre. — O Conselheiro Hoseok contou-lhe sobre a visão do portal se abrindo, certo?
Min, que até então sentia-se perdido com a cena do elfo lhe suplicando, começou a entender onde queria chegar com aquela conversa. Sendo assim, apenas concordou com um aceno de cabeça, permanecendo indecifrável.
— Sabes que eu o amo, o amo com toda a minha existência, Vossa Majestade! Nunca serei capaz de amar alguém como amo Park Jimin — Jungkook declarou, tendo murmúrios dos funcionários como únicos ruídos presentes no salão principal. — Sei que Jimin está sofrendo aqui, porque sente falta da família... Sente falta da sua vida anterior, mas ele não está disposto a deixar nossa terra pois me ama também e não quer me abandonar.
— Jeon Jungkook, meu elfo! — o rei interrompeu as falas do mais novo, fazendo o coração do ser místico se agitar em nervosismo. — Estou ciente sobre tudo isso, mas... — Ele iria recusar seu pedido. Sabia disso, estava prevendo. Seu destino, afinal, era manter o trono protegido pela eternidade. Estava fadado a uma vida eterna e dura de trabalho, apenas, todavia, não esperava pelo que estava prestes a ser proferido por Yoongi. — Que se dane! — o rapaz pálido proferiu, agachando-se diante do moreno. — Vá viver sua vida, Jeon Jungkook. Você merece. — Abriu um sorriso gengival ao fitar as íris avermelhadas do garoto que o serviu com sua vida. Se estivesse em seu lugar, desejaria o mesmo. Sabia como era sentir-se apaixonado. — Em nome do reino de Min, eu desfaço o acordo que meu falecido pai criou e te liberto. És um elfo livre a partir de hoje!
Agora, tudo o que precisava era de uma confirmação. Precisava certificar-se de que o portal para o futuro realmente se abriria, e então poderia finalmente contar a Jimin, fazer-lhe essa surpresa. Mal podia esperar para ver sua reação. Guardar aquele segredo por dias era árduo e terrível. Não conseguia acreditar que estava de fato livre, que poderia ir para o mundo do loiro, juntamente a ele, para viver o resto de sua vida ao seu lado. Era só o que faltava para a sua felicidade estar completa.
Difícil conter seu sorriso. Saltitava enquanto corria rápido na direção do bendito portal que o presenteou com Park Jimin, o seu anjo, o ser celestial. Mais alguns metros, estava próximo, muito próximo. Estava quase lá. E o céu arroxeado já podia ser visto.
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A alegria do elfo foi por água abaixo ao chegar de volta ao palácio, porque foi recebido praticamente a pedradas pelo namorado. Quando adentrou seu quarto, seus ouvidos captaram o chiado do choro baixo, e isso quebrou seu coração em pedaços. Viu o rapaz deitado e encolhido sobre o colchão e aproximou-se, logo o segurando em seu colo, mas os braços que sempre se enroscavam em si, o empurraram com toda a força existente em seu corpo, o afastando de maneira bruta.
— Jimin-ssi! O que aconteceu? — proferiu, totalmente abalado. — Por que está chorando?
Viu o tronco do garoto tremer, e seu rosto encontrava-se úmido de suor. Tentou levar a mão à sua bochecha, mas o humano se esquivou novamente. Ele estava tendo um surto e não tinha muito controle sobre as ações do seu corpo.
— Você foi até lá! Mesmo depois de te pedir para que não fosse! — Lágrimas voltaram a se aglomerar em seus olhos.
Esse era um dos momentos em que o ser místico desejava ter seus poderes de volta. Talvez sua magia fosse capaz de ajudá-lo a se acalmar, alterar seu humor, mas recordou-se que o loiro não gostava quando tentava reverter sua tristeza, e julgou-se péssimo companheiro para Park.
— Vá embora, Jungkook! Me deixe sozinho, por favor. — As palavras fluíram dos lábios do mais velho, porém não parecia ser mesmo ele a proferir tal frase.
O moreno não foi capaz de seguir tal pedido. Não porque não respeitava as decisões do namorado — muito pelo contrário, jamais faria algo sem que ele lhe permitisse —, mas porque sabia que esse não era o seu Jimin. O seu humano jamais diria aquilo de forma tão fria. Tinha plena ciência que o garoto estava sob estresse e isso acabou desencadeando uma das poucas e raras crises, sendo assim, tudo o que conseguiu fazer foi abraçá-lo.
Envolveu o garoto contra seu peitoral, segurando firmemente seu tronco, enlaçando as costas com seus braços fortes. Sentiu o choro do outro sendo abafado pelo seu peito, mas sabia que essa era a única solução. Deixou-o livrar-se de quaisquer pensamentos negativos por conta própria enquanto arrastava seus dedos pela lateral de Park, acarinhando com todo cuidado e ternura. Permaneceram assim por longos minutos, com Jeon acalmando seu humano.
Aos poucos, Jimin cessou as lágrimas e correspondeu ao abraço, agarrando-se a Jungkook de tal forma que seria muito difícil separá-los. Sentiu-se mal por ter agido assim com ele — tão duro e frio. O orelhudo não tinha culpa, só queria vê-lo feliz e era por isso que estava tão afoito para levá-lo até o portal. Sabia disso e mesmo assim ficou bravo com ele. Não merecia o amor de Jeon Jungkook. Ele era bom demais, mas tudo estava girando feito um furacão em sua cabeça, e doía como o inferno. Por isso, por apenas alguns minutos tentou se distrair.
— Podemos dançar, Kookie? — pediu ao afastar-se poucos centímetros apenas para olhar para o amor da sua vida. Ele tinha uma ruga entre os olhos, sinal de confusão. — Assim! Só balançando nossos corpos... — Jimin orientou, segurando na cintura do maior e o empurrando de um lado para o outro levemente para demonstrar.
— Mas não tem música, hyung! — Jeon exclamou, ainda estranhando o ato do médico.
Então, Jimin começou a cantar uma das melodias que havia composto em sua adolescência. Sua voz era suave, ressaltando cada sentimento singelo que aquela letra lhe transmitia. Era uma música que falava sobre como relacionamentos podem ser difíceis e dolorosos, mas que no final, tudo vale a pena.
O de olhos vermelhos apreciou cada nota e tom perfeitamente proferidos pelo seu namorado, e inspirado pela música, passou a guiar os passos da dança. Era tão gostoso que descansou seu queixo sobre o ombro do rapaz amado, segurando a cintura fina dele com delicadeza enquanto balançavam seus troncos colados. A voz de Jimin era simplesmente doce e perfeita aos ouvidos do orelhudo. Tinha tantos talentos, incluindo o canto.
O de cabelos claros continuou a canção, entregando-se por inteiro. Por mais que não tivesse cantado há tempos, a sensação era sempre a mesma. Era como se pudesse confessar suas angústias e pensamentos através do som melodioso que suas cordas vocais davam vida. Era muito bom. Prometeu a si mesmo que em sua próxima vida, se dedicaria ao sonho de tornar-se um cantor reconhecido. Eram paixões eternas em sua alma, a dança e o canto.
Depois de um tempo, o curador celestial finalizou a canção, e assim ambos os garotos estagnaram, e passaram a fitar um ao outro profundamente. Era um olhar cheio de emoções, repleto de significação.
O silêncio apenas foi quebrado quando Jungkook deixou as palavras fluírem dos seus lábios, ansioso pela reação do namorado com tal surpresa.
— Jimin-ssi — começou, trazendo as mãos entrelaçadas para seu peitoral quente. — Há duas semanas, mais ou menos, conversei com Vossa Majestade. Fiz um pedido...
— Um pedido? Que pedido fez ao rei, Kookie?
— Pedi que eu fosse libertado para poder ir com você quando o portal se abrisse — revelou, ansioso. Viu as pupilas do humano se dilatarem em sinal de surpresa.
— Oh, orelhudo. Não precisava fazer isso. Já lhe disse que vou ficar aqui com você. Para sempre.
— Mas sei que não está totalmente feliz aqui, hyung. E se você não está, eu também não estou. — Viu Jimin se emocionar, e as lágrimas voltarem a transbordar de seus olhos. Sendo assim, seus dedos longos eram como ímã contra as bochechas adoráveis, enxugando os vestígios de umidade dali. — Vossa Majestade me libertou, hyung. Sou um elfo livre agora!
Os olhos do loiro se arregalaram ainda mais após ouvir a revelação do namorado. Fungou, emocionado, e não conseguiu acreditar que aquilo fosse real.
— Você está falando sério? — Viu o outro concordar. — Oh, meu deus! Quer dizer que você pode ir comigo para o futuro? — Mais um aceno positivo. — Não acredito, Kookie! Isso é... isso é incrível! — Estava praticamente sem palavras. Nada expressaria com exatidão a euforia em seu coração.
Não conseguiu conter sua felicidade e jogou-se no colo do amado, o abraçando ao que enroscava as pernas ao redor da cintura e os braços ao redor do pescoço. E como reação inevitável, os lábios finos entraram em contato com os vultosos, iniciando um beijo profundo que demonstrava a alegria genuína de ambos os garotos. Era como se tivessem fogos de artifício explodindo dentro deles, trazendo uma onda de satisfação — a mais pura de todas as suas existências.
— O portal está prestes a se abrir, hyung — murmurou entre o beijo, deixando leves selinhos no canto da boca de Jimin. — O céu dos arredores está arroxeado como naquele dia. Temos algumas horas até ele se abrir por completo, eu calculo. Precisamos nos preparar para partir!
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