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Capítulo 12

HANSEONG — D. JOSEON,
HÁ CERCA DE 600 ANOS

Os dias passavam rápido, um atrás do outro. E nada do "portal dos céus" se abrir novamente. Park, todas as manhãs, se direcionava ao quarto do rapaz vidente para perguntá-lo sobre suas visões do futuro, e todas as vezes, saiu de lá um tanto frustrado, mas não poderia dizer que estava triste, até porque fora muito bem recebido por todos do palácio, e seu trabalho era desafiador na grande parte do tempo.

A medicina daquela época era simples, sem muitos avanços ou tecnologia, e exigia muito mais esforço por parte do médico. Não existia o auxílio de um termômetro para medir o grau da febre, por exemplo, isso deveria ser notado através dos sintomas, assim como também não existia anestesias, tampouco vacinas que prevenissem doenças. Era muito mais fácil morrer por uma doença comum naqueles tempos, simplesmente por não se ter acesso a tratamentos como os dos dias atuais, e curar pessoas se tornou ainda mais especial para Jimin justamente por conta daquele grande desafio.

Além disso, como Taehyung iria iniciar um treinamento com o rei, que já se encontrava bem melhor após a cirurgia e seu ferimento estava praticamente cicatrizado, Jimin tomaria temporariamente a liderança na enfermaria do palácio como curandeiro real. Cuidaria de diversos pacientes todos os dias, e isso o manteria bastante ocupado, pelo menos nas próximas semanas.

Naquele instante, o médico caminhava rapidamente em direção à arena a céu aberto, já que o rei havia convocado todos da corte e até mesmo algumas pessoas da comunidade para participar de uma reunião urgente. Como Park já conhecia praticamente todos os cômodos do palácio e não se perdia mais com tanta frequência, não foi difícil chegar ao local destinado.

A arquibancada estava lotada de pessoas. Ali se encontrava Yoongi, sentado sobre o trono real, localizado no centro da arena, vestido em suas roupas de realeza, com a pequena coroa dourada que cintilava ao redor de seu coque bem preso ao topo de sua cabeça. Ele tinha seu rosto erguido, a postura ereta como um verdadeiro nobre; seus olhos estavam fixos nos portões que acabaram de ser fechados logo após o soldado Kim trazer um rapaz de cerca de trinta anos até a frente da Majestade. O sujeito tinha suas mãos amarradas firmemente por uma corda.

O homem não baixou o olhar, tampouco prestou reverências ao rei presente ali, apenas fitou-o com desdém, como se sentisse nojo.

— Quando Vossa Majestade chamar meu nome, por favor, não olhe... — Jimin ouviu a típica voz rouca soar próximo a sua orelha esquerda, em um tom baixo para que apenas ele entendesse. Nem sequer havia notado o elfo chegar, pois estava curioso para saber o que aconteceria com o rapaz trazido à frente.

— Por quê? — atreveu-se a questionar, sussurrando.

— Apenas não olhe, por favor.

Park nada mais respondeu, pois logo percebeu que Yoongi voltou a falar.

— Confesse seus crimes, agora! Confesse e talvez eu possa ter um pouco de misericórdia com o senhor — o rei proclamou, ordenando, fazendo sua voz ecoar por todo o ambiente.

Ainda sem mostrar qualquer tipo de respeito para a realeza, o homem deu de ombros.

— Não cometi crime algum — foi só o que disse.

— Oh, é mesmo? — Min odiava quando alguém inferior a si não o tratava com os devidos honoríficos; odiava ainda mais quando era contrariado. — Soldado Kim, traga as vítimas! — O rapaz alto se ausentou por poucos segundos até trazer consigo dois garotos e uma garota. Todos os três fizeram uma reverência respeitosa ao ficar de frente para com a Majestade, dispostos a depor. Eram pessoas simples, camponeses. — Por favor, contem-nos os crimes que este homem cometeu.

Um dos garotos, o mais alto, tomou a iniciativa e deu um passo à frente, curvando-se para o rei mais uma vez e então proferiu:

— Este homem espancou Park Saehoon até que ele desmaiasse. Quase o matou, Vossa Majestade. — O rapaz tinha seus olhos umedecidos pelas lágrimas que começavam a despencar silenciosas pelo seu rosto.

— E por qual motivo ele fez isso? — O nobre continuou seu interrogatório.

— Porque ele nos viu... juntos.

— Não esconda nada, meu jovem. — Min sabia que havia mais ali, e por isso o incentivou a contar a história por completo.

— Nós estávamos nos beijando. E quando nos separamos para ir trabalhar, ele foi atrás de Saehoon e cometeu essa atrocidade. — Ele se ajoelhou diante do rei, em prantos. — Por favor, eu clamo por justiça, Majestade.

O rei voltou-se para o criminoso, o fitando com um sorriso um tanto quanto sádico.

— Continua achando que não cometeu crime algum?

— Isso não é um crime — o homem teve coragem de desafiar a autoridade suprema de todo o reino. — Estava apenas tentando ensinar a essas aberrações o que é certo.

— Senhorita, conte-nos qual outro crime este senhor cometeu. — A voz firme de Yoongi começou a ficar cada vez mais grave, evidenciando a raiva que se impregnava em seu interior.

Timidamente, a moça tomou a frente, fitando os pés, com sua coluna curvada. Não tinha coragem de encarar o rei, ainda que estivesse na razão.

— E-Este homem... me... me violentou, Majestade.

— Por Deus! Esta mulher é uma prostituta!

— Independente da profissão desta moça, fazer sexo sem o consentimento de uma pessoa é considerado violação — argumentou, enquanto todos os outros ali presentes mantinham-se calados. O silêncio era unânime. As pessoas praticamente nem piscavam. — Então, conforme a sua lógica, violentar uma mulher é certo, porém o amor de dois homens é errado?

O homem ficou calado desta vez, mas fitava o rosto da Majestade com um ódio mortal.

— Confesse seus crimes, maldito! — Dessa vez, Yoongi se levantou, e andou alguns passos para frente, apenas para poder observar melhor o que em breve aconteceria. Como o rapaz continuou em silêncio por longos segundos, o nobre então continuou. — Se é assim, então, eu, o rei desta nação, te sentencio à morte. — A voz ecoou pelos ares, firme como sempre. — Jeon Jungkook, acabe com ele!

Jimin sentiu Jungkook começar a afastar-se de si, a fim de cumprir a ordem real, e sabia que esse era o momento em que não deveria olhar, mas simplesmente não quis cumprir tal pedido, afinal, por tantas vezes desejou poder queimar, ou no mínimo fazer sofrer todos os homofóbicos criminosos que existiam no futuro. Então apenas continuou firme em seu olhar.

No entanto, algo atrapalhou aquele momento.

— Pare! — Era a voz da rainha-mãe. — Eu peço piedade por este homem. Ele não está totalmente errado.

Yoongi bufou quando sua progenitora parou ao seu lado.

— E em que parte a senhora acha que ele está certo?

— Dois homens em um relacionamento. Isso é errado! E esse senhor estava certo em punir esse tipo de aberração!

A Majestade fechou os punhos, irritado.

— Acha mesmo que devo ficar quieta diante dessa situação? Você vive fodendo homens por este palácio para que qualquer um possa ouvir... É uma vergonha para a família real! E se todos descobrirem? O que seu povo irá pensar? — a rainha-mãe murmurou, enfurecida, para que apenas o seu herdeiro fosse capaz de escutar.

— Mamãe... — Yoongi começou, em alto e bom som para que todos pudessem lhe ouvir, abrindo um sorriso gengival debochado. — Eu não fodo homens... Sou fodido por eles!

A mulher de cabelos negros arregalou os olhos diante da fala do seu filho e se sentiu ofendida.

— Pare! Pare com esse absurdo! Isso é anorm-

— Cale a boca! — o nobre a interrompeu.

— Isso é jeito de falar com sua própria mãe? Eu sou a rainha-mãe e você deve me respeitar!

— E eu sou o rei desta nação! Se eu quiser ser fodido por quatro homens ao mesmo tempo, ninguém irá me impedir. Nem mesmo a senhora — Min esbravejou. — E a propósito, aposto que todos neste reino já estão cientes sobre o meu gosto particular pelo mesmo gênero. Faço questão de contar meu segredo até mesmo aos deuses, se for preciso.

E com tal fala, aquela conversa se deu como encerrada, com a mulher nobre saindo a passadas pesadas, bufando e espumando de raiva.

De uma coisa todos poderiam ter certeza: Min Yoongi era direto em suas palavras e não tinha medo de julgamentos alheios.

— Jeon Jungkook! Queime logo esse homem e lhe dê uma morte dolorosa! — ordenou, mais uma vez.

O elfo não hesitou em obedecer, e direcionou-se até onde o rapaz, que ninguém ali conhecia o nome, estava. Namjoon o havia amarrado sentado em uma cadeira, conhecida como trono de fogo. Era ali que muitos dos criminosos morriam queimados, e onde aquele homem certamente também cumpriria o seu destino. Jungkook percebeu que o indivíduo não parecia ter medo de si, mesmo sabendo que morreria ali, nas suas mãos. Era uma pessoa orgulhosa, jamais admitiria seus crimes.

O general Jeon então fez o que já estava acostumado a fazer. Repousou suas grandes mãos sobre os ombros do rapaz, e deixou que seu poder fizesse seu trabalho. As palmas tingiram-se de um vermelho vibrante até que a fumaça começou a se formar quando as vestes dele ficaram em chamas. O homem tentou resistir, porém poucos minutos depois não conseguiu mais aguentar e os gritos de dor ultrapassaram sua garganta, ecoando por todo o palácio, e talvez por todos os arredores daquele reino.

De longe, Park Jimin assistiu àquela cena. Um calafrio tomou conta do seu interior.

Mais alguns minutos se passaram, e o corpo do homem havia se transformado em meras cinzas.

DIA 1

Naquela manhã, Min Yoongi acordara animado. Não pelo que teria que fazer durante o dia inteiro, mas com quem iria fazer. Vestiu-se em roupas mais simples, porém ainda assim bonitas e elegantes; pegou a sua hwando antiga que havia herdado de diversas gerações de reis, a qual nunca sequer havia utilizado, e por fim direcionou-se ao campo de treinamento dos soldados. Qualquer um poderia notar sua felicidade, pois diferente do usual, o rei cumprimentava cada funcionário do palácio que encontrava no caminho até chegar ao seu destino. Os portões foram abertos pelos seus servos, e ele por fim os atravessou e viu uma imensidão de guerreiros praticando luta e golpes de espada. E assim que foi notado ali, todos pararam o que faziam para prestar as devidas reverências a ele.

— Vossa Majestade! Seja bem-vindo! — saudou Taehyung, abrindo um sorriso largo. Curvou sua coluna cerca de 45° e aproximou-se do rei.

Yoongi já estava tão acostumado com a formalidade de Kim que nem tentava mais pedir para ele ser informal consigo.

Logo depois, Taehyung notou que o soberano havia trazido a sua hwando, de tons esverdeados, e seus olhos brilharam de curiosidade. Era uma relíquia, uma peça histórica e muito poderosa. — Posso ver sua espada, Majestade? — pediu, ansioso.

Min abriu um sorriso malicioso, mas tentou disfarçar.

— É claro, Tae. — E entregou-lhe o objeto raro.

Era evidente a empolgação do curandeiro real ao ter aquela peça tão valiosa em suas mãos. Ele tirou a lâmina da capa e viu como ela continuava impecável. Provavelmente precisaria de alguns poucos reparos, por ficar tanto tempo sem uso, mas se encontrava em ótimo estado de conservação.

— É muito bonita, Majestade. Porém não vamos usá-la hoje.

O rapaz a deixou de lado, junto a sua própria hwando.

— Não vamos? — Yoongi indagou, curioso. Afinal, tinha vindo ali para aprender a usá-la. — Achei que fosse me ensinar a lutar com a espada.

— Eu irei, Majestade. Todavia, lidar com uma espada envolve muito mais habilidades do que o senhor pensa. — Àquela altura, os demais soldados já haviam voltado às suas atividades de treinamento. — Acha que eles aprenderam a esfaquear o inimigo da noite para o dia?

— É claro que não. Eles passaram dias, semanas e meses treinando. Talvez anos!

— Exatamente! Então vamos começar com uma das habilidades mais importantes para lidar com a espada: a resistência física. — Taehyung propôs, aproximando-se do rei aos poucos. — O senhor deve correr trinta voltas ao redor do campo de treinamento, apenas para aquecer.

Min queria morrer. Ele odiava fazer qualquer tipo de esforço físico. Odiava até mesmo o simples fato do seu palácio ser tão grande a ponto de ter que caminhar por tantos metros para se locomover dentro dele. E agora tinha que correr trezentas mil voltas ao redor do campo de treinamento simplesmente para aprender a lidar com uma espada? Adorava Taehyung, mas estava começando a se arrepender daquela ideia. Onde estava a parte em que interagiria com o Kim enquanto ele tocaria seu corpo para arrumá-lo na posição certa a fim de atacar o inimigo com a espada? Passou a noite toda fantasiando sobre aquilo.

Um biquinho mimado se formou nos lábios do nobre. Entretanto ele obedeceu ao pedido do maior, e a contragosto começou a correr. Correu tão rápido devido a raiva que se cansou em poucos minutos. E tinha dado apenas uma volta ao redor do campo. Restavam vinte e nove.

— Não corra tão rápido, Majestade. — O curandeiro real, que no momento se encontrava na função de treinador, foi até Yoongi e logo passou a secar o suor do seu rosto com uma flanela suave. — Pode passar mal!

— Eu... só... estava... tentando... dar o meu... melhor — concluiu a frase depois de muito esforço, respirando fundo entre cada palavra dita.

— E o senhor fez bem em tentar. Mas não pode esforçar-se ao extremo. — Kim, como médico, não demorou em segurar o pulso do menor para poder sentir a pulsação do rei; e confirmou suas expectativas, estava acelerado demais. — Venha! Descanse um pouco.

O rapaz ofereceu água ao nobre, e ele aceitou de imediato.

— Beba devagar, por favor. — Taehyung estava tão preocupado que se arrependeu de ter dado um treinamento tão exaustivo logo no primeiro dia.

Após alguns minutos, quando havia finalmente se recuperado, Yoongi se levantou mais uma vez, e voltou a correr, tentando continuar sua missão. Porém, sentiu a mão forte do Kim o segurar pelo braço, o fazendo estagnar imediatamente. — Ainda faltam vinte e nove voltas... — falou, achando que seria suficiente para justificar.

— Me desculpe por fazê-lo se esforçar tanto, Majestade. Podemos tentar um treinamento mais leve, se preferir.

— Não! — respondeu, absoluto. — Não sou frágil a ponto de precisar de um "treinamento mais leve". Vou conseguir, não se preocupe. — Ele estava decidido e não mudaria de opinião.

— Corra mais devagar agora, para não se cansar — sugeriu Taehyung, e ele se sentiu mais aliviado ao ver o sorriso gengival aparecer. Decidiu acompanhá-lo na corrida, lado a lado com o rei. Isso provavelmente o incentivaria. Estava apenas iniciando o treinamento, portanto ainda estava aprendendo a ensinar. Nunca fora um professor antes, e receber a tarefa de ser professor da Majestade era um tanto quanto desafiador.

Duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito... dezenove, vinte, vinte e um, vinte e dois... E já não aguentava mais! Vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove. Finalmente!

O corpo de Min se encontrava totalmente umedecido pelo suor. Jamais havia se exercitado tanto em sua vida quanto naquela manhã. Sua respiração chiava, e suas pernas doíam bastante. Por mais que fosse jovem, parecia um senhor de sessenta anos, totalmente sedentário. Já o maior continuava respirando normalmente, apesar de estar suado também. E droga! Por que ele tinha que ser tão atraente com os fios de cabelo úmidos colados as suas bochechas rosadas? Viu seu treinador arregaçar as mangas das suas vestes um pouco, deixando os bíceps a mostra, para livrar-se do calor, e pelos deuses, por que ele tinha que ser tão gostoso?

DIA 04

O rei já não aguentava mais correr ao redor do campo de treinamento. A cada dia que se passava, Kim aumentava dez voltas. Naquele quarto dia, eram sessenta voltas para dar. Quando achava que estava começando a ganhar resistência, as coisas ficavam cada vez mais difíceis de se realizar. Depois de correr, precisava pular corda e fazer flexões. Suas curtas pernas já pareciam detonadas para si, e seu inconsciente pedia desesperadamente para desistir de tudo aquilo. Mas não podia; tinha que ser persistente. Primeiramente porque gostaria de dar orgulho ao seu treinador; e em segundo, porque precisava aprender a se defender sozinho, caso houvesse algum conflito sangrento no futuro.

E com isso em mente, ele continuou firme e forte até completar a última volta.

DIA 15

Min Yoongi já estava se preparando para correr as cem voltas daquele dia. Todavia, Taehyung o parou e segurou em sua mão até trazê-lo a um local aberto e espaçoso, longe dos demais guerreiros. O nobre ficou confuso, afinal já tinha se acostumado com tal rotina. Mas permaneceu quieto, apenas aguardando os ensinamentos.

— Hoje o seu treinamento será um pouco diferente, Majestade — proferiu, e surpreendeu o rei ao jogar um graveto comprido e espesso na sua direção. O graveto caiu logo ao seu lado, fazendo um pequeno ruído ao chocar-se com o solo. — Pegue. Tem o mesmo peso de uma hwando. Vamos praticar um pouco de agilidade e alguns golpes de ataque, assim como algumas táticas de defesa.

— Com gravetos? — indagou, receoso.

— Sim, não quero correr o risco de machucá-lo, meu senhor. — O mais novo tinha sua feição séria, concentrado como um ninja guerreiro.

O canto dos lábios de Yoongi curvaram-se para cima em um breve sorriso sem dentes.

— Primeiramente, um dos fatores mais importantes, e que muitos guerreiros nunca aprendem e perdem suas vidas por isso, é que não se pode focar no principal oponente que você está atacando no momento. Até porque em uma batalha, vários indivíduos tentarão te atacar de uma só vez. — Iniciou as explicações, enquanto se posicionava atrás de Min. — Os demais oponentes podem vir de qualquer direção, portanto é necessário ter uma visão ampla. — O rei ainda estava se sentindo perdido no assunto, e seu olhar estava fixo no graveto em sua mão. — Não foque na espada. Nem na vítima. — Taehyung levou sua mão ao rosto adorado do nobre e o fez olhar para a frente, no horizonte. — Olhe para tudo ao mesmo tempo.

Em seguida, o médico tentou arrumar o corpo do seu aluno, já que ele estava totalmente relaxado, como se estivesse confortavelmente sentado em seu trono.

— Outro fator importante: a postura. Existem várias posturas durante a batalha. Como por exemplo, a de ataque ou a de defesa. — O treinador fez com que Min ficasse ereto, porém com os músculos relaxados e com os joelhos levemente flexionados. Ergueu o braço do nobre, ajeitando a "hwando" de graveto de maneira correta em sua mão. — Pode segurar com firmeza, mas não aperte demais. As vezes o segredo não é a força do golpe, e sim a velocidade e agilidade em que você o desfere.

Yoongi estava impressionado com o conhecimento aprofundado que Kim tinha sobre o assunto. E ele não dizia aquilo de qualquer maneira. Dizia com paixão em seu interior. Nunca havia pensado naquilo com tal ponto de vista. Um guerreiro não tinha tal título por apenas sair de uma luta vitorioso; era um processo muito mais árduo que envolvia tanto o psicológico quanto o físico.

DIA 33

Por mais que um mês não fosse nada em comparação a anos de treinamento pelos quais os guerreiros normalmente passavam, a Majestade estava aprendendo mais e mais a cada dia que se iniciava. Seu físico começou a se habituar e a ganhar mais resistência, aos poucos, e sua mente tentava reproduzir todos aqueles golpes que Taehyung lhe mostrara.

E naquele dia em especial, mais uma nova etapa se iniciaria no seu treinamento.

Encontrou, sobre sua cama, um conjunto de armaduras reluzentes. Não tinha um arranhão sequer. Era moldado no ferro mais resistente da época, exatamente para o seu tamanho diminuto. Logo ao lado, estava a sua espada, que não via há dias. Agora ela se encontrava totalmente reparada, com a lâmina faiscando de tão afiada. Min ficou confuso, mas encontrou um bilhete ao lado de todos aqueles equipamentos de batalha.

"Hoje vamos praticar de verdade. Gostaria que Vossa Majestade colocasse em prática tudo o que aprendeu ao longo desse mês. Então vista a sua armadura e venha ao meu encontro portando a sua hwando.

K. Taehyung"

E foi o que ele fez, embora estivesse tremendo de medo. Medo de decepcionar o maior. Não queria decepcioná-lo, afinal o curandeiro real se dedicou bastante para lhe passar tais conhecimentos. Entretanto, ele respirou fundo. Olhou-se de cima para baixo, sentindo-se mais pesado do que nunca. Cambaleou um pouco para dar os primeiros passos, até se acostumar com o peso da armadura. Prendeu a hwando em sua cintura e foi.

Quando viu o mais novo, ainda de longe, lhe fitando com expectativa, seus pés vacilaram a continuar caminhando. Teve vontade de fugir, principalmente porque o Kim também se encontrava vestido a caráter, com sua respectiva espada em mãos.

Respirou fundo e tomou coragem. Deu mais alguns passos, até ficar de frente para o rapaz alto.

— Você veio, Majestade. — Os dentes brancos do médico foram expostos enquanto seus olhos tornavam-se risquinhos.

— E por que não viria?

— Talvez por receio, não sei. Lembro-me bem quando estava no seu lugar — comentou Taehyung. — Eu quis correr para longe e fugir do meu treinador. — E de fato era assim que o rei se sentiu momentos antes. — Mas não se preocupe, pois o senhor será o único a atacar. Você ataca com os golpes que aprendeu, e eu irei tentar me defender.

Yoongi arregalou os olhos, surpreso. — E se eu te machucar, Taehyung-ssi? Não quero te machucar! — exclamou, mas logo se deu conta de que estava sendo ridículo. Como se fosse capaz de machucá-lo.

— Não fique assim, Majestade. Caso isso ocorrer, significa que te treinei bem e vou ficar feliz. E quanto ao machucado, temos o sangue de Jungkook que pode me curar, se for o caso. Não se preocupe e faça sem medo.

Kim se posicionou em defesa, e curvou seu tronco como sinal de que a luta podia ser iniciada. E com isso os braços do rei começaram a tremer, junto ao nervosismo que surgia em seu interior. Ele fez a posição de ataque, e logo tentou avançar contra o maior, desferindo um golpe de baixo para cima. O tintilar de lâmina contra lâmina ecoou pelos ares, dando o sinal de que o treinador havia se defendido, e com sua força impulsionou o corpo do menor para trás, o fazendo cambalear um pouco.

— Perdão, Majestade!

Mais dois, três, quatro golpes, todos diferentes, e todos defendidos pelo treinador. O suor daquela luta era perceptível em ambos, principalmente no mais velho que tinha o rosto todo completamente molhado.

O único ruído perceptível no ambiente era o de espada contra espada, toda vez que Yoongi tentava atacar. E ele estava prestes a desistir, quando gritou com todo fôlego de seus pulmões, e tentou um último golpe.

A lâmina da hwando raspou contra a armadura de Taehyung, criando um som agudo estridente, enquanto a respiração dele chiava quando finalmente desabou no chão de joelhos.

O curandeiro real ajoelhou-se também, em frente ao garoto amado, e segurou suas mãos, que já haviam soltado a espada.

— Parabéns, Majestade! Você conseguiu!

— Tem... certeza? — murmurou, incerto, cansado ao extremo. — Você não fez de propósito para que eu vencesse?

— Não, Majestade. Eu juro! Você venceu por conta própria!

O rei sentiu-se se aliviado por conseguir suceder em sua missão sem machucar Taehyung. Já o outro estufou o peitoral de orgulho. Sabia que tinha muito o que ensinar ao nobre jovem, mas já se sentia muito feliz pelo avanço notável dele; principalmente por conta do seu esforço. Min então jogou-se contra o corpo do maior, o envolvendo em um abraço caloroso. Embora as armaduras atrapalhassem o contato, nada pode atrapalhar aquele momento. Queria poder ficar assim para sempre, confortável e seguro ali. Mas havia algo que precisava fazer; algo que tinha em mente há vários meses. E não poderia existir outro momento melhor para fazê-lo.

Aos poucos, ele afastou o corpo de Taehyung, mas não o rosto. Levou a pequena mão à bochecha esquerda do curandeiro, acariciando suavemente. E então voltou a se aproximar, centímetro após centímetro, até sentir a respiração quente do outro queimar seu nariz. Arrepios infinitos tomaram conta de todo o seu ser, e em seguida os lábios da Majestade encontraram os do seu treinador, dando-lhe um beijo terno e envolvente. Percebeu o mais alto ficar totalmente tímido naquele instante, e a pele bronzeada arder contra a palma da sua mão. Sabia que precisava tomar o comando, e por isso fez com que Kim se deitasse no chão, ficando no topo dele. Seu sorriso gengival combinava com o quadrado do outro; eram feitos um para o outro.

— Majestade... — murmurou o rapaz, com um fio de voz.

— Hmmm? — Min apenas sussurrou, louco para continuar o que estavam fazendo. Não se importava em estar no meio do campo de treinamento, com funcionários lhe observando. Apenas queria tê-lo só para si ali.

— Esse foi o meu primeiro beijo — continuou, com seu jeito inocente de ser. Aquele jeito pelo qual Yoongi sempre fora apaixonado. Abriu o típico sorriso que fazia seu coração derreter-se de amores.

O nobre garoto que reinava aquele país gostaria de dizer o mesmo. Porém, já tinha beijado várias bocas antes da sua, infelizmente. E se arrependia amargamente agora que reencontrara sua alma gêmea.

Eu te amo, Kim Taehyung. Sempre te amei! — revelou, voltando a beijar os lábios deliciosos do curandeiro real.

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