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Capítulo 18

ELFLAND,
HÁ CERCA DE 600 ANOS

Dias se passaram, e quanto mais o tempo avançava, mais os elfos ficavam aflitos com o grande dia, afinal, poderia acontecer a qualquer momento. Nenhum deles possuía o poder de prever o futuro. Jungkook tinha seus nervos tensos porque sabia que grande responsabilidade estava em suas mãos. Ele fora incumbido de derrotar o Demônio dos Demônios, o mais forte de todos. Todavia, depois de tanto treinar, sentia-se melhor e bem preparado. Havia descoberto alguns dons nunca desvendados antes, que o permitiram ter esperança, e, acima de tudo, confiança em si mesmo.

— Kookie! — Sentiu os lábios espessos do seu namorado roçarem preguiçosamente por suas bochechas, lhe dando leves beijos delicados para acordá-lo. Era tão delicioso que não tinha vontade de se levantar. Gostaria de permanecer assim com Jimin o dia inteiro, apenas na preguiça. — Acorde, meu príncipe. Está na hora de treinar — murmurou com a voz rouca, próximo a orelha pontuda, o fazendo arrepiar-se até a alma.

Era adorável ver Jimin tão empolgado com alguma coisa. Ele tinha aquela aura cativante, e era ótimo para convencer os outros de que sua ideia era excelente. Logo o garoto se levantou, puxando Jungkook pela mão, o fazendo se pôr de pé o mais rápido que conseguia. Estava contente porque pôde participar dos treinamentos junto aos elfos, e descobriu um talento diferenciado ao longo dos últimos dias. Talvez não fosse um dom tão especial, mas conseguiu lidar muito bem com uma espada durante os treinos; tão bem que o elfo se surpreendeu.

Entretanto, aquela animação durou poucos minutos, pois logo Daphiny adentrou a caverna de maneira afobada, correndo, com seus olhos azuis ainda maiores do que o comum, além do terror estampado em sua face. Seu sininho balançava freneticamente com seus movimentos bruscos. Sua respiração era audível. Jungkook, ao ver a irmã naquele estado, sentiu seu coração se agitar de nervosismo.

Eles estão aqui!

Já entendendo do que se tratava, o elfo precisava pensar rápido. E a primeira coisa que veio a sua mente era proteger Jimin como prioridade. Ele tentou, uma última vez, convencer seu companheiro a não os ajudar naquela batalha. Queria que ficasse na caverna junto à elfa de cabelos degradês, para que pudesse se sentir mais aliviado. Porém, é claro que Park não concordou com a ideia. Pegou sua hwando e puxou o ser místico consigo para darem início àquela luta épica.

❨♔♚♔❩

Demônios. Centenas deles, por toda a parte. Jungkook deu um passo para trás, tocando suas costas nas de seu namorado, como se tal simples ato fosse capaz de protegê-lo por completo. Jimin tinha seu coração acelerado, saltando pela garganta; os olhos arregalados, fitando cada detalhe das criaturas tenebrosas que os rodeavam.

Eram todos bastante diferentes, tinham formatos diversos, desde tão pequenos como um ratinho, ou tão altos como árvores gigantescas. Suas cores nunca eram as mesmas, mas sempre vibrantes. Talvez o único detalhe comum entre todos eram os seus olhos negros, pretos como a escuridão total. A textura deles, apesar de não poder julgar totalmente por nunca os ter tocado antes, assemelhava-se a algo gosmento e pegajoso.

O médico, então, sacou a sua espada, a qual antes achava ser sua salvação e que agora parecia simplesmente insignificante para deter tais indivíduos, afinal, eram seres fortes e poderosos. Seu braço estremeceu, e já não sentia mais firmeza e nem mesmo confiança; foi tudo por água abaixo. Entretanto, não se deixou abater tão facilmente; ergueu a cabeça e voltou a segurar o cabo do objeto em suas mãos com mais força.

As bestas se aproximaram dos dois e de todos os outros elfos, e Park percebeu o titã começar a lutar bravamente contra eles, sendo capaz de derrotá-los, apesar da batalha ser árdua. Tentou encorajar-se. Deu dois passos para a frente e com um suspiro profundo voltou a pressionar o cabo da espada, a apontando para um dos demônios. Não era tão grande, era menor que si, então não demorou a atacar, e com um golpe suave e certeiro, fez um corte profundo no pescoço do ser mágico, que jorrou sangue visguento, escuro e quase preto para todos os lados, respingando gotas em seus cabelos claros; em poucos segundos, a criatura se dissipou por completo, como fumaça.

O garoto ficou surpreso e ao mesmo tempo horrorizado. Surpreso porque foi capaz de derrotar uma daquelas criaturas, o que antes achava impossível; horrorizado por ser o primeiro ser vivo que tentou tirar a vida. Era um sentimento estranho, mas não podia se distrair naquele momento. Precisava manter o foco.

A batalha continuou. Centenas de elfos eram atacados pelo fogo ardente dos demônios, mas contra-atacavam com suas habilidades especiais e únicas. Jimin eliminava vários dos demônios mais fracos com o auxílio da sua espada e Jungkook aniquilava os mais fortes com o potencial dos seus poderes. Estava tudo indo bem, de acordo com o planejado e isso os deixou mais confiantes. Porém, ainda era cedo demais para comemorar a vitória.

— Bastardo! Vá eliminar os demônios da esquerda e eu cuido desses aqui... — Um dos elfos líderes da batalha tentou executar seu plano, mas sua fala não foi bem recebida por Jungkook, que apenas o ignorou. Bastardo, aberração... era assim que os aliados de Yee-Ka o chamavam naquele mundo, e isso o entristecia. Mas não podia deixar o seu emocional lhe distrair agora, precisava manter-se concentrado na luta.

Enfurecido, o elfo que não teve seu pedido concedido, distraiu-se com sua raiva e foi nocauteado por um dos demônios, sendo eliminado aos gritos, e queimado até a morte.

Jungkook assustou-se com a rapidez do ocorrido e arregalou os olhos assim que o fogo da besta atravessou seu corpo. Era um ser gigantesco, alto como uma árvore que toca o céu, além de emanar superioridade em sua aparência. Entretanto, as flamas não causaram efeito no titã, já que possuía imunidade ao fogo. Apesar de receoso, Jungkook tentou não se abalar e lutou bravamente contra o ser demoníaco. Foi empurrado para longe com a força do sopro e do fogaréu expelido pela boca da criatura. Porém, com esforço, esvoaçou até a altura do peitoral do inimigo e deu tudo de si para enterrar o braço através da pele viscosa e esverdeada, procurando pelo órgão vital do demônio. Um som estridente reverberou pelos céus assim que Jeon segurou o coração da besta e o arrancou de seu peito.

Naquele meio tempo, outro demônio foi invocado e surgiu espontaneamente em frente a Jimin, o fazendo se sobressaltar. Era definitivamente maior e mais poderoso do que os que já conseguira derrotar, mas sua confiança o levou a tomar a iniciativa para avançar na luta. No entanto, quando estava prestes a atacar, o viu flutuar diante de si, e logo desapareceu. Virou-se para procurar Jungkook, mas nada viu ali. Tinha se distraído durante a guerra e perdeu-se do seu amor. Seus olhos castanhos apenas captaram um demônio de quatro cabeças, terrivelmente grande e assustador. Eles tinham seus pescoços longos enroscados um ao outro, a coloração da pele era magenta em tom vibrante que lhe dava dor de cabeça, e só por mirá-lo, o médico começou a se sentir tonto.

Suas mãos geladas começaram a suar de repente, fazendo o objeto metálico e cortante despencar ao chão. Uma dor se instalou em seu peitoral e ele inspirou e expirou o ar de seus pulmões de forma audível. Poucos instantes depois, piscou as pálpebras e as imagens ficaram dispersas, como se estivessem fragmentadas. Ele já não sabia o que estava acontecendo ao seu redor, e no segundo seguinte, tudo ficou escuro como breu.

Já o elfo de fogo estava lutando com todas as suas forças naquele momento. Usou a eletricidade herdada do irmão para tostar alguns demônios que atrapalhavam seu caminho. Nenhum deles estava disposto a conversar — até porque eram poucos os que sabiam se comunicar através da linguagem falada —, seu único objetivo era destruir Elfland para torná-la mais uma de suas terras dominadas. Porém, quando olhou para trás, seu corpo todo gelou. Viu um dos inimigos lhe lançar um sorriso medonho, junto a uma risada histérica que fez seu corpo todo arrepiar-se em horror. O ser tinha sua pele pálida, praticamente branca e brilhante, e manchas que se assemelhavam a rachaduras e algumas crateras, usava uma capa preta com touca que cobria sua cabeça, deixando apenas o rosto à vista. A visão mais assustadora que poderia ter em toda a sua vida, e que fez suas pernas vacilarem pela primeira vez. Em seus braços estava Jimin, aparentemente desacordado.

Não. Não poderia deixar que o levassem ou que o prejudicassem. Não poderia permitir que encostassem sequer um dedo no seu humano. E lá estava ele, totalmente vulnerável, sob posse do inimigo. Jeon se forçou a avançar no caminho, indo em direção ao amado, mas cerca de dez demônios o atrapalharam e barraram a sua passagem, o fazendo perder Park de vista.

Seus olhos vermelhos faiscaram como nunca. A raiva se apoderou dele junto ao desespero e tudo aconteceu rápido demais. Foi capaz de explodir seis das criaturas de uma só vez, através da sua telecinese, e os próximos foram eliminados quando segurou um por um pelo pescoço, os erguendo até os pés saírem do solo, e sugando qualquer existência de vida em seus corpos. Os arremessou para qualquer canto e continuou dando passos para salvar o seu amado.

Suas veias estavam aparentes, saltadas, pois a ira corria pelo seu corpo de forma enlouquecida. Cada golpe que dava parecia ter triplicado de força. Cada movimento que fazia, tornou-se devastadoramente mais ágil; apenas movido pela raiva. Ele gritou, deixando transparecer a dor que sentia por estar perdendo aquela luta, não no sentido literal, mas porque não foi capaz de proteger Park Jimin como deveria.

Outros elfos juntavam forças para combater os seres demoníacos, mas nem sempre saíam vitoriosos. Jungkook os ajudou, e unidos foram capazes de dizimar cerca de mais uma dúzia deles.

O confronto continuou e momentos depois já havia centenas de cadáveres deixados em uma montanha de corpos.

Alguns monstros tentavam atacar Jungkook com suas flamas coloridas, mas nenhum deles foi capaz de provocar queimaduras no elfo, afinal, ele era imune ao principal poder dos demônios: o fogo. E isso lhe dava uma boa vantagem. Em compensação, outros seres de Elfland foram afetados pela ardência dos inimigos, perdendo suas vidas.

O general não desistiria até ver cada uma daquelas criaturas tornarem-se cinzas. Continuaria lutando e procurando pelo seu humano. Depois do que pareceram longas horas, Jeon caminhou por sua terra natal, vendo o resultado daquela guerra que estava quase no fim. Apenas as bestas mais fortes foram capazes de resistir àquela altura. Por mais que tivessem perdido alguns elfos na batalha, estavam quase saindo vitoriosos daquele episódio histórico, no entanto, para o de olhos vermelhos, tudo ainda estava perdido. O curador celestial ainda não fora localizado. E tudo estava desmoronando dentro de si.

— Jimin-ssi! Onde está você, meu amor? — Sentiu seu rosto arder, tentando segurar o choro. Fechou seu punho com força, cravando as unhas na carne. Era simplesmente avassalador, principalmente por não saber o que se passava com o mais velho naquele instante. Precisava saber se ele estava bem. Na verdade, sabia que não estava bem, mas precisava saber se ainda era capaz de salvar sua vida.

❨♔♚♔❩

Park Jimin abriu as pálpebras devagar, piscando os olhos algumas vezes até que tudo se tornasse visível. Estava escuro, havia pouca luz ali. Encontrava-se preso em uma cadeira, com seus punhos amarrados com corda fortemente aos braços de madeira, e seus pés tão apertados que lhe causava uma dor intensa na região. Tentou mover seus membros a fim de afrouxar os nós, porém seu ato apenas serviu para fazer sua pele marcada arder. Soltou um gemido sôfrego, agonizante. Depois gritou, com toda a força dos seus pulmões.

— K-Kookie! Por favor... — Apesar do seu esforço, a voz não soou muito alta, pela fraqueza que sentia.

Olhou ao redor, à procura de alguém, na esperança de encontrar seu amado ali, mas arrependeu-se ao perceber um demônio ali presente. Ele lhe observava com um sorriso maligno no rosto, um sorriso amedrontador que literalmente ia de orelha a orelha. Os dentes eram pontiagudos, sua pele branca como a neve lhe deixava enjoado, e sua roupa escura lhe trazia a sensação de pavor.

Estava quase certo de que tal criatura tinha o poder de manipular os sentimentos de outrem, assim como seu namorado, entretanto, em vez de lhe acalmar como o elfo fazia, a besta lhe amedrontava cada vez mais. Sabia que era ainda mais vulnerável a essa influência pelo simples fato de ser um humano.

Jimin, então, voltou a fechar seus olhos bem apertado, e repetiu mentalmente diversas vezes que deveria bloquear o poder demoníaco. Será que era capaz de fazê-lo?

"Kookie, por favor... me ajude! Estou preso aqui dentro, me ajude!" Recitou tais palavras de socorro e desespero telepaticamente, esperando que sua frase, de alguma forma, chegasse aos ouvidos do elfo. Parecia algo insano de se acreditar, mas manteve a sua fé.

❨♔♚♔❩

"Kookie, por favor... me ajude! Estou preso aqui dentro, me ajude!"

A voz de Park ecoou dentro da mente de Jungkook. Ele arregalou seus olhos, virando-se para todos os lados à procura do garoto que tanto amava, mas sem sucesso. As lágrimas escorriam por suas bochechas, pois o desespero havia tomado conta de si. Já havia procurado Jimin por toda a parte, e não sabia onde poderia estar.

Hyung? Onde você está? — murmurou como se ele fosse capaz de ouvi-lo, porém não obteve resposta alguma.

— Acho que ele está na montanha, orabeoni! — Assustou-se com a repentina voz feminina que surgiu atrás de si. Logo, a elfa de cabelos degradês apareceu à sua frente, abrindo um sorriso apreensivo para o irmão mais velho. — Eu vi um dos demônios o carregando na subida da montanha encantada e tentei impedi-lo, porém acabei tendo que lutar contra outros três maníacos e os perdi de vista. Mas tenho quase certeza que é lá onde ele se encontra.

— Será, pequena? Eu ouvi a voz dele aqui dentro... — o acastanhado respondeu, apontando para a região do seu cérebro. — E dizia que estava preso dentro de algum lugar... Como o demônio pode ter o levado para a montanha, se é a céu aberto?

Orabeoni, você não mora aqui faz mais de cinco anos, não está mais acostumado com o ambiente — Daphiny comentou, sem perder a esperança em sua teoria. — Há um caminho para uma caverna profunda na montanha. Acho que ele pode estar preso lá!

— Certo, então vamos até lá, rápido!

Jungkook tentou não se abater. Seu corpo todo temia o pior, e sentia que não seria mais capaz de salvá-lo caso alguma fatalidade tivesse ocorrido com seu amor — seu sangue não podia trazer um humano de volta à vida. Sacudiu o rosto, negando aquela possibilidade. Logo, ele tentou cessar a umidade que insistia em despencar de seus olhos, mas era uma tarefa difícil. Ainda mais difícil do que derrotar os demônios.

Jungkook correu o mais rápido que sua super velocidade permitia. Ultrapassou o bosque encantado, que agora encontrava-se destruído pelos vestígios da batalha, eram tantos corpos espalhados que não era mais possível presenciar o verde da grama sempre tão brilhante daquele lugar, a maioria das árvores coloridas agora se encontravam destruídas e muitos pássaros e criaturas dali foram extinguidos, e outros fugiram.

O vento soprava em sua face de forma violenta, e seus pés agora praticamente flutuavam sob o solo. Não demorou a encontrar seu objetivo. A pequena elfa estava logo atrás de si, em seu modo invisível. Olhou para o alto, vendo a formação rochosa onde deveria escalar.

Não seria capaz de viver naquele mundo sem Park Jimin. E esse era o motivo por não perder as esperanças, afinal, seu ser provavelmente se dissiparia imediatamente caso algo sério acontecesse com seu humano.

Usou seu poder para impulsionar o corpo para cima e logo começou a flutuar.

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— Quer ser libertado, humano? — Os ecos do timbre do demônio machucavam os tímpanos do médico. Era impossível descrever o quão terrível e temerosa era aquela voz. — Se assim o desejar, deve me contar qual é a maneira mais eficaz de eliminar o titã dos elfos! Se o eliminarmos, conquistaremos esta terra encantada com facilidade e você será livre. O que achas desta recompensa?

O sangue escorreu pelas orelhas de Jimin. E era doloroso ao extremo. Sentia-se como se fosse perder a audição em poucos instantes. Era o pior dos poderes demoníacos que poderia imaginar existir.

— Você... não pode... matar... o titã dos elfos! — esbravejou, sem forças. Nunca, em hipótese alguma, cederia às chantagens daquela criatura do inferno.

— Oh? É mesmo? — Gargalhou de maneira estridente, causando dores latejantes nos ouvidos de Park. — Sendo assim, creio que devo continuar conversando com você, humano.

A cada palavra, uma pontada. Era torturante e insuportável, mas ele suportaria aquilo tudo pelo elfo. Jamais cederia, pois amava Jeon Jungkook mais que tudo. Daria sua vida por ele.

❨♔♚♔❩

Ao chegarem ao topo, a elfa guiou o irmão mais velho até a pequena abertura que levava à caverna. Era tão estreito que Jungkook teve que se espremer para conseguir atravessar a passagem. Com esforço, ele sucedeu, e começou a caminhar naquele espaço, enquanto tentava captar com seu olfato o cheiro de Park. Era estranho, pois havia uma fragrância diferente ali, forte e exótica, a qual não foi capaz de identificar do que se tratava. E todo esse odor fazia ser impossível captar algum rastro do loiro.

O general bufou, sentindo-se melancólico, mas continuou o caminho, com sua irmã logo atrás. Mais alguns metros até o ambiente começar a se abrir aos poucos, até de fato tomar a forma de uma caverna digna. Grande e espaçosa. O cheiro exalado continuava cada vez mais denso, e isso confundia Jungkook. Olhou ao redor, mas o local estava completamente vazio. As paredes encontravam-se suadas, apenas úmido e frio.

Estava a ponto de enlouquecer. Passou as últimas horas longe do seu amado, e já não suportava mais sentir que ele poderia estar em perigo e não poder fazer nada por simplesmente não ser capaz de localizá-lo. Suas íris vermelhas cintilaram mais uma vez e ele gritou a ponto de fazer o chão todo tremer.

Já o médico tinha seus olhos arregalados, pois sua visão captou o seu príncipe diante de si, enfurecido de raiva. Será que estava enlouquecendo? Os poderes do demônio o fizeram perder a sanidade? Era ele ali, com seus cabelos longos presos em um coque, seus olhos vermelhos faiscantes. Então, ele gritou, em prantos, chamando pelo guerreiro.

— Kookie! Me ajude! — Mas, segundos depois, era como se não tivesse dito uma palavra sequer. Não houve resposta, tampouco qualquer reação vinda do elfo. — Jeon Jungkook! Por favor! — Será que havia perdido a voz, além da audição?

— Não desperdice as suas forças, humano. Ele não pode te ouvir, muito menos te ver — a besta pronunciou, fazendo o ouvido do curador voltar a sangrar. E soltou uma gargalhada maligna que fez o garoto ficar ainda mais aterrorizado.

Viu as lágrimas brilharem nas bochechas do seu amor e aquela visão foi mais dolorosa do que a dor causada pela voz demoníaca. Não sabia se funcionaria, mas decidiu tentar. Fechou suas pálpebras e se concentrou ao falar em sua mente:

"Kookie, por favor, não chore! Você me achou, mas não pode me ver, nem ouvir. Não sei como ele fez isso..."

Caso não desse certo, seria apenas mais um passo para afundar na insanidade, então não tinha muito o que perder.

Estava quase acreditando que de fato havia pirado por completo, porém ao ver a face do maior, tudo se iluminou dentro de si. Seu coração acelerou, nervoso e mais aliviado.

"Kookie, por favor, não chore! Você me achou, mas não pode me ver, nem ouvir. Não sei como ele fez isso..." A voz de Park ecoou dentro da mente do elfo, e ele logo arregalou os olhos, os tornando grandes. Seu órgão cardíaco se aqueceu, e todo o corpo estremeceu em esperança.

— Jimin-ssi? — murmurou, olhando para todos os cantos daquela caverna escura, como se agora fosse possível enxergá-lo. Tentou procurá-lo em cada centímetro da área visível.

"Não... não fale comigo, não vamos levantar suspeitas. Ele está aqui também!" Jimin recitou, receoso.

Não tinha ideia de como seu hyung conseguia fazer aquilo, falar telepaticamente. Talvez porque o momento era de extremo perigo, então o elfo era capaz de captar até mesmo seus pensamentos. Naquele momento, Jungkook gostaria de poder se comunicar na mente de Jimin também — como iria salvá-lo sem que pudesse proferir palavras em alto e bom som?

"Há um demônio maior, maior do que todos eles; o mais poderoso. Ele me prendeu porque precisa descobrir como matar você, o titã dos elfos!" Suspirou, sentindo seus tímpanos arderem — consequências da tortura que teve que aguentar. "A voz dele, Kookie... a voz dele é terrível!"

Jungkook cerrou ambos os punhos, grunhindo com toda a fúria presente em seu ser. Os demônios o pegaram. Os demônios o estavam torturando. E isso foi a gota d'água para que o titã deixasse todos seus poderes o dominarem através da raiva. Não foi mais capaz de raciocinar, nem de se controlar. Seu corpo literalmente ferveu enquanto faíscas percorriam suas veias. Era possível ver toda a eletricidade emanar de sua derme, e sua pele avermelhar-se com o calor do fogo. Era difícil ter capacidade para se acalmar diante das circunstâncias, pois tudo em seu ser gritava por vingança. Precisava fazer cada um deles sofrer em suas mãos. Cada demônio que causara aquela bagunça em Elfland — e em especial, a besta que maltratou e feriu o seu amor.

Aos poucos, seu tronco começou a aumentar, até que seus ossos dobrassem de tamanho. E foi espontâneo. O titã não fazia ideia de como isso havia acontecido; não tinha conhecimento sobre tal poder. Apenas deixou que seus instintos o guiassem.

A besta, que antes observava tudo, tão confiante, desconcentrou-se, deixando seu dom da invisibilidade se dissipar pelos ares. Agora estava visível para o ser místico de Elfland, assim como Park Jimin.

Parecia um terremoto se formando, porque tudo estava tremendo, balançando ali dentro. As pedras começaram a cair, atingindo o solo com força, destruindo a caverna de forma trágica. Enquanto isso, Daphiny correu para desamarrar o médico, e não demorou a livrá-lo do aperto. Ele soltou um gemido de alívio e logo viu seus punhos e tornozelos com uma marca profunda da corda. Queria poder ter forças para andar por conta própria, mas quase desabou no chão. A de cabelos degradês foi rápida em levantá-lo e colocá-lo sobre suas costas de forma firme e segura.

— Por favor, o leve para um lugar seguro — o general pediu, e sua irmã logo acatou o pedido e prometeu protegê-lo, o carregando para fora daquela avalanche de pedregulhos.

— Não... Kookie está em perigo, preciso ajudá-lo... — Jimin choramingou, baixinho, tentando ignorar as dores que sentia por todo seu corpo. Estava fraco, e ainda assim preferia ficar ao lado do seu amor.

— Não se preocupe, ele vai ficar bem, Jimin. — A garota teve que segurá-lo com mais firmeza já que não parava de se mexer. Por mais que fosse forte por ser uma elfa, era complicado carregar alguém maior do que ela mesma. — Meu orabeoni é muito poderoso e vai conseguir derrotar todos eles! — exclamou, confiante, quando finalmente conseguiu fazer o humano entender aquilo. Correu o mais rápido que suas pernas curtas permitiam, temendo não conseguir chegar a tempo antes da passagem ser bloqueada, mas quando finalmente sucedeu, sentiu-se vitoriosa. Bultan estava ali, à sua espera. O grande dragão esticou sua asa negra para que fosse possível subir nele, e a elfa assim o fez, deixando Park sentado próximo ao pescoço do animal. — Segure-se firme!

Logo levantou voo, fazendo tudo ao seu redor esvoaçar. Viram a montanha encantada praticamente se desfazer ao que Jeon simplesmente surgiu ali de dentro, ainda maior do que antes. Seu tamanho era gigantesco, e ao que parecia, havia se livrado do demônio ilusionista, pois não havia nem um sinal de vida ali, além do elfo titã.

O gigante fez um sinal para o seu dragão, que não demorou a entender do que se tratava. Ele transitou pelos ares, subindo ao alto, indo na direção do castelo de Elfland, considerado um dos lugares mais seguros daquela terra. A menina abraçou o loiro, tentando ao máximo protegê-lo, ainda que ela mesma estivesse aterrorizada de medo, medo por não conseguir manter a promessa ao irmão, medo de falhar em sua missão. Era uma guerra. E a guerra ainda não havia terminado. Não pôde evitar transparecer seu nervosismo. Seu peito todo tremeu em agonia.

Levou alguns minutos até atravessarem quilômetros da terra mágica, e quando achou que estava quase no fim do percurso, Bultan estremeceu por completo, e cada um de seus músculos foi paralisado de imediato. O animal, de repente, começou a despencar dos céus, em uma altura considerável, enquanto Daphiny e Jimin gritavam em pavor, sem saber o que fazer para evitar a queda. Os cabelos dourados e curtos do médico pareciam prestes a serem arrancados de seu couro cabeludo com a pressão do vento contra seu rosto, seus órgãos internos se reviraram indo de encontro a parede do seu peito. O jovem simplesmente cerrou as pálpebras, esperando que ao menos fosse rápido e indolor, mas foi justamente o contrário. Por mais que algo houvesse amortecido o impacto, sentiu parte da sua pele ser arrancada de seu corpo ao deslizar sobre a terra misturada a areia. A ardência tomou todo seu ser e ele não sabia mais se ainda estava vivo.

❨♔♚♔❩

Jungkook não conseguiu chegar a tempo. A batalha contra o Demônio dos Demônios já havia sido iniciada. O monstro era enorme — ainda maior que Jeon em seu tamanho gigante. Sua pele era de um vermelho puro com escamas afiadas, e seu formato se assemelhava ao de uma serpente junto a um lagarto, dependendo do ponto de vista. No topo da cabeça, um par de chifres pontiagudos o deixava ainda mais ameaçador, e os diversos olhos negros estavam dispersos ao redor de sua cabeça, enquanto a boca parecia inexistente — o que não o impedia de falar ou comunicar-se de alguma forma. Era um dos seres mais poderosos da existência, além de ser um dos mais feios e amedrontadores.

Todavia, depois de tanto lutar, Jeon não estava disposto a perder e não se deixou intimidar. Andou alguns metros na direção da besta, fazendo o solo sacudir a cada passada que dava. Ergueu o rosto, vendo a criatura balançar de maneira animada para o confronto. Não podia de fato enxergar algo que não existia, mas podia jurar que o demônio estaria sorrindo naquele momento se tivesse uma boca.

— Se gostaria tanto de saber como me eliminar, por que não perguntou direto a mim em vez de mandar terceiros? — o elfo pronunciou, quebrando o silêncio tenso ali presente. Várias outras criaturas se encontravam próximo ao Palácio de Elfland, observando os dois gigantes. — Seu servo virou pó em minhas mãos! — Sorriu presunçoso, sabendo que havia atiçado o demônio, o deixando furioso. O oponente bufou de forma audível, e logo o fogo vermelho e quente fluiu de suas narinas grandes, indo de encontro ao general. As flamas queimavam várias árvores ali ao redor, e alguns dos espectadores gritavam ao que tentavam se afastar. Mas Jungkook não se esquivou. Aquele elemento ardente não causou sequer cócegas. O grandão continuava intacto. — Sinto muito, mas acho que você está mal informado. Eu sou o elfo de fogo.

— Você vai morrer em minhas mãos! — Uma voz delicada e aguda fluiu da serpente-lagarto gigante, o que surpreendeu a todos. Não houve tempo para o moreno responder, pois a criatura fez dos seus chifres duas línguas compridas que se esticaram como elástico até se enroscarem ao corpo do elfo.

O de orelhas pontudas sentiu o ar escapar de seu corpo, praticamente sufocado. Além do aperto, as línguas tinham uma substância pegajosa que o deixou ainda mais grudento; era um odor que o deixava tonto e com vontade de vomitar a cada segundo.

— Posso te fazer uma proposta, Jeon Jungkook. Você tem duas opções: morrer sufocado como um perdedor ou se aliar a mim para juntos dominarmos todas as terras do mundo. Estou sendo boazinha, não estou? Que tal?

— Não! Hoje não! — Com fúria correndo em suas veias, o de olhos vermelhos usou parte da sua força para se desvencilhar do aperto e fez uma das línguas se romper, causando dor no demônio, que se esquivou de imediato. — Nunca!

— Você é um garoto malvado, Jeon Jungkook. — A besta ficou ainda mais raivosa, e preparou-se para dar o bote. Em poucos segundos, o elfo pôde ouvir um ruído agudo e estridente que fez seus tímpanos arderem. Era terrível e agora sabia como seu hyung havia se sentido. Aqueles demônios eram capazes de mexer com os sentidos. Olfato, audição e visão.

Não demorou para que suas pupilas saíssem de órbita e as imagens ficaram dispersas e triplicadas. Agora via três serpentes-lagarto, e virou seu pescoço na direção delas, tentando descobrir qual era a real.

Fechou os olhos. Lembrou-se da feição de sofrimento do seu humano, fraco e machucado, tudo porque fora irresponsável o suficiente para trazê-lo a uma guerra na sua terra natal. Tudo o que queria era voltar no tempo e deixar Jimin fora de tudo aquilo — deixá-lo a salvo. Não sabia das suas condições, mas precisava dar um jeito naquilo tudo. Tinha que derrotar aquele ser infernal nem que isso custasse a sua vida.

Jungkook concentrou-se e tentou bloquear sua mente. A maioria dos poderes dos demônios envolvia o controle da mente dos outros, os enfraquecendo aos poucos até tornarem-se presas fáceis, mas jamais seria fácil derrotá-lo.

Não era um elfo comum, era o titã dos elfos.

Com esse pensamento, junto ao desejo de vingança que tinha pelo que fizeram seu amado passar, o grandão abriu suas pálpebras, revelando as mais brilhantes íris avermelhadas — eram quase como puro fogo. Seus ouvidos já não doíam mais, tampouco sentia-se tonto. Seus globos oculares agora eram capazes de enxergar claramente a paisagem, focando na maldita criatura que precisava eliminar. Seus pés aos poucos saíram do solo, enquanto flutuava com o auxílio das flamas que brotavam de si. Seus punhos cerrados concentravam o máximo de energia possível. As faíscas circundavam sua silhueta.

E nos instantes que se seguiram, um grito ecoou pelos ares de toda Elfland, formando um vento que mais parecia um redemoinho enquanto o elfo usava toda sua capacidade para extrair de cada uma de suas células a força necessária para derrotar a serpente de uma vez por todas.

Logo em seguida, o corpo do moreno despencou ao chão, já em seu tamanho original, com sangue escorrendo por suas narinas, orelhas e boca. Entretanto, por mais doloroso que fosse o final daquela batalha, Jeon Jungkook tinha de fato sucedido.

O demônio havia sido explodido em milhares de partículas.

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